<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Agência Social de Notícias &#187; Bar do Manoel &#8211; Estrela Dalva</title>
	<atom:link href="http://agenciasn.com.br/arquivos/tag/bar-do-manoel-estrela-dalva/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://agenciasn.com.br</link>
	<description>Notícias</description>
	<lastBuildDate>Thu, 23 Apr 2026 12:11:50 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=4.1.41</generator>
	<item>
		<title>Primavera de saraus em Campinas e a reinvenção da poesia</title>
		<link>http://agenciasn.com.br/arquivos/412</link>
		<comments>http://agenciasn.com.br/arquivos/412#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2014 19:20:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[José Pedro Soares Martins]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Bar do Manoel - Estrela Dalva]]></category>
		<category><![CDATA[Patativa do Assaré]]></category>
		<category><![CDATA[Sarau da Dalva]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://agenciasn.com.br/?p=412</guid>
		<description><![CDATA[Elas e eles chegam aos poucos. São artistas em geral, poetas em particular, mas também médicos, advogados, outros profissionais e estudantes, e muitos moradores locais, que vão tomando lugar nas cadeiras e mesas que compartilham o espaço com uma mesa de sinuca e cartazes anunciando os quitutes da casa: pastel feito na hora, caldo de mocotó ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Elas e eles chegam aos poucos. São artistas em geral, poetas em particular, mas também médicos, advogados, outros profissionais e estudantes, e muitos moradores locais, que vão tomando lugar nas cadeiras e mesas que compartilham o espaço com uma mesa de sinuca e cartazes anunciando os quitutes da casa: pastel feito na hora, caldo de mocotó ou de piranha, sanduíches, panquecas e vários tipos de porção e salgadinhos. O cenário está pronto. Vai começar mais uma edição do Sarau da Dalva, no Bar do Manoel &#8211; Estrela Dalva, Parque São Quirino. Não é um fato isolado. Campinas vive uma Primavera dos Saraus, com eventos em vários pontos da cidade, mas principalmente em espaços muito populares, como  bares e associações de moradores. A poesia reinventada, na moldura de uma relação muito próxima entre universitários e todo o povo. Sociedade em movimento, como a Cooperifa e outras iniciativas têm ratificado.</p>
<p><strong>&#8220;o primeiro encontro foi lindo, com-versamos,</strong><br />
<strong> entre todos e todas que quiseram</strong><br />
<strong> sobre como seria esse</strong><br />
<strong> nosso sarau&#8221; (Rafa Carvalho)</strong></p>
<p>O sarau é um projeto de Rafael &#8220;Rafa&#8221; Manfrinatto de Carvalho, formado em Educação Física mas há muitos anos trabalhando com arte: circo, teatro, poesia. O Seo Manoel, dono do bar, é o seu pai, baiano e também apaixonado por poesia. A Dalva é a Dona Dalva, avó de Rafa. A ideia foi germinando, enquanto rodou o mundo: Japão, Dinamarca e outros países da Europa. Ele estava em Madri no famoso 15 de maio de 2011, data da manifestação dos &#8220;indignados&#8221; espanhóis na Puerta del Sol, uma das respostas europeias à Primavera Árabe, ante-sala dos movimentos de junho de 2013 no Brasil. Algo no ar e, na volta ao Brasil, a determinação de promover a cultura, as artes, onde o povo está.</p>
<p>&#8220;Começamos com rodas de samba, no terceiro sábado do mês&#8221;, conta Rafa. A Roda de Samba do Maneco pegou. Quando sentiu que o terreno estava fértil, o primeiro sarau, em 13 de junho, uma linda sexta-feira de lua brilhante, inspiradora. O bar ficou cheio, as pessoas se revezando no microfone aberto, democrático, para quem quisesse se expressar. O modelo foi mantido nas edições seguintes, que apenas mudaram de dia: o sarau passou a ser na segunda quarta-feira de cada mês. No primeiro sarau, lançamento de dois livros de poesia e inauguração da Estreloteca, a biblioteca do Bar do Manoel &#8211; Estrela Dalva. O acervo fica em uma geladeira desativada. No lugar da cerveja, livros em vários estilos. &#8220;A ideia é que o bar seja realmente um centro cultural para a comunidade&#8221;, explica o idealizador.</p>
<p><strong>&#8220;de uma comunidade simples,</strong><br />
<strong> bem tudojuntomisturada, como é a gente aqui,</strong><br />
<strong>nesse país, ou, pelo menos, como</strong><br />
<strong> a gente poderia ser&#8230;&#8221; (Rafa Carvalho)</strong></p>
<p>Este o grande propósito do sarau e das outras ações, diz Rafa Carvalho: contribuir com a ampliação do horizonte cultural da comunidade e, em especial, dar voz a ela, incentivá-la a expressar os seus saberes, a sua visão de mundo, a sua poesia. O bar fica bem próximo da Rua Moscou, que já foi muito estigmatizada por episódios de violência. Em função de um projeto habitacional, a maior parte dos moradores da Moscou foi transferida para conjuntos populares. A rua, ao lado do ribeirão Anhumas, foi reurbanizada.</p>
<p>O encontro, a partilha, a comunhão de afetos. O espírito do sarau, que vai subindo de tom e em animação. Lorca, Fernando Pessoa, Drummond, Manoel de Barros vão se alternando, na voz de poetas e dos frequentadores em geral. Livros de Leminski, Neruda e Manoel Bandeira vão circulando pelas mesas. O poeta Guga Cacilhas se esmerou, citou poemas seus e um da norteamericana Elisabeth Bishop. Guga também trabalha com circo e é co-promotor com Ana Salvagni do &#8220;Asa da Palavra&#8221;, um sarau em Barão Geraldo, o distrito universitário efervescente pela presença dos estudantes da Unicamp e PUC-Campinas. &#8220;É um encontro de diferentes realidades, daí nasce o novo&#8221;, diz Guga, que também cita os saraus promovidos pelo Instituto Sócio Cultural Voz Ativa.</p>
<p><strong>&#8220;muita gente partilhando poemas, canções,</strong><br />
<strong> cirandas e outras com-vivências&#8230;</strong><br />
<strong> uma eternidade só,</strong><br />
<strong> muito axé!&#8221; (Rafa Carvalho)</strong></p>
<div id="attachment_432" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2014/09/sarau-da-dalva-divulgação.jpg"><img class="size-full wp-image-432" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2014/09/sarau-da-dalva-divulgação.jpg" alt="Diversidade e riqueza cultural brasileira, no Sarau da Dalva (Foto Divulgação)" width="960" height="639" /></a><p class="wp-caption-text">Diversidade e riqueza cultural brasileira, no Sarau da Dalva (Foto Divulgação)</p></div>
<p>A médica Carina Almeida Barjud acabava de chegar de uma jornada extenuante mas estava muito animada ao recitar um dos poemas da noite. Com trabalho na área da atenção básica à saúde e medicina da família, tem contato direto com várias comunidades da periferia de Campinas e exalta a proliferação de saraus, no Jardim São Marcos, no Parque Oziel, entre outros bairros populares. Para ela, a essência desses eventos é a oportunidade para que as pessoas façam, não apenas ouçam, consumam. &#8220;É um movimento que já existia antes de junho de 2013, e que é cada vez mais forte&#8221;, constata.</p>
<p>Carina ressalta a &#8220;liberdade artística, de criação&#8221;, desses saraus e outros momentos que apontam para novas formas de expressão, refletindo a diversidade racial e cultural do país. A médica entende que é fundamental o fortalecimento da perspectiva da inclusão, do acolhimento aos diversos estilos, e não da exclusão.</p>
<p>Posição semelhante é compartilhada por Letícia Benevides, artista de circo, ex-moradora no Parque São Quirino. &#8220;Isso é lindo, é a força da poesia, da literatura&#8221;, diz ela, os olhos brilhando.</p>
<p>O sarau continua e chega em um momento especial. O pai de Rafa,  o próprio Manoel, é convocado e aceita imediatamente o convite. A palavra está com ele, que faz uma senhora homenagem ao Nordeste, à cultura brasileira, recitando um poema de Patativa de Assaré (nascido Antônio Gonçalves da Silva, 1909-2002), &#8220;Triste Partida&#8221;, que diz, entre outras coisas:</p>
<p><strong>&#8220;Em um caminhão </strong><br />
<strong> Ele joga a famia </strong><br />
<strong> Chegou o triste dia </strong><br />
<strong> Já vai viajar </strong><br />
<strong> Meu Deus, meu Deus </strong><br />
<strong> A seca terrível </strong><br />
<strong> Que tudo devora </strong><br />
<strong> Lhe bota pra fora </strong><br />
<strong> Da terra natá </strong><br />
<strong> Ai, ai, ai, ai&#8221;</strong></p>
<p>Agora a seca está do lado de cá, no Sul Maravilha, mas o Sarau da Dalva confirma que, onde há poesia, há esperança. (<strong>Por José Pedro S.Martins</strong>)</p>
<div id="attachment_431" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2014/09/sarau-da-dalva-2-foto-lucas-amaral.jpg"><img class="size-large wp-image-431" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2014/09/sarau-da-dalva-2-foto-lucas-amaral-1024x683.jpg" alt="Seo Manoel e Rafa: poesia no sangue (Foto Lucas Amaral)" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Seo Manoel e Rafa: poesia no sangue (Foto Lucas Amaral)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://agenciasn.com.br/arquivos/412/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
