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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Nova Economia</title>
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		<title>100 anos de etanol, meio século de Proálcool: conquistas e perspectivas para o combustível que mudou o Brasil</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Nov 2024 00:16:56 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Campinas, 1 de novembro de 2024 Por José Pedro Soares Martins Uma das pessoas que discursaram na solenidade de sanção presidencial da Lei do Combustível do Futuro, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), Evandro Gussi, comentou a respeito da nova legislação: &#8220;Podemos dizer que hoje o futuro da mobilidade sustentável ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Campinas, 1 de novembro de 2024</strong></p>
<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p>Uma das pessoas que discursaram na solenidade de sanção presidencial da Lei do Combustível do Futuro, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), Evandro Gussi, comentou a respeito da nova legislação: &#8220;Podemos dizer que hoje o futuro da mobilidade sustentável chegou e é o Brasil que lidera esse processo. Só que o futuro nunca vem sozinho, não vem por inércia ou de maneira aleatória. O futuro vem pela construção das mãos humanas. E o projeto de Lei do Combustível do Futuro vai transformar esse setor”.</p>
<p>A cerimônia realizada na Base Aérea de Brasília, na manhã do dia 8 de outubro de 2024, que marcou a sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da Lei 14.993/24, a Lei do Combustível do Futuro, representa a abertura de uma nova fase na evolução do etanol no país,  em um momento histórico para o combustível. Em 2025, serão lembrados os 100 anos da primeira vez que o etanol foi utilizado no Brasil para movimentar um veículo. Também em 2025, serão lembrados os 50 anos do lançamento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), a iniciativa governamental que deu um notável impulso para a produção do etanol da cana-de-açúcar.</p>
<p>Esse duplo e histórico marco na trajetória do etanol no Brasil configura o momento ideal para um balanço sobre o combustível. O protagonismo cada vez maior do etanol da cana-de-açúcar, com a decisiva participação dos empreendedores do estado de São Paulo e de uma sólida cadeia produtiva que já vinha sendo construída antes do Proálcool, teve um impacto profundo na economia nacional, foi determinante para a mobilização de relevantes recursos em ciência e tecnologia, gerou emprego e renda para milhares de brasileiros, contribuiu para ampliar a pauta de exportações e consolidou o Brasil como um país líder em combustíveis renováveis, agora com a perspectiva de influência ainda maior na esperada transição energética global, pelo incentivo que a Lei 14.993/24 dá para combustíveis como o hidrogênio e o SAF.</p>
<p>&#8220;Com a recente aprovação do PL Combustíveis do Futuro,  relatado pelo deputado Arnaldo Jardim, o etanol ganha ainda mais protagonismo, permitindo sua diversificação como combustível de aviação (SAF) e fonte de hidrogênio verde. Esse cenário futuro reflete o comprometimento do setor em reduzir a dependência de fósseis e adotar energias renováveis, beneficiando tanto o meio ambiente quanto a economia agrícola&#8221;,  resume o chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, um dos especialistas ouvidos pela Agência Social de Notícias, nesta avaliação sobre a trajetória do combustível que mudou o Brasil.</p>
<div id="attachment_20679" style="width: 309px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/primeirpcarroalcool.jpg"><img class="size-full wp-image-20679" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/primeirpcarroalcool.jpg" alt="O Ford que fez o percurso histórico em 1925 (Foto Arquivo INT)" width="299" height="173" /></a><p class="wp-caption-text">O Ford que fez o percurso histórico em 1925 (Foto Arquivo INT)</p></div>
<p><strong>No princípio era o sonho dos pioneiros</strong></p>
<p>Agosto de 1925, um automóvel Ford de quatro cilindros que estava sendo utilizado, por empréstimo, pela Estação Experimental de Combustíveis e Minérios (EECM), criada em 1921 pelo presidente Epitácio Pessoa, faz o primeiro trajeto utilizando álcool como combustível. E foi logo em uma corrida no Circuito da Gávea, em prova organizada pelo Automóvel Clube do Brasil. Embrião do futuro Instituto Nacional de Tecnologia (INT), de 1933, a EECM funcionava de forma precária em área da antiga Usina Açucareira, próxima à Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.</p>
<p>A necessidade de o país encontrar novas fontes de combustíveis, em um momento de crescimento da frota de automóveis, já tinha sido tema de Epitácio Pessoa na Mensagem Presidencial de 1922, quando alertou para a “colossal importação da gasolina no Brasil”. Sob a coordenação do engenheiro Heraldo de Souza Matos, a EECM foi incumbida de realizar testes para a utilização de álcool em motores de explosão, como um provável substituto da gasolina importada.</p>
<p>Naquele momento, legislações municipais e estaduais já indicavam a possibilidade de adição de até 10% de álcool na gasolina. Mas o Brasil fabricava pouco mais de 150 mil litros anuais de álcool, e era um álcool com baixa concentração, produzido em pequenas destilarias de aguardente.</p>
<p>A Estação Experimental de Combustíveis e Minérios realizou, então, estudos e ensaios para adaptação da gasolina ao motor de explosão e o resultado foi considerado positivo, conforme o diretor da EECM, Ernesto Lopes da Fonseca Costa, comentou na conferência &#8220;O Álcool como Combustível Industrial no Brasil&#8221;, proferida em 23 de novembro de 1925, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro.</p>
<p>&#8220;Apesar da prova ter sido considerada demasiadamente pesada para um Ford, motivo pelo qual foi o único desta marca que ousou correr, os resultados obtidos foram completamente satisfatórios, pois percorreu 230 quilômetros, estipulados pelo regulamento da corrida, consumindo exclusivamente aguardente de 269 Cartier ou 709 G .L., à razão de 20 litros para l00 Km&#8221;, explicou Fonseca Costa, sobre a corrida da qual o veículo emprestado tinha participado, com o combustível ainda teste, naquele mesmo ano de 1925 em que Henry Ford, conforme notícia publicada no &#8220;The New York Times&#8221;, previa que o álcool seria &#8220;o combustível do futuro&#8221;.</p>
<p>Novos experimentos foram realizados na EECM e como consequência o presidente Getúlio Vargas assinaria, a 20 de fevereiro de 1931, o Decreto 19.717, estipulando a obrigatoriedade de adição de no mínimo 5% de álcool à gasolina importada. O decreto também isentava de qualquer imposto o álcool desnaturado confeccionado no Brasil e, entre outras disposição, indicava que a partir de 01 de julho de 1931 &#8220;os automóveis de propriedade ou a serviço da União, dos Estados e dos Municípios, sempre que for possível, deverão consumir álcool ou, na falta deste, carburante que contenha, pelo menos álcool na proporção de 10%&#8221;.  Esse decreto vigorou por 60 anos, sendo revogado por outro decreto, de 15 de fevereiro de 1991, assinado pelo presidente Fernando Collor de Mello.</p>
<p>Em junho de 1933 foi criado o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), que teria, entre suas atribuições, a de fomentar a produção de álcool anidro. O IAA de fato prossegue os estudos, em unidades próximas a áreas de produção de cana-de-açúcar, em Campos (RJ) e em Cabo (PE). As atividades na unidade pernambucana seriam interrompidas durante a Segunda Guerra Mundial.</p>
<p>Nesse período da segunda conflagração militar global, de grandes barreiras para importação de petróleo, em alguns estados nordestinos chegou a mais de 40% a porcentagem de álcool na gasolina. Nas três décadas seguintes, e até o nascimento do Proálcool, em 1975, a &#8220;mistura do etanol anidro à gasolina foi determinada pelo mercado internacional do açúcar, servindo o etanol de “regulador” de estoques do açúcar&#8221;, observa José Manuel Cabral de Sousa Dias, pesquisador da Embrapa Agroenergia, no artigo &#8220;<a href="http://www.infobibos.com.br/Artigos/2013_1/etanol/index.htm#:~:text=O%20uso%20do%20etanol%20como%20combust%C3%ADvel%20no%20Brasil%20vai%20completar%20um%20s%C3%A9culo&amp;text=H%C3%A1%20muito%20tempo%20se%20utiliza,antes%20do%20lan%C3%A7amento%20do%20Proalcool.">O uso do etanol como combustível no Brasil vai completar um século</a>!&#8221;</p>
<p>&#8220;Como consequência da composição variável, os motores dos automóveis não apresentavam desempenho regular, o que desagradava aos consumidores e à indústria automobilística&#8221;, completa Sousa Dias. Outro evento de ordem planetária, o choque do petróleo em 1973, determinaria a emergência de um novo ciclo para o etanol no Brasil, o da criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), que representaria um divisor de águas na trajetória do combustível no país.</p>
<p><strong>Pós-choque do petróleo, nasce o Proálcool</strong></p>
<p>Em outubro de 1973, os membros da Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (OPAEP) iniciaram um embargo petrolífero contra os países ocidentais que apoiaram Israel na chamada Guerra do Yom Kippur. Com a queda na produção, o preço do barril do petróleo, que era de US$ 2,90, subiu para US$ 11,65 em somente três meses. Este período ficou conhecido como o primeiro choque do petróleo, que acendeu o alerta sobre a dependência mundial desse combustível.</p>
<p>No Brasil, onde a preocupação com a importação de petróleo datava do início do século, a repercussão foi imediata. Em 1972, o país gastava 15% de suas exportações com a compra de petróleo e, em 1974, esse percentual subiu para 40%. Evoluiu então no governo militar e em centros de pesquisa a ideia de acelerar estudos para o estímulo a um combustível nacional que substituísse a gasolina derivada do petróleo importado.</p>
<p>Ainda em 1974, foi criada no âmbito da Secretaria de Tecnologia Industrial (STI), do Ministério da Indústria e Comércio, um Programa Tecnológico do Etanol. O ministro Severo Gomes havia convidado o engenheiro e físico baiano José Walter Bautista Vidal para dirigir a STI e ele permaneceu no cargo até 1978, tendo ficado conhecido como um dos &#8220;pais&#8221; do Programa Nacional do Álcool (Proálcool).</p>
<p>Entre os interlocutores de Bautista Vidal estava o coronel-aviador Urbano Ernesto Stumpf, então chefe da Divisão de Motores do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA). Estudos coordenados por Stumpf vinham sendo conduzidos desde 1973 no sentido de desenvolvimento de motores a gasolina que pudessem substituir aqueles movidos a gasolina.</p>
<p>Ao mesmo tempo, na esfera da CTI, o assessor técnico João Bosco de Siqueira reuniu um grupo de pesquisadores que tinha, entre seus membros, alguns dos profissionais que haviam atuado junto ao Instituto de Pesquisas Radioativas em Minas Gerais, em estudos pelo desenvolvimento de um programa nuclear brasileiro que não dependesse do urânio importado. Entre outros, participaram do grupo coordenado por João Bosco de Siqueira profissionais como Paulo Urban, Carlos Urban,  Luís Maurício Wanderley de Souza, Hertz Batista, Anízio Santos, Jair Melo e Firmino Fiúza.</p>
<p>Integrantes desse grupo, em conjunto com profissionais do Instituto Nacional de Tecnologia, elaboraram então o texto &#8220;O etanol como combustível&#8221;, divulgado em setembro de 1975 e encaminhado ao presidente da República, general Ernesto Geisel. Esse documento contém as bases do Proálcool, anunciado por Geisel em outubro de 1975 e oficializado pelo Decreto nº 76.593 de 14 de novembro de 1975.</p>
<p>&#8220;Fica instituído o Programa Nacional do Álcool visando ao atendimento das necessidades do mercado interno e externo e da política de combustíveis automotivos&#8221;, diz o artigo <strong>1º.</strong> &#8220;A produção do álcool oriundo da cana-de-açúcar, da mandioca ou de qualquer outro insumo será incentivada através da expansão da oferta de matérias-primas, com especial ênfase no aumento da produção agrícola, da modernização e ampliação das destilarias existentes e da instalação de novas unidades produtoras, anexas a usinas ou autônomas, e de unidades armazenadoras&#8221;, afirma o artigo <strong>2º</strong>.</p>
<p>De fato, nesse primeiro momento havia indefinição sobre qual seria a origem do etanol. Chegaram a ser implementados testes de fabricação a partir da mandioca em uma usina em Curvelo (MG), que acabou sendo assumida pela Petrobras, mas os experimentos não foram positivos por uma série de razões técnicas. Por outro lado, a obtenção do etanol a partir da cana-de-açúcar se mostrou cada vez mais viável e esse foi o caminho tomado pelo Proálcool.</p>
<p>Na primeira fase do Programa, entre 1975 e 1979, o governo federal respondeu por cerca de 75% dos investimentos, em construção de novas destilarias e expansão da área cultivada de cana-de-açúcar, como assinalam Michele Gomes da Cruz, Eziquiel Guerreiro e Augusta Pelinski Raiher, em &#8220;<a href="https://www.bnb.gov.br/revista/index.php/ren/article/view/248">A evolução da produção de etanol no Brasil, no período de 1975 a 2009</a>&#8220;. Naquele momento, a cotação do açúcar estava em baixa no mercado internacional, o que contribuiu para estimular muitos produtores a investir na fabricação do etanol da cana. Prazo de 12 anos para pagamento total dos empréstimos, carência de três anos para início de pagamentos e taxas de juros negativas foram alguns dos atrativos para os interessados em investir no setor.</p>
<p>Entre 1975 e 1979, em função dos estímulos oficiais no âmbito do Proálcool, a área plantada com cana-de-açúcar no Brasil cresceu de 1.969.227,00 hectares para 2.536.976,00 hectares, enquanto a produção de cana aumentou de 91.524.559,00 toneladas para 138.898.882,00 toneladas. Já a produção de etanol saltou de 580,00 metros cúbicos em 1975 para 2.854,00 metros cúbicos em 1979, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); Instituto de Economia Agrícola (IEA) e UNICA, organizados e coligidos por Gomes da Cruz, Guerreiro e Raiher no artigo citado. A maior parte da área plantada com cana já estava situada no estado de São Paulo. O etanol anidro, misturado à gasolina A na proporção de 20%, recebeu os principais estímulos nesse primeiro momento do Proálcool.</p>
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<p><em><strong>CADEIA PRODUTIVA DA CANA E USINAS VIABILIZOU O PROÁLCOOL</strong></em></p>
<p>Os incentivos praticados pelo governo federal foram fundamentais para o lançamento e crescimento do Proálcool, repercutindo na ampliação e fortalecimento do setor sucroalcooleiro no Brasil. Entretanto, o Programa e tudo o que ocorreu depois apenas foi possível porque já existia uma cadeia produtiva estabelecida, com produtores de cana-de-açúcar e usinas associadas para a produção de álcool. São vários empreendedores que construíram essa cadeia, pessoas com visão de futuro que depois viram o país colher os frutos que plantaram.</p>
<p>Impossível não lembrar do pioneirismo dos engenhos centrais e usinas instaladas em território paulista entre o final do século 19 e início do século 20, entre municípios como Piracicaba, Itu e Porto Feliz. Também foram se estabelecendo, nesses e outros outros municípios, usinas como Amália, Fortaleza, Barbacena, Fortaleza, Gurupiá, Monte Alegre e Schmidt.</p>
<p>Na década de 1910, os Irmãos Giuseppe e Nicola Carbone criaram a Companhia União dos Refinadores. Outro pioneiro foi Pedro (Pietro) Morganti, nascido na Toscana e que chegou ao Brasil em 1890 com 14 anos, para se tornar um dos maiores empresários do setor sucroalcooleiro. Falecido em 1941, foi proprietário entre outras da Usina Tamoio, de Araraquara, que chegou a ser a maior indústria sucroalcooleira do país e da América do Sul.</p>
<p>Outras famílias se dedicaram ao plantio da cana, contribuindo para o avanço da atividade em São Paulo, como Alves de Almeida, Batista, Junqueira, Nogueira, Reis de Magalhães e Rezende Barbosa. Localizada em Cosmópolis, a Usina Ester, uma das mais antigas em atividade, foi fundada ainda em 1898 por Arthur, José Paulino, Paulo de Almeida e Sidrack Nogueira, além de Antonio Carlos Silva Telles.</p>
<p>Famílias de descendentes de italianos também participaram ativamente na expansão da cultura da cana, como os de sobrenome Annicchino, Balbo, Bellodi, Biagi, Brunelli, Carolo, Colombo, Dedini, Frascino, Furlan, Lorenzetti, Marchesi, Malzoni, Morganti, Ometto, Pilon, Quagliato, Zanin, Zanini e Zillo. As famílias Dedini e Ometto, de modo específico, deram uma notável contribuição, com a fundação, por Mario Dedini e o compadre Pedro Ometto, do embrião das Indústrias Dedini.</p>
<p>Data de 1939 a fabricação, pela Dedini, do primeiro equipamento completo para usinas de cana, um conjunto de moendas para a Usina Nossa Senhora Aparecida. A expertise levou à criação da Codistil. Em 1992, Dedini e Zanini lançam a DZ Engenharia, Equipamentos e Sistemas, que se tornaria a maior fabricante mundial de equipamentos para o mercado de açúcar e álcool. Em um século de história, desde 1920, a Dedini fabricou mais de 100 usinas de cana, mais de 2.600 moendas, mais de 1.250 caldeiras; mais de 880 destilarias de etanol no Brasil e 115 plantas de cogeração de energia.</p>
<p>A Oficina Zanini, embrião de outra empresa fundamental para o crescimento da agroindústria canavieira, foi por sua vez criada em 1950, em Sertãozinho, com a parceria entre Ettore Zanini e Maurílio Biagi. De fato, Dedini, Ometto, Zanini, Biagi e também Zillo-Lorenzetti, Morganti, Silva Gordo, Marchesi, Nogueira e Coury/Furlan se firmaram como grandes marcas do setor, vetores essenciais para a expansão da cana e do etanol no Brasil.</p>
<p>O Grupo Pedro Ometto, especificamente, que se tornou em 1989 o maior produtor de açúcar e álcool do mundo, está na origem da Cosan, criada oficialmente em 2000. Em 2011, a Cosan e a Shell se uniram em joint-venture para formar a Raizen, uma das gigantes globais em energia. 
			</div></div>
<div id="attachment_20681" style="width: 631px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/proalcool_1979.jpg"><img class="size-full wp-image-20681" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/proalcool_1979.jpg" alt="Campanha de propaganda do Proálcool em 1979 (Foto Memória do Transporte Brasileiro)" width="621" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">Campanha de propaganda do Proálcool em 1979 (Foto Memória do Transporte Brasileiro)</p></div>
<p><strong>1979, novo choque do petróleo</strong></p>
<p>Em 1979, um novo choque do petróleo reafirmou a urgência de criação de alternativas energéticas em escala global. Desta vez, o choque foi originado na revolução fundamentalista liderada pelo aiatolá Khomeini, pela deposição do governo de Xá Reza Pahlevi. Com o corte na produção de petróleo pelo Irã, os preços novamente subiram no mercado internacional. Entre 1980 e meados da década, os preços aumentaram ainda mais, com a guerra entre Irã e Iraque.</p>
<p>Ainda em 1979, um fato da maior relevância para o Proálcool e a história do etanol no Brasil, com o acordo firmado entre o governo federal e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) visando o começo da produção de carros movido a etanol de cana-de-açúcar. O acordo foi estabelecido após intensas negociações tendo o empresário Mário Garnero como um dos principais protagonistas.</p>
<p>Garnero relata que a decisão histórica de produção de carros movidos a álcool no Brasil foi tomada a partir de uma ideia que evoluiu desde um encontro que manteve com o então ministro do Planejamento, Mário Henrique Simonsen. Após a solenidade de abertura de uma feira no Palácio de Exposições no Anhembi, Simonsen convidou Garnero para uma conversa, no banco de trás de seu automóvel. No encontro, o ministro afirmou que o Brasil passava por sérios problemas no balanço de pagamentos e que uma das soluções pensadas seria a adoção de racionamento do uso de gasolina.</p>
<p>Então presidente da ANFAVEA e diretor de relações industriais da Volkswagen, Garnero argumentou que o racionamento teria sérias consequências para a indústria automotiva, para a cadeia de fornecedores de autopeças, para o mercado de seguros, enfim, atingiria boa parte do PIB brasileiro e os empregos de milhares de cidadãos. O empresário pediu então um tempo para que fossem encontradas alternativas e Simonsen aceitou. Uma proposta seria apresentada na próxima reunião do Conselho Nacional de Energia (CNE), do qual Garnero era membro.</p>
<p>O presidente da ANFAVEA procurou então os dirigentes das principais montadoras de automóveis no Brasil, que se encontraram em reunião na sede da Volks no Brasil: Wolfgang Sauer, da própria Volkswagen; Joe Sanchez, da General Motors; Joseph O’Neil, da Ford; Silvano Valentino, da Fiat; e Werner Jessen, da Mercedes Benz. Garnero apresentou a situação para os dirigentes e Sauer manifestou-se favorável. A Fiat já estava em estudos avançados para a produção de veículo a álcool e os diretores da GM e Ford pediram um tempo para consultar suas áreas de engenharia.</p>
<p>O passo seguinte, segundo Garnero, foi uma reunião com as lideranças do setor sucroalcooleiro e ela aconteceu no Rio de Janeiro, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O setor sucroalcooleiro imediatamente deu o aval à proposta de fabricação do automóvel a álcool, garantindo que haveria suficiente produção do combustível.</p>
<p>Garnero assinala que, com efeito, foi fundamental a participação dos produtores de cana-de-açúcar, como nos casos de Maurílio Biagi Filho e João Guilherme Ometto. Também cita o papel especial do então presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Fábio Meirelles, no sentido de convencer o setor sucroalcooleiro a consolidar o estado como o grande produtor de etanol no Brasil. Os usineiros do Nordeste e do Paraná, como no caso de Jorge Wolney Attala, também foram importantes, completa o ex-presidente da ANFAVEA.</p>
<p>Com o apoio do setor automotivo e do segmento sucroalcooleiro, Garnero levou a proposta para a reunião em Brasília do Conselho Nacional de Energia, onde foi surpreendido com a ausência do próprio ministro Mário Henrique Simonsen, que estava demissionário. De qualquer modo o presidente da ANFAVEA apresentou a proposta, encontrando apoio em conselheiros como o ministro João Camilo Penna, da Indústria e Comércio, e o secretário-executivo do CNE, Eduardo Celestino Rodrigues, um respeitado especialista no tema.</p>
<p>Por outro lado, a ideia do carro a álcool encontrou forte oposição na reunião do Conselho, particularmente do general Oziel de Almeida, representante do Conselho Nacional do Petróleo que, segundo Garnero, chegou a afirmar que “este é o plano mais antinacional e antipatriótico que alguém já apresentou no Brasil”. O presidente da Petrobras, Shigeaki Ueki, também se manifestou contrário à ideia. Segundo Garnero, logo após a reunião, Ueki o convidou para almoçar na lendária Churrascaria do Lago. O presidente da Petrobras sustentou que haveria dificuldades na distribuição do álcool e na estrutura operacional da estatal.</p>
<p>Pouco depois da reunião do CNE, em que de qualquer forma a proposta foi aprovada, Garnero teve a oportunidade de se encontrar com o presidente João Batista Figueiredo, que lhe perguntou sobre o projeto do automóvel a álcool. Diante dos impasses relatados pelo empresário, o presidente solicitou imediatamente a gestão do ministro das Minas e Energia, Cesar Cals, que por sua vez obteve de Shigeaki Ueki a adesão da Petrobras.</p>
<p>No dia 19 de setembro de 1979, foi assinado, no Palácio do Planalto, o protocolo histórico entre o governo federal, por meio do Ministério da Indústria e do Comércio, e a ANFAVEA, representados por Camilo Penna e Mário Garnero, para a produção do automóvel a álcool no Brasil. O acordo previa uma produção escalonada, de 250 mil veículos no primeiro ano, 300 mil no segundo e assim por diante, até a produção de 1 milhão de veículos anuais.</p>
<p>No mesmo dia de assinatura do acordo, ele foi divulgado nos principais jornais do mundo, em anúncio pago pelas associadas da ANFAVEA: Volkswagen, Mercedes-Benz, Saab-Scania, Ford, General Motors, Fiat Diesel, Fiat Automóvel, Toyota, Puma e Gurgel Veículos. Teve início então uma forte campanha publicitária e de comunicação, no sentido de convencer o consumidor brasileiro sobre as vantagens do automóvel a álcool.</p>
<p>O primeiro veículo com motor a álcool no Brasil, em escala industrial, foi lançado em 5 de julho de 1979. Era o modelo 147 da Fiat. Logo em seguida, o acordo entre a ANFAVEA e o governo impulsionou a produção por outras montadoras. Era o início na prática do segundo ciclo do Proálcool.</p>
<p>Foram 3 mil veículos a álcool produzidos em 1979 e em 1985 já eram 573 mil, chegando a 697 mil em 1986. A área plantada com cana-de-açúcar cresceu significativamente no período, de 2.607.628,00 hectares em 1980 para 4.314.146,00 hectares em 1987, permanecendo praticamente neste patamar na década seguinte, chegando a 5.100.405,00 hectares em 2002.</p>
<p>Desde meados da década de 1980, os preços do petróleo caíram significativamente, barateando os preços da gasolina. Em 1989, houve um desabastecimento de álcool, afetando a confiança do mercado. A abertura da economia, no início da década de 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello, abrindo o mercado para a importação de veículos, em sua maioria a gasolina, também afetou o mercado dos veículos a álcool. Uma novidade, entretanto, ocorreria em 2003, levando o Proálcool e a produção de etanol a um novo patamar no país.</p>
<div id="attachment_13397" style="width: 1034px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Esalq.jpg"><img class="size-full wp-image-13397" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Esalq.jpg" alt="Campus da Esalq, em Piracicaba: um dos centros de pesquisa  sobre a cana-de-açúcar (Foto José Pedro Soares Martins)" width="1024" height="576" /></a><p class="wp-caption-text">Campus da ESALQ, em Piracicaba: um dos centros de pesquisa sobre a cana-de-açúcar (Foto José Pedro Soares Martins)</p></div>
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<p><em><strong>CIÊNCIA E TECNOLOGIA IMPULSIONARAM ETANOL E FORAM IMPULSIONADAS POR ELE</strong></em></p>
<p>&#8220;O Proálcool e o etanol se expandiram e se fortaleceram no Brasil com a fundamental contribuição da ciência e tecnologia, de escolas de agricultura como a ESALQ e instituições como o Agronômico de Campinas e a Embrapa&#8221;, afirma o agrônomo Nelson Matheus, que há décadas acompanha a evolução do setor sucroalcooleiro e agricultura em geral em São Paulo. Ele mesmo formado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP), foi diretor da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP) e evidencia o papel da ciência e tecnologia por exemplo no melhoramento genético da cana-de-açúcar, que foi decisivo para o incremento da produtividade.</p>
<p>De fato, desde 1933 o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) se dedica ao melhoramento genético da cana-de-açúcar. Já foram dezenas de variedades desenvolvidas pelo IAC e lançadas para o setor. Muitas delas já foram apresentadas na Agrishow, em Ribeirão Preto. Em média, 6,5 novas variedades de cana foram lançadas por ano nas últimas duas décadas, por instituições como o próprio IAC, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de Piracicaba, criado em 1969 e apoiado pela Copersucar, e a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (RIDESA).</p>
<p>Duas das novas variedades consideradas de alta performance, como a IAC 2361 (Nacional) e a IAC 6166 (Regional: Paraná, Ourinhos, Assis e MS), foram apresentas pelo diretor do Instituto Agronômico, Marcos Landell, em encontro promovido pelo Grupo Ideia, nos últimos dias 4 e 5 de setembro, em Ribeirão Preto.</p>
<p>Importantes avanços tecnológicos no setor foram igualmente proporcionados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada a 26 de abril de 1973 e que contribuiu para a evolução da agricultura brasileira de forma geral. A Embrapa Territorial, sediada em Campinas, utiliza a tecnologia de satélite para monitorar a agricultura nacional, incluindo as áreas da cana-de-açúcar.</p>
<p>&#8220;A tecnologia de satélites tem sido um divisor de águas para a produção sustentável de etanol. Com ela, é possível monitorar as áreas de cultivo, a qualidade do solo e a cobertura vegetal, garantindo uma gestão mais precisa e sustentável da cana-de-açúcar&#8221;, afirma o chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti. &#8220;Conseguimos também, quase em tempo real, disparar alertas sobre queimadas e incêndios, agilizando seu combate. Além disso, o uso de dados geoespaciais permite aferir práticas como o manejo integrado de pragas e as boas práticas no uso de fertilizantes, otimizando recursos e reduzindo o impacto ambiental. Essa agricultura de precisão é uma ferramenta vital para aumentar a eficiência produtiva e assegurar que o crescimento do setor não comprometa a sustentabilidade&#8221;, completa Spadotti.</p>
<p>Novos investimentos em organizações de pesquisa, sobretudo em termos de incremento da sustentabilidade, têm associação direta com o setor sucroenergético. A área de cultivo da cana-de-açúcar é um dos campos de pesquisa, por exemplo, do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon), criado no início de 2023 e que foi instalado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba. “O Centro vai intensificar estudos e disseminar conhecimento sobre plantio direto, interação de lavoura, pecuária e floresta e práticas regenerativas, visando a redução das emissões e o maior sequestro de carbono na agropecuária”, sintetiza Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, docente do Departamento de Ciência do Solo da Esalq e coordenador do CCArbon. Cerri nota que o CCarbon é fruto de projeto aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), para funcionar como um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela organização.</p>
<p>Cerri cita o bom exemplo do setor sucroalcooleiro paulista, como case mundial de descarbonização e contribuição com a transição energética, e entende que a produção de biocombustível pode crescer ainda mais no Brasil, em várias regiões. Nesse sentido, entende que o hidrogênio verde, contemplando a produção de hidrogênio a partir de biocombustível, é o futuro em termos de energia renovável, e que o Brasil tem totais condições de liderar esse processo, a partir do que já feito no estado de São Paulo. “Quando os postos de combustíveis tiverem uma estação de produção de hidrogênio a partir do etanol, será uma enorme transformação de impacto global”, sinaliza. 
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<div id="attachment_19694" style="width: 2667px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Cerri_campo.jpg"><img class="size-full wp-image-19694" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Cerri_campo.jpg" alt="Carlos Cerri, da ESALQ: setor sucroalcooleiro é exemplo de descarbonização (Foto Divulgação)" width="2657" height="3543" /></a><p class="wp-caption-text">Carlos Cerri, da ESALQ: setor sucroalcooleiro é exemplo de descarbonização (Foto Divulgação)</p></div>
<p><strong>O carro flex e a expansão do etanol</strong></p>
<p>Em abril de 2003 foi lançado o primeiro carro flex do Brasil, o Gol Total Flex 1.6, resultado da parceria entre a Volkswagen e a Magneti Marelli. Em junho seguinte foi a vez do lançamento do Corsa Flexpower, desta vez consequência da parceria entre GM e Delphi. A Bosch também contribuiu significativamente para o advento e fortalecimento do carro flex no país, permitindo ao consumidor utilizar gasolina ou álcool no tanque. Foi mais um importante e decisivo incremento à expansão do etanol da cana no país.</p>
<p>Entre 2003, ano de lançamento, até 2012, a produção de veículos flex-fuel cresceu de 48.178 unidades para 3.162.939 unidades. No mesmo período, a fabricação de carros a gasolina caiu de 1.152.463 para 273.922 veículos, segundo dados da Anfavea.</p>
<p>Houve uma notável expansão dos canaviais a partir do lançamento do automóvel flex, de 5.371.020,00 hectares em 2003 para 7.531.000,00 hectares em 2009. Nesse período a produção de cana subiu de 396.012.158,00 toneladas para 612.211.200,00, com a relevante contribuição, mais uma vez, dos melhoramentos promovidos por instituições como a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas. O rendimento da cana no período evoluiu de 72,58 toneladas por hectare em 2003 para 81,29 tonelada por hectare em 2009. No mesmo período, a produção de etanol da cana saltou de 14.470,30 metros cúbicos em 2003 para 25.866,06 metros cúbicos em 2009, conforme dados da UNICA, Mapa, IPEA, Conab, ANP e IEA.</p>
<p>A crise financeira internacional de 2008 repercutiu fortemente em várias atividades econômicas e não foi diferente no setor do etanol.  Assim, a produção de etanol hidratado começou a cair, declinando de 18,6 bilhões de litros na safra de 2009–2010 para 13,96 bilhões de litros na safra de 2012–2013. Já a produção de etanol anidro cresceu de 7 bilhões de litros na safra de 2009–2010 para 9,6 bilhões na safra de 2012–2013.</p>
<p>Na safra 2013-2014, a área cultivada de cana no Brasil chegou a 10.652.691 hectares, com uma área colhida de 8.811.430 hectares. A crise econômica no país, a partir de 2014, repercutiu novamente no setor sucroenergético e a área plantada permaneceu mais ou menos no patamar de 9 a 10 milhões de hectares nos anos seguintes. Foi de 9.849.857 hectares na safra 2022-2023, com área colhida de 8.288.867 hectares.</p>
<div id="attachment_20671" style="width: 1290px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Toninho.jpeg"><img class="size-full wp-image-20671" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Toninho.jpeg" alt="Antônio dos Reis Pereira: só usa álcool como combustível (Foto Arquivo Pessoal)" width="1280" height="1137" /></a><p class="wp-caption-text">Antônio dos Reis Pereira: só usa álcool como combustível (Foto Arquivo Pessoal)</p></div>
<p>O carro flex, em suma, mudou para melhor o panorama do etanol da cana no Brasil. Dos 39.095 automóveis flex licenciados em 2003, a frota subiu para o recorde de 2.834.334 licenciados em 2012. No ano seguinte, novos números históricos, com 2.833.091 veículos flex licenciados.  De  fato, a crise econômica brasileira a partir de 2014 repercutiu muito no mercado e a frota foi declinando nos anos seguintes, mas sempre com números acima de 1,5 milhão de veículos licenciados. Nova recuperação e em 2019 foram 2.123.841 licenciados. A pandemia de Covid-19 afetou novamente o segmento a partir de 2020 e em 2022 a frota flex licenciada foi de 1.437.713 veículos, sempre acima da frota exclusivamente a gasolina, que foi de 44.286 automóveis licenciados em 2022,  conforme dados da ANFAVEA. Desde o lançamento do carro flex, a área plantada e colhida de cana-de-açúcar apenas cresceu no país, e o mesmo na fabricação do etanol.</p>
<p>“Meu carro é flex e não quero outro”, diz Antônio dos Reis Pereira, nascido em Minas Gerais e morador de Campinas. Motorista profissional há mais de 35 anos, Pereira costuma afirmar que o tanto que viajou pelo Brasil daria para dar várias voltas ao mundo ou ir diversas vezes até a Lua. Ele diz que todos os automóveis que já teve foram flex, desde que essa modalidade chegou ao mercado. “Só uso álcool, o carro flex é excelente, sem comparação”, completa, resumindo o sentimento de milhares de brasileiros que diariamente experimentam e vivem na prática a grande revolução econômica e social provocada pelo etanol no país, com especial impulso a partir do Proálcool e, agora, com novas perspectivas abertas para o futuro, em função de rápidos avanços tecnológicos.</p>
<div id="attachment_9982" style="width: 3898px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2017/01/CanaColheitaMec_0002.jpg"><img class="size-full wp-image-9982" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2017/01/CanaColheitaMec_0002.jpg" alt="Cultivo da cana presente em 1.200 municípios (Foto Adriano Rosa)  " width="3888" height="2592" /></a><p class="wp-caption-text">Cultivo da cana presente em 1.200 municípios (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><b>O ESTADO DA ARTE DO ETANOL DEPOIS DE 100 ANOS</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ficaram evidentes os impactos do etanol na economia e na sociedade brasileira, em 100 anos de uma história recheada de desafios superados, de barreiras sobrepostas pela ciência, tecnologia, empreendedorismo e ousadia. De acordo com dados do IBGE e Agrosatelite, o cultivo da cana-de-açúcar é uma atividade hoje presente em 1.200 municípios brasileiros, cerca de 20% do total, e com isso o país é o maior produtor mundial, com aproximadamente 716,4 milhões de toneladas processadas na safra 2023/2024. O Centro-Sul, com a liderança de São Paulo, soma 91,3% da produção, enquanto o Norte-Nordeste responde por 8,7%.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como consequência desse vigor, o Brasil é o maior produtor (46 milhões de toneladas) e o maior exportador de açúcar do planeta, com 35,3 milhões de toneladas exportadas no ciclo 2023/2024,  valor correspondente a 25% da produção global e 50% da exportação mundial, segundo dados da UNICA. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo modo, o Brasil é o segundo maior produtor de etanol, em um ranking liderado pelos Estados Unidos. Na safra 2023/2024, o volume produzido foi de 35,9 bilhões de litros, sendo mais de 80% derivados da cana-de-açúcar. São 6,27 bilhões de litros de etanol produzidos a partir do milho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de toda essa pujança, a cana-de-açúcar cobre somente 1,2% do território brasileiro, 0,9% dos quais destinados à produção etanol (cana e milho), conforme dados da ANP. “No início do Proálcool, foi levantado o alarmismo de que o território nacional iria se transformar em um grande canavial, expulsando das melhores terras a produção de alimentos, para dar lugar ao plantio da cana-de-açúcar”, comenta o empresário Mario Garnero. Ele nota que, entretanto, em 1979, a produção anual era de cerca de 2 milhões de metros cúbicos de álcool, a maior parte destinada para misturar a gasolina,  ao  passo que a produção de grãos era de 6 milhões de toneladas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quatro décadas depois, a produção de álcool em 2018 chegou a 28 milhões de metros cúbicos, enquanto a safra de grãos atingiu 230 milhões de toneladas. De acordo com o primeiro levantamento da safra 2024/2025, feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgada a 15 de outubro, será batido um novo recorde de área cultivada e produção de grãos, com 81,34 milhões de hectares cultivados e produção de 322,47 milhões de toneladas, 8,3% ou 24,62 milhões de toneladas a mais do que o verificado em 2023/24. </span></p>
<p>O setor sucroenergético é responsável pela geração de 730 mil empregos formais, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Previdência de 2023. Somados os empregos indiretos gerados pelo setor, são aproximadamente 2,2 milhões de pessoas empregadas na cadeia da cana-de-açúcar.</p>
<p>Segundo<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0961953416301489?via%3Dihub"> estudo de Moraes, Bacchi e Caldarelli </a>(&#8220;Accelerated growth of the sugarcane, sugar, and ethanol sectors in Brazil (2000-2008): Effects on municipal gross domestic product per capita in the south-central region&#8221;, Biomass &amp; Bioenergy, 2016), a existência de uma planta de etanol no município eleva o PIB médio per capita no ano de instalação da usina em US$ 1.098,00 enquanto o das 15 cidades mais próximas tem acréscimo médio de US$ 458,00.</p>
<p>O valor bruto movimentado pela cadeia sucroenergética supera US$ 100 bilhões, com um PIB de aproximadamente US$ 40 bilhões, montante equivalente a cerca de 2% do PIB brasileiro, segundo a UNICA. Ainda conforme a UNICA, o número de produtores rurais de cana-de-açúcar independentes é de cerca de 70 mil fornecedores.</p>
<p>Estes são os números que comprovam o sucesso do Proálcool e do empreendedorismo típico de uma cadeia produtiva cada vez mais ativa e voltada para o futuro. E com o suporte essencial da ciência e tecnologia, o etanol vislumbra um futuro ainda mais promissor, considerando o contexto global de muitos desafios relacionados ao enfrentamento das mudanças climáticas e às demandas da transição energética.</p>
<div id="attachment_20697" style="width: 495px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Romão.jpeg"><img class="size-full wp-image-20697" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Romão.jpeg" alt="Eduardo Vasconcellos Romão: setor vive novo momento, com foco em dados e novos produtos no horizonte (Foto Divulgação)" width="485" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Eduardo Vasconcellos Romão: setor vive novo momento, com foco em dados e novos produtos no horizonte (Foto Divulgação)</p></div>
<p>Um dos fornecedores que estão na base da cadeia produtiva é Eduardo Vasconcellos Romão, engenheiro agrônomo formado pela ESALQ e produtor na região de Jaú, interior de São Paulo. Ele é ex-presidente e o atual diretor-tesoureiro da ORPLANA &#8211; Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil, que foi fundada em 29 de junho de 1976, visando organizar a classe dos produtores e ampliar sua representatividade no Brasil e no exterior.</p>
<p>Com sede em Ribeirão Preto, a ORPLANA conta, atualmente, com 32 associações de fornecedores de cana, sendo 24 no estado de São Paulo, 1 no Mato Grosso, 1 no Mato Grosso do Sul, 3 em Minas Gerais e 3 em Goiás. A ORPLANA representa aproximadamente 11 mil fornecedores de cana em toda Região Centro-Sul do Brasil e a partir de setembro de 2019 passou a ter abrangência nacional.</p>
<p>Romão observa que, além de organizar e representar o setor, a ORPLANA atua hoje fortemente com bancos de dados, &#8220;que são fundamentais por exemplo para a cada vez mais solicitada rastreabilidade dos produtos e para receitas não agrícolas para o setor, como créditos de carbono&#8221;. O diretor da ORPLANA, que foi o primeiro brasileiro a presidir a Associação Mundial dos Produtores de Açúcar de Beterraba e de Cana (WABCG), entende que o setor sucroalcooleiro está vivendo a quarta etapa de sua história.</p>
<p>A primeira foi a da produção de açúcar e etanol. A segunda etapa, a da produção de energia a partir dos resíduos. A terceira, do etanol 2G, já em fase adiantada. E a quarta etapa é a dos novos produtos que serão gerados a partir do etanol, como o hidrogênio verde e o SAF. &#8220;É mais uma notável contribuição do setor para os necessários avanços da sustentabilidade e o Brasil pode confirmar uma liderança global, tem muito espaço para crescer&#8221;, diz Romão, pertencente a uma família que há gerações trabalha com a cana-de-açúcar. Uma família, portanto, que tem vivenciado na prática os avanços constantes do setor, em sintonia com os avanços tecnológicos que Romão conhece bem, como ex-aluno de uma das principais instituições científicas em agronomia na América Latina.</p>
<div id="attachment_20689" style="width: 2849px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Spadotti1.jpeg"><img class="size-full wp-image-20689" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Spadotti1.jpeg" alt="Gustavo Spadotti, da Embrapa: canaviais paulistas são modelo de sustentabilidade produtiva (Foto Divulgação)" width="2839" height="2417" /></a><p class="wp-caption-text">Gustavo Spadotti, da Embrapa: canaviais paulistas são modelo de sustentabilidade produtiva (Foto Divulgação)</p></div>
<p><strong>O protagonismo de São Paulo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estado de São Paulo continua sendo líder absoluto no setor sucroenergético. Em 2000, quando a área colhida de cana no Brasil foi de 4,8 milhões de hectares, com área plantada de 4,9 milhões, São Paulo somava 2,5 milhões de área colhida.  Em 2021, quando a área plantada e colhida praticamente foram equivalentes, em torno de 10 milhões de hectares, São Paulo respondeu por 5,4 milhões de área colhida.</span></p>
<p>São 472 municípios paulistas envolvidos no cultivo da cana-de-açúcar, equivalendo a mais de 70% do total do estado. O faturamento da agroindústria canavieira no Estado de São Paulo superou R$ 105 bilhões na safra 2023/2024, segundo o Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP).</p>
<p>O setor sucroenergético responde por quase metade do valor gerado por toda a agropecuária do Estado de São Paulo, segundo dados da UNICA. Em 2023, a atividade canavieira agregou R$ 59,2 bilhões à produção agropecuária paulista, sendo a 1ª no ranking do Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA).</p>
<p>&#8220;A manutenção da cadeia sucroalcooleira e a expansão do etanol em São Paulo é crucial para a competitividade da agricultura paulista e para o processo de &#8220;desfossilização&#8221; &#8211; neologismo &#8211; energética no Brasil. Os canaviais paulistas já se destacam pelo uso eficiente dos recursos naturais, economia circular pela reutilização da torta de filtro e da vinhaça. e pela alta produtividade, consolidando-se como modelo de sustentabilidade produtiva&#8221;, sintetiza Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial, sobre o papel crucial do setor sucroenergético de São Paulo e suas perspectivas. A presença dos mais importantes centros de pesquisa sobre o setor em território paulista é  mais uma garantia de que novos caminhos sendo abertos.</p>
<p><strong>O E2G E O FUTURO DO ETANOL NO BRASIL</strong></p>
<p>No dia 24 de maio de 2024, a Raízen, maior produtora global de etanol da cana-de-açúcar, inaugurou  sua nova planta de Etanol de Segunda Geração (E2G), no Parque de Bioenergia Bonfim, em Guariba (SP). A segunda planta de etanol celulósico da companhia representou um investimento de R$ 1,2 bilhão e é a maior do mundo, já contando com 80% do volume contratado sobre capacidade de produção de 82 milhões de litros por ano.</p>
<p>&#8220;Com uma pegada de carbono 80% menor que a gasolina comum brasileira e 30% menor que o Etanol de Primeira Geração (E1G), esta iniciativa representa uma inovação tecnológica significativa no setor de bioenergia, sendo um exemplo da economia circular rentável, destacando-se pela redução de desperdícios e impactos ambientais, uma vez que aumentamos em 50% a produção sem precisar de um hectare a mais de cana e não compete com a produção de alimentos”, destacou Ricardo Mussa, CEO da Raízen.</p>
<p>O E2G, etanol de segunda geração, é fabricado a partir dos resíduos resultantes do processo de fabricação do etanol de primeira geração, o etanol feito da cana-de-açúcar. Este é apenas um dos avanços tecnológicos no setor do etanol da cana no Brasil, que abrem novas perspectivas para o etanol em futuro próximo. A própria Raízen, por exemplo, já anunciou a construção de nove plantas do etanol celulósico, todas com seus volumes comercializados, em euros, em contratos de longo prazo. O planejamento da empresa contempla outras onze plantas, somando 20 unidades de E2G com a capacidade de produzir 1.6 bilhão de litros por ano.</p>
<p>A ampliação da produção de E2G representa, entretanto, apenas uma das possibilidades abertas para o etanol no Brasil nos próximos anos. A produção de combustível de aviação (SAF) é outra delas, considerando as próprias  demandas associadas ao enfrentamento das  mudanças climáticas. Estudos indicam que o SAF pode reduzir a emissão de CO<sub>2 </sub>entre 70% e 90%<sub>, </sub>em comparação com o querosene de aviação atualmente utilizado. O SAF é processado com a utilização de hidrogênio que reage com o dióxido de carbono (CO<sub>2</sub>), gerando os hidrocarbonetos de cadeia longa semelhantes ao do querosene de aviação. Desta forma, o hidrogênio produzido a partir do etanol também é um caminho promissor para o setor sucroalcooleiro no Brasil. O futuro está em aberto e ele já está acontecendo. Nesse sentido a Lei do Combustível do Futuro, de 8 de outubro de 2024, pode ser de fato o portal para um novo e brilhante período da história de sucesso do etanol no país, contemplando os avanços robustos conquistados a partir do Proálcool.</p>
<p>Um futuro em aberto, com base nas conquistas socioambientais do etanol da cana e que lhe credenciam a novos voos no cenário da urgente transição energética global. De acordo com estudo publicado no início de 2023, entre 2000 e 2020 o setor canavieiro brasileiro retirou em média 9,8 milhões de toneladas de CO2 por ano da atmosfera. Isto significa a captura de 196 MtCO2 em duas décadas pelo segmento, de acordo com <a href="https://www.mdpi.com/2073-445X/12/3/584">estudo a</a>ssinado por pesquisadores da Agroicone, Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp e Embrapa Meio Ambiente.</p>
<p>O estudo revelou que 25% da área plantada com cana-de-açúcar em 2020 já tinham essa finalidade em 2000. Os 6,1 milhões de hectares acrescidos com a cultura em duas décadas corresponderam à conversão de áreas que, antes, eram destinadas a pastagens (60%), culturas anuais (16%) e mosaicos (22%). Somente 1,6% das novas áreas plantadas com cana-de-açúcar eram originalmente de vegetação nativa.</p>
<p>Do mesmo modo, o consumo de etanol hidratado pelos automóveis flex, combinado à mistura atual obrigatória de 27% de etanol anidro na gasolina, reduziu a emissão de gases de efeito estufa (GEE) em mais de 660 milhões de toneladas de CO2eq desde março de 2003 (data do lançamento dos veículos flex no Brasil), até dezembro de 2023, segundo dados da UNICA, com base em informações da ANFAVEA.</p>
<p>Outro ganho notável é derivado da bioeletricidade gerada a partir do processamento da cana, geralmente próxima dos centros consumidores, o que significa redução das perdas do sistema e a necessidade de investimentos em transmissão. Em 2023, a geração de bioeletricidade para a rede a partir da biomassa de cana foi de 21 TWh. É um montante equivalente a cerca de 25% da geração de energia elétrica pela Usina Itaipu em 2023 ou a atender 4% de todo consumo nacional do Brasil no ano, ou 10,8 milhões de unidades consumidoras residenciais, estima a Unica. Segundo o Balanço Energético Nacional 2024, da Empresa de Pesquisa Energética, a capacidade instalada de geração de eletricidade a partir do bagaço da cana aumentou de 9.881 megawatts em 2014 para 11.988 MW em 2023.</p>
<div id="attachment_20696" style="width: 5194px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Fabio-Raya_IMG_4302.jpg"><img class="size-full wp-image-20696" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Fabio-Raya_IMG_4302.jpg" alt="Fabio Raya, pesquisador da Unicamp: &quot;Potencial do agave é imenso&quot; (Foto Divulgação)" width="5184" height="3456" /></a><p class="wp-caption-text">Fabio Raya, pesquisador da Unicamp: &#8220;Potencial do agave é imenso&#8221; (Foto Divulgação)</p></div>
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<p>AGAVE É NOVA OPÇÃO PARA A PRODUÇÃO DE ETANOL</p>
<p>A seca intensa verificada neste ano no estado de São Paulo e grande parte do Brasil não deixou dúvidas sobre a urgência de busca de novos roteiros para viabilizar a transição energética. Pois uma planta originária do México, mas que se adaptou muito bem no semi-árido e outras regiões do Brasil, pode vir a ser mais uma importante opção no cardápio de alternativas para a produção do etanol no país. É o agave, uma planta que está na origem da fabricação tanto da tequila quanto das fibras de sisal e que está no centro de linhas de pesquisa envolvendo duas das principais instituições científicas paulistas, ambas sediadas em Campinas, a Unicamp e o Instituto Agronômico.</p>
<p>A Unicamp é uma das parceiras, ao lado da Shell e do Senai Cimatec, da Bahia, entre outras instituições, do Programa Brave &#8211; Brazil Agave Development, lançado em novembro de 2022 e que contempla a construção de uma biorrefinaria de etanol a partir do agave na caatinga baiana. O Brave, que também envolve USP, Unesp e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), abrange o trabalho de dezenas de pesquisadores, empenhados na viabilização do uso do agave para a produção de etanol.</p>
<p>&#8220;O potencial do agave para a transição energética é imenso&#8221;, afirma Fabio Raya, pesquisador do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) do Instituto de Biologia da Unicamp. Ele nota que, perfeitamente adaptado ao semi-árido, o agave, entre outros diferenciais, precisa de um volume de chuvas de 300 a 800 milímetros por ano, por hectare, enquando a cana-de-açúcar demanda um volume de 1.200 a 1.800 milímetros de chuvas anuais, por hectare. Além do mais, o agave consegue resistir a longos períodos sem chuva.</p>
<p>Raya lembra também que o rendimento do agave por hectare pode chegar a 880 toneladas de alta densidade energética, proporcionando ainda o armazenamento de 617,7 toneladas de água e a captura de 385,4 toneladas de carbono. Outro dado que ratifica as enormes perspectivas abertas pelo uso do agave para a produção do etanol é que ele pode ser cultivado em toda exensão da caatinga, que soma 84 milhões de hectares entre a Região Nordeste e o norte de Minas Gerais, enquanto a atual produção de cana-de-açúcar abrange cerca de 8 milhões de hectares, entre o interior de São Paulo, regiões do Centro-Oeste e áreas de estados nordestinos próximas ao litoral.</p>
<p>Em função de todos esses elementos é que um conjunto de instituições públicas e privadas se reuniu no Brave, que já tem resultados relevantes. Foi no âmbito do programa que cientistas do LGE-IB da Unicamp aplicaram engenharia genética para desenvolver uma cepa geneticamente modificada da levedura Saccharomyces cerevisiae, que tem a capacidade de digerir o principal carboidrato presente no agave.</p>
<p>A cepa desenvolvida pelos pesquisadores da Unicamp, que gerou um pedido de patente encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), contribui para o processo de produção do etanol a partir do agave. As pesquisas na Unicamp sobre agave utilizaram variedades na coleção do Instituto Agronômico de Campinas.</p>
<p><strong>Etanol do milho</strong> &#8211; O êxito do álcool da cana como combustível no Brasil, confirmando a tendência do país a liderar as energias renováveis, impulsionou de fato os estudos e projetos envolvendo a produção de etanol de outras espécies. É também o caso do etanol do milho, que tem produção crescente no país. Na safra de 2023/2024, a produção foi de cerca de 6 bilhões de litros, alta de 36% em relação ao ciclo anterior e de 800% nos últimos cinco anos, conforme estimativas da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). O chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, projeta de fato um bom futuro para o etanol do milho no país, como mais um impacto positivo do sucesso do etanol da cana: &#8220;Além da cana-de-açúcar, o etanol de milho tem se mostrado uma alternativa importante para a diversificação da matriz energética brasileira. O Estado de São Paulo, ao lado do Centro-Oeste, tem adotado essa cultura de forma estratégica, complementando a produção de etanol de cana e oferecendo coprodutos valiosos como o DDG (Dried Distillers Grains ou, traduzido, grãos secos de destilaria) para ração animal e óleo de milho, ambos com alto valor agregado. O avanço do etanol de milho contribui para aumentar a oferta de bioenergia e ajuda a garantir a segurança alimentar e energética, reforçando a importância do Brasil como líder global na transição para energias renováveis&#8221;.
			</div></div>
<div id="attachment_20692" style="width: 1635px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Proálcool-AN-foto3-Camilo-Pena-Stabile.jpg"><img class="size-full wp-image-20692" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Proálcool-AN-foto3-Camilo-Pena-Stabile.jpg" alt="Ministros João Camilo Penna, da Indústria e Comércio, e Amaury Stabile, da Agricultura, saindo de reunião sobre o Proálcool em Brasília, em janeiro de 1980 (Foto inserida no Projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional)" width="1625" height="1297" /></a><p class="wp-caption-text">Ministros João Camilo Penna, da Indústria e Comércio, e Amaury Stabile, da Agricultura, saindo de reunião sobre o Proálcool em Brasília, em janeiro de 1980 (Foto inserida no Projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional)</p></div>
<p><strong>SNI MONITOROU TRAJETÓRIA DO PROÁLCOOL</strong></p>
<p>O Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão mais poderoso da “comunidade de inteligência” durante o regime militar, monitorou toda a trajetória do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) e do etanol da cana-de-açúcar. É o que mostram os documentos arquivados no <a href="https://www.gov.br/memoriasreveladas/pt-br/faca-uma-pesquisa-em-nossa-base-de-dados">Projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional.</a> Os documentos também revelam que o monitoramento do Proálcool e do etanol,  por agentes da &#8220;comunidade de inteligência&#8221;, prosseguiu mesmo durante o período de redemocratização do Brasil, com a posse do presidente José Sarney em 1985. O SNI foi criado em 13 de junho de 1964, pela lei federal 4341, logo depois portanto do movimento civil-militar de 31 de março que depôs o presidente João Goulart.</p>
<p>Os documentos arquivados no Projeto Memórias Reveladas mostram que o SNI e demais órgãos da &#8220;comunidade de inteligência&#8221;, como as Divisões de Segurança e Informação dos ministérios, registraram toda a documentação oficial referente ao Proálcool, desde o seu lançamento em 1975. Pronunciamentos de autoridades federais e estaduais, os projetos de financiamento aprovados, eventuais críticas ao Proálcool, como do empresário João Conrado do Amaral Gurgel, todo esse movimento relacionado ao Programa e ao etanol da cana foi acompanhado de perto pelos agentes do SNI e outras agências, que também elaboraram análises detalhadas sobre o tema.</p>
<div id="attachment_20693" style="width: 2274px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Proálcool-Santa-elisa.jpg"><img class="size-full wp-image-20693" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Proálcool-Santa-elisa.jpg" alt="Documento sobre visita de professores norteamericanos a usina no interior de São Paulo, encaminhado ao SNI " width="2264" height="3156" /></a><p class="wp-caption-text">Documento sobre visita de professores norteamericanos a usina no interior de São Paulo, encaminhado ao SNI</p></div>
<p>O monitoramento abrangeu até detalhes como marchinhas de Carnaval encaminhadas à censura no final de 1979, com o mesmo título &#8220;Proálcool&#8221;. No dia 12 de dezembro de 1983, a Agência Central do SNI em Brasília registrou outro documento curioso, elaborado sob responsabilidade do Ministério do Exército. Era o documento originado da 11a Divisão de Infantaria Blindada, sobre a visita, em 19 de junho daquele ano, de três professores da Universidade de Nova York à Usina Santa Elisa, em Sertãozinho (SP). Segundo o documento registrado pelo, SNI, o objetivo da visita era &#8220;obter dados para uma pesquisa sobre mudanças sociais decorrentes da realização do PROGRAMA PROALCOOL&#8221;.</p>
<p>&#8220;Durante o período em que permaneceu trabalhando na área da Usina, em contato com trabalhadores, fazendo levantamento da qualidade de alimentação, quanto ganha por dia, modo de vida, conforto junto a sociedade e etc, o referido grupo foi acompanhado por um empregado da Usina, responsável pela manutenção de viaturas e maquinários&#8221;, relatou o agente que escreveu o documento.</p>
<p>Outro documento, datado de 13 de fevereiro de 1989 e sempre sob a chancela de &#8220;CONFIDENCIAL&#8221;, resumiu o Simpósio Internacional de Avaliação Sócio-Econômica da Diversificação do Setor Canavieiro&#8221;, promovido pela Planalsucar e realizado de 1 a 5 de agosto de 1988 em Águas de São Pedro, vizinha do polo sucroenergético de Piracicaba. &#8220;O encontro reuniu técnicos e empresários do BRASIL e de mais 13 países, num total de 250 participantes&#8221;, informou o responsável pelo documento, que sintetizou as apresentações de todos os conferencistas no evento. O documento deixa claro que o monitoramento sobre as atividades do setor canavieiro, presente em todo o ciclo do Proálcool, permaneceu mesmo após o fim do governo militar.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Pesquisa, tecnologia e empreendedorismo provocam mudanças no mapa agrícola de São Paulo</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2022 00:54:55 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Soares Martins Campinas, 20 de outubro de 2022 Cacau e borracha na região de São José do Rio Preto, olivais em 50 municípios do estado, urucum na Alta Paulista, mogno africano na região centro-oeste, cogumelos em mais de 90 municípios. Um mix de desenvolvimento científico e tecnológico, com altas doses de empreendedorismo, ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p><strong>Campinas, 20 de outubro de 2022</strong></p>
<p>Cacau e borracha na região de São José do Rio Preto, olivais em 50 municípios do estado, urucum na Alta Paulista, mogno africano na região centro-oeste, cogumelos em mais de 90 municípios. Um mix de desenvolvimento científico e tecnológico, com altas doses de empreendedorismo, tem provocado mudanças no mapa agrícola de São Paulo. Culturas não-tradicionais no estado têm prosperado, enquanto outras que já têm histórico consistente, como a vitivinicultura, são reinventadas à luz dos novos avanços da pesquisa por parte dos institutos e universidades paulistas. Os hubs de ciência e tecnologia, com a participação de várias startups, também contribuem para a abertura de novos horizontes para o agro de São Paulo, igualmente beneficiado por ser o estado o principal centro consumidor do país e com abertura para as inovações em produtos que podem ser comercializados.</p>
<p>&#8220;A expansão e o crescimento da agricultura não-tradicional é fundamental para o desenvolvimento agrícola em geral, principalmente para a pequena e média propriedade&#8221;, sustenta Nelson Matheus, engenheiro agrônomo aposentado, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. &#8220;A agricultura não-tradicional exige mão-de-obra especializada e possibilita uma renda melhor que as culturas tradicionais, envolvendo aspectos de turismo rural e uma rede de comércio voltada para essa cultura&#8221;, explica.</p>
<p>Formado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), uma instituição referência na área em toda a América Latina, Matheus considera que a condição mínima para o desenvolvimento das culturas agrícolas não-tradicionais é &#8220;pesquisa e assistência técnica aos produtores&#8221;. A pesquisa, em sua opinião, derivada da atuação das instituições universitárias com curso de Agronomia, em conjunto com os institutos da área. E a assistência técnica, com forte atenção sobretudo ao pequeno e médio produtor.</p>
<p>&#8220;O agricultor precisa ser orientado, assistido, ter acesso às novas variedades daquela cultura. O pesquisador ou técnico em assistência pode indicar a melhor variedade para uma determinada região, as características da planta, os cuidados necessários para o manejo&#8221;, completa ele, que cita o caso do melhoramento genético em seringueira, amendoim e outras culturas agrícolas, levando a uma expansão significativa no estado de São Paulo.</p>
<div id="attachment_13406" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Nelson-Matheus.jpg"><img class="size-large wp-image-13406" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Nelson-Matheus-682x1024.jpg" alt="Nelson Matheus: pesquisa é fundamental (Foto Divulgação)" width="618" height="928" /></a><p class="wp-caption-text">Nelson Matheus: pesquisa é fundamental (Foto Divulgação)</p></div>
<p>Ex-diretor da Associação dos Engenheiros Agrônomos de São Paulo, Nelson Matheus acredita que o empreendedorismo é de fato importante para o fomento das culturas agrícolas não-tradicionais. &#8220;Uma dinâmica presente na sociedade hoje é a existência de muitos inovadores, de pessoas que não têm vivência em determinada atividade agrícola mas encara, estuda, enfrenta e se estabelece&#8221;, comenta. Mas ele acrescenta que apenas essa disposição empreendedora não é suficiente.</p>
<p>&#8220;É essencial uma política pública de suporte, para que o produtor ganhe escala, tenha acesso aos grandes centros consumidores&#8221;, adverte. Como exemplo positivo cita o caso das reuniões das Câmaras Setoriais das cadeias produtivas existentes no estado de São Paulo, reunindo agricultores, centros de pesquisa, fornecedores de insumos e máquinas agrícolas, cooperativas e outros atores de cada cultura. &#8220;Em conjunto a cadeia produtiva analisa os cenários, identifica tendências, aponta gargalos e desafios&#8221;, resume Matheus, que cita duas cadeias produtivas mais recentes e que vêm se expandindo de forma expressiva, as da produção de cachaça e de mel.</p>
<p>As culturas não-tradicionais introduzem, de fato, novos aromas e sabores no agro paulista, que se destaca no plano nacional. Como um dos indicadores que atestam os números superlativos do estado, entre janeiro e agosto de 2022, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA),  as exportações do agro em São Paulo somaram US$ 16,72 bilhões,  representando um aumento de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior.</p>
<p>Os cinco principais grupos de produtos nas exportações paulistas continuaram sendo os de culturas consideradas tradicionais, já estabelecidas: complexo sucroalcooleiro (US$4,74 bilhões), complexo soja (US$3,05 bilhões), setor de carnes (US$2,71 bilhões), produtos florestais (US$1,76 bilhão) e sucos (US$1,14 bilhão, dos quais 97,0% referentes a suco de laranja). Juntos, esses cinco grupos representaram 80,2% das vendas externas setoriais paulistas.</p>
<p>Existe, portanto, um grande campo para o crescimento das culturas agrícolas não-tradicionais em São Paulo, inicialmente para o consumo interno, como tem sido o caso, mas também para eventuais exportações. Segundo o Instituto de Economia Agrícola, o item &#8220;Cacau e seus produtos&#8221; aparece no balanço comercial do estado entre janeiro e agosto de 2022 com exportações de US$ 39,8 milhões, valor 35% superior ao do mesmo período do ano anterior.</p>
<p><strong>Olivicultura, do Mediterrâneo para a mesa dos paulistas</strong></p>
<p>Um dos mais notáveis exemplos do potencial de expansão dos produtos agrícolas não-tradicionais em São Paulo é o da olivicultura. Original do clima mediterrâneo, cuja culinária é sempre associada a alimentação saudável, equilibrada, a planta já está presente em cerca de 50 municípios paulistas. Arbequina, Frantoio, Picual, Koroneiki, Coratina, Arbosana são as variedades de azeitonas mais cultivadas.</p>
<p>A propagação de olivais pelas terras paulistas se seguiu ao caso pioneiro de Minas Gerais, mais especificamente do município de Maria da Fé, onde o primeiro azeite extravirgem foi extraído, em 2008, como resultado do trabalho da  Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). A produção em Maria da Fé alcançou rápida projeção e divulgação, com resultados que motivaram agricultores paulistas a seguir na mesma direção.</p>
<div id="attachment_19286" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Azeite1.jpg"><img class="size-large wp-image-19286" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Azeite1-1024x768.jpg" alt="Olivicultura tem alto valor agregado (Foto Divulgação IAC)" width="618" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">Olivicultura tem alto valor agregado (Foto Divulgação IAC)</p></div>
<p>Os prêmios internacionais vencidos pelos azeites derivados da Serra da Mantiqueira, como os de Maria de Fé, ajudam a incrementar o interesse dos produtores. Em 2021, o azeite da marca Monasto, fabricado com azeitonas plantadas em Maria da Fé na fazenda Santa Helena, ganhou o prestigiado Concurso Mundial de Azeites de Nova York na categoria Delicate. Um toque de requinte é que as azeitonas são cultivadas ao som de música clássica. Outros concursos internacionais, como o OVIBEJA do Alentejo (Portugal), EVO International Olive Oil Contes (Itália) e o International Extra Virgin Olive Oil Competition (Japão) também têm reconhecido a qualidade dos azeites da Mantiqueira.</p>
<p>A Serra da Mantiqueira, nota Angelica Prela Pantano, pesquisadora científica do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), reúne condições ideais para a olivicultura. &#8220;Essa cultura necessita de clima frio, com a propriedade estando situada preferencialmente acima de 1 mil metros de altitude e com 400 horas de frio anuais com temperatura abaixo de 12 graus&#8221;, ela explica.</p>
<p>A pesquisadora observa que agricultores que começaram a cultura, sem observar essas condições climáticas, tiveram que interromper as atividades. &#8220;Quando o produtor nos chama, nós orientamos que não continue ou inicie a cultura, se não houver as condições climáticas ideias&#8221;, ela comenta.</p>
<p>Angelica Prela Pantano frisa que o plantio das azeitonas envolve um processo caro e manejo muito detalhado, mas o alto valor agregado ligado à produção de azeites tem compensado os investimentos, daí a expansão do setor no estado.  São Sebastião da Grama, Cunha e Cachoeira do Sul são alguns dos municípios que têm se destacado na produção paulista de azeitonas, que já abrange em torno de 650 hectares.</p>
<p>A estimativa é de produção de 350 toneladas de frutos e de cerca de 40 mil litros de azeite em 2022, mas a pesquisadora do IAC acredita que o potencial de crescimento é muito maior. Ela nota que produtores de azeitonas também têm agregado valor com a prática do turismo rural. Em algumas propriedades já existem restaurantes instalados e o turista pode passar um dia inteiro nesse ambiente.</p>
<p>Em São Paulo, os produtores do setor contam com o suporte do Oliva SP, um grupo com pesquisadores do IAC, Instituto Biológico, Esalq e outras instituições, no âmbito da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. A Câmara Setorial  de Olivicultura, por sua vez, reunindo representantes da cadeia produtiva, faz reuniões regulares, visando uma completa análise do segmento promissor das culturas agrícolas não-tradicionais em São Paulo.</p>
<p><strong>Os seringais, da Amazônia para São Paulo</strong></p>
<p>No imaginário popular a extração da borracha ainda está muito associada à Amazônia, pela importância que teve essa produção no início do século 20 e pelos acontecimentos recentes envolvendo os seringueiros. Mas na realidade o principal polo de borracha no país está há algum tempo localizado em São Paulo, sobretudo na região Noroeste do Estado, em torno de São José do Rio Preto e outras cidades. Como ocorre na grande parte das culturas agrícolas não-tradicionais em território paulista, mais uma vez a sua aclimatação e crescimento no estado se deve essencialmente ao desenvolvimento científico e tecnológico, e no caso em grande parte as pesquisas realizadas pelo Instituto Agronômico de Campinas.</p>
<p>O pesquisador científico Erivaldo José Scaloppi Junior, do Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais do IAC, nota que que já na década de 1940 a instituição já havia identificado o potencial de aclimatação da planta originária da Amazônia em território paulista. O IAC iniciou então o plantio de sementes nas antigas estações experimentais de Pindorama, Ribeirão Preto e na Fazenda Santa Elisa, atual Centro Experimental Central de Campinas (CEC).</p>
<p>Com o sucesso dos plantios, houve um intenso esforço pelo melhoramento genético da planta. Um passo importante foi a criação em 1988 do Programa Seringueira, com o aporte de recursos de fontes como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Ibama. Foram igualmente estabelecidas parcerias com universidades como Unicamp, USP e Unesp, levando a um maior e mais rápido desenvolvimento de pesquisas em biologia molecular, melhoramento genético, qualidade e monitoramento da borracha natural e avaliação da resistência a pragas e a doenças.</p>
<p>Desde a década de 1950 o IAC tem desenvolvido clones de Hevea brasiliensis, o nome científico da seringueira. No início do século 21, evidencia Erivaldo José Scaloppi Junior, novos clones foram lançados, com alto potencial produtivo: IAC 15, IAC 35, IAC 40 e a Série IAC 300. O pesquisador destaca o IAC 40, pelo seu potencical de produtividade e adaptação às mudanças climáticas anuais.</p>
<p>Entre os anos 2009 e 2013 foram lançados os novos clones das séries IAC 400 e IAC 500, com registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). No total, o IAC já produziu 31 clones da seringueira.</p>
<p>A consequência de todo esse esforço é que cerca de 80% dos seringais plantados em São Paulo são derivados de clones IAC. E São Paulo é hoje o grande produtor nacional. Um conjunto de 12 usinas na região de São José do Rio Preto é responsável pelo processamento de 70% da produção nacional de borracha.</p>
<p>Scaloppi Junior chama a atenção para os grandes ganhos sociais relacionados ao cultivo dos seringais, que já empregam cerca de 15 mil trabalhadores em São Paulo, nas 4.500 propriedades produtoras. Ele lembra também dos impactos ambientais positivos, pelo sequestro de carbono da atmosfera pelos seringais, que também podem ser plantados em consórcio com outras culturas. &#8220;A cada dia temos relatos positivos de produtores paulistas, mas também de vários outros estados, pelo uso do material desenvolvido no IAC, e isso nos deixa muito felizes&#8221;, completa o pesquisador.</p>
<div id="attachment_19288" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Uvas1.jpg"><img class="size-large wp-image-19288" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Uvas1-768x1024.jpg" alt="Produtos da Vinícola Terras Altas: premiação internacional (Fotos Divulgação)" width="618" height="824" /></a><p class="wp-caption-text">Produtos da Vinícola Terras Altas: premiação internacional (Fotos Divulgação)</p></div>
<p><strong>A reinvenção da vitivinicultura</strong></p>
<p>Na primeira semana de junho, os vinhos Entre Rios, safras 2019 e 2020, receberam medalha de bronze no prestigiado Decanter World Wine Awards 2022, realizado em Londres, Inglaterra. Os rótulos são produzidos na Vinícola Terras Altas, de Ribeirão Preto, cujo êxito é um perfeito exemplo da verdadeira reinvenção da vitivinicultura em território paulista, com a produção de uvas para vinhos finos.</p>
<p>Diretor responsável pelas Terras Altas, o agrônomo Ricardo Baldo lembra o processo que levou à produção de vinhos tão jovens e já premiados na Europa, o centro por excelência da bebida. &#8220;A ideia de querer produzir uva e vinho nessa região em São Paulo partiu de uma conversa minha com os dois investidores, que são os proprietários da fazenda vinícola e são apreciadores de vinhos, gostam de degustar, e sempre tiveram vontade de participar do processo de produção. Existia essa vontade latente, eles não gostariam de estar indo sempre aos tradicionais condomínios vitivinícolas da América do Sul, como os de Mendoza na Argentina ou no Chile, um tanto deslocados da fonte de negócios deles&#8221;, lembra o agrônomo.</p>
<p>Ricardo Baldo observa que, com o advento da técnica da dupla poda testada pela Epamig, em Minas Gerais, no município de Caldas, foi aberta a possibilidade de produção de vinhos finos de qualidade no Sudeste do Brasil. &#8220;Quando se produzia pelo sistema normal, não se conseguia ter uma matéria prima de excelência para a fabricação de vinhos diferenciados. Essa nova técnica, que trouxe qualidade para a produção de uvas na região Sudeste do Brasil, nos chamou a atenção&#8221;, recorda.</p>
<p>Um dos desafios para iniciar a produção, completa o diretor de Terras Altas, era que não havia um histórico de produção de uvas para vinhos finos na região de Ribeirão Preto. &#8220;Havia então o desafio de entrar com esse material genético em Ribeirão Preto, produzindo dentro de um ciclo invertido em relação ao ciclo normal da uva. Com a técnica da dupla poda, trouxemos o momento da colheita da uva para julho e agosto, portanto no inverno do Sudeste&#8221;, ele lembra.</p>
<p>O agrônomo ressalta que no início &#8220;fomos mais ou menos às cegas, conhecendo as videiras durante dois anos, em uma área de 1 hectare, depois aumentando para 2 hectares&#8221;. No segundo ano houve a primeira produção de uvas e o que se esperava, como tradicionalmente ocorre, era a produção de um primeiro vinho não comercial, pelo uso de &#8220;plantas muito novas, teoricamente de qualidade mais baixa&#8221;, observa.</p>
<div id="attachment_19289" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Uvas2.jpg"><img class="size-large wp-image-19289" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Uvas2-768x1024.jpg" alt="Amostra da produção de uvas usadas nos vinhos de Terras Altas (Fotos Divulgação)" width="618" height="824" /></a><p class="wp-caption-text">Amostra da produção de uvas usadas nos vinhos de Terras Altas (Fotos Divulgação)</p></div>
<p>Entretanto, o que houve no caso, continua Baldo, foi que &#8220;já na primeira colheita conseguimos um vinho comercial de boa qualidade&#8221;. Engarrafado, o vinho foi encaminhado para o Decanter World Wine Awards 2022, em Londres, e o resultado foi que os vinhos das safras 2019 e 2020 já foram premiados no famoso concurso.</p>
<p>O diretor de Terras Altas reconhece que o objetivo inicial não era ganhar o prêmio.  &#8220;Queríamos um relatório da banca examinadora, com suas impressões sobre nosso processo de produção, para verificar se estávamos no caminho certo. O prêmio foi então uma grata surpresa, significando a validação de todo nosso sistema de produção, a validação do nosso<em> terroir</em> em Ribeirão Preto, mostrando que estamos sim no caminho certo&#8221;, sintetiza Ricardo Baldo.</p>
<p>O agrônomo ressalta a importância da agricultura de precisão para esse momento novo da vitivinicultura no Brasil, pelos ganhos em termos de identificação das melhores áreas para o plantio, para a racionalização de gastos. Baldo considera que o prêmio em Londres é um reconhecimento importante para o mercado nacional de vinhos, podendo contribuir para uma virada de página histórica. &#8220;Um prêmio internacional como esse pode ajudar a apagar da memória que o vinho brasileiro é ruim, que o país não consegue fabricar vinho de qualidade. Hoje o Brasil está em outro patamar de produção. Se a Europa reconhece isso, quem somos nós para duvidar?&#8221;, indaga o diretor de Terras Altas.</p>
<p>Pesquisador científico do Centro de Pesquisa e  Desenvolvimento de Frutas do IAC, José Luiz Hernandes nota que, de fato, a vitivinicultura paulista continua alicerçada no cultivo de uvas de mesa, sobretudo da cultivar Niágara Rosada. É uma cultivar plantada no estado desde a década de 1930, começando pela região de Campinas e Jundiaí, espalhando daí para todo o território paulista. Ele ressalta também a produção das uvas finas para mesa, nos polos de São Miguel Arcanjo e Jales.</p>
<p>Hernandes salienta que a vitivinicultura após a proclamação da República também sempre se caracterizou pela produção de uvas para a produção de vinho, se mantendo em pequena escala nas últimas décadas do século 20. Desde o início do século 21, houve a evolução das uvas para a produção de vinhos finos com a inversão de poda. &#8220;A uva produz naturalmente com a poda de inverno e produção no verão. Essa condição para as uvas de mesas é ok. Para a produção de vinho fino, a colheita no verão não é ideal, as uvas não amadurecem para vinhos de qualidade&#8221;, explica.</p>
<p>O cenário começou a mudar, salienta, com a prática da dupla poda ou safra de inverno. &#8220;É feita uma poda normal no inverno para em janeiro ou fevereiro a março acontecer a segunda poda, com amadurecimento entre julho e agosto, portanto no inverno. As condições de inverno no Sudeste geralmente são de noites frias e dias quentes, com bastante luminosidade e pouca chuva, três características necessárias para as uvas finas completarem seu ciclo e produzirem  substâncias suficientes para vinho de qualidade&#8221;, continua o pesquisador do IAC. Ele enfatiza que apareceram então vários vinhos finos e, hoje, com os retornos de investimento alcançados e algumas premiações, grande parte dos plantios novos de vinhedos no estado é para a produção de vinhos finos, na safra de inverno. Enfim, uma nova perspectiva para vitivinicultura paulista.</p>
<div id="attachment_19292" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Cacau.jpg"><img class="size-large wp-image-19292" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Cacau-1024x498.jpg" alt="Cacau: em franco crescimento na região de São José do Rio Preto, em consórcio com os seringais (Foto Divulgação)" width="618" height="301" /></a><p class="wp-caption-text">Cacau: em franco crescimento na região de São José do Rio Preto, em consórcio com os seringais (Foto Divulgação)</p></div>
<p><strong>Os promissores cacau e mogno africano</strong></p>
<p>Uma cultura não-tradicional que se mostra muito promissora no estado de São Paulo é a do cacau. É o que mostra os experimentos realizados na região de São José do Rio Preto, em função da atuação do Projeto Consórcio de Cacau e Seringueira, executado pela CATI – órgão responsável pela extensão rural na Secretaria de Agricultura e Abastecimento – em parceria com a Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto (Acirp), com apoio da Fundação Cargill e da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O propósito do Projeto, lançado em 2014, é viabilizar o cultivo de cacau no noroeste paulista, como alternativa de diversificação e geração de renda e emprego. A região foi apontada como apta ao plantio, pelo Zoneamento para Plantio de Cacau no Estado de São Paulo, estabelecido pelo MAPA.</p>
<p>&#8220;O cacau vem sendo estimulado na região, como resultado do desenvolvimento tecnológico que considera questões como material genético, manejo fitossanitário e irrigação&#8221;, conta o agrônomo Andrey Vetorelli, da CATI Regional São José do Rio Preto. Ele diz que tem sido crescente o interesse de agricultores da região, mas também de todo o estado de São Paulo, pelo potencial de retorno da cultura, em consórcio com o plantio de seringueiras, uma cultura já estabelecida no polo de Rio Preto.</p>
<p>Andrey ressalta que, em São Paulo, foi escolhido como principal linha de trabalho o modelo de consorciamento de cacau e seringueira, incluindo a bananeira para sombreamento das mudas de cacau e mais uma alternativa de renda. O modelo de consórcio é ideal, diz o especialista, por otimizar o uso de recursos, como solo, água, mão de obra, máquinas e equipamentos, e por diminuir o risco econômico, pelo cultivo simultâneo na mesma área de duas ou mais culturas. Além disso, o consorciamento permite um melhor fluxo de caixa e aumento da rentabilidade da área implantada, conclui Andrey.</p>
<div id="attachment_19293" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Cacau2.jpg"><img class="size-large wp-image-19293" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Cacau2-1024x768.jpg" alt="Área plantada por crianças com cacau ao lado do Ibirapuera: símbolo de uma cultura emergente no estado (Foto Divulgação)" width="618" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">Área plantada por crianças com cacau ao lado do Ibirapuera: símbolo de uma cultura emergente no estado (Foto Divulgação)</p></div>
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<p>Como símbolo do avanço da cultura no estado, foi plantada em outubro, em uma área do Instituto Biológico ao lado do Parque Ibirapuera, em São Paulo, uma floresta de cacau com 87 plantas. Cada muda foi plantada por uma criança, que deu o nome ao futuro cacaueiro.  Já são 200 hectares cultivados com cacau em território paulista, contra 10 no início do Projeto.</p>
<p>Igualmente promissor no estado é o cultivo de mogno africano. Trata-se de um investimento de longo prazo, pois uma árvore da espécie demora cerca de 20 anos para atingir o ponto ideal de corte. Entretanto, os retornos são considerados seguros e interessantes para os investidores. Como comparação, um metro cúbico de eucalipto é comercializado, nos preços atuais, por cerca de R$ 1.700,00. O mesmo volume de mogno africano está estimado em R$ 5.000,00. A região centro-oeste de São Paulo é o principal polo de cultivo do mogno africano no momento, mas produtores de outras áreas já demonstraram interesse por essa alternativa econômica.</p>
<p>Do mesmo modo, cresce o interesse pelo cultivo de cogumelos. São Paulo já conta com mais de 500 produtores, localizados em cerca de 100 municípios. Bragança Paulista, Mogi das Cruzes e Sorocaba são os principais produtores. A proximidade de grandes centros consumidores, como a capital paulista, é um dos fatores que pesam na escolha pela cultura.</p>
<p>A cada dia é construído em São Paulo um mosaico de novas culturas agrícolas, ou de culturas que passam por novas configurações como a vitivinicultura. A alta renda no estado, a presença dos principais centros de pesquisa, a propagação de hubs de tecnologia (como o AgTech Garage, de Piracicaba), uma ampla gama de startups e o espirito empreendedor do paulista somam-se na abertura de novos horizontes para o agronegócio.</p>
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		<title>Santander destina R$ 2 milhões para organizações que impulsionam trabalho e renda de jovens e adultos</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 20:21:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Dez instituições serão beneficiadas; inscrições começam no dia 1 e vão até 22 de agosto. O Santander Brasil lança na próxima segunda-feira, dia 01 de agosto, o edital do Prepara Futuro, programa que destina recursos a organizações sem fins lucrativos que trabalham com inclusão produtiva. No total, serão R$ 2 milhões divididos entre 10 instituições ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><i>Dez instituições serão beneficiadas; inscrições começam no dia 1 e vão até 22 de agosto.</i></p>
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<p>O Santander Brasil lança na próxima segunda-feira, dia 01 de agosto, o edital do Prepara Futuro, programa que destina recursos a organizações sem fins lucrativos que trabalham com inclusão produtiva. No total, serão R$ 2 milhões divididos entre 10 instituições de todo o País, que atuam com formação pedagógica, técnica e comportamental de jovens e adultos ou com o fomento à geração de renda.</p>
<p>O Prepara Futuro irá monitorar e avaliar os projetos apoiados para acompanhar a evolução e oportunidades geradas. “Ser o Banco que apoia a sociedade brasileira na sua transformação para o futuro é mais do que um compromisso, é a estratégia que pauta nossos negócios e está presente nos resultados e mudanças que proporcionamos aos clientes e parceiros”, conta Carolina Learth, líder de sustentabilidade do Santander.</p>
<p>Para ser elegível ao programa as organizações selecionadas precisam ser constituídas em território nacional, ter experiência comprovada na execução da proposta apresentada, capacidade técnica e de gestão e demonstrar transparência em suas prestações de contas. As inscrições para o edital Santander Prepara Futuro podem ser realizadas do dia 01 até 22 de agosto, pelo site <a href="https://www.monitorsocial.org.br/santander" target="_blank" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://www.monitorsocial.org.br/santander&amp;source=gmail&amp;ust=1659125744622000&amp;usg=AOvVaw1axaXqidxmvMDq4gLm47Na">https://www.monitorsocial.org.<wbr />br/santander</a>.</p>
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		<title>Educação financeira avança em comunidades tradicionais com projetos pedagógicos</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2020 20:37:33 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Soares Martins Campinas, 30 de dezembro de 2020 Professor de Matemática, Odirley Ferreira da Silva viajou quase uma hora de barco de Abaetetuba até a comunidade ribeirinha de Sapucajuba, no Pará, para apresentar as primeiras noções de educação financeira a um grupo de alunos, de famílias que trabalham na colheita do açaí. ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p><strong>Campinas, 30 de dezembro de 2020</strong></p>
<p>Professor de Matemática, Odirley Ferreira da Silva viajou quase uma hora de barco de Abaetetuba até a comunidade ribeirinha de Sapucajuba, no Pará, para apresentar as primeiras noções de educação financeira a um grupo de alunos, de famílias que trabalham na colheita do açaí. Também professor de Matemática, Ademilson da Cruz Barreto discute o tema com estudantes, filhos de pescadores e marisqueiros, em Salinas da Margarida, na Baía de Todos os Santos, Bahia. Por sua vez, a professora Sintia Bausen coordenou o projeto de tradução da cartilha &#8220;Financinhas&#8221;, produzida e lançada em novembro pelo Sicoob, para as crianças da comunidade pomerana em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo.</p>
<p>Comunidades tradicionais em várias regiões, compondo o mosaico da diversidade cultural brasileira, estão encontrando na educação financeira um caminho para o desenvolvimento local sustentável e melhoria da qualidade de vida dos moradores. São projetos e propostas, de diferentes formatos, que levam a educação financeira a um Brasil distante dos grandes centros urbanos, promovendo a inclusão em uma economia cada vez mais globalizada, digitalizada e interconectada.</p>
<p>Um elemento em comum nessas iniciativas é que elas partem geralmente de professores que detectam a relevância de apresentar as ferramentas da educação financeira a seus alunos em sala de aula. Considerando a realidade sociocultural específica das regiões onde atuam, os educadores entendem que os estudantes acabarão atuando como multiplicadores dos conceitos de educação financeira junto aos familiares e na comunidade onde atuam, com benefícios mútuos.</p>
<p>Com seus projetos pedagógicos, esses educadores estão contribuindo na prática para a implementação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), que completou dez anos em 2020. Do mesmo modo, os educadores que atuam nos pontos mais longínquos do país, muitas vezes com enormes dificuldades de acesso, estão colaborando com a aplicação da educação financeira como tema transversal, como pede a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada pelo Ministério da Educação em dezembro de 2017.</p>
<div id="attachment_18079" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/image-040.jpg"><img class="size-large wp-image-18079" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/image-040-1024x498.jpg" alt="Pesquisa sobre educação financeira nas aldeias do Caruci, Lago da Praia e Garimpo, no Pará, pelo GEFAM (Foto GEFAM) " width="618" height="301" /></a><p class="wp-caption-text">Pesquisa sobre educação financeira nas aldeias do Caruci, Lago da Praia e Garimpo, no Pará, pelo GEFAM (Foto GEFAM)</p></div>
<p><strong>A educação financeira levada a ribeirinhos, indígenas e quilombolas</strong></p>
<p>Abaetetuba, no Pará, é um recorte da Amazônia desconhecida para a imensa maioria dos brasileiros e cidadãos globais. O nome significa &#8220;ajuntamento de homens verdadeiros&#8221;, em língua tupi. Localizado nas margens do Rio Maratauíra, afluente do rio Tocantins, o município compreende um complexo de 72 ilhas, cercadas por rios, furos e igarapés. São 20 ilhas principais, com suas respectivas comunidades e cujo acesso é possível por barco ou lancha. A viagem demora mais ou menos, dependendo do fluxo da maré. Também depende do nível das águas, que muda de acordo com a estação do ano, se as escolas públicas situadas nessas ilhas estarão com instalações secas ou tomadas pelas enchentes.</p>
<p>Em 2019, o professor de Matemática Odirley Ferreira da Silva permaneceu por dois meses em uma dessas comunidades, a de Sapucajuba, onde deu aulas na Escola Municipal São Raimundo Nonato. Odirley é professor do Sistema Modular de Ensino (SOME), uma política pública do setor educacional estadual paraense que permite aos alunos de comunidades ribeirinhas poderem estudar nas proximidades de seus locais de moradia, não necessitando os longos deslocamentos tradicionais na região.</p>
<p>Como os demais docentes do SOME, Odirley passa dois meses por ano em cada uma das 21 comunidades abrangidas pelo programa em Abaetetuba, e foi o que aconteceu em Sapucajuba, entre maio e junho do ano passado. &#8220;Neste tempo que permanecemos nas comunidades, passamos a observar o modo de vida de cada uma delas, as suas peculiaridades e semelhanças&#8221;, diz o professor, que já deu aulas em 17 das 21 citadas comunidades.</p>
<p>Um dos traços comuns que ele identificou foi a mudança de atitudes dos alunos durante a safra e entressafra de açaí, a atividade dominante e cada vez mais efervescente na região. &#8220;Passei a perceber que durante a safra, entre junho e outubro, aproximadamente, existe uma grande movimentação nas comunidades e acúmulo de bens materiais. Há uma grande circulação de dinheiro. Celulares caros são alguns dos objetos mais cobiçados. Mas tudo muda na entressafra e fica claro que grande parte das famílias não faz uma poupança, não há um controle e planejamento sobre recursos que são sazonais&#8221;, comenta Odirley.</p>
<div id="attachment_18108" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/image-001.jpg"><img class="size-large wp-image-18108" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/image-001-808x1024.jpg" alt="Ilhas e comunidades em Abaetetuba (Foto Reprodução/Paróquia das Ilhas de Abaetetuba)" width="618" height="783" /></a><p class="wp-caption-text">Ilhas e comunidades em Abaetetuba (Foto Reprodução/Paróquia das Ilhas de Abaetetuba)</p></div>
<p>Foi então que considerou a relevância de levar noções de educação financeira para os alunos das comunidades onde leciona. O primeiro passo foi realizar uma pesquisa entre 20 alunos da Escola Raimundo Nonato, de idades variando entre 17 e 21 anos, e a constatação foi a de ausência de informações anteriores sobre o tema. &#8220;Apenas um aluno mostrou ter ouvido falar do assunto em sua Igreja, embora não especificando que se tratava de educação financeira&#8221;, conta o professor.</p>
<p>Outras perguntas do questionário preparado por Odirley se relacionavam à  renda pessoal nos períodos de safra e entressafra de açaí e as respostas confirmaram a percepção do docente, de grande variação conforme a época do ano. Do mesmo modo, o professor teve ratificada a sua intuição, quando verificou as respostas à pergunta sobre se os alunos economizavam o dinheiro ganho com a comercialização das rasas, as cestas artesanais confeccionadas com talos de guarumã ou outras espécies amazônicas, utilizadas para armazenar os frutos do açaí. &#8220;Somente dois dos 20 alunos responderam que guardam ou investem parte do que ganham com o açaí&#8221;, diz Odirley.</p>
<p>Com base nos dados apurados, o professor estabeleceu um programa de informações sobre educação financeira, que aplicou em oficinas de introdução à temática junto aos alunos da comunidade de Sapucajuba. &#8220;Falamos sobre os riscos de contrair dívidas, sobre a necessidade de poupança para momentos críticos como o de doenças não esperadas e sobre a importância de visão crítica diante do excesso de propagandas que estimulam a compra às vezes sem necessidade. Mas tudo de uma forma muito tranquila, deixando claro que não queríamos interferir nas decisões tomadas pelas famílias&#8221;, esclarece o docente.</p>
<div id="attachment_18109" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/image-002.jpg"><img class="size-full wp-image-18109" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/image-002.jpg" alt="Escola Nossa Senhora de Fátima, em uma das ilhas de Abaetetuba (Foto Acervo Pessoal Odirley Ferreira da Silva)" width="970" height="702" /></a><p class="wp-caption-text">Escola Nossa Senhora de Fátima, em uma das ilhas de Abaetetuba (Foto Acervo Pessoal Odirley Ferreira da Silva)</p></div>
<p>O professor Odirley pretendia intensificar o trabalho de apresentar a educação financeira a outras comunidades onde atua, através do SOME, ao longo de 2020, o que naturalmente não foi possível em função da pandemia. Mas os planos permanecem para 2021, desta vez com o suporte da experiência adquirida pelo Grupo de Educação Financeira da Amazônia (GEFAM), um projeto de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA). &#8220;Conheci o trabalho do GEFAM através do <a href="https://www.osvaldosb.com/getnoma-1">Grupo de Estudos e Pesquisas das Práticas  Etnomatemáticas da Amazônia (GETNOMA)</a>, do qual sou vice-coordenador, e buscaremos disseminar a cultura da educação financeira nas comunidades ribeirinhas de Abaetetuba&#8221;, revela Odirley, que é mestre em matemática pela UFPA. &#8220;Entendemos que a educação financeira pode auxiliar como uma das ferramentas para que o açaí seja efetivamente um caminho para o desenvolvimento sustentável das comunidades, gerando renda de forma igualitária e sem impactos na floresta&#8221;, ele completa.</p>
<p>Conhecimento acumulado, de fato, não falta para o GEFAM, criado em 2014 como um projeto de extensão do curso de Economia da Universidade Federal do Pará, pelo professor Alexandre Vinicius Campos Damasceno e outros dois docentes. &#8220;Já realizávamos trabalhos pontuais de educação financeira mas a criação do grupo de pesquisas exigiu uma ampliação e o crescimento foi muito rápido, em razão de uma demanda cada vez maior, pela própria situação econômica do país&#8221;, conta o professor Alexandre.</p>
<p>Ele nota que uma das peculiaridades na região é a manutenção do hábito de pagamento de contas por meio de carnês. &#8220;O cartão de crédito ainda é pouco utilizado, mas tende a ser com o uso cada vez maior de aplicativos pelos bancos. A mudança tecnológica leva à necessidade de se saber trabalhar dessa forma&#8221;, diz o professor Alexandre, apontando uma das razões pelo aumento da demanda pela educação financeira na Amazônia.</p>
<p>Outro motivo é a própria situação econômica do país, com alto número de desempregados. Uma das respostas do GEFAM foi a criação do Núcleo de Atendimento ao Endividado de Risco. Para o Banco Central do Brasil (BCB), endividado de risco é quem se enquadra em ao menos dois de quatro indicadores de sua situação financeira: inadimplência, exposição simultânea a três modalidades de crédito sem garantia, comprometimento da renda acima de 50% e renda disponível após o pagamento das dívidas abaixo da linha da pobreza (em torno de R$440). Um levantamento do BCB, divulgado em junho de 2020, mostrou que dois estados amazônicos, o Amazonas e o Amapá, apresentaram o maior percentual de endividados de risco no país: 7,7% e 7,5%, respectivamente. Também estão nos estados do Amapá, Amazonas e Roraima os maiores percentuais de tomadores de crédito inadimplentes (mais de 15% em dezembro de 2019), segundo a publicação <a href="https://www.bcb.gov.br/content/cidadaniafinanceira/documentos_cidadania/serie_cidadania/serie_cidadania_financeira_6_endividamento_risco.pdf">&#8220;Endividamento de Risco no Brasil&#8221;, da Série Cidadania Financeira, do BCB.</a></p>
<p>Como um dos frutos de seu trabalho, nota o professor Alexandre Damasceno, o GEFAM tem ampliado parcerias. Com a Defensoria Pública do Estado do Pará, por exemplo, foi criado o Programa de Apoio ao Consumidor Superendividado (Pacs), que oferece orientação, análise jurídica e renegociação de dívidas com credores. Também foi estabelecida parceria com o Procon e está em curso a estruturação do Comitê Estadual de Educação Financeira, em conjunto pelo GEFAM, BCB, Ministério Público do Estado, Defensoria Pública do Estado e Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos do Tribunal de Justiça (Nupemec).</p>
<p>Um dos eixos principais da atuação do GEFAM é o trabalho com comunidades ribeirinhas, quilombolas e de indígenas no território paraense. Na comunidade quilombola Trindade, palestras em educação financeira foram realizadas com o apoio da organização não-governamental Amor em Foco. Em Barcarena, oficinas foram desenvolvidas com as comunidades ribeirinhas.</p>
<p>Do mesmo modo, várias ações já foram feitas com comunidades indígenas, como nas Aldeias do Caruci (etnia Arapium), Lago da Praia (etnia Jaraqui) e Garimpo (etnia Tapajó), todas localizadas no Território Indígena Cobra Grande, na bacia do rio Tapajós. &#8220;Com os indígenas nós aprendemos muito mais do que ensinamos. São valores diferentes dos nossos, o sentido da doação é muito presente, então a educação financeira tem que ser diferenciada, adaptada a essa realidade, principalmente com diversas etnias envolvidas&#8221;, comenta o professor Alexandre Damasceno.</p>
<p>Um desafio especial, ele observa, foi no trabalho com a etnia Warao, de indígenas venezuelanos que se refugiaram em vários estados da Amazônia e outras regiões do Brasil. São indígenas com hábitos nômades e no início houve dificuldade de comunicação com o grupo que se estabeleceu em Belém. &#8220;Precisamos de tradutor, que primeiro traduzia da linguagem indígena para o espanhol e depois para o português&#8221;, lembra o coordenador do GEFAM.</p>
<p>&#8220;Os valores culturais são muito diferentes. Realizamos atividades no Bosque Rodrigues Alves, para que eles se sentissem mais à vontade&#8221;, explica. As estimativas são de que desde 2014 mais de 4 mil Warao entraram no Brasil e cerca de 1.000 deles foram para o Pará, metade se estabelecendo em Belém.</p>
<p>No final de 2019 o GEFAM manteve contato com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que planeja levar a educação financeira para várias comunidades indígenas da Amazônia, com o estímulo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A OCDE incentiva a disseminação da educação financeira junto a grupos vulneráveis e a CVM tem intensificado ações nessa linha, tendo realizado um projeto na comunidade da Pavuna, no Rio de Janeiro, em conjunto com o Banco Mundial. A parceria entre GEFAM e CVM será retomada no pós-pandemia.</p>
<p>&#8220;Já são sete anos de trabalho de educação financeira com comunidades tradicionais e é sempre um desafio&#8221;, afirma o professor Alexandre Damasceno. &#8220;É preciso pensar a educação financeira para a diversidade, que tenha uma proposta de inclusão e também de contribuição com o desenvolvimento sustentável das comunidades, não apenas com o consumo ou crédito&#8221;, destaca o coordenador do GEFAM, que já soma mais de 30 integrantes, entre professores e alunos da UFPA e voluntários de várias instituições. &#8220;O GEFAM faz um trabalho de formiguinha, que aliás é o símbolo do Grupo de Estudos&#8221;, conclui.</p>
<div id="attachment_18110" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Ade4.jpeg"><img class="size-large wp-image-18110" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Ade4-1024x576.jpeg" alt="O professor Ademilson mariscando (Foto Acervo Pessoal Ademilson da Cruz Barreto)" width="618" height="348" /></a><p class="wp-caption-text">O professor Ademilson mariscando (Foto Acervo Pessoal Ademilson da Cruz Barreto)</p></div>
<p><strong>A educação financeira e os pescadores da Bahia</strong></p>
<p>Nos momentos em que não está dando aula ou pesquisando, o professor de Matemática Ademilson da Cruz Barreto se dedica à mariscagem, que aprendeu com a família e pratica desde criança, assim como a maioria dos moradores de Salinas da Margarida, um pedaço paradisíaco da Baía de Todos os Santos, na Bahia, e que tem o nome derivado da exploração de sal desde o início do século 20. Grande parte da atividade é hoje exercida por mulheres e as conchas de mariscos estão por todo lado. São usadas até como agregado na produção do concreto empregado em construções.</p>
<p>Imerso nessa realidade, o professor formado pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB) percebeu a importância da educação financeira para as famílias de pescadores do município, quando fazia a pesquisa para seu trabalho de conclusão de curso. &#8220;Percebi que a educação financeira não estava muito presente na vida e na formação dos alunos das escolas de ensino fundamental e comecei a trabalhar o tema com eles e também com alunos do ensino médio&#8221;, explica.</p>
<p>&#8220;Vi como os alunos tinham dificuldade em mensurar quanto eles e suas  famílias ganhavam por mês, considerando tudo o que investiam nas embarcações, em alimentação. Não havia controle de despesas e às vezes gastavam mais do que ganhavam, sobrava pouco no final do mês&#8221;, relata Ademilson. &#8220;Se ocorre algum dano no motor ou na rede, os pescadores podem ficar dias sem trabalhar e, sem reservas, passam dificuldades&#8221;, completa.</p>
<p>Ele lembra que duas vezes ao ano os pescadores obrigatoriamente ficam sem trabalhar. É a época do defeso, quando a pesca é proibida para permitir a reprodução de peixes, camarões e mariscos. O período dura aproximadamente de 30 a 45 dias no primeiro semestre e o mesmo tempo no segundo. &#8220;É um período crítico, em que os pescadores recebem o seguro-defeso do governo. Se não conseguiram ter alguma reserva, podem ter problemas&#8221;, assinala Ademilson.</p>
<p>Outros fatores conjunturais podem afetar a pesca artesanal, com enorme prejuízo para as famílias e comunidade em geral, continua. Ele cita o caso da maré vermelha que atingiu a Baía de Todos os Santos em 2007, com grande mortandade de peixes em razão da alta concentração das microalgas <em>Gymnodinium sanguineum</em> no mar.</p>
<p>Mais recentemente, a pesca e a mariscagem foram duramente afetadas, em quase todo litoral nordestino, pelo misterioso derramamento de óleo nas águas marinhas. Levantamento do Ibama apurou que 130 municípios em 11 estados foram especialmente atingidos e as marcas continuam mais de um ano depois do episódio, ocorrido a partir de agosto de 2019. Estima-se que mais de 500 mil pescadores tiveram suas atividades impactadas pelo crime ambiental, ainda sem solução.</p>
<p>&#8220;São fatores que fogem do controle do pescador e se não há organização de receita e despesa a situação fica difícil para a maioria. A crise da Covid-19 apenas agravou o cenário&#8221;, diz o professor Ademilson, que passou então a difundir os conceitos da educação financeira a seus alunos, do ensino fundamental e médio, com a perspectiva de que atuem como multiplicadores junto a suas famílias e comunidades.</p>
<p>Em 2019, como parte do processo de formação, ele levou uma turma de alunos para uma visita à histórica Igreja e Convento de São Francisco, uma das maravilhas do barroco no centro de Salvador, onde existe uma coleção de moedas e notas antigas. &#8220;É importante conhecer a história do dinheiro, os alunos se animaram&#8221;, conta Ademilson, que também intensificou contatos com organizações de pescadores para propagar a educação financeira.</p>
<div id="attachment_18113" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Ade1.jpg"><img class="size-large wp-image-18113" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Ade1-1024x576.jpg" alt="O professor Ademilson e seus alunos na visita à Igreja e Convento de São Francisco (Foto Acervo Pessoal Ademilson da Cruz Barreto)" width="618" height="348" /></a><p class="wp-caption-text">O professor Ademilson e seus alunos na visita à Igreja e Convento de São Francisco (Foto Acervo Pessoal Ademilson da Cruz Barreto)</p></div>
<p>Em 2020, o trabalho não foi interrompido durante a pandemia. Os contatos com os alunos foram mantidos com aulas remotas pela internet e em grupos de whatsapp. &#8220;Devo tudo ao mar, a minha história e de minha família com a pesca, quero retribuir o que ganhei com a difusão de conhecimento e a educação financeira é o caminho. É preciso que a atividade da pesca, da mariscagem seja mais sustentável&#8221;, resume Ademilson, que se diz animado com a inclusão da educação financeira na BNCC, viabilizando a difusão do tema em todo sistema escolar brasileiro.</p>
<div id="attachment_18114" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Financinhas2.jpeg"><img class="size-large wp-image-18114" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Financinhas2-1024x682.jpeg" alt="Lançamento do primeiro número da Coleção Financinhas em pomerano no auditório do Sicoob em Santa Maria de Jetibá (Foto Divulgação)" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Lançamento do primeiro número da Coleção Financinhas em pomerano no auditório do Sicoob em Santa Maria de Jetibá (Foto Divulgação)</p></div>
<p><strong>Educação financeira para as crianças de língua pomerana</strong></p>
<p>Desde o ano de 1859 o Espírito Santo passou a receber milhares de imigrantes nascidos em Hinterpommern, um dos dois estados da extinta Pomerânia, província prussiana situada entre as atuais Alemanha e Polônia. O território pomerano foi dividido entre esses dois países após a II Guerra Mundial. As estimativas são de que 63% dos mais de 4 mil imigrantes germânicos que chegaram ao Espírito Santo nas últimas décadas do século 19 eram pomeranos.</p>
<p>Grande parte deles se fixou na região centro-serrana, em várias comunidades, vivendo basicamente da agricultura familiar e em uma situação de isolamento que perdurou até o início da década de 1980, o que contribuiu para a manutenção do pomerano como a língua dominante entre os moradores, apesar das proibições de associação e uso de idiomas germânicos durante os governos de Getúlio Vargas (1930 a 1945 e 1951 a 1954). Com a chegada da eletricidade e outros recursos de infraestrutura o isolamento foi sendo atenuado e cada vez mais o português tornou-se falado entre as famílias pomeranas.</p>
<div id="attachment_18116" style="width: 586px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Financinhas1.jpeg"><img class="size-large wp-image-18116" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Financinhas1-576x1024.jpeg" alt="Capa do primeiro núcleo da Coleção Financinhas em pomerano (Foto Reprodução)" width="576" height="1024" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do primeiro número da Coleção Financinhas em pomerano (Foto Reprodução)</p></div>
<p>Em um contexto de globalização e padronização cultural, a comunidade sentiu a urgência de valorizar e fortalecer as suas origens identitárias e em 2005 foi criado o Programa de Educação Escolar Pomerana (Proepo). Dois anos depois o pomerano foi cooficializado como idioma em cinco municípios capixabas, incluindo Santa Maria do Jetibá, considerado o município mais pomerano do Brasil. Os outros municípios são Domingos Martins, Vila Pavão, Pancas e Laranja da Terra.</p>
<p>&#8220;Houve muita resistência, apesar das proibições, do preconceito. O pomerano continuou falado nos cultos das igrejas, nas casas&#8221;, comenta a professora Sintia Bausen, coordenadora do Proepo em Santa Maria do Jetibá. Ela explica que têm sido feitos muitos esforços pela salvaguarda do idioma pomerano, sobretudo entre as crianças. Outra iniciativa fundamental, conta a educadora, é o trabalho de construção de uma grafia em pomerano. Uma proposta importante nessa linha foi elaborada pelo etnolinguista Ismael Tressmann, autor de um Dicionário Enciclopédico pomerano/portuguê, lançado em 2006 em Santa Maria de Jetibá, em edição da Gráfica e Encadernadora Sodré Ltda.</p>
<p>Como parte do empenho pelo fortalecimento do idioma, uma parceria da Secretaria Municipal de Educação/Proepo com o Sicoob Centro-Serrano viabilizou a produção de livros da Coleção Financinhas, traduzidos em pomerano. O lançamento do primeiro número aconteceu no final de novembro, no auditório do Sicoob e Santa Maria de Jetibá, como parte das atividades da <a href="https://semanaenef.gov.br/agenda">7ª Semana Nacional de Educação Financeira.</a></p>
<div id="attachment_18115" style="width: 884px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Sintia.jpeg"><img class="size-full wp-image-18115" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Sintia.jpeg" alt="A professora Sintia Bausen: esforço pela salvaguarda do idioma pomerano (Foto Acervo Pessoal Sintia Bausen)" width="874" height="823" /></a><p class="wp-caption-text">A professora Sintia Bausen: esforço pela salvaguarda do idioma pomerano (Foto Acervo Pessoal Sintia Bausen)</p></div>
<p>A professora Sintia Bausen nota que a coleção, idealizada pelo Instituto Sicoob, tem enorme relevância considerando a questão linguística e também a realidade econômica dos moradores de Santa Maria de Jetibá, que atuam basicamente na agricultura familiar e na produção de ovos. &#8220;É muito importante o conhecimento sobre educação financeira, principalmente para quem trabalha com agricultura familiar, e melhor ainda quando começa com as crianças&#8221;, ela comenta, acrescentando que outras histórias da Coleção Financinhas em pomerano estão em produção.</p>
<p>&#8220;A coleção vai contribuir muito para a vitalidade da língua pomerana, nas atuais e futuras gerações&#8221;, assinala a professora Sintia, que já produziu vários trabalhos acadêmicos sobre o pomerano. &#8220;A língua é viva, não é estática. A Coleção Financinhas em pomerano mostra como é possível salvaguardar um idioma, contribuindo com a formação das crianças e adolescentes&#8221;, conclui a educadora, evidenciando uma iniciativa que mostra como a educação financeira tem seguido vários roteiros no Brasil, em conformidade com a riqueza da pluralidade cultural existente no país.</p>
<div id="attachment_18117" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/image-022.jpg"><img class="size-large wp-image-18117" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/image-022-1024x768.jpg" alt="Teatro sobre educação financeira para alunos de escola pública do Pará, promovido pelo GEFAM (Foto GEFAM)" width="618" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">Teatro sobre educação financeira para alunos de escola pública do Pará, promovido pelo GEFAM (Foto GEFAM)</p></div>
<p><strong>ENEF nas escolas e BNCC</strong></p>
<p>A disseminação da temática no sistema escolar, como tem acontecido nas comunidades tradicionais da Amazônia, do Nordeste ou do Espírito Santo, é um dos principais propósitos da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), instituída pelo Decreto nº 7.397, de 22 de dezembro de 2010. Ela é resultado de um trabalho de 18 meses, de grupo criado no âmbito do Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguro, de Previdência e Capitalização (Coremec). O Coremec é composto por instituições como Banco Central do Brasil (BCB), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).</p>
<p>Criada com o propósito de disseminar a cultura da educação financeira, a ENEF contemplou um <a href="https://www.vidaedinheiro.gov.br/wp-content/uploads/2017/08/Plano-Diretor-ENEF-Estrategia-Nacional-de-Educacao-Financeira.pdf">Plano Diretor</a> com programas e ações formulados para a sua execução. O Plano Diretor incluiu propostas de ação para dois grupos principais, os alunos do sistema escolar brasileiro e os adultos.</p>
<p>No caso das propostas para os alunos do sistema escolar, na elaboração da ENEF houve consultas ao Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet/RJ), ao Colégio D.Pedro II e a organizações como Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), além dos integrantes do Coremec.</p>
<p>Um passo importante para a implementação da ENEF foi a criação, em 2012, da <a href="https://www.aefbrasil.org.br/">Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil)</a>, resultante da parceria entre <a href="https://www.anbima.com.br/pt_br/pagina-inicial.htm">Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (ANBIMA)</a>, <a href="http://www.b3.com.br/pt_br/">B3 (Brasil, Bolsa, Balcão)</a>, <a href="https://cnseg.org.br/">Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg)</a> e <a href="https://portal.febraban.org.br/">Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN)</a>.</p>
<p>Entre 2013 a 2015, a AEF-Brasil desenvolveu programas de educação financeira para os dois públicos-alvo do Plano Diretor da ENEF, os adultos e as crianças e os adolescentes, criando tecnologias sociais e material didático de apoio às iniciativas, como os livros didáticos para os professores e alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.</p>
<div id="attachment_18118" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/LivroAEF.jpg"><img class="size-large wp-image-18118" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/12/LivroAEF-1024x654.jpg" alt="Capa do livro que faz um balanço dos dez anos da ENEF" width="618" height="395" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do livro que faz um balanço dos dez anos da ENEF</p></div>
<p>Em 2018, o professor tornou-se &#8220;o centro das ações da AEF-Brasil, com a criação do Ecossistema de Educação Financeira e o desenvolvimento do portfólio de materiais para serem utilizados em sala de aula, que incluiu: nova plataforma Vida e Dinheiro, game Tá O$$O, curso EAD Finanças sem Segredos, websérie R$100 Neuras e cinco documentários nacionais Sua Escola, Nossa Escola&#8221;.</p>
<p>A informação está no livro <a href="file:///C:/Users/JPSM/Documents/estrategia-nacional-educacao-financeira-2020.pdf">&#8220;Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF): Em busca de um Brasil melhor&#8221;</a>, lançado no início de dezembro pela AEF-Brasil. Sob a coordenação de Claudia Forte, superintendente da AEF-Brasil, o livro faz um balanço dos dez anos da ENEF, com destaque para a avaliação do programa executado junto às escolas públicas.</p>
<p>&#8220;A educação financeira, com base no Documento de Orientações para Educação Financeira nas Escolas (Plano Diretor da ENEF, 2010), é importante, pois desenvolve nas crianças e jovens as competências e habilidades necessárias para lidar com as decisões financeiras que tomarão ao longo da vida&#8221;, afirma Claudia Forte.</p>
<p>Ela observa que a educação financeira &#8220;não se resume a um conjunto de saberes puramente matemáticos ou de instrumentos de cálculo. Está amparada em áreas complexas como a Psicologia Econômica e a Economia Comportamental, e por isso acessar educação financeira é provocar mudanças de comportamento, por meio da leitura de realidade, do planejamento de vida, da prevenção e da realização individual e coletiva. Assim, como em todos os processos educacionais, quão mais cedo iniciamos com as crianças, maiores as chances de termos um adulto mais consciente e autônomo com relação ao processo de tomada de decisões no âmbito financeiro&#8221;.</p>
<p>Entre 2010 e 2011, foi executado um projeto piloto, envolvendo 891 escolas públicas de cinco estados brasileiros (TO, RJ, MG, SP e CE) e o Distrito Federal, com a participação de cerca de 27 mil estudantes e 1.800 professores. &#8220;Seu resultado, obtido com base em um método de avaliação rigorosa do Banco Mundial, apontou maior capacidade do jovem de poupar, fazer lista de despesas mensais, negociar preços e meios de pagamento ao realizar compras, além de construir planos pessoais para alcançar seus objetivos&#8221;, comenta Claudia Forte.</p>
<p>A superintendente da AEF-Brasil assinala que, nesse projeto piloto foram envolvidos os pais dos alunos, resultando na maior &#8220;participação de todos no diálogo sobre questões financeiras, como orçamento doméstico familiar, por exemplo&#8221;. Após o projeto piloto, foi implementado um primeiro ciclo do Programa de Educação Financeira nas Escolas para Ensino Médio, atingindo quase 3 mil escolas, capacitando mais de 10 mil professores e nos 26 estados da União e no Distrito Federal.</p>
<p>No segundo ciclo, entre 2016 e 2019, foram consolidados quatro polos estaduais em parceria com as secretarias de Educação e universidades federais nos estados de Paraíba, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins. Os resultados da atuação desses polos, que levaram a Educação Financeira e outros milhares de alunos, professores e escolas, também são avaliados no livro recém-lançado pela AEF-Brasil.</p>
<p>No caso das escolas de ensino fundamental, foi desenvolvido um programa contemplando a produção de livros didáticos considerando a faixa etária dos alunos e os objetivos: Formar para a cidadania; Ensinar a consumir e a poupar de modo ético, consciente e responsável; Oferecer conceitos e ferramentas para a tomada de decisão autônoma baseada em mudança de atitude; Ensinar a curto, médio e longo prazos; Desenvolver a cultura da prevenção.</p>
<p>Um projeto piloto foi aplicado em 2015, nos municípios de Joinville (SC) e Manaus (AM), com a participação de 400 professores, 14.886 alunos de 651 turmas de 201 escolas públicas, sendo 72 instituições de Joinville e 129 de Manaus.</p>
<p>Após os ajustes realizados em função da análise de impacto do projeto piloto, a AEF-Brasil passou a realizar desde 2016 o Programa de Educação Financeira nas Escolas para Ensino Fundamental, que atingiu cerca de 1.340 escolas, capacitando cerca de 8.000 professores e multiplicadores em 12 estados e impactando mais de 207.510 alunos.</p>
<p>A AEF-Brasil também colaborou no desenvolvimento da proposta de inclusão da educação financeira na BNCC, homologada pelo MEC em dezembro de 2017. Com a BNCC, a educação financeira passará a ser difundida junto a todos alunos do sistema escolar brasileiro, com os respectivos conteúdos e habilidades passando a ser trabalhados em matemática, nas turmas de 5º, 6º, 7º e 9º anos do Ensino Fundamental, e também com a possibilidade de trabalho interdisciplinar, de forma transversal, com as demais áreas de conhecimento.</p>
<p>A implementação da BNCC começaria de fato em 2020, o que foi prejudicado em função da pandemia de Covid-19. Entretanto, na prática a educação financeira já tem sido levada a escolas, nas mais diversas regiões e distantes localidades do país, em razão do empenho de educadores como Odirley Ferreira da Silva, do Pará; Ademilson da Cruz Barreto, da Bahia; e Sintia Bausen, do Espírito Santo.</p>
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<p><strong>Mudanças na ENEF no ano da pandemia </strong></p>
<p>Mudanças de rumo na aplicação da Estratégia Nacional de Educação Financeira têm sido introduzidas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. As modificações foram sinalizadas com a edição do Decreto nº 9.759, de abril de 2019, que estabeleceu novas diretrizes de funcionamento e limitou a existência de órgãos colegiados na administração pública federal.</p>
<p>Entre outros colegiados, foi extinto o Comitê Nacional de Educação Financeira (CONEF), órgão criado junto com a ENEF, pelo Decreto nº 7.397, de 2010, e que incluía representantes de várias organizações da sociedade civil.</p>
<p>Passo seguinte, em 9 de junho de 2020, em plena pandemia, o governo federal editou o Decreto nº 10.393, estabelecendo a nova Estratégia Nacional de Educação Financeira e a criação do Fórum Brasileiro de Educação Financeira (FBEF), em substituição ao CONEF e com a participação de representantes do Banco Central do Brasil (BCB), Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Secretaria do Tesouro Nacional (STN), Secretaria de Previdência (SPREV) e Ministério da Educação (MEC).</p>
<p>&#8220;Na nova concepção da ENEF, com a menção expressa dos ramos setoriais que compõem a estratégia nacional, ganham força as temáticas especializadas, como seguro, previdência, que formam a disciplina Educação Financeira de um modo geral&#8221;, avalia Adriana Toledo, Chefe do Departamento de Administração e Finanças da Susep e Membro titular do Fórum Brasileiro de Educação Financeira (FBEF), no livro &#8220;Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF): Em busca de um Brasil melhor&#8221;. 
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		<title>Sustentabilidade no setor de energia é marca de produtos do CGTI</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2020 14:59:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os projetos do Instituto Centro de Tecnologia e Inovação (CGTI), que tem sua matriz em Campinas, não apenas inovam com a inserção de novas tecnologias no setor elétrico, mas também priorizam a sustentabilidade com a preservação do meio ambiente, reduzindo significativamente os impactos ambientais na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. É o que ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Os projetos do Instituto Centro de Tecnologia e Inovação (CGTI), que tem sua matriz em Campinas, não apenas inovam com a inserção de novas tecnologias no setor elétrico, mas também priorizam a sustentabilidade com a preservação do meio ambiente, reduzindo significativamente os impactos ambientais na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. É o que afirma o diretor do Instituto, José Mak.</p>
<p>O diretor assinala que, mesmo antes de ser tão evidenciada a preservação do meio ambiente, a questão já fazia parte dos projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&amp;D) do CGTI. “A sustentabilidade faz parte dos requisitos dos nossos projetos em serem viáveis para o mercado do setor elétrico”, destaca.</p>
<p>Recentemente lançado pelo CGTI e EDF Norte Fluminense para a comercialização no mercado, o Dispositivo Separador Óleo-Água impede que, em caso de eventuais vazamentos de transformadores de potência instalados em subestações de energia, o óleo chegue ao solo e contamine lençóis freáticos. O Dispositivo ainda é interessante do ponto de vista espaço, pois é compacto e ocupa menor área comparado aos tanques de concreto utilizados tradicionalmente para conter estes vazamentos. Assim, ele protege o meio ambiente e pode ser instalado em subestações antigas e nas novas unidades que já preveem uma solução para contingenciamento de vazamento de óleo isolante.</p>
<p>Na geração, fazem parte do portfólio do CGTI o óleo hidráulico biodegradável para substituir os óleos lubrificantes à base de petróleo utilizado usualmente para lubrificar sistemas de acionamentos de comportas e grades das usinas hidrelétricas e outros sistemas semelhantes que ficam instalados na água e são de difícil acesso caso vazem. O óleo biodegradável tem um custo viável e ainda pode prevenir grandes acidentes.</p>
<p>Já o destaque na distribuição é o Trafo Verde, um transformador de distribuição compacto, confiável, com maior vida útil e que substitui o óleo mineral pelo óleo vegetal. Além de menor risco de incêndio, o Trafo Verde reduz drasticamente a agressividade ambiental. Hoje ele é o transformador padrão da CPFL e está instalados em diversas ruas de Campinas.</p>
<p><strong>Vegetação -</strong> O desafio da manutenção da vegetação das faixas de servidão das Linhas de Transmissão foi resolvido pelo projeto Manejo Integrado de Vegetação (MIV), que através da associação de várias técnicas, suprime apenas as espécies que oferecem riscos ao abastecimento de energia elétrica e conserva as plantas de baixo porte. No MIV, as manutenções das áreas são espaçadas e a biodiversidade nestas áreas são preservadas, reduzindo emissões de gases, em até 626 toneladas de CO2 em 1km de vegetação com esta metodologia.</p>
<p>Atualmente, pesquisadores e técnicos do CGTI com a Celesc desenvolvem, em um projeto de P&amp;D, indicadores para serem parâmetros na construção de subestações mais sustentáveis. Também com a Celesc, está em andamento a elaboração de um equipamento que destine adequadamente os resíduos de podas de árvores efetuadas em áreas urbanas.</p>
<p><strong>Sobre o CGTI </strong>– Referência na realização de projetos do Programa de P&amp;D ANEEL, o Instituto CGTI (Centro de Gestão de Tecnologia e Inovação) atua em pesquisa e inovação para o setor de energia, desenvolvendo e aplicando novas tecnologias em projetos que resultam produtos ou serviços para o mercado, viáveis economicamente e sustentáveis. Para maiores informações: <a href="http://www.cgti.org.br/" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://www.cgti.org.br/&amp;source=gmail&amp;ust=1603464258001000&amp;usg=AFQjCNFGb3nWoyVOzg22r4E8BgPdnf7o_g">www.cgti.org.br</a></p>
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		<title>Coca-Cola FEMSA Brasil transporta 250 mil litros de álcool 70% ao SUS de São Paulo</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Apr 2020 18:53:54 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Contra o Coronavírus]]></category>
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		<description><![CDATA[A Coca-Cola FEMSA Brasil, maior engarrafadora de produtos Coca-Cola em volume de vendas do país e com Centro de Distribuição (CD) localizado na cidade de Sumaré, disponibilizou sua frota de caminhões para realizar o transporte de 250 mil litros de álcool 70% líquido para a rede pública de saúde do estado de São Paulo. A ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Coca-Cola FEMSA Brasil, maior engarrafadora de produtos Coca-Cola em volume de vendas do país e com Centro de Distribuição (CD) localizado na cidade de Sumaré, disponibilizou sua frota de caminhões para realizar o transporte de 250 mil litros de álcool 70% líquido para a rede pública de saúde do estado de São Paulo. A unidade de Sumaré participa com a entrega do produto para municípios da região de Campinas, como parte do combate ao coronavírus.</p>
<p>A iniciativa é uma parceria com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), principal entidade representativa do setor sucroenergético brasileiro, responsável pela doação do álcool (produção e envase em galões de 250 litros e bombonas de 20 e 5 litros, já utilizáveis pelos serviços de saúde).</p>
<p>“Para nós, da Coca-Cola FEMSA, apoiar uma iniciativa dessa proporção em um momento tão sensível quanto o que estamos passando, reforça nosso compromisso social. Estamos vivendo uma situação que demanda esforços coletivos, por isso nos unimos em uma parceria que permite contemplar um número maior de pessoas”, afirma o diretor geral, Ian Craig.</p>
<p>Os recipientes serão direcionados às 16 regiões administrativas em uma divisão que leva em consideração o número de habitantes, com entrega em centrais do Corpo de Bombeiros. A Secretaria de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo notificará as prefeituras de cada regional sobre os respectivos volumes e a disponibilidade para retirada.</p>
<p>Os parceiros voluntários são essenciais nesse processo. Além do envase realizado nas usinas, a Laticrete|Solepoxy, situada em Sumaré, está acondicionando mais de 10 mil litros de álcool 70% por dia; a IHARA, a UNIPAC (Grupo Jacto) e a Braskem doaram bombonas; a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) ajuda com o deslocamento da carga em veículos próprios, e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) está contribuindo com o óleo diesel usado.</p>
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		<title>Especialista em gestão de crises orienta empresas sobre como cuidar da saúde de seus públicos e preservar o negócio</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2020 16:55:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Com a pandemia do novo coronavírus, o mundo passa por uma crise sem precedentes, com impacto em todos os segmentos, nos processos produtivos, na organização social e sobretudo na saúde pública. Neste cenário repleto de incertezas, como as organizações empresariais, especificamente, podem atuar, em relação à saúde de seus públicos e também com a preservação ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com a pandemia do novo coronavírus, o mundo passa por uma crise sem precedentes, com impacto em todos os segmentos, nos processos produtivos, na organização social e sobretudo na saúde pública. Neste cenário repleto de incertezas, como as organizações empresariais, especificamente, podem atuar, em relação à saúde de seus públicos e também com a preservação do negócio?</p>
<p>Esta indagação é respondida pela especialista em crises Ana Flávia de Bello Rodrigues. “Uma pandemia é considerada uma situação de crise. O que caracteriza principalmente uma crise são três fatores em atuação simultânea: uma grave ameaça, um cenário complexo e incerto e uma necessidade urgente de ação. Neste sentido, embora já tenhamos passado por outras epidemias no Brasil, estamos vivendo uma crise sem precedentes conhecidos no nosso país. Em meio a muita informação e desinformação, uma coisa é certa: soluções fáceis não resolverão”, ela avisa.</p>
<p>Ana Flavia Bello é diretora da IMCR Com Consultoria em Comunicação e Gerenciamento de Crises e sócia-fundadora do Aplicativo Alerta de Crise. O aplicativo conecta rapidamente e integra todos os públicos para respostas rápidas e efetivas a crise. Ela disponibilizou gratuitamente o aplicativo, para as primeiras 30 empresas que se cadastraram. A seguir Ana Flávia, que já trabalhou e prestou consultoria para várias grandes empresas e reside em Curitiba (PR), aponta algumas sugestões muito práticas que podem ser seguidas pelas empresas, para o melhor enfrentamento da grande crise da Covid-19, como em termos do cuidado com a saúde dos colaboradores, a organização do trabalho home office, a comunicação, as verbas emergenciais e o funcionamento do Comitê de Crise, entre outros pontos fundamentais.</p>
<p><strong>Quais os cuidados que a empresa deve ter com a saúde de seus funcionários e em termos de treinamento das equipes?</strong></p>
<p><strong>Ana Flávia de Bello Rodrigues</strong> –  É fundamental que toda empresa adote cuidados adicionais de limpeza e higienização de seu ambiente, protegendo a saúde dos funcionários, clientes e demais públicos que nela circulam. Além do uso de produtos de limpeza adequados e equipamentos de proteção aos funcionários, a empresa deve estabelecer uma rotina de limpeza mais cuidadosa e frequente e treinar seus funcionários. A não ser em instituições de saúde ou casos muito particulares, não há necessidade dos colaboradores usarem máscaras. Quem deve usar máscaras são pessoas doentes, pessoas com suspeita de doenças e profissionais de saúde. Em breve haverá vacina de gripe disponível nas unidades de saúde. As empresas devem avaliar a possibilidade de promover vacinação dos funcionários ou orientá-los a fazê-lo.</p>
<p><strong>O que a empresa pode fazer no cuidado com o colaborador?</strong></p>
<p><strong>Ana Flávia de Bello Rodrigues – </strong>É de suma importância que a empresa disponibilize acesso fácil do colaborador a uma equipe médica e/ou serviço social de prontidão para esclarecer dúvidas e apoiá-los caso fiquem doentes. Ter uma fonte segura de informações dá segurança ao colaborador neste momento em que tanta notícia falsa é compartilhada. O funcionário precisa ter orientações claras de quando ficar em casa e quando procurar um hospital, em que casos será necessário fazer o teste do Coronavírus e onde fazer, além dos seus direitos trabalhistas no caso de isolamento forçado. Se a empresa tiver plano de saúde, é importante esclarecer as coberturas, coparticipações e apoiar o colaborador, se necessário, em aprovações de exames e internações. Funcionários com confirmação de infecção pelo Coronavírus devem ficar afastados do trabalho por no mínimo 14 dias. Neste caso a empresa também deve avisar os colaboradores que tiveram contato com ele no trabalho e monitorá-los mais de perto, avaliando a possibilidade destes também ficarem afastados temporariamente do local de trabalho. Se algum funcionário viajou ao exterior, independentemente do país, é recomendado que ele fique em casa por no mínimo uma semana, independente de apresentar sintomas.</p>
<p><strong>Como podem ser implementados o home office, o horário flexível e o rodízio dos colaboradores?</strong></p>
<p><strong> Ana Flávia de Bello Rodrigues – </strong>Antes de adotar o home office indiscriminadamente é importante avaliar se os processos centrais da empresa estão garantidos. Para isso devem ser definidas quem são as pessoas essenciais que devem estar presencialmente nas unidades, para que a empresa continue operando. Algumas empresas estão afastando preventivamente pessoas que viajaram ao exterior no último mês, pessoas acima dos 60 anos, gestantes e pessoas com cardiopatias, problemas respiratórios, em tratamento quimioterápico, que passaram por cirurgia recente, ou qualquer outra condição frágil de saúde preexistente.</p>
<p>Além destes casos, a recomendação das organizações públicas de saúde é para que todos os colaboradores que manifestaram qualquer sintoma de resfriado ou gripe também fiquem em quarentena em casa, preventivamente, porque é muito difícil diferenciar quem está com um resfriado comum de quem pode estar com o Coronavírus.</p>
<p>Colaboradores com filhos até 12 anos em casa por causa de fechamento das escolas também podem ter preferência para o home office. Recomenda-se que os funcionários não deixem as crianças aos cuidados de idosos para trabalhar, por estes estarem no grupo de maior risco. Para que o funcionário trabalhe de sua casa, a empresa precisa prover condições mínimas como um celular corporativo e notebook da empresa. Além de disponibilizar canais de comunicação de suporte para teleconferências, por exemplo.</p>
<p>Estabelecer um horário limite para que o colaborador trabalhe de casa também é fundamental, para evitar futuros problemas trabalhistas. Outra medida possível é adotar horários flexíveis nas unidades, para que os funcionários que precisam deslocar-se ao trabalho não precisem pegar o transporte público em horários de pico. O taxi e outras formas de transporte individuais também são recomendados para colaboradores considerados essenciais.</p>
<p>Uma outra possibilidade que está sendo adotada por muitas empresas é o rodízio de funcionários nos departamentos, para que não exista tanta aglomeração de pessoas no mesmo horário nos espaços. Sugere-se procurar manter distância mínima de 1m, o que significa também uma pessoa de cada vez nos elevadores. Além do que já sabemos sobre não dar as mãos, abraçar ou beijar colegas. É prudente que essas medidas se mantenham por 60 dias, dentro da possibilidade de cada empresa e de acordo com a necessidade mediante a evolução dos cenários. Aconselha-se ainda que o departamento jurídico valide todas essas medidas contingenciais.</p>
<p><strong>Com relação aos processos centrais e à continuidade do negócio, o que a empresa pode fazer?</strong></p>
<p><strong>Ana Flávia de Bello Rodrigues &#8211; </strong>Cada setor e tipo de empresa terá que identificar o que é fundamental para seu negócio não parar. Se a empresa não tiver processos previamente definidos de Continuidade de Negócio, com planos acionáveis, é fundamental que estabeleçam imediatamente planos contingenciais ao menos para os processos chave e sistemas essenciais. Além disso, é importante conversar com seus fornecedores sobre o que eles estão fazendo para garantir o abastecimento que você necessita para suas operações serem mantidas.</p>
<p><strong>Como a empresa deve tratar das verbas emergenciais?</strong></p>
<p><strong>Ana Flávia de Bello Rodrigues &#8211; </strong>Certamente haverá necessidade de uso de recursos não previstos para todas estas adaptações que a empresa precisa fazer. Além de buscar prover verbas adicionais, a empresa precisa liberar exceções em seus procedimentos internos para agilizar a aprovação desses recursos emergenciais.</p>
<p><strong>Como deve funcionar o Comitê de Crise e como devem ser implementadas as análises de cenários e a revisão sistemática dos protocolos?</strong></p>
<p><strong>Ana Flávia de Bello Rodrigues &#8211; </strong>Para lidar com toda esta complexa situação é fundamental ter um comitê de crise constituído, com pessoas treinadas e de prontidão, cada uma com seu papel definido. Um líder deve tomar as decisões mais estratégicas, que envolvam por exemplo investimentos de grande monta ou interrupções sérias no negócio. Também é papel dos líderes dar o exemplo ao demais, por meio de suas próprias falas e atitudes. Esta equipe precisa ter fontes de informação confiáveis para monitoramento da situação e de seu agravamento. Recomenda-se reuniões sistemáticas (neste momento, diárias) para reavaliação dos cenários da crise, reclassificação de criticidades nos diversos campos envolvidos, dos riscos eminentes, das atitudes a tomar em diante. A revisão sistemática dos cenários e protocolos deve acontecer até que exista a completa recuperação da normalidade.</p>
<p><strong>Como devem ser elaboradas a comunicação e as mensagens-chave e como devem atuar os porta vozes?</strong></p>
<p><strong>Ana Flávia de Bello Rodrigues &#8211; </strong>Como vimos até aqui, a comunicação com funcionários, clientes e demais públicos em torno da organização precisa ser constante e muito assertiva durante esse período de crise. As pessoas precisam compreender que a empresa está consciente dos riscos em torno do Coronavírus, se preocupa com a saúde delas e está fazendo tudo que está a seu alcance para minimizar problemas.</p>
<p>Recomenda-se o uso de comunicações bastante visuais, fáceis de entender e acessíveis a todos os colaboradores. Para isso é fundamental estabelecer canais de comunicação diretos e rápidos com todos os seus públicos, de maneira a trocar informações em tempo real, de maneira interativa. Uma possibilidade é a utilização de aplicativos de comunicação já conhecidos e também aplicativos específicos para gerenciamento de crises para organizações, lançados recentemente no mercado brasileiro.</p>
<p>Como haverá muitos comunicados a serem feitos, para diversos públicos, é possível adiantar a elaboração e aprovação da linha de comunicação a ser adotada nestes comunicados. Além disso, é importante que sejam escolhidos e treinados porta vozes da empresa. Estes responderão a eventuais questionamentos da imprensa e também darão voz a manifestações espontâneas em torno do tema. Um exemplo é a divulgação de vídeos nas redes sociais, falando sobre o que a empresa está fazendo diante deste cenário de crise.</p>
<p><strong>Depois de encerrada a crise, como devem ser tratados os aprendizados e a recuperação da empresa?</strong></p>
<p><strong>Ana Flávia de Bello Rodrigues &#8211; </strong>Com todas estas medidas espera-se que os efeitos negativos da pandemia sejam minimizados e a empresa possa retomar mais rapidamente e com menos danos a normalidade de seus negócios. Muitos aprendizados também ficarão para desafios de novas crises que sua empresa venha a enfrentar futuramente. Alguns deles: não ignorar os riscos, manter a calma, agir com responsabilidade e priorizar a coletividade.</p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>Feira SUB de Campinas divulga cartaz da edição de 2019</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2019 13:24:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura Viva]]></category>
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		<description><![CDATA[O  artista Vinícius Cruz  é o autor do cartaz para a edição de 2019. A cada edição da Feira SUB um artista é convidado para elaborar o cartaz, peça central da comunicação da feira de arte impressa e publicações independentes.  A Feira SUB de arte impressa e publicações independentes divulgou o cartaz da edição de ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;"><em>O  artista Vinícius Cruz  é o autor do cartaz para a edição de 2019. A cada edição da Feira SUB um artista é convidado para elaborar o cartaz, peça central da comunicação da feira de arte impressa e publicações independentes.</em><em> </em></p>
<p style="font-weight: 400;">A Feira SUB de arte impressa e publicações independentes divulgou o cartaz da edição de 2019 da feira que vai acontecer em Campinas no dia 14 de setembro na Biblioteca Pública Municipal ‘Professor Ernesto Manoel Zink’, das 11h às 21h e está com as inscrições abertas até 12 de julho. A autoria do cartaz é do artista visual Vinícius Cruz.</p>
<p style="font-weight: 400;">Já é tradição: a Feira SUB convida, a cada ano, um artista para elaboração do cartaz de divulgação,  cuja identidade criada inspira todo o material visual da edição.  Vinícius Cruz (@vinicruz) é artista visual e desenvolve trabalhos em pintura, desenho, fotografia e vídeo. &#8220;Para o cartaz da Feira SUB, fiz um desenho de base em xilogravura, imprimi, e depois trabalhei com nanquim nessa  impressão sobre folhas de dicionário&#8221;, conta Vinícius.</p>
<p style="font-weight: 400;">&#8220;O ponto de partida para a criação da imagem do cartaz foi o encontro entre a imagem tema da feira &#8211; o peixe &#8211; e o nanquim, que há algum tempo tem sido o principal meio utilizado em meus desenhos. A associação entre esses dois elementos me levou a pensar na imagem do surubim, um peixe que apresenta listras pretas que parecem ter sido desenhadas sobre ele com nanquim. Ao mesmo tempo, a ideia de um cartaz me remeteu a xilogravura para a criação da imagem devido ao forte caráter gráfico dessa técnica. Decidi experimentar unir as duas técnicas: fiz um desenho em xilogravura, imprimi em folhas de um dicionário antigo e, sobre essa impressão, trabalhei com o nanquim acrescentando as manchas características do surubim e alguns outros elementos da imagem&#8221;, completa.</p>
<p style="font-weight: 400;">Sobre seu trabalho, o artista explica: &#8220;Sou movido pelas paisagens da minha terra natal, no interior de Minas Gerais. Busco por meio de um diálogo com elementos da natureza e com a cultura popular, compreender a ecologia das relações entre as pessoas e os locais aos quais pertencem&#8221;.</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Cartaz &#8211; </strong> &#8220;A  função do cartaz  é interagir com o espectador com a finalidade de divulgar uma informação de maneira interessante e sintética, reforçando a importância do design e da arte gráfica.  A  liberdade técnica e  estética que o artista convidado tem para fazer o cartaz  representa  bem a  proposta da Feira&#8221;,  explica Fabiana Pacola Ius, uma das coordenadoras da feira SUB.</p>
<p style="font-weight: 400;">&#8220;A cada edição somos surpreendidas com a criação do artista convidado. Uma proposta sempre muito diferente da dos anos anteriores. O  Vinícius, por exemplo,  trouxe uma leitura bem próxima do que a Feira SUB representa: a diversidade das artes visuais totalmente integrada com a literatura elaborada de forma independente e livre&#8221;, completa.</p>
<div id="attachment_15917" style="width: 424px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/viníciusCruz_selfie.jpg"><img class="size-full wp-image-15917" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/06/viníciusCruz_selfie.jpg" alt="Vinícius Cruz: movido pelas paisagens do interior de Minas Gerais (Foto Divulgação)" width="414" height="603" /></a><p class="wp-caption-text">Vinícius Cruz: movido pelas paisagens do interior de Minas Gerais (Foto Divulgação)</p></div>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Inscrições abertas &#8211; </strong>Estão abertas as inscrições para os interessados em expor seus trabalhos na 4ª. edição da Feira SUB de arte impressa e publicações independentes que acontece em 14 de setembro de 2019, em Campinas, na Biblioteca Pública Municipal ‘Professor Ernesto Manoel Zink’, das 11h às 21h. A inscrição é gratuita por meio do formulário neste link <a href="https://forms.gle/fJ7uqJfjkC4eM2Yy8">https://forms.gle/fJ7uqJfjkC4eM2Yy8</a>   que está disponível também na página do Facebook da Feira SUB (<a href="https://www.facebook.com/feirasub"> www.facebook.com/feirasub</a>). Qualquer pessoa, artista, coletivo ou editora, de qualquer lugar do Brasil ou exterior pode participar. As inscrições vão até 23h59 do dia 12 de julho de 2019 e passam por um trabalho de curadoria para escolha de cerca de 70 expositores, que serão divulgados até o dia 16 de agosto.</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Biblioteca &#8211; </strong>Pelo terceiro ano a Feira SUB acontece na Biblioteca Pública Municipal ‘Professor Ernesto Manoel Zink’.  &#8220;Ao realizarmos a feira em um espaço público, na região central da cidade, democratizamos o acesso das pessoas à esse tipo de publicação e arte impressa. Ocupar espaços públicos e olhar para a biblioteca como um lugar de convivência, trocas e aprendizado, dilui fronteiras entre o tradicional e o mundo contemporâneo das publicações independentes. É um dia em que a biblioteca se transforma,  tem burburinho dos visitantes e artistas que vêm de vários lugares do Brasil para participar da Feira, uma interação muito rica.  Sem contar a  memória afetiva que a biblioteca desperta na maioria das pessoas. Os que não carregam essa memória, se surpreendem ao entrar pela primeira vez numa biblioteca. Uma troca muito rica acontece”, comenta Marcela Pacola, uma das idealizadoras e curadoras da Feira SUB.</p>
<p style="font-weight: 400;">A Feira SUB é uma iniciativa do MIX estúdio criativo (<a href="https://www.facebook.com/mixestudiocriativo/">www.facebook.com/mixestudiocriativo/</a>) , de Campinas.  A edição de 2019 conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Campinas, da Secretaria da Cultura e da Agência Social de Notícias.</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Sobre a Feira SUB &#8211; </strong>O Projeto Cultural SUB é um projeto de fomento, reflexão e articulação do circuito artístico independente da cena contemporânea. O foco principal é discutir, mostrar, criar espaço para a produção independente na área das artes visuais, assim como de outras áreas que se cruzam, se encontram ou se relacionam com as denominadas visuais e apresentar esses trabalhos para o público.</p>
<p style="font-weight: 400;">A proposta do projeto é promover um ciclo de ações composto por uma feira de arte impressa e publicações independentes, exposições, bate-papos, encontros literários, palestras e workshops que estão sendo programados.</p>
<p style="font-weight: 400;">A Feira SUB, pilar do projeto, é uma Feira anual de Arte Impressa e Publicações Independentes que acontece desde 2016 na cidade de Campinas, SP, com foco na produção independente artística e literária contemporânea. Apresenta os mais variados formatos de artes visuais e literatura, que inclui livros de artista, zines, ilustrações, gravuras, fotolivros, pôsteres a preços acessíveis. Em seu 4o. ano, tem como objetivo fortalecer, incentivar e promover a produção independente.</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Sobre o MIX Estúdio Criativo &#8211; </strong>O Mix Estúdio Criativo (MIX) é o organizador da Feira SUB. É um estúdio de design que desenvolve identidade visual, projeto gráfico de publicações &#8211; livros de arte, catálogos, revistas, material de comunicação para empresas &#8211; arte impressa, arte digital, campanhas para redes sociais e releases. O MIX administra também projetos culturais que envolvem exposições, performances, cursos e workshops, além de ser realizador e apoiador de projetos em Campinas.</p>
<p style="font-weight: 400;">Dentre os projetos  apoiados/realizados, além da Feira SUB, o MIX participou do Festival Hercule Florence em 2015 e 2017, organizou as exposições ‘Encontros com Alice’ da artista Valéria Menezes (2015) e ‘Frente e Verso’, exposição de livro de artista de 5 artistas de Campinas (2016), criou um roteiro de bairro chamado ‘Cambuí Walking Tour’ que teve o intuito de estimular a mobilidade urbana sustentável por meio da caminhada pelo bairro e divulgar os comerciantes locais,  apoiou os projetos dos livros ‘Os Vestidos de Frida’ de Christine Ferreira Azzi com ilustrações de Juliana Fiorese (2015) ‘Valquírias’ de Juliana Fiorese (2016), ‘Revista Farpa’ (2016) editada pelo coletivo Farpa, composto por seis mulheres, apoio à campanha de financiamento coletivo da Casa Plana-SP (2016) e da Torta (2018) – espaço independente de arte de Campinas, e apoio à produção do livro de fotografias Rolo (2018/19) de Gui Galembeck.</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Serviço</strong></p>
<p style="font-weight: 400;">Feira SUB 2019</p>
<p style="font-weight: 400;">Inscrições: até 23h59 do dia 12 de julho de 2019 (gratuitas)</p>
<p style="font-weight: 400;">Link para o formulário de inscrição: <a href="https://forms.gle/fJ7uqJfjkC4eM2Yy8">https://forms.gle/fJ7uqJfjkC4eM2Yy8</a></p>
<p style="font-weight: 400;">Divulgação dos selecionados para a Feira: até 16 de agosto de 2019</p>
<p style="font-weight: 400;">Data da Feira: 14 de setembro</p>
<p style="font-weight: 400;">Horário: 11 às 21 horas</p>
<p style="font-weight: 400;">Local: Biblioteca Pública Municipal &#8216;Professor Ernesto Manoel Zink&#8217; (Avenida Benjamim Constant, 1633, Centro, Campinas, SP)</p>
<p style="font-weight: 400;">Contato: <a href="http://mail.uol.com.br/compose?to=oifeirasub@gmail.com">oifeirasub@gmail.com</a> e <a href="https://www.facebook.com/feirasub">https://www.facebook.com/feirasub</a></p>
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		<title>Abertas as inscrições para a 4ª edição da Feira SUB de Campinas</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2019 19:59:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura Viva]]></category>
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		<description><![CDATA[Estão abertas as inscrições para os interessados em expor seus trabalhos na 4ª. edição da Feira SUB de arte impressa e publicações independentes que acontece no dia 14 de setembro de 2019, na Biblioteca Pública Municipal ‘Professor Ernesto Manoel Zink’ em Campinas, das 11 às 21 horas. A Feira SUB de Campinas já se consolidou ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Estão abertas as inscrições para os interessados em expor seus trabalhos na 4ª. edição da Feira SUB de arte impressa e publicações independentes que acontece no dia 14 de setembro de 2019, na Biblioteca Pública Municipal ‘Professor Ernesto Manoel Zink’ em Campinas, das 11 às 21 horas. A Feira SUB de Campinas já se consolidou como um dos principais eventos no país no segmento de arte impressa e publicações independentes, sempre atraindo selos e coletivos de vários estados, com uma programação que inclui ainda debates, oficinas e outras atividades.</p>
<p>A inscrição é gratuita e é feita por meio de formulário disponibilizado na página do Facebook da Feira SUB <a href="https://www.facebook.com/feirasub">https://www.facebook.com/feirasub</a> e também pode ser acessado através deste link <a href="https://forms.gle/fJ7uqJfjkC4eM2Yy8">https://forms.gle/fJ7uqJfjkC4eM2Yy8</a>.</p>
<p>Qualquer pessoa, artista, coletivo ou editora, de qualquer lugar do país pode participar. As inscrições vão até 23h59 do dia 12 de julho de 2019.</p>
<p>A Feira SUB tem como objetivo apresentar os mais variados formatos de produção independente de trabalhos que circulam fora do meio editorial tradicional e inclui: livros, zines, livros de artista, revistas, xilogravuras, pôsteres, ilustrações, fotografias, além de uma infinidade de produtos impressos que têm como características a produção com pequena tiragem e alto valor artístico.</p>
<p>As inscrições passam por um trabalho de curadoria para escolha de cerca de 75 expositores, que serão divulgados até o dia 16 de agosto, também na página da Feira SUB no Facebook. “A cada ano fica mais difícil o processo de curadoria da Feira. O número de inscritos aumenta e a qualidade dos trabalhos é excelente. No entanto, mantemos o número de expositores. Nossa proposta na curadoria é selecionar um grupo de trabalhos que traga diversidade à Feira, em termos de linguagens e técnicas de impressão e formatos de produção independente, evitando assim que prevaleça um tipo específico de linguagem artística&#8221;, afirma Marcela Pacola, uma das idealizadoras e curadoras da feira.</p>
<p>É o quarto ano que a feira acontece em Campinas e já é uma referência para o segmento, fazendo parte, inclusive do calendário oficial das feiras independentes do país. Como na edição anterior, a organização fará o convite a um artista ou coletivo para a confecção do cartaz de divulgação da Feira que será a base da identidade artística de todo material de divulgação.</p>
<p>A Feira SUB é uma realização do MIX Estúdio Criativo e conta com o apoio da Agência Social de Notícias e da Secretaria de Cultura de Campinas.</p>
<p><strong>Sobre a Feira SUB &#8211; </strong>O Projeto Cultural SUB é um projeto de fomento, reflexão e articulação do circuito artístico independente da cena contemporânea. O foco principal é discutir, mostrar, criar espaço para a produção independente na área das artes visuais, assim como de outras áreas que se cruzam, se encontram ou se relacionam com as denominadas visuais e apresentar esses trabalhos para o público.</p>
<p>A proposta do projeto é promover um ciclo de ações composto por uma feira de arte impressa e publicações independentes, exposições, bate-papos, encontros literários, palestras e workshops que estão sendo programados.</p>
<p>A Feira SUB, pilar do projeto, é uma Feira anual de Arte Impressa e Publicações Independentes que acontece desde 2016 na cidade de Campinas, SP, com foco na produção independente artística e literária contemporânea. Apresenta os mais variados formatos de artes visuais e literatura, que inclui livros de artista, zines, ilustrações, gravuras, fotolivros, pôsteres a preços acessíveis. Em seu 4o. ano, tem como objetivo fortalecer, incentivar e promover a produção independente.</p>
<div id="attachment_15740" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/05/FeiraSUB_1_creditoRicardoLima.jpg"><img class="size-large wp-image-15740" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/05/FeiraSUB_1_creditoRicardoLima-1024x636.jpg" alt="Feira SUB tem foco na produção independente artística e literária contemporânea (Foto Divulgação/Ricardo Lima)" width="618" height="384" /></a><p class="wp-caption-text">Feira SUB tem foco na produção independente artística e literária contemporânea (Foto Divulgação/Ricardo Lima)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Sobre o MIX Estúdio Criativo &#8211; </strong>O Mix Estúdio Criativo (MIX) é o organizador da Feira SUB. É um estúdio de design que desenvolve identidade visual, projeto gráfico de publicações &#8211; livros de arte, catálogos, revistas, material de comunicação para empresas &#8211; arte impressa, arte digital, campanhas para redes sociais e releases.</p>
<p>O MIX administra também projetos culturais que envolvem exposições, performances, cursos e workshops, além de ser realizador e apoiador de projetos em Campinas.</p>
<p>Dentre os projetos  apoiados/realizados, além da Feira SUB, o MIX participou do Festival Hercule Florence em 2015 e 2017, organizou as exposições ‘Encontros com Alice’ da artista Valéria Menezes (2015) e ‘Frente e Verso’, exposição de livro de artista de 5 artistas de Campinas (2016), criou um roteiro de bairro chamado ‘Cambuí Walking Tour’ que teve o intuito de estimular a mobilidade urbana sustentável por meio da caminhada pelo bairro e divulgar os comerciantes locais,  apoiou os projetos dos livros ‘Os Vestidos de Frida’ de Christine Ferreira Azzi com ilustrações de Juliana Fiorese (2015) ‘Valquírias’ de Juliana Fiorese (2016), ‘Revista Farpa’ (2016) editada pelo coletivo Farpa, composto por seis mulheres, apoio à campanha de financiamento coletivo da Casa Plana-SP (2016) e da Torta (2018) – espaço independente de arte de Campinas, e apoio à produção do livro de fotografias Rolo (2018/19) de Gui Galembeck.</p>
<p><strong>Serviço</strong></p>
<p>Feira SUB 2019</p>
<p>Inscrições: até 23h59 do dia 12 de julho de 2019 (gratuitas)</p>
<p>Link para o formulário de inscrição: <a href="https://forms.gle/fJ7uqJfjkC4eM2Yy8">https://forms.gle/fJ7uqJfjkC4eM2Yy8</a></p>
<p>Divulgação dos selecionados para a Feira: até 16 de agosto de 2019</p>
<p>Data da Feira: 14 de setembro</p>
<p>Horário: 11 às 21 horas</p>
<p>Local: Biblioteca Pública Municipal &#8216;Professor Ernesto Manoel Zink&#8217; (Avenida Benjamim Constant, 1633, Centro, Campinas, SP)</p>
<p>Informações e dúvidas sobre as inscrições:<a href="mailto:oifeirasub@gmail.com">oifeirasub@gmail.com</a><a href="https://www.facebook.com/feirasub">https://www.facebook.com/feirasub</a></p>
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		<title>Fashion Revolution mobiliza por indústria da moda justa, segura e transparente</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2019 16:17:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A Semana Fashion Revolution, campanha anual que ocorre em mais de 100 países, mobiliza pessoas para atuar por uma indústria da moda mais justa, segura e transparente.  De 22 a 28 de abril, espera-se mais de 275 milhões de participantes ao redor do mundo.  Em Campinas haverá programação gratuita todos os dias, em diversos espaços. ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Semana Fashion Revolution, campanha anual que ocorre em mais de 100 países, mobiliza pessoas para atuar por uma indústria da moda mais justa, segura e transparente.  De 22 a 28 de abril, espera-se mais de 275 milhões de participantes ao redor do mundo.  Em Campinas haverá programação gratuita todos os dias, em diversos espaços.</p>
<p>Nesses cinco anos do evento no Brasil, a hashtag #quemFezMinhasRoupas tem sido usado por milhares de pessoas para pedir maior transparência da indústria ao mesmo tempo que marcas compartilham detalhes sobre produções e trabalhadores contam suas histórias usando a hashtag #EuFizSuasRoupas.</p>
<div id="attachment_15659" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/fash_rev_SFRfotos-02.png"><img class="size-large wp-image-15659" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/fash_rev_SFRfotos-02-1024x1024.png" alt="A busca por uma moda ética, justa e transparente (Crédito Divulgação)" width="618" height="618" /></a><p class="wp-caption-text">A busca por uma moda ética, justa e transparente (Crédito Divulgação)</p></div>
<p>A Semana Fashion Revolution 2019 começa no Dia da Terra, 22 de abril, e oferecerá ações positivas que todos e todas podem adotar para reduzir a pegada de carbono das roupas, além de destacar o impacto devastador da indústria da moda no aquecimento global. No Brasil, mais de 80 faculdades, 51 cidades de 19 estados e o Distrito Federal, vão realizar atividades diversas como palestras, trocas de roupas, oficinas, painéis de discussão e rodas de conversas para debater a futura indústria da moda, que respeita as pessoas e o planeta com trabalho justo e decente, proteção ambiental e igualdade de gênero. &#8220;Moda revolucionária é aquela que faz bem para todos: para a Terra, para quem fez e para quem usa. Lembrar que moda, representatividade e liberdade devem estar na mesma página”, diz Fernanda Simon, Diretora Executiva do Fashion Revolution Brasil.</p>
<p><strong>Em Campinas &#8211; </strong>Em Campinas a iniciativa acontece há 5 anos e vem crescendo a cada edição.  São oficinas, palestras e atividades gratuitas,  produzidas de forma voluntária por pessoas alinhadas a essa ideia, que acontecem em várias regiões da cidade. Algumas atividades tem vagas limitadas e necessitam de inscrição prévia. (<em>Confira a programação completa no final da matéria </em>).</p>
<p><strong>Marcas e consumidores engajados &#8211; </strong>Como participar ativamente desse movimento?  Ler as etiquetas ou perguntar  &#8216;quem fez minhas roupas&#8217; pode ser o primeiro passo para esta consciência. Isso permite que o consumidor conheça  mais sobre o processo criativo-produtivo  e compreenda o percurso pelo qual passam suas roupas e acessórios antes de chegar a ele.</p>
<p>A  Semana Fashion Revolution 2019 encorajará as pessoas a reconhecer o impacto pessoal e valorizar a qualidade em detrimento da quantidade. O debate ocorrerá sob três pilares: mudanças na indústria, culturais e políticas.</p>
<p><strong>Mudanças na indústria &#8211; </strong>Não é mais possível viver em um mundo onde nossas roupas destroem o meio ambiente, prejudicam ou exploram as pessoas e reforçam as desigualdades de gênero. Este não é um modelo de negócios sustentável. A indústria da moda deve medir o sucesso além das vendas e lucros e valorizar igualmente o crescimento financeiro, o bem-estar humano e a sustentabilidade ambiental. É urgente uma indústria de moda transparente e que se responsabilize pelas suas práticas e impactos sociais e ambientais.</p>
<p><strong>Mudanças culturais &#8211; </strong>A cada compra, uso e descarte de roupas, é gerada uma pegada ambiental e um impacto nas pessoas que as produzem &#8211; na maioria, mulheres. É preciso promover mudanças culturais para um consumo mais consciente e que as pessoas reconheçam seus próprios impactos ambientais e atuem para mudar a cultura da moda.</p>
<p><strong>Mudanças políticas &#8211; </strong>A transparência e a responsabilidade social e ambiental da indústria global da moda devem estar na agenda governamental de todos os países. Com os regulamentos e incentivos corretos em vigor e devidamente implementados, o governo pode incentivar uma “corrida pelo primeiro lugar”, na qual pessoas e empresas recebam apoio e incentivo para adotar mentalidades e práticas mais responsáveis e sustentáveis.</p>
<p><strong>O lado feio da indústria da moda &#8211; </strong>A sustentabilidade da indústria da moda está cada vez mais crescente, mas, as violações dos direitos humanos, a desigualdade de gênero e a degradação ambiental também continuam abundantes. Pesquisa da Global Slavery Index encontrou 40,3 milhões de pessoas em situação de escravidão moderna em 2016, das quais 71% são mulheres. Os dados mostram que as peças de vestuário estão entre os itens com maior risco de serem produzidos por meio da escravidão moderna.</p>
<p>O assédio sexual, a discriminação e a violência baseada em gênero contra as mulheres são endêmicos na indústria global de vestuário, em que elas representam 80% da força de trabalho global. A produção mundial de têxteis emite 1,2 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano, mais do que os voos internacionais e o transporte marítimo combinados. Estamos produzindo 53 milhões de toneladas de fibras para confeccionar roupas e têxteis anualmente, apenas para aterrar ou queimar 73% dessas fibras.</p>
<div id="attachment_15660" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/FashRev_Insta_20194-1.png"><img class="size-full wp-image-15660" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2019/04/FashRev_Insta_20194-1.png" alt="Um movimento global pela sustentabilidade na moda (Crédito Divulgação)" width="900" height="900" /></a><p class="wp-caption-text">Um movimento global pela sustentabilidade na moda (Crédito Divulgação)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fashion Revolution Campinas  | programação completa </strong></p>
<p><strong>22.04 (segunda)</strong></p>
<p><strong>&gt; 19h30 |</strong>  <strong>Abertura Oficial do Evento</strong></p>
<p>Mudanças Culturais, Industriais e Políticas. Com Brígida Cruz, Justine Armani, Patrícia Sant&#8217;Anna e Luiz Filho.</p>
<p><strong>Local:</strong>  Senac (Rua Sacramento, 490, Centro, Campinas).</p>
<p><strong>&gt; 14h |</strong>  <strong>Oficina de Acessórios Upcycling</strong></p>
<p>Oficina de criação de acessórios utilizando materiais de descarte como papelão e retalhos. Com Juliana Perez</p>
<p><strong>Local: </strong> Santa Costura de Todos os Panos  (pop up do Galleria Shopping).</p>
<p><strong>Inscrições:</strong> (19) 99902.9938. Vagas limitadas.</p>
<p><strong>23.04 (terça)</strong></p>
<p><strong>&gt; 12h às 19h |</strong> <strong>Apresentação Piracaianas</strong></p>
<p>Apresentação da coleção da marca Piracaianas pela artista e artesã Maria Eugênia. Peças exclusivas feitas a partir de materiais de reuso e com mão de obra local.</p>
<p><strong>Local:</strong>  Santa Costura de Todos os Panos (pop up do Galleria Shopping).</p>
<p><strong>&gt; 14h às 16h |</strong> <strong>Oficina de bonecos de meias velhas</strong></p>
<p>Transformar meias velhas em objetos cheios de afetividade. Questionar o tempo de vida útil dos produtos e estimular idéias para  postergar o descarte.  Com  Janaina Stropp.</p>
<p><strong>Local:</strong> Loja Conceito EmeElle (Rua Dr. Emílio Ribas 1594, Cambui).</p>
<p>Vagas limitadas.</p>
<p><strong>&gt; 18h às 20h |</strong> <strong>Talk  &#8216;Moda inclusiva e diversidade de perfis na moda contemporânea. Como transformá-las em business?</strong></p>
<p>Levantar discussão sobre quais são as mudanças fundamentais para a desconstrução de estigmas sobre as imagens e corpos de modelos na passarela contemporânea e no mercado da moda como um todo. Com Patricia Sant&#8217;Anna , Dimitria Freitas e Luiz Filho.</p>
<p><strong>Local:</strong> Agência Luiz Filho Models  Rua Afrânio Peixoto, 335,  Parque Taquaral)</p>
<p><strong>Inscrição:</strong> contato.iarasilvarodrigues@gmail.com. Vagas Limitadas.</p>
<p><strong>24.04 (quarta)</strong></p>
<p><strong>&gt; 14 h | Brechó Day</strong></p>
<p>Bate-papo com Stella Vasconcelos do Canal Diga Xs sobre como aproveitar o máximo dos brechós como alternativa de consumo consciente  e brechó de trocas.</p>
<p><strong>Local:</strong> Santa Costura de Todos os Panos (Rua Vieira Bueno, 156, Cambuí, Campinas)</p>
<p><strong>&gt; 16h às 18h | Mesa de discussão</strong></p>
<p>&#8216;A desconstrução de estigmas sobre as imagens e corpos de modelos na passarela contemporânea&#8217;. Com  Luiz Filho e convidados.  Vagas limitadas</p>
<p><strong>Local:</strong> Casa Hygge (Rua Santo Antônio, 73, Cambuí )</p>
<p><strong>25.04 (quinta)</strong></p>
<p><strong>&gt; 14h | Oficina de Estamparia</strong></p>
<p>Oficina de estamparia manual e manifesto através da estampa. Com Amanda Dumont</p>
<p><strong>Local:</strong> Santa Costura de Todos os Panos  (pop up do Galleria Shopping).</p>
<p><strong>Inscrições:</strong> (19) 99902.9938. Vagas limitadas.</p>
<p><strong>&gt; 16h às 18h | Palestra</strong></p>
<p>&#8216;A Mudança por meio dos Corpos&#8217;.  Com  RafaellCavaglhyery  e Vera Nortenha</p>
<p><strong>Local:</strong> Casa Hygge (Rua Santo Antônio, 73, Cambuí )</p>
<p><strong>19h30 às 20h30</strong> | <strong>Talk &#8216;Moda ética e sustentável na prática: como aplicar na produção, no guarda roupa e no modo de consumo&#8217;.</strong></p>
<p>Compartilhar as melhores maneiras de se aplicar uma moda mais ética e sustentável na prática, da produção á forma de consumo. Com Ana Vazz, Thaís Possobom e Renato Negrão Mariana</p>
<p>Local: Esamc (Av. Dr. Manoel Afonso Ferreira 275 Jardim Paraíso)</p>
<p>Inscrição para não estudantes da Esamc: <a href="mailto:contato.iarasilvarodrigues@gmail.com">contato.iarasilvarodrigues@gmail.com</a></p>
<p><strong> 26.04 (sexta)</strong></p>
<p><strong>&gt; 9h ás 17 h | Brechó Re-signifique </strong></p>
<p>Troca de roupas.</p>
<p><strong>&gt; 12h |</strong>  <strong>Almoço orgânico e roda de bate papo.</strong></p>
<p>&#8216;Moda Sustentável&#8217; com Carolina Velardi e  &#8216;Estilo de Vida Minimalista&#8217; com Vitória Stele</p>
<p><strong>Local: </strong> Vanilla Cuisine (Av. Dr. Jesuíno Marcondes Machado, 2069)</p>
<p><strong>&gt; 14h | Mesa Redonda: criação, confecção e sustentabilidade na moda</strong></p>
<p>Roda de conversa com a estilista Gabi Meirelles, Thomás Benite  e Célia Rodrigues</p>
<p><strong>Local:</strong> Santa Costura de Todos os Panos (Rua Vieira Bueno, 156, Cambuí, Campinas)</p>
<p><strong>&gt; 15h às 17h | Roda de Conversa</strong></p>
<p>&#8216;Troca de Saberes: Um Ato Revolucionário?&#8217; Com Professor Dr. Sandro Tonso, Andrea Bomilcar e Professora Dra Nadia Nogueira.</p>
<p><strong>Local:</strong> Casa Hygge (Rua Santo Antônio, 73, Cambuí )</p>
<p><strong> 27.04  (sábado)</strong></p>
<p><strong>&gt; 9h às 13h | Oficina</strong></p>
<p>&#8216;Moda e Audiovisual : Corpo Político&#8217;</p>
<p><strong>Local:</strong> Casa Hygge (Rua Santo Antônio, 73, Cambuí )</p>
<p><strong>&gt; 16h as 22h |</strong> Sarau Fashion Revolution e Mesa de Encerramento</p>
<p>Apresentações musicais, leituras de poesia sobre temas e eixos da moda e suas mudanças, desenhos e fotografias. Espaço aberto para convivência e expressão, trocas de experiências e proximidades entres os participantes das mesas e o público.</p>
<p><strong>Local:</strong> Casa Hygge (Rua Santo Antônio, 73, Cambuí )</p>
<p><strong>28.04 (domingo)</strong></p>
<p><strong>&gt; 12h |Desfile ecológico da marca Flexible Fitness Concept</strong></p>
<p>Com participação de Michel Massih</p>
<p><strong>&gt; 13h |Almoço Vivo</strong></p>
<p>Com chef Bruno Casella.</p>
<p><strong>Local:</strong> Restaurante Brotos da Terra (Rua Heitor Penteado, 1085, Joaquim Egídio).</p>
<p>Reservas: (19) 981730871. Vagas limitadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Mais informações do Fashion Revolution Campinas: </strong><a href="https://www.facebook.com/events/415767225665643/"> www.facebook.com/events/415767225665643/</a></p>
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