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	<title>Agência Social de Notícias &#187; 100 anos do samba</title>
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		<title>Nos cem anos do samba, Campinas escreve capítulos de alegria e resistência</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2016 15:51:50 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Cultura Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Neste domingo, dia 27 de novembro, serão comemorados os cem anos de gravação, por Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, da música &#8220;Pelo telefone&#8221;, que segundo a tradição marca o início da rica trajetória do samba no Brasil. O ritmo que celebra a vida, a diversidade e os dramas do brasileiro difundiu-se e adquiriu diferentes formatos, de acordo com a realidade local. Em Campinas o samba também tem escrito capítulos de alegria e resistência.</p>
<p>De fato, pela atuação de nomes como<strong> </strong>Aureluce Santos, Ido Luiz, Valéria Santos e Ilcéi Mirian e por eventos como &#8220;Escuta o cheiro&#8221;, o samba vive um momento vigoroso em Campinas, mas como tudo o que diz respeito à cultura afro-brasileira o ritmo apenas se impôs na cidade após uma longa trajetória de resistência. Em um dos seus textos sobre o assunto (“O samba em Campinas: sua evolução e diversificação ao longo do século XX”), a historiadora Olga Rodrigues de M.Von Simson não mede palavras ao afirmar, junto com o co-autor Carlos Roberto Pereira de Souza: “A maioria dos senhores de escravos campineiros proibia a dança do samba, considerada uma manifestação de caráter libidinoso, tanto pelos padres da Igreja Católica, como pelos proprietários de cativos, principalmente devido a um passo importante da dança – a umbigada – que integrava essa manifestação vinda da África Ocidental, dança que, em sua origem, era realizada com caráter religioso e em honra à deusa da fertilidade”.</p>
<p>Após a abolição, as restrições diminuíram, e a umbigada, com um outro formato, era comum em datas festivas para o povo negro em Campinas, como os dias de Santa Cruz ou  São Benedito. Aos poucos as rodas de samba se impuseram, além dos limites impostos pela sociedade escravocrata, e no início com a forte presença do bumbo. Olga Von Simson e Carlos de Souza notam que grupos negros de Campinas levavam essa modalidade de canto-dança para a festa anual de Bom Jesus do Pirapora e, com isso, o “samba de bumbo acabou se tornando uma marca identitária do samba de Campinas”. Entre estes grupos estavam os sambas da Tia Aurora, de Aparecidinha, da Treze de Maio e do Ernesto Estevam.</p>
<p>Samba de bumbo, jongo com Dito Ribeiro, umbigada “disfarçada”, as raízes do samba campineiro suportaram as sutilezas do preconceito e foram dando os seus frutos no século 20. Personagens como Aluísio Jeremias e outros eram os “guardiões” do legado musical afro na cidade. Rodas de samba floresceram, aqui e ali, como o Carvalhinho no Taquaral e nos cortiços Porteira Preta, Barroquinha e Sampainho, no Cambuí. Até no arraial de Sousas, hoje distrito, o samba sempre rolou solto, como contam Olga Von Simson e Carlos de Souza.</p>
<div id="attachment_4964" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/11/AfroMixIlceinaEstacao2.jpg"><img class="size-large wp-image-4964" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/11/AfroMixIlceinaEstacao2-1024x682.jpg" alt="&quot;Nosso objetivo é evidenciar a cultura negra e fazer um evento de oportunidades e trocas. Queremos que todas as etnias se encontrem aqui&quot;, diz Ilcéi Mirian sobre a Feira Afro Mix   (Foto: Adriano Rosa) " width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Nosso objetivo é evidenciar a cultura negra e fazer um evento de oportunidades e trocas. Queremos que todas as etnias se encontrem aqui&#8221;, diz Ilcéi Mirian sobre a Feira Afro Mix (Foto: Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>O samba do século 21</strong> – A redemocratização depois de 1985 favoreceu o processo de resgate e valorização das raízes mais profundas da cultura brasileira, e também em Campinas as expressões da cultura afro, o samba entre elas, encontraram maior espaço de liberdade para atuar. Grupos importantes foram nascendo e um marco foi a criação, em 1995, do Quarteto de Cordas Vocais, por Adriano Dias, Rodrigo Duarte, Allessandro Dias e Deo Piti.</p>
<p>Multi-instrumentistas, os componentes se fortaleceram na execução e no repertório do samba tradicional. Já acompanharam grandes nomes como Demônios da Garoa, Velha Guarda da Portela e Mangueira, Bezerra da Silva, Chico Cezar, Belchior, Almir Sater, Oswaldo Montenegro e Renato Teixeira. O Quarteto tocou no histórico lançamento da candidatura de Dilma Rousseff à presidência, em 2010, e na embaixada do Brasil em Genebra, Suíça. Daniel Romanetto costuma acompanhar o quarteto com seu cavaquinho mágico.</p>
<p>Em 2000 o Quarteto de Cordas Vocais começou um, também histórico, projeto de revitalização do samba em Campinas, o Revivendo o Samba, que levou milhares ao Centro Cultural Evolução e ao Tonico´s. O Revivendo o Samba foi o portal para a emergência de grandes nomes do samba hoje na cidade, como a própria Aureluce Santos.</p>
<p>Aureluce sempre gostou de cantar, mas começou a pensar em abraçar profissionalmente o talento quando se aposentou como funcionária da Unicamp. “Comecei com algumas canjas e vi que as pessoas gostavam, que elas se emocionavam. Isso me marcou muito e me animou a continuar”, conta Aureluce, considerada uma verdadeira diva do samba campineiro. Ela diz gostar “da velha guarda, Cartola, Noel, que são muito bons e mexem com o povo”.</p>
<p>Em 2002 Aureluce estava integrada ao Núcleo de Sambistas e Compositores do Cupinzeiro e, em 2004, ao Grupo Chega de Demanda. Depois ela passou a ser acompanhada pelo próprio grupo, formado por Edson (surdo), Jean (cavaco), Jeferson (pandeiro) e Vinícius (violão sete cordas), além do acompanhamento por sopro, bateria, guitarra e baixo.</p>
<p>Ido Luiz e Valéria Santos também começaram a exitosa parceria no começo do século 21. Alquimia pura no palco, como no show Coisas Nossas, configurado como um projeto acústico e intimista. Em suas apresentações, passaram a reverenciar nomes que consideram marcantes, como Tim Maia, Clara Nunes, Djavan, Marisa Monte, Maria Bethânia, Cartola, Martinho da Vila e Elis Regina.</p>
<p>Sinuca de Bico e Velha Arte do Samba são outras referências desse momento de resgate e consolidação do samba em Campinas,  a partir da década de 1990 e começo do século 21. Eles continuam tocando e alegrando vários espaços. O Sinuca de Bico, por exemplo, é presença constante no Possante Bar, que sempre oferece um menu sofisticado da MPB, o samba e seus temperos especiais incluídos.</p>
<div id="attachment_9439" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Tonicos04-2-1024x682.jpg"><img class="size-large wp-image-9439" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Tonicos04-2-1024x682-1024x682.jpg" alt="Quarteto de Cordas Vocais no Tonico´s, um dos redutos do samba em Campinas (Foto Adriano Rosa)" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Quarteto de Cordas Vocais no Tonico´s, um dos redutos do samba em Campinas (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>Rodas de samba e nova geração</strong> – Outro marco importante para o “novo samba” de Campinas foi a criação, em 2004, do Pagode da Vó Tiana, uma roda de samba inicialmente de fundo de quintal, daquelas de reunir os amigos na Vila Teixeira. O nome foi uma homenagem à avó de Alex Mortão. “Infelizmente a Vó Tiana não viu o projeto, pois morreu antes”, lamenta o neto.</p>
<p>Mas a ideia prosperou, virou o Pagode da Vó Tiana que, após algumas incursões a céu aberto, passou a acontecer em lugar fechado, na sede da Associação de Moradores. Uma vez por mês, o Pagode reúne muita gente que ama o samba e que já se deliciou com apresentações de feras como Almir Guineto, Monarco, Mauro Diniz, Jorginho do Império e Osvaldinho da Cuíca. “Não somos fundamentalistas, tocamos os clássicos mas também estamos abertos ao povo, é importante a renovação”, define Alex, o idealizador do Pagode, que tocou recentemente em mais uma edição do Afro Mix.</p>
<p>As rodas de samba se popularizaram e uma das mais efervescentes é a Escuta o Cheiro, fundada em outubro de 2008, em uma casa caiada em Sousas, por Silo e Bruno Sotil, Marcio Belardini, Paula Ubinha, Carla Fiore e Tatiana Braga. Dois em um, nasceu na mesma data o, claro, Casa Caiada, grupo formado para animar a roda, sempre incrementada com boa comida.</p>
<p>Escuta o Cheiro passou a mobilizar muitos fãs nas reuniões mensais. O Casa Caiada, por sua vez, rapidamente se firmou como outra referência da nova geração do samba campineiro. Com o apoio do Fundo de Incentivo à Cultura de Campinas (FICC), o grupo gravou o primeiro CD de sambas inéditos pelo selo Fábrica Discos. Em um trabalho permanente de pesquisa e aprimoramento, o Casa Caiada superou fronteiras e passou a se apresentar em um muitos locais. Já fez, inclusive, duas turnês em Angola, uma das matrizes do ritmo que se tornou paixão nacional verde-amarela, o samba.</p>
<p>As rodas de samba são um espaço em evolução na cidade, e entre outras se destaca a Sibipiruna, de Barão Geraldo. Convívio, espaço de diálogo e troca de afetos, tolerância, algumas marcas do projeto Sibipiruna, promovido todo primeiro domingo de cada mês, em um local pertinho da Moradia Estudantil da Unicamp em Barão Geraldo.</p>
<p>Com certeza pela presença da Unicamp, que tem uma respeitada e agitada Faculdade de Música, e também pela PUC-Campinas, Barão Geraldo se consolidou no século 21 como um dos territórios mais elétricos do samba local. São vários endereços do samba no distrito, como a Casa de São Jorge e o Buteco do Jair. Mas outros bairros também abrem as portas para o samba, como a Guanabara com o Villa Bambu, o Proença com a Vó Dalva, o Taquaral com o já citado Possante Bar, de novo Sousas com a Casa Rio e Joaquim Egídio com o Boteco do André.  Em todos eles, alegria, carinho e pesquisa.</p>
<p>Grupo Bambas de Rua, Andreia Preta, Vanessa Costa e Bruna Volpi são outras novas estrelas do firmamento do samba em Campinas, assim como Maíra Guedes e os Baluartes, que estão gravando o primeiro CD. Muita pesquisa, música autoral.</p>
<p>Pesquisa é uma palavra importante para Ilcéi Mirian. Historiadora de formação, durante um bom tempo deu aulas na rede pública. Mas a música se impôs e, depois de aulas de violão com o professor Dino, descobriu, ou foi descoberta, pelo cavaquinho. Nenê do Cavaco é uma de suas referências.</p>
<p>Em 2002 Ilcéi lançou, pela gravadora Camerati (de Campinas), o CD “Samba de batom”, com faixa-título de autoria da dupla de conterrâneos Rinaldo e Ido Luiz,  além de Belchior e José Luiz Pena em “Comentários a respeito de John” e outros compositores como Mauro Diniz, Markinhos Sargento, Prince, Boca, Vagner Boneto, Valdir de Oliveira, Diva, Moreira, Armando Moreli e Nyva. O CD teve produção executiva de Belchior e foi lançado no Tonico’s Boteco.</p>
<div id="attachment_8030" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/07/Estaçãonovo.jpg"><img class="size-large wp-image-8030" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/07/Estaçãonovo-1024x1024.jpg" alt="Estação Cultura é um dos espaços principais de celebração do samba em Campinas (Foto José Pedro Martins) " width="618" height="618" /></a><p class="wp-caption-text">Estação Cultura é um dos espaços principais de celebração do samba em Campinas (Foto José Pedro Martins)</p></div>
<p>Depois vieram os shows “Tributo a Adoniran Barbosa”, “Da Senzala à Casa-Grande: A Miscigenação na MPB”, “Cantando a História do Brasil” e “Não Me Leve a Mal, Hoje É Carnaval”, sempre  com acompanhamento pelo grupo Bambas do Samba. Em 2008 “Histórias &amp; canções de Clara Nunes –  Ilcéi Mirian e Bambas de Samba”, no Teatro do Centro de Convivência. Em  2009 recebeu a Velha Guarda da Rosas de Ouro no Tonico’s.  Em 2010 de novo a inspiração em Clara Nunes, com o show “Clara: Mineira, Guerreira”, com direção de Marcos Ferreira, no Sesc Ipiranga, em São Paulo, acompanhada pelo grupo Bambas de Samba. No mesmo ano o segundo CD,  com produção de T. Kaçula, o “Minha identidade”, também lançado no Tonico´s.</p>
<p>Sempre a preocupação com a contextualização, com a expressão da importante daquela música, daquele compositor, para aquele momento da vida campineira e brasileira.  Incansável, Ilcéi ainda é co-fundadora da Feira Cultural Afro Mix, uma iniciativa que já completou doze anos. Um espaço de diálogo e fortalecimento da identidade cultural afro-brasileira.</p>
<p>É o mesmo que vem fazendo a Comunidade de Jongo Dito Ribeiro na Fazenda Roseira, outro lugar encantado do samba em Campinas. É o mesmo que fazem todos aqueles, de qualquer geração, que rendem tributo ao samba, esse elo entre pessoas, idades, raças, credos e ideias: o ritmo que faz pulsar o coração do Brasil.  (<strong>Por José Pedro Martins</strong>)</p>
<p>&nbsp;</p>
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