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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Eduardo Gregori</title>
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		<title>LISBOICES: Desejos de Verão – Final</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2021 13:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori O verão finalmente havia terminado no Hemisfério Norte, mas na Peninsula Ibérica o sol e o calor, mais brandos, ainda persistiam um pouco mais. Os besouros que Anes faziam das areias escaldantes da Costa de Caparica a sua morada, agora já não são vistos e nem mesmo os verdejantes arbustos estão mais ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
<p>O verão finalmente havia terminado no Hemisfério Norte, mas na Peninsula Ibérica o sol e o calor, mais brandos, ainda persistiam um pouco mais. Os besouros que Anes faziam das areias escaldantes da Costa de Caparica a sua morada, agora já não são vistos e nem mesmo os verdejantes arbustos estão mais em seu esplendor. Tudo sinaliza a chegada do outono e consequentemente o adeus à praia.</p>
<p>Mas antes do último ato, mais uma vez estendo minha toalha para espreitar o que se passa no areal muito além de um simples relax e banho de mar. A esta altura do ano já não vejo mais os meus personagens retratados nos textos anteriores. Sinto dividir a praia praticamente com os surfistas.</p>
<p>Tese reforçada pelo confinamento motivado pelo Novo Coronavírus. Nos finais de semana, por exemplo, não é possível cruzar o Tejo, o que diminui ainda mais o público que frequenta a costa do outro lado da margem. Olho para um lado e para outro. Tiro o binóculos da mochila e nada, apenas pipas elevando os surfistas no ar e uns gatos pingados a caminhar pela praia. Dou um tempo e vou pro mar, ainda é possível entrar no gelado Atlantico Norte mas os nervos formigam um pouco, confesso. Volto pra areia, leio um pouco e ouço alguma mude na esperança que o cenário mude.</p>
<p>A tarde passa e quando dou por mim o sol quase está a se por no horizonte, naquele lindo espetáculo que só há na Caparica. Fico frustrado pois nada demais se passou ali naquele dia. Pego o carro e vou pra casa.</p>
<p>Me pego irritado, inquieto e ansioso afinal, só no próximo verão poderei encontrar-me com estas pessoas que buscam, de alguma forma, tipos de prazer que vão além do sol, do calor e da praia. Fico matutando aquela sensação na cabeça por dias até finalmente entender que faço parte daquele cenário também.</p>
<p>Estou em busca de prazer, mas não um prazer sexual é um prazer quase voyeurístico, do observar o comportamento humano, principalmente aquele que se destaca por não se encaixar no padrão do que é esperado normalmente num ambiente como uma praia, por exemplo. Lembro-me que observo sempre a vizinha da frente, não querendo ve-la em trajes íntimos, mas tento entender porque ela passa 365 dias por ano grudada na janela, ou o senhor que gasta o mesmo tempo na frente do prédio onde mora, parecendo observar o nada.</p>
<p>Agora é esperar o verão, que chega em três meses e ver se estes ou outros personagens vão surgir para satisfazer a minha curiosidade.</p>
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		<title>LISBOICES: Desejos de Verão &#8211; Parte III</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2021 20:30:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog Cultura Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori, de Lisboa Demorei mas aqui estou para a terceira parte da série Desejos de Verão. Era quase fim de verão e o sol já não tinha a mesma força, mas mesmo assim insisti em aproveitar cada momento fora de casa e longe da multidão. Chego na Praia da Bela Vista como sempre ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori, de Lisboa</strong></p>
<p>Demorei mas aqui estou para a terceira parte da série Desejos de Verão. Era quase fim de verão e o sol já não tinha a mesma força, mas mesmo assim insisti em aproveitar cada momento fora de casa e longe da multidão.</p>
<p>Chego na Praia da Bela Vista como sempre e abro meu “chapéu de chuva” como dizem aqui e estendo minha toalha. A praia, que mesmo no verão tem pouca gente, parece quase um deserto nesta altura do ano, mas alguém ao longe me chama a atenção.</p>
<p>Uma senhora com seus bons 70 anos ou mais parece escondida entre as dunas e a vegetação. Ela segura um par de binóculos e parece compenetrada em sua missão de espreitar a vista. Imagino que ela esteja observando alguma espécie de pássaro porque na Costa de Caparica existem várias, ou então as pipas que elevam os surfistas acima das ondas e colorem os céus.</p>
<p>O dia passa, ondas vão e vêm e quase no fim da tarde ela ainda está no mesmo posto, quase ainda na mesma posição. Aquilo me intriga. O que uma senhora daquela idade estaria fazendo ali por tanto tempo? Levanto acampamento e me dirijo ao meu carro e no caminho faço questão de ir me aproximando dela para ver o que se passa.</p>
<p>Ela percebe a minha aproximação e se vira de costas para a praia. Ao passar por ela digo boa tarde, para ver se ela era portuguesa ou não. E me responde em português luso. Não resisto ao ímpeto de parar e tentar iniciar uma conversa para ver no que aquilo vai resultar.</p>
<p>Me apresento digo que adoro a praia e que sempre estou por lá. Ela responde dizendo que também aprecia a praia, mas que não tem mais idade para enfrentar as ondas fortes da Caparica e nem a água fria, mas sempre que pode, gosta de observar.</p>
<p>E lhe pergunto: O que a senhora observa? Ela respira por alguns instantes e eu espero que vá me dar uma má resposta. Então ela ergue a cabeça buscando meu rosto e me diz: “meu querido, eu tenho 79 anos e sou viúva há mais de 30. Gosto de ver os rapazes a correr para a água com seus corpos bem-feitos. Meu marido vinha aqui sempre para surfar e desde que ele morreu nunca tive mais ninguém. Tenho medo de esquecer como é o corpo de um homem e quando venho cá faz-me lembrar também do meu Manoel”.</p>
<p>Tenho pena pelo luto daquela senhora que dura já 3 anos, mas alegro-me que ela tenha encontrado uma maneira de lembrar de seu marido sem perder de vista e sem sentir culpa de observar corpos masculinos ao sol.</p>
<p>Digo isto a ela e lhe dou um conselho: “A senhora devia descer das dunas e caminhar pela praia. Quem sabe não encontra um novo amor?”. Ela sorri e responde: “obrigadinho, vou pensar nisto”.</p>
<p>Despeço-me enquanto ela vira novamente para a praia e levanta o binóculos. Entro no meu carro e vou embora. Quando voltei na semana seguinte não a vi mais nas dunas e torço para que ela tenha seguido o meu conselho.</p>
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		<title>Subversão de poderes</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2020 20:29:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog Cultura Viva]]></category>
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		<category><![CDATA[Cultura Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Gregori]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori Série The Boys revela lado sombrio que habita os super-heróis Se há algo que o ser humano sempre sonhou é ter superpoderes. Do ocidente com o Super-Homem ao oriente com o Ultraman, os super-heróis habitam o nosso imaginário. Além de seus fantásticos poderes, super-heróis são o bastião da moral, zeladores da democracia ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
<p><i>Série The Boys revela lado sombrio que habita os super-heróis</i></p>
<p>Se há algo que o ser humano sempre sonhou é ter superpoderes. Do ocidente com o Super-Homem ao oriente com o Ultraman, os super-heróis habitam o nosso imaginário. Além de seus fantásticos poderes, super-heróis são o bastião da moral, zeladores da democracia e do patriotismo.</p>
<p>Mas e se todos esses predicados fossem apenas uma fachada para esconder do mundo a verdadeira identidade de uma pessoa com super-poderes? E se o herói que você foi fã algum dia não fosse bem como você imaginava. Esse é o tema da série The Boys, que acaba de estrear sua segunda temporada na plataforma de streaming Prime Vídeo, da Amazon.</p>
<p>Em The Boys, um grupo formado por sete super-heróis tem suas imagens públicas gerenciadas pela Vought, uma poderosa empresa de marketing que, além de cuidar da imagem, enche os próprios bolsos com a venda de produtos licenciados, aparições em eventos e principalmente com o engajamento de ações armadas nas redes sociais. Pense em Hollywood na era de ouro do cinema, quando cada passo de uma estrela era ditado pelos estúdios.</p>
<p>O que faz de The Boys tão atraente é o fato de o enredo desconstruir a imagem certinha que temos  dos super-heróis. Na pauta dos episódios assuntos recorrentes no nosso mundo comum: assédio sexual, consumo de drogas, desvio de moral e por aí vai… ladeira a baixo.</p>
<p>O que pensar de um Capitão Pátria (Antony Starr), um Super-Homem genérico, que se recusa em salvar pessoas em um avião sequestrado por terroristas e depois aparecer em rede nacional para lamentar a morte dos passageiros. E Translúcido, personagem de Alex Hassell que tem o poder da invisibilidade e o usa na maioria das vezes para espreitar mulheres em banheiros. Já o Trem-Bala, personagem de Jessie Usher, corre tanto como The Flash, principalmente quanto está sob efeito de uma droga chamada Componente V.</p>
<p>O grupo dos sete heróis é amado pela população e essa unanimidade é garantida pela Vought, que trata de limpar os estragos que eles deixam pelo caminho, como a morte de pessoas por vingança, pelo uso de drogas e pela disputa de poder.</p>
<p>Os antagonistas que dão nome a série são um grupo de homens liderados por Billy (Karl Urban), um ex-agente da CIA que vive atormentado pelo desaparecimento de sua esposa, o qual ele atribui ao Capitão Pátria. A missão é descobrir os podres dos super-heróis e destruí-los, seja matando-os ou expondo publicamente suas fraquezas. É uma inversão de valores interessante, ao colocar heróis como vilões com superpoderes e mocinhos que contam apenas com coragem e uma dose de inteligência.</p>
<p>A trama de The Boys trata de questões muito atuais como a idolatria por influencers que vendem um mundo perfeito, a manipulação da imagem pública, disputa pelo poder custe o que custar e até a falta de moral no jogo pela soberania entre nações. Ao subverter os valores, ou a falta deles em um super-herói, a série joga um holofote sobre como podemos estar observando e vivendo em um mundo distorcido e manipulado.</p>
<p>Outra frente que abre portas para reflexões está ligada diretamente às duas mulheres que fazem parte do grupo dos sete heróis. Starlight (Erin Moriarty), descobre, ao ser admitida no grupo, que a perfeição vendida pelos heróis não tem nada de verdadeiro. Em seu primeiro dia como membro da equipe, ela é assediada sexualmente por Profundo (Chace Crawford), uma espécie de Aquaman de segunda categoria. Starlight também questiona sua própria visão sobre fé ao ter que falar em um evento religioso e no qual precisa vender a imagem de uma garota virgem e temente a Deus, o que definitivamente ela não é.</p>
<p>Já a Rainha Maeve (Dominique McElligott), uma espécie de Mulher-Maravilha se questiona porque ainda faz parte do grupo. Ela sente o peso do mau-caratismo de seus companheiros e do preço alto que tem de pagar para manter sua imagem imaculada.</p>
<p>The Boys é um bom divertimento por suas cenas de ação e tramas bem amarradas, mas também é uma série para refletir sobre questões que povoam o nosso cotidiano. Não deixe de ver desde a  primeira temporada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A nova ascensão do Universo Star Wars</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2020 21:21:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori Baby Yoda leva fãs da saga a loucura com The Mandalorian, série que estreou este mês no Brasil junto com o serviço de streaming Disney+ &#160; Sou fã de Star Wars. Assisti no cinema o primeiro, Uma Nova Esperança, lançado no final dos anos 70, vi todos os outros, torci o bigode para ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
<p><i>Baby Yoda leva fãs da saga a loucura com The Mandalorian, série que estreou este mês no Brasil junto com o serviço de streaming Disney+</i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sou fã de Star Wars. Assisti no cinema o primeiro, <i>Uma Nova Esperança</i>, lançado no final dos anos 70, vi todos os outros, torci o bigode para a retomada de uma nova trilogia em <i>A Ameaça Fantasma</i> (1999), gostei dos spin offs <i>Rogue One</i> (2016) e<i> Han Solo: Uma História Star Wars</i> (2018) e aprovei, mas com ressalvas, o ponto final da saga com <i>A Ascensão de Skywalker</i> (2019).</p>
<p>Mesmo para um fã as vezes é inevitável se perguntar se a história que acompanhou a sua vida ainda faz sentido. Obviamente nesta trajetória aconteceram altos e baixos, filmes bons e outros nem tanto. Costumo dizer que vilão mesmo era Darth Vader (David Prowse) porque Kylo Ren (Adam Driver), o malvado da última trilogia não passou de um menino mimado e problemático, tanto que tiveram de resgatar o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid) para dar um pouco mais de peso no lado sombrio da Força.</p>
<p>Quando pensava qual o caminho Star Wars tomaria no futuro, ou se haveria algum futuro, um mês antes da estreia de A Ascensão de Skywalker eis que o serviço de streaming Disney + lança nos Estados Unidos <i>The Mandalorian</i>. Bastou uma figura aparecer para catapultar a série e o universo Star Wars entre os assuntos mais comentados das redes sociais em todo o mundo e causar furor entre fãs e entre quem nem mesmo acompanhava a saga. O responsável de tudo isso: Baby Yoda, uma criança de 50 anos da mesma espécie do mais respeitado dos Jedis: Mestre Yoda.</p>
<p>Na verdade, Baby Yoda foi o nome dado pelo público, uma vez que a Disney o chama apenas de A Criança, aliás, nome do episódio que marca o início da primeira temporada da série. <i>The Mandalorian</i> se passa aproximadamente cinco anos depois o terceiro filme da trilogia original: <i>O Retorno de Jedi</i> (1983), quando o império é destruído e uma nova república está sendo construída. E é neste cenário de transição político-social, fértil para caçadores de recompensas e poderes paralelos que a série se desenvolve mantendo-se fiel a referências e estética do universo Star Wars.</p>
<p>O personagem que dá nome a série, interpretado pelo ator chileno Pedro Pascal, percorre planetas trabalhando como caçador de recompensas. Conhecido e temido por sua eficácia profissional, o Mandaloriano se vê como caça ao trair os princípios dos caçadores de recompensa. Ele descobre que uma de suas missões é levar a criança para um experimento que provavelmente resultará na sua morte. O caçador então decide ficar com ela e protegê-la. É um contraponto interessante para a figura de um homem de métodos violentos que se afeiçoa por uma criança e desenvolve por ela uma espécie de instinto paterno.</p>
<p>O Mandaloriano passa então a percorrer mundos para escapar de outros caçadores que também querem o bebê. A jornada da improvável dupla muda de sentido quando a forjadora da armaduras usadas pelos mandalorianos diz ao protagonista que sua missão é encontrar a espécie do pequeno Yoda e entregá-lo são e salvo. Pelo caminho eles passam por muitos apuros, além de encontrar falsos e verdadeiros mandalorianos, povo do planeta Mandalore conhecido por seu código de honra de ajuda mútua e de nunca revelar o rosto a ninguém.</p>
<div id="attachment_18056" style="width: 930px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Star2.jpg"><img class="size-full wp-image-18056" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Star2.jpg" alt="Cena de The Mandalorian (Foto Divulgação)" width="920" height="613" /></a><p class="wp-caption-text">Cena de The Mandalorian (Foto Divulgação)</p></div>
<p>Apesar de utilizar novas tecnologias em cenários e estar muito bem estruturada na continuidade do universo Star Wars, o roteiro dos episódios parecem feitos para cativar uma nova onda de jovens e nem tanto os fãs que acompanham a saga desde o início e que nesta altura já passam dos 50 anos. Há ação o tempo todo, mas as tramas são muitas vezes um tanto quanto juvenis demais, sem dilemas e vilões do calibre de Vader. Talvez seja esse o futuro de Star Wars, agregar uma nova base de seguidores que não acompanharam os conflitos existências dos personagens principais dos filmes originais e dos mais recentes. Apesar dessa decepção um tanto quanto intelectual, é impossível não se apaixonar por Baby Yoda, tanto que eu já encomendei o meu! Não deixe de assistir.</p>
<p>The Mandalorian acaba de estrear sua segunda temporada e pelo sucesso que vem fazendo deverá ter sua continuidade garantida na plataforma Disney +</p>
<p><iframe width="618" height="348" src="https://www.youtube.com/embed/rV-BmMbWEj4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>LISBOICES: Desejos de Verão &#8211; Parte 1</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2020 18:54:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori O verão no hemisfério norte acabou. O sol, que antes baixava no horizonte às 10h da noite, agora vai embora no máximo às 7h. A temperatura está lentamente abaixando e até choveu. Entretanto, Lisboa, mesmo no meio de uma pandemia, ferveu em suas areias escaldantes de calor, sexo e hipocrisia. É neste ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
<p>O verão no hemisfério norte acabou. O sol, que antes baixava no horizonte às 10h da noite, agora vai embora no máximo às 7h. A temperatura está lentamente abaixando e até choveu. Entretanto, Lisboa, mesmo no meio de uma pandemia, ferveu em suas areias escaldantes de calor, sexo e hipocrisia. É neste contexto que Lisboices terá quatro contos: Desejos de Verão, que têm como pano de fundo a Praia da Bela Vista, na Costa de Caparica, onde locais, residentes e turistas vão para tomar sol, mas também para escaparem das amarras sociais que não os permitem realizar seus desejos carnais.</p>
<p>Passei o verão na praia em busca de personagens. Eu já havia ouvido sobre este recanto dos desejos português mas acreditava ser mais mito que verdade e não descobri que é verdade mesmo? O meu primeiro personagem é um brasileiro, Jorge obviamente não é seu nome, mas vou chamá-lo assim. Ele está há 5 anos em Portugal. Encontro-o nas dunas da Praia da Bela Vista como um eremita errante, observando com olhos de água quem possa satisfazer-lhe.</p>
<p>Ele pensa que estou interessado, mas lhe conto meu propósito e ele diz que tem muita história para contar, só não quer mostrar o rosto. Sentamos no alto das dunas, longe do mar. As pipas do kite surfe colorem o céu em uma dia lindo.</p>
<p>Jorge chegou a Lisboa sozinho. Deixou a esposa e os dois filhos em Belo Horizonte. Alugou um quarto na Mouraria, região lisboeta tradicionalmente ocupada por imigrantes, principalmente muçulmanos vindos da África e do Oriente Médio. Conseguiu emprego em um café, mas com a chegada da pandemia perdeu o trabalho e teve que buscar uma alternativa.</p>
<p>Ainda ilegal, não pode tirar carteira de habilitação e nem comprar uma moto para fazer entregas de comidas, estas que se pedem por aplicativo. Decidiu comprar uma bicicleta e não se cansa de subir e descer as colinas de Lisboa entregando encomendas alheias.</p>
<p>Jorge me conta que casou a mando do pai, pessoa que ele diz ter o maior respeito do mundo. Jorge tem quase 60 anos e lembra que na sua época obediência aos pais era tudo na vida de uma criança. Ele me conta que sempre soube que não era o que ele chama de pessoa normal. Aprendeu a gostar de Maria do Socorro, sua esposa, mas quando olhava para outros homens sentia uma estranha vontade de estar com eles.</p>
<p>Sua vida no Brasil não era de todo ruim. Era corretor de seguros e ganhava o suficiente para sustentar a família, mas não sentia sua vida completa, queria experimentar aquilo que não lhe saía da cabeça. Jorge me conta que tinha medo que, se realizasse seu desejo em sua cidade, talvez pudesse ser descoberto, e se gostasse e quisesse viver um romance, como seria? Medo e tesão povoavam sua cabeça noite e dia.</p>
<p>Jorge me diz que sua relação com Maria do Socorro é boa. Na cama, revela que o sexo era bom apesar de parecer mais como cumprir os deveres de marido. Uma noite pôs-se a pensar como escapar daquela vida sem magoar ninguém, nem a sua esposa, filhos e nem a ele mesmo.</p>
<p>No dia seguinte, em sua timeline de uma rede social a propaganda de um voo para Lisboa fez acender uma luz. “Vi aquilo como um aviso. E se eu fosse morar fora? Eu poderia fazer mais dinheiro e mandar pra casa, estaria longe e poderia experimentar essa minha vontade”, conta.</p>
<p>E Jorge foi masturbando esta ideia na cabeça até que decidiu ir. Conversou com a esposa que, apesar da tristeza de ficar longe do marido, acreditou que seria melhor para os filhos, pois teriam a oportunidade de oferecer-lhes uma vida menos regrada financeiramente.</p>
<p>Jorge chegou a Lisboa no início do ano e foi nos bares do Bairro Alto que conheceu muita gente e de todo lugar. Nuno, um rapaz que havia conhecido em uma noite no Bar 3, no Príncipe Real, o convidou para uma praia na Costa da Caparica. Nuno explicou que o lugar era para quem queria ficar ao sol ou perder-se no mato com outros homens.</p>
<p>Jorge me diz que não dormiu naquela noite de tanta ansiedade. Quando chegaram a praia, não quis saber muito do mar. Embrenhou-se na mata e lá encontrou homens de todas as idades e de todos os lugares. Todos com apenas um propósito: entregar-se ao prazer.</p>
<p>E foi naquele dia que Jorge provou de muitas bocas, de muitos homens e no fim soube que era aquilo que lhe faltava na vida. E todo verão Jorge faz o seu ritual de ir à praia não para banhar-se no mar, mas para realizar seus desejos. Ele me diz que tem enviado dinheiro para o Brasil, tem saudade mas não quer voltar já e nem pensa em trazer a família.</p>
<p>Não lamenta não ter encontrado alguém do mesmo sexo para mar. “Acho que amo mesmo a minha mulher. Aqui venho mesmo é para me divertir”, define. Ele levanta do meu lado, olha para o horizonte e diz que o sol já está caindo e que ainda não se satisfez por completo.</p>
<p>Agradeço o tempo que teve comigo e nos despedimos. Ele desce as dunas em direção à mata e desaparece. Fico imaginando onde Jorge estará e com quem estará realizando os seus desejos que não pode realizar no Brasil.</p>
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		<title>Uma diva discreta</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2020 17:18:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Gregori]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori Cantora e produtora campineira Margareth Reali volta ao estúdio após uma década e lança single de olho no Brasil e no mundo Margareth Reali não está tocando nas rádios, não está cantando nos programas de auditório e nem em lives bombadas nas redes sociais. Não, ela não está em uma grande turnê ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
<div><em>Cantora e produtora campineira Margareth Reali volta ao estúdio após uma década e lança single de olho no Brasil e no mundo</em></div>
<div></div>
<div>Margareth Reali não está tocando nas rádios, não está cantando nos programas de auditório e nem em lives bombadas nas redes sociais. Não, ela não está em uma grande turnê com bailarinos coreografados e cenário ultratecnológico.</div>
<div></div>
<div>Apesar de parecer remar contra uma maré que impulsiona e mantém muitos artistas em destaque, Margareth com seu jeito meigo, sua elegância, voz suave e meio tímida, construiu uma bem-sucedida carreira que já contabiliza 33 anos e que a levou a produzir e a cantar de igual para igual com grandes nomes da MPB.</div>
<div></div>
<div>Foram dez anos longe dos estúdios e do palco, tempo para criar o filho, se recuperar de um AVC e se dedicar à produção de shows. Mas o hiato de uma década não foi suficiente para calar a vontade de voltar a gravar e de reencontrar seu público. E são estes desejos que trazem de volta a Margareth cantora, uma artista sem medo de se reinventar e de olhar além dos muros da MPB.</div>
<div></div>
<div>Em parceria com Torcuato Mariano, produtor do The Voice Brasil (Globo), Margareth acaba de gravar um single em inglês e aguarda trâmites de direitos autorais para lança-lo. A ideia da artista é gravar pelo menos mais quatro músicas e lançar um EP.</div>
<div></div>
<div><strong>Quantos anos de estrada, Margareth?</strong></div>
<div></div>
<div>Ao todo são 33 anos se for contar o tempo que comecei cantando com 15 anos em comerciais, festivais e depois na música erudita.  Como cantora de música popular comecei a cantar profissionalmente em 1995, há exatos 25 anos. Entre 2010 e 2020 trabalhei como produtora também, principalmente de grandes artistas da música instrumental.</div>
<div></div>
<div><strong>Como a música surgiu na sua vida?</strong></div>
<div></div>
<div>Eu comecei a cantar na igreja Batista que minha família frequentava. Acredito que toda minha afinação e percepção tenha sido desenvolvida nessa fase, pois aos sete anos já participava de coros e fazia as linhas do contralto ou soprano.</div>
<div></div>
<div><strong>E como foi seu caminho até o palco e  discos com grandes nomes da MPB?</strong></div>
<div></div>
<div>Em 1995 o Fernando Faro, que foi um dos maiores diretores musicais do Brasil, me viu cantar na Unicamp e disse que gostaria de me preparar para gravar um CD. A oportunidade para o primeiro CD chegou e Faro convocou grandes nomes da música brasileira para participar do meu primeiro trabalho, que se chama &#8220;Onde o Céu Azul é Mais Azul&#8221;, que já está fora do mercado e tem poucas cópias disponíveis em sebos e no Mercado Livre. Nesse CD eu gravei com Sérgio Dias dos Mutantes, Lanny Gordon, Marcos Pereira, Cristóvão Bastos, Amilson Godoy, Natan Marques e muitos outros nomes importantes.</div>
<div></div>
<div><strong>Que tipo de repertório mais te inspira a cantar?</strong></div>
<div></div>
<div>A música dos compositores do Clube da Esquina sempre foi a que mais tocou meu coração . Eu também gosto de músicas com um certo ar &#8220;progressivo&#8221;  ou com toques eletrônicos. Também gostaria de cantar com um rapper, por exemplo.</div>
<div></div>
<div><strong>Porque você preferiu uma carreira mais discreta?</strong></div>
<div></div>
<div>Quase não tiro fotos com as estrelas que trabalham para minha empresa. Dianne Reeves, por exemplo, estrela internacional que eu já produzi aqui no Brasil, inclusive para um show na Virada Cultural, eu não fiquei pedindo pra tirar fotos com ela. Muitos produtores já mentiram dizendo que fizeram projetos que eu fiz , justamente porque me mantenho assim, o mais discreta possível. Faz parte da minha personalidade ser assim, mas preciso trabalhar isso agora, pois como cantora, as pessoas precisam ver o que estou fazendo nas redes sociais e na imprensa.</div>
<div></div>
<div><strong>Porque este hiato de 10 anos sem cantar?</strong></div>
<div></div>
<div>Logo no início da minha carreira de produtora comecei a trabalhar com nomes muito importantes como Eumir Deodato e o grupo Som Imaginário do maestro Wagner Tiso.  Eu não tinha tempo e nem disposição física para ter mais trabalho, pois também cuidei do meu filho sozinha, já que o pai dele mora no Rio de Janeiro e nunca dividiu o trabalho de cuidar comigo.</div>
<div></div>
<div>Em 2018 fiz um pequeno show no Sesc Campinas e pensei em voltar a cantar a partir desse momento, mas tive um AVC no dia seguinte do show e travei uma batalha também com a minha saúde, o que adiou a minha volta por mais 2 anos, até 2020.</div>
<div></div>
<div><strong>O que te levou para a produção de shows?</strong></div>
<div>Sinceramente, foi a necessidade de ganhar mais dinheiro. Em 2010 eu já estava sendo bastante reconhecida, mas não ganhava muito dinheiro. A fase escolar de uma criança e manter uma casa funcionando é muito caro. Com os trabalhos de produção artística eu tive mais estabilidade financeira para pagar com o pai do meu filho boas escolas, cursos e também possibilitar que meu filho sonhasse com o futebol até os 16 anos.</div>
<div></div>
<div>O trabalho de produtora possibilitou também que meu filho tivesse a minha presença na maior parte dos treinos, nas viagens para os testes no Brasil  e até nos treinamentos especiais com a equipe do América<span class="gmail_default"> </span>MG, para ele fazer testes na Europa. Eu levava meu laptop e trabalhava das arquibancadas dos Campos de Futebol. Meu filho desistiu do futebol para ser engenheiro, mas eu agradeço por toda essa trajetória ao lado dele, que me fez muito feliz também.</div>
<div></div>
<div><strong>Ao assistir shows produzidos por você, não batia uma vontade de voltar?</strong></div>
<div></div>
<div>Muitas vezes bateu vontade de cantar sim e muita saudade dos palcos, mas entrei firme no papel de produtora e nem mesmo aceitei convites de alguns artistas, para fazer participações especiais nos shows. Eu nunca gostei de misturar as coisas, pois jamais quis parecer oportunista com os artistas que trabalham comigo.</div>
<div></div>
<div>O que a motivou a voltar a cantar?</div>
<div></div>
<div>Como disse, eu já tinha pensado nisso, em 2018, mas tive um AVC que atrasou meus planos. Cantar continua sendo a grande paixão da minha vida e isso nunca mudou. Eu parei para ser uma mãe mais presente e responsável e creio que cumpri meu papel. Agora que meu filho já tem 20 anos eu posso me dedicar com mais segurança e mais tranquilidade, mantendo também a minha empresa de shows que cuida da produção de outros artistas.</div>
<div></div>
<div><strong>Você vai lançar um single. Fale-nos um pouco como ele foi pensado e produzido</strong></div>
<div></div>
<div>O Torcuato Mariano hoje é muito conhecido como produtor do The Voice Brasil, mas eu o conheci em 1999, quando ele era diretor da antiga gravadora EMI. Artisticamente sou apaixonada pelo trabalho dele, justamente porque ele mistura sons eletrônicos com acústicos de uma forma muito elegante.</div>
<div></div>
<div>Torcuato sempre foi muito generoso comigo me aconselhando principalmente. Em 2010 ele me chamou para gravar uma canção com ele e já tinha em mente que o arranjo dessa música deveria ser capaz de abranger dois mercados: o brasileiro e o internacional. Essa ideia ficou guardada lá traz, junto com uma pré-produção da música. Em 2020, dez anos depois e durante a quarentena, a música foi concluída e está pronta para o lançamento.</div>
<div></div>
<div>Este single pode dar frutos e se transformar em um álbum?</div>
<div></div>
<div>A ideia é ter patrocínio para fazer um video clipe e gravar mais 3 ou 4 músicas para fazer um EP e lançar nas redes digitais. Claro, o Torcuato é o produtor musical que eu quero ter em tudo isso, pois pra mim ele é a pessoa certa para me ajudar a mostrar minha nova identidade musical.</div>
<div></div>
<div><strong>E se lançasse um álbum, gostaria de lançá-lo em formatos analógicos como o vinil e o cassete?</strong></div>
<div></div>
<div>Eu não desenvolvi essa vontade ainda, mas pode acontecer.  A mixagem do meu single foi feita pelo Carlos Freitas e ele optou pelo old school, ou seja, mixagem com fitas, que é um padrão antigo e isso deu um acabamento incrível na música. Eu senti a minha voz muito mais quente do que em gravações totalmente digitais.</div>
<div></div>
<div>É difícil voltar em um momento em que parece não ser mais necessário ser afinada, ter técnica e uma voz preparada para o canto?</div>
<div></div>
<div>Eu sempre soube que música não é só talento, mas também disciplina e perseverança. No mundo atual eu percebo  que não adianta uma super voz incrível se também não forem desenvolvidas outras qualidades que alinham desde o entendimento das mudanças do mercado musical até a consciência dos problemas globais.</div>
<div></div>
<div>A sociedade quer um artista que também tenha representatividade frente aos movimentos que combatem as injustiças sociais, ambientais , raciais , de sexo etc. Não é fácil ser artista no mundo de hoje, que requer tanta exposição e engajamento. Talvez o talento fique agora  em segundo plano, porque essa representatividade seja mais importante.</div>
<div></div>
<div><strong>Como você analisa o cenário musical brasileiro da atualidade?</strong></div>
<div></div>
<div>Eu gosto de muita coisa, mas tem uma parte da MPB que eu acho extremamente chata.  Artistas que pararam no tempo e ficam só vivendo do sucesso passado, não se propõem a fazer nada novo, diferente, isso eu acho extremamente triste!</div>
<div></div>
<div>Também não me identifico  com artistas jovens que parecem que nasceram com 70 anos e insistem numa vida nos padrões dos artistas boêmios antigos e numa sonoridade cheirando a mofo, como se isso fosse algo cult. Trabalho com artistas idosos que dão de 10 a 0 em muita gente jovem e eles me ensinam muito sobre o que é  se reinventar na música.</div>
<div></div>
<div><strong>Que estilo de música você jamais cantaria? Porque?</strong></div>
<div></div>
<div>Eu só não canto o que fere os meus sentimentos ou que esteja vinculado a movimentos políticos com os quais eu discordo.  Cantar em qualquer evento que seja a favor do fascismo, por exemplo, eu nunca faria isso na minha vida.</div>
<div></div>
<div>
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		<title>LISBOICES: (Con)vivendo com o inimigo</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2020 19:41:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog Cultura Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Blogs ASN]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Gregori]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori Eu já havia escrito tudo que vi e vivi durante esta pandemia em Lisboa. Fui do lockdown à reabertura gradual. Seis meses se passaram, fronteiras fecharam e reabriram. Chegou o verão, guerra por turistas, poucos vieram e quem veio teve de voltar correndo para não ficar 14 dias em casa. Controlamos bem ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Eu já havia escrito tudo que vi e vivi durante esta pandemia em Lisboa. Fui do lockdown à reabertura gradual. Seis meses se passaram, fronteiras fecharam e reabriram. Chegou o verão, guerra por turistas, poucos vieram e quem veio teve de voltar correndo para não ficar 14 dias em casa.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Controlamos bem a curva, ficamos em casa durante três meses e o governo bancando parte dos salários de quem entrou no sistema de apoio, aqui chamado de Lay Off.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Os bares e as discotecas tiveram de se reinventar ou decretar falência. O Finalmente, uma casa tradicional no bairro do Principe Real, decidiu virar uma espécie de lanchonete. A pista de dança, outrora lotada de gente do mundo inteiro, agora tem umas poucas mesas e são servidos cafés, chás, salgados e doces. Transformistas se revezam no palco como antes, mas agora sem gritos e sem aglomeração e em um horário bizarro para a casa. Antes, a noite começava às 2h30 da manhã, agora, fecha às 23h.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Quem não virou lanchonete está fechado. No Bairro Alto, reduto da boemia que vive 24 horas por dia, uma sombra paira. Muitos não reabriram e os poucos resistem com turistas minguados e os jovens cansados de estar dentro de casa. A mesma cena acontece no Cais do Sodré.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">A Rua Rosa, antes uma mar de gente e de garrafas de cerveja espalhadas pelo chão, agora é um deserto. A vida por ali só vai até às 23h para quem decidiu reabrir com as determinações do governo.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Na margem do Tejo, na região mais nobre da cidade, casas noturnas que reuniam a sociedade, turistas e as celebridades, agora são apenas um eco do passado. Umas poucas conseguem fazer eventos no fim da tarde, com vista para o rio. Outras, mais longe da margem, nem reabriram.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">E neste compasso para quem ainda nem retomou a vida, o ano segue e agora com a retomada das aulas presenciais e com a volta ao trabalho após o tradicional agosto de férias. O resultado não podia ser outro: aumento de casos de Covid-19. A curva de contaminados que estava pequena fez meia volta e parece que estamos de novo no começo disto tudo. E não é só aqui: Espanha, França, Alemanha, Reino Unido…</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">O primeiro-ministro entrou em rede nacional para anunciar novas medidas e vamos ter mais restrições novamente e não vamos abandonar as que estão em vigor. António Costa diz considerar o fechamento novamente dos shopping centers se o número de casos subir muito além do previsto. Entretanto, disse que a União Europeia não tem mais condições de decretar outro lockdown. Seria a falência e a morte da economia dos países do bloco europeu. “Não podemos parar”, disse ele.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Eu chego ao fim dos meus relatos sobre a pandemia em Portugal porque entendi que a tão temida segunda onda na verdade é o que já estamos vivendo, melhor dizendo, já estamos convivendo com o vírus e a questão de ser contaminado parece-me mais como uma loteria.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Se tiver sorte escapa e se não tiver, pega. Desculpem-me se parece ser um registro desanimador, mas pelo menos é real. Vamos ter de (con) viver com o inimigo até que uma vacina de fato eficaz consiga eliminá-lo do nosso cotidiano.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql"></div>
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		<title>LISBOICES: Em paz</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2020 12:51:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogs ASN]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Gregori]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori No meu primeiro ano na grande Lisboa eu descobri durante o verão a Praia da Alburrica. Uma praia fluvial no Vale do Tejo, bem perto da minha antiga casa no Barreiro. Eu adorava ir apesar de não ser uma praia com belezas naturais e nem ter ondas. Mas me fazia lembrar as ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">No meu primeiro ano na grande Lisboa eu descobri durante o verão a Praia da Alburrica. Uma praia fluvial no Vale do Tejo, bem perto da minha antiga casa no Barreiro. Eu adorava ir apesar de não ser uma praia com belezas naturais e nem ter ondas. Mas me fazia lembrar as águas mornas do Brasil. Ficava horas ali aproveitando o sol e o ir e vir de barcos rumo à Lisboa.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Um amigo chegou do Brasil naquele ano e queria conhecer as praias da Linha de Cascais. Pegamos o trem e fomos em três. No primeiro dia fomos até Carcavelos, praia de areias a perder de vista e uma belíssima vista.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">No segundo dia rumamos para a Praia da Parede, uma pequena faixa de areia espremida entre o mar e um paredão de concreto. No decorrer do dia a maré vai subindo e a água lambendo a faixa de areia até quase não existir mais lugar para sentar.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">No terceiro fomos até a Praia da Rainha, a primeira de Cascais. De tão pequena é difícil encontrar um lugar no areial. Gostei do passeio, mas confesso que quase não entrei na água. Talvez mergulhar em uma pedra de gelo fosse mais agradável. Só não reclamei no último dia, quando fazia 45 graus e o choque térmico extremo foi muito relaxante.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Mudei-me do Barreiro para Almada, próximo da famosa Costa de Caparica. Famosa por suas praias nativas, muito verde e… águas frias. No verão do ano passado me deu muita saudade do Barreiro, mas fui tentando me acostumar em virar picolé em pleno verão.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">As temperaturas subiram em maio deste ano, muito antes do verão começar oficialmente. Tempo de pandemia, sem muita coragem de sair para evitar o contato social. Decidi ir para a Caparica e a cada mergulho fui me sentindo mais a vontade. Meu amigo César, que veio comigo do Brasil, ainda não consegue furar as ondas geladas.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">O verão segue e continuo a ir pelo menos uma vez por semana na praia. Se está mais frio eu levo um livro ou ponho as fofocas em dia com César. Se está mais quente, entro com tudo nas águas das praias da Fonte da Telha, da Bela Vista, da praia 19, batizada de Praia Gay da Caparica. Me sinto bem.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Hoje, a temperatura alcançou os 40 graus. Eu estava de folga, em plena quinta-feira e já havia ido andar de bicicleta e fazer exercícios no Parque da Paz em Almada. Estava com preguiça e um pouco esgotado, mas não resisti.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Estou dentro do mar com pensamento longe, relaxado e apenas curtindo aquele momento. Não quero ser piegas, mas fui tomado de uma sensação de bem-estar e de paz. Fiquei ao sabor das ondas por mais de uma hora. Perdi a noção do tempo.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Depois, já deitado na areia, tomo consciência que cada dia que passa eu me integro a este Portugal que estou aprendendo a amar, agora como cidadão. Seja com suas águas frias, seja com sua burocracia, seja com gente as vezes mal-humorada. Este é o meu Portugal com quem estou em plena paz.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql"></div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">
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		<title>LISBOICES: Guerra pandêmica</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2020 12:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog Cultura Viva]]></category>
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		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Gregori]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori É verão! O Algarve a esta hora deveria estar lotado de ingleses, turistas que todos os anos invadem as areias no sul de Portugal. Mas eles não chegaram, não pelo menos a quantidade que costumava vir. Estudantes holandeses vieram, estimulados por uma parceria entre os dois países. Mas a primeira leva colocou ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql"><strong>Por Eduardo Gregori</strong></div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql"></div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">É verão! O Algarve a esta hora deveria estar lotado de ingleses, turistas que todos os anos invadem as areias no sul de Portugal. Mas eles não chegaram, não pelo menos a quantidade que costumava vir. Estudantes holandeses vieram, estimulados por uma parceria entre os dois países. Mas a primeira leva colocou tudo a perder quando decidiu fazer aglomeração, beber como se não houvesse amanhã e causar confusão nos bares e deixar a população sobressaltada.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Portugal, mesmo com um bom controle da pandemia, foi colocada pelo Reino Unidos na lista de países com alto risco de contágio. A temida lista, que tira o sono do governo, obriga a quem chega do Reino Unido a ficar 14 dias em quarentena ao retornar. O que jogou um balde de água fria em quem esperava lotar hotéis e restaurantes com turistas e recuperar o estrago durante o lockdown.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">O governo do Primeiro-Ministro António Costa bem que tentou persuadir Londres e pediu informações a Boris Johnson sobre os critérios da lista, mas ficou no vácuo. Foi então que Portugal decidiu fazer algo que não fazia há muito tempo, virar-se para si mesmo.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Os portugueses estão fascinados em viajar pelo seu próprio país, descobrindo paisagens maravilhosas de norte a sul. Navegando pelo Rio Douro, provando vinhos e dormindo no meio da floresta em hotéis com bangalôs com teto aberto para observar as estrelas.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">A Espanha aproveitou-se da situação e fez campanha para captar turistas que deixaram de vir a Portugal. Sol, mar, praias e bares abertos pareciam um convite impossível de aceitar. E lá foram os ingleses para o nosso vizinho. Tudo corria bem, mas as festas nas ruas, nos bares e aglomeração fizeram a curva descendente de contágio dar meia volta e subir exponencialmente. De um dia para o outro, a Espanha voltou a ser o país europeu com maior número de infectados pelo Novo Coronavírus.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">O Reino Unido então decretou a Espanha como destino de alto risco e gerou o caos. Quem voltasse para casa a partir da Espanha teria também de passar por quarentena. Ingleses e residentes no Reino Unido correram para voltar antes que a medida passasse a vigorar. Muitos conseguiram mas outros não e tiveram de se conformar.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">A França entrou na jogada, querendo levar para seus destinos os ingleses impedidos de entrar em Portugal e Espanha. E lá se foram os ingleses atravessar o Canal da Mancha para aproveitar o verão francês. Vimos durante a semana o mesmo cenário se repetir. Muita gente nas ruas, aglomerações e o número de casos subindo.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">O Reino Unido pegou seus cidadãos de calças curtas ao decretar quarentena para quem está na França e pretende retornar. A medida foi anunciada praticamente 48 horas antes de passar a valer, o que causou uma correria aos aeroportos, estações de trem e de barcos do lado francês.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Como resultado, o preço das passagens foi para a estratosfera. Uma passagem de avião ou trem entre Paris e Londres chegou ao mesmo preço de Paris a São Paulo, quase 600 euros.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">No outro lado do front, Portugal e Espanha preferiram apaziguar e não decretaram reciprocidade, mas a França acaba de anunciar que seus cidadãos e residentes que estiverem em solo britânico, terão de passar por quarentena na volta. O clima entre os países não é tenso, mas de mal-estar, agravado pelo fato do Reino Unido ter deixado a União Europeia recentemente.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Está correto que o número de contaminados vem crescendo novamente, fato previsto por conta do verão e das férias. Após meses de lockdown obrigatório seria impossível manter as pessoas em casa com as temperaturas altas.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Mas estes episódios também revelam uma guerra que usa a pandemia como arma. Em um verão com poucos turistas estrangeiros, cada país tenta puxar a sardinha para o seu lado para ajudar a mover a economia. No fundo, todos estão perdendo, infelizmente.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">Estou em compasso de espera. Tenho voo para Barcelona em outubro mas minha ida dependerá das condições na Catalunha. Se fosse hoje, seria a terceira viagem desmarcada. Desmarquei o Brasil e os Açores. Vamos ver como a situação estará daqui a um mês e pouco. Espero que melhor.</div>
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql">
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		<title>LISBOICES: Dias sombrios em pleno verão</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2020 13:49:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Gregori]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Eduardo Gregori Ainda não abriram bares e casas noturnas. No Bairro Alto, reduto da boemia e de turistas, muitos proprietários já disseram que não vão mais reabrir. Falências e desemprego cobrem as páginas, sites e as telas dos jornais lisboetas. Há uma desesperança no ar. Lisboa foi atingida como quem recebe um inesperado soco ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Eduardo Gregori</strong></p>
<p>Ainda não abriram bares e casas noturnas. No Bairro Alto, reduto da boemia e de turistas, muitos proprietários já disseram que não vão mais reabrir. Falências e desemprego cobrem as páginas, sites e as telas dos jornais lisboetas.</p>
<p>Há uma desesperança no ar. Lisboa foi atingida como quem recebe um inesperado soco no estômago. A cidade respira turismo, principal mola da economia portuguesa. Para salvar um pouco o estrago e tentar mover a cidade, a prefeitura é que está pagando os ônibus de passeios turísticos e os táxis para quem quer ver a cidade só podem cobrar 8 euros.</p>
<p>Nas redes sociais a atitude dividiu opiniões. Há quem defenda, mas há quem seja contra, principalmente os pilotos de Tuk Tuk, carrinhos muito usados pelos turistas. Quem vai pagar as nossas contas? Quem vai preferir pagar-nos a andar de ônibus de graça? Pergunta um condutor.</p>
<p>Lisboa tenta voltar ao normal. Tenho visto estrangeiros pelas ruas, principalmente ingleses e franceses. Estive recentemente na Ericeira, belíssima cidade costeira no centro do país e fui ao norte em Pampilhosa da Serra e o mesmo se passa nestes lugares pouca gente de fora.</p>
<p>Estamos no meio do verão com temperaturas próximas dos 40 graus e a esta altura Portugal deveria estar apinhado de gente, mas não está. No Sul, o Algarve é o principal destino de verão europeu. A região vive basicamente do que fatura durante esta época do ano.</p>
<p>Mais um golpe para Portugal, que foi excluído do Corredor Aéreo do Reino Unido ou seja, quem chega da Grã-Bretanha ao voltar tem de fazer quarentena. Resultado, quem não pode passar duas semanas em casa na volta das férias está indo para outros lugares.</p>
<p>E vai entender: O Reino Unido deu sinal verde para a Espanha (um dos países mais afetados) e não para Portugal. E a Espanha correu para captar todos aqueles que não foram para o Algarve.</p>
<p>A situação em Portugal anda tão desanimadora que nem mesmo as ilhas da Madeira e dos Açores estão aceitando turistas sem testes para a Covid-19. Para voar aos destinos insulares é preciso apresentar um teste com resultado negativo e feito 72 horas antes da chegada.</p>
<p>Se escolher fazer o teste no aeroporto, então o turista deverá ficar em quarentena até sair o resultado. Mas quem vai passar uma, duas semanas isolado em férias em uma ilha paradisíaca? Isso sem contar os voos cancelados de última hora. O meu para a Ilha Terceira foi cancelado um dia antes.</p>
<p>Some a todos estes ingredientes a sombra de uma possível segunda onda. Lisboa viveu focos de surtos pós-confinamento que exigiram do governo medidas ainda mais restritivas para contê-los. Está proibido consumir álcool em público, comprar bebidas alcoólicas após as 20h, postos de gasolina com lojas de conveniência só podem vender combustíveis após as 20h e está proibido reunir-se com mais de 10 pessoas, apesar se residirem na mesma casa.</p>
<p>A possibilidade de uma segunda onda é tão palpável que o bloco de países europeus já consideram-na como uma realidade a ser enfrentada quando as temperaturas começarem a cair.</p>
<p>A tábua de salvação seria a vacina. No encontro do bloco para discutir as medidas de apoio à economia, países menos afetados reduziram a quantidade de dinheiro que poderá ser utilizada por cada membro. Medo de gastar muito e segurar mais em caixa para o que poderá vir a acontecer no futuro. São dias sem luz no túnel, dias sombrios para a Europa em pleno verão no hemisfério norte.</p>
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