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A sutil relação entre os brechós e a sensação de ser um consumidor consciente
"Brechós têm sido um lugar para depósito do consumo desenfreado" (Foto Freeimages)

A sutil relação entre os brechós e a sensação de ser um consumidor consciente

Fabiana&Marcela_500Boa parte do trabalho dos brechós nos últimos tempos tem sido atender ligações de pessoas perguntando se estão comprando peças. Sim, estamos. Mas não a todo o momento. Pois não estamos dando conta de tanta oferta. Mesmo com o ‘boom’ de abertura de brechós que presenciamos nos últimos anos, a demanda do ‘vou vender minhas peças no brechó’ está infinitamente maior do que a procura por peças de segunda mão.

O que infelizmente temos percebido é que os brechós têm sido um lugar para depósito do consumo desenfreado, um alento e um alívio para a consciência de quem muito consumiu sem pestanejar.  ‘Compro hoje, se eu me arrepender desovo amanhã num brechó, sou remunerada por isso e ainda abro espaço no guarda-roupa para as peças da coleção da próxima semana’ ainda é o modelo mental da maioria.

‘Ah, mas mandando as peças para um brechó ou bazar eu estou praticando o consumo consciente’. Então, mais ou menos. O consumo consciente vai além de mandar peças para longe dos seus olhos, o que pode ser um alento, mas é também uma falsa sensação de que você é sustentável.  O começo da atitude sustentável vem antes disso, se encontra no ato da compra ou no impulso dela. Sabemos que onde tem consumismo, tem impacto em algum lugar. No planeta ou bem aqui, do nosso ladinho. Esse desequilíbrio demonstra que ainda estamos longe de práticas sustentáveis quando o quesito é roupa e afins. A moda é a segunda indústria que mais polui na hora de produzir suas peças e a que tem mais dificuldade em descartar, uma vez que a maioria dos tecidos não são biodegradáveis ou recicláveis. Ainda que você mande suas coisas para o bazar da igreja, troque entre as amigas, doe para um morador de rua ou venda para um brechó, é preciso reduzir o consumo, a única maneira de reduzir esse impacto ambiental.

A responsabilidade está em consumir de forma consciente, sabendo escolher a peça que realmente precisa antes de levar para casa, evitando que ela seja usada uma única vez, ou pior, que fique esquecida no armário e acabe sendo desovada em um brechó ou num bazar sem sequer ter sido usada. Comprar menos, escolher peças com boa qualidade e que tenham durabilidade, conhecer seu corpo, valorizar seu estilo independente de modismos são pequenas dicas que podem contribuir muito para um planeta melhor.

O Portal Ecoera (www.portalecoera) que tem a missão de mostrar como podemos impactar de forma positiva o meio ambiente e a sociedade com atitudes práticas do dia a dia sugere 5 passos para se tornar um consumidor consciente. Veja que não é preciso muito esforço:

#1
Primeiro de tudo pergunte se realmente você precisa daquele produto. Aproveite para organizar seu guarda roupa. Veja se a peça que deseja comprar pode ser coordenada com outras que você já tem.

#2
Sempre experimente a peça antes de adquirir. Assim, não leva para casa uma roupa que não lhe cai bem e que vai ficar parada sem uso.

#3
Pesquise, seja curioso e busque o máximo possível de informações sobre a marca que fabricou a peça que está levando. Faça sempre as seguintes perguntas antes de finalizar uma compra: quem, como e onde foi feita a peça que vou vestir. Promova marcas que são transparentes, valorizam seus colaboradores e usam matérias primas mais limpas e de menor impacto ambiental.

#4
Pense a longo prazo e prefira peças de qualidade, que possam durar muito tempo. O barato sai caro. Desconfie quando o preço é muito baixo, pois o material provavelmente também é de baixíssima qualidade e a mão de obra não foi paga de forma justa.

#5
Leia etiqueta e promova o feito no Brasil. Quando compramos peças nacionais, estamos fomentando a economia local e valorizando a nossa cultura.

E a gente ainda acrescentaria: inclua os brechós na sua vida. A longo prazo, é uma atitude que pode contribuir para inibir a produção desenfreada das ‘fastfashions’. A roupa de segunda mão é aquela que já foi produzida, os recursos naturais já foram gastos e ela está aí dando sopa.

Já falamos aqui  sobre isso, mas vale lembrar: brechós são espaços para você garimpar peças bacanas, únicas, com uma boa história, a preços mais atrativos do que uma peça nova. São espaços que te ajudam a encontrar seu estilo – e isso vai te tirar da zona de conforto, é importante ressaltar – mas vai te ajudar a encontrar a roupa que mais combina com você, independente se está na moda ou não. Até porque estilo não é algo passageiro, portanto muito mais assertivo. Parar e pensar antes de comprar, levar apenas o que realmente precisa, buscar algo que já está produzido são, sem dúvida, formas de praticar um consumo mais consciente.

(Leia todos os posts do Blog Desacomoda, de Fabiana Pacola e Marcela Pacola, aqui)

Sobre Fabiana & Marcela Pacola

FABIANA PACOLA IUS – Paulista, Jornalista e comprometida com o design. Planejar o visual gráfico é um desafio que considera fascinante. Acredita nas sutilezas do humor. Ultimamente anda de mãos dadas com a economia criativa e colaborativa. A sustentabilidade e o consumo consciente andam rondando seu cotidiano. MARCELA BRANDI PACOLA – Paulista, administradora de empresas, curiosa e inquieta. Dentre suas paixões, a moda e a arte sempre ocuparam um lugar especial. Depois de uma longa jornada pelo mundo corporativo, resolveu dar uma chacoalhada na sua vida e se aventurar pelo universo da economia criativa. Acredita que os novos modelos de negócio desenvolvidos a partir da criatividade e do colaborativo nos ajudarão a construir um futuro mais humano e sustentável.

4 comentários

  1. franz ambrosio

    parabens… na mosca!!!

  2. Acompanho o blog e também frequento brechós, bem antes de virar moda. Tenho observado que está cada vez mais comum encontrar pessoas viciadas em grifes – mas que perderam o poder aquisitivo – garimparem brechós em busca de roupas de marca. Tudo certo, nada contra. Entretanto, quando abordamos o tema consumismo, fico pensando se o que mudou não foi apenas o local de compra, para continuar consumindo de maneira desenfreada, mas agora pagando menos. Sugiro abordarem essa relação do consumo pós-crise, onde alguns brechós se tornaram a porta da esperança para quem não consegue deixar de comprar o que não precisa e nem consegue se livrar do hábito de ostentar o visual de roupas caras… fica a sugestão!!

  3. Marcela Pacola

    Oi Cibele. Obrigada por seguir nosso blog e pela sugestão! Esse movimento que você comentou acontece sim e infelizmente isso não contribui muito com o consumo sustentável. Como dissemos no artigo, é preciso consumir menos e de forma mais consciente. Vamos torcer para que, aos poucos, as pessoas consigam mudar seus hábitos para algo mais sustentável. Um beijo!

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