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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Rio Piracicaba</title>
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		<title>O flerte com o perigo nas fortes correntezas do rio Piracicaba</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2016 17:21:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Vazão do rio Piracicaba]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o impacto do El Niño, o rio Piracicaba vive neste início de 2016 um panorama totalmente distinto daquele de janeiro do ano passado, com uma vazão muito superior. Nesta sexta-feira, 15 de janeiro, a vazão atingiu às 14h50 mais de 800 metros cúbicos por segundo, 40 vezes a vazão de um ano atrás. Mas o ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com o impacto do El Niño, o rio Piracicaba vive neste início de 2016 um panorama totalmente distinto daquele de janeiro do ano passado, com uma vazão muito superior. Nesta sexta-feira, 15 de janeiro, a vazão atingiu às 14h50 mais de 800 metros cúbicos por segundo, 40 vezes a vazão de um ano atrás. Mas o cenário não está atraindo apenas os moradores de Piracicaba e visitantes, que vão à rua do Porto, ponte do Engenho Central e Mirante apreciar o espetáculo das águas. Mesmo com as fortes correntezas, atletas de várias modalidades estão se arriscando em ousadas manobras. Com ensaio fotográfico de Adriano Rosa, da Agência Social de Notícias.</p>
<div id="attachment_5593" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicaba2015JanOK025-2.jpg"><img class="size-large wp-image-5593" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicaba2015JanOK025-2-1024x700.jpg" alt="Atletas da canoagem se preparam para encarar a vazão histórica no rio Piracicaba (Foto Adriano Rosa)" width="618" height="422" /></a><p class="wp-caption-text">Atletas da canoagem se preparam para encarar a vazão histórica no rio Piracicaba (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p>É o caso de praticantes da canoagem, que flertam com o perigo pelas ondas do rio. Pilotos de Jet Ski também têm enfrentado o risco, diante da vazão impressionante.</p>
<div id="attachment_5594" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicaba2015JanOK026-2.jpg"><img class="size-large wp-image-5594" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicaba2015JanOK026-2-1024x625.jpg" alt="As viagens de barco continuam no rio Piracicaba cheio (Foto Adriano Rosa)" width="618" height="377" /></a><p class="wp-caption-text">As viagens de barco continuam no rio Piracicaba cheio (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p>Viagens de barco continuam, igualmente, a fazer parte da paisagem, mesmo com as correntezas que, para muitos, são assustadoras. Piracicabanos e turistas transitam, ainda, pela ponte que dá acesso ao Engenho Central, para contemplar a arriscada coreografia ou, apenas, o volume histórico do rio.</p>
<div id="attachment_5595" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicaba2015JanOK024-2.jpg"><img class="size-large wp-image-5595" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicaba2015JanOK024-2-1024x600.jpg" alt="A garça continua soberana no novo cenário do rio Piracicaba (Foto Adriano Rosa)" width="618" height="362" /></a><p class="wp-caption-text">A garça continua soberana no novo cenário do rio Piracicaba (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p>Entretanto, o rio prossegue proporcionando, sobretudo, a visão da diversidade da vida aquática. O voo da garça, presente no cotidiano do Piracicaba, assume novas perspectivas, tendo como contraponto o intenso vai e vem das águas.</p>
<div id="attachment_5597" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicaba2015JanOK029-2.jpg"><img class="size-large wp-image-5597" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/01/RioPiracicaba2015JanOK029-2-1024x678.jpg" alt="Vazão do rio Piracicaba tem atingido índices históricos neste início de 2016 (Foto Adriano Rosa)" width="618" height="409" /></a><p class="wp-caption-text">Vazão do rio Piracicaba tem atingido índices históricos neste início de 2016 (Foto Adriano Rosa)</p></div>
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		<title>Estiagem escancarou má qualidade das águas em São Paulo</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2015 12:52:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Campinas 250 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[RMC - Região Metropolitana de Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[Crise hídrica em 2015]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Piracicaba]]></category>

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		<description><![CDATA[Por José Pedro Martins Identificação de protozoários em importantes pontos de captação de água, proliferação de mortandades de peixes, preocupante emergência de elementos mutagênicos em alguns corpos hídricos, contaminação com metais pesados e agentes químicos, continuidade da poluição por esgotos sem tratamento. A forte estiagem de 2014 escancarou a má qualidade das águas no estado ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>Identificação de protozoários em importantes pontos de captação de água, proliferação de mortandades de peixes, preocupante emergência de elementos mutagênicos em alguns corpos hídricos, contaminação com metais pesados e agentes químicos, continuidade da poluição por esgotos sem tratamento. A forte estiagem de 2014 escancarou a má qualidade das águas no estado de São Paulo, particularmente nas regiões de São Paulo e Campinas, com grandes riscos para a saúde pública e demandando medidas urgentes de proteção dos recursos hídricos. O panorama inquietante está presente em um documento oficial: o relatório &#8220;Qualidade das águas superficiais no estado de São Paulo 2014&#8243;, da Cetesb, a agência ambiental do governo paulista.</p>
<p>Os números do relatório deixam claro o impacto da redução das chuvas em 2014 na qualidade das águas em São Paulo. Ao mesmo tempo, o documento confirma que as águas paulistas continuam recebendo o impacto de múltiplas fontes de poluição, não totalmente controladas. São fontes poluidoras cujos efeitos são eventualmente diluídos e/ou encobertos nos momentos de vazões normais das águas.</p>
<p>O relatório começa destacando exatamente o padrão irregular das chuvas em 2014. O Gráfico 1 do documento indica um volume médio anual de chuvas de 1.438 milímetros entre 1995 e 2013. Em 2014, o volume de chuvas foi de 1.055 mm, ou 26% a menos do que a média dos 19 anos anteriores. Considerando somente os dados de chuva na bacia do Alto Tietê, onde está a Grande São Paulo, 2014 foi o quinto ano mais seco desde o inicio das medições, em 1879.</p>
<p><strong>Esgotos domésticos</strong> &#8211; O relatório da Cetesb ratifica os esgotos domésticos sem tratamento como a grande fonte de poluição das águas em São Paulo. E nesse sentido o documento adverte que, nos últimos três anos,  &#8220;houve uma redução do ritmo de evolução do índice de tratamento dos esgotos domésticos, dificultando inclusive nas regiões mais urbanizadas o múltiplo uso dos recursos hídricos&#8221;.</p>
<p>O relatório observa que o índice de tratamento de esgotos domésticos em São Paulo evoluiu em 4% anuais entre 2010 e 2012: foi de 51 para 55% de 2010 para 2011 e para 59% em 2012. Subiu, entretanto, somente 1% em média nos anos seguintes, para 60% em 2013 e 61% em 2014. No tocante ao índice de coleta e de afastamento de esgoto, &#8220;não se teve alteração em 2014, mantendo o porcentual de 90%&#8221;, nota o relatório, acrescentando: &#8220;Desta forma, devem ser mantidos os trabalhos para o alcance da universalização&#8221;.</p>
<p>Estes dados indicam que não foi somente a forte estiagem a causa da degradação da qualidade das águas paulistas em 2014. Ainda há muito a ser feito para a universalização da coleta e sobretudo tratamento de esgotos domésticos no estado mais rico e populoso do país. E os principais avanços devem ser feitos nas regiões mais ricas e populosas deste estado, como a Grande São Paulo e a região de Campinas, localizadas, respectivamente, nas bacias do Alto Tietê e dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).</p>
<p>De acordo com o relatório, as bacias  com menores proporções em tratamento de esgoto, e menor qualidade de águas, são as do Alto Tietê (50%), Baixada Santista (53%), Mogi Guaçu (57%), Paraíba do Sul (61%) e PCJ (66%). São  justamente as regiões mais populosas do estado. Nas demais, os índices de tratamento de esgoto são muito maiores, o que se reflete na qualidade da água também muito maior.</p>
<p><strong>Índices</strong> &#8211; Um dos indicadores medidos, em 200 pontos de amostragem, é o Índice de Qualidade das Águas (IQA), que considera os corpos hídricos em geral, levando em conta o impacto dos esgotos. O documento afirma: &#8220;Considerando a série histórica disponível, para cada um dos 200 pontos, 17 apresentaram uma diminuição sistemática dos valores do IQA, indicando tendência de piora no período compreendido entre 2009 e 2014. Os rios Tietê e Piracicaba na maioria dos pontos de monitoramento apresentaram uma piora de qualidade (IQA), sendo, inclusive registradas duas ocorrências de mortandades com grande proporção e repercussão. Por outro lado, as ações de saneamento e de controle das fontes industriais mantiveram 34 pontos com tendência de melhora&#8221;.</p>
<div id="attachment_3613" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/06/RioPiracicabaSeca_1156xxxxx-2.jpg"><img class="size-large wp-image-3613" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/06/RioPiracicabaSeca_1156xxxxx-2-1024x683.jpg" alt="Rio Piracicaba: piora na qualidade na maioria dos pontos de monitoramento" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Rio Piracicaba: piora na qualidade na maioria dos pontos de monitoramento</p></div>
<p>O relatório da Cetesb mostra que houve uma piora mais significativa no Índice de Proteção da Vida Aquática (IVA), que mede a qualidade das águas para a manutenção dos organismos aquáticos. &#8220;Essa piora foi ocasionada, principalmente, pelo aumento do estado de trofia dos corpos hídricos, com 31% de ambientes eutrofizados, o que representa um incremento de 11% com relação ao ano anterior&#8221;, explica o relatório da Cetesb. A eutrofização é a poluição causada pelo excesso de nutrientes nas águas, levando à proliferação de algas. Á saturação de nutrientes é provocada por atividades domésticas, industriais e agrícolas, como o excesso de fertilizantes.</p>
<p>Na mesma linha, o relatório da Cetesb mostra que &#8220;a comunidade Fitoplanctônica (ICF) também apresentou uma piora em 2014, com um aumento de pontos classificados como Regular e Ruim, não sendo obtida nenhuma ponderação Ótima&#8221;.</p>
<p>O aumento substancial nas mortandades de peixes, a identificação de protozoários em importantes pontos de captação de água, a preocupante emergência de elementos mutagênicos em alguns corpos hídricos e a contaminação com metais pesados e agentes químicos, em vários pontos dos corpos hídricos são outros elementos apontando que está longe a total garantia de qualidade das águas em São Paulo. A estiagem apenas agravou e deixou mais evidente o enorme desafio a ser enfrentado.</p>
<div id="attachment_3614" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/06/Cantareira2014Nov_1254.jpg"><img class="size-large wp-image-3614" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/06/Cantareira2014Nov_1254-1024x683.jpg" alt="Cantareira quase seco: cenário mais do que preocupante" width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Cantareira quase seco: cenário mais do que preocupante</p></div>
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		<title>Amor pelas águas: Nelson de Souza Rodrigues e o rio Piracicaba</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Feb 2015 18:33:23 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Campinas 250 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Ecodesenvolvimento]]></category>
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		<category><![CDATA[Crise hídrica em São Paulo]]></category>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Martins Piapara, peixe-sapo, dourado, pacu, mandi, lambari, jaú, cascudo, canivete, jurupoca. O rio Piracicaba era um paraíso para os peixes. A Colônia de Pescadores da cidade era uma das mais ativas do estado, atrás apenas das de Santos e Litoral Norte. Mas esse cenário paradisíaco acabou. Assoreamento, devastação da mata ciliar, poluição industrial e ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>Piapara, peixe-sapo, dourado, pacu, mandi, lambari, jaú, cascudo, canivete, jurupoca. O rio Piracicaba era um paraíso para os peixes. A Colônia de Pescadores da cidade era uma das mais ativas do estado, atrás apenas das de Santos e Litoral Norte. Mas esse cenário paradisíaco acabou. Assoreamento, devastação da mata ciliar, poluição industrial e por esgoto urbano, descaso com as águas e a vida que elas carregam levaram o rio à porta do inferno. Das 107 espécies que o agrônomo Nelson de Souza Rodrigues catalogou, quando trabalhava no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), 33 espécies, um terço, já sumiram do Piracicaba. Não há indicador maior da decadência do rio, que Nelson percebia há mais de 30 anos, ao observar o progressivo desaparecimento dos peixes. A atual crise hídrica que assusta a região mais rica e populosa do país estava prevista aí. Aqui, com exclusividade na <strong>Agência Social de Notícias</strong>, a história do homem que, como poucos, aos 93 anos sente os dramas e alimenta esperanças em relação às águas. Ele é símbolo do amor do piracicabano pelo rio &#8211; um amor que se materializa, por exemplo, nos cadeados de casais apaixonados presos na ponte que dá acesso ao Engenho Central.</p>
<div id="attachment_2152" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/01/Ipiranga.jpg"><img class="size-large wp-image-2152" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/01/Ipiranga-1024x682.jpg" alt="Riacho do Ipiranga: parte da história brasileira, local de nascimento de uma paixão pelas águas" width="618" height="411" /></a><p class="wp-caption-text">Riacho do Ipiranga: parte da história brasileira, local de nascimento de uma paixão pelas águas</p></div>
<p style="text-align: center;"><strong>I &#8211; UM GRITO DE LIBERDADE, ÀS MARGENS DO IPIRANGA</strong></p>
<p style="text-align: left;">O riacho do Ipiranga passa geralmente desapercebido para a maioria dos paulistanos. As suas nascentes ficam onde hoje está o Jardim Botânico de São Paulo, por sua vez localizado no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga ou Parque do Estado, na Água Funda. Como que por milagre, esta é uma área que abriga uma reserva de Mata Atlântica em pela megalópole.</p>
<p style="text-align: left;">Depois o riacho percorre 9 km, antes de desaguar na margem esquerda do rio Tamanduateí.  Ipiranga, em língua tupi, significa &#8220;rio vermelho&#8221;. Hoje suas águas estão ainda mais escuras, depois de receber uma carga enorme de esgoto.</p>
<p style="text-align: left;">Mas as margens do riacho do Ipiranga fazem parte da história oficial do país, todos brasileiros já ouviram falar delas. Foi onde, no dia 7 de setembro de 1822 D.Pedro I, teria bradado o lendário Grito da Independência do Brasil.</p>
<p style="text-align: left;">Pois este também foi o cenário do nascimento de uma paixão, de um homem pelas águas e a vida que pulsa nela. Naquele tempo o menino Nelson de Souza Rodrigues nem imaginava, mas os primeiros peixes que pescou no riacho foram o trampolim para uma vocação, que ele desempenhou particularmente no contato com outro rio famoso e igualmente importante, o rio Piracicaba.</p>
<p style="text-align: left;">Com uma peneira, pescava os peixinhos que colocava no aquário que ele mesmo construía. Essa habilidade em fazer coisas, lidar com os objetos, ele levaria para a vida e seria essencial para muitas de suas futuras realizações. O amor aos peixes, então, esse ele levou para sempre.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>II &#8211; CURSO DE AGRONOMIA, O PORTAL PARA AS ÁGUAS</strong></p>
<p style="text-align: left;">Meados da década de 1940. O Brasil ainda vive os impactos dos horrores da Segunda Guerra Mundial e os rigores do Estado Novo de Getúlio Vargas. Mas um jovem paulistano cheio de esperança chega a Piracicaba, para cursar a prestigiada Escola Superior de Agricultura &#8220;Luiz de Queiroz&#8221; (Esalq). De novo Nelson de Sousa Rodrigues nem sonhava, mas aquela escola e aquela cidade fariam parte para sempre de sua vida.</p>
<p style="text-align: left;">Em 1948 ele se gradua como engenheiro agrônomo e volta para São Paulo. Dois anos depois, a primeira atividade profissional, mas ainda não era na área para a qual estudou. Foi atuar como fotógrafo em São Paulo. Dominar e aprimorar as técnicas fotográficas foi determinante para que o agrônomo Nelson desenvolvesse um olhar diferenciado, sofisticado, para as coisas da natureza.</p>
<div id="attachment_2324" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson3.jpg"><img class="size-large wp-image-2324" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson3-1024x682.jpg" alt="O agrônomo com um exemplar do raríssimo cascudo-espinho" width="618" height="411" /></a><p class="wp-caption-text">O agrônomo com um exemplar do raríssimo cascudo-espinho</p></div>
<p style="text-align: center;"><strong>III &#8211; NA BEIRA DO RIO MOGI GUAÇU, COM PEIXES E AVES</strong></p>
<p style="text-align: left;">Depois da incursão pelos claros e escuros da fotografia, Nelson passa a chefiar o Setor de Documentação e Divulgação da Divisão de Conservação do Solo da Secretaria de Agricultura do Estado. O trabalho era documentar os serviços de  conservação do solo e combate à erosão, produzindo um boletim bimensal sobre a temática. Em 1954, ainda na capital, passa a chefiar a Região Conservacionista de São Paulo, onde tem oportunidade de desenvolver técnicas conservacionistas para regiões de topografia inclinada. Os trabalhos científicos são divulgados em vários congressos.</p>
<p style="text-align: left;">Um salto importante em 1958, o ano da primeira Copa do Mundo do Brasil, de Pelé, da euforia nacional dos anos JK, a construção de Brasília, a Bossa Nova conquistando o mercado internacional. O agrônomo muda-se para Pirassununga, onde inicialmente chefia a Escola de Tratoristas, do então Departamento de Engenharia Mecânica da Secretaria da Agricultura.</p>
<p style="text-align: left;">Ainda em Pirassununga, chefia o Posto Avançado de Piscicultura do Instituto de Pesca, também ligado à Secretaria de Estado da Agricultura. Nesta função, desenvolve várias pesquisas com peixes do rio Mogi-Guaçu. É o primeiro e mais intenso contato, profissionalmente, com o mundo da pesca.</p>
<p style="text-align: left;">Como o Piracicaba, o rio Mogi-Guaçu tem suas nascentes nas bordas da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais. As duas bacias hidrográficas correm mais ou menos paralelas em direção ao interior de São Paulo.</p>
<p style="text-align: left;">Um dos pontos mais conhecidos do rio é a Cachoeira de Emas, em um distrito do mesmo nome em Pirassununga. Em suas margens estão importantes instituições de pesquisa, como o hoje Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais, ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.</p>
<p style="text-align: left;">Junto ao Mogi-Guaçu, o encanto cada vez maior pelas águas e os peixes. Mas Nelson não deixa de lado outra paixão antiga. Ele se torna um grande colecionador de pássaros. Chega a ter cerca de 400 deles, de dezenas de espécies. Tangarás azuis com faixa preta e topete vermelho, saíras do Rio Negro, handais, periquitos, araras, tico-ticos e um raríssimo japu-açu, entre outros, promovendo uma sinfonia permanente de cores e múltiplos sons.</p>
<p style="text-align: left;">Dois pássaros tinham um certo xodó do colecionador. Eram duas sabiás, uma poca e uma laranjeira, ambas muito raras e muito procuradas. O agrônomo rejeitou grandes ofertas por esses e outros pássaros.</p>
<p style="text-align: left;">Nesses tempos, outro talento desenvolvido. Era o de taxidermista, a partir de técnicas que conheceu ainda em São Paulo. Foram muitos pássaros e peixes que ele submeteu à técnica. Mantém até hoje um exemplar de peixe raríssimo, o cascudo-espinho (<em>Pterygoplichthys gigas</em>).</p>
<p style="text-align: left;">Um dia, a libertação. As leis mudaram, a visão sobre os animais também. O agrônomo teve que libertar as suas aves. Muitas delas foram encaminhadas a instituições científicas, assim como a quase totalidade dos indivíduos empalhados. &#8220;Não foi muito fácil não ficar sem eles&#8221;, confessa, com um olhar de nostalgia feliz.</p>
<div id="attachment_2003" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/01/Cantareira2014Nov_1254.jpg"><img class="size-large wp-image-2003" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/01/Cantareira2014Nov_1254-1024x682.jpg" alt="Reservatório quase seco do Cantareira: Piracicaba se mobilizou há 40 anos " width="618" height="411" /></a><p class="wp-caption-text">Reservatório quase seco do Cantareira: Piracicaba se mobilizou há 40 anos</p></div>
<p style="text-align: center;"><strong>IV &#8211; ENFIM EM PIRACICABA, NO CENA</strong></p>
<p style="text-align: left;">Em 1972, o Nelson de Souza Rodrigues foi promovido, por concurso, à carreira de Pesquisador Científico. Três anos depois, o reencontro com Piracicaba e o seu rio, a maior vocação. Em 1975, foi nomeado chefe do Setor de Ecologia do Meio Hídrico, através de convênio entre o Instituto de Pesca da Secretaria de Agricultura e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), ligado à Universidade de São Paulo (USP).</p>
<p style="text-align: left;">Foi neste posto privilegiado, no contato quase diário com o rio, que o pesquisador aprofundou seus estudos, alargou seus conhecimento e alimentou a sua indignação. Entre 1975 e 1985, ano de sua aposentadoria como pesquisador, ele realizou inúmeros estudos sobre o meio hídrico e sua diversidade. Uma das maiores constatações foi a da degradação crescente das águas, com impacto direto no ciclo vital dos peixes que historicamente habitavam o rio Piracicaba.</p>
<p style="text-align: left;">O primeiro estudo promovido, a pedido do diretor do CENA, Dr.Admar Cervelini,  já era um indicador muito preocupante. Por dois anos, ele colheu amostrar quinzenais, para verificar a possível presença de nitrato no rio e seus afluentes. As amostras estavam relacionadas a quatro tipos de cobertura vegetal, por mata, lavoura, pastagem e cana. A conclusão foi a de que a poluição por nitrato de fato ocorria de modo expressivo, com exceção das amostras feitas junto a matas nativas. O trabalho teve repercussão internacional, com sua divulgação no Coordinated Research Program Meeting &#8211; IAEA, em maio de 1978, em Viena, Áustria, e também no I Simpósio Nacional de Ecologia, patrocinado pelo Instituto de Terras e Cartografia do Paraná, em 1978.</p>
<p style="text-align: left;">Justamente no período em que trabalhou no CENA, Nelson Rodrigues sentiu assim, como toda a cidade, os efeitos do agravamento da poluição. Naquele momento, dois fatos contribuíram para Piracicaba ficar em alerta máximo com relação ao estado e perspectivas para o rio adorado.</p>
<p style="text-align: left;">Em primeiro lugar foi o início da operação, em 1974, do Sistema Cantareira, concebido pelo governo militar para garantir o abastecimento de metade da Grande São Paulo. A solução encontrada foi construir um conjunto de reservatórios pouco depois das nascentes dos rios Atibaia e Jaguari, os dois principais formadores do rio Piracicaba.</p>
<p style="text-align: left;">Desde o início houve a mobilização dos piracicabanos, moradores da &#8220;última cidade&#8221; da bacia, mas conscientes de que a retirada de águas da bacia poderia afetar diretamente o Atibaia e, por extensão, o próprio Piracicaba.  Posteriormente, estudos realizados no próprio CENA confirmaram que as suspeitas tinham razão de ser. O Cantareira foi projetado para retirar até 33 mil litros, ou metros cúbicos, por segundo de água da bacia do Piracicaba para abastecer cerca de metade da Grande São Paulo.</p>
<p style="text-align: left;">Outro ingrediente que repercutiu diretamente no rio Piracicaba foi o lançamento do Proálcool, em 14 de Novembro de 1975, por meio do decreto n° 76.593  do governo federal. Era a resposta do governo militar à crise mundial do petróleo, aberta em 1973. A ideia era estimular uma tecnologia energética nacional.</p>
<p style="text-align: left;">A região de Piracicaba, historicamente um território de cultivo de cana, foi particularmente afetada pelas medidas de incentivo à produção do álcool. Ocorre que, naquele momento, a legislação sobre meio ambiente ainda era muito limitada e, além disso, não havia maiores cuidados por parte da indústria sucroalcooleira. O resultado foi a proliferação de descartes de resíduos do processo produtivo, a vinhaça, diretamente e sem tratamento nos corpos hídricos. Com isso, começaram a acontecer frequentes mortandades de peixe no rio Piracicaba.</p>
<div id="attachment_2331" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Cadeado.jpg"><img class="size-large wp-image-2331" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Cadeado-1024x682.jpg" alt="O amor do povo piracicabano pelo rio, expresso nos cadeados presos à ponte, como em locais famosos da Europa" width="618" height="411" /></a><p class="wp-caption-text">O amor do povo piracicabano pelo rio, expresso nos cadeados presos à ponte, como em locais famosos da Europa</p></div>
<p style="text-align: left;"><div class="box  shadow"><div class="box-inner-block"><i class="tieicon-boxicon"></i>
			<strong>A FERTIRRIGAÇÃO COM A VINHAÇA</strong></p>
<p style="text-align: left;">O lançamento da vinhaça – efluente resultante do processo de fabricação de bebidas destiladas e do álcool industrial – nos corpos hídricos era uma preocupação antiga de pesquisadores da Esalq, e em particular de Jayme Rocha de Almeida, que já na década de 1940 realizava estudos sobre o assunto.</p>
<p style="text-align: left;">Foi ele quem coordenou as pesquisas que levaram à fertirrigação (adubação) dos próprios canaviais com a vinhaça. Os primeiros resultados foram apresentados no Congresso Internacional de Agricultura, realizado na Bélgica, em 1950, como informa Urgel de Almeida Lima (que acompanhou as pesquisas) no artigo “Um resumo histórico sobre a vinhaça em Piracicaba”, publicado no número 20 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.</p>
<p style="text-align: left;">Houve grande repercussão e novos experimentos passaram a ser realizados, como nas usinas Modelo, em Piracicaba, Santa Bárbara, em Santa Bárbara d´Oeste, e na destilaria da Rhodia, então ainda em terras pertencentes a Campinas, antes da criação do município de Paulínia.</p>
<p style="text-align: left;">Ainda demorou, contudo, para o uso generalizado da vinhaça como fertirrigação dos canaviais. A prática encontrou resistência, até que finalmente passou a ser “oficial” pelo setor sucroalcooleiro, com benefício direto para a vida aquática. 
			</div></div>
<p style="text-align: left;">Foi, literalmente, a gota d´água para a mobilização popular em defesa do rio que dá vida à cidade. O agrônomo Nelson Rodrigues via com os próprios olhos e com os números de seus estudos o que estava acontecendo. A constatação mais grave se deu com a catalogação dos peixes originais da bacia do rio Piracicaba.</p>
<p style="text-align: left;">Com novos estudos, a situação se tornava cada vez mais assustadora.  Das 107 espécies de peixes que o agrônomo catalogou, nesse período no CENA,  33 espécies, um terço, já desapareceram do Piracicaba. Outras 53 se tornaram temporárias ou estão quase extintas e somente 16 podem ser consideradas permanentes, enquanto três são espécies introduzidas.</p>
<p style="text-align: left;">Uma catástrofe ambiental e cultural, em uma cidade que sempre viveu do rio e para o rio. Todas as grandes manifestações culturais de Piracicaba sempre foi realizadas no próprio rio ou no seu entorno. A Festa do Divino, principal festa religiosa da cidade, é celebrada há 188 anos no leito e margens do Piracicaba. Instituições culturais relevantes para a vida local foram sendo instaladas nas proximidades do rio, como o SESC e a própria Secretaria Municipal de Cultura, no complexo do Engenho Central, onde é realizado, por exemplo, o Salão Internacional de Humor.</p>
<p style="text-align: left;">Com a mobilização alimentada pelo início da operação do Cantareira e pelos impactos do Proálcool, Piracicaba tornou-se gradativamente uma referência nacional e internacional de defesa das águas. Para dar ainda maior credibilidade e lastro a essa mobilização, estudos como os realizados por Nelson de Souza Rodrigues que, no entanto, não ficou na esfera da pesquisa. Após sua aposentadoria em 1985, passou a se dedicar de corpo e alma à campanha em defesa do rio.</p>
<p style="text-align: left;"><div class="box  shadow"><div class="box-inner-block"><i class="tieicon-boxicon"></i>
			<strong>DESPOLUIÇÃO COM AGUAPÉ</strong></p>
<p style="text-align: left;">No início da década de 1980, Nelson Rodrigues liderou um projeto pioneiro, de despoluição dos rios por intermédio de plantas flutuantes. Em uma área do CENA, ele instalou 32 caixas de 1.000 litros de água cada. Nessas caixas, dispôs quatro espécies de plantas aquáticas, o aguapé (<em>Eichornia crassipes),</em> alface d´água (<em>Pistia stratiotes</em>), salvínia (<em>Salvinia sp</em>) e lemnia (<em>Lemnia minor</em>). Durante um ano as caixas receberam águas do rio Piracicaba.</p>
<p style="text-align: left;">A utilização do aguapé se mostrou a mais promissora e com isso foi instalado um sistema fitodepurador em área da Esalq, para receber águas do ribeirão Piracicamirim, que atravessa o campus e é muito mais poluído. Os resultados do Projeto Aguapé foram muito satisfatórios, com a redução de 80% da poluição, aumentada para 95% com a incorporação de solos filtrantes projetados pelo professor Eneas Salatti, então diretor do CENA.</p>
<p style="text-align: left;">O Projeto venceu o Concurso de Tecnologia Nacional – área Meio Ambiente, promovido em 1983 pelo Banco do Brasil. Além disso, a experiência foi levada a vários municípios e empresas de diversos estados. Em Brotas, sob orientação de Nelson Rodrigues, foi instalado o sistema fitodepurador com aguapés que, durante dois anos, reduziu a poluição do rio Jacaré Pepira em mais de 80%. “Por razões políticas, o sistema foi desativado”, lamenta o engenheiro. Com aperfeiçoamentos, a despoluição com aguapé continua sendo praticada em vários lugares do país. 
			</div></div>
<p style="text-align: center;"><strong>V &#8211; A HISTÓRICA CAMPANHA ANO 2000  </strong></p>
<p style="text-align: left;">Em 1980, Nelson se tornou presidente da Divisão de Meio Ambiente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP). O seu envolvimento com o tema seria crescente e, no dia 4 de outubro de 1985, a AEAP lançaria oficialmente a Campanha Ano 2000 &#8211; Redenção Ecológica da Bacia do Piracicaba. O lançamento se deu com uma circular assinada pelo presidente da AEAP, engenheiro Wanderley Esmael, e pelo presidente da Divisão de Meio Ambiente, Nelson de Souza Rodrigues, o mentor e principal motor da iniciativa.</p>
<p style="text-align: left;">Houve grande repercussão na mídia e sociedade local. Maior impulso se deu com o apoio do Conselho Coordenador das Entidades Civis de Piracicaba, após a apresentação da Campanha por Rodrigues no dia 12 de outubro. Era um conjunto de 32 propostas, depois reunidas na Carta de Reinvindicações, concluída em 1986 e apresentada oficialmente ao governador Orestes Quércia, no Palácio dos Bandeirantes, no dia 30 de julho de 1987.</p>
<p style="text-align: left;">Várias lideranças locais estavam presentes, como o diretor da Esalq, Dr.Humberto Campos, e o diretor do &#8220;Jornal de Piracicaba&#8221;, Rosário Losso Neto. Nelson Rodrigues foi quem apresentou a Campanha e a Carta para Quércia.</p>
<p style="text-align: left;">No dia 11 de novembro de 1987, o governador assinou o Decreto 25.576, criando o Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH), com a missão inicial de estudar medidas para a bacia do Piracicaba, com base na Carta de Reivindicações. Em sua primeira reunião, a 7 de dezembro de 1987, o CERH declarou como crítica a bacia do rio Piracicaba, tendo determinado ao Comitê Coordenador do Plano Estadual de Gestão dos Recursos Hídricos (CCRHI) a elaboração, em 120 dias, de um Programa Prioritário para a Bacia do Rio Piracicaba.</p>
<p style="text-align: left;">Novos estudos foram executados na esfera estadual, embora na prática aquela &#8220;prioridade&#8221; oficial dada para a bacia do rio Piracicaba nunca tenha acontecido. Mas a Campanha Ano 2000 tornou-se absolutamente vitoriosa, pois a partir dela evoluíram ações que levariam a um cuidado maior com o rio Piracicaba e, também, com todas as águas de São Paulo e do Brasil.</p>
<p style="text-align: left;">Um dos avanços importantes foi a criação, a 13 de outubro de 1989, do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos rios Piracicaba e Capivari, por ação dos prefeitos das cidades localizadas mais a montante e mais a jusante do rio Piracicaba, Nicola Cortez, de Bragança Paulista, e José Machado, de Piracicaba.  O Consórcio logo se tornaria uma referência nacional e internacional de mobilização e, não por acaso, o seu primeiro presidente, José Machado, depois seria nomeado presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), criada na esteira da Lei Estadual (de 1991) e Lei Federal de Recursos Hídricos (de 1997).</p>
<p style="text-align: left;">Como uma das consequências das leis estadual e federal, foram instituídos os Comitês de Bacia Hidrográfica, como instâncias de planejamento e decisão sobre as águas de cada bacia. O Comitê das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) foi o primeiro a ser instalado, em 1991.</p>
<p style="text-align: left;">Tudo isso é resultado da mobilização do povo de Piracicaba, a cidade que mais sentiu a degradação das águas nas últimas quatro décadas no estado de São Paulo. O agrônomo Nelson de Souza Rodrigues é um símbolo dessa trajetória, que une luta, indignação e ciência.</p>
<p style="text-align: left;"><div class="box  shadow"><div class="box-inner-block"><i class="tieicon-boxicon"></i>
			<strong>AVANÇOS E DESAFIOS</strong></p>
<p style="text-align: left;">Desde o início da mobilização em Piracicaba, muitos avanços aconteceram na proteção das águas. Além da legislação criada e da instalação de Comitês de Bacias, muitas obras têm sido realizadas. Uma obra fundamental foi a transferência da captação de águas para a maior parte do abastecimento da cidade do rio Piracicaba para o Corumbataí, ainda em 1980, no governo de João Hermann Neto. Decisão muito importante, porque a cidade não ficou dependente do rio cada vez mais poluído.</p>
<p style="text-align: left;">No momento de lançamento da Campanha Ano 2000 – Redenção Ecológica da bacia do Rio Piracicaba, menos de 5% dos esgotos urbanos eram tratados em toda região. Desde então, foram construídas estações de tratamento de esgoto com recursos dos municípios, do Estado e da União, e em 2015 cerca de 50% dos esgotos urbanos da bacia já estão sendo tratados. O tratamento na indústria é de mais de 90% e, no setor sucroalcooleiro, de mais de 95%.</p>
<p style="text-align: left;">Mas a poluição continua e continuaram outras formas de degradação, com o uso inadequado dos solos, excesso de agrotóxicos etc. A seca de 2014-2015 demonstra que os desafios estão longe de total superação. 
			</div></div>
<div id="attachment_2329" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/RioPiracicaba2015Jan_0117xxxxx.jpg"><img class="size-large wp-image-2329" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/RioPiracicaba2015Jan_0117xxxxx-1024x682.jpg" alt="Rio Piracicaba, no famoso salto, com menos de 10% de sua vazão histórica em janeiro de 2015: alta preocupação" width="618" height="411" /></a><p class="wp-caption-text">Rio Piracicaba, no famoso salto, com menos de 10% de sua vazão histórica em janeiro de 2015: alta preocupação</p></div>
<p style="text-align: center;"><strong>VI &#8211; PREOCUPAÇÃO E ESPERANÇA NO FUTURO</strong></p>
<p style="text-align: left;">Testemunha ocular dessa história, Nelson de Souza Rodrigues sente há décadas a degradação dos rios, em particular do Piracicaba. Mas não deixa de ficar especialmente preocupado com a atual crise hídrica, caracterizada por uma redução impressionante do volume de água do Sistema Cantareira mas, também, por problemas em sistemas de abastecimento em vários municípios da bacia do rio Piracicaba. Pelo menos dez municípios têm enfrentado rodízio ou outras medidas de contenção desde o final de 2014. &#8220;Precisou acontecer uma crise dessas para as pessoas e o governo se darem conta do tamanho do desafio&#8221;, ele comenta.</p>
<p style="text-align: left;">O agrônomo considera vital, para a futura segurança hídrica nas bacias do PCJ, que sejam construídas represas ao longo dos principais rios. &#8220;A forte estiagem contribuiu para a crise, mas aconteceu e é preciso evitar que ocorra novamente no futuro, mesmo que os reservatórios sejam repostos agora. Foi um aviso muito forte, precisamos estar preparados para perturbações hídricas como essa no futuro&#8221;, ele adverte.</p>
<p style="text-align: left;">Ele tem dois motivos de esperança. Um deles é a possível reação popular, como já ocorreu historicamente na bacia do Piracicaba. O outro, uma conscientização ambiental maior por parte das novas gerações, e o agrônomo tem um claro exemplo em casa.</p>
<p style="text-align: left;">Seguindo os ensinamentos do pai, seus filhos e filhas, assim como a esposa Yonne, já falecida,  sempre estiveram com ele nos momentos mais importantes da carreira científica e de ativista. E é um de seus netos, Luccas Guilherme Rodrigues Longo, o coautor, com o avô, do livro &#8220;Piracicaba, seu rio, seus peixes&#8221;, lançado em 2014, pelo Proac do governo estadual e com apoio da Prefeitura de Piracicaba.</p>
<p style="text-align: left;">O livro documenta o olhar de Nelson de Souza Rodrigues sobre o rio Piracicaba. São informações completas sobre o rio e a sua bacia de 1,2 milhão de hectares, com destaque para os estudos sobre peixes. O piracicabano Luccas é biólogo, especialista em Bioecologia e Conservação pela UNIMEP e mestre em Conservação de Ecossistemas Florestais pela Esalq/USP.</p>
<p style="text-align: left;">O agrônomo folheia o livro pouco depois de apresentar alguns objetos que resumem a sua trajetória de pesquisador inquieto. O raro cascudo-espinho fruto de suas incursões na taxidermia, as personalidades mundiais que esculpiu em miniatura. O legado de Nelson de Souza Rodrigues é cristalino como a água que um dia ele espera voltar ao leito do Piracicaba. As novas gerações dão continuidade à sua trajetória de amor às águas.</p>
<div id="attachment_2325" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson5.jpg"><img class="size-large wp-image-2325" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Nelson5-1024x682.jpg" alt="O agrônomo e suas miniaturas de personalidades mundiais, que ele mesmo esculpiu: a história nas mãos" width="618" height="411" /></a><p class="wp-caption-text">O agrônomo e suas miniaturas de personalidades mundiais, que ele mesmo esculpiu: a história nas mãos</p></div>
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		<title>ANA começa a usar satélite para fiscalizar uso da água: região de Campinas terá restrições</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2014 19:22:29 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>A Agência Nacional de Águas (ANA) começou a utilizar imagens de satélite para monitorar áreas com restrição de uso da água por causa da estiagem prolongada. A prática começou a ser adotada na bacia do rio Piranhas-Açu, entre Paraíba e Rio Grande do Norte. A ANA está adotando medidas de restrição em várias regiões, em função do estado crítico dos recursos hídricos. No Nordeste, mais da metade dos 494 reservatórios monitorados pela ANA estão com menos de 30% da capacidade. Nesta semana, foram definidas as medidas de restrição que serão observadas a partir de janeiro na bacia do rio Piracicaba, na região de Campinas e Sul de Minas, onde estão as nascentes &#8211; os usuários mineiros conseguiram uma alteração na proposta original na reunião desta sexta, 19 de dezembro, em Camanducaia (MG).</p>
<p>Segundo a ANA, imagens de satélite estão sendo empregadas para identificar, quantificar e monitorar áreas irrigadas ao longo do rio Piranhas-Açu, onde desde outubro de 2013 tem sido adotadas regras de restrição de usos por causa da seca. Este ano, ainda conforme a Agência,  foram vistoriados todos os sistemas de abastecimento público instalados ao longo do rio. Durante as vistorias, os sistemas foram devidamente regularizados e avaliados, para proposição de melhorias que garantam seu pleno funcionamento.</p>
<div>Em 2014, acrescenta a ANA, as ações de fiscalização na bacia hidrográfica do rio Piranhas-Açu foram intensificadas, principalmente com o objetivo fazer cumprir a <a href="http://arquivos.ana.gov.br/resolucoes/2014/641-2014.pdf">Resolução ANA nº 641/2014,</a> que estabelece regras de restrição ao uso de recursos hídricos para finalidades de irrigação e aquicultura.</div>
<div>Para averiguação das regras de restrição de uso da água foram vistoriados 104 usuários ao longo dos municípios de Coremas, Cajazeirinhas, Paulista, Pombal, São Bento na Paraíba, além de Jardim de Piranhas e Jucurutu, no rio Grande do Norte. Foram emitidos 43 autos de infração a usuários que estavam descumprindo as regras de restrição. Os usuários com áreas irrigadas superiores a cinco hectares que foram notificados reduziram suas áreas.</div>
<div>De acordo com a ANA, ações regulatórias emergenciais têm sido adotadas como meio de minimizar os impactos gerados pela forte estiagem que o semiárido brasileiro vem atravessando. Cerca de 60% dos 494 reservatórios monitorados pela ANA no semiárido encontram-se atualmente com menos de 30% da capacidade de armazenamento. São 84% dos reservatórios do Ceará; 76% do Rio Grande do Norte, principalmente nas regiões do Seridó e do Apodi; 69% da Paraíba, particularmente o Açude Epitácio Pessoa, que abastece, dentre outras, a cidade de Campina Grande; 44% no Piauí, nas regiões de Picos e São Raimundo Nonato; e 29% em Pernambuco, sobretudo na porção norte do sertão.</div>
<div><strong>Bacia do Rio Piracicaba</strong> &#8211; Regras de restrição do uso da água passarão a vigorar em janeiro de 2015 na bacia do rio Piracicaba, na região de Campinas. As regras foram propostas pela ANA, como órgão federal, e Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), como órgão estadual. Foram incorporadas, na proposta final, sugestões encaminhadas pelos usuários de águas na bacia.</div>
<div>
<p>As regras estabelecidas pela ANA e pelo DAEE para o trecho paulista da bacia do rio Piracicaba valerão para captações nas bacias do Jaguari, Camanducaia e Atibaia a montante (rio acima) da confluência dos rios Jaguari e Atibaia quando o volume útil, disponível por gravidade, for menor que 49hm³ no Sistema Equivalente do Cantareira – composto pelas represas Jaguari, Jacareí, Cachoeira e Atibainha –, o que equivale a 5% do volume útil.</p>
<p>De acordo com as novas regras – que segundo a ANA &#8220;buscaram equilibrar a possibilidade de restrição nos diferentes pontos das bacias&#8221; –, será considerado Estado de Alerta quando no Alto Atibaia a vazão for maior que 4m³/s e menor 5m³/s no posto de monitoramento Captação Valinhos. No Baixo Atibaia, a vazão considerada é acima de 3,5m³/s e menor que 5m³/s no posto Acima de Paulínia. Este estado também vale para o rio Camanducaia quando as vazões forem maiores que 1,5 m³/s e menores que 2m³/s no posto Dal Bo.</p>
<p>Para o rio Jaguari, o alerta será identificado no posto Foz quando o manancial registrar vazões acima de 2m³/s e abaixo de 5m³/s. Para os usuários a montante do Sistema Cantareira, será considerado o posto Pires com vazões superiores a 2,5m³/s e inferiores a 5m³/s. Tais valores deverão ser acompanhados pelos usuários no site da Sala de Situação PCJ (<a href="http://www.sspcj.org.br/">www.sspcj.org.br</a>).</p>
<p>O Estado de Alerta, conforme a ANA não restringe o uso da água, &#8220;mas tem a finalidade de alertar os usuários sobre a proximidade de uma restrição&#8221;. As vazões consideradas serão calculadas às segundas e quintas com base nas vazões médias registradas nas 72 horas antes das aferições. Para o Estado de Restrição, que entrará em vigor quando as vazões ficarem abaixo das de alerta, serão reduzidos 20% do volume diário outorgado para captações para abastecimento público ou dessedentação animal – usos considerados prioritários pela Política Nacional de Recursos Hídricos em situações de escassez.</p>
<p>Em caso de restrição, os demais usos terão que interromper as captações, exceto os não consuntivos (que não consomem água, como a aquicultura). Para usos que demandam menos que 10 litros por segundo instantaneamente, outra regra prevista é a suspensão da retirada de água de 7h a 13h para usos industriais e de 12h a 18h para captações com as finalidades de irrigação ou dessedentação de animais.</p>
<p>Para o trecho mineiro da bacia do rio Jaguari (formador da bacia do rio Piracicaba) a montante da divisa entre Minas Gerais e São Paulo, a ANA e o IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas, órgão do estado de Minas Gerais) estabelecem o Estado de Alerta quando o rio tiver vazões acima de 2m³/s e menores que 4m³/s no ponto de monitoramento Pires. A proposta original previa vazões superiores a 2,5m³/s e inferiores a 5m³/s. O Estado de Restrição será para vazões iguais ou menores que 2m³/s. Caso esta situação aconteça, os mesmos percentuais aplicados aos diferentes usos em São Paulo valerão para Minas Gerais. Os horários para suspensão da retirada de água para usos inferiores a 10 l/s também são iguais para ambos os estados.</p>
</div>
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