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	<title>Agência Social de Notícias &#187; História do ambientalismo</title>
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		<title>Ecofeminismo: uma nova visão da vida e do mundo para o complexo e conturbado século 21</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2015 01:59:41 +0000</pubDate>
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			<strong>Páginas da história ambiental &#8211; XI</strong>
			</div></div>
<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>O feminismo vem sendo remodelado no século 21 com novas ideias, novas vertentes e abordagens. Pois o ecofeminismo também continua sendo reinventado, sempre como uma das mais ousadas e libertárias propostas para uma nova visão da vida e do mundo na turbulência e complexidade da sociedade contemporânea.</p>
<p>Em 1974, na esteira da contestação radical dos valores do capitalismo, aberta por episódios como o Maio de 68 francês, Françoise D´Eaubonne lançou na França uma das obras fundamentais para o feminismo contemporâneo: <em>O Feminismo ou a Morte</em>. No livro, D´Eaubonne praticamente cunhou a palavra ecofeminismo, para codificar as semelhanças que apontava entre o movimento ecológico e o movimento feminista.</p>
<p>A emergência do ecofeminismo foi mais uma demonstração de como todos os valores sociais, políticos e culturais foram questionados nos anos 60 e parte dos 70, em estreita sintonia com a crítica dos rumos insustentáveis do modelo de desenvolvimento da sociedade industrial.</p>
<p>Pois o ecofeminismo assume uma dimensão particularmente importante no início do século 21, quando a reflexão sobre uma nova sociedade abraça necessariamente novos paradigmas, na medida em que a crise capitalista continua deixando suas marcas e o pensamento socialista ainda se ressente do abalo derivado da queda do Muro de Berlim, de fatos que se sucederam no Leste Europeu e de uma autocrítica em relação a sua posição frente à crise ambiental planetária.</p>
<p><strong>Quatro princípios</strong> &#8211; Em artigo publicado originalmente na revista “Mulheres e Meio Ambiente”, Katherine Davies, diretora do Escritório de Proteção Ambiental de Toronto, no Canadá, recuperou, em 1988, o sentido do ecofeminismo, sob os influxos da emergência do movimento ecológico mundial. Observava Katherine que o ecofeminismo está baseado em quatro princípios: holismo, interdependência, igualdade e processo.</p>
<p>O ecofeminismo assume uma visão holística da vida, o que pressupõe a interação dos múltiplos ciclos vitais e ecossistemas existentes no planeta. Consequentemente, para o ecofeminismo, todas as espécies, animais, vegetais, minerais, microbiológicas, estão vivendo um freqüente processo de interação – um depende do outro, a crise em alguma parte incide sobre o funcionamento perfeito do todo.</p>
<p>O terceiro princípio do ecofeminismo, o de encarar a vida como processo, subverte a concepção tecnoindustrial do futuro como tempo ideal. A vida, para o ecofeminismo, é um fluir constante, ininterrupto. Mas ela deve ser vivida agora, seus prazeres e – por que não – suas crises não podem ser adiados em função das promessas de um futuro radioso que pode não acontecer.</p>
<p>A visão de vida como processo não implica, porém, que a luta utópica, o desejar um mundo melhor – um mundo mulher – é uma atitude despida de sentido. Para o ecofeminismo, o que acontece é que nem sempre os fins justificam os meios – em nome de um futuro radioso, pode-se cometer os maiores crimes agora, seja na direita ou na esquerda?</p>
<p>Outra característica da visão processual do ecofeminismo é que o ser humano, e a vida toda, estão sempre em construção. Não existe nada acabado, nem mesmo a natureza, que se desenvolve ao longo de milhares de anos. Esse é um dos motivos, aliás, que justificam a preservação da biodiversidade, construída e reconstruída por várias gerações, constituindo uma biblioteca viva do rico patrimônio biológico que os seres humanos herdaram e com relação ao qual têm o dever ético de cuidar com ternura e reverência.</p>
<div id="attachment_3666" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/06/Arquivo-geral-fotos-1715.jpg"><img class="size-large wp-image-3666" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/06/Arquivo-geral-fotos-1715-1024x768.jpg" alt="A vida em processo, em construção: outro pilar do ecofeminismo " width="618" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">A vida em processo, em construção: outro pilar do ecofeminismo</p></div>
<p>Clara Gallini, uma das principais teóricas do novo feminismo italiano, assim define a plataforma do movimento, como um resumo do que seria o ecofeminismo, essa alternativa à guerra e à barbárie do início do século 21:</p>
<p>“Queremos viver como mulheres uma experiência totalizante: buscar uma vida na qual a pessoa deixe de ser fragmentada e atomizada – o ser racional de um lado, o ser emotivo de outro – e deixe de falar linguagens diversas, uma para o trabalho, outra para a família, outra para a escola, outra para o casal. Recuperar uma certa unidade. Recuperar uma totalidade de pessoa também através de uma totalidade da linguagem. E recuperá-la através de uma experiência solidária, como terreno de identidade: eu sou tanto mais ou mesma quanto mais reconheço que o meu destino passa através do destino dos outros” (em artigo no livro “Le Altre”, organizado por Rossana Rossanda, Ed.Bompiani, Milão, 1979).</p>
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		<title>É possível &#8220;salvar a Terra nos limites do capitalismo?&#8221;: pergunta pós-Estocolmo em 1972</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2015 20:07:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Martins É possível &#8220;salvar a Terra nos limites do capitalismo?&#8221; Esta foi uma das perguntas dos debates que seguiram à publicação do relatório &#8220;Os Limites do Crescimento&#8221;, do Clube de Roma, e à Conferência de Estocolmo, de 1972. São questões ainda muito atuais no debate ambientalista global, e que vão marcar por ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class="box  shadow"><div class="box-inner-block"><i class="tieicon-boxicon"></i>
			<strong>Páginas da história ambiental &#8211; X</strong>
			</div></div>
<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>É possível &#8220;salvar a Terra nos limites do capitalismo?&#8221; Esta foi uma das perguntas dos debates que seguiram à publicação do relatório &#8220;Os Limites do Crescimento&#8221;, do Clube de Roma, e à Conferência de Estocolmo, de 1972. São questões ainda muito atuais no debate ambientalista global, e que vão marcar por exemplo a Conferência de Paris em dezembro de 2015 sobre as Mudanças Climáticas.</p>
<p>A publicação de “Os Limites do Crescimento” e as conclusões da Conferência de Estocolmo provocaram, efetivamente, importante controvérsia na comunidade internacional, em função das várias questões levantadas, entre elas a da finitude dos recursos naturais e sobre quais caminhos a adotar. Vários debates importantes se seguiram aos dois eventos e um deles, ainda a  13 de junho de 1972, foi promovido em Paris, pelo Clube do “Le Nouvel Observateur”, com a participação de Edgar Morin, Edmond Maire, Edward Goldsmith, Herbert Marcuse, Michel Bosquet, Philippe Saint-Marc e Sicco Mansholt. O tema: “Ecologia e Revolução”. A elite do pensamento ambientalista, cientítico e corporativo, discutindo um tema crucial. O conteúdo do debate é um importante termômetro para avaliar como estava a temperatura planetária em termos da discussão dos temas em questão.</p>
<p>No debate, Sicco Mansholt assinalou como o grande desafio era encontrar formas de aproximar Primeiro do Terceiro Mundo. Ele criticou o diretor-geral da FAO, que em Estocolmo assinalou que “o homem não podia deixar de utilizar pesticidas e inseticidas”, considerando a necessidade de aumentar a produção de alimentos para uma população em constante crescimento. Mansholt se perguntou, então, “para onde vamos se continuarmos a lançar nos rios e nos mares quantidades cada vez maiores desses produtos”.</p>
<p>Edmond Maire, secretário-geral da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), que reunia em sua maioria os trabalhadores cristãos, destacou como a instituição já se preocupava com a questão do consumismo da sociedade industrial, mesmo antes da divulgação de “Limites do Crescimento” e da carta de Sicco Mansholt a Franco Maria Malfati. O sindicalista notou que a pouca adesão às críticas à sociedade consumista devia-se ao condicionamento cultural do indivíduo, o que na sua opinião não seria atingido com o endeusamento da natureza. “A abordagem ecológica deve situar-se num conjunto e não se centrar num ruralismo mítico ou num utópico regresso à natureza”, sustentou Maire, para quem a participação da população – totalmente consciente e esclarecida com uma informação permanente – nas decisões sobre o seu futuro era essencial.</p>
<div id="attachment_3438" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/05/CentroAereaPredio_0014.jpg"><img class="size-large wp-image-3438" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/05/CentroAereaPredio_0014-1024x683.jpg" alt="Metropolização (como em Campinas) cada vez maior no mundo: quais, então, os limites do crescimento?" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Metropolização (como em Campinas) cada vez maior no mundo: quais, então, os limites do crescimento?</p></div>
<p>Michel Bosquet, redator do “Le Nouvel Observateur”, depois de fazer uma brincadeira com Sicco Mansholt (“nunca devemos desesperar completamente  de um velho social-democrata”), disse que a ecologia, “pelos parâmetros novos que ela introduz no cálculo econômico, é, virtualmente, uma disciplina essencialmente anticapitalista e subversiva”. O jornalista comentou então alguns desses novos parâmetros, relacionados aos conceitos caros à chamada Economia Ecológica, muito em voga na transição dos séculos 20 e 21: “Enquanto o único ´otimo` conhecido da contabilidade capitalista é o aumento do capital, o lucro, a ecologia introduz parâmetros extrínsecos: a administração ótima dos recursos naturais do ambiente, dos equilíbrios biológicos; a procura do máximo de durabilidade, de valor de uso, e já não de valor de troca; a satisfação e o desenvolvimento ótimo dos homens no seu trabalho e fora dele, e já não o rendimento e a produtividade máxima do trabalho do ponto de vista do capital”.</p>
<p><strong>Tecnologia dá conta</strong>? &#8211; O ambientalista britânico Edward Goldsmith interveio no debate, sustentando que não existiria, na sua opinião, “solução tecnológica para os problemas criados pelo desenvolvimento econômico”. Questionou em seguida o organismo mundial discutido em Estocolmo, batizado de “Earthwatch”, que teria o objetivo de “verificar globalmente o nível de todos os poluidores”. Esse mecanismo seria na sua opinião inviável, por ser impossível verificar os impactos combinados das milhares de substâncias poluentes existentes.</p>
<p>Goldsmith comentou em seguida que a sociedade industrial foi “a única que fixou a noção de progresso como objetivo. Ela é apenas uma em vários milhares estudadas e descritas pelos etnólogos. Existe apenas há cento e cinquenta anos, enquanto o homem existe na terra há pelo menos um milhão de anos: o equivalente a dois dias na vida de um homem de 50 anos. Ora, todas as sociedades viáveis que conhecemos se opunham a qualquer desvio perigoso”, disse, contestando o conceito de pobreza, que seria “muito mais que a privação de bens materiais. É um estado de espírito – um estado de desmoralização que as condições urbanas criadas pelo desenvolvimento não podem senão agravar. Ivan Illitch escreveu: ´A industrialização não elimina a pobreza, moderniza-a`. Acontece o mesmo com o desemprego”.</p>
<p>Goldsmith pregou então uma “mudança radical de orientação da nossa sociedade. Teremos sem dúvida de desenvolver uma sociedade descentralizada, organizada em comunidades muito mais pequenas, capazes de dirigirem a si próprias e possuidoras, portanto, da condição principal da estabilidade. Essa descentralização permitirá também reduzir ao mínimo a pressão da população sobre o ambiente. Por outro lado, é provável que tais sociedades possam satisfazer-se com um consumo de recursos e de energia sensivelmente inferiores, o que reduziria igualmente a criação de poluidores”.</p>
<p>O sociólogo Edgar Morin – que depois cunharia a expressão Sociedade Complexa, para caracterizar o caráter multidimensional do conhecimetno necessário para o século 21 – participou do debate comentando inicialmente que a consciência ecológica é a consciência da dependência do ser humano dos ecossistemas, que estão sendo destruídos pela lógica da civilização industrial. O que está em xeque então é a própria civilização ocidental baseada, a seu ver, em três princípios organizadores, “que se tornam atualmente os princípios da sua ruína: a separação cartesiana do homem-sujeito num universo de objetos a manipular (funamento do humanismo moderno); a ciência concebida como conhecimento objetivo que não se preocupa nem com o seu sentido nem com o seu fim, e que, por isso mesmo, se torna no instrumento dos poderes e das potências; por último, a concepção burguesa, e depois marxista, do homem conquistador da natureza, que acaba por se tornar no Gengiscão dos subúrbios solares”.</p>
<div id="attachment_2472" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/MataReserva_0001xxxxx.jpg"><img class="size-large wp-image-2472" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/MataReserva_0001xxxxx-1024x575.jpg" alt="Como socializar - e não privatizar - a natureza?" width="618" height="347" /></a><p class="wp-caption-text">Como socializar &#8211; e não privatizar &#8211; a natureza?</p></div>
<p>O ecologista francês Philippe Saint-Marc defendeu por sua vez que, na sua opinião, “o único meio de proteger a natureza está em socializá-la”. E mais: “É preciso libertar as cidades da ditadura dos engenheiros e, para que elas se tornem vivas, é preciso reintroduzir nelas a poesia. Mas para mudar este sistema nefasto de desenvolvimento é preciso atacar as forças econômicas, técnicas e políticas que dele beneficiam. É um problema político que reclama um combate e um debate democrático pela conquista do poder”.</p>
<p>A participação talvez mais esperada no debate foi a do filósofo alemão Herbert Marcuse. Observou inicialmente que a oposição à Guerra do Vietnã, então em curso nos EUA, era um dos aspectos da rebelião planetária, em sintonia com a questão ecológica. “A guerra, genocídio contra o povo, é também ´terricídio` na medida em que ataca as fontes e recursos da própria vida. Não basta acabar com os homens vivos: é preciso proibir também a existência àqueles que ainda não nasceram, queimando e envenenando a terra, desfolhando as florestas, fazendo saltar os diques”, disse.</p>
<p><strong>Genocídio e terricídio</strong> &#8211;  Para Marcuse, “o genocídio e o terricídio na Indochina constituem a resposta capitalista ao esforço ecológico revolucionário de libertação: as bombas visam impedir a reabilitação econômica e social da terra empreendida pelo povo do Vietnã do Norte. Mas, num sentido mais lato, o capitalismo de monopólio embrenhou-se numa guerra contra a natureza, tanto a natureza do homem como a natureza exterior”.</p>
<p>Na sua opinião, não existe possibilidade de “salvar a Terra no quadro do capitalismo”, e defendeu que “a luta por uma extensão do mundo da beleza, da não-violência, da calma, é uma luta política. A insistência nesses valores, na restauração da Terra como ambiente humano, não é só uma idéia romântica, estética, poética que apenas diga respeito aos privilegiados: hoje, é uma questão de sobrevivência”. (In “Ecologia contra poluição”, Novos Cadernos D.Quixote, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1973)</p>
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		<title>PNUMA, Ecodesenvolvimento e Sachs: no espírito de Estocolmo</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2015 19:26:51 +0000</pubDate>
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			<strong>Páginas da história ambiental &#8211; IX</strong>
			</div></div>
<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>A Conferência de Estocolmo, de 1972, a primeira das Nações Unidas sobre meio ambiente, representa um marco histórico. E o evento  teve um importante resultado: sob o impulso positivo da Conferência, foi criado no final de 1972, pela Assembleia da ONU, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e o primeiro diretor-executivo nomeado foi Maurice Strong &#8211; que seria, duas décadas depois, o motor da Eco-92. A sede do PNUMA foi instalada em Nairobi, Quênia – foi o primeiro órgão de alto nível das Nações Unidas sediado em país africano.</p>
<p>Logo na primeira reunião do Conselho Administrativo do PNUMA, em Genebra, em junho de 1973, Strong abriu a discussão sobre o que seria um “ecodesenvolvimento”, questão muito discutida, entre outros, por Ignacy Sachs, economista polonês nascido em 1927, naturalizado francês, que viveu 14 anos no Brasil e tem uma trajetória intelectual crítica dos rumos do desenvolvimento insustentável. Foi conselheiro especial da Eco-92.</p>
<p>Para Sachs (SACHS, I. “<strong>Ecodesenvolvimento</strong>: crescer sem destruir”. São Paulo: Vértice, 1986, <em>Apud</em> comentários de Pedro Celso Campos, in “Meio ambiente: a sustentabilidade passa pela educação (em todos os níveis, inclusive pela mídia)”, Revista Em Questão, V.12, N2., p.387-419, jun-dez 2006, Porto Alegre), o Ecodesenvolvimento estaria baseado em oito diretivas principais:</p>
<p>1. Cada <strong>ecorregião</strong> deve ter condição de satisfazer, de forma autônoma, as necessidades de seus moradores, não repetindo o estilo de vida consumista.</p>
<p>2. Cada ser humano deve ter condições de promover a sua<strong> realização, </strong>em termos de emprego, segurança e valorização da diversidade cultural.</p>
<p>3. Utilização dos recursos naturais no presente, tendo em vista a <strong>solidariedade</strong> com as futuras gerações. A dimensão ética está presente.</p>
<p>4. A <strong>organização</strong> do processo produtivo pode mitigar os impactos negativos das ações humanas.</p>
<p><strong>5. Uso racional</strong> de recursos naturais, de <strong>energias alternativas</strong>, considerando as peculiaridades de cada ecorregião.</p>
<p>6. Uso de tecnologia apropriada, a <strong>ecotécnica</strong>, para promover o ecodesenvolvimento.</p>
<p>7.Participação comunitária na decisão sobre o uso dos recursos, o que implica na constituição de uma “autoridade horizontal capaz de superar os particularismos setoriais” (<em>Apud </em>Pedro Celso Campos, op.cit)</p>
<p>8. Uma <strong>nova educação</strong>, formal e não-formal, é fundamental para capacitar e sensibilizar as pessoas para praticar o ecodesenvolvimento.</p>
<p>Por problemas operacionais e orçamentários, o PNUMA enfrentou razoáveis dificuldades nos primeiros anos de funcionamento. Mas depois efetivamente se tornou mais uma referência importante, no cenário institucional internacional, nos esforços pelo desenvolvimento sustentável.</p>
<p>Do lado da sociedade civil, pelo menos dois outros nomes se destacaram no âmbito da Conferência de Estocolmo. Um deles foi o biólogo norteamericano <strong>Paul R Ehrlich,  p</strong>rofessor na Universidade de Stanford (Califórnia), autor de livros como The Population Bomb, Eco-Catastrophe, Population, Resources, Environment (este de colaboração com Anne Ehrlich, sua mulher, que é assistente de Biologia na mesma instituição) e How to be a Survivor (co-autoria com Richard L.Harriman).</p>
<p>Outro nome controvertido foi o do ambientalista britânico Edward Gold<strong>smith, que d</strong>urante a Conferência editou, em parceria com “Amigos da Terra”, jornal diário para os participantes. Foi um dos idealizadores do “The Environmental Forum” e fundador de “The Ecologist”, uma das mais importantes publicações sobre questões ambientais e sociais da história.</p>
<p>Foram múltiplos, enfim, os frutos de Estocolmo-72. E grande parte das questões abordadas na Conferência de 1972 continua sendo discutida e sem solução. Tarefa coletiva e civilizatória.</p>
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		<title>Princípios da Conferência de Estocolmo continuam válidos 43 anos depois</title>
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		<pubDate>Thu, 28 May 2015 20:06:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Páginas da história ambiental &#8211; VIII [/box] Por José Pedro Martins  A publicação de “Dilemas do Crescimento”, pelo Clube de Roma, e a polêmica que se seguiu forneceram combustível adicional para a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, Suécia, entre 5 e 16 de junho de 1972. Vários esforços ...]]></description>
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			</div></div>
<p><strong>Páginas da história ambiental &#8211; VIII</strong></p>
<p><strong>[</strong>/box]
<p><strong>Por José Pedro Martins </strong></p>
<p>A publicação de “Dilemas do Crescimento”, pelo Clube de Roma, e a polêmica que se seguiu forneceram combustível adicional para a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, Suécia, entre 5 e 16 de junho de 1972.</p>
<p>Vários esforços internacionais já vinham sendo feitos, ao longo da década de 1960, para consolidar articulação mais consistente em defesa dos recursos naturais. O ambiente da Guerra Fria, sedimentado com a construção do Muro de Berlim em 1961, dificultava os esforços globais pela proteção dos recursos naturais. A prioridade, para muitos governos, era o “combate ao comunismo”.</p>
<p>Divergentes em política, irmãos na forma de explorar os recursos naturais. O chamado socialismo real no Leste Europeu seguiu os mesmos paradigmas da sociedade industrial. A prioridade sempre foi a produção.</p>
<p>Apesar do cenário não muito favorável em termos políticos, a Grande Recusa dos anos 60 facilitou a emergência de nova mentalidade, repercutindo em importantes acordos. Em 1964 foi lançado o Programa Biologico Internacional. O mesmo com o Decênio Internacional da Hidrologia, de 1965.</p>
<p>1966 foi ano crucial, pela publicação das primeiras imagens da Terra olhada do espaço. A humanidade tinha a noção exata de como “todos estão no mesmo barco”. A Terra é nave viajando pelo espaço. Nave que leva a humanidade&#8230; ao encontro de si mesma. Se algo acontecesse com essa nave, todos – humanos e outros animais, vegetais, recursos naturais – sofreriam.</p>
<p>Ainda em 1966 foi editada a Convenção Internacional para Conservação do Atum do Atlântico. No ano seguinte, a Organização Meteorológica Mundial lançou a Vigilância Meteorológica Mundial.</p>
<p>Em pleno Maio de 1968, em que a juventude sacudiu os pilares do poder em todas suas dimensões, a Assembléia Geral da ONU aprovou a Resolução 2398, prevendo a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano, em Estocolmo, em junho de 1972.</p>
<p>Em 1969 nasceu a organização Amigos da Terra, depois foi aprovada a Convenção de Ramsar de Áreas Úmidas (2 de fevereiro de 1971, entrando em vigor em 21 de dezembro de 1972) e a Unesco lançou o programa O Homem e a Biosfera, outro marco capital na trajetória da idéia de sustentabilidade. Estava amadurecido o ambiente para a Conferência de Estocolmo, de resultados importantes para a idéia da Cultura de Sustentabilidade.</p>
<p><strong>Impactos da Guerra Fria</strong> &#8211;  A Guerra Fria impactou Estocolmo. A União Soviética e demais países do Leste Europeu boicotaram a Conferência, em protesto contra a exclusão da representação da Alemanha Oriental. Mas participaram representantes de 113 Estados nacionais, na maior conferência até então realizada pelas Nações Unidas, realizada sob o lema Uma Só Terra (Only One Earth).</p>
<p>Grandes resoluções não foram tomadas, pelas barreiras da Guerra Fria e o temor dos países do Sul, no sentido de que o Norte estimulasse medidas que levassem ao atraso no seu desenvolvimento. Era um temor que “Dilemas do Crescimento” também havia suscitado. Mas a habilidade do grande condutor da Conferência Estocolmo, o canadense Maurice Strong, impediu que houvesse um fracasso. Muitos acordos foram negociados previamente.</p>
<p>Ligado ao setor energético, com vínculos estreitos com grandes corporações e trânsito fácil nos bastidores das Nações Unidas, Maurice Strong, nascido em 1929, em Oak Lake, Manitoba, Canadá, permaneceria durante décadas como espécie de “eminência parda” nas negociações de alto nível sobre meio ambiente. Foi de novo secretário-geral da Eco-92.</p>
<p>Para muitos autores, inclusive, a Conferência de Estocolmo foi inclusive mais avançada, em algumas aspectos, do que as Conferências posteriores, de 1982, em Nairobi, Quênia, e de 1992 no Rio de Janeiro. Muitos dos 26 Princípios do documento final do encontro, a Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente, são considerados mais incisivos do que aqueles aprovados em conferências posteriores. Uma síntese dos 26 Princípios, na versão de Miguel Grinberg (em “Ecofalacias”, Galerna, Buenos Aires, 1999. p.34-35):</p>
<p>&nbsp;</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td width="599">1.      Afirma os direitos humanos, condena o <em>Apartheid</em> (que ainda vigorava na África do Sul) e o colonialismo.2.      Os recursos naturais devem ser protegidos.</p>
<p>3.      A capacidade da Terra para produzir recursos naturais deve ser mantida.</p>
<p>4.      A vida silvestre deve ser protegida.</p>
<p>5.      Os recursos não-renováveis não devem ser esgotados.</p>
<p>6.      A contaminação não deve exceder a capacidade do meio ambiente para se auto-regenerar.</p>
<p>7.      Deve ser prevenida a poluição que afeta os oceanos.</p>
<p>8.      O desenvolvimento deve ajudar a melhorar o meio ambiente.</p>
<p>9.      Os países em desenvolvimento necessitam assistência.</p>
<p>10.  Para encaminhar a gestão ambiental, os países em desenvolvimento necessitam preços razoáveis por suas exportações.</p>
<p>11.  A política ambiental não deve dificultar o desenvolvimento.</p>
<p>12.  Para encaminhar as salvaguardas ambientais, os países em desenvolvimento necessitam recursos financeiros.</p>
<p>13.  É necessário um planejamento integrado para o desenvolvimento.</p>
<p>14.  O planejamento racional deve resolver os conflitos entre meio ambiente e desenvolvimento.</p>
<p>15.  Para eliminar os problemas ambientais, devem ser planificados os assentamentos humanos.</p>
<p>16.  Os governos devem planejar suas próprias políticas populacionais adequadas.</p>
<p>17.  O desenvolvimento dos recursos naturais dos Estados deve ser planejado por instituições nacionais.</p>
<p>18.  A ciência e a tecnologia devem ser usadas para melhorar o meio ambiente.</p>
<p>19.  A educação ambiental é essencial.</p>
<p>20.  A pesquisa ambiental deve ser promovida, particularmente nos países em desenvolvimento.</p>
<p>21.  Os Estados devem explorar seus recursos como desejam, mas sem colocar em risco os recursos dos demais.</p>
<p>22.  Os Estados assim lesionados são passíveis de compensação.</p>
<p>23.  Cada nação deve estabelecer seus próprios parâmetros.</p>
<p>24.  Deve existir cooperação em questões internacionais.</p>
<p>25.  Os organismos internacionais devem ajudar a melhorar o meio ambiente.</p>
<p>26.   Devem ser eliminados os armamentos de destruição  em massa.</p>
<p>&nbsp;</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quase todos esses Princípios continuam válidos 43 anos depois. A Conferência aprovou ainda 109 Recomendações que, como os Princípios, acabaram se tornando apenas boas intenções. Mas Estocolmo teve um grande resultado: sob o impulso positivo do evento, foi criado no final de 1972, pela Assembléia da ONU, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e o primeiro diretor-executivo nomeado foi o próprio Maurice Strong. A sede do PNUMA foi instalada em Nairobi, Quênia – foi o primeiro órgão de alto nível das Nações Unidas sediado em país africano.</p>
<p>Impossível esquecer que o governo militar brasileiro fez um grande papelão em Estocolmo. Contra a corrente mundial, o governo incentivou uma campanha publicitária afirmando que a poluição era &#8220;bem vinda&#8221; ao Brasil. Por outro lado, diplomatas brasileiros que participaram da Conferência tiveram papel importante, contribuindo para a construção do princípio das &#8220;responsabilidades comuns, mas diferenciadas&#8221;. Por este princípio, todos têm responsabilidade pelos destinos do planeta, mas alguns país têm mais responsabilidade ainda. São os países historicamente mais poluidores. Este princípio vem sendo constantemente bombardeado nas últimas conferências ambientais das Nações Unidas, pelos Estados Unidos e alguns de seus aliados.</p>
<p>Será que a mentalidade governamental desenvolvimentista, que os militares defendiam naquela época, mudou depois de quatro décadas?</p>
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		<title>Década de 1960 da contracultura marca emergência do ecologismo</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Apr 2015 17:43:24 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
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			<strong>Páginas da história ambiental &#8211; VI</strong>
			</div></div>
<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>A década de 1960 foi denominada por Herbert Marcuse (1898-1979) como o do momento da “Grande Recusa”. Foi o período em que todos os fundamentos da sociedade industrial ocidental, que tinha se tornado hegemônica pós-Segunda Guerra Mundial, foram colocados em xeque. Dos partidos políticos tradicionais ao machismo igualmente tradicional, do estilo de vida consumista ao militarismo (sintetizado na Guerra do Vietnã), todos os pilares do modelo de desenvolvimento, tal como vinha sendo implementado, foram criticados, nas Universidades, organizações sociais e políticas e até na própria Igreja Católica – a Teologia da Libertação teve grande impulso após a Conferência de Medellín, do episcopado latinoamericano, em 1968. E a década de 1960 foi a da emergência do movimento ecológico ou ambientalista mundial.</p>
<p>Em termos de referência para a Cultura da Sustentabilidade, 1962 é um ano-chave, pela publicação de dois livros essenciais, “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, e “Nosso Entorno Sintético”, de Murray Bookchin. Especialista em zoologia e natural de Springdale, Pensilvania, Carson (1907-1964) fez várias pesquisas sobre os impactos do DDT no meio ambiente e na saúde humana, através de seu fluxo pela cadeia alimentar.</p>
<p>Demorou anos até Carson publicar suas observações, pois o DDT era então considerado inquiestonável. Mas uma mortandade de pássaros em Cape Cod, resultante de uma pulverização com DDT, a motivou a intensificar pesquisas e publicar um livro, afinal lançado em 1962. No capítulo “Uma fábula para amanhã”, a visão de Carson, de uma sociedade sem vida, se continuasse o uso indiscriminado do DDT, provocou grande polêmica na sociedade norteamericana e em todo mundo.</p>
<p>A partir de “Primavera Silenciosa”, o planeta passou a considerar, com mais atenção, os efeitos ambientais e sanitários do uso intensivo de certos produtos químicos, resultantes de certos usos da ciência e tecnologia para certos fins. A cada dez anos, depois de 1962, o ano do livro, seria realizada uma grande conferência global sobre meio ambiente. Coincidência ou não, não deixa de ser bela homenagem a Carson e Bookchin.</p>
<p>Também data de 1962 o livro “Nosso Entorno Sintético”, de Murray Bookchin (1921-2006), um dos líderes da Ecologia Social. Transitou do marxismo e trotskismo ao anarquismo, sendo grande defensor do municipalismo libertário. Outros livros importantes desse grande intelectual norteamericano: “Energia, Ecotecnologia e Ecologia” (1975), “Ecologia da Liberdade” (1982), “Sociobiologia ou Ecologia Social?” (1983) e “Ecologia Profunda &amp; Anarquismo: uma polêmica” (1993). Em “Nosso Entorno Sintético”, publicado antes de “Primavera Silenciosa”, abordou os impactos na saúde humana – incluindo o câncer – derivados do uso inadequado de pesticidas,  raios-x e aditivos químicos alimentares.</p>
<div id="attachment_3228" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/04/Borbo6.jpg"><img class="size-large wp-image-3228" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/04/Borbo6-1024x768.jpg" alt="Desaparecimento das aves chamou a atenção de Rachel Carson em 1962: hoje as borboletas são  bioindicadores da crise ecológica global (Foto José Pedro Martins) " width="618" height="464" /></a><p class="wp-caption-text">Desaparecimento das aves chamou a atenção de Rachel Carson em 1962: hoje as borboletas são bioindicadores da crise ecológica global (Foto José Pedro Martins)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O período de 1967 a 1972 foi especialmente rico, em publicações a respeito de questões sociais, ambientais e culturais. Em todo planeta, em todos hemisférios e continentes. Estudos científicos, como os “Dilemas da Humanidade”, estimulado pelo Clube de Roma, organização empresarial dedicada a pensar o futuro, e a Conferência de Estocolmo sobre o Ambiente Humano, foram marcos no sentido de criticar os rumos do desenvolvimento, tal como vinha ocorrendo. O esgotamento dos recursos naturais, como resultado da insustentabilidade desse modelo, foi um dos aspecots mais criticados. Mas a temática socio-ambiental também foi discutida em vários outros setores, em interação com a reflexão sobre o movimento feminista, a filosofia, a ação política, o pacifismo.</p>
<p>Foi o primeiro grande momento em que a mídia internacional esteve totalmente aberta para discutir a temática. Depois disso, apenas no cenário da Eco-92 e da divulgação do relatório do IPCC, em fevereiro de 2007, houve tanta abertura da mídia para discutir o desenvolvimento insustentável.</p>
<p><strong>CINCO ANOS MÁGICOS</strong></p>
<p>Alguns fatos foram, realmente, cruciais no mágico período 1967-1972, em que a contracultura esteve diretamente associada à reflexão sobre os rumos econômicos, sociais, culturais e ambientais do planeta.  Rock, Guerra do Vietnã, Che Guevara e guerrilha, Arte Pop, drogas e outros temas integravam o mesmo caleidoscópio que agitou o planeta. Momento em que era “proibido proibir” e que era necessário “sonhar o impossível”. Por que não uma nova sociedade? A seguir, alguns fatos mais relevantes do período.</p>
<p><strong>         1967</strong>  &#8211; Criação da Ecology Action, por engenheiros em Berkeley, Califórnia. Programa de ação baseado nas premissas: 1) Suprimir as práticas absurdas: novos modelos de automóveis cada ano, o consumo sem medida; 2) Controlar as práticas necessárias, mas potencialmente perigosas: tratamento e distribuição dos alimentos, construção e organização do alojamento, produção e distribuição de energia; 3) Eliminar as práticas destruidoras: a regulamentação social, a cobertura do solo pelo betão, pelo asfalto e pelos edifícios, a disseminação do lixo, as guerras.</p>
<p><strong>1968 &#8211;  Abril – </strong>Um mês antes do famoso Maio de 68, na França e em outros países, uma reunião envolvendo grandes nomes da indústria, ciência, economia, sociologia, política, cultura e outros setores resulta na criação do Clube de Roma. O encontro acontece na Accademia del Lincel, na capital italiana, uma das instituições de seu gênero mais antiga do planeta. A reunião é realizada sob organização do economista e industrial italiano Aurelio Peccei e do escocês Alexandre King, diretor-geral do Departamento para Assuntos Científicos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.</p>
<p>O Clube de Roma e seu esforço para a publicação do relatório “Dilemas da Humanidade” (e, depois, de “Dilemas do Crescimento”) indicam como o setor produtivo esteve, pelo menos desde a década de 1970, com atenções muito voltadas para o esgotamento de recursos naturais.</p>
<p>Tudo isso foi possível pelo ambiente de contestação da década de 1960, a década da contracultura e da emergência de propostas de novos modelos de desenvolvimento, o movimento ecológico e ambientalista entre elas. Muito do que se pensa e se faz no início do século 21 foi de alguma forma plantado na década de 1960.</p>
<div id="attachment_3229" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/04/Adriano1.jpg"><img class="size-full wp-image-3229" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/04/Adriano1.jpg" alt="Manifestação de junho de 2013 em Campinas: ecos do Maio de 68 (Foto Adriano Rosa) " width="960" height="640" /></a><p class="wp-caption-text">Manifestação de junho de 2013 em Campinas: ecos do Maio de 68 (Foto Adriano Rosa)</p></div>
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		<title>Pós-guerra marca nascimento de grandes organizações ambientalistas</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2015 21:54:08 +0000</pubDate>
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			<strong>Páginas da história ambiental &#8211; V</strong>
			</div></div>
<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>Os anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial foram de reconstrução, de novo Renascimento. A técnica nunca tinha chegado tão longe, utilizada para produzir em massa a morte nos campos de concentração ou para gerar uma nova arma letal – a bomba atômica, com a qual o planeta entrou na Era Nuclear, com as explosões de Hiroshima e Nagasaki.</p>
<p>Começava a Guerra Fria, a disputa entre as duas grandes potências que emergiram  da Segunda Guerra, Estados Unidos e União Soviética. Guerra Fria que dominaria, por quase quatro décadas o cenário político, social, cultural e econômico internacional.</p>
<p>A atmosfera de tristeza, para muitos de desesperança com relação ao que o ser humano ainda poderia fazer, foi refletida, de novo, com refinamento pela Arte e pela filosofia. O existencialismo ditou a moda intelectual por muito tempo. Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, entre outros, pontificaram nesse terreno.</p>
<p>&#8220;Esperando Godot” (publicada em 1952, mas composta entre 1948 e 49), entre outras obras de Samuel  Beckett (1906-1989), espelhou os anos de desolação, de angústia que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Cenários devastados,  personagens de falas truncadas, estilhaçadas, eram a perfeita tradução do que sobrou das cinzas da guerra.  E o Expressionismo Figurativo e Abstrato levando mais longe para as telas a desconstrução da cor e da forma.</p>
<p>Mas o pós-Segunda Guerra também foi um momento de tentativas de melhor articulação e organização internacional, para evitar novos conflitos. Em 26 de junho de 1945 foi assinada a Carta das Nações Unidas, documento  mais ousado nesse sentido. O início oficial da ONU é 24 de outubro de 1945, quando a Carta já tinha sido ratificada pelas grandes potências.</p>
<p>Em 1951 nasceu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, antecessora da Comunidade Europeia, criada com o Tratado de Roma, de 1957. Acordos e articulações internacionais em meio ambiente também aconteceram no período, no qual floresceu a sociedade de consumo com a popularização da televisão, sofisticação dos aparatos de propaganda e avanços, no cenário europeu principalmente, do Estado de Bem Estar Social.</p>
<p>E foi uma época de grande prosperidade para os países industrializados. O crescimento do PIB do conjunto de países desenvolvidos, que fora em média de 2,5% ao ano entre 1870-1913, caindo para 1,9% entre 1913-1950, atingiu 4,9% no período 1950-1970. O comércio mundial também evoluiu significativamente, crescendo em 6,1% ao ano entre 1953 e 1958 e 7,4% ao ano entre 1958 e 1963. A sociedade afluente criaria a motivação para a Contracultura da década de 1960. Alguns dos principais eventos do período:</p>
<p>&nbsp;</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td width="599"><strong>1949 – Agosto – Setembro –</strong> Conferência das Nações Unidas sobre a Conservação e Utilização de Recursos Naturais, Lake Success, Nova York<strong>1950 – 18 de outubro, Paris</strong> – Convenção Internacional para a proteção dos pássaros</p>
<p><strong>1951 – 6 de dezembro, Roma –</strong> Convenção internacional para proteção dos vegetais</p>
<p><strong>1954 – 12 de maio, Londres – </strong>Convenção internacional para a prevenção da poluição das águas marinhas por hidrocarbonetos</p>
<p><strong>1958 – 29 de abril, Genebra</strong> – Convenção sobre a pesca e a conservação dos recursos biológicos de alto-mar</p>
<p><strong>1960 –</strong> <strong>Paris –</strong> Convenção sobre a responsabilidade civil no domínio da energia nuclear</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong> </strong><strong>NASCIMENTO DE GRANDES ONGS E OIGS</strong></p>
<p>O pós-guerra, dedicado a melhorar as instituições para proteger a vida, foi um período fértil para o nascimento de organizações não-governamentais e governamentais que se tornariam grandes expoentes na questão socioambiental. Casos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), de 1948, e do WWF, de 1961.</p>
<p>A UICN é a organização, criada em 1948,  voltada para promover a conservação dos recursos e espécies naturais no planeta. Em 2006 reunia 81 Estados nacionais, 113 agências governamentais, mais de 850 organizações não-governamentais e mais de 10 mil especialistas, em diversas áreas,  de mais de 180 países.(<a href="http://www.iucn.org)/">www.iucn.org)</a></p>
<p>O WWF foi criado em 1961, com o nome de Fundo Mundial para a Natureza, e atualmente é conhecido como Rede WWF. Com cerca de 5 milhões de associados em todo planeta, Rede WWF é a maior organização do gênero no início do século 21. Participa de mais de 2 mil projetos de conservação do meio ambiente. Desde 1985, o WWF investiu mais de US$1,165 milhões em mais de <strong>11 mil projetos</strong><strong> em </strong><strong>130 países</strong><strong>. </strong></p>
<p>Além das ONGs, também cresceu exponencialmente, desde meados do século 20, o número de Organizações Intergovernamentais (OIGs) dedicadas à questão ambiental e do desenvolvimento. Reflexo da institucionalização da temática, e da preocupação crescente de governos e sociedade em geral. O risco da burocratização é contrabalançado pela evolução das ONGs.</p>
<p>Entre 1945 e 1972, o número de OIGs com parte de sua atuação voltada para questões ambientais avançou de 7 para 49. Em 1992, ano da Eco-92, já era de 76 OIGs. No período 1945-72, o número de OIGs atuantes principalmente na área ambiental saltou de 2 para 15. Em 1992 eram 31 (Apud Stevis e Wilson, 1995, in Philippe Le Prestre, “Ecopolítica Internacional”, Editora SENAC, São Paulo, 2000, página 101).</p>
<p>Nascia uma nova era, a da sociedade civil mundial. Está em suas mãos grande parte das chances de construção de novos caminhos para o desenvolvimento global.</p>
<div id="attachment_3028" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/04/RioAtibaiaBotanico_0024xxxxx.jpg"><img class="size-large wp-image-3028" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/04/RioAtibaiaBotanico_0024xxxxx-1024x683.jpg" alt="Rio Atibaia, Campinas, 2014: meio ambiente é novo front de lutas no século 21 (Foto Adriano Rosa)" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Rio Atibaia, Campinas, 2014: meio ambiente é novo front de lutas no século 21 (Foto Adriano Rosa)</p></div>
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		<title>Parques e defesa das baleias, marcos na ação ambientalista</title>
		<link>http://agenciasn.com.br/arquivos/2531</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Feb 2015 20:49:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Ecodesenvolvimento]]></category>
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		<category><![CDATA[Ambientalismo]]></category>
		<category><![CDATA[História da ecologia]]></category>
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			<strong>Páginas da história ambiental &#8211; I</strong>
			</div></div>
<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>Uma das afirmações recorrentes, quando aparece uma crise ambiental como a atual, da água, em São Paulo, é a de que a consciência ecológica é muito recente e, por isso, seria &#8220;natural&#8221; estarmos em tal situação calamitosa. Na realidade, esse pensamento ajuda a mascarar responsabilidades, na medida em que a consciência ambientalista já tem décadas e, por que não dizer, séculos.</p>
<p>Foi no mesmo cenário do início da Revolução Industrial, no século 18, que as primeiras vozes de alerta emergiram. O avanço da ciência se, por um lado, ajudou a dar ferramentas para o domínio da natureza, por outro, também tem implicado em muitas advertências por parte de pesquisadores.</p>
<p>Lamentavelmente, essas vozes não tem sido ouvidas, e daí a crise cada vez mais profunda dos recursos naturais em todo planeta. De qualquer modo, é importante lembrar que iniciativas pela proteção desses recursos e da biodiversidade são antigas.</p>
<p><strong>As primeiras organizações ambientalistas</strong> &#8211; A expansão das ferrovias e dos perímetros urbanos, a proliferação de áreas marcadas pela poluição  vinda das indústrias movidas a carvão e, depois, derivados do petróleo, o desaparecimento de espécies animais que encantavam os homens. Tudo isso, somado ao florescimento e disseminação do nacionalismo, contribuiu para a emergência das primeiras organizações dedicadas à conservação da natureza, na segunda metade do século 19. Instituições dedicadas a proteger uma espécie ou determinada paisagem, que sempre tinha significado importante para uma identidade nacional específica, como acentua Philippe Le Prestre (in “Ecopolítica Internacional”, Editora SENAC, São Paulo, 2000, página 163).</p>
<p>Assim apareceram a Sociedade Nacional de Proteção da Natureza na França (1854), Associação para a Proteção dos Pássaros Britânicos (sic!, 1870), os norteamericanos Sierra Club (de 1892 e ainda muito influente) e Audubon Club (1905), a grega Les Amis des Arbres (1902), os dinamarqueses Dansk Ornitologisk Forening  (1906) e Danmarks Naturfednings Forening (1911), a Ligue Suisse pour la Protection de la Nature (1909) e a Royal Society for Nature Conservation (1912), entre tantas outras organizações listadas por Le Prestre.</p>
<p>Iniciativas concretas para a proteção de determinado espaço natural foram as criações de parques nacionais, como o pioneiro de Yellowstone, nos Estados Unidos, em 1872, e a partir dele o Royal National Park na Austrália (1879), os canadenses Banff (1885) e Glacier (1886), os parques suecos na Lapônia (1909) e os primeiros parques na Suíça (1914) e Espanha (1918).</p>
<p><strong>Primeiros tratados e convenções</strong> &#8211;  Na esteira dessas preocupações de certo modo pioneiras, com a proteção de recursos naturais, para que eles não fossem exauridos, devastados, apareceram nas primeiras décadas do século 20 as convenções, igualmente pioneiras, na área ambiental, todas apontando para aspectos do que, no início do século 21, é considerado como essencial à sustentabilidade. Como a Convenção europeia para a proteção dos pássaros úteis à agricultura (1902), a Convenção sobre a foca peluda do Pacífico Norte entre Canadá e Estados Unidos (1911), Convenção para a proteção dos cardumes de bacalhau do Pacífico Norte e do mar de Bering (1923) e Convenção para a conservação da fauna e da flora em estado natural (Londres, 1933).</p>
<p>A destacar, a Convenção para a regulamentação da caça à baleia, de 1931, que está na origem da Convenção de Washington para a regulamentação da caça à baleia, conhecida como “Convenção Baleeira Internacional”. A preocupação com a caça às baleias, maiores mamíferos do planeta, e que alcançou grande protagonismo com as campanhas da Greenpeace nas décadas de 1970 e 1980, data de longe, na esteira da destruição desses animais magníficos, que sempre provocaram temor e encantamento e que geraram – e continuam gerando – lucros para pessoas e empresas inescrupulosas.</p>
<p>A Convenção Baleeira Internacional representa um marco, pelo que ela representou de proteção das baleias, sobretudo das baleias azuis, embora tenha recebido muitas críticas posteriormente, pelos rumos que tomou. Outras espécies, infelizmente, continuaram e continuam sendo caçadas impiedosamente no início do século 21. A <strong>Tabela 1 </strong>mostra a queda da caça à baleia azul – porque o seu número se reduziu drasticamente, em um caso clássico de como é insustentável o modelo de desenvolvimento que não se preocupa com a preservação de espécies e recursos naturais.</p>
<p><strong>Tabela 1</strong></p>
<p><strong>Baleias azuis caçadas por década no planeta</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td width="150">1910 – 1919</td>
<td width="112">26.819</td>
</tr>
<tr>
<td width="150">1920 – 1929</td>
<td width="112">69.217</td>
</tr>
<tr>
<td width="150">1930 – 1939</td>
<td width="112">170.427</td>
</tr>
<tr>
<td width="150">1940 – 1949</td>
<td width="112">46.199</td>
</tr>
<tr>
<td width="150">1950 – 1959</td>
<td width="112">35.948</td>
</tr>
<tr>
<td width="150">1960 – 1969</td>
<td width="112">7.434</td>
</tr>
<tr>
<td width="150">1970 – 1979</td>
<td width="112">23</td>
</tr>
<tr>
<td width="150">1980 – 1991</td>
<td width="112">0</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Fonte: Pearce, Turener y Bateman. 1996, in “EMPRESARIO Y MEDIO AMBIENTE: ¿MENTALIDAD EN CONTRAVIA?,  PRINCIPIOS DE ECONOMIA SOSTENIBLE”, Alejandro Boada Ortíz, Facultad de Administración de Empresas, Universidad Externado de Colombia</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao lado das primeiras instituições e convenções dedicadas à proteção e conservação de recursos naturais, foram realizados os primeiros grandes encontros internacionais sobre o tema. Casos do Congresso Internacional sobre a proteção da natureza, em Paris (1909), Congresso Internacional sobre a proteção da flora, da fauna e dos panoramas e monumentos naturais, também em Paris (1923), e do Congresso internacional para o estudo e a proteção dos pássaros, de 1927, em Genebra, Suíça.</p>
<p>Enfim, iniciativas em defesa de ecossistemas e de espécies não são nada recentes. Pelo contrário, são históricas. Tomara que continuem servindo de exemplo para as atuais e novas gerações, em um contexto global cada vez mais crítico e complexo. <strong>(Por José Pedro Martins) </strong></p>
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