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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Andre Sarria</title>
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		<title>O homem que cheirava a amêndoas</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2019 19:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andre Sarria]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Isabel sabia que alguma coisa ia mal com seu marido, sua suspeita começara quando ele começou a cheirar a amêndoas. Naquele dia ele chegou em casa mais cedo que de costume, disse que estava cansado e que iria dormir um pouco. Os dias passavam e o cheiro de amêndoas que vinha de seu marido deixava-a ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Isabel sabia que alguma coisa ia mal com seu marido, sua suspeita começara quando ele começou a cheirar a amêndoas. Naquele dia ele chegou em casa mais cedo que de costume, disse que estava cansado e que iria dormir um pouco. Os dias passavam e o cheiro de amêndoas que vinha de seu marido deixava-a cada vez mais preocupada.</p>
<p>Apesar de suas manifestações de que fosse ao médico, seu marido insistia que estava bem, que sua saúde era das melhores e que esquecesse aquela loucura de cheiro de amêndoas. Apesar de continuar com a pulga atrás da orelha, Isabel baixou a guarda, afinal, o que dizer ao médico? “Estou preocupada, pois meu marido cheira a amêndoas?”</p>
<p>Talvez o médico a chamaria de louca ou coisa do tipo; deixou essa preocupação de lado, pois talvez fosse coisa de sua cabeça. Passou o tempo e, um dia, Isabel foi se reunir com um médico especialista em doença de Parkinson.</p>
<p>Chegou bem antes da hora marcada e, tão logo se sentou na sala de espera, teve uma crise de ansiedade. Suas mãos tremiam e a cabeça era como se inchasse e murchasse como uma bexiga. “Como é possível, meu Deus? vou ter um treco!” A sala inteira cheirava a amêndoas!</p>
<p>Os pacientes que ali estavam, todos, cheiravam a amêndoas o mesmo cheiro de amêndoas, que vinha de seu finado marido estava ali tão presente quanto a imagem que ainda tinha dele. Tentou manter a calma, tomou um copo de água e viu que, sentado a sua frente, estava um senhor tomando água. Isabel teve uma ideia, era maluca, mas lógica já não importava pra ela.</p>
<p>Precisava cheirar aquele copo. Esperou que o senhor se distraísse com uma revista e, num gesto rápido, pegou o copo da lixeira, disfarçou, foi ao banheiro carregando aquele atestado de loucura. Isabel cheirou o copo e reconheceu aquele mesmo cheiro de amêndoas que vinha de seu marido. Foi ali que ela descobriu que tinha um dom.</p>
<p>A história narrada foi baseada na inglesa Joy Milne, pois ela possui o que se chama de super olfato, uma habilidade de sentir odores que a maioria das pessoas não possui. Essa habilidade talvez tenha vindo de uma experiência chamada de sinestesia, uma condição neurológica em que os sentidos se misturam, é como se Joy fosse capaz de ver o fluxo de cheiros e experimentar sensações.</p>
<p>Ela descobriu esse dom quando começou a sentir cheiro de amêndoas que vinha de seu marido Les que falecera vítima de Parkinson. A doença de Parkinson é uma condição em que as células produtoras de dopamina no cérebro são destruídas, levando a tremores e dificuldades de movimento, e ainda não existe cura para essa doença.</p>
<div id="attachment_15669" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/Amendoas.jpg"><img class="size-full wp-image-15669" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/Amendoas.jpg" alt="Joy Milne e seu apurado senso de olfato (Foto Telegraph.co.uk)" width="830" height="368" /></a><p class="wp-caption-text">Joy Milne e seu apurado senso de olfato (Foto Telegraph.co.uk)</p></div>
<p>Até onde se saiba, não existe nada na literatura que mostre que quem é diagnosticado com essa doença possui algum cheiro diferente, por assim dizer. Então, quando Joy conheceu o neurobiologista Tilo Kunath, especialista em doença de Parkinson, ela perguntou sobre esses estranhos cheiros, e ele disse que não conhecia nada a respeito, mas que existiam muitos casos de cães que eram treinados para diagnosticar câncer de pulmão, diabetes e malária, então por que isso não poderia ocorrer com Joy, com certeza, esse assunto deveria ser investigado.</p>
<p>O neurobiologista então fez um teste com Joy. Ele lhe entregou algumas camisas usadas por pessoas que tinham Parkinson e outras que não tinham. Joy somente tinha que cheirá-las e dizer quem tinha a doença e quem não a tinha. Ela acertou todas, com exceção de uma, de qual ela disse que tinha a doença, mas ela não tinha sido diagnosticada com Parkinson.</p>
<p>Passados oito meses, a pessoa que Joy “confundiu” dizendo que tinha a doença, de verdade, foi diagnosticada com a doença de Parkinson. Antes mesmo de ela ter sido diagnosticada, Joy já farejara a doença nela. Esse era o teste final e, de verdade, Joy era capaz de detectar, ou de cheirar, a doença muito antes mesmo de ser diagnosticada. Hoje, Joy, uma enfermeira aposentada, está envolvida em pesquisas com diagnóstico de doenças e seus cheiros.</p>
<p>Grupos de diversos países coletam odores de pessoas e os analisam através da chamada cromatografia com detector de massas, equipamentos que são capazes de separar cada “cheiro” que a pessoa apresenta e, com isso, é capaz de comparar um padrão de cheiros entre pessoas saudáveis e pessoas enfermas e encontrar um composto-chave que poderia ser o indício da doença.</p>
<p>Existem diversos trabalhos na literatura, nos quais veterinários e pneumologistas coletam cheiros da respiração de gado e tentam, a partir desses cheiros, encontrar compostos que poderiam ser indicadores de tuberculose bovina. Uma forma segura e rápida de diagnóstico.</p>
<p>Essa história de Joy me fez lembrar o livro “O Perfume” do escritor alemão Patrick Süskind. O livro conta a história de um homem que possui um olfato bastante desenvolvido que lhe dá uma percepção extremamente apurada do mundo e das pessoas ao seu redor. Um dos meus trechos favoritos diz o seguinte:</p>
<p>“As pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras, mas não podiam escapar do aroma, pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.&#8221;</p>
<p>A natureza se comunica através de odores, plantas falam com suas vizinhas através de uma mistura de cheiros, sendo que cada um deles representa uma palavra e as misturas formam frases. Ao “ouvir” esses “sons”, as plantas respondem e modificam seu metabolismo, podendo influenciar no comportamento de insetos e outros animais; assim as plantas podem controlar o comportamento deles. Pouco se sabe sobre a influência dos odores na espécie humana.</p>
<p>Talvez Jay, que, há muitos anos viu que algo ia mal com seu marido porque ele cheirava a amêndoas, tenha aberto uma nova linha científica.</p>
<p><span style="color: #444950;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;background-color: #f1f0f0"> </span></p>
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		<title>Alzheimer e os dentes</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Feb 2019 18:39:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andre Sarria]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Blog Cultura Viva]]></category>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[POR ANDRE SARRIA Eu poderia começar este texto com um título bem alarmante como “cientistas talvez tenham descoberto a cura do Alzheimer” não porque eu queira chamar a atenção e conseguir mais leitores e likes ou levantar teorias conspiratórias sobre curas de doenças e empresas farmacêuticas, mas porque prefiro manter os pés no chão ao ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>POR ANDRE SARRIA</strong></p>
<p>Eu poderia começar este texto com um título bem alarmante como “cientistas talvez tenham descoberto a cura do Alzheimer” não porque eu queira chamar a atenção e conseguir mais leitores e likes ou levantar teorias conspiratórias sobre curas de doenças e empresas farmacêuticas, mas porque prefiro manter os pés no chão ao comentar uma nova descoberta que está mudando de verdade a maneira de se pensar e estudar a doença de Alzheimer.</p>
<p>Quem sabe daqui alguns anos eu não volte aqui e mude o título deste texto e o coloque em letras garrafais como “A CAUSA DO ALZHEIMER É UMA BACTÉRIA QUE PROVOCA A GENGIVITE.” Devido às muitas descobertas em saúde e avanços médicos, as populações começaram a envelhecer, e, por conta disso, muitas doenças se destacaram sobre as outras, e as mortes por demência passaram a ser a quinta causa de óbitos em todo o mundo, sendo que o Alzheimer corresponde a cerca de 70 por cento desses casos.</p>
<p>Ainda não se sabe bem o que causa a doença, que vai progressivamente provocando a perda de memória e cognição, pois essa doença leva décadas para se consumar e vai, pouco a pouco, definhando a pessoa.</p>
<p>A condição envolve a acumulação de duas proteínas no cérebro, chamadas de amiloide e tau. Desde 1984, esta é a condição chave para a causa do Alzheimer: o acúmulo dessas proteínas. Então tudo se voltou para impedir esse acúmulo, centros de pesquisa, universidades e empresas passaram a entender e combater a “hipótese amiloide”. Impede-se a sua formação, evita-se a progressão da doença.</p>
<p>Muito dinheiro foi investido para o desenvolvimento de drogas que impedissem a formação das proteínas no cérebro; somente no ano passado quase dois bilhões de dólares foram investidos em experimentos envolvendo animais geneticamente modificados para produzir proteínas amiloides e no desenvolvimento de drogas para impedir ou para destruir a sua formação.</p>
<p>Tornou-se claro, porém, que essa estratégia não está funcionando. De acordo com o estudo “the price of progress: Funding and financing Alzheimer&#8217;s disease drug development” cerca de 99% de todo esse dinheiro não trouxe nenhum sopro de esperança para entender e combater essa doença. Então pesquisadores começaram a questionar a teoria das placas amiloides.</p>
<p>Em 2016, pesquisadores começaram a perceber que o acúmulo delas seria uma própria defesa do cérebro contra certos tipos de bactérias. Eles descobriram que esta proteína atuaria como um componente antibacteriano para proteger o cérebro de seus efeitos, assim, ao ser atacado por bactérias, o cérebro começa a produzir proteínas amiloidais para proteger os neurônios.</p>
<div id="attachment_15188" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/02/Dentes3.jpg"><img class="size-large wp-image-15188" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/02/Dentes3-1024x768.jpg" alt="Envelhecimento é objeto de muitos estudos para a qualidade de vida (Foto creativecommons)" width="618" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">Envelhecimento é objeto de muitos estudos para a qualidade de vida (Foto creativecommons)</p></div>
<p>Eles encontraram bactérias no cérebro de pessoas que tiveram Alzheimer quando vivas, mas ainda era incerto se eram as bactérias que causavam a doença ou simplesmente entraram ali devido à fragilidade de um cérebro enfermo. Uma nova hipótese acaba de nascer. Muitos pesquisadores estão estudando a bactéria <em>Porphyromonas gingivalis</em>, causadora da gengivite.</p>
<p>Eles descobriram que essa bactéria invade e inflama certas regiões do cérebro afetada por Alzheimer, e que uma infecção nas gengivas piorava os sintomas da doença em ratos, desenvolvidos para ter Alzheimer, além de se observar o acúmulo das já ditas proteínas amiloidais e também sintomas claros de Alzheimer em ratos saudáveis. A revista Science publicou um trabalho, recentemente realizado por mais de 14 especialistas ao redor do mundo, descrevendo a descoberta de duas enzimas tóxicas vindas da bactéria <em>P. Gingivalis.</em> Eles descobriram que a bactéria utiliza essa enzima para se alimentar de tecido cerebral em 99% dos 54 cérebros estudados.</p>
<p>Essas proteínas são chamadas de gingipains (em inglês) e foram encontradas em alta quantidade nos tecidos cerebrais.</p>
<p>Quando o time injetou bactérias <em>P. gingivalis</em> em ratos, eles observaram que o cérebro começa a produzir as proteínas, e danos cerebrais em regiões afetadas por Alzheimer também foram observadas.</p>
<p>Uma outra descoberta mostrou que amostras de cérebro, vindos de pessoas sem Alzheimer, apresentam pouca quantidade da bactéria <em>P. gingivalis</em> além de uma pouca quantidade de sua enzima tóxica. É sabido que o acúmulo da proteína amiloidal leva anos para causar os efeitos da doença, e isso mostra que a bactéria <em>P. gingivalis</em> não entra no cérebro devido ao estado frágil, mas pode ser a sua causa.</p>
<p>Uma empresa farmacêutica, chamada Cortexyme, já está desenvolvendo dois tipos de tratamentos para a doença, sendo que uma delas é um medicamento que bloqueia a ação da enzima tóxica produzida pela bactéria causadora da gengivite e uma outra é uma vacina contra a própria bactéria. Uma vacina seria muito bem-vinda, pois impediria a formação dessas placas amiloidais ao longo da vida de uma pessoa e, por consequência, o desenvolvimento da doença.</p>
<p>Pode parecer um pouco estranho que uma bactéria causadora de uma doença bucal tenha uma relação com uma doença cerebral, mas não devemos nos esquecer de que a úlcera, anteriormente era atribuída a uma vida estressante e ao excesso de acidez no estômago, mas que uma bactéria chamada de <em>Heliobacter pylori</em> estava por trás da doença, uma descoberta feita pelo médico Barry Marshall que lhe garantiu um Nobel em medicina.</p>
<p>Existem muitos outros exemplos de doenças, como a suspeita de que a bactéria <em>Streptococcus</em>, causadora da amigdalite e de muitas infecções na garganta, pode estar envolvida como a causa de doenças obsessivo-compulsivas em crianças e, mais recentemente, estudos ligam certas bactérias intestinais com doenças como a depressão.</p>
<p>Quem quiser saber mais sobre esse trabalho, “Porphyromonas gingivalis in Alzheimer’s disease brains: Evidence for disease causation and treatment with small-molecule inhibitors”, ele pode ser encontrado gratuitamente no site da revista Sciences: <a href="http://doi.org/gftvdt?fbclid=IwAR0YFE12ukMzi4UjL2sZBaMt8c81RE-6rek26d8Z90XUUWFwaIG6b75fJEk" target="_blank" rel="nofollow noopener">doi.org/gftvdt</a></p>
<p>Leia outros artigos de Ciência por Andre Sarria: http://asn.blog.br/?s=Andre</p>
<p><span style="color: #444950;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;background-color: #f1f0f0"> </span></p>
<p><span style="color: #444950;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;background-color: #f1f0f0"> </span></p>
<p><span style="color: #444950;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;background-color: #f1f0f0"> </span></p>
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