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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Cinema</title>
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		<title>Bacia do rio Piracicaba comemora os 100 anos de Nelson de Souza Rodrigues, visionário na cultura e na natureza</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2021 20:47:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Soares Martins Com 100% de atendimento de água e esgoto, e 100% de esgoto tratado por água consumida, Piracicaba aparece em sexto lugar no ranking nacional de saneamento de 2021, do Instituto Trata Brasil. A cidade apenas não está em posição melhor, pelos critérios da organização que monitora o saneamento no país, ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p>Com 100% de atendimento de água e esgoto, e 100% de esgoto tratado por água consumida, Piracicaba aparece em sexto lugar no ranking nacional de saneamento de 2021, do <a href="http://www.tratabrasil.org.br/estudos/estudos-itb/ranking-do-saneamento">Instituto Trata Brasil</a>. A cidade apenas não está em posição melhor, pelos critérios da organização que monitora o saneamento no país, em função de perdas na rede de água. No conjunto da bacia do rio Piracicaba, composta por 50 municípios paulistas e cinco mineiros, mais de 60% do esgoto coletado são tratados, com mais de 90% da população atendida por rede de esgotos. No Brasil, menos da metade da população tem acesso a rede de esgoto e percentual muito menor recebe tratamento.</p>
<p>Mas a situação privilegiada de Piracicaba e toda a bacia hidrográfica do mesmo nome em saneamento, sobretudo em termos dos avanços no tratamento de esgotos urbanos, é uma realidade recente. No início da década de 1980, menos de 5% dos esgotos urbanos eram tratados. Agravada na época  por descargas de esgotos industriais e da atividade sucroalcooleira, a poluição gerava constantes mortandades de peixes e imensa revolta na população.</p>
<p>A mudança superlativa no panorama do saneamento em Piracicaba e região resulta de um movimento da sociedade civil deflagrado em meados da década de 1980 e que teve um nome central, no sentido de buscar ações concretas para acabar de vez com a degradação das águas do principal patrimônio natural e cultural da cidade. O nome é o do engenheiro agrônomo Nelson de Souza Rodrigues, que no próximo dia 30 de maio vai comemorar os seus 100 anos de vida na casa da família, localizada não muito longe do rio que tanto defendeu.</p>
<p>O centenário de Nelson de Souza Rodrigues será marcado por vários tributos por sua enorme contribuição para as políticas públicas em recursos hídricos, em São Paulo e no Brasil, mas também é o momento para o resgate de uma trajetória marcada por muitas outras realizações. Rodrigues é um artista nato e seus 100 anos também serão celebrados pelas suas atividades no campo da criação artística. Nele, cultura e natureza não estão divorciadas. Pelo contrário, estão sempre de mãos dadas.</p>
<div id="attachment_18433" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0311xxxxx.jpg"><img class="size-full wp-image-18433" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0311xxxxx.jpg" alt="Nelson Rodrigues e alguns equipamentos fotográficos que utilizou em sua carreira (Foto Adriano Rosa)" width="2000" height="1483" /></a><p class="wp-caption-text">Nelson Rodrigues e alguns equipamentos fotográficos que utilizou em sua carreira (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>Das margens do Tamanduateí aos estúdios da Vera Cruz</strong></p>
<p>Nelson de Souza Rodrigues nasceu em São Paulo na residência de seus avós maternos, às 0:10’ do dia 30 de maio de 1921, na Rua Deocleciana, no bairro do Bom Retiro, margem direita do rio Tamanduateí. No dia 1° de junho seu pai Francisco D’Ascenção Rodrigues fez seu registro de nascimento no 5° Cartório de Registro Civil da Santa Efigênia.</p>
<p>&#8220;O rio Tamanduateí sempre esteve presente em seus relatos&#8221;, conta uma das filhas, Jocelyne Martins Rodrigues. &#8220;A poucos metros da casa dos seus avós, suas primeiras pescarias, as lavadeiras pelas manhãs vindo com suas trouxas, o mato alto das margens coberto por suas roupas brancas, as carroças vindas do mercado, para descanso e saciedade da sede dos cavalos&#8221;, ela completa.</p>
<p>Nesse contato precoce com as águas, certamente estava o embrião do senso de observação atenta, que o acompanharia ao longo da vida, em todos os seus campos de atuação. &#8220;Seus comentários sempre estamparam o inconformismo por sua cidade natal, estabelecida no Planalto Paulista com expressiva rede fluvial, com o potencial hídrico de três volumosos rios, o Tietê, o Pinheiros e o Tamanduateí, além de todos afluentes, córregos, riachos e nascentes, ter chegado no sério enfrentamento de falta d’água cada vez mais complicado&#8221;, resume a filha.</p>
<div id="attachment_18434" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0003xxxxx.jpg"><img class="size-full wp-image-18434" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0003xxxxx.jpg" alt="Nelson e algumas fotos de filmes que produziu para a Vera Cruz (Foto Acervo Pessoal Nelson de Souza Rodrigues)" width="2000" height="1479" /></a><p class="wp-caption-text">Nelson e algumas fotos de filmes que produziu para a Vera Cruz (Foto Acervo Pessoal Nelson de Souza Rodrigues)</p></div>
<p>Uma atividade pouco conhecida do público em geral, na vida de Nelson de Souza Rodrigues, foi determinante para aguçar o olhar penetrante, profundo, para a realidade social, cultural e ambiental. Ele é um exímio fotógrafo e, por seu talento, aos 29 anos de idade foi contratado para trabalhar em um dos projetos culturais mais importantes desenvolvidos no Brasil no século 20, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz.</p>
<p>Primeiro e um dos mais consistentes projetos de produção cinematográfica brasileira em larga escala, a Vera Cruz foi fruto da parceria entre o produtor e diretor italiano Franco Zampari (1898-1966) e o industrial ítalo-brasileiro Francisco &#8220;Ciccillo&#8221; Matarazzo Sobrinho (1898-1977), que o havia convidado a vir ao Brasil em 1922, para trabalhar nas empresas da família. Engenheiro de profissão, Zampari havia fundado em 1948 o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e no ano seguinte iniciou com Matarazzo a aventura da Companhia Vera Cruz, que chegou a ter estúdios de 100 mil metros quadrados em São Bernardo do Campo. Antes de sediar um polo de automóveis, a cidade do ABC recebeu portanto um ambicioso complexo de produção cinematográfica, que durou poucos anos, até 1954, mas foi fundamental para sedimentar o sonho de uma filmografia legitimamente brasileira.</p>
<p>No dia 15 de julho de 1950, véspera portanto da fatídica final da Copa do Mundo da FIFA no Maracanã, onde o Brasil perderia por 2 a 1 para o Uruguai, Nelson de Souza Rodrigues era admitido na Companhia Vera Cruz, como mostra a sua carteira profissional. Foi contratado como &#8220;chefe fotógrafo&#8221;, com um salário de 5 mil cruzeiros mensais.</p>
<div id="attachment_18437" style="width: 605px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0033xxxx.jpg"><img class="size-full wp-image-18437" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0033xxxx.jpg" alt="A lendária Ruth de Souza, que atuou em &quot;Ângela&quot; e &quot;Terra é sempre terra&quot; (Foto Acervo Pessoal Nelson de Souza Rodrigues)" width="595" height="419" /></a><p class="wp-caption-text">A lendária Ruth de Souza, que atuou em &#8220;Ângela&#8221; e &#8220;Terra é sempre terra&#8221; (Foto Acervo Pessoal Nelson de Souza Rodrigues)</p></div>
<p>O contrato durou pouco mais de um ano, terminando a 15 de agosto de 1951, mas foi tempo suficiente para uma intensa experiência profissional. &#8220;A época pós-guerra até aos meados da década de 1950 foi um período determinante para o cinema brasileiro: ainda tentando remediar o estigma que ficou da idade de ouro das chanchadas—filmes de baixo orçamento, produzidos em estúdios, e com enredos pouco convincentes—a ambiciosa meta da Vera Cruz era modernizar a indústria cinematográfica brasileira a fim de aperfeiçoar a qualidade técnica da produção tendo em vista um público internacional&#8221;, comenta Kathryn Bishop Sanchez, professora da Universidade de Wisconsin, Madison, nos Estados Unidos, e uma das principais referências acadêmicas sobre o cinema brasileiro no plano internacional.</p>
<p>A especialista lembra que Rodrigues chegou à Vera Cruz a convite do cineasta Alberto Cavalcanti. &#8220;A equipe à qual Nelson se associou era fundamentalmente cosmopolita, com técnicos e artistas da Inglaterra, Dinamarca, Alemanha, França e Europa Central, todos convidados por Cavalcanti que naquela época era o único diretor brasileiro com uma significativa projeção internacional&#8221;, nota Kathryn Sanchez.</p>
<p>Ela lamenta que &#8220;a experiência Vera Cruz—a última tentativa brasileira e até sul-americana de criar uma indústria cinematográfica à la Hollywood—foi um fracasso e a companhia declarou a falência após poucos anos de existência em 1954&#8243;, salientando, porém, que &#8220;no começo dos anos 50, a equipe à qual Nelson aderiu tinha como meta principal o desenvolvimento de um cinema brasileiro revitalizado&#8221;.</p>
<p>Sobre Nelson de Souza Rodrigues, Sanchez, que é editora-executiva da  <i>Luso-Brazilian Review e de </i>“Performing Latin American and Caribbean Identities” Vanderbilt UP, assinala que, &#8220;fotógrafo talentoso&#8221;, cabia a ele &#8220;chefiar o laboratório fotográfico e com a sua lente documentar cenas dos filmes produzidos para conseguir matéria primordialmente para o registo das filmagens e que poderia servir para publicidade no momento de os filmes estrearem, isto é, posters nos corredores dos cinemas, ilustrações para artigos de revista ou de jornal, e ampliações fotográficas de até 7 por 10 metros para atrair futuros espectadores&#8221;.</p>
<p>A professora da Universidade de Wisconsin assinala que Nelson de Souza Rodrigues atuou nesta função durante a filmagem das três primeiros obras de ficção da Vera Cruz, o melodrama <em>Caiçara</em> (1950, de Adolfo Celi, que vinha do Teatro Brasileiro de Comédia, ou TBC), o muito premiado <em>Terra é Sempre Terra</em> (1951, de Tom Payne, baseado na peça <em>Paiol Velho</em> de Abílio Pereira de Almeida) e, por último, <em>Ângela</em> (também de 1951, de Abílio Pereira de Almeida em co-direção com Tom Payne).</p>
<div id="attachment_18440" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Nelson3.jpeg"><img class="size-full wp-image-18440" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Nelson3.jpeg" alt="Contrato assinado com a Vera Cruz, um dia antes da final da Copa do Mundo de 1950 (Foto Acervo Pessoal Nelson de Souza Rodrigues)" width="507" height="492" /></a><p class="wp-caption-text">Contrato assinado com a Vera Cruz, um dia antes da final da Copa do Mundo de 1950 (Foto Acervo Pessoal Nelson de Souza Rodrigues)</p></div>
<p>Kathryn Sanchez continua: &#8220;Nesta época, dadas as metas da Vera Cruz de ser um estúdio lucrativo com a última tecnologia, houve uma forte ligação entre o cinema e a cultura de consumo, e maior motivação para promover os filmes e as estrelas com máximo proveito para a companhia. As fotografias de Nelson, de registro de estilo estático—aquilo que a palavra em inglês “stills” bem implica—e as ampliações publicitárias, tinham de indicar o filme, o seu estilo e tom, e apresentar os protagonistas principais&#8221;.</p>
<p>Nos retratos e fotografias que perduraram até aos nossos dias, completa a especialista, &#8220;vemos em todos eles o cuidado artístico característico de Nelson, uma preocupação constante com jogos de luz e sombra, uma delicadeza em retratar expressões faciais, e um foco particular no olhar dos protagonistas. Essas fotos capturam muito mais que aquele instante: remetem para outros aspetos momentos antes e depois do quadro de registo, com olhares que seguem para além do campo visual da lente fotográfica&#8221;.</p>
<div id="attachment_18438" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0045xxxxx.jpg"><img class="size-full wp-image-18438" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0045xxxxx.jpg" alt="A professora Kathryn Sanchez destaca os &quot;jogos de luz e sombra, uma delicadeza em retratar expressões faciais&quot; utilizados por Rodrigues nos registros de filmes da Vera Cruz (Foto Acervo Pessoal Nelson de Souza Rodrigues)" width="2000" height="1349" /></a><p class="wp-caption-text">A professora Kathryn Sanchez destaca os &#8220;jogos de luz e sombra, uma delicadeza em retratar expressões faciais&#8221; utilizados por Rodrigues nos registros de filmes da Vera Cruz (Foto Acervo Pessoal Nelson de Souza Rodrigues)</p></div>
<p>Adolfo Celi, Abilio Pereira de Almeida, Célia Biar, o escritor José Mauro de Vasconcellos (autor do famoso &#8220;Meu Pé de Laranja Lima&#8221;, entre outros, atuou como ator em <em>Caiçara</em>), Maria Clara Machado (premiada escritora e dramaturga, atuou como atriz em <em>Ângela</em>), Alberto Ruschel, Eliane Lage, a cantora Inezita Barroso (atriz em <em>Ângela</em>), Sérgio Cardoso (um dos maiores nomes do teatro nacional, ator em <em>Ângela</em>), Antunes Filho (outro nome icônico do teatro brasileiro, ator em <em>Ângela</em>), a lendária Ruth de Souza, entre tantos outros personagens essenciais no cinema, no teatro e na cultura brasileira em geral. Em sua passagem pela Vera Cruz, além dos profissionais estrangeiros de alto nível, Nelson de Souza Rodrigues conviveu com grandes protagonistas das artes do Brasil. Naquele um ano, lapidou seus sentidos para os próximos passos da rica trajetória.</p>
<div id="attachment_2324" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson3.jpg"><img class="size-full wp-image-2324" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson3.jpg" alt="O agrônomo com um exemplar do raríssimo cascudo-espinho (Foto Adriano Rosa)" width="2000" height="1333" /></a><p class="wp-caption-text">O agrônomo com um exemplar do raríssimo cascudo-espinho (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>A paixão pela piscicultura, de São Paulo a Pirassununga</strong></p>
<p>Quando trabalhou na Vera Cruz, Nelson de Souza Rodrigues já era agrônomo formado, em 1948, pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de Piracicaba. Naquela época, nem sonhava que um dia voltaria à cidade para grandes feitos.</p>
<p>Após o intenso período de inserção no extraordinário sonho liderado por Franco Zampari e Ciccillo Matarazzo, Rodrigues passa a chefiar o Setor de Documentação e Divulgação da Divisão de Conservação do Solo da Secretaria de Agricultura do Estado. O trabalho era documentar os serviços de  conservação do solo e combate à erosão, produzindo um boletim bimensal sobre a temática. Em 1954, ainda na capital, passa a chefiar a Região Conservacionista de São Paulo, onde tem oportunidade de desenvolver técnicas conservacionistas para regiões de topografia inclinada. Os trabalhos científicos são divulgados em vários congressos.</p>
<p>Um salto importante em 1958, o ano da primeira Copa do Mundo do Brasil, de Pelé, da euforia nacional dos anos JK, a construção de Brasília, a Bossa Nova conquistando o mercado internacional. O agrônomo muda-se para Pirassununga, onde inicialmente chefia a Escola de Tratoristas, do então Departamento de Engenharia Mecânica da Secretaria da Agricultura.</p>
<p>Ainda em Pirassununga, chefia o Posto Avançado de Piscicultura do Instituto de Pesca, também ligado à Secretaria de Estado da Agricultura. Nesta função, desenvolve várias pesquisas com peixes do rio Mogi-Guaçu. É o primeiro e mais intenso contato, profissionalmente, com o mundo da pesca, paixão de criança que permaneceria por toda a vida.</p>
<p>Junto ao Mogi-Guaçu, o encanto cada vez maior pelas águas e os peixes. Mas Nelson não deixa de lado outra paixão antiga. Ele se torna um grande colecionador de pássaros. Chega a ter cerca de 400 deles, de dezenas de espécies. Tangarás azuis com faixa preta e topete vermelho, saíras do Rio Negro, handais, periquitos, araras, tico-ticos e um raríssimo japu-açu, entre outros, promovendo uma sinfonia permanente de cores e múltiplos sons.</p>
<p>Dois pássaros tinham um certo xodó do colecionador. Eram duas sabiás, uma poca e uma laranjeira, ambas muito raras e muito procuradas. O agrônomo rejeitou grandes ofertas por esses e outros pássaros.</p>
<p>Nesses tempos, outro talento desenvolvido. Era o de taxidermista, a partir de técnicas que conheceu ainda em São Paulo. Foram muitos pássaros e peixes que ele submeteu à técnica. Mantém até hoje um exemplar de peixe raríssimo, o cascudo-espinho (<em>Pterygoplichthys gigas</em>).</p>
<p>Um dia, a libertação. As leis mudaram, a visão sobre os animais também. O agrônomo teve que libertar as suas aves. Muitas delas foram encaminhadas a instituições científicas, assim como a quase totalidade dos indivíduos empalhados. “Não foi muito fácil não ficar sem eles”, confessou, com um olhar de nostalgia feliz, em entrevista concedida ao repórter em 2015.</p>
<div id="attachment_5580" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicabaPB7.jpg"><img class="size-full wp-image-5580" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicabaPB7.jpg" alt="Rio Piracicaba na década de 1990: momento de intensificação da mobilização local e regional (Foto Adriano Rosa)" width="2000" height="1359" /></a><p class="wp-caption-text">Rio Piracicaba na década de 1990: momento de intensificação da mobilização local e regional (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>Em Piracicaba, a liderança na luta pelo rio</strong></p>
<p>Em 1972, o Nelson de Souza Rodrigues foi promovido, por concurso, à carreira de Pesquisador Científico. Três anos depois, o reencontro com Piracicaba e o seu rio, a maior vocação. Em 1975, foi nomeado chefe do Setor de Ecologia do Meio Hídrico, através de convênio entre o Instituto de Pesca da Secretaria de Agricultura e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), ligado à Universidade de São Paulo (USP).</p>
<p>Foi neste posto privilegiado, no contato quase diário com o rio, que o pesquisador aprofundou seus estudos, alargou seus conhecimento e alimentou a sua indignação. Entre 1975 e 1985, ano de sua aposentadoria como pesquisador, ele realizou inúmeros estudos sobre o meio hídrico e sua diversidade. Uma das maiores constatações foi a da degradação crescente das águas, com impacto direto no ciclo vital dos peixes que historicamente habitavam o rio Piracicaba.</p>
<p>O primeiro estudo promovido, a pedido do diretor do CENA, Dr.Admar Cervelini,  já era um indicador muito preocupante. Por dois anos, ele colheu amostrar quinzenais, para verificar a possível presença de nitrato no rio e seus afluentes. As amostras estavam relacionadas a quatro tipos de cobertura vegetal, por mata, lavoura, pastagem e cana. A conclusão foi a de que a poluição por nitrato de fato ocorria de modo expressivo, com exceção das amostras feitas junto a matas nativas. O trabalho teve repercussão internacional, com sua divulgação no Coordinated Research Program Meeting – IAEA, em maio de 1978, em Viena, Áustria, e também no I Simpósio Nacional de Ecologia, patrocinado pelo Instituto de Terras e Cartografia do Paraná, em 1978.</p>
<p>Justamente no período em que trabalhou no CENA, Nelson Rodrigues sentiu assim, como toda a cidade, os efeitos do agravamento da poluição. Naquele momento, dois fatos contribuíram para Piracicaba ficar em alerta máximo com relação ao estado e perspectivas para o rio adorado.</p>
<p>Em primeiro lugar foi o início da operação, em 1974, do Sistema Cantareira, concebido pelo governo militar para garantir o abastecimento de metade da Grande São Paulo. A solução encontrada foi construir um conjunto de reservatórios pouco depois das nascentes dos rios Atibaia e Jaguari, os dois principais formadores do rio Piracicaba.</p>
<p>Desde o início houve a mobilização dos piracicabanos, moradores da “última cidade” da bacia, mas conscientes de que a retirada de águas da bacia poderia afetar diretamente o Atibaia e, por extensão, o próprio Piracicaba.  Posteriormente, estudos realizados no próprio CENA confirmaram que as suspeitas tinham razão de ser. O Cantareira foi projetado para retirar até 33 mil litros, ou metros cúbicos, por segundo de água da bacia do Piracicaba para abastecer cerca de metade da Grande São Paulo.</p>
<p>Outro ingrediente que repercutiu diretamente no rio Piracicaba foi o lançamento do Proálcool, em 14 de Novembro de 1975, por meio do decreto n° 76.593  do governo federal. Era a resposta do governo militar à crise mundial do petróleo, aberta em 1973. A ideia era estimular uma tecnologia energética nacional.</p>
<p>A região de Piracicaba, historicamente um território de cultivo de cana, foi particularmente afetada pelas medidas de incentivo à produção do álcool. Ocorre que, naquele momento, a legislação sobre meio ambiente ainda era muito limitada e, além disso, não havia maiores cuidados por parte da indústria sucroalcooleira. O resultado foi a proliferação de descartes de resíduos do processo produtivo, a vinhaça, diretamente e sem tratamento nos corpos hídricos. Com isso, começaram a acontecer frequentes mortandades de peixe no rio Piracicaba. Depois, com avanços na legislação e na tecnologia, e sobretudo a partir dos estudos pioneiros de Jayme Rocha de Almeida na Esalq, o que antes era descartado pelo setor sucroalcooleiro a vinhaça, passou a ser utilizado como fertirrigação nos canaviais. Hoje a atividade é que mais trata esgotos próprios no setor industrial.</p>
<p>Mas, na época, as frequentes mortandades de peixes foram o estopim para a mobilização popular em defesa do rio que dá vida, identidade, à cidade. Com novos estudos, a situação se tornava cada vez mais assustadora.  Das 107 espécies de peixes que o agrônomo catalogou, nesse período no CENA,  33 espécies, um terço, já haviam desaparecido do Piracicaba. Outras 53 se tornaram temporárias ou se tornaram quase extintas e somente 16 poderiam ser consideradas permanentes, enquanto três eram espécies introduzidas.</p>
<p>Com a movimentação alimentada pelo início da operação do Cantareira e pelos impactos do Proálcool, Piracicaba tornou-se gradativamente uma referência nacional e internacional de defesa das águas. Para dar ainda maior credibilidade e lastro a essa mobilização, eram divulgados os estudos como os realizados por Nelson de Souza Rodrigues (como o de despoluição com o uso de aguapés) que, no entanto, não ficou na esfera da pesquisa. Após sua aposentadoria em 1985, passou a se dedicar de corpo e alma à campanha em defesa do rio.</p>
<div id="attachment_2325" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson5.jpg"><img class="size-full wp-image-2325" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson5.jpg" alt="O agrônomo e suas miniaturas de personalidades mundiais, que ele mesmo esculpiu: a história nas mãos" width="2000" height="1333" /></a><p class="wp-caption-text">O agrônomo e suas miniaturas de personalidades mundiais, que ele mesmo esculpiu: a história nas mãos</p></div>
<p><strong>A histórica Campanha Piracicaba Ano 2000</strong></p>
<p>Em 1980, Nelson se tornou presidente da Divisão de Meio Ambiente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP). O seu envolvimento com o tema seria crescente e, no dia 4 de outubro de 1985, a AEAP lançaria oficialmente a Campanha Ano 2000 – Redenção Ecológica da Bacia do Piracicaba. O lançamento se deu com uma circular assinada pelo presidente da AEAP, engenheiro Wanderley Esmael, e pelo presidente da Divisão de Meio Ambiente, Nelson de Souza Rodrigues, o mentor e principal motor da iniciativa.</p>
<p>Houve grande repercussão na mídia e sociedade local. Maior impulso se deu com o apoio do Conselho Coordenador das Entidades Civis de Piracicaba, após a apresentação da Campanha por Rodrigues no dia 12 de outubro. Era um conjunto de 32 propostas, depois reunidas na Carta de Reinvindicações, concluída em 1986 e apresentada oficialmente ao governador Orestes Quércia, no Palácio dos Bandeirantes, no dia 30 de julho de 1987.</p>
<p>Várias lideranças locais estavam presentes, como o diretor da Esalq, Dr.Humberto Campos, e o diretor do “Jornal de Piracicaba”, Rosário Losso Neto. Nelson Rodrigues foi quem apresentou a Campanha e a Carta para Quércia.</p>
<p>No dia 11 de novembro de 1987, o governador assinou o Decreto 25.576, criando o Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH), com a missão inicial de estudar medidas para a bacia do Piracicaba, com base na Carta de Reivindicações. Em sua primeira reunião, a 7 de dezembro de 1987, o CERH declarou como crítica a bacia do rio Piracicaba, tendo determinado ao Comitê Coordenador do Plano Estadual de Gestão dos Recursos Hídricos (CCRHI) a elaboração, em 120 dias, de um Programa Prioritário para a Bacia do Rio Piracicaba.</p>
<p>Novos estudos foram executados na esfera estadual, embora na prática aquela “prioridade” oficial dada para a bacia do rio Piracicaba nunca tenha acontecido. Mas a Campanha Ano 2000 tornou-se vitoriosa, pois a partir dela evoluíram ações que levariam a um cuidado maior com o rio Piracicaba e, também, com todas as águas de São Paulo e do Brasil.</p>
<p>Um dos avanços importantes foi a criação, a 13 de outubro de 1989, do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos rios Piracicaba e Capivari, por ação dos prefeitos das cidades localizadas mais a montante e mais a jusante do rio Piracicaba, Nicola Cortez, de Bragança Paulista, e José Machado, de Piracicaba.</p>
<p>&#8220;Naquela época, muitos protestavam contra as agressões ao rio e o Dr.Nelson Rodrigues tem o mérito de ter protagonizado e dado visibilidade a uma proposta concreta, estruturante, para a bacia do rio Piracicaba&#8221;, comenta José Machado, economista de formação e que, como morador em Piracicaba e professor na Unimep, foi eleito deputado estadual em 1986, pelo Partido dos Trabalhadores.</p>
<p>Para Machado, Rodrigues tinha clara a noção da relevância do rio Piracicaba &#8220;e de seu impacto na paisagem e na cultura, é a grande tradição da cidade, é o que dá identidade à cidade&#8221;. Assim, além das questões estritamente ambientais, &#8220;proteger o rio, para Nelson Rodrigues, era um dever da cidadania, um dever de todos, e então naquele momento ele encarnava o sentimento da urgência de preservação de um grande patrimônio, além da questão ambiental&#8221;, diz Machado.</p>
<p>Do mesmo modo, para Machado estava evidente para Rodrigues &#8220;a importância de uma autoridade que coordenasse ações em uma perspectiva regional, pois as agressões sentidas em Piracicaba eram decorrentes de fontes de poluição a montante, em municípios ao longo da bacia&#8221;.</p>
<p>E foi o que aconteceu, com a criação do Consórcio Intermunicipal. &#8220;Não foi um organismo provavelmente como imaginado por Nelson Rodrigues, que se inclinava para uma autoridade ligada ao governo estadual, mas acabou sendo um Consórcio dos municípios da bacia, de caráter mais independente&#8221;, destaca Machado.</p>
<p>Ele lembra que, eleito deputado estadual, solicitou à sua assessoria que aprofundasse os estudos sobre a situação da bacia do rio Piracicaba. Muitos desses estudos estavam a cargo do geólogo João Jerônimo Monticelli, que depois viria a ser o primeiro secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal das bacias dos Rios Piracicaba e Capivari.</p>
<p>A criação do Consórcio foi uma das iniciativas de Machado, logo após a sua eleição como prefeito de Piracicaba, em 1988. &#8220;Naquele momento, depois de discussão com vários interlocutores, concluímos que um organismo regional vinculado ao governo estadual seria um projeto complexo, demandaria um esforço muito grande. Então após muito amadurecimento evoluiu a ideia do Consórcio Intermunicipal, que não precisaria ser criado por lei e nem estar no organograma estadual. Era algo independente, com um perfil de sociedade civil, e com feito com esse formato concretizamos rapidamente com outros prefeitos na época&#8221;, sintetiza Machado.</p>
<p>O Consórcio logo se tornaria uma referência nacional e internacional de mobilização e, não por acaso, o seu primeiro presidente, José Machado, depois seria nomeado presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), criada na esteira da Lei Estadual (de 1991) e Lei Federal de Recursos Hídricos (de 1997).</p>
<div id="attachment_2323" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson7.jpg"><img class="size-full wp-image-2323" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson7.jpg" alt="O agrônomo Nelson folheia o livro que escreveu com o neto Luccas: paixão de geração para geração (Fotos Adriano Rosa)" width="2000" height="1333" /></a><p class="wp-caption-text">O agrônomo Nelson folheia o livro que escreveu com o neto Luccas: paixão de geração para geração (Fotos Adriano Rosa)</p></div>
<p>Como uma das consequências das leis estadual e federal, foram instituídos os Comitês de Bacia Hidrográfica, como instâncias de planejamento e decisão sobre as águas de cada bacia. O Comitê das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) foi o primeiro a ser instalado.</p>
<p>Para o primeiro presidente do Comitê PCJ, o então prefeito de Piracicaba, Antonio Carlos de Mendes Thame, Nelson de Souza Rodrigues teve papel decisivo em todo esse processo. Rodrigues &#8220;foi pioneiro em proteger nosso rio Piracicaba, criando mecanismos específicos de política pública&#8221;.</p>
<p>Na opinião de Thame, que foi eleito até 2019 para sete mandatos como deputado federal, Nelson Rodrigues teve assim destaque no processo que resultou na criação no consórcio da Bacia do PCJ, &#8220;utilizando todos seus conhecimentos e se dedicando a um modelo que foi exemplo para o estado de São Paulo&#8221;.</p>
<div id="attachment_2329" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/RioPiracicaba2015Jan_0117xxxxx.jpg"><img class="size-full wp-image-2329" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/RioPiracicaba2015Jan_0117xxxxx.jpg" alt="Rio Piracicaba, no famoso salto, com menos de 10% de sua vazão histórica em janeiro de 2015, ano que continuou a registrar muitas mortandades de peixes nas bacias PCJ (Foto Adriano Rosa)" width="2000" height="1333" /></a><p class="wp-caption-text">Rio Piracicaba, no famoso salto, com menos de 10% de sua vazão histórica em janeiro de 2015, ano que continuou a registrar muitas mortandades de peixes nas bacias PCJ (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p>O Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (bacia agregada posteriormente) foi criado com a participação de 13 municípios. Hoje são 40 municípios associados, além de 24 empresas. O Consórcio foi fundamental na mobilização que levou a grandes investimentos em saneamento nas bacias PCJ, revertendo o panorama do início da década de 1980, quando emergiu o movimento que teve em Nelson de Souza Rodrigues um dos principais protagonistas.</p>
<p>Claro, os desafios permanecem. Um dos emergentes está relacionado aos impactos do aquecimento global. A seca de 2014-2015, que quase levou ao colapso no abastecimento de água no estado de São Paulo, foi um indicativo de que os desequilíbrios ambientais continuam. A mobilização pelas águas na bacia do rio Piracicaba é, nesse sentido, uma inspiração.</p>
<div id="attachment_18439" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0409xxxxx.jpg"><img class="size-full wp-image-18439" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0409xxxxx.jpg" alt="Pelas lentes de Nelson de Souza Rodrigues, cultura e natureza se abraçam (Foto Adriano Rosa)" width="2000" height="1333" /></a><p class="wp-caption-text">Pelas lentes de Nelson de Souza Rodrigues, cultura e natureza se abraçam (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>Artista com múltiplos talentos</strong></p>
<p>Na juventude, Nelson de Souza Rodrigues construiu do próprio punho vários equipamentos que usou como fotógrafo profissional. Taxidermista, também desenvolveu habilidade em produzir pequenas esculturas. E, com múltiplos talentos, ainda teve incursões no mundo da música.</p>
<p>É a filha Jocelyne quem lembra, sobre a época em que o pai, em Pirassununga, foi diretor da escola de tratoristas do Departamento de Engenharia Mecânica da Agricultura (DEMA), e professor da cadeira  “Mecânica Agrícola” no Instituto de Zootecnia e Indústrias Pecuárias, ambos instalados na Fazenda Fernando Costa: &#8220;Era comum no final dos dias quentes chegando do seu trabalho, após seu banho, e seu jantar, irmos todos até a varanda. A pouca ou quase inexistente rede de iluminação no DEMA favorecia céus exuberantemente estrelados. Nesta época meu pai tinha um acordeon de 40 baixos e uma gaita que nestas ocasiões costumeiramente tocava. Estas cenas são muito presentes em minha vida, a luz das estrelas revelando as silhuetas dele com seu acordeon preso ao peito, ou seus braços flexionados com sua mão envolvendo a gaita&#8221;.</p>
<p>Jocelyn conta que este gosto musical o pai trouxe de sua família. &#8220;Em sua casa havia um piano, suas três irmãs receberam esta formação musical, embora ele sempre tenha tocado de ouvido. Um fato histórico relacionado a música é que o músico, compositor e instrumentista Zequinha de Abreu todo mês batia a porta de sua casa oferecendo suas partituras com direito a exclusivas audições, por certo estas visitas aconteciam devido ao estudo de piano de suas irmãs&#8221;, revela a filha.</p>
<p>Ela celebra assim o pai &#8220;que nunca poupou esforços para criar entretenimento aos filhos pequenos, como quando ainda no DEMA com engenhosidade interligou três grandes árvores em frente nossa residência com taquaras e cordas, construindo para nós e crianças da vizinhança uma casa de madeira nas alturas. Como também tendo em sua  juventude sido um dos atletas do Clube Pinheiros, participante das Travessias de São Paulo a Nado, atendendo ao meu pedido de criança, ter nadado comigo em suas costas da margem até a parte mais profunda de uma lagoa nas proximidades de onde morávamos, para satisfazer a curiosidade de uma experiência para mim muito prematura&#8221;.</p>
<p>Aos 100 anos, Nelson de Souza Rodrigues tem 4 filhos, com a esposa Yonne, já falecida, 8 netos e 7 bisnetos, &#8220;com mais 2 chegando ainda este ano&#8221;, conta Jocelyne. A vocação artística e o reconhecimento da postura ética que o ser humano deve ter com a natureza que o envolve e o provê são legados para os descendentes.</p>
<p>Um de seus netos, Luccas Guilherme Rodrigues Longo, foi o coautor, com o avô, do livro “Piracicaba, seu rio, seus peixes”, lançado em 2014, pelo Proac do governo estadual e com apoio da Prefeitura de Piracicaba.</p>
<p>O livro documenta o olhar de Nelson de Souza Rodrigues sobre o rio Piracicaba. São informações completas sobre o rio e a sua bacia de 1,2 milhão de hectares, com destaque para os estudos sobre peixes. O piracicabano Luccas é biólogo, especialista em Bioecologia e Conservação pela UNIMEP e mestre em Conservação de Ecossistemas Florestais pela Esalq/USP. Ele assina as ilustrações do livro.</p>
<p>As novas gerações dão continuidade à trajetória de amor às águas, sempre com uma olhar agudo, artístico. Como sintetizou a professora Kathryn Sanchez, da Universidade de Wisconsin, &#8220;de fotógrafo nos primórdios da legendária companhia Vera Cruz ao ícone em defesa da qualidade de vida, da proteção ao meio ambiente e à despoluição do rio Piracicaba, há um ímpeto de preservação e uma vocação para a documentação que transparece em todas as atividades de Nelson de Souza Rodrigues&#8221;. A memória, a ciência, a arte, a indignação a favor da vida.</p>
<p><strong>GALERIA &#8211; FOTOS DE REGISTRO DE FILMES DA VERA CRUZ POR NELSON DE SOUZA RODRIGUES</strong></p>
<p><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0065xxxxx.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18441" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0065xxxxx.jpg" alt="NelsonVeraCruzFotos_0065xxxxx" width="2000" height="1352" /></a></p>
<p><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0245xxxxx.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18442" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0245xxxxx.jpg" alt="NelsonVeraCruzFotos_0245xxxxx" width="2000" height="1333" /></a></p>
<p>,<a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0024xxxxx.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18443" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0024xxxxx.jpg" alt="NelsonVeraCruzFotos_0024xxxxx" width="2000" height="1351" /></a></p>
<p><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0078xxxxx.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18444" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0078xxxxx.jpg" alt="NelsonVeraCruzFotos_0078xxxxx" width="2000" height="1355" /></a></p>
<p><strong> <a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0093xxxxx.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18445" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/NelsonVeraCruzFotos_0093xxxxx.jpg" alt="NelsonVeraCruzFotos_0093xxxxx" width="2000" height="1391" /></a></strong></p>
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		<title>Dica da Aliança Francesa Campinas: Filme ao vivo e conversa com Solenne Huteau</title>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2020 16:08:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[#CampinasCulturalNaoPara Você que é amante da sétima arte, como nós, não pode ficar de fora do nosso ciné-maison. Porque ficar em casa é mais divertido com a AF Campinas! Venha se conectar com a gente e aproveite esse momento. Na sexta feira 22 de maio, teremos transmissão ao vivo com diretora Solenne Huteau via zoom ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>#CampinasCulturalNaoPara</p>
<p>Você que é amante da sétima arte, como nós, não pode ficar de fora do nosso ciné-maison. Porque ficar em casa é mais divertido com a AF Campinas! Venha se conectar com a gente e aproveite esse momento. Na sexta feira 22 de maio, teremos transmissão ao vivo com diretora Solenne Huteau via zoom do filme &#8220;Um instante de amor&#8221;, <em>Mal de Pierres</em>, (2016) estrelado por Marion Cotillard.</p>
<div id="attachment_15605" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/Anne-Poiret-Welcome-to-Réfugistan-_190409_018.jpg"><img class="size-large wp-image-15605" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/Anne-Poiret-Welcome-to-Réfugistan-_190409_018-1024x684.jpg" alt="Solenne Huteau, diretora da Aliança Francesa Campinas (Foto Martinho Caires)" width="618" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Solenne Huteau, diretora da Aliança Francesa Campinas (Foto Martinho Caires)</p></div>
<p>Após o filme teremos um bate papo animado. O Ciné-Maison é uma iniciativa gratuita e aberta a todos, inscrição obrigatória via email: comunicacao@afcampinas.com.br<br />
Rencontrons-nous !<br />
22 de maio às 18h00<br />
Gratuito e aberto a todos</p>
<p><strong>Quem deu a dica: Aliança Francesa Campinas tem a missão de promover e divulgar, na cidade de Campinas, a língua francesa e a diversidade de suas culturas: Propondo cursos de alta qualidade, adaptados ao seu público, de acordo com pedagogias sempre renovadas; Criando, animando ou acompanhando manifestações que favoreçam a difusão cultural, encontros e intercâmbios. Os cursos regulares e individuais passaram a ser ministrados a partir do dia 23/03, através das plataformas online ZOOM e ESPACE VIRTUEL AF, a todos os estudantes que estiverem de acordo com a modalidade. As aulas acontecem ao vivo (em tempo real) e são ministradas pelos mesmos professores e horários que os alunos se matricularam. <a href="http://www.afcampinas.com.br/">http://www.afcampinas.com.br/</a></strong></p>
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		<title>Dica da Rabeca Cultural: Tarantino em aula on line</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2020 17:08:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[#CampinasCulturalNaoPara A Rabeca Cultural convida para a segunda aula On Line sobre Quentin Tarantino, em dose dupla, dia 23 de abril, quinta-feira, às 20 horas pelo aplicativo Zoom. Além da aula faremos o lançamento On Line do livro &#8220;Era Uma Vez Tarantino&#8221;, do jornalista, professor, crítico, autor e cineasta Hamilton Rosa Jr. Quentin Tarantino sempre ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>#CampinasCulturalNaoPara</p>
<p>A Rabeca Cultural convida para a segunda aula On Line sobre Quentin Tarantino, em dose dupla, dia 23 de abril, quinta-feira, às 20 horas pelo aplicativo Zoom. Além da aula faremos o lançamento On Line do livro &#8220;Era Uma Vez Tarantino&#8221;, do jornalista, professor, crítico, autor e cineasta Hamilton Rosa Jr.<br />
Quentin Tarantino sempre foi um diretor provocador. Faz filmes que são arrebatadores, inventivos, ricos em fantasia e alegremente amorais. &#8220;Eu não sou um cineasta americano&#8221; disse certa  vez numa coletiva de imprensa lotada no Festival de Cannes.</p>
<p>&#8220;Devo ter sido parido dentro de um cinema, pois é este país que reivindico como meu!&#8221;, assumiu apaixonadamente. Fiel a essa forma, Hamilton Rosa Júnior também demonstra sua paixão  pelo cinema fazendo o lançamento Online de seu primeiro livro “Era Uma vez Tarantino”, com aula exclusiva para os fãs e interessados.</p>
<p>“O título faz um trocadilho com o último filme de Tarantino, mas minha intenção foi também evocar o lado fabular o universo que o cineasta criou”, conta Rosa Júnior. Para o crítico, Tarantino sempre fez filmes sobre sonhos, sobre um mundo próprio, com regras próprias, que nada tem a ver com o mundo em que vivemos.</p>
<div id="attachment_17225" style="width: 762px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Tarantino2.jpg"><img class="size-full wp-image-17225" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Tarantino2.jpg" alt="Cena de &quot;Pulp Fiction&quot; (Foto Divulgação)" width="752" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Cena de &#8220;Pulp Fiction&#8221; (Foto Divulgação)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Sempre foi um lugar onde ele projetava locais como o bar cinéfilo Jack Rabbit’s Slim, que não existe, compunha heresias como misturar a estética de filmes de kung fu, samurai e western pra horror de chineses, japoneses e norte-americanos puristas e repensar a Segunda Guerra onde um crítico de cinema era espião e o Terceiro Reich inteiro, inclusive o Fuhrer, morriam emboscados dentro de um cinema”. Na opinião do escritor, o cineasta nunca filmou a realidade.</p>
<p>É por isso mesmo que o cinema dele é tão cativante. “Porque não se trata de arte maior. O que temos em cena sempre é a precariedade do mundo dos marginais, dos que não deram certo e estão procurando uma nova chance. Ele recria de forma tão corajosa a utopia dos fracassados na tela, que mesmo em sua fragilidade, a gente acata, aceita e se diverte com a viagem”.</p>
<p>Na aula-lançamento do livro, Rosa Jr. pretende mostrar como a pesquisa retrospectiva o fez repensar a filmografia do diretor. “A gente costuma pensar em um filme como um trabalho feito e finalizado de forma isolada, mas na realidade vê-lo à parte do resto das obras do artista que o criou é muito redutor. Assim como uma pintura de Van Gogh é, de repente, mais interessante uma vez que você conhece a vida do artista, quando e onde ele a pintou, o caminho que levou Tarantino a fazer os filmes que ele fez (e na ordem em que os fez) me fez considerar aspectos de seu artesanato que eu não tinha pensado antes”.</p>
<p>A intenção do autor é trazer essa interpretação e muitas outras curiosidades para os alunos.</p>
<p><strong>Serviço</strong><br />
Cine Rabeca, programe-se:<br />
Sempre às Quintas-Feiras, às 20h.<br />
Dia 23 de abril &#8211; Quentin Tarantino &#8211; Aula-Lançamento<br />
Livro<br />
&#8220;Era Uma Vez Tarantino&#8221;<br />
Autor Hamilton Rosa Jr<br />
Editora Independente/Gráfica D Sete<br />
142pp e 16 capítulos<br />
Preço R$ 38,00, a qualquer tempo diretamente com o autor pelo celular 19 983149849.<br />
Quem participar da Aula-Lançamento pode adquiri-lo por R$ 30,00 mais o valor do ingresso.<br />
Para fazer a aula não é necessário adquirir o livro.<br />
Próximas aulas:<br />
Dia 30 de abril &#8211; Wes Anderson<br />
Dia 07 de maio &#8211; David Fincher<br />
Façam o Download do Zoom no playstore, é fácil. Criem um nome com usuário e senha. Enviaremos URL  e senha da aula aos inscritos por e-mail e/ou whatsapp e na hora basta entrar na sala e participar.<br />
Inscrições até às 16h do dia de cada aula.<br />
Investimento para cada aula de R$ 30,00.<br />
Para se inscrever e para mais informações, por favor, façam contato pelo celular 19 997206186, com Kha Machado.</p>
<p><strong>Quem deu a dica: Rabeca Cultural é um dos principais espaços de divulgação das artes em Campinas, com shows musicais, exposições de artes plásticas, cursos sobre as diferentes linguagens artísticas, apresentações teatrais e o melhor da culinária. Em tempos de isolamento, encontra como alternativa para as aulas periódicas de instrumentos musicais e de desenho e pintura, cursos on line, seja por Skype, ou pelo vídeo do WhatsApp. Avenida Dona Maria Franco Salgado 250 Jd Atibaia, Sousas, Campinas. Fone:  (19) 99720-6186. Facebook: <a href="https://www.facebook.com/rabecacultural/">https://www.facebook.com/rabecacultural/</a></strong></p>
<div></div>
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		<title>Dica da Rabeca Cultural: Aulas on line sobre grandes cineastas</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2020 16:07:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[CampinasCulturalNaoPara]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[#CampinasCulturalNaoPara A Rabeca Cultural On Line está convidando para aulas de Cinema sobre os grandes cineastas Tarantino, Shyamalan, David Fincher e Wes Anderson com Hamilton Rosa Jr. Jornalista formado pela PUC-Campinas, Rosa Jr. é diretor, roteirista e produtos de cinema. Foi crítico de cinema na &#8220;Folha de São Paulo&#8221;. Tem trabalhos em publicidade e dá ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>#CampinasCulturalNaoPara</p>
<p>A Rabeca Cultural On Line está convidando para aulas de Cinema sobre os grandes cineastas Tarantino, Shyamalan, David Fincher e Wes Anderson com Hamilton Rosa Jr. Jornalista formado pela PUC-Campinas, Rosa Jr. é diretor, roteirista e produtos de cinema. Foi crítico de cinema na &#8220;Folha de São Paulo&#8221;. Tem trabalhos em publicidade e dá aulas de cinema.</p>
<p>No dia 16 de abril, quinta-feira, recomeça em versão online uma série de quatro aulas com o professor Hamilton Rosa Júnior, sobre cineastas Construtores de Universos no Cinema. Trata-se de uma iniciativa do professor junto a Rabeca Cultural e que, em sua versão online, é possível acompanhar de qualquer lugar do mundo. Basta ter baixado o aplicativo do ZOOM.</p>
<p>Serão quatro diretores, sempre às quintas-feiras, às 20 horas. O primeiro a ser estudado é M. Night Shyamalan, diretor do famoso &#8220;O Sexto Sentido&#8221; e do recente &#8220;Vidro&#8221;. O cinema deste indiano, radicado nos Estados Unidos, é baseado em seu próprio senso de observação. A forma como ele capta as paranoias em pequenas atitudes do cotidiano e as amplifica em seus filmes, no fundo são engraçadas. Shyamalan, na verdade é um sátiro.</p>
<p>Desde “A Vila”, ele vem ridicularizando os EUA, mostrando o quanto o empenho de uma sociedade puritana é capaz de pregar peças em si mesma. Em &#8220;Fim dos Tempos&#8221;, por exemplo, as pessoas correm de medo do vento. E em &#8220;A Dama da Água&#8221;, o horror se esconde não no fundo de um lago escuro, mas de uma piscina cristalina e segura de um condomínio de classe média. O senso de ridículo não vem do lugar ou da natureza, mas do comportamento social.</p>
<p>Programe-se:<br />
Sempre às Quintas-Feiras, às 20h.<br />
Dia 16 de abril &#8211; O Cinema de Shyamalan<br />
Dia 23 de abril &#8211; Quentin Tarantino<br />
Dia 30 de abril &#8211; Wes Anderson<br />
Dia 07 de maio &#8211; David Fincher<br />
Façam o Download do Zoom no playstore, é fácil. Criem um nome com usuário e senha. A Rabeca enviará URL da aula aos inscritos e na hora basta entrar na sala e participar.<br />
Inscrições até às 14 horas do dia de cada aula.<br />
Investimento para cada aula de R$ 30,00.<br />
Pacote de 4 aulas, R$ 100,00.<br />
Para se inscrever e para mais informações, por favor, façam contato pelo celular 19 997206186, com Kha Machado</p>
<p><strong>Quem deu a dica: Rabeca Cultural é um dos principais espaços de divulgação das artes em Campinas, com shows musicais, exposições de artes plásticas, cursos sobre as diferentes linguagens artísticas, apresentações teatrais e o melhor da culinária. Em tempos de isolamento, encontra como alternativa para as aulas periódicas de instrumentos musicais e de desenho e pintura, cursos on line, seja por Skype, ou pelo vídeo do WhatsApp. Avenida Dona Maria Franco Salgado 250 Jd Atibaia, Sousas, Campinas. Fone:  (19) 99720-6186. Facebook: <a href="https://www.facebook.com/rabecacultural/">https://www.facebook.com/rabecacultural/</a></strong></p>
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		<title>Perdidos No Espaço &#8211; Segunda Temporada: Os Robinsons como ele são</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jan 2020 15:33:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Gregori]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori Em meados da década de 1960 quando estreou na televisão, Perdidos no Espaço me fazia rir das trapalhadas maldosas do Dr. Smith que nunca terminavam como ele planejava. A série também me enchia os olhos de criança com as intermináveis aventuras da família Robinson na tentativa de chegar a Alpha Centauri, o ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
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<p>Em meados da década de 1960 quando estreou na televisão, Perdidos no Espaço me fazia rir das trapalhadas maldosas do Dr. Smith que nunca terminavam como ele planejava. A série também me enchia os olhos de criança com as intermináveis aventuras da família Robinson na tentativa de chegar a Alpha Centauri, o refúgio para onde os terráqueos iriam escapar da iminente destruição do nosso planeta. Na verdade, eles nunca chegaram lá, quando a série foi cancelada em 1968.</p>
<p>A Netflix acaba de estrear a segunda temporada de sua versão de Perdidos no Espaço. Se a primeira é focada em revelar como os Robinsons partiram para esta aventura, a retomada não prende-se apenas em ação. Prepare-se para chorar, eu pelo menos chorei lá pelo episódio 5. Os autores Matt Sazama e Burk Sharpless optaram por uma narrativa mais cinematográfica, mesclando drama e ação em cada um doa 10 episódios. E é aí que a série ganha personalidade própria e se distancia do texto original.</p>
<p>Cada episódio tece uma teia que explora e revela a personalidade de cada membro da família Robinson, utilizando sempre outro membro como coadjuvante. Assim é possível perceber o personagem como um todo, seus medos, fraquezas, virtudes, o que lhe dá força e porque pensa desta ou daquela forma.</p>
<p>Se na primeira temporada é possível saber bastante sobre a personalidade sombria e maquiavélica da Dra. Smith (Parker Posey), nesta é possível observar a construção mais aprofundada da personagem a partir de flashbacks que mostram sua relação com a irmã e com a mãe e dos crimes que cometeu antes de subir a bordo da Jupiter.</p>
<p>Aliás, os flashbacks são a forma dos autores para mostrar, por exemplo, como Judy (Taylor Russell), uma menina afrodescendente foi parar em uma família em que o pai, John (Toby Stephens), por exemplo, é ruivo. Este episódio, em especial, é um dos mais tocantes. Ele conta como foi construída a bela relação entre pai e filha e de como John a acompanha de perto, desde bebê, até ela se tornar uma grande esportista e dedicada médica.</p>
<p>Outro episódio trata de isolar Maureen (Molly Parker) e Penny (Mina Sundwall) em uma espécie de construção alienígena e na eminência de serem atingidas por uma tempestade de raios, passam a limpo a relação mãe e filha. Prepare o lenço, mas não pense que essa dramaticidade possa deixar a série um tanto quanto piegas, tipo família perfeita, propaganda de margarina.</p>
<p>Na verdade, é uma boa fórmula para falar de união e de diversidade dentro de um mesmo núcleo familiar. Aqui temos uma mãe que trabalha e que divide igualmente o espaço de chefe de família com o pai e duas crianças brancas que têm uma irmã negra e cujos conflitos passam por questões de adolescência e, jamais pelo tom da pele.</p>
<p><b>E o robô?</b></p>
<p>A conexão, ou reconexão mais esperada pelos fãs da série é entre Will (Maxwell Jenkins) e seu robô, que  salvou-o mas acabou perdido no último episódio da primeira temporada. Nesta, Will tenta se conectar com outro robô que é encontrado na nave-mãe, mas não consegue. Ele não se cansa de encontrar o velho amigo e durante os episódios vai chegando cada vez mais próximo. Bem, não vou dar spoilers, então você terá de assistir a série para saber se este encontro acontece ou foi deixado para a terceira temporada, que pode ser anunciada em breve pela Netflix.</p>
<p><b>Enredo</b></p>
<p>Nesta segunda etapa, que se passa 7 meses após o último episódio, a família Robson consegue escapar de um planeta dominado pelo mar e encontra pelo caminho a Resolute. Entretanto, os colonos são evacuados para um planeta próximo após uma avaria na nave. Então, os Robinsons são destacados para ajudar no concerto da Resolute e terão de enfrentar, tanto no planeta, quanto dentro da própria Resolute, desafios que proporcionam à série capítulos eletrizantes.</p>
</div>
<div>
<p><iframe width="618" height="348" src="https://www.youtube.com/embed/GdwrkkwCwAY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
</div>
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		<title>O novo Woody Allen, dublado, em um dia de chuva no Sul da Itália</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Dec 2019 19:28:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Prandi]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Daniela Prandi, de Matera, Sul da Itália Il Piccolo Cinema, como o nome já avisa, é uma sala pequena de cinema alternativo no centro histórico de Matera, no sul da Itália, onde passo uma temporada. O casal proprietário, cinéfilos e muito simpáticos, faz o cinema resistir com a exibição de filmes fora do circuito ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Daniela Prandi, de Matera, Sul da Itália</strong></p>
<p>Il Piccolo Cinema, como o nome já avisa, é uma sala pequena de cinema alternativo no centro histórico de Matera, no sul da Itália, onde passo uma temporada. O casal proprietário, cinéfilos e muito simpáticos, faz o cinema resistir com a exibição de filmes fora do circuito comercial, muitos deles premiados nos principais festivais do mundo. Já sabia que, na Itália, o costume é exibir os filmes dublados mas, em minha primeira vez ali, resolvi me certificar. Sim, o novo Woody Allen era dublado. Sem ainda dominar 100% da bella língua italiana, arrisquei uma sessão &#8220;per la prima volta&#8221; depois de um mês sem cinema.</p>
<p>&#8220;Um Dia de Chuva em Nova York&#8221;, ou melhor &#8220;Un Giorno di Pioggia a New York&#8221;, não atraiu grande público no final de tarde chuvoso e frio de Matera em seu primeiro dia de exibição. Com a calmaria, o casal deixa a bilheteria e assiste ao filme bem na minha frente, aconchegados e quietinhos. (Aliás, ninguém ali conversou, acendeu a luz do celular ou mastigou qualquer coisa. Um paraíso.)</p>
<div id="attachment_16525" style="width: 467px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/12/woody-allen-cartaz-em-italiano.jpg"><img class="size-full wp-image-16525" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/12/woody-allen-cartaz-em-italiano.jpg" alt="Cartaz do filme em italiano" width="457" height="653" /></a><p class="wp-caption-text">Cartaz do filme em italiano</p></div>
<p>Às vésperas de completar 84 anos, o mais novaiorquino dos cineastas nunca me decepciona. Mesmo o pior Woody Allen ainda é bom cinema para mim. Demoro alguns minutos para me acostumar a ver Timothée Chalamet e Elle Fanning falando italiano. Mas logo a dublagem pouco importa, as conversas soam compreensíveis, a melancolia, o romantismo, a ironia e o humor estão todos lá, não importa a língua. A universalidade do cinema de Woody Allen, com suas trilhas sonoras encantadoras, está &#8220;molto bene&#8221;.</p>
<p>O protagonista vivido por Chalamet se chama Gatsby Welles, um nome que já me diverte logo de cara. O rapaz magricela e estiloso vive uma abastada vida a contragosto, estudando em uma universidade escolhida pela mãe e namorando uma garota &#8220;apropriada&#8221;, Ashleigh Enright (Fanning, iluminada e divertida, ao estilo das loiras bobinhas do cinema de Hollywood dos anos 50). Desta vez, Chalamet é o alter-ego de Allen, e suas considerações sobre o mundo e os sentimentos enchem a tela, provocando risos na pequena plateia.</p>
<div id="attachment_16526" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/12/woody-allen-chalamet.jpg"><img class="size-large wp-image-16526" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/12/woody-allen-chalamet-1024x576.jpg" alt="Timothée Chalamet é o alter-ego de Allen (Foto Divulgação)" width="618" height="348" /></a><p class="wp-caption-text">Timothée Chalamet é o alter-ego de Allen (Foto Divulgação)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A novidade é que a namorada do protagonista, que estuda jornalismo, consegue uma entrevista com um diretor de cinema independente chamado Roland Pollard (Liev Schreiber), que logo vamos descobrir que é um temperamental encharcado de uísque em crise criativa. O encontro será em Nova York e o casal planeja um fim de semana romântico, com passeio de carruagem pelo Central Park, uma ida aos clubes de jazz, enfim, tudo o que a cidade oferece em seus clichês, muitos deles perpetuados justamente pelo cineasta. Afinal, andar por Nova York é se sentir em um filme de Woody Allen. &#8220;E se chover?&#8221;, pergunta a namorada, que é da ensolarada Tucson, no Arizona. &#8220;A chuva não vai atrapalhar&#8221;, diz Gatsby.</p>
<div id="attachment_16527" style="width: 790px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/12/woody-allen-selena-gomez-e-chalamet.jpg"><img class="size-full wp-image-16527" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/12/woody-allen-selena-gomez-e-chalamet.jpg" alt="A Nova York molhada de Woody Allen (Foto Divulgação)" width="780" height="401" /></a><p class="wp-caption-text">A Nova York molhada de Woody Allen (Foto Divulgação)</p></div>
<p>E vem a chuva. Lindamente fotografada, a Nova York molhada de Woody Allen recebe o casal para um dia de muitas reviravoltas e frenéticos vaivéns por Manhattan, bem ao estilo de seus filmes neuróticos e nervosos. O final de semana romântico desmorona, personagens entram e saem, circulam e nos divertem. A jovem jornalista cai de bandeja no meio da turma do cinema, vira musa, se deslumbra, toma uns vinhos a mais, se encanta por um galã latino (Diego Luna), e principalmente se molha. O protagonista, que vê a namorada escorrendo de suas mãos, vaga pela cidade e tem oportunidade para pensar no que quer da vida, e olha que não é muito, e até faz uma ponta em um filme de um amigo, quando reencontra a irmã caçula de um romance do passado, vivida por Selena Gómez, cuja morenice e esperteza servem de contraponto.</p>
<div id="attachment_16528" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/12/woody-allen-chalamet-e-fanning.jpg"><img class="size-large wp-image-16528" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/12/woody-allen-chalamet-e-fanning-1024x650.jpg" alt="No ritmo de Woody Allen, de encontros e desencontros (Foto Divulgação)" width="618" height="392" /></a><p class="wp-caption-text">No ritmo de Woody Allen, de encontros e desencontros (Foto Divulgação)</p></div>
<p>O roteiro segue no ritmo Woody Allen, entre encontros e desencontros, e com personagens secundários que roubam a cena, como o irmão do protagonista, que quer desistir do casamento porque não suporta a risada da noiva. O, digamos, clímax da história é quando Gatsby consegue finalmente enfrentar a mãe (Cherry Jones), em uma conversa surpreendente, uma das melhores cenas do filme, que eu gostaria de rever qualquer hora no original.</p>
<p>Depois da ótima estreia no cinema da Itália, a chuva nos espera do lado de fora. Antes de voltar para a nova casa, uma parada obrigatória na fila do Bar Sottozero, bem em frente, para um panzerotto, uma espécie de pastel que aquece a alma. Até a próxima sessão.</p>
<p>TRAILER</p>
<p><iframe width="618" height="348" src="https://www.youtube.com/embed/Vfpk7JmbePw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>&#8220;Bacurau&#8221;, uma doideira necessária para tempos de radicalização</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Sep 2019 13:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Prandi]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Daniela Prandi &#8220;Bacurau&#8221; termina e tímidos aplausos de repente ganham força na sala de cinema em um shopping de Campinas. O novo filme de Kleber Mendonça Filho, que aqui trabalha em parceria com Juliano Dornelles, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019, feito inédito para o cinema brasileiro, confirma que o ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Daniela Prandi</strong></p>
<p>&#8220;Bacurau&#8221; termina e tímidos aplausos de repente ganham força na sala de cinema em um shopping de Campinas. O novo filme de Kleber Mendonça Filho, que aqui trabalha em parceria com Juliano Dornelles, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019, feito inédito para o cinema brasileiro, confirma que o cineasta que chamou atenção com &#8220;O Som ao Redor&#8221; (2013) e polemizou com &#8220;Aquarius&#8221; (2016) amadureceu. Em uma forte mistura de gêneros, é impossível não pensar em Tarantino, muito por causa da violência, mas também pela inteligência com que história e referências vão se amarrando. E o nó que fica é forte e pinga sangue. “No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo”, resumiu Guimarães Rosa em &#8220;Grande Sertão Veredas&#8221;. &#8220;Bacurau&#8221;, justamente, é isso, uma doideira necessária.</p>
<div id="attachment_16145" style="width: 717px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/09/bacurau-sonia-braga.jpg"><img class="size-full wp-image-16145" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/09/bacurau-sonia-braga.jpg" alt="A médica local Domingas, por Sônia Braga (Foto Divulgação)" width="707" height="353" /></a><p class="wp-caption-text">A médica local Domingas, por Sônia Braga (Foto Divulgação)</p></div>
<p>“A violência está no centro de tudo, mas não é o objetivo, o filme é sobre o que ocorre quando há radicalização&#8221;, já explicou o diretor. Sim, os tempos são radicais por aqui e por aí. O filme começa adivinhando o que o futuro nos espera, um futuro até próximo demais e é singular ao embaralhar referências, revisitar gêneros e mostrar um amanhã distópico. A TV exibe execuções no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, enquanto, no pequeno vilarejo no sertão pernambucano, os poucos moradores preparam um  funeral enquanto enfrentam, inquietos e resistentes, males como o prefeito desonesto que cortou a água do lugar, o assédio de matadores e o isolamento.</p>
<div id="attachment_16146" style="width: 676px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/09/bacurau-ator-udo-kier.jpg"><img class="size-full wp-image-16146" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/09/bacurau-ator-udo-kier.jpg" alt="Michael (Udo Kier) é o líder dos estrangeiros (Foto Divulgação)" width="666" height="374" /></a><p class="wp-caption-text">Michael (Udo Kier) é o líder dos estrangeiros (Foto Divulgação)</p></div>
<p>&#8220;Bacurau&#8221; tem um quê de faroeste, uma pitada de ficção científica e muito suspense, mas nos faz lembrar de filmes de cangaço e do Cinema Novo, que já trouxeram glória ao cinema nacional.  Neste mês de setembro, a edição da revista Cahiers du Cinema, a mais respeitada publicação de cinema, colocou &#8220;Bacurau&#8221; na capa. Histórico, para dizer o óbvio. A foto reúne os moradores da comunidade que reúne personagens ímpares, como a médica local Domingas (Sônia Braga, protagonista de &#8220;Aquarius&#8221; e aqui em um papel menor, mas não menos marcante), o ex-matador Pacote (Thomas Aquino), o cangaceiro trans Lunga (Silvero Pereira) e a jovem Teresa (Barbara Colen), que abre a história levando remédios nas empoeiradas estradas do sertão de carona no caminhão-pipa.</p>
<div id="attachment_16147" style="width: 440px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/09/bacurau-capa.jpg"><img class="size-full wp-image-16147" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/09/bacurau-capa.jpg" alt="A histórica edição de Cahiers du Cinema" width="430" height="580" /></a><p class="wp-caption-text">A histórica edição de Cahiers du Cinema</p></div>
<p>No universo fantástico de &#8220;Bacurau&#8221; as direções são múltiplas, mas a viagem será marcante, pode acreditar. Um casal de fora, de moto e roupas coloridas, aparece de repente. A mulher pergunta o que significa Bacurau. É o nome de um pássaro, explica a dona da venda, que indica uma visita ao museu. Eles desprezam. A trama carrega seus primeiros momentos de tensão enquanto descobre-se que a dupla, branca, do Sul do Brasil, trabalha para um grupo de estrangeiros, liderado por Michael (Udo Kier), que estão ali com um propósito. Os brasileiros do Sul se identificam mais com os gringos do que com os nordestinos, mas os estrangeiros não conseguem ver a diferença.</p>
<div id="attachment_16148" style="width: 784px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/09/bacurau-1.jpg"><img class="size-full wp-image-16148" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/09/bacurau-1.jpg" alt="Bacurau é o Brasil? (Foto Divulgação)" width="774" height="322" /></a><p class="wp-caption-text">Bacurau é o Brasil? (Foto Divulgação)</p></div>
<p>De repente, &#8220;Bacurau&#8221; sai do mapa, perde o sinal de celular, tudo orquestrado pelos gringos, fanáticos por armas antigas, loucos para atirar, não importa em quem, só por diversão, pela adrenalina, para matar uma vontade.  A comunidade entende rapidamente a ameaça que vem do estrangeiro, se defende, o museu e a escola, não por acaso, se tornam sedes da resistência. Tiroteios, mortes e mais mortes sujam o chão de vermelho, as cenas de caça se sucedem, e o horror daquilo tudo faz a gente desejar e esperar a vingança para lavar a alma.</p>
<p>&#8220;Bacurau&#8221; mostra, por meio daquela comunidade, que a luta é de todos. Permitir que nos matem, que nos tirem de nosso lugar, que acabem com a nossa cultura, não é opção. Resistir é preciso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Veja trailer</p>
<p><iframe width="618" height="348" src="https://www.youtube.com/embed/1DPdE1MBcQc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Veja mais artigos de Cinema de Daniela Prandi <a href="http://asn.blog.br/category/daniela-prandi/">aqui</a></p>
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		<title>Soldadas curdas, bombeiros de Paris, novo galã, Binoche e Asterix no menu do Festival Varilux 2019</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Jun 2019 23:12:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Prandi]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[POR DANIELA PRANDI Campinas está mais uma vez no roteiro do Festival Varilux de Cinema Francês, que chega com uma novidade: os 17 filmes da programação de 2019 serão exibidos nas novas salas da rede Cinépolis, que inaugura suas atividades no Galleria Shopping. Ao todo, em sua 10ª edição, a mostra será apresentada em 78 ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>POR DANIELA PRANDI</strong></p>
<p style="font-weight: 400">Campinas está mais uma vez no roteiro do Festival Varilux de Cinema Francês, que chega com uma novidade: os 17 filmes da programação de 2019 serão exibidos nas novas salas da rede Cinépolis, que inaugura suas atividades no Galleria Shopping. Ao todo, em sua 10ª edição, a mostra será apresentada em 78 cidades do Brasil. Em Campinas, a programação vai de 20 de junho a 3 de julho.</p>
<p style="font-weight: 400">O Festival costuma se apoiar nas comédias, mas nesta edição há muitos títulos que vão além do riso fácil e despertam interesse pelas temáticas inusitadas, políticas e polêmicas. Um deles é &#8220;Filhas do Sol&#8221;, da cineasta Eva Husson, que aborda a relação entre uma jornalista francesa com um batalhão de soldadas curdas prestes a invadir uma cidade onde sua comandante foi capturada no passado. Fica a dica para quem gosta de apostar em filmes diferentes.</p>
<div id="attachment_15832" style="width: 601px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/varilux-filhas-do-sol.jpg"><img class="size-full wp-image-15832" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/varilux-filhas-do-sol.jpg" alt="&quot;Filhas do Sol&quot;: uma jornalista francesa e um batalhão de soldadas curdas (Foto Divulgação)" width="591" height="422" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Filhas do Sol&#8221;: uma jornalista francesa e um batalhão de soldadas curdas (Foto Divulgação)</p></div>
<p style="font-weight: 400">Outro filme que chama atenção é &#8220;Através do Fogo&#8221;, segundo longa do jovem Frédéric Tellier, mais conhecido por dirigir séries policiais de TV. A trama é baseada em histórias reais vividas pelos bombeiros de Paris e está centrada no drama de um bombeiro que sofre graves queimaduras. O título original do filme, que recebeu boas críticas nos festivais europeus por onde passou no ano passado, é &#8220;Sauver ou périr&#8221; (Salvar ou perecer), lema da brigada dos bombeiros parisienses, que recentemente enfrentaram bravamente o incêndio da Catedral de Notre Dame.</p>
<p style="font-weight: 400">Há nomes consagrados, que mostram seus novos trabalhos, como François Ozon, um dos diretores mais elogiados do cinema francês atual, que comparece com o polêmico e atual &#8220;Graças a Deus&#8221;, que venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim de 2019 e tem como base a história real da condenação do cardeal francês Philippe Barbarin, acusado de abusar de crianças.</p>
<p style="font-weight: 400">Na programação tem ainda o atual queridinho francês Louis Garrel , ator, roteirista e diretor, que aparece em dose dupla em 2019. Garrel é Robespierre em &#8220;A Revolução em Paris&#8221; e dirige e atua em &#8220;Um Homem Fiel&#8221;, que conta com Laetitia Casta e Lily-Rose Depp no elenco. &#8220;A Revolução em Paris&#8221;, vale destacar, revisita a revolução do povo francês em 1789, sob o reinado de Luís XVI, contra a monarquia e na luta pelos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. Já em &#8220;Um Homem Fiel&#8221;, o &#8220;herdeiro&#8221; de Alain Delon e Jean-Paul Belmondo na galeria dos galãs franceses acompanha a angústia de um homem que não consegue perdoar a ex, que mesmo grávida o trocou pelo melhor amigo.</p>
<div id="attachment_15834" style="width: 601px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/varilux-um-homem-fiel.jpg"><img class="size-full wp-image-15834" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/varilux-um-homem-fiel.jpg" alt="&quot;Um Homem Fiel&quot;: angústia de um homem que não consegue perdoar a ex (Foto Divulgação)" width="591" height="422" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Um Homem Fiel&#8221;: angústia de um homem que não consegue perdoar a ex (Foto Divulgação)</p></div>
<p style="font-weight: 400">E é claro que não poderia faltar Juliette Binoche, que estrela &#8220;Quem Você Pensa que Sou&#8221;, de Safy Nebbou, um drama sobre uma mulher de 50 anos que cria um perfil falso nas redes sociais de uma jovem de 24 anos que acaba atraindo a atenção do melhor amigo de seu marido.</p>
<p style="font-weight: 400">Para quem gosta de animação, a dica é conferir &#8220;Asterix e o Segredo da Poção Mágica&#8221;, mais uma aventura dos personagens clássicos dos quadrinhos franceses criados por Albert Uderzo e René Goscinny em 1959. Na versão dublada, Asterix é dublado pelo comediante Gregório Duvivier.</p>
<div id="attachment_15835" style="width: 601px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/varilux-asterix.jpg"><img class="size-full wp-image-15835" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/varilux-asterix.jpg" alt="&quot;Asterix&quot;: para quem gosta de animação (Foto Divulgação)" width="591" height="422" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Asterix&#8221;: para quem gosta de animação (Foto Divulgação)</p></div>
<p style="font-weight: 400">O clássico desta edição do festival é &#8220;Cyrano de Bergerac&#8221;, de Jean-Paul Rappeneau, estrelado por Gérard Depardieu, que completa 30 anos de lançamento. O filme é baseado na comédia de Edmond Rostand, escrita em 1897. Para completar, vale conferir &#8220;Cyrano Mon Amour&#8221;, de Alexis Michalik, que acompanha a história do dramaturgo francês ao escrever a aclamada peça Cyrano de Bergerac.</p>
<p style="font-weight: 400">A programação completa, trailers e mais informações podem ser conferidas no site oficial do evento em <a href="http://variluxcinefrances.com/2019/">http://variluxcinefrances.com/2019/</a></p>
<div id="attachment_15836" style="width: 601px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Varilux-cyrano-de-bergerac.jpg"><img class="size-full wp-image-15836" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Varilux-cyrano-de-bergerac.jpg" alt="&quot;Cyrano de Bergerac&quot; é o clássico da edição" width="591" height="422" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Cyrano de Bergerac&#8221; é o clássico da edição</p></div>
<p style="font-weight: 400">OS FILMES</p>
<p style="font-weight: 400">Amor à Segunda Vista (Mon inconnue), de Hugo Gélin. Com François Civil, Joséphine Japy, Benjamin Lavernhe. 2019 – Comédia – 1h58. Da noite para o dia, Raphael (François Civil) vê-se em um mundo no qual nunca encontrou Olivia, a mulher da sua vida. Como ele vai fazer para reconquistar sua mulher?</p>
<p style="font-weight: 400">Asterix e o Segredo da Poção Mágica (Astérix – Le Secret de la Potion Magique), de Louis Clichy e Alexandre Astier. 2019 – Animação – 1h25. Novas aventuras dos personagens do universo criado por Albert Uderzo e René Goscinny.</p>
<p style="font-weight: 400">Através do Fogo (Sauver ou périr), de Frédéric Tellier. Com Pierre Niney, Anaïs Demoustier, Chloé Stefani. 2018 – Drama – 1h56. Bombeiro de Paris sofre graves queimaduras durante um atendimento e vai para centro de tratamento.</p>
<p style="font-weight: 400">Boas Intenções (Les Bonnes Intentions), de Gilles Legrand. Com Agnès Jaoui, Alban Ivanov, Tim Seyfi. 2018 – Comédia dramática – 1h40. Professora envolvida em uma série de trabalhos humanitários propõe um curso inusitado de alfabetização.</p>
<p style="font-weight: 400">Cyrano Mon Amour (Edmond), de Alexis Michalik. Com Thomas Solivérès, Olivier Gourmet, Mathilde Seigner. 2019 – Comédia dramática – 1h49. Em dezembro de 1897, em Paris, Edmond Rostand ainda não completou 30 anos e está há dois anos sem conseguir escrever, até que cria uma nova peça: Cyrano de Bergerac.</p>
<p style="font-weight: 400">Os Dois Filhos de Joseph (Deux Fils), de Félix Moati. Com Vincent Lacoste, Benoît Poelvoorde, Mathieu Capella. 2018 – Comédia dramática – 1h30. Para Ivan, um menino de 13 anos, seu pai Joseph e seu irmão mais velho Joachim são os seus principais modelos de vida. Porém, em determinado momento, isso muda.</p>
<p style="font-weight: 400">Filha do Sol (Les filles du soleil), de Eva Husson. Com Golshifteh Farahani, Emmanuelle Bercot. 2018 – Drama – 1h55. Filhas do Sol, um batalhão composto apenas por mulheres curdas, atua ofensivamente na guerra e se prepara para entrar na cidade de Gordyene, local onde sua comandante foi capturada no passado. Uma jornalista francesa acompanha o batalhão.</p>
<p style="font-weight: 400">Finalmente Livres (En Liberté), de Pierre Salvadori. Com Adèle Haenel, Pio Marmai, Damien Bonnard. 2018 – Comédia – 1h47. Jovem inspetora de polícia descobre que o marido, um herói local morto em combate, não era o policial corajoso e íntegro que ela pensava.</p>
<p style="font-weight: 400">Graças a Deus (Grâce à Dieu), de François Ozon. Com Melvil Poupaud, Denis Ménochet, Swann Arlaud. 2019 – Drama – 2h17. Homem vive em Lyon com a esposa e os filhos e um dia descobre que o padre que abusou dele enquanto era escoteiro ainda prega junto às crianças. Ele inicia, então, um combate, ao qual se juntam, rapidamente, outras vítimas do padre. Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim 2019.</p>
<p style="font-weight: 400">Um Homem Fiel (L’homme fidèle), de Louis Garrel. Com Laetitia Casta, Louis Garrel, Lily-Rose Depp. 2018 – Comédia romântica – 1h15. Marianne deixa Abel por Paul, seu melhor amigo e pai de seu futuro filho. Oito anos depois, Paul morre. Abel e Marianne voltam a namorar, despertando sentimentos de ciúmes tanto no filho de Marianne, Joseph, quanto na irmã de Paul, Eva, que secretamente ama Abel desde a infância.</p>
<p style="font-weight: 400">Inocência Roubada (Les Chatouilles), de Andrea Bescond e Eric Metayer. Com Andrea Bescond, Karin Viard, Clovis Cornillac, Pierre Deladonchamps. 2018 – Drama – 1h43. Aos oito anos, garota brinca com homem mais velho, amigo de seus pais. Anos depois, assombrada pelos traumas da infância, descobre que foi abusada. Vencedor do César de melhor atriz coadjuvante para Karin Viard e prêmio César de Melhor Roteiro Adaptado.</p>
<p style="font-weight: 400">Meu bebê (Mon Bébé), de Lisa Azuelos. Com Sandrine Kiberlain, Thaïs Alessandrin, Victor Belmondo. 2019 – Comédia dramática – 1h27. Mãe de três filhos se prepara para partida da caçula, que vai estudar no Canadá.</p>
<p style="font-weight: 400">O Mistério de Henri Pick (Le Mystère Henri Pick), de Rémi Bezançon. Com Fabrice Luchini, Camille Cottin, Alice Isaaz. 2019 – Comédia – 1h40. Em uma biblioteca no coração da Bretanha, uma jovem editora descobre um manuscrito que imediatamente decide publicar. O romance se torna um best-seller. Mas seu autor, Henri Pick, um fabricante de pizza bretão que morreu dois anos antes, nunca teria escrito nada além de suas listas de compras, segunda a viúva.</p>
<p style="font-weight: 400">O Professor Substituto (L’heure de la sortie), de Sébastien Marnier. Com Laurent Lafitte, Emmanuelle Bercot, Pascal Greggory. 2019 – Drama/Thriller – 1h43. Professor de um respeitado colégio se joga da janela sob os olhares assustados de seus alunos. O professor substituto de francês tenta entender suas razões.</p>
<p style="font-weight: 400">Quem Você Pensa que Sou (Celle que vous croyez), de Safy Nebbou. Com Juliette Binoche, François Civil, Nicole Garcia. 2019 – Drama – 1h41. Mulher de 50 anos decide criar um perfil falso em uma rede social e adota o nome de Clara, uma bela jovem de 24 anos. Alex, amigo do seu marido, acaba se apaixonando por ela.</p>
<p style="font-weight: 400">A Revolução em Paris (Un peuple et son roi), de Pierre Schoeller. Com Gaspard Ulliel, Adèle Haenel, Olivier Gourmet, Louis Garrel, Izïa Higelin, Noémie Lvovsky, Laurent Lafitte. 2018 – Drama histórico – 2h01. Em 1789, sob o reinado de Luís XVI, o povo francês rebela-se contra a monarquia e exige uma transformação na sociedade.</p>
<p style="font-weight: 400">Clássico do Festival<br />
Cyrano de Bergerac (Cyrano), de Jean-Paul Rappeneau. Com Gérard Depardieu, Anne Brochet, Vincent Perez, Jacques Weber. 1990 – Comédia dramática – 2h15. O poeta Cyrano é apaixonado pela bela Roxanne, mas não leva a paixão adiante por vergonha do seu enorme nariz. Ele escreve cartas de amor para ela, mas coloca outro homem para conquistá-la.</p>
<p style="font-weight: 400">Cidades que recebem o Festival:</p>
<p style="font-weight: 400">Ananindeua (PA), Aracaju (SE), Araçatuba (SP), Araraquara (SP), Balneário Camboriú (SC), Barueri (SP), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Botucatu (SP), Brasília (DF), Búzios (RJ), Cambuí (MG), Campinas (SP), Campo Grande (MS), Caxias do Sul (RS), Caxambu (MG), Cotia (SP), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Foz do Iguaçu (PR), Goiânia (GO), Jaboatão dos Guararapes (PE), João Pessoa (PB), Joinville (SC), Juiz de Fora (MG), Jundiaí (SP), Londrina (PR), Macaé (RJ), Maceió (AL), Manaus (AM), Maringá (PR), Natal (RN), Niterói (RJ), Nova Friburgo (RJ), Ouro Preto (MG), Palmas (TO), Paraty (RJ), Paulista (PE), Pelotas (RS), Petrópolis (RJ) Poços de Caldas (MG), Ponta Grossa (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande (RS), Salvador (BA), Santa Maria (RS), Santos (SP), São Carlos (SP), São José dos Campos (SP), São Leopoldo (RS), São Luís (MA), São Paulo (SP), Sorocaba (SP), Taubaté (SP), Teresina (PI), Vitória (ES), Volta Redonda (RJ).</p>
<p style="font-weight: 400">Unidades do Sesc que terão sessões gratuitas</p>
<p style="font-weight: 400">Barra Mansa (RJ), Barreiras (BA), Belo Horizonte (MG), Corumbá (MS), Cuiabá (MT), Januária (MG), Jataí (GO), Juiz de Fora (MG), Londrina (PR), Marabá (PA), Nova Iguaçu (RJ), Paracatu (MG), Paranavaí (PR), Parnaíba (PI), Piracicaba (SP), Pouso Alegre (MG), Rio de Janeiro (RJ), Rondonópolis (MT), São Gonçalo (RJ), Vitória (ES).</p>
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		<title>Festival de Cannes 2019: o Brasil entre cinema, política e Elton John</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Apr 2019 18:26:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Prandi]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Daniela Prandi Maio é mês de Festival de Cannes, a mostra que mais interessa aos cinéfilos, a mais prestigiada, marcada pela diversidade e pelo tom político de suas escolhas, nem sempre uma unanimidade. Mas, se o objetivo é conhecer o novo cinema em produção mundo afora, este é o lugar. A edição 2019, de ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Daniela Prandi</strong></p>
<p style="font-weight: 400">Maio é mês de Festival de Cannes, a mostra que mais interessa aos cinéfilos, a mais prestigiada, marcada pela diversidade e pelo tom político de suas escolhas, nem sempre uma unanimidade. Mas, se o objetivo é conhecer o novo cinema em produção mundo afora, este é o lugar. A edição 2019, de 14 a 25 de maio, já começou quebrando muros e pela primeira vez em seus 72 anos de história um artista mexicano irá ocupar a presidência do júri: o escolhido foi Alejandro Iñarritu, de &#8220;Babel&#8221;, vencedor de dois prêmios Oscar de direção, por &#8220;Birdman&#8221; e &#8220;O Regresso&#8221;, e um dos grandes nomes da &#8220;onda mexicana&#8221; que tem dominado Hollywood.</p>
<p style="font-weight: 400">Assim que a lista dos filmes selecionados foi anunciada aumentou ainda mais a expectativa em torno de &#8220;Bacurau&#8221;, novo filme de Kléber Mendonça Filho, o mesmo de &#8220;Aquarius&#8221;, que &#8220;causou&#8221; em Cannes em 2016 com um protesto no tapete vermelho sobre a legitimidade do afastamento da então presidenta Dilma Rousseff. Codirigido por Juliano Dornelles, o filme estará na premiação principal e vai concorrer à Palma de Ouro, que o Brasil só venceu uma vez, em 1962, com &#8216;O Pagador de Promessas&#8221;, dirigido por Anselmo Duarte.</p>
<div id="attachment_15701" style="width: 716px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/cannes-cartaz-bacurau.jpg"><img class="size-full wp-image-15701" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/cannes-cartaz-bacurau.jpg" alt="Cartaz de &quot;Bacurau&quot;, que concorre na mostra principal" width="706" height="960" /></a><p class="wp-caption-text">Cartaz de &#8220;Bacurau&#8221;, que concorre na mostra principal</p></div>
<p style="font-weight: 400">Em tempos de cortes na Cultura, e às portas de um futuro sombrio ao combalido cinema brasileiro, espera-se resistência e polêmica. &#8220;A seleção para competir em Cannes não está à venda, e isso é fantástico. Encontro-me numa posição de prestígio que não reflete a maneira inadequada com a qual nosso país olha para a cultura. O Brasil está desmoronando as estruturas que asseguram a produção cultural. Espero que esse momento seja produtivo para o governo rever seu posicionamento em relação ao setor&#8221;, disse o cineasta logo após o anúncio de Cannes.</p>
<p style="font-weight: 400">&#8220;Bacurau&#8221;, que empresta o título de uma ave do Sertão de Seridó, na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba, conta novamente com a presença de Sônia Braga, que brilhou em &#8220;Aquarius&#8221;, no elenco. Karine Teles (a patroa de &#8220;Que Horas Ela Volta?&#8221;) e o alemão Udo Kier (&#8220;Pequena Grande Vida&#8221;) também estão na história, que gira em torno dos habitantes de um vilarejo abalado com a morte de uma antiga moradora, uma mulher muito querida, que trará consequências inesperadas. O filme, segundo o diretor, é uma mistura de drama com ficção-científica, e tem coprodução francesa. A concorrência será pesada: Kléber Mendonça Filho disputa na mostra principal com os novos filmes de Pedro Almodóvar, dos irmãos Dardenne, Xavier Dolan, Jim Jarmush, Ken Loach e Terrence Malick, para ficar nos mais conhecidos.</p>
<div id="attachment_15700" style="width: 866px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/cannes-filme-sobre-tommaso-buscetta-o-traidor.jpg"><img class="size-full wp-image-15700" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/cannes-filme-sobre-tommaso-buscetta-o-traidor.jpg" alt="&quot;O Traidor&quot;, do italiano Marco Bellocchio (Foto Divulgação)" width="856" height="482" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;O Traidor&#8221;, do italiano Marco Bellocchio (Foto Divulgação)</p></div>
<p style="font-weight: 400">O Brasil também aparece em &#8220;O Traidor&#8221;, do italiano Marco Bellocchio, que revisita a história real de Tommaso Buscetta, italiano que entregou companheiros e se refugiou por aqui, com Maria Fernanda Cândido como a mulher brasileira do mafioso.</p>
<p style="font-weight: 400">Já na Mostra Um Certo Olhar, mais Brasil em &#8220;A Vida Invisível de Eurídice Gusmão&#8221;, de Karim Aïnouz, o mesmo de &#8220;Praia do Futuro&#8221;. Aqui, com Fernanda Montenegro no elenco, o filme é uma adaptação do livro homônimo de Martha Batalha e fala da relação entre duas irmãs. Esta é a terceira vez que o cineasta cearense tem um longa selecionado para Cannes. A primeira foi com &#8220;Madame Satã&#8221; (2002) e a segunda com &#8220;O abismo prateado&#8221; (2011). &#8220;A vida invisível de Eurídice Gusmão&#8221; tem produção do carioca Rodrigo Teixeira, que se tornou figura conhecida em Hollywood por coproduzir projetos como &#8220;Me chame pelo seu nome&#8221; (2017).</p>
<div id="attachment_15702" style="width: 816px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/cannes-rocketman-Taron-Egerton-como-Elton-John.jpg"><img class="size-full wp-image-15702" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/cannes-rocketman-Taron-Egerton-como-Elton-John.jpg" alt="&quot;Rocketman&quot;, de Dexter Fletcher (Foto Divulgação)" width="806" height="511" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Rocketman&#8221;, de Dexter Fletcher (Foto Divulgação)</p></div>
<p style="font-weight: 400">Cannes também é tapete vermelho e a indústria aproveita o glamour do balneário francês para mostrar suas novidades. Entre os filmes com exibição fora da competição e com potencial de arrecadação está &#8220;Rocketman&#8221;, de Dexter Fletcher, cinebiografia do astro pop Elton John, com Taron Egerton no papel do ídolo. No clima mais francês, há a nostálgica volta de Anouk Aimée e Jean Louis Trintignant, o mítico casal de &#8220;Um Homem, uma Mulher&#8221;, que se reencontram em &#8220;Les plus belles années d&#8217;une vie&#8221;, novo filme de Claude Lelouch. E, para fãs do futebol, um documentário também pode dar o que falar: &#8220;Diego Maradona&#8221;, de Asif Kapadia. E, há, ainda, uma expectativa: talvez o novo filme de Quentin Tarantino, &#8220;Once Upon a Time in Hollywood&#8221;, esteja na lista final.</p>
<p style="font-weight: 400">Neste ano, o Festival homenageará a diretora belga radicada na França Agnès Varda, que morreu no dia 29 de março aos 90 anos. O cartaz do Festival, aliás, é um belo souvenir: Varda, aos 26 anos, dirige uma cena de &#8220;La Pointe Courte&#8221;, seu primeiro longa, lançado no Festival de Cannes de 1955.</p>
<p style="font-weight: 400"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/cartaz-cannes-2019.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-15703" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/cartaz-cannes-2019.jpg" alt="cartaz-cannes-2019" width="600" height="800" /></a> Cartaz de Cannes 2019</p>
<p style="font-weight: 400">
<p style="font-weight: 400"><strong>Concorrentes da Palma de Ouro</strong></p>
<p style="font-weight: 400">Pain and Glory (Pedro Almodóvar)</p>
<p style="font-weight: 400">The Traitor (Marco Bellocchio)</p>
<p style="font-weight: 400">The Wild Goose Lake (Diao Yinan)</p>
<p style="font-weight: 400">Parasite (Bong Joon-ho)</p>
<p style="font-weight: 400">Young Ahmed (Jean-Pierre Dardenne &amp; Luc Dardenne)</p>
<p style="font-weight: 400">Oh Mercy! (Arnaud Desplechin)</p>
<p style="font-weight: 400">Fire Next Time (Mati Diop)</p>
<p style="font-weight: 400">Matthias and Maxime (Xavier Dolan)</p>
<p style="font-weight: 400">Little Joe (Jessica Hausner)</p>
<p style="font-weight: 400">The Dead Don&#8217;t Die (Jim Jarmusch)</p>
<p style="font-weight: 400">Sorry We Missed You (Ken Loach)</p>
<p style="font-weight: 400">Les misérables (Ladj Ly)</p>
<p style="font-weight: 400">A Hidden Life (Terrence Malick)</p>
<p style="font-weight: 400">Bacurau (Kleber Mendonça Filho &amp; Juliano Dornelles)</p>
<p style="font-weight: 400">The Whistlers (Corneliu Porumboiu)</p>
<p style="font-weight: 400">Frankie (Ira Sachs)</p>
<p style="font-weight: 400">Portrait of a Lady on Fire (Céline Sciamma)</p>
<p style="font-weight: 400">It Must Be Heaven (Elia Suleiman)</p>
<p style="font-weight: 400">Sibyl (Justine Triet)</p>
<p style="font-weight: 400">
<p style="font-weight: 400">
<p style="font-weight: 400"><strong>Fora de competição</strong></p>
<p style="font-weight: 400">Rocketman (Dexter Fletcher)</p>
<p style="font-weight: 400">The Best Years of a Life (Claude Lelouch)</p>
<p style="font-weight: 400">Too Old To Die Young (Nicolas Winding Refn)</p>
<p style="font-weight: 400">Diego Maradona (Asif Kapadia)</p>
<p style="font-weight: 400">La Belle Époque (Nicolas Bedos)</p>
<p style="font-weight: 400">
<p style="font-weight: 400">
<p style="font-weight: 400"><strong>Mostra Um Certo Olhar</strong></p>
<p style="font-weight: 400">A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (Karim Aïnouz)</p>
<p style="font-weight: 400">Beanpole (Kantemir Balagov)</p>
<p style="font-weight: 400">The Swallows of Kabul (Zabou Breitman &amp; Eléa Gobé Mévellec)</p>
<p style="font-weight: 400">A Brother&#8217;s Love (Monia Chokri)</p>
<p style="font-weight: 400">The Climb (Michael Covino)</p>
<p style="font-weight: 400">Jeanne (Bruno Dumont)</p>
<p style="font-weight: 400">A Sun That Never Sets (Olivier Laxe)</p>
<p style="font-weight: 400">Room 212 (Christophe Honoré)</p>
<p style="font-weight: 400">Port Authority (Danielle Lessovitz)</p>
<p style="font-weight: 400">Papicha (Mounia Meddour)</p>
<p style="font-weight: 400">Adam (Maryam Touzani)</p>
<p style="font-weight: 400">Zhuo Ren Mi Mi (Midi Z)</p>
<p style="font-weight: 400">Liberté (Albert Serra)</p>
<p style="font-weight: 400">Bull (Annie Silverstein)</p>
<p style="font-weight: 400">Summer of Changsha (Zu Feng)</p>
<p style="font-weight: 400">
<p style="font-weight: 400">
<p style="font-weight: 400"><strong>Exibições especiais</strong></p>
<p style="font-weight: 400">Tommaso (Abel Ferrara)</p>
<p style="font-weight: 400">Share (Pippa Bianco)</p>
<p style="font-weight: 400">For Sama (Waad Al Kateab &amp; Edward Watts)</p>
<p style="font-weight: 400">Etre vivant et le savoir (Alain Cavalier)</p>
<p style="font-weight: 400">Family Romance, L.L.C (Werner Herzog)</p>
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		<title>&#8220;Contanto que haja paz&#8221; no Refugistão</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Apr 2019 15:01:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Prandi]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Daniela Prandi Famílias deixam suas casas, suas vidas e seu país em busca de sobrevivência. Os refugiados, um grande dilema a ser enfrentado nesses nossos tempos, está no foco do documentário “Welcome to Réfugistan”, da jornalista francesa Anne Poiret. Mas, a partir do indivíduo que perdeu tudo, a documentarista amplia o alcance para revelar ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Daniela Prandi</strong></p>
<div>
<div>Famílias deixam suas casas, suas vidas e seu país em busca de sobrevivência. Os refugiados, um grande dilema a ser enfrentado nesses nossos tempos, está no foco do documentário “Welcome to Réfugistan”, da jornalista francesa Anne Poiret. Mas, a partir do indivíduo que perdeu tudo, a documentarista amplia o alcance para revelar que, por trás dos grandes campos de refugiados montados em tantos cantos do planeta, há um grande negócio. Caso deixassem de existir, o que não parece ser o caso, muito dinheiro iria parar de circular. Dinheiro proveniente de governos e doações, que abastecem ONGs, empregam milhares e movimentam corações e mentes, &#8220;contanto que haja paz&#8221; no &#8220;Refugistão&#8221;.</div>
<div></div>
<div>Sem tomar partido, a jornalista é corajosa ao mostrar a &#8220;máquina&#8221; em torno dos campos de refugiados, lugares que, a princípio, deveriam ser provisórios. Mas não, há pessoas que passam toda a sua vida ali, entre tendas, rações diárias de comida e muita insegurança. Há crianças que nascem, crescem e chegam ao mundo adulto sem nunca terem pisado fora dos limites do campo; há aqueles que sonham em voltar para seu país e aqueles que esperam pela &#8220;loteria&#8221; de um lugar para morar em algum país desenvolvido.</div>
<div></div>
<div>O documentário, com sequências no Quênia, Tanzânia, Jordânia, fronteira da Grécia com a Macedônia e em escritórios da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) na França, Inglaterra e Suíça, começa com uma família que chega a um desses campos na África; há o estranhamento do pai, o choro do bebê de 11 meses, a mãe sem ter muito como reagir. Era para ser transitório, mas eles não sabem que ficarão um bom tempo ali. O ritual das filas, primeiro para serem identificados, depois para tudo o mais, como a fila para o recebimento de um kit básico, com direito a um balde de plástico por família, é seguido com obediência, mas as preocupações do pai sobre higiene e condições de vida carregam um quê de arrependimento. &#8220;Pelo menos antes tínhamos nossa casa para nos esconder, aqui é só poeira e gente demais&#8221;, lamenta.</div>
<div></div>
<div>
<div id="attachment_15604" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/Anne-Poiret-Welcome-to-Réfugistan-_190409_036.jpg"><img class="size-large wp-image-15604" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/Anne-Poiret-Welcome-to-Réfugistan-_190409_036-1024x684.jpg" alt="A jornalista e documentarista francesa no debate com os alunos (Foto Martinho Caires)" width="618" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">A jornalista e documentarista francesa no debate com os alunos (Foto Martinho Caires)</p></div>
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<div>Anne Poiret segue pelas estradas africanas e nos mostra novos personagens. Dois homens pedem para voltar para seu país, vitimado pela guerra civil, e dizem não se importar com os perigos que poderão enfrentar, que pode significar, inclusive, a perda da própria vida. Um deles retruca dizendo que ali, naquele campo de refugiados, é que não há vida. &#8220;Não podemos trabalhar, não podemos plantar, tudo o que fazemos é esperar pela ração de comida.&#8221;</div>
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<div>Enquanto isso, na Europa, voluntários aprendem como montar novos campos e enfrentar, como dá, a corrupção que poderão encontrar pelo caminho; engenheiros e arquitetos estudam soluções para melhorar questões básicas de saneamento e grupos multidisciplinares são movidos por ideias de &#8220;inovação&#8221; para trazer dignidade ao dia a dia dos refugiados. Neste outro mundo, tão longe, tão perto, uma sequência provoca um certo choque: uma jovem do mundo da tecnologia apresenta um aplicativo para celulares no qual se pode fazer doações de centavos diárias, semanais, mensais ou anuais para ajudar quem tem a comida racionada. &#8220;É fácil e você pode fazer sua doação na hora do almoço&#8221;, diz.</div>
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<div>Em um campo da Jordânia, uma mulher faz contas para saber se poderá levar ovos para a família. Ali, os refugiados recebem cartões com um crédito a ser gasto unicamente no supermercado instalado, que pratica os preços que quer. Se os ovos estão mais caros ou mais baratos, o problema não é dos administradores. Um deles justifica: quem define os valores é o mercado.</div>
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<div>No debate após a exibição do documentário em Campinas, um jovem estudante comete um ato falho: troca campo de refugiados por campo de concentração. Outra participante diz que o filme a deixou &#8220;sem energia&#8221;. Saímos todos com a sensação de que a solução está longe, se é que ela exista. Enquanto isso, no &#8220;Refugistão, um país virtual do tamanho da Holanda, neste exato momento novas famílias estão chegando. Hoje, a ACNUR estima que mais de 67 milhões de pessoas em todo mundo deixaram suas vidas para trás. Bem-vindos ao &#8220;Refugistão&#8221;.</div>
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