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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Lígia Testa</title>
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		<title>É Preciso Entender De Arte Para Senti-La?</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2018 13:20:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lígia Testa]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia li sobre uma classificação dos diversos tipos de arte e tive a impressão que o tempo teria sido um dos fatores para o processo de numeração delas. Música (som), em primeiro lugar, seguida de Artes Cênicas &#8211; Teatro e Dança (movimento), Pintura (cor) e Escultura (volume), em terceiro e quarto lugares; e é sobre elas que quero falar mais adiante.</p>
<p>A seguir, em quinto e sexto, Arquitetura (espaço) e Literatura (palavra). Mais que sabido, a sétima arte contempla o Cinema (integrando elementos das anteriores e das próximas). Com o tempo, algumas expressões artísticas passaram a integrar “a galeria”, como: Fotografia (imagem), História em Quadrinhos, Jogos de Vídeo e Arte Digital, completando, assim, as 11 artes atualmente classificadas. Há várias outras classificações e novas artes surgirão.</p>
<p>O que me vem instigando há tempos está relacionado às Artes Visuais (pinturas e esculturas). Ouço quase todos os dias pessoas olhando admiradas para alguma tela e afirmando, após um tempo: ‘não entendo, mas gosto (ou não) do que vejo’. Às vezes, até se desculpam por ‘não entender de Arte’. Nunca ouvi, porém, alguém dizer que não emitiria opinião por não entender de Música, de Teatro, de Dança. Não vi uma única pessoa olhar maravilhada para uma casa e dizer: ‘não entendo de Arquitetura’! Frequento muitas salas de cinema e nunca presenciei alguém, nas saídas tumultuadas, comentar que não opinaria sobre o filme, por não entender de Cinema. Opinam livremente, o que é ótimo, estão expressando a emoção.</p>
<div id="attachment_12790" style="width: 510px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2018/04/Ligia_tumblr_ldx1v8FrP11qa1uqpo1_500.jpg"><img class="size-full wp-image-12790" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2018/04/Ligia_tumblr_ldx1v8FrP11qa1uqpo1_500.jpg" alt="É Preciso Entender De Arte Para Senti-La?" width="500" height="666" /></a><p class="wp-caption-text">É Preciso Entender De Arte Para Senti-La?</p></div>
<p>A Música, o Teatro e a Dança, especialmente na Grécia antiga (nas festas dionisíacas urbanas), igualavam nobres e plebeus que, no palco, tinham &#8211; de fato &#8211; a mesma importância. Em muitas peças, o nobre interpretava o plebeu e vice-versa (<em>ali nasceu a democracia</em>?). As Artes Visuais, porém, pertenciam apenas aos nobres e aos museus, onde apenas a elite tinha acesso e por um período muito longo, por séculos. Isso parece fazer com que a admiração concorra com o constrangimento em admitir o gosto pelas obras.</p>
<p>E a Arte é emoção para quem a contempla, com as mais diversas sensações brotando em diferentes pessoas: beleza, tristeza, alegria, indignação. E a Arte é absolutamente necessária, cada vez mais. E o que fazer para que as pessoas se sintam à vontade diante das Artes Visuais, apenas como contempladoras, assim como agem em relação à Música, à Dança, ao Teatro, ao Cinema?</p>
<p>Pessoalmente, não vejo outra forma além de expor de forma contínua e ostensiva as obras de artistas talentosos em vários locais: além de museus e galerias, em todos os espaços nos quais possa haver a convivência de pessoas, trocando ideias entre si e frente a elas, pinturas e esculturas. Expondo nos metrôs, nas feiras livres, nos vãos livres, facilitando a mobilidade e o acesso gratuitos, em alguns dias, para receber o maior número de gente possível. Promover e investir necessariamente na presença de crianças de todos os tipos de escolas, criando hábito, usos e costumes. Quanto mais conviver com a Arte, maior chance de a pessoa respeitar o patrimônio público, entendendo-se como também dona daquela obra, e melhor será sua relação com a estética e, a seguir, com a ética.</p>
<p>Victor Pinchuk, grande empresário ucraniano e fundador do PinchukArtCentre, um dos maiores centros de Arte Contemporânea na Europa Oriental, afirmou com sapiência: “arte, liberdade e criatividade mudarão a sociedade mais rapidamente que a política”.</p>
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		<title>A Arte Existe sem Contemplador?</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2018 13:47:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lígia Testa]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A pergunta vem-me passeando por entre as sinapses e os escassos momentos de fazer nada. O que é um museu com paredes plenas de obras de arte e mergulhado no mais absoluto vazio? Não há passos vagarosos, cochichos sobre a impressão causada por aquela imagem, desejos de se ter aquela obra em casa ou de ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2018/03/Lígia-Testa.png"><img class=" size-thumbnail wp-image-12701 alignleft" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2018/03/Lígia-Testa-150x150.png" alt="Lígia-Testa" width="150" height="150" /></a>A pergunta vem-me passeando por entre as sinapses e os escassos momentos de fazer nada. O que é um museu com paredes plenas de obras de arte e mergulhado no mais absoluto vazio? Não há passos vagarosos, cochichos sobre a impressão causada por aquela imagem, desejos de se ter aquela obra em casa ou de ser a última que se escolheria no mundo, a correria das crianças. O que são as obras instaladas na mais perfeita expografia, milimetricamente colocadas para satisfazer o desejo que nosso cérebro sente pela simetria?</p>
<p>Um dia, entrelaça-se, a essa, uma outra pergunta que me instigava quando criança: se uma árvore cair e não houver ninguém por perto, haverá barulho?</p>
<p>Em tempos de Google, impossível não encontrar os esconderijos das perguntas impossíveis de outros tempos. A resposta é não! O som não existe pois ele é apenas uma sensação, uma percepção das vibrações sonoras. Assim, ‘quando uma árvore cai, ela não produz barulho, mas sim, vibrações sonoras no ar atmosférico’ que se tornam som ao atingir nossos ouvidos. Também os cheiros ‘são apenas moléculas odorantes no ar capazes de ativar os receptores olfatórios decodificados no córtex’.</p>
<p>E a arte é emoção. Sem o contemplador dela, a emoção se perde, a arte não existe.</p>
<p>O ar está impregnado por tudo aquilo que a arte pode produzir, como alegria, indignação, raiva, força, enfim, ela é uma energia transcendental que viaja com destreza até nosso inconsciente mais profundo. Sem o contemplador dela, porém, tudo isso se perde, a arte não existe.</p>
<p>E a arte envolve um processo que esbanjou energia do criador e que estabelece uma troca entre ele e quem a contempla. A arte é um alívio neste mundo de atrocidades e consumos exacerbados, ela transforma e expande a consciência. Sem o contemplador dela, porém, tudo isso se perde, a arte não existe.</p>
<p>E a arte contemplada é uma forma de oração, um prazer elevado, uma conexão com o universo. Se as pessoas – cada vez mais afastadas e mais envolvidas consigo mesmas &#8211; passam a contemplar a arte, forma-se uma espécie de elo entre elas, aproximando-as com uma espécie de comunicação mais fácil. Sem o contemplador dela, porém, tudo isso se perde, a arte não existe.</p>
<p>Ernest Fischer disse que a função da arte não é a de passar por portas abertas, mas a de abrir portas fechadas. Sem o contemplador dela, porém, ela abre as portas e encontra a casa vazia.</p>
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