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	<title>Agência Social de Notícias &#187; 25 anos do ECA</title>
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		<title>Campinas na defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente, que completa 25 anos</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jul 2015 20:31:10 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 25 anos nesta segunda-feira, 13 de julho, sob ameaça de descaracterização, em função da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos nos &#8220;casos graves&#8221;, como aprovado recentemente em primeira votação pela Câmara dos Deputados. Um seminário na tarde de hoje, no auditório do Instituto Agronômico, ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 25 anos nesta segunda-feira, 13 de julho, sob ameaça de descaracterização, em função da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos nos &#8220;casos graves&#8221;, como aprovado recentemente em primeira votação pela Câmara dos Deputados. Um seminário na tarde de hoje, no auditório do Instituto Agronômico, marcou o início de uma campanha em defesa do ECA, promovida pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Campinas.</p>
<p>A presidente do CMDCA, Maria José Geremias, destacou no seminário &#8220;ECA 25 anos: Dilemas da prática&#8221; que haverá uma mobilização envolvendo outros conselhos municipais e tutelares, nas diferentes regiões de Campinas, esclarecendo sobre a importância do Estatuto para a proteção integral da infância e juventude.  &#8220;Cabe a todos nós discutirmos com maturidade e seriedade o que deve ser feito, diante do cenário que estamos vivendo&#8221;, disse ela.</p>
<p>Maria José Geremias observou que, apesar dos avanços já obtidos, o Estado brasileiro ainda não garantiu o que o ECA prevê em defesa da cidadania integral da criança e do adolescente. &#8220;Ainda não há orçamento específico definido para a criança e do adolescente, assim como não há vagas suficientes para todas as crianças nas escolas e na creches, e também não há atendimento em saúde e habitação para todos&#8221;, salientou.</p>
<p>Diante disso, a presidente do CMDCA de Campinas sustentou que &#8220;não há como discutir a redução da maioridade penal, se todos os direitos das crianças e adolescentes não estão ainda assegurados&#8221;.</p>
<div id="attachment_4001" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/ECA-008.jpg"><img class="size-large wp-image-4001" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/ECA-008-1024x768.jpg" alt="Maria José Geremias: Estado brasileiro ainda não garantiu todos direitos das crianças e adolescentes" width="618" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">Maria José Geremias: Estado brasileiro ainda não garantiu todos direitos das crianças e adolescentes</p></div>
<p>O promotor público Rodrigo Augusto de Oliveira, da Promotoria da Infância e da Juventude de Campinas, se manifestou contrário à redução da maioridade penal. Ele salientou que há um desconhecimento em relação ao que estipula o Estatuto da Criança e do Adolescente &#8220;O ECA estabelece medidas punitivas e em casos extremos até de privação de liberdade&#8221;, lembrou.</p>
<p>O que não pode acontecer, defendeu o promotor, é &#8220;levar o ECA para um sistema penal falido, levando jovens para as prisões&#8221;, quando o contrário seria &#8220;trazer o sistema penal para o que o ECA significa em termos de avanços&#8221;. O jovem infrator, atingido pelas medidas socioeducativas previstas no ECA, &#8220;é preparado para a ressocialização, pois ele passa por ações educacionais e sociais, assim como há um trabalho com sua família&#8221;. Mas isto não aconteceria se o jovem fosse para o sistema penal, &#8220;embora a Lei de Execuções Penais também preveja medidas de ressocialização, que no entanto estão longe de ser cumpridas&#8221;.</p>
<p>Para o promotor, o que pode estar em jogo é &#8220;o novo paradigma que o ECA trouxe, considerando a criança e o adolescente como sujeitos de direitos&#8221;, ao contrário do que previa o Código de Menores anteriormente vigente. Com a nova Constituição, de 1988, e o ECA, de 1990, acrescentou, o Brasil foi o primeiro país a incorporar na legislação a Doutrina da Proteção Integral, consagrada internacionalmente com a Convenção dos Direitos da Criança, de 1989.</p>
<p>O auditório do IAC ficou lotado com jovens ligados a entidades sociais, e também com representantes de conselhos municipais e tutelares e de vários serviços públicos. Uma das presenças era da secretária municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social, Jane Valente. Apresentações culturais marcaram o evento, como dos jovens do Projeto Allegro, do Centro Promocional Tia Ileide.</p>
<div id="attachment_4002" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/ECA-033.jpg"><img class="size-large wp-image-4002" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/ECA-033-1024x768.jpg" alt="Promotor Rodrigo Augusto de Oliveira destacou que o ECA estabeleceu &quot;um novo paradigma&quot; na área da infância e juventude" width="618" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">Promotor Rodrigo Augusto de Oliveira destacou que o ECA estabeleceu &#8220;um novo paradigma&#8221; na área da infância e juventude</p></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Bastidores da construção do ECA, que chega aos 25 anos sob sério risco de descaracterização</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2015 15:25:34 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Martins O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nos marcos da Lei nº 8.069, chega aos 25 anos na segunda-feira, 13 de julho, sob o maior risco de descaracterização de sua história, com a recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, em primeira votação, da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nos marcos da Lei nº 8.069, chega aos 25 anos na segunda-feira, 13 de julho, sob o maior risco de descaracterização de sua história, com a recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, em primeira votação, da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em alguns casos. A manutenção dessa mudança significará a desconsideração de uma luta civilizatória, que no caso brasileiro teve o seu auge na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-88 e nos momentos seguintes, até a edição do ECA em 1990. Essa trajetória tem bastidores com importantes protagonistas, como o educador mineiro Antônio Carlos Gomes da Costa e o Unicef.</p>
<p>De fato, o artigo 227 da Constituição de 1988, batizada de &#8220;Constituição Cidadã&#8221; pelo deputado Ulysses Guimarães,  consagrou  as crianças e adolescentes como cidadãos plenos, com direitos e deveres. Um marco na história de um país que, em quase 500 anos, quase sempre olhou a infância apenas pela ótica do controle e do castigo, em suas modalidades mais cruéis e perversas.</p>
<p>Assim, quando o novo texto constitucional assegurou novo olhar do conjunto do Estado e da sociedade para as crianças, o que estava em jogo era uma verdadeira reviravolta cultural, com relação a uma trajetória escrita com a tinta vermelha da dor e do sangue dos pequeninos que, até então, sofriam na mais profunda solidão, sejam os pequenos indígenas capturados como escravos antes mesmo da chega dos negros da África, seja dos afro-descendentes castigados duramente, até dias bem recentes entre a população de modo geral.</p>
<p><strong>Antecedentes históricos</strong></p>
<p>Até a Constituição de 1988, a legislação brasileira, como no Código Criminal de 1830, mantinha as crianças sob os rigores do mundo adulto. Como nota Andreza Garcia Lopes: “A preocupação com a punição ao adolescente infrator não é uma novidade em nossa sociedade. Desde a Independência do Brasil, o sistema jurídico adotado pelo Código Criminal do Império (1830) era o da &#8220;teoria do discernimento&#8221; (Morelli, 1996). Através desse critério, a idade mínima de responsabilização penal era de quatorze anos; mas, crianças com menos dessa idade poderiam ser penalizadas caso fosse apurado que o ato cometido pressupunha o discernimento. Desse modo, a medida imposta era o seu recolhimento compulsório às antigas casas de correção para que o poder judiciário pudesse determinar o tempo necessário de sua internação”. (Lopes, Andreza Garcia, “A educação escolar do adolescente em conflito com a lei: as medidas sócio-educativas em estudo”, in Congresso Internacional de Pedagogia Social, março de 2006).</p>
<p>No século 20 os avanços em termos de legislação da criança e adolescente foram lentos. No ciclo de governos militares (1964-84) vigoraram a Lei 4.513, de 1964, e a Lei 6.697, de 1979, conhecida como o Código de Menores. Leis escritas sob o prisma da Doutrina de Segurança Nacional, que mantiveram a lógica do controle-punição, a mesma de quase cinco séculos da sofrida trajetória da infância no Brasil.</p>
<div id="attachment_3919" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/BrasiliaViagem_0733.jpg"><img class="size-large wp-image-3919" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/BrasiliaViagem_0733-1024x683.jpg" alt="Congresso Nacional: palco da Constituinte de 1987-88 e dos embates de hoje em torno da maioridade penal (Foto Adriano Rosa)" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Congresso Nacional: palco da Constituinte de 1987-88 e dos embates de hoje em torno da maioridade penal (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>Mobilização mundial</strong></p>
<p>A mobilização incrementada com o fim da ditadura, e que resultou no artigo 227 da Constituição Brasileira e, depois, no próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, não pode ser dissociada, entretanto, da luta de décadas pela cidadania infantil em esfera internacional.</p>
<p>Uma luta que começa com a criação em 1919 da organização não-governamental Save The Children, fruto do empenho de Eglantyne Jebb. Por iniciativa de Eglantyne foi redigida a primeira Declaração dos Direitos da Criança, de 1923, e publicada originalmente na revista de Save The Children, “The World´s Children”. Em 26 de setembro de 1924 o documento foi ratificado pela quinta Assembleia Geral da Liga das Nações como Declaração de Genebra dos Direitos da Criança. A singela Declaração continha apenas cinco pontos, na época considerados os essenciais para a proteção da infância de novas calamidades:</p>
<p>“Através da presente Declaração dos Direitos da Criança, comumente conhecida como a Declaração de Genebra, os homens e mulheres de todos os países, em reconhecimento de que a humanidade deve à Criança o melhor que é capaz de dar, declaram e aceitam como sua obrigação que, acima de qualquer diferença de raça, nacionalidade ou crença:</p>
<p>(i)                       A Criança deverá receber os meios materiais e espirituais necessários para seu normal desenvolvimento.</p>
<p>(ii)                     A Criança faminta deverá ser alimentada; a Criança enferma deverá ser curada; a Criança deficiente deverá ser apoiada; a Criança delinqüente deverá ser reformada; e a Criança órfã e abandonada deverá ser protegida e assistida.</p>
<p>(iii)                   A Criança deverá ser a primeira a receber ajuda em situações de emergência.</p>
<p>(iv)                   A Criança deverá ser colocada em uma situação que lhe permita ter um sustento e deverá ser protegida de qualquer forma de exploração.</p>
<p>(v)                     A Criança deverá ser educada na consciência de que seus  talentos deverão ser empregados a serviço do próximo”.</p>
<p>Na prática, essa primeira Declaração dos Direitos da Criança, muito influenciada pelo cenário pós-guerra, considerava os corpos da crianças como uma zona de paz, como entendia o professor Antônio Carlos Gomes da Costa, educador mineiro que teria grande importância no processo que levou à construção do ECA, como veremos.</p>
<p>Como se sabe, a Liga das Nações não conseguiu evitar a Segunda Guerra Mundial, na qual morreram ao menos 30 milhões de civis e outro tanto de militares. Milhões de crianças, portanto, morreram diretamente na nova conflagração mundial, ou faleceram depois ou se tornaram órfãs.</p>
<p>As Nações Unidas estavam mais voltadas para formular, aprovar e divulgar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e apenas em 1959 seria adotada, a 20 de novembro, pela ONU, uma nova Declaração dos Direitos da Criança, melhorando e ampliando o texto de 1923.</p>
<p>Mas a Declaração de 1959, assim como a de 1923, apesar de pioneiras e fundamentais para a evolução do debate sobre os direitos da criança, ainda tinha fundo assistencialista. As crianças apenas se tornariam, sob a ótica das leis, protagonistas e sujeitos de direitos com a Convenção sobre os Direitos da Criança, de 1989, que teve no polonês Adam Lopakta um dos maiores responsáveis.</p>
<p>O grande avanço representado pela Convenção sobre os Direitos da Criança é que ela consagrou a Doutrina da Proteção Integral. A Doutrina considera a criança como ser em desenvolvimento, e que portanto deve ter a proteção da família, da sociedade e do Estado.</p>
<p>“A Doutrina da Proteção Integral e a Convenção consideram a criança como um ser humano completo em qualquer fase do seu desenvolvimento. Não existe a criança que vai se humanizar em algum momento da vida. Ela é completa desde a concepção. Outro valor da criança é que ela não conhece os seus direitos e não tem condições por si mesma de manter suas necessidades básicas. Então tudo que é direito da criança é dever das gerações adultas, representadas pela família, estado e a sociedade”, resumiu o professor Antônio Carlos Gomes da Costa, em conversa com o autor deste artigo no escritório do educador, no centro de Belo Horizonte, alguns meses antes do seu falecimento, a 4 de março de 2011, na capital mineira.</p>
<p>O notável, para a situação brasileira, ressaltou Gomes da Costa, é que a nova Constituição de 1988, por meio do artigo 227, incorporou o sentido da Doutrina da Proteção Integral antes mesmo da promulgação da Convenção dos Direitos da Criança, de 1989. E nesse ventre fértil também foi gerado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a senha definitiva para a cidadania da infância e juventude no Brasil.</p>
<div id="attachment_3922" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/Giz1.jpg"><img class="size-large wp-image-3922" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/Giz1-1024x683.jpg" alt="Direito à educação de qualidade, direito fundamental garantido pela Constituição e pelo ECA (Foto Adriano Rosa)" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Direito à educação de qualidade, direito fundamental garantido pela Constituição e pelo ECA (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>Os passos até o ECA</strong></p>
<p>A conquista do artigo 227 não foi obtida, porém, sem mobilização e estratégia muito bem arquitetada por vários atores, incluindo-se aí a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef). A mobilização foi incrementada em função da Assembleia Nacional Constituinte, eleita em 1986 com a missão de redigir novo texto constitucional, pós-ditadura, mas mesmo antes o Unicef já vinha atuando, de modo discreto, pois os militares viam qualquer posicionamento de organização internacional como &#8220;ameaça aos assuntos internos do país&#8221;.</p>
<p>O processo de elaboração da Constituinte previa a possibilidade de apresentação de emendas de iniciativa popular e duas relacionadas à infância e juventude foram apresentadas.  Uma emenda, batizada de “Criança e Constituinte”, de iniciativa do Unicef e em parceria com sete ministérios, recebeu mais de 30 mil assinaturas. Outra, intitulada “Criança, Prioridade Nacional”, com apoio da CNBB, OAB e Sociedade Mineira de Pediatria, obteve mais de 200 mil assinaturas, grande parte delas obtida pela mobilização das comunidades católicas e da Pastoral da Criança, a partir de um grande empenho do secretário-geral da CNBB, d.Luciano Mendes de Almeida, mineiro como Gomes da Costa.</p>
<p>Além disso, foram obtidas 2 milhões de assinaturas de crianças em escolas. Em um período estratégico, quando o artigo 227 seria votado, o Congresso Nacional foi cercado por centenas de crianças, mobilizadas com apoio do governador do Distrito Federal, José Aparecido, outro mineiro, e do Chefe da Casa Civil, Rui de Almeida, enquanto carrinhos de supermercado recheados com as assinaturas dos pequeninos eram encaminhados aos deputados e senadores constituintes. Momento histórico da Constituinte, em que o presidente da Câmara, Ulysses Guimarães, pronunciou a célebre frase já conhecida de muitos, por razões óbvias: “Deixai vir a mim as criancinhas”.</p>
<p>A Constituinte vivia fase crítica, com a articulação do grupo denominado Centrão, que ameaçava derrubar muitos dos direitos de cidadania desejados pela sociedade brasileira. O grupo que coordenava os esforços direcionados para a conquista dos direitos da infância e juventude, e que se hospedava no Centro de Convenções Israel Pinheiro, da Inspetoria São João Bosco, dos salesianos, em Brasília, resolveu recorrer diretamente ao relator da Constituinte, deputado Bernardo Cabral (PMDB-AM).</p>
<p>Entre outros participavam do grupo o professor Antônio Carlos Gomes da Costa, que era oficial de projetos do Unicef, o educador e poeta Deodato Rivera, o jurista Antônio Fernando do Amaral e Silva e Benedito Rodrigues dos Santos, do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua.</p>
<p>O grupo foi recebido por Cabral em uma sala no subterrâneo da gráfica do Senado, onde o texto da Constituição foi de fato escrito. A ideia original era que a nova Constituição tivesse cerca de 40 artigos abordando os direitos da criança e do adolescente. O relator foi enfático:</p>
<p>__ É preciso sintetizar em um único artigo.</p>
<p>Na mesa de Cabral estava um dicionário “Aurelião”, que o relator usou como argumento para a reunião dos direitos da criança e do adolescente em um artigo:</p>
<p>__ Se incluirmos 40 artigos sobre a criança e adolescente, todos grupos sociais vão querer o mesmo e teremos uma Constituição do tamanho de um dicionário!</p>
<p>Na realidade, também existia o temor de que a distribuição dos direitos da infância e juventude por vários artigos pudesse facilitar a tarefa de setores mais conservadores, que não gostariam de ver inscritos alguns desses direitos.</p>
<p>O grupo voltou às belas e tranquilas instalações do Centro Israel Pinheiro, às margens do Lago Paranoá, com a tarefa de sintetizar as propostas em um artigo. Cada um dos cerca de 40 artigos propostos foi transformado em uma palavra. O poeta Deodato Rivera ajudou a dar o toque final, e o artigo 227, depois votado, aprovado e inscrito na Constituição de 1988, soou como uma poesia:</p>
<p>&#8220;É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.&#8221;</p>
<p>Estava aí inscrito, na lei maior do país, o direito de toda criança a receber, por parte “da família, da sociedade e do Estado”, toda proteção necessária para que ela não fosse mais vítima de “toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. Era tudo o que a criança brasileira viveu em 500 anos de história e que era cruelmente sintetizado na violência doméstica, presente até hoje em muitos lares.</p>
<p>O artigo 227 acabou sendo inscrito na nova Constituição, de 5 de outubro de 1988, após grande esforço de parlamentares como a deputada Rita Camata (PMDB-ES) e do senador Mário Covas (PMDB-SP), líder de seu partido na Constituinte. Covas foi um dos grandes responsáveis por barrar muitas das teses conservadoras defendidas pelo Centrão, sobretudo em termos dos direitos sociais.</p>
<p>Depois da promulgação da Constituição, que incorporou a Doutrina da Proteção Integral um ano antes da Convenção dos Direitos da Criança, de 1989, veio então a fase de mobilização e regulamentação do ECA, de 13 de julho de 1990, sancionado pelo presidente Fernando Collor de Mello, depois deposto do cargo. Posteriormente, foi regulamentado o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA), em constante aperfeiçoamento.</p>
<p>De forma geral, e citando o jurista Antônio Fernando do Amaral e Silva, Antônio Carlos Gomes da Costa destacou para o jornalista, em seu escritório no centro da capital mineira, que o ECA, mais do que um conjunto de direitos e deveres, é um projeto de sociedade. “Um projeto que ainda não se cumpriu”, fez questão de assinalar.</p>
<div id="attachment_3923" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/141018_039.jpg"><img class="size-large wp-image-3923" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/07/141018_039-1024x680.jpg" alt="Evento do CDI Campinas: esforço da sociedade pelos direitos da infância e juventude (Foto Martinho Caires)" width="618" height="410" /></a><p class="wp-caption-text">Evento do CDI Campinas: esforço da sociedade pelos direitos da infância e juventude (Foto Martinho Caires)</p></div>
<p><strong>Ameaças ao ECA</strong></p>
<p>É este projeto de sociedade que se encontra agora ameaçado, 25 anos depois da promulgação do Estatuto, com a redução da maioridade penal, aprovada na madrugada do dia 02 de julho, nos casos de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. Foram 323 votos favoráveis, 155 contrários e duas abstenções. A redução da maioridade penal representa um sério questionamento da Doutrina da Proteção Integral.</p>
<p>No dia anterior, o Projeto de Emenda Constitucional (PEC 171/93) de redução da maioridade penal para “casos graves” havia sido rejeitado pelo plenário da Câmara. Foram 303 votos favoráveis, cinco a menos que o necessário, 184 contrários e três abstenções. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez uma manobra para votar o tema logo no dia seguinte, mas com um texto modificado em relação ao anterior.</p>
<p>Para que a decisão do dia 02 seja mantida, a mesma posição deve ocorrer em segunda votação na Câmara e, depois, no Senado. Mas nos últimos dias foi intensificada a mobilização na sociedade civil contra a redução e um grupo de 102 deputados, de 14 partidos, entrou no dia 09 com ação no Supremo Tribunal Federal, pedindo a anulação da votação de 02 de julho.</p>
<p>Manter a redução da maioridade penal seria vetar uma luta histórica, desconsiderando o esforço de pessoas como o educador Antônio Carlos Gomes da Costa, o jurista Edson Seda, o bispo d.Luciano Mendes de Almeida, o ex-senador Mário Covas e o polonês Adam Lopakta , e também organizações como Save The Children, Unicef e OAB. Mas seria principalmente um retrocesso em relação a conquistas civilizatórias, como a Doutrina da Proteção Integral, que prevê por exemplo uma educação integral e uma cidadania integral, em todos os sentidos do desenvolvimento humano.</p>
<p><strong>Saiba mais:</strong></p>
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