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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Cidadania</title>
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		<title>Mude1Hábito transforma a Praça Arautos da Paz em um grande espaço de saúde e movimento</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 17:05:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Evento gratuito, promovido pela Unimed Campinas, reúne atividades para todas as idades, esporte, experiências de bem-estar, atrações infantis e feira de adoção de pet. A Praça Arautos da Paz,  em Campinas, será palco de uma manhã especial dedicada à saúde, ao movimento e à convivência em família. Neste domingo, 26 de julho, das 9h às 13h, ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em><i>Evento gratuito, promovido pela Unimed Campinas, reúne atividades para todas as idades, esporte, experiências de bem-estar, atrações infantis e feira de adoção de pet.</i></em></p>
<p>A Praça Arautos da Paz,  em Campinas, será palco de uma manhã especial dedicada à saúde, ao movimento e à convivência em família. Neste domingo, 26 de julho, das 9h às 13h, acontece a edição NÓS em Movimento do Mude1Hábito, iniciativa que incentiva a adoção de hábitos saudáveis de forma leve, divertida e acessível para toda a comunidade.</p>
<p>Com uma programação pensada para envolver pessoas de todas as idades, o evento contará com 12 estações temáticas que promovem experiências voltadas ao bem-estar físico, mental e emocional. A proposta é mostrar que pequenas mudanças na rotina podem gerar grandes benefícios para a saúde e para a qualidade de vida.</p>
<p>Entre as novidades desta edição está a realização de uma feira de adoção de pets, acompanhada de ações de conscientização sobre guarda responsável, reforçando a importância do cuidado com os animais e da construção de lares mais acolhedores.</p>
<p>As crianças terão à disposição uma série de atividades educativas e recreativas, como pintura facial, contação de histórias, <a href="https://unimedcampinas-my.sharepoint.com/:p:/g/personal/wsomazz_unimedcampinas_com_br/IQBpU8V1uKhUQ4SHPun5CkKKAeXZN42MXNgBjrbzjEpFOD0?e=VJFhmj">uma divertida caixa surpresa para</a> adivinhar qual é o alimento e ganhar brindes, além de brinquedos infláveis, cama elástica e a oportunidade de conhecer o interior de uma ambulância de verdade.</p>
<p>Para quem busca momentos de relaxamento e autocuidado, a programação oferece <em><i>quick massage</i></em>, espaço lounge para descanso e aula de yoga para todas as idades. Já os participantes que desejam se movimentar poderão aproveitar atividades como dança, <em><i>e</i></em> <em><i>bootcamp (spinning + funcional)</i></em> e alongamento.</p>
<p>O esporte também terá destaque com a participação de atletas do Vôlei Campinas e do Unimed Campinas Basquete, que promoverão momentos de interação e aproximação do público com as modalidades esportivas. Outra atração será a divertida Bike Suco, onde os participantes produzem o próprio suco enquanto pedalam.</p>
<p>O evento contará ainda com informações de Medicina Preventiva e com uma feirinha de frutas frescas e distribuição de água.</p>
<p>Os pets também têm espaço dedicado no evento com ponto de hidratação.</p>
<p>Em meio às diversas estações, haverá um ponto de atenção à saúde com a presença de profissionais especializados, responsáveis por verificar peso e idade dos participantes interessados, aferir pressão arterial e realizar teste de glicemia para triagem de diabetes. Todos os resultados serão registrados no protocolo de atendimento e, caso seja identificada alguma alteração, o participante poderá ser encaminhado para exame laboratorial complementar.</p>
<p>Logo na chegada, o público receberá brindes especiais, limitados ao estoque disponível. Todas as atividades serão realizadas por ordem de chegada, sem necessidade de inscrição prévia, respeitando a capacidade de cada espaço.</p>
<p>Aberto a toda a comunidade e com participação gratuita, o <strong><b>Mude1Hábito – Edição NÓS em Movimento  </b></strong>convida famílias, amigos e moradores da região a viverem uma manhã de aprendizado, diversão e inspiração para uma vida mais saudável.</p>
<p><strong><b>Serviço</b></strong></p>
<p>Evento: <strong><b>Mude1Hábito – Edição NÓS em Movimento</b></strong><br />
Data: <strong><b>Domingo, 26 de julho de 2026</b></strong><strong><b><br />
</b></strong>Horário: <strong><b>Das 9h às 13h</b></strong><strong><b><br />
</b></strong>Local: <strong><b>Praça Arautos da Paz – Campinas</b></strong><strong><b><br />
</b></strong>Entrada: <strong><b>Gratuita</b></strong><br />
Aberto a: <strong><b>Toda a comunidade</b></strong></p>
<p>Parcerias: Prefeitura de Campinas, Sanasa, Vôlei Renata, Unimed Campinas Basquete, Medlar e GoodBom Supermercados.</p>
<p><strong><b>Sobre a Unimed Campinas</b></strong></p>
<p>Compromisso com a saúde é o negócio da Unimed Campinas, a maior Unimed do interior do Brasil, que soma mais de meio século de mercado. O cuidado com o todo está no DNA da Cooperativa, que atualmente possui mais de 3.600 médicos cooperados e uma ampla rede de clínicas, hospitais e laboratórios credenciados, além dos serviços próprios, que são referência na região.</p>
<p>A Unimed Campinas é comprometida com a qualidade de vida de mais de 750 mil pessoas em atendimento, cuidando também da comunidade. Além de toda essa estrutura, a Cooperativa é patrocinadora de diversos projetos sociais e ambientais, promovendo cuidado integral com o meio ambiente e oferecendo oportunidades de acesso ao esporte, trabalho e cultura a comunidades da Região Metropolitana de Campinas. A confiança estabelecida com seus beneficiários e a solidez alcançada em 55 anos de mercado garantem à Unimed Campinas mais de 70% do <em><i>marketshare</i></em> da região.</p>
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		<title>Associação dos Moradores do Jardim Novo Campos Elíseos celebra 65 anos</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 19:03:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>

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		<description><![CDATA[No próximo dia 25 de julho, sábado, a Associação dos Moradores do Jardim Novo Campos Elíseos estará comemorando seus 65 anos. É uma das mais antigas Associações dos Moradores de Campinas, com uma trajetória marcada pela defesa da cidadania. A celebração acontecerá a partir das 10 horas, na rua Mogi Mirim, que estará fechada para ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No próximo dia 25 de julho, sábado, a Associação dos Moradores do Jardim Novo Campos Elíseos estará comemorando seus 65 anos. É uma das mais antigas Associações dos Moradores de Campinas, com uma trajetória marcada pela defesa da cidadania.</p>
<p>A celebração acontecerá a partir das 10 horas, na rua Mogi Mirim, que estará fechada para uma extensa programação. Estão previstas atividades, todas gratuitas, como sarau, diversas brincadeiras para crianças e apresentações musicais, entre outras.</p>
<p>A Associação dos Moradores do Jardim Novo Campos Elíseos foi estruturada e construída diretamente pela população do bairro, que por exemplo adquiriu, de forma coletiva, um terreno para a edificação da sede própria. O espaço foi recebendo, ao longo do tempo, muitos projetos e iniciativas em benefício da comunidade.</p>
<p>A sede da Associação já teve sala de escola, foi espaço para reuniões de Igrejas Católica e Evangélicas, antes que pudessem ser estruturadas no bairro, e também já cedeu espaço para uma base da Polícia Militar, entre outras atividades.</p>
<p>Atualmente, a sede é o local de muitos projetos, como capoeira, Biblioteca na Praça de Leitura, Oficina de Dança Country, Artesanato, Lacre sua Amizade com Solidariedade (os lacres são trocados por cadeiras de rodas e outros equipamentos, para uso de pessoas com deficiência), Ritbox, Aulas de Fit Dance e reuniões do Conseg e Projeto Vizinhança Solidária. &#8220;A Associação sempre foi e continua sendo mantida pela ação voluntária&#8221;, observa o presidente da organização, Delcídio Marcelino dos Santos, há 24 anos atuando na instituição.</p>
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		<title>Prêmio IAC e Medalha Dom Pedro II são oferecidos a profissionais nos 139 anos do Instituto Agronômico</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 20:57:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Carla Gomes (MTb 28156), jornalista científica e assessora de comunicação IAC O Instituto Agronômico (IAC) celebrou nesta terça-feira, 30 de junho, seus 139 anos de fundação, completados no último dia 27. Criado por decreto de D. Pedro II em 1887, o IAC chega a 2026 como referência nacional em ciência e inovação agrícola, que ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong><i><span style="font-weight: 400;">Por Carla Gomes (MTb 28156), jornalista científica e assessora de comunicação IAC</span></i></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Instituto Agronômico (IAC) celebrou nesta terça-feira, 30 de junho, seus 139 anos de fundação, completados no último dia 27. Criado por decreto de D. Pedro II em 1887, o IAC chega a 2026 como referência nacional em ciência e inovação agrícola,</span> <span style="font-weight: 400;">que transformam lavouras em todo o Brasil.  O IAC desenvolveu — até junho de 2026 — 1.205 cultivares de 112 diferentes espécies vegetais, muitas delas presentes em campos agrícolas em quase todas as regiões brasileiras. O Instituto atua também na geração de pacotes tecnológicos que contribuem para elevar a produtividade e a sustentabilidade das lavouras e a qualidade dos produtos que chegam aos consumidores. Além de celebrar seus mais recentes resultados históricos, o Instituto comemora, na sede do IAC, em Campinas, com a entrega do Prêmio IAC e da Medalha Mérito Científico D. Pedro II a profissionais internos e externos que se destacam na agricultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A entrega do Prêmio IAC é parte das comemorações de aniversário do Instituto, vinculado à APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Este ano, será entregue também a Medalha Mérito Científico Dom Pedro II. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Prêmio IAC, instituído em 1994, é um reconhecimento ao mérito científico e desempenho institucional de seus pesquisadores e servidores de apoio. Externamente, é oferecido a agricultores parceiros, empresas e instituições de pesquisa e ensino que se destacam no universo da agricultura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria interna Pesquisador Científico, o agraciado com o Prêmio IAC 2026 é Afonso Peche Filho, da Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Engenharia e Automação do IAC, instalada em Jundiaí. Peche atua na busca de metodologias para desenvolver modelos de gestão com ênfase na qualidade e competitividade de sistemas operacionais de produção, aliados à sustentabilidade. É engenheiro agrônomo, mestre em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutor em Ciências Ambientais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Iniciou suas atividades no IAC em 1986. Tem experiência em Engenharia de Biossistemas, com ênfase em Mecanização Agrícola Conservacionista e Gestão Ambiental de Bacias Hidrográficas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria interna Servidor de Apoio Técnico, o premiado é </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Edvaldo Novelli Gomes, da Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Seringueira e Recursos Agroflorestais. Vadão, como é carinhosamente conhecido, tem quase 40 anos de sua vida dedicados à ciência. Braço direito dos programas de melhoramento de plantas anuais do IAC, participa de toda avaliação e seleção de linhagens e variedades de diferentes espécies sob experimentação em Votuporanga. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Premiar Edvaldo Novelli Gomes é reconhecer que em muitas variedades selecionadas e lançadas pelo IAC houve a dedicação e o empenho deste profissional”, comenta o coordenador do Instituto, Marcos Landell. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na categoria externa do Prêmio IAC 2026 – Personalidade do Agronegócio, o agraciado é Marcelo Eduardo Lüders, presidente e fundador do </span><b>Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE)</b><span style="font-weight: 400;">.  Lüders é parceiro do Programa Feijão IAC e tem intensa atuação na divulgação e transferência ao setor produtivo da qualidade dos feijões desenvolvidos pelo Instituto. Em sua carreira, destaca-se por promover o </span><b>consumo, a produção e a exportação de feijões e pulses brasileiros</b><span style="font-weight: 400;">. É especialista em Feijão da </span><b>Bolsa Brasileira de Mercadorias</b><span style="font-weight: 400;"> desde 2002, consultor da </span><b>Câmara Setorial do Feijão do Ministério da Agricultura e Pecuária,</b><span style="font-weight: 400;"> desde 2006, membro da </span><b><i>Global Pulses Confederation</i></b><b>,</b><span style="font-weight: 400;"> desde 2008, e editor do boletim e analista do </span><b>Clube Premier</b><span style="font-weight: 400;"> desde 2017. </span></p>
<p><b>Medalha Mérito Científico Dom Pedro II</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Medalha do Mérito Científico Dom Pedro II foi instituída pelo Governo do Estado de São Paulo em homenagem ao bicentenário de nascimento do Imperador, por meio do Decreto nº 70.137, de 1º de dezembro de 2025. Destina-se a distinguir personalidades — físicas ou jurídicas, civis ou militares, nacionais ou estrangeiras — que tenham contribuído de forma notável para o avanço científico no Estado de São Paulo e no Brasil, além de reconhecer serviços relevantes prestados ao Instituto Agronômico (IAC) e ao povo paulista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta segunda edição de entrega desta honraria, o agraciado é o pesquisador aposentado do IAC, Ignácio José de Godoy, responsável pelo Programa de Melhoramento Genético de Amendoim ao longo de toda sua carreira. Graças ao seu trabalho, as cultivares de amendoim desenvolvidas pelo IAC ocupam cerca de 70% das lavouras paulistas dessa oleaginosa e fazem de São Paulo o maior produtor nacional. Atualmente, o Programa é apoiado por 22 empresas da cadeia produtiva e é um exemplo de sucesso de parceria público-privada. Godoy ingressou como pesquisador no IAC em 1975. Engenheiro agrônomo formado pela Unesp, fez mestrado e doutorado na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, um dos centros mundiais de excelência em melhoramento genético do amendoim. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Renováveis, turismo e agricultura sinalizam novo ciclo de desenvolvimento no Nordeste</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 20:40:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Campinas, 30 de junho de 2026 Por José Pedro Soares Martins Investimentos que tornaram a região o principal polo de energia solar e eólica do Brasil, instalação de datacenters e campus avançados do ITA e IMPA Tech, proliferação de projetos de logística, salto na produção agrícola familiar e do grande agronegócio, expansão do turismo, associado ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Campinas, 30 de junho de 2026</strong></p>
<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p>Investimentos que tornaram a região o principal polo de energia solar e eólica do Brasil, instalação de datacenters e campus avançados do ITA e IMPA Tech, proliferação de projetos de logística, salto na produção agrícola familiar e do grande agronegócio, expansão do turismo, associado à riqueza do patrimônio histórico e cultura local. Ao mesmo tempo, ampliação da rede de Universidades públicas estaduais e federais, com a consequente evolução no acesso ao ensino superior.</p>
<p>O Nordeste passa por um dos seus mais importantes períodos de desenvolvimento, com uma robusta dinâmica econômica e social em múltiplas áreas, resultando em um panorama favorável à superação de diferentes desafios e de uma visão estereotipada sobre a região, construída historicamente. Este é o olhar de diferentes especialistas, de diversas áreas, consultados pela Agência Social de Notícias.</p>
<p>A perspectiva geral é a de que o Nordeste vivencia, pela soma de vários fatores, uma oportunidade histórica em termos de protagonismo e desenvolvimento sustentável. A região foi o centro econômico e político do Brasil nos séculos iniciais do período colonial, tendo inclusive a primeira capital do país, Salvador (BA), por quase dois séculos. Agora é a hora de uma virada de página, com a escrita, por múltiplas mãos, de um roteiro novo para a região que é o lar de 54,6 milhões de brasileiros, de acordo com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>
<p>O Nordeste tem 27% da população brasileira, mas soma 13% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A pobreza crônica atinge 48% da população, mas há importantes sinais de avanços, em alguns indicadores, justamente pelo novo ciclo de desenvolvimento vivenciado pela região. Em 1960, o PIB per capita do Nordeste era somente de 25% do que era encontrado na Região Sudeste. Em 2020, já era de 42%. O Índice Gini, que mede a desigualdade econômica, era de 0,546 em 2012, subindo para 0,556 em 2021, mas já melhorou para 0,517 em 2022. O Índice Gini varia de 0 a 1 e quanto mais perto de 1, maior a desigualdade.</p>
<blockquote><p>&#8220;O crescimento projetado para o Nordeste, de 3,4% ao ano entre 2026 e 2034 — acima da média nacional — não é conjuntural: é o reflexo de uma vantagem comparativa que a transição energética global transformou em vantagem competitiva estrutural&#8221;, afirma o presidente do IBGE, Márcio Pochmann.</p></blockquote>
<p>&#8220;Na sequência, a camada dessa transformação se apresenta como logística e geoeconômica. O deslocamento da produção brasileira para o interior como o Matopiba, o Cerrado nordestino, cria uma demanda de escoamento que aponta diretamente para os portos do Nordeste&#8221;, continua Pochmann, citando três das áreas de dinamismo acelerado de crescimento na região, a das energias renováveis, do agronegócio e da logística.</p>
<p><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/04/NE-novo1.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-21343" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/04/NE-novo1.jpeg" alt="NE novo(1)" width="1600" height="1234" /></a></p>
<p><strong>Energias renováveis desenham nova paisagem no Nordeste</strong></p>
<p>Durante muito tempo, a condição de o Nordeste estar situado em grande parte em uma território semiárido foi apontada, em uma visão primária e superficial, como um empecilho ao pleno desenvolvimento da região. Pois, nos últimos anos, justamente os recursos naturais nordestinos têm sido confirmados como alguns dos elementos responsáveis pelo impulso ao desenvolvimento sustentável regional. No caso, a própria natureza é a base da matriz energética renovável que foi estruturada no Nordeste.</p>
<p>&#8220;O Nordeste brasileiro vive uma inflexão histórica sem precedentes. Depois de muito tempo, os seus ativos naturais  (irradiação solar, ventos, posição atlântica) coincidem com uma demanda global estrutural por energia limpa. A região já responde por 91% da energia eólica e 50% da solar do país, e essa base serve de plataforma para os maiores projetos de hidrogênio verde do hemisfério sul, com corredores verdes estabelecidos com (o porto de) Rotterdam e em negociação com mercados asiáticos&#8221;, diz Márcio Pochmann.</p>
<p>De fato, nas últimas décadas, o Nordeste passou a sediar o mais importante polo de energia solar e eólica no Brasil, com projetos que desenharam uma nova paisagem para a região. As fazendas de energia solar, espalhadas por vários estados, e as unidades de energia eólica, pontilhando o belo litoral nordestino, são a materialização de investimentos em uma área crucial não só para o Brasil, mas para todo o planeta, o da urgência de enfrentamento das mudanças climáticas, tendo a transição energética como uma plataforma essencial.</p>
<p>Segundo o Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2025, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ao final de 2024 o Brasil tinha 236 gigawatts de energia elétrica instalada, com as fontes hidráulicas gerando 56% da eletricidade no país. O maior crescimento foi das plantas de geração solar fotovoltaica, com aumento de sua capacidade instalada em 28% em relação a 2023, alcançando um total de 48.468 MW, ultrapassando a potência instalada das termelétricas (UTEs).</p>
<p>Em 2025, de janeiro a novembro, a potência de geração de energia elétrica no Brasil foi ampliada em 6.751,03 megawatts (MW), com 118 novas usinas, novamente com destaque para a energia solar. Foram 53 novas centrais solares fotovoltaicas (2.464,04 MW) e 37 eólicas (1.537,90 MW). A maior parte dos novos projetos de energia solar e eólica foi instalada no Nordeste.</p>
<p>Os estudos para a consolidação do polo de energia solar e eólica no Nordeste não param. No final de maio de 2026 foi lançado o estudo de viabilidade de um projeto inédito no Brasil, de uma planta piloto de energia solar concentrada (CSP), prevista para operar no Piauí. O projeto, especificamente para Brejo do Piauí, a 400 km de Teresina, é fruto da parceria entre SENAI, Piauí Instituto de Tecnologia (PIT) e CGN Brasil.</p>
<blockquote><p>&#8220;O Piauí já é referência em geração de energia renovável e, agora, queremos nos tornar referência também no contexto da usina solar concentrada e da pesquisa aplicada&#8221;, assinala Rafael Jales, diretor-presidente do PIT.</p></blockquote>
<p>De modo diverso dos sistemas fotovoltaicos tradicionais, a energia solar concentrada emprega calhas parabólicas para concentrar a luz solar e gerar calor. Com isso, é possível a conversão contínua de energia térmica em eletricidade mesmo durante a noite, ou mesmo em horas de baixa incidência da luz solar.</p>
<p>Um dos elementos-chave na expansão dos parques solar e eólico na região foram os investimentos por parte do Banco do Nordeste (BNB). Somente no período 2019-2022, o BNB investiu R$ 25 bilhões em projetos de energia solar e eólica em sua área de abrangência, sendo R$ 5,9 bilhões contratados apenas em 2022.</p>
<p>Uma das áreas promissoras é da geração eólica offshore. Logo serão instalados os primeiros aerogeradores no mar, o que já motiva várias iniciativas, como a da preparação de profissionais para o setor, por parte do Serviço Nacional da Indústria (SENAI) do Rio Grande do Norte.</p>
<blockquote><p>&#8220;O offshore é a próxima fronteira brasileira para a geração de energia. Temos aí um novo horizonte, um novo mercado, uma oportunidade para o país com as melhores condições de vento do mundo, e as pessoas precisam estar preparadas para o que irá surgir”, observa o diretor regional do SENAI-RN, Rodrigo Mello.</p></blockquote>
<div>Com efeito, a FAETI – Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais do SENAI-RN abriu em 2026 um programa de pós-graduação pioneiro no país. O curso contempla uma especialização <i>lato sensu</i> com 40 vagas e duração de 14 meses. O novo curso antecipa o atendimento a uma demanda por profissionais na área de energia eólica offshore que é uma das mais promissoras no setor.</div>
<div></div>
<div>A licença prévia para o primeiro projeto de energia eólica offshore no Brasil foi emitida em 2026 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para o Rio Grande do Norte. O projeto, uma planta-piloto ou sítio de testes para estudos com foco na atividade, foi concebido pelo SENAI-RN, por meio do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER).</div>
<div></div>
<div>&#8220;A criação da FAETI, a especialização em eólica offshore e as outras formações que temos agora ou nos planos não foram, portanto, uma decisão de virada de chave. Não foram uma mera oportunidade de mercado. Mas, sim, a busca por atender a mais uma demanda industrial, aproveitando a competência que desenvolvemos ao longo dos últimos 20 anos de trabalhos que têm envolvido as energias renováveis nos nossos centros e a infraestrutura de ponta que construímos para esse fim”, ratificou Rodrigo Mello, do SENAI-RN.</div>
<div><div class="clear"></div><div class="divider"></div></div>
<div></div>
<div><strong>Hidrogênio verde e etanol são outras vertentes de renováveis no Nordeste</strong></div>
<div></div>
<div>Mas não são apenas as fontes eólica e solar que indicam um protagonismo cada vez maior do Nordeste. Também são os casos do etanol, em que a região já tem uma forte presença, e a do hidrogênio verde, por exemplo no caso dos projetos anunciados para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém no Ceará. No caso do etanol, não há perspectivas somente para o segmento da cana-de-açúcar, mas de outras vertentes, como o etanol do agave, que também é tradicional em território nordestino.</div>
<div></div>
<div>Planta originária do México, mas que se adaptou muito bem no semiárido e outras regiões do Brasil, o agave pode vir a ser mais uma importante opção no cardápio de alternativas para a produção do etanol no país. O agave é uma planta que está na origem da fabricação tanto da tequila quanto das fibras de sisal e que está no centro de linhas de pesquisa envolvendo duas das principais instituições científicas paulistas, ambas sediadas em Campinas, a Unicamp e o Instituto Agronômico.</div>
<div></div>
<div>A Unicamp é uma das parceiras, ao lado da Shell e do Senai Cimatec, da Bahia, entre outras instituições, do Programa Brave – Brazil Agave Development, lançado em novembro de 2022 e que contempla a construção de uma biorrefinaria de etanol a partir do agave na caatinga baiana. O Brave, que também envolve USP, Unesp e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), abrange o trabalho de dezenas de pesquisadores, empenhados na viabilização do uso do agave para a produção de etanol.</div>
<div></div>
<div></div>
<blockquote>
<div>“O potencial do agave para a transição energética é imenso”, afirma Fabio Raya, pesquisador do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) do Instituto de Biologia da Unicamp.</div>
</blockquote>
<div>Ele nota que, perfeitamente adaptado ao semiárido, o agave, entre outros diferenciais, precisa de um volume de chuvas de 300 a 800 milímetros por ano, por hectare, enquanto a cana-de-açúcar demanda um volume de 1.200 a 1.800 milímetros de chuvas anuais, por hectare.</div>
<div></div>
<div>Além do mais, o agave consegue resistir a longos períodos sem chuva. Raya lembra também que o rendimento do agave por hectare pode chegar a 880 toneladas de alta densidade energética, proporcionando ainda o armazenamento de 617,7 toneladas de água e a captura de 385,4 toneladas de carbono.</div>
<div></div>
<div>Outro dado que ratifica as enormes perspectivas abertas pelo uso do agave para a produção do etanol é que ele pode ser cultivado em toda a extensão da caatinga, que soma 84 milhões de hectares entre a Região Nordeste e o norte de Minas Gerais, enquanto a atual produção de cana-de-açúcar abrange cerca de 8 milhões de hectares, entre o interior de São Paulo, regiões do Centro-Oeste e áreas de estados nordestinos próximas ao litoral.</div>
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<div>Em função de todos esses elementos é que um conjunto de instituições públicas e privadas se reuniu no Brave, que já tem resultados relevantes. Foi no âmbito do programa que cientistas do LGE-IB da Unicamp aplicaram engenharia genética para desenvolver uma cepa geneticamente modificada da levedura <em>Saccharomyces cerevisiae</em>, que tem a capacidade de digerir o principal carboidrato presente no agave.</div>
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<div>A cepa desenvolvida pelos pesquisadores da Unicamp, que gerou um pedido de patente encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), contribui para o processo de produção do etanol a partir do agave. As pesquisas na Unicamp sobre agave utilizaram variedades na coleção do Instituto Agronômico de Campinas.</div>
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<div>De modo vinculado ao cenário das energias renováveis, o Nordeste também conta com grande potencial para exploração das terras raras, consideradas essenciais para a transição energética global, entre outros usos em tecnologia de ponta. A Bahia já representa 33% d0s requerimentos de pesquisa de terras raras no Brasil, sendo o estado líder neste ranking, com mais de 1.000 áreas já autorizadas. No extremo sul baiano, a canadense Energy Fuels Brasil desenvolve um projeto de exploração de terras raras, com investimento de mais de R$ 130 milhões, enquanto, no Recôncavo Baiano, a Brazilian Rare Earths (BRE) desenvolve o Projeto Monte Alto, através da Borborema Recursos Estratégicos.</div>
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<div>Por outro lado, também crescem no Nordeste os investimento no setor de combustíveis fósseis. A Petrobras anunciou em maio de 2025 um investimento de mais de R$ 70 bilhões, em grande parte para o Projeto Sergipe Águas Profundas, o que representará a duplicação da contribuição do Nordeste na produção do gás natural no país, dos atuais 16% para 31% em 2025. O projeto contempla a construção de duas novas plataformas pela SBM Offshore, além da reabertura da fábrica de fertilizantes nitrogenados (Fafen) em Laranjeiras.</div>
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<div><strong>Agricultura, cada vez maior forte no Nordeste </strong></div>
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<div>      De forma muito próxima à contribuição da região para a transição energética, uma demanda que é global, o Nordeste também tem uma produção agrícola cada vez mais forte. E não somente em termos do grande agronegócio, centrado em commodities para exportação, mas também no caso da agricultura familiar, que de qualquer modo necessita de maior apoio para consolidação e expansão.</div>
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<div>       Um indicador sinalizando o avanço da agricultura na região é o fato de que o PIB agrícola per capita do Nordeste, em 1960, era de 71% em relação ao do Sudeste. Em 2020, já era de 141% em relação ao do Sudeste, com uma clara contribuição da expansão da agricultura de alta intensidade tecnológica no Matopiba, mas com a dilatação do setor também no território conhecido como SEALBA, formado pelos estados do Sergipe, Alagoas e Bahia. Uma das explicações para o crescimento agrícola expressivo no SEALBA é que, enquanto na maior parte do país o plantio das culturas agrícolas ocorre entre setembro e dezembro, no conjunto dos três estados ocorre geralmente entre abril e junho.</div>
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<div>        Com uma colheita na entressafra nacional, os preços se tornam mais atrativos. Além disso, o terreno em boa parte do SEALBA tem uma suave ondulação, com uma declividade entre 3% e 8%, considerada ideal para a mecanização agrícola. E, além do mais, o SEALBA está localizado nas cercanias de três saídas estratégicas: Salvador e os portos de Barra dos Coqueiros (SE) e Maceió (ALA), o que representa menor custo de transporte e competitividade para os produtos da região.</div>
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<div>        Mas realmente, por sua magnitude, chama mais atenção o vigor do agronegócio no Matopiba, a região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O Oeste baiano, tendo como epicentro os municípios de Luis Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério, é uma das grandes estrelas mais ou menos recentes do agro nacional, ao lado da Região Centro-Oeste. A área coberta por pivôs centrais no extremo-oeste baiano, somando mais de 330 mil hectares irrigados, é uma das faces da alta intensidade tecnológica na agricultura da região.</div>
<div><em><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Matopiba.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-21695" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Matopiba.jpg" alt="Matopiba" width="307" height="198" /></a></em></div>
<div><em>                                                                           Mapa do Matopiba (Embrapa Territorial)</em></div>
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<div>        O Matopiba reúne 337 municípios e abrange uma área de cerca de 73 milhões de hectares. Engloba mais de 324 mil estabelecimentos agrícolas, 46 unidades de conservação, 35 terras indígenas e 781 assentamentos de reforma agrária, segundo levantamento feito pelo Grupo de Inteligência Estratégica (GITE) da Embrapa.</div>
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<div>      Com base nos dados da Embrapa Territorial, que usa sensoriamento remoto por satélite, entre outras tecnologias,  a região Matopiba foi oficialmente estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) por meio da Portaria Nº 244, datada de 12 de novembro de 2015, e publicada no Diário Oficial da União. Muito antes, porém, a região como um todo já vinha se destacando pela produção intensiva em produtos como soja e milho.</div>
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<div>        A produção de soja, de fato, tem sido particularmente expressiva na região. Em 2013, a produção total era de 6.818.375 toneladas e, já em 2018, chegou  a 14.012.453 toneladas, representando um aumento de mais de 100% em seis anos. Grande parte da produção é exportada, tendo a China como cliente especial. Entre 2012 e 2017, as exportações de soja do Matopiba para a China evoluíram 176%, chegando a US$1,85 bilhão. Hoje o Matopiba reponde por 19% da produção de soja no Brasil.</div>
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<div>        Em maio de 2026, o Porto de Itaqui, em São Luis (MA), por onde é escoada grande parte da produção do Matopiba, bateu um recorde histórico de movimentação. Foram 2,76 milhões de toneladas de granéis sólidos transportadas através do Porto, o maior volume já registrado por Itaqui em um único mês. Somente a soja respondeu por 2,18 milhões de toneladas, o que representa novo recorde para a commodity e superando a marca anterior de 2,15 milhões de toneladas. No total, o Porto movimentou 16 milhões de toneladas de grãos em 2025 e somente nos primeiros cinco meses de 2026 foram 13 milhões de toneladas. Números que confirmam o vigor do potencial econômico do Matopiba.</div>
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<div>      &#8220;A região do Matopiba, delimitada por estudos da Embrapa Territorial, representa uma importante fronteira agrícola no Nordeste, com forte expansão da produção de grãos como soja, milho e algodão em áreas de Cerrado. Os trabalhos do projeto Matopiba destacam o dinamismo produtivo impulsionado por tecnologias e mecanização, que elevaram significativamente a produção regional nas últimas décadas&#8221;, assinala o chefe da Embrapa Territorial, sediado em Campinas (SP), Gustavo Spadotti.</div>
</blockquote>
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<div>       A agricultura familiar também evolui no Nordeste, embora permaneçam desafios importantes. Agricultores familiares da região  participaram por exemplo da Anuga 2025, a maior feira internacional de alimentos e bebidas, realizada em outubro de 2025 em Colônia, na Alemanha.<img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1661326&amp;o=node" alt="" /><img src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1661326&amp;o=node" alt="" /> Mel da Caatinga, amêndoas de castanha de caju, farinha de babaçu e cajuína foram alguns produtos nordestinos, fabricados pela agricultura familiar, apresentados na grande vitrine global de alimentos e bebidas, ratificando um novo momento para o segmento.</div>
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<div>O avanço da pesquisa é outro sinal do crescimento da agricultura no Nordeste. É o caso do centro de pesquisa da multinacional argentina GDM em Petrolina (PE), que foi recentemente ampliado de 200 para 450 hectares, para a intensificação dos estudos em trigo, girassol, sorgo, milho e soja. Este hub de pesquisa recebeu o berçário de soja da empresa que funcionava no Tocantins e a previsão da GDM é tornar o polo de Petrolina em uma estação multicultura de inovação agrícola.</div>
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<div><strong>Indústria também avança</strong></div>
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<div>Muitos investimentos também estão alicerçando a indústria no Nordeste. Um caso expressivo é o da fábrica da montadora chinesa BYD em Camaçari (BA), em uma antiga unidade da Ford, que está ampliando sua capacidade instalada de produção de 150 mil para 300 mil veículos por ano. A fábrica tem produzido cerca de 800 automóveis por dia, em um ritmo alucinante, visando, entre outras frentes, ampliar as vendas internas e, também, as exportações para países como Argentina e México.</div>
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<div>O setor de comércio está igualmente em ebulição no Nordeste. A região já conta, por exemplo, com o terceiro maior varejista do Brasil em faturamento, depois de Carrefour e Assaí. É o Grupo Mateus, que opera no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, e ficou maior, com a fusão com o Novo Atacarejo, de Pernambuco, em operação aprovada em julho de 2025 pelo Cade. O Grupo Mateus é um gigante, pouco conhecido fora de seus domínios, somando mais de 270 lojas.</div>
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<div><strong>Logística conta com projetos estratégicos</strong></div>
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<div>Para escoar a produção agrícola e industrial, é fundamental melhorar a logística do Nordeste. E, nos últimos anos, são vários os projetos e investimentos apontando para a consolidação desse segmento na região, em diversas frentes e modais de transporte.</div>
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<div>Um claro exemplo é o da Ferrovia Transnordestina. A ferrovia ligará Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), passando por 53 municípios e somando 1.206 quilômetros de extensão. Considerada a maior obra linear em execução no Brasil, a ferrovia foi planejada para ampliar o escoamento de grãos, fertilizantes, combustíveis, cimento e minério, fortalecendo a logística e o desenvolvimento econômico do Nordeste.</div>
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<div>A primeira fase da Transnordestina está com cerca de 81% de execução e a previsão é de conclusão da etapa em 2027. De um orçamento previsto de R$ 15 bilhões, o empreendimento já recebeu R$ 9,8 bilhões em investimentos. Os recursos são derivados do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).</div>
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<div>&#8220;A Transnordestina, que realizou sua primeira viagem comissionada em 2025, e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), conectada ao porto de Ilhéus, são os elos que podem fazer do Nordeste o nó atlântico de uma rota bioceânica Brasil-Peru-Pacífico. Nesse cenário, Pecém e Suape não são apenas portos regionais, mas potenciais plataformas de conexão entre o interior produtivo brasileiro e os mercados asiáticos, competindo com o corredor sul via Porto Murtinho e Chancay&#8221;, observa o presidente do IBGE, Márcio Pochmann.</div>
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<div>Mas há muito mais em processo. A Ponte Salvador-Itaparica, uma obra esperada há décadas, e orçada em cerca de R$ 10 bilhões, está em em plena execução. No Rio Grande do Norte, estão em pleno desenvolvimento os estudos e tratativas para estruturação do Porto-Indústria Verde, destinado à exportação de produtos da energia renovável no estado, incluindo os projetos para hidrogênio e amônia verde, e-metanol e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). O governo do Rio Grande do Norte já deu sinal verde para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estruturar o projeto, previsto para funcionar em Caiçara do Norte.</div>
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<div><strong>Novos polos tecnológicos e universidades públicas</strong></div>
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<div>Todo o avanço econômico do Nordeste, em energias renováveis, agricultura e indústria, é alicerçado na ampliação dos polos de pesquisa. Caso do Parque Tec UFPE, que será instalado no Edifício Celso Furtado, em Recife, onde funcionava a sede da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). As obras já estão em licitação, com recursos assegurados pela Finep.</div>
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<div>O novo parque tecnológico da Universidade Federal de Pernambuco contará com projetos, em parceria com instituições como o Hospital das Clínicas da UFPE, e também com startups, como as já graduadas BioredOX, Matech Solution, Move´s Brasil e Arquea TEC.</div>
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<div id="attachment_21562" style="width: 490px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ITA.jpeg"><img class="size-full wp-image-21562" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ITA.jpeg" alt="Abertura de campus do ITA no Ceará ratifica momento novo do ensino superior no Nordeste (Foto Arquivo ITA)" width="480" height="310" /></a><p class="wp-caption-text">Abertura de campus do ITA no Ceará ratifica momento novo do ensino superior no Nordeste (Foto Arquivo ITA)</p></div>
</div>
<div>Mas existem outros indicadores da expansão de projetos de alta tecnologia na região. No último dia 1º de abril, o Ministério da Educação inaugurou o alojamento estudantil do novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, referente à primeira etapa de obras. Os investimentos dessa etapa somam R$ 75,8 milhões, valor repassado pelo MEC ao Governo do Ceará para a execução das obras do alojamento e dos prédios acadêmicos das engenharias.</div>
<div></div>
<div>Contemplando todas as etapas de implantação do novo campus, o investimento total do MEC no ITA Ceará poderá ultrapassar R$ 445,4 milhões. Desse valor, segundo o Ministério da Educação, R$ 353,9 milhões são destinados para as obras de construção e expansão da infraestrutura, e R$ 91,2 milhões são voltados à aquisição de equipamentos de laboratório, mobiliário e estrutura operacional necessária para o funcionamento acadêmico da instituição.</div>
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<div>De certa forma, o ITA está &#8220;voltando à casa&#8221;. O Instituto foi fundado por um cearense, o Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho. O ITA foi responsável pela formação do primeiro mestre em Engenharia no Brasil, em 1963, e o primeiro doutor, em 1970. O vestibular do ITA é reconhecido como um dos mais difíceis do país. A implantação do ITA no Ceará deriva de processo desencadeado em 2023, fruto da cooperação entre os ministérios da Educação e da Defesa, em parceria com o Governo do Ceará, para ampliar a formação de engenheiros de excelência no país.</div>
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<div>Também  está em curso a estruturação do IMPA Tech Nordeste, com campus em Teresina, no Piauí. Lançado em 2024 no Rio de Janeiro, o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) Tech tem foco na formação profissional voltada a áreas como tecnologia, ciência de dados e inteligência artificial, atendendo principalmente estudantes com histórico de destaque em olimpíadas científicas. Já o IMPA Tech Nordeste, com calendário a ser definido, ofertará até 50 vagas por ano e apoio integral aos estudantes, incluindo moradia e auxílio para subsistência.</div>
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<div>“A ideia foi aproveitar os talentos que nós temos de jovens estudantes no Brasil para se aperfeiçoarem na área da engenharia, da matemática, da ciência de dados, da robótica, da inteligência artificial. Eu acredito que [o IMPA Tech Nordeste] será um grande e importante equipamento, que vai formar grandes profissionais no Nordeste”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana, no ato de anúncio da instalação do IMPA Tech Nordeste.</div>
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<div>A nova unidade do IMPA Tech será instalada no antigo prédio do Centro de Formação Antonino Freire, direcionado à formação de talentos da Região Nordeste em matemática, ciência de dados, robótica, inteligência artificial e ciência da computação. No mesmo ato de anúncio do IMPA Tech  Nordeste, o ministro da Educação também assinou a autorização para a oferta do curso de medicina da Universidade Federal do Piauí (UFPI) no campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano (PI).</div>
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<div>A instalação de unidades do ITA e do IMPA no Nordeste acompanha o processo de dilatação da rede de Universidades públicas na região, reforçando o salto no desenvolvimento. No Brasil, a média de população com ensino superior é de 16,75%. No Nordeste, a média é inferior em todos os estados: Rio Grande do Norte (13,61%), Sergipe (13,35%), Paraíba (13,16%), Pernambuco (12,62%), Piauí (12,54%), Alagoas (11,85%), Ceará (11,51%), Bahia (10,77%), e Maranhão (9,86%).</div>
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<div id="attachment_21563" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Bizerril.jpg"><img class="size-full wp-image-21563" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Bizerril.jpg" alt="Marcelo Bizerril: uma nova malha de Universidades como indutor do desenvolvimento no Nordeste (Foto Arquivo Pessoal)" width="1600" height="1407" /></a><p class="wp-caption-text">Marcelo Bizerril: uma nova malha de Universidades como indutor do desenvolvimento no Nordeste (Foto Arquivo Pessoal)</p></div>
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<p>Várias ações estão sendo tomadas para mudar este panorama e os resultados estão sendo colhidos. Entre 2023 e 2024, segundo o Mapa do Ensino Superior, do Semesp, o número de matrículas no ensino superior no Brasil cresceu 2,5%, atingindo 10,2 milhões de matrículas. No Nordeste, o número de matrículas cresceu 3,2%, chegando a 2,1 milhões de matrículas, o segundo maior número regional absoluto no país, atrás da Região Sudeste, com 4,5 milhões de matrículas. Este crescimento em todo país se refere às matrículas presenciais e por Ensino à Distância (EAD).</p>
<p>Uma das razões para o incremento do acesso ao ensino superior no Nordeste é a abertura de novos campus e também de novas Universidades públicas, sobretudo no interior. Esta foi a constatação de Marcelo Ximenes Aguiar Bizerril, professor da Universidade de Brasília (UnB), que fez um estudo sobre o avanço das universidades federais no país desde o início do século 21: “O processo de expansão e interiorização das Universidades Federais brasileiras e seus desdobramentos”. Ele lembra que o estudo abrangeu somente as Universidades Federais, pois também houve processos semelhantes nas Universidades estaduais, além das instituições de ensino superior particulares.</p>
<p>Doutor em Ecologia, ele nota que algumas das mais antigas instituições de ensino superior no Brasil foram criadas no Nordeste, casos das Faculdades de Medicina de Salvador (primeira capital brasileira), em 1808, e de Direito, do Recife, de 1827. Nos séculos seguintes, entretanto, houve o deslocamento cada vez maior do poder econômico e político para o Sudeste, tendo como uma das consequências o menor número de instituições de ensino superior no Nordeste, e todas basicamente nas capitais estaduais.</p>
<p>A modificação desta dinâmica acontece a partir  do lançamento pelo Ministério da Educação, através do Decreto 6096/2007, do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). O Programa contemplou a criação de novos campi e Universidades Federais, além da abertura de novos cursos e vagas nas instituições já existentes.</p>
<p>Marcelo Bizerril destaca em especial as Universidades e novos campi instalados no interior dos estados, citando por exemplo a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), a Universidade Federal do Cariri (UFCA), a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Desde o início do Reuni até 2020, a malha de Universidades Federais no Nordeste somou 18 instituições, com 75 campi (maior número de campi em federais no país).</p>
<p>Marcelo Bizerril também evidencia um caso especial, o da criação da Universidade de Integração Internacional de<br />
Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), instalada no Ceará, com importante atuação no panorama dos países de língua portuguesa e outros da África. “Uma instituição diferenciada, com uma visão bem cosmopolita”, ele complementa.</p>
<p>Uma perspectiva semelhante é a de Robert Evan Verhine, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nascido e criado na Califórnia, Estados Unidos, Bob Verhine, como é conhecido, concluiu o bacharelado em Economia pela Universidade da Califórnia. Tem mestrado em Estudos Latinoamericanos pela mesma Universidade e doutorado pela Universidade de Hamburgo, Alemanha. Professor visitante de várias Universidades, foi diretor de 1998 a 2007 do Centro de Estudos Interdisciplinares do Setor Público (ISP), ligado à UFBA, onde trabalha desde 1977.</p>
<p>Com um amplo conhecimento, portanto, da realidade educacional do Nordeste, e em particular da Bahia, Bob Verhine assinala que a região de fato está em uma situação muito melhor em termo de ensino superior, com destaque para o fenômeno da interiorização das instituições públicas, federais e estaduais. “Na Bahia temos por exemplo um número de alunos de pós-graduação fora de Salvador muito maior hoje do que no passado, em função da forte interiorização das instituições”, diz ele.</p>
<p>Bob Verhine destaca, por outro lado, que o avanço do ensino superior no Nordeste foi igualmente impacto pelas ações afirmativas em curso nas universidades brasileiras, sobretudo nas públicas. Houve iniciativas anteriores, mas com a Lei 12.711, de 2012, a ação afirmativa tornou-se obrigatória nas instituições federais de ensino, com a padronização dos critérios. “As cotas oferecidas pelas Universidades públicas, federais e estaduais, abriram as portas das instituições para muitos alunos, em situação de pobreza ou negros, que antes não tinham acesso ao ensino superior”, comenta o professor da UFBA.</p>
<p>Efetivamente, houve um expressivo aumento no número de estudantes negros em universidades federais do Brasil, crescendo de 17% para 49% em 13 anos. Em 2009, o contingente de estudantes negros era de 135,1 mil, evoluindo para 515,7 mil em 2022. Os dados são de pesquisadores do SoU Ciência (Centro de Estudos, Sociedade, Universidade e Ciência), vinculado à Unifesp – Universidade Federal de São Paulo. Grande parte dos estudantes que tiveram acesso através das cotas são do Nordeste.</p>
<p>O professor Bob Verhine nota que o avanço do ensino superior no Nordeste também deriva da expansão do Ensino à Distância (EaD). “Nem sempre se trata de uma coisa positiva, porque muito estudante à distância não tem este acesso com qualidade”, comenta o especialista. De acordo com o Mapa do Ensino Superior, do Semesp, em  2024, das 2,1 milhões de matrículas no ensino superior no Nordeste, 44% foram na modalidade de EaD.</p>
<p>De qualquer modo, a expansão do acesso ao ensino superior é um elemento crucial para sustentar o salto de desenvolvimento no Nordeste, onde já está em curso, se fato, um novo panorama nos empreendimentos de ciência, tecnologia e inovação. Um fato notável é a proliferação de datacenters na região, como no caso do Mega Lobstere, localizado na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE). O datacenter está em operação desde outubro de 2025, com três megawatts (MW) de capacidade de TI instalada.</p>
<p>Fortaleza é considerada uma porta de entrada de dados da América Latina por sua posição estratégica no ecossistema digital, impulsionada pela alta concentração de cabos submarinos internacionais, que conectam o Brasil à América do Norte, à Europa e à África. O datacenter Mega Lobster está recebendo um investimento de R$ 230 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), gerido pelo Ministério das Comunicações, para expansão.</p>
<p>No Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), a 60 quilômetros de Fortaleza (CE), está em construção o primeiro datacenter na América Latina da chinesa ByteDance, dona do TikTok. Trata-se de um investimento bilionário, construído em parceria Omnia e com a energia fornecida pela Casa dos Ventos, que atua em energia eólica. “O data center é um investimento histórico que inaugura um novo capítulo na infraestrutura tecnológica do TikTok no Brasil”, comenta o gerente de Políticas Públicas do TikTok no Brasil, Fabiano Barreto.</p>
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<p><strong>A força criativa do Nordeste na base do processo de desenvolvimento</strong></p>
<p>Para os especialistas ouvidos pela Agência Social de Notícias, a cultura do Nordeste é a força motriz do processo de desenvolvimento da região. São dimensões indissociáveis, como acentuava o economista Celso Furtado (ver box abaixo). Pois a economia criativa nordestina também tem sido um fator de geração de muito trabalho e renda, como no caso das Festas Juninas que atraem cada vez mais turistas, seduzidos pela disputa saudável entre, por exemplo, as cidades de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB).</p>
<p>Também há o Carnaval, outra expressão reluzente da economia criativa do Nordeste. Olinda e Recife, em Pernambuco, e Salvador, na Bahia, fazem as festas mais badaladas, mas o circuito carnavalesco também se espalha por muitas outras cidades da região.</p>
<p>Estes são os grandes eventos, mas a cultura nordestina é muito mais. É o coco-de-roda que se irradia pelo sertão e pelo litoral, o forró (que um dos maiores folcloristas brasileiros, o potiguar Luis da Câmara Cascudo, defendia ser um diminutivo de forrobodó) também popularíssimo em toda região, o frevo que contagia a partir de Pernambuco e por aí vai. Uma força motriz para a criatividade e a inovação na região.</p>
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<p>UMA FORÇA CRIATIVA SEM IGUAL</p>
<p>O desenhista e diretor de cinema Lancast Mota, cearense de Fortaleza, há muitos anos vivendo no Sul e Sudeste, assinala que a cultura de sua região de origem é o fundamento de seu processo criativo, uma de suas grandes inspirações:</p>
<p>&#8220;A minha infância foi em Fortaleza, eu morava com minha tia e meu pai me levava para o interior nas Festas Juninas. Não tinha luz elétrica onde meu avô morava, mas ele colocava a mesa na frente da casa, com tapioca, café, bolo de milho, broa e vinha todo pessoal da redondeza, sob o luar. Na sexta-feira era só história de assombração, meio medieval, primitiva. Eu ia dormir na rede apavorado. No sábado era repente, cordel, era um ambiente super festivo, com viola, sanfona. Eu moleque, aquelas bandeirinhas, fogueiras enormes, as brasas subindo para o céu, músicas, quadrilha, dança, os momentos de humos, o mamulengo, que é um fascínio para o nordestino. Era muito cordel, Pavão Misterioso, A Moça que Casou com o Bode e por aí vai. Então fui criado nesse caldo de três culturas, indígena, negra e portuguesa. A cultura nordestina te dá uma identidade, com diferentes vertentes, a estética do visual e a estética da arquitetura, a culinária, a música, o cordel, uma cultura enfim que lhe dá uma substância criativa que depois depois, muito tempo fora, aflora de alguma forma. É difícil encontrar outro lugar no planeta com cultura tão rica. Deve ser por isso que o povo é tão alegre. É por isso que alguém como o Mestre Vitalino faz algo, uma estética de bonecos, que vira universal&#8221;, diz Lancast, diretor de filmes de animação como &#8220;O Reino Azul&#8221; e &#8220;Anabel&#8221;. Ele confessa: &#8220;Devo muito a esse lugar, muita coisa que eu carrego, eu trouxe do Nordeste&#8221;. 
			</div></div>
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<p><strong>O turismo no Nordeste, grande potencial para a economia</strong></p>
<p>A cultura nordestina está diretamente associada a um outro potencial da região, o do Turismo, que cresce cada vez mais e tem nas festas como as Juninas e o Carnaval um dos atrativos, mas não o único. &#8220;As pessoas viajam para se encontrarem umas com as outras, encontrar novas culturas, novas conexões, e no momento em que encontram o diferente, o singular, se percebem no universal. Este é o sentido da força do turismo de base popular, comunitária, e sobretudo no Nordeste. As pessoas vão para conhecer, experimentar o que é um Maracatu. Melhor ainda quando apreciam um Maracatu saindo de um canavial, mas se não der assim, que seja na capital&#8221;, afirma o historiador Célio Turino.</p>
<p>Ele foi o pilar de sustentação do projeto que levou à criação de uma rede nacional de Pontos de Cultura na gestão do baiano Gilberto Gil no Ministério da Cultura, e prossegue:  &#8220;É por isso que a humanidade circula, faz turismo, para se ver a si mesmo. O turismo faz esse deslocamento. Circulamos para nos enxergamos. Quando esse deslocamento vem próximo da cultura popular, das raízes e tradições de nosso povo, a gente se enriquece muito, porque aí a gente readquire o sentido de historicidade&#8221;.</p>
<blockquote><p>Turino acrescenta: &#8220;Um dos problemas do tempo atual é a perda do senso de historicidade. Tudo está muito fragmentado, é como as narrativas começassem e terminassem naquele instante. Encontrar com a cultura popular, com uma manifestação de vida pulsante é se reconectar com o sentido de humano e isso o Nordeste tem muito&#8221;, diz Turino.</p></blockquote>
<p>Além da cultura, os recursos naturais do Nordeste são um atrativo em si mesmos. O litoral nordestino não atrai apenas as torres de energia eólica. Um dos mais lindos do mundo, o litoral da região é chamariz permanente para os turistas, nacionais e internacionais.</p>
<p>Em 2024, de acordo com o IBGE, o Nordeste registrou os maiores gastos médios com viagens no Brasil, de R$ 2.523, bem à frente do Sul (R$ 1.943) ,Centro-Oeste (R$ 1.704), Sudeste (R$ 1.684) e Norte (R$ 1.263). Números que ratificam o potencial da turismo da região para gerar emprego, renda e mais desenvolvimento.</p>
<p>De forma associada à cultura e ao turismo está outro ativo da região, o seu patrimônio histórico, natural ou arquitetônico. É o que destaca Marcos Tognon, doutor em Storia Della Critica D&#8217;arte pela Scuola Normale Superiore Di Pisa e atualmente professor livre docente da Universidade Estadual de Campinas.</p>
<blockquote><p>&#8220;O fator mais importante do Nordeste, para todos nós, é reconhecer que  ali foi o primeiro Brasil, no sentido da ocupação e encontro, dos europeus, depois da diáspora africana, escravizada infelizmente, mas que é parte importante de nossa cultura agora, e dos indígenas que ali estavam. Foi o primeiro Brasil, do encontro dessas etnias e do início de construção do que foi o Brasil, seus monumentos, seu patrimônio&#8221;, diz Tognon.</p></blockquote>
<p>Ele acrescenta &#8220;Então temos por exemplo em Salvador um circuito de fortalezas que até hoje podem ser visitadas. Temos também inúmeros monumentos religiosos, talvez os mais expressivos, em Salvador, Recife e outras cidades. Me lembro da Igreja de São Cosme e São Damião, em Igarassu, pintada por Frans Post, no século 17. Excelente obra, fundamental para a história da arquitetura brasileira. E aquilo que foi chamado de paraíso, o paraíso dos trópicos, que foi encontrar esse clima, essa vegetação, essas praias maravilhosas, que até hoje estão lá, embora muito urbanizadas em alguns casos, mas que ainda têm seu potencial. O perímetro marítimo do Nordeste é muito atraente, muito interessante&#8221;, observa.</p>
<p>Tognon lembra que &#8220;a tipologia arquitetônica construída no Nordeste foi depois levada para outras regiões brasileiras&#8221; e cita, ainda, casos como o do Convento dos Franciscanos, em João Pessoa, inaugurado em 1539 e que visitou há pouco tempo. &#8220;Sempre que visitamos o Nordeste, a gente volta animado e querendo mais&#8221;, conclui.</p>
<div id="attachment_21724" style="width: 1090px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Pindorama.jpg"><img class="size-full wp-image-21724" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Pindorama.jpg" alt="Cartaz do documentário &quot;Pindorama: uma história  do Brasil ancestral&quot;" width="1080" height="1080" /></a><p class="wp-caption-text">Cartaz do documentário &#8220;Pindorama: uma história do Brasil ancestral&#8221;</p></div>
<p>Além do patrimônio histórico cultural, o natural é outro grande atrativo nordestino. Caso do Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, uma região que na era pré-colombiana era densamente povoada. O Parque ficou muito conhecido pelos estudos da arqueóloga Niède Guidon sobre a arte rupestre na região.</p>
<p>A história do Parque e de Niède está presente no documentário &#8220;Pindorama: uma história do Brasil ancestral&#8221;, de Marcos Rogatto, lançado em 2025. O documentário revela a rica e pouco conhecida história do território, hoje conhecido por Brasil, antes da chegada dos colonizadores. Através de descobertas arqueológicas e paleontológicas, apresenta os povos originários e os gigantes pré-históricos que habitaram essa terra.</p>
<p>&#8220;Uma das maiores emoções de minha vida foi ver a dois palmos de meu rosto essas pinturas rupestres. Foi impactante, é uma emoção potente. A Serra da Capivara tem coisas maravilhosas, que remetem ao nosso passado ancestral, à história profunda brasileira, como a possibilidade de mudar a teoria da origem da presença humana no continente&#8221;, diz Rogatto.</p>
<div id="attachment_21725" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Pindorama2.jpg"><img class="size-full wp-image-21725" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Pindorama2.jpg" alt="Uma das paisagens do Parque Nacional Serra da Capivara, imagem capturada na filmagem de &quot;Pindorama&quot; (Foto Marcos Rogatto/Divulgação)" width="1600" height="900" /></a><p class="wp-caption-text">Uma das paisagens do Parque Nacional Serra da Capivara, imagem capturada na filmagem de &#8220;Pindorama&#8221; (Foto Marcos Rogatto/Divulgação)</p></div>
<p>Ele entrevistou arqueólogos e paleontólogos para contara pré-história brasileira e, claro, o Parque Nacional da Serra da Capivara é um dos destaques. Afirma o cineasta: &#8220;O legado de Niède é impressionante, incluindo dois museus, o Parque Nacional enorme, mas as pousadas, a pista de pouso, a cerâmica. Para fazer as caminhadas é preciso contratar um guia local, isso gerou muito emprego, há muita gente humilde que hoje é guarda parque, guia, enfim, criou muito emprego. E, claro, tem a beleza natural, o bioma é maravilhoso, os cactus com flores maravilhosas, tem uma vista impressionante, nunca tinha visto igual aqueles cânions, parece até que você está em outro planeta. Então acho um potencial enorme, porque isso é economia criativa, não polui, traz pertencimento, traz renda, autoestima para a comunidade. Esse é o caminho do Brasil, investir em economia criativa&#8221;, conclui Rogatto.</p>
<p>&#8220;Pindorama&#8221;, em síntese, é exemplar de como os recursos naturais do Nordeste são fonte permanente de inspiração para a economia criativa, para a cultura, seja suas manifestações populares tradicionais, seja para uma linguagem como a do cinema. E tudo gerando renda, emprego, desenvolvimento.</p>
<p><strong>Desafios para o desenvolvimento integral da região</strong></p>
<p>Um mosaico de investimentos e projetos, em várias áreas, está alavancando um novo surto de desenvolvimento no Nordeste, fundamental para que a região equacione vários de seus desafios. Um dos mais urgentes é o do saneamento. De acordo com o Instituto Trata Brasil, mais de 13 milhões de habitantes no Nordeste não têm acesso à água potável, e quase 38 milhões vivem sem coleta de esgoto. Diariamente, ainda de acordo com o Trata Brasil, &#8220;um volume equivalente a quase 1,4 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento é despejado no meio ambiente da região, agravando os riscos à saúde pública e ao ecossistema&#8221;.</p>
<p>Também há o desafio da escolaridade e alfabetização. De acordo com o último Censo do IBGE, de 2022, a região apresentou a taxa mais baixa (85,8%) de alfabetização, seguida da Região Norte, com 91,8%, e da Região Centro-Oeste, com 94,9%. A Região Sul mantém a maior taxa de alfabetização do país (96,6%), seguida da Região Sudeste, com 96,1%.</p>
<p>Para o economista Márcio Pochmann, presidente do IBGE, o risco central para o Nordeste é &#8220;o de uma modernização sem enraizamento: um boom energético que exporta amônia em vez de fertilizante sustentável, que importa engenheiros em vez de formá-los, que integra o Nordeste ao mundo sem integrá-lo a si mesmo. O potencial presente do futuro nordestino é real e crescente, ainda que a sua realização dependa de uma decisão política que o Brasil não tomou de forma consistente. Precisa tratar a infraestrutura, a educação técnica e a industrialização verde como política de Estado de longa duração, não como vitrine de mandato&#8221;, acrescenta.</p>
<p>Por sua vez, o chefe da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, reitera o poder do agronegócio de alta intensidade na região, mas entende que, na área agricultura familiar, permanecem desafios importantes, para sedimentação e expansão no Nordeste. &#8220;Caracterizações territoriais e socioeconômicas revelam forte concentração de renda e produção em um pequeno número de estabelecimentos de grande escala, enquanto a maioria dos produtores rurais, predominantemente familiares, enfrenta restrições de acesso a mercados dinâmicos, infraestrutura e inovação tecnológica&#8221;, nota Spadotti.</p>
<div>No bioma Caatinga, continua, os estudos do SITE-Caatinga e das iniciativas de combate à desertificação e Agronordeste da Embrapa Territorial &#8220;enfatizam a diversidade de sistemas de produção da agricultura familiar, adaptados às condições semiáridas. A região apresenta grande variabilidade de contextos agropecuários, com ênfase em atividades que conciliam produção de alimentos, conservação do solo e convivência com a seca&#8221;.</div>
<div>Spadotti destaca que os desafios incluem &#8220;a irregularidade climática, processos de degradação e a necessidade de fortalecimento de práticas sustentáveis, como sistemas agroflorestais e manejo adequado dos recursos hídricos e da vegetação nativa, para garantir resiliência e produtividade em escala familiar&#8221;.</div>
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<div>Quanto ao microcrédito para o produtor rural, complementa Spadotti, as análises territoriais da Embrapa &#8220;apontam que o acesso a financiamento orientado e acompanhado é um dos principais gargalos para a agricultura familiar tanto no Matopiba quanto na Caatinga. Muitos pequenos produtores enfrentam dificuldades de inclusão financeira, capacitação gerencial e integração com cadeias de valor, o que limita a adoção de tecnologias e a diversificação de renda. Os projetos da Embrapa Territorial indicam a importância de políticas que combinem crédito com assistência técnica, ordenamento territorial e estratégias de baixo carbono, visando reduzir desigualdades socioeconômicas e promover o desenvolvimento inclusivo na região Nordeste&#8221;.</div>
<p>Alguns dos desafios para a região são apontados no estudo &#8220;Rotas para o Nordeste: Produtividade, Empregos e Inclusão&#8221;, publicado em 2025 pelo Banco Mundial. O estudo evidencia por exemplo alguns dados do setor industrial. Entre 2000 e 2017, <strong><span style="font-weight: 400;">2,2% das receitas líquidas da indústria manufatureira</span></strong> no Nordeste foram destinados em média à Inovação, o menor índice nas regiões brasileiras e inferior à média do país, de 2,5%. O gasto médio de uma indústria no Nordeste com Inovação é de cerca de 40% da média observada no Sudeste. O Nordeste responde por 8% da exportação de bens do Brasil, contra 50% da Região Sudeste e 20% da Região Sul.</p>
<p>O estudo do Banco Mundial indica alguns roteiros para o que caracteriza como a necessária convergência econômica e social. Um deles é o do incremento da produtividade nos setores industrial e de serviços. &#8220;O aumento da produtividade nos setores de manufatura ou serviços resultaria num crescimento regional maior ao longo do tempo, complementando os ganhos da agricultura&#8221;, afirma o estudo.</p>
<p>O avanço da economia digital no Nordeste é, neste cenário, um elemento promissor, assinala o Banco Mundial. Diz o estudo a respeito: &#8220;Sua economia digital vem se expandindo por meio de iniciativas que promovem a digitalização dos serviços públicos, o crescimento do comércio eletrônico, o empreendedorismo digital, a capacitação em áreas de alta tecnologia e investimentos significativos em data centers. Embora o Sudeste e o Sul ainda abriguem a maior parte dos data centers do país, o setor vem crescendo no Nordeste, especialmente em estados como Ceará e Pernambuco, que oferecem uma combinação única de condições favoráveis para investidores. O Ceará, por exemplo, destaca-se pela disponibilidade de energia eólica, custos operacionais competitivos e conectividade internacional de alta velocidade. A capital Fortaleza recebe mais de 15 cabos submarinos internacionais. Ela é o ponto de chegada para sistemas de alta capacidade como o EllaLink, que fornece conectividade direta entre a América Latina e a Europa, e o Monet, que liga o Brasil aos Estados Unidos. Além disso, o setor recebe incentivos fiscais, com a Sudene oferecendo reduções de até 75% no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica para projetos de data centers e infraestrutura de TIC, além de isenções de ICMS, ISS e IPTU oferecidas por estados e municípios&#8221;.</p>
<p>Um dos economistas mais renomados do Brasil, Luiz Gonzaga Belluzzo acredita que precisam ser mantidos investimentos públicos no Nordeste, em logística, energia e outros setores, como um dos ingredientes para manter o ritmo de desenvolvimento da região. &#8220;O Nordeste precisa de um programa de investimentos públicos consistentes, como em infraestrutura, ferrovias. O investimento público acaba atraindo acaba atraindo o investimento privado&#8221;, afirma ele.</p>
<p>Ele defende, também, o fortalecimento da agricultura familiar, inclusive como componente do processo de redução das desigualdades e de retomada dos estoques reguladores de alimentos, que na sua opinião &#8220;foram abandonados, mas já foram importantes no Brasil&#8221;. O economista também entende que permanecem insuficientes os fundos de investimento destinados ao desenvolvimento do Nordeste, mas também de outras regiões do país. &#8220;O desenvolvimento deve significar a redução das desigualdades, e este era por exemplo o projeto de Celso Furtado para a Sudene&#8221;, diz Belluzzo, sintetizando um dos grandes desafios para que o alto ciclo de desenvolvimento do Nordeste tenha real sustentabilidade, significando ganhos reais para toda a população da região.</p>
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<p>Os nordestinos que pensaram (e agiram) sobre o desenvolvimento</p>
<p>Quatro dos maiores pensadores sobre o desenvolvimento no Brasil são nordestinos. De diferentes profissões ou visões, deram contribuição fundamental para reflexões profundas a respeito do processo de desenvolvimento, na perspectiva do Brasil e em especial do Nordeste. E não se limitaram a elaborar e expressar ideias. Eles foram ativos em participar de iniciativas visando fomentar um desenvolvimento justo, solidário, democrático e cidadão, particularmente voltadas para a sua região de origem. Seu legado é inestimável e com certeza lança luzes neste momento em que o Nordeste vive um conjunto de elementos promissores sinalizando um novo e consistente ciclo de desenvolvimento.</p>
<p>Um nome lendário é o do economista paraibano de Pombal Celso Furtado (1920-2004), que tem uma das mais importantes contribuições em pensar o desenvolvimento. Para ele, a economia, mas também a cultura, são fundamentais para alavancar o desenvolvimento. Foi inclusive o primeiro ministro da Cultura do Brasil, entre 1986 e 1988. Atuou na Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), vinculada à ONU, e foi criador da Sudene, da qual foi o primeiro superintendente, de 15 de dezembro de 1959 a 1964. Durante este período, é por um ano, foi o primeiro ministro do Planejamento do BR, no governo de João Goulart. Com o golpe militar, foi um dos primeiros cassados, partindo para o exílio que durou 21 anos. Autor, entre outros, de Formação Econômica do Brasil (1959), A Operação Nordeste (1959) e Uma política de desenvolvimento econômico para o Nordeste, todos de 1959, ano em que criou a Sudene.</p>
<p>O médico e geógrafo Josué de Castro (1908-1973), pernambucano de Recife, é outro nome emblemático. Seu livro Geografia da Fome, de 1946, é um clássico da literatura sobre a temática da fome e segurança alimentar. De enorme respeito no plano mundial, foi embaixador do Brasil na ONU e presidente do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Também foi cassado e exilado com o golpe militar, passando a atuar em vários órgãos internacionais.</p>
<p>Paulo Freire (1921-1997), pernambucano de Recife, é justamente celebrado em todo mundo por seus inúmeros trabalhos em Educação, mas sua obra também é associada ao pensamento sobre o desenvolvimento. Considerava o desenvolvimento como indissociável da democracia, justiça e equidade social, como expôs em Educação como Prática da Liberdade, de 1965. Freire é um dos nomes mais respeitados no mundo na esfera educacional, por obras como Pedagohia do Oprimido, lançado em 1968 em edição em espanhol e em 1972 em português.</p>
<p>O baiano de Brotas de Macaúbas Milton Santos (1926-2001) é um dos mais renomados geógrafos no plano internacional, tendo lecionado em várias Universidades estrangeiras e brasileiras. Recebeu o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel da Geografia, em 1994. Para ele, o conceito de espaço foi modificado pelos avanços tecnológicos. Entendia que o Brasil estava dividido em quatro grandes regiões (Sul e Sudeste formando a região concentrada, em função do critério &#8220;meio técnico-científico-informacional). Autor de obras como O Espaço Dividido, de 1979, A Natureza do Espaço de 1996. 
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		<title>Flotilha Cênica Campinas-Gaza, no Festival Artes pela Paz</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 20:53:34 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Cultura Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo mundo acompanhou, em tempo real, a missão da Global Sumud Flotilla (GSF) de 2025, uma ação humanitária em direção a Gaza, na Palestina, composta por ativistas de vários países, inclusive do Brasil, e que tentou furar o bloqueio e entregar alimentos e, sobretudo, solidariedade às vítimas do genocídio. A Flotilla viajou entre agosto e ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Todo mundo acompanhou, em tempo real, a missão da Global Sumud Flotilla (GSF) de 2025, uma ação humanitária em direção a Gaza, na Palestina, composta por ativistas de vários países, inclusive do Brasil, e que tentou furar o bloqueio e entregar alimentos e, sobretudo, solidariedade às vítimas do genocídio. A Flotilla viajou entre agosto e outubro de 2025, não conseguindo chegar a Gaza. Muitos ativistas foram detidos e depois deportados, inclusive a vereadora de Campinas Mariana Conti.</p>
<p>A missão humanitária despertou manifestações de solidariedade em todo o planeta e uma delas se materializou no videoarte &#8220;Flotilha Cênica Campinas-Gaza&#8221;, concebido por e com direção geral de Â<strong><span style="font-weight: 400;">ngela Mayumi Nagai e direção do vídeo por Murilo Ferrari. O videoarte é resultado de uma filmagem com várias pessoas, muitas delas estreantes em iniciativas do tipo. A filmagem aconteceu no CIS-Guanabara, em Campinas, e o videoarte foi convidado pelo Instituto Casa Comum para integrar a programação do Festival Artes pela Paz. &#8220;Flotilha Cênica Campinas-Gaza&#8221; será exibido nesta sexta-feira, 26 de junho, a partir das 20 horas, como parte do encerramento da programação do Festival.</span></strong></p>
<div id="attachment_21648" style="width: 1034px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Flotilha.jpg"><img class="size-full wp-image-21648" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Flotilha.jpg" alt="Cartaz do vídeoarte (Design Gráfico: Roberto Galian)" width="1024" height="1280" /></a><p class="wp-caption-text">Cartaz do vídeoarte (Design Gráfico: Roberto Galian)</p></div>
<p>Multiartista, formada pela primeira turma de dança do Instituto de Artes da Unicamp, onde fez mestrado e doutorado, com especialização em Teatro Nô japonês, Ângela Mayumi evidencia a ação voluntária das pessoas que participaram do videoarte. &#8220;Ninguém ganhou nada, foi apenas solidariedade a Gaza&#8221;, diz ela.</p>
<p>A idealizadora da obra assinala que o videoarte mostra basicamente a força de uma linguagem artística de matriz multicultural como expressão de solidariedade, uma ação humanitária através da arte, da beleza, para mostrar o drama vivenciado pela população de Gaza, na Palestina. &#8220;É  possível movimentar muitas energias positivas para furar este e outros bloqueios&#8221;, sintetiza Ângela, que destaca o apoio ao projeto por parte do CIS-Guanabara, Diretoria de Cultura e Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp, nos 60 anos da Universidade. É mais uma manifestação de solidariedade internacional de Campinas, por um mundo mais justo, humano e pacífico.</p>
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		<title>Semana da Sustentabilidade em Campinas promove experiência sensorial sobre desafios da pessoa idosa</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 20:37:11 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Atividade simula as limitações de quem já passou dos 60, a fim de estimular a empatia, o cuidado e a adoção de hábitos saudáveis A Semana da Sustentabilidade 2026 da Unimed Campinas começou nesta segunda, 22 de junho, com uma proposta que promete provocar reflexão sobre empatia, cuidado e qualidade de vida. Destaque da programação, ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Atividade simula as limitações de quem já passou dos 60, a fim de estimular a empatia, o cuidado e a adoção de hábitos saudáveis</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Semana da Sustentabilidade 2026 da Unimed Campinas começou nesta segunda, 22 de junho, com uma proposta que promete provocar reflexão sobre empatia, cuidado e qualidade de vida. Destaque da programação, que segue até 26 de junho, a experiência sensorial “Imersão na Longevidade – </span><b><i>Você está pronto para sentir o tempo?”, </i></b><span style="font-weight: 400;">foi criada para que o público interno da cooperativa, formado por colaboradores e médicos, possa vivenciar, no próprio corpo, os diversos desafios enfrentados diariamente por pessoas 60+.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atividade consiste em uma jornada prática que simula limitações físicas e sensoriais comuns no processo de envelhecimento. Os participantes utilizam óculos com campo de visão diminuído para tentar ler um livro, sentem a restrição de movimentos ao usar cotoveleiras e joelheiras, experimentam a dificuldade de locomoção, percebem a perda auditiva com tampões de ouvido e enfrentam a redução da precisão tátil ao manusear uma calculadora de teclas miúdas em uma das mãos e uma luva espessa, na outra. Cada etapa é acompanhada por frases de impacto que reforçam a importância de olhar para o envelhecimento com mais sensibilidade e respeito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A Imersão na Longevidade foi pensada para despertar consciência. Quando alguém jovem experimenta na pele as limitações que muitos idosos enfrentam em seu cotidiano, acaba por desenvolver uma nova forma de compreender o outro. Afinal, o envelhecimento é uma grande conquista, mas exige acolhimento, paciência e atitudes mais humanas”, destaca o presidente da Unimed Campinas, Dr. Gerson Muraro Laurito, explicando que a iniciativa está alinhada ao propósito de cuidar das pessoas em todas as fases da vida. “E essa vivência reforça que o cuidado também passa por empatia e por escolhas que promovem um envelhecimento mais saudável”, completa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência será levada a todas as unidades da Unimed Campinas ao longo da semana, permitindo que colaboradores e médicos participem em diferentes horários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Semana da Sustentabilidade 2026 também contará com palestras, dinâmicas e esquetes teatrais sobre consumo consciente e responsabilidade socioambiental, ampliando o debate sobre bem-estar, inclusão e futuro sustentável.</span></p>
<p><b>Sobre a Unimed Campinas </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compromisso com a saúde é o negócio da Unimed Campinas, a maior Unimed do interior do Brasil, que completou 55 anos de mercado em 2025. O cuidado com o todo está no DNA da Cooperativa que reúne mais de 3.600 médicos cooperados e uma ampla rede de clínicas, hospitais e laboratórios credenciados, além dos serviços próprios, que são referência na região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Unimed Campinas é comprometida com a qualidade de vida de mais de 750 mil pessoas em atendimento, cuidando também da comunidade. Além de toda essa estrutura, é apoiadora de diversos projetos sociais e ambientais, promovendo cuidado com o meio ambiente e oferecendo oportunidades de acesso ao esporte, trabalho e cultura a comunidades da RMC. A confiança estabelecida com seus beneficiários e a solidez alcançada até aqui garantem à Unimed Campinas mais de 70% de participação no mercado regional.</span></p>
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		<title>Lar dos Velhinhos, 122 anos pela dignidade</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 02:19:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Martins Em 2026, o Lar dos Velhinhos de Campinas celebra nada menos que 122 anos de trajetória. Uma longa e rica existência, pela longevidade com dignidade e plena inclusão social. O Lar dos Velhinhos trata de uma das questões mais desafiadoras no momento para o Brasil e o planeta em geral, o ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>Em 2026, o Lar dos Velhinhos de Campinas celebra nada menos que 122 anos de trajetória. Uma longa e rica existência, pela longevidade com dignidade e plena inclusão social.</p>
<p>O Lar dos Velhinhos trata de uma das questões mais desafiadoras no momento para o Brasil e o planeta em geral, o rápido envelhecimento da população. E o país não tem política pública adequada para responder a esse movimento.</p>
<p><b>  </b><b>   </b><b> </b>Segundo o Censo Demográfico de 2022, aplicado pelo IBGE, o Brasil tem 32 milhões de pessoas idosas, com 60 anos ou mais, 17,8 milhões dos quais de mulheres e 14,2 milhões de homens. Esse contingente,  representando cerca de 15,8% da população brasileira, faz com que o país seja o sexto com maior número de pessoas idosas do planeta, depois da China, Índia, Estados Unidos, Japão e Rússia.</p>
<p>Já existe legislação específica sobre os direitos das pessoas idosas no país. A Lei 8.842, de 1994, instituiu a Política Nacional da Pessoa Idosa. Depois de uma década, e exatamente em 2003, foi editado o Estatuto da Pessoa Idosa.</p>
<p>Contudo, é evidente que a pessoa idosa no Brasil ainda tem que lutar muito para garantir alguns de seus direitos. Durante a pandemia de Covid-19, a maioria das vítimas fatais foi de pessoas idosas, confirmando a situação de vulnerabilidade de grande parte dessa população  O Lar dos Velhinhos de Campinas é uma das organizações voltadas para assegurar a longevidade com saúde e qualidade de vida para seus usuários. São cerca de 100 usuários, com idade média de 74,28 no sexo masculino e 83,06 anos no sexo feminino. São cadeirantes cerca de 25% dos atendidos.</p>
<p><b>        </b><b>Como aconteceu na história de várias organizações sociais de Campinas, o embrião do Lar dos Velhinhos foi lançado após uma campanha na imprensa.</b> No caso, foram os artigos de Antônio Sarmento, publicados no “Diário de Campinas”, nas edições de 22 de janeiro e 8 de fevereiro de 1899.</p>
<p>A ideia apresentada por Antônio Sarmento ganhou força e finalmente foi viabilizada, após uma forte campanha na comunidade. No dia 25 de julho de 1904, na sala de audiência da Delegacia de Polícia, reunião convocada pelo delegado Paulo  Machado Florence foi decidida a criação de um Asilo dos Inválidos em Campinas, conforme a denominação comum na época.</p>
<p>Foi então eleita uma comissão, presidida pelo próprio Paulo Machado Florence, para organizar os trabalhos visando a estruturação da nova entidade. No dia 13 de agosto de 1905, houve a escolha da primeira diretoria do Asilo dos Inválidos, tendo Orosimbo Maia, que seria prefeito de Campinas, como primeiro presidente.</p>
<p>Essa diretoria mobilizou a comunidade e no dia 10 de dezembro de 1905 foi inaugurado o Asilo dos Inválidos, na chácara “República”, comprada do coronel Bento Bicudo e esposa. A escritura foi lavrada a 23 de outubro de 1905.</p>
<p>O Asilo foi inaugurado com a capacidade de atender a 200 pessoas, em sua maioria idosas e em grande parte vivendo em situação de mendicidade.</p>
<p>Em 1944 teve início uma grande reforma no Asilo. Com um aporte generoso de Risoleta Ferreira Jorge, foi construído o Pavilhão Comendador João Jorge, uma homenagem ao pai da benemérita. Cinco anos depois, foi a vez da inauguração, a 24 de dezembro de 1949, da primeira ala do Pensionato Nossa Senhora das Graças, dedicada às residentes do sexo feminino.</p>
<p><b>Em 1972, a instituição mudou seu nome para Lar dos Velhinhos de Campinas (LVC).</b> Consequência natural da mudança de perfil, pois passou a atender exclusivamente pessoas idosas, com mais de 60 anos.</p>
<p>Depois, com as novas alterações na legislação, como as determinações legais após a Lei nº  8.742, de 7 de dezembro de 1993, e o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, alterada pela Lei nº 14.423, de 22 de julho de 2022, que mudou o nome para Estatuto da Pessoa Idosa), o LVC se tornou uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI).</p>
<p>Muitas mudanças também aconteceram no espaço físico do Lar. O antigo pavilhão original foi derrubado e construídos outros edifícios. Atualmente a instituição conta com infraestrutura completa, numa área muito arborizada, com mais de 72.000 m², na Vila Proost de Souza. A modernização fica evidente ao se chegar ao Lar, onde se entra após o cadastro e reconhecimento facial.</p>
<p>O estatuto social afirma que o Lar dos Velhinhos de Campinas tem como missão realizar ações socioassistenciais de atendimento de forma continuada, permanente e planejada a idosos com 60 anos ou mais, dos dois sexos, por meio da prestação de serviço, execução de programas ou projetos e concessão de benefícios de proteção social básica ou especial, dirigidos às famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade ou risco social e pessoal. As pessoas idosas são encaminhadas pelo órgão gestor de Proteção Social Especial de Alta Complexidade, ou que se apresentem voluntariamente ou são levados por terceiros.</p>
<p>Depois de inscrita, a pessoa idosa passa a usufruir dos serviços oferecidos pelo Lar dos Velhinhos de Campinas. Durante sua estadia, ela é atendida por equipe multiprofissional, formada por assistentes sociais, psicólogas, enfermeira, terapeuta ocupacional, nutricionista, educadora física, médicos, farmacêutica e fisioterapeuta, que atuam sob a supervisão das coordenadoras técnica e de projetos sociais.</p>
<p>Com todo esse olhar multidisciplinar, o usuário participa de projetos terapêuticos e socializantes, visando a sua qualidade de vida, o envelhecimento ativo e a inclusão social. “O nosso propósito é que a pessoa idosa seja de fato incluída na sociedade, não fique marginalizada. Ela se sinta parte integral de sua comunidade”, afirma o presidente do LVC, Mauro Calais de Siqueira.</p>
<p><b>São vários os serviços oferecidos pelo Lar dos Velhinhos. </b>Um deles é o Serviço Social, que visa garantir os direitos institucionais dos idosos residentes, objetivando a proteção integral e as articulações com o sistema de garantia de direitos em promoção, controle e defesa.</p>
<p>Outro serviço é o de Psicologia, que objetiva a promoção, prevenção e recuperação da saúde mental dos idosos residentes em todos os níveis de dependência, através de atividades que incentivam a manutenção e expansão de sua autonomia, tanto em seu autocuidado como nas relações interpessoais.</p>
<p>Terapia Ocupacional é outro serviço, que realiza várias atividades, manuais, expressivas, físicas e socializantes, sempre objetivando estimular e adaptar os idosos, tanto os dependentes como os independentes.</p>
<p>O setor de Nutrição e Dietética conta com nutricionista, cozinheiras, oficiais de cozinha, copeiras e  auxiliares de cozinha. A equipe é responsável por produzir e distribuir as refeições em quatro refeitórios.</p>
<p>Já no setor Médico, dois profissionais de Medicina atuam em vários serviços, como os exames admissionais e ingresso e no atendimento às demandas internas. Muitos ingressantes apresentam comorbidades não diagnosticadas anteriormente, sem o devido seguimento clínico antes da admissão.</p>
<p>Por sua  vez, o setor de Enfermagem conta com enfermeira e mais de 20 auxiliares de enfermagem, que exercem várias atividades, como os atendimentos individuais, a educação continuada dos residentes, atenção em curativos e limpeza, participação nas admissões, acompanhamento de visita de Vigilância Sanitária, participação de visitas hospitalares e domiciliares.</p>
<p><b>     </b> Já o setor de Farmácia está sob responsabilidade de farmacêutica e exercer atividades como organização e verificação das validades dos medicamentos em geral (de controle especial e de uso comum), verificação diária de estoque, entre outras atividades.</p>
<p>Também há os setores de Fisioterapia e Recreação, tudo visando o bem estar geral dos atendidos. As festas em datas especiais, como os Dias das Mães e dos Pais, as Festas Juninas ou Julinas e, claro, o Natal e o Baile de Carnaval, são muito animadas. Sempre com as roupas, músicas e comida adequadas a cada ocasião.</p>
<p>As visitas externas são momentos especiais para os usuários do LVC. Uma viagem que não pode faltar no calendário, nota a superintendente Geise Fabiana da Silva, é ao Santuário de Aparecida do Norte.</p>
<p><b> </b><b>A ação voluntária faz parte da vida do Lar dos Velhinhos de Campinas nos seus 122 anos.</b> É muito importante, por exemplo, na gestão e operação do seu bazar, que funciona na Avenida Governador Pedro de Toledo, 1600, no Bonfim, de segunda a sexta-feira, das 12 horas às 17h30hs. O bazar sempre recebe doações de materiais em boas condições para venda.</p>
<p>O trabalho da diretoria do Lar também é exemplo de voluntariado. A começar pelo presidente, Mauro Calais de Siqueira, que há 16 anos coopera com a instituição.</p>
<p>Outra ação voluntária muito importante foi a Primeira Mostra Mais Sustentável, iniciativa que mobilizou arquitetos, engenheiros, decoradores e outros profissionais, somando mais de 200 pessoas, e realizada entre setembro e outubro de 2017. Foi mais uma atividade mostrando a sintonia do Lar com a comunidade de Campinas e região.</p>
<p>Arquitetos e designers montaram vários ambientes diferenciados, com materiais sustentáveis. Um dos principais benefícios da Mostra para o Lar foi a retirada de dezenas de caminhões de entulhos, contribuindo para a qualificação do espaço.</p>
<p>Mais um exemplo de ação voluntária, artistas, celebridades e pessoas anônimas uniram-se em uma corrente de solidariedade para levar afeto e apoio aos idosos do <a href="https://lvc.org.br/">Lar dos Velhinhos de Campinas</a>, impedidos de receber visitas por causa da pandemia da COVID-19. Eles gravaram vídeos com músicas e palavras de amor e conforto, entre dezenas de manifestações recebidas repletas de carinho. Os apresentadores de TV <a href="https://www.instagram.com/franklindavid/?hl=pt-br">Franklin David</a> e <a href="https://www.instagram.com/lucianagimenez/?hl=pt-br">Luciana Gimenez</a>, e o músico <a href="https://www.derico.com.br/">Derico Sciotti</a> foram artistas que enviaram mensagens de otimismo<b>.</b></p>
<p><b>Manutenção é desafio permanente . </b>A manutenção de uma instituição como o LVC, com todos serviços oferecidos, 24 horas por dia, todos os dias da semana, com 170 funcionários, é um desafio permanente. Os dois termos do convênio mantido com a Prefeitura Municipal de Campinas cobrem 45 vagas. Contribuições da comunidade, de pessoas físicas, são feitas através do call center mantido pelo Lar, que também conta com recursos de seu bazar no Bonfim. Pesquisas feitas pelo LVC mostram que a maior parte das contribuições é feita por pessoas de baixa e média renda. Pela legislação em vigor, referente às Instituições de Longa Permanência do Idoso (ILPI), a organização poderá contar com até 70% do benefício do idoso assistido para custeio. O Lar tinha anteriormente residenciais em regime de hotelaria, mas desde 2014 essa modalidade não existe mais.</p>
<p>A comunidade sempre colaborou com a instituição, que entretanto sempre tem muitos e cotidianos desafios para continuar a sua história, ela mesma muito longeva, de busca da felicidade e dignidade ao longo de toda uma vida. Colabore com o Lar dos Velhinhos de Campinas, sabendo mais sobre a organização nas suas redes sociais ou no WhatsApp Central de atendimento ao Doador: (19) 99668-4945.</p>
<p>O Lar dos Velhinhos de Campinas fica na Rua lrmã Maria de Santa Paula Terrier, 300, Vila Proost de Souza, CEP 13.033-755, fone: 19 3743-4300. O seu site na internet é <a href="http://www.lvc.org.br">www.lvc.org.br</a></p>
<p><i>    (Este artigo foi produzido a partir do livro “Lar dos Velhinhos de Campinas”, de José Pedro Soares Martins, lançado em 2025 pela Editora Fundação Educar, como parte da coleção Entidades Campineiras. Série de artigos em parceria com o <a href="https://horacampinas.com.br/lar-dos-velhinhos-122-anos-pela-dignidade/">Portal Hora Campinas</a>)</i></p>
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		<title>Arraiá do Tia Ileide 2026 é neste sábado, 20 de junho</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 20:15:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[E chegou mais um Arraiá do Tia Ileide, com todas as atrações que sempre marcaram o evento. Será neste sábado, dia 20 de junho, das 11 às 19 horas, na Unidade Regina Amélia do Centro Promocional Tia Ileide (CPTI), rua Vladimir Pinto, 251, na Chácara Boa Vista, em  Campinas. O tradicional Arraiá do Tia Ileide é ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>E chegou mais um Arraiá do Tia Ileide, com todas as atrações que sempre marcaram o evento. Será neste sábado, dia 20 de junho, das 11 às 19 horas, na Unidade Regina Amélia do Centro Promocional Tia Ileide (CPTI), rua Vladimir Pinto, 251, na Chácara Boa Vista, em  Campinas.</p>
<p>O tradicional Arraiá do Tia Ileide é um evento de integração comunitária, gratuito e aberto ao público em geral, e importante iniciativa de captação de recursos para a continuidade dos programas sociais desenvolvidos com crianças, adolescentes e famílias na região norte de Campinas.</p>
<p>Para viabilizar a realização da festa, a instituição mobilizou colaboradores de empresas parceiras e a comunidade para a doação de prendas, que serão utilizadas nas brincadeiras das barracas infantis como argola, pesca e roleta e também no bingo, uma das atrações mais aguardadas do evento.</p>
<div id="attachment_21614" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Arraia1.jpeg"><img class="size-full wp-image-21614" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Arraia1.jpeg" alt="O Arraiá do CPTI é um evento com muita colaboração de voluntários e empresas parceiras, exemplo de cidadania (Foto Divulgação)" width="1600" height="1066" /></a><p class="wp-caption-text">O Arraiá do CPTI é um evento com muita colaboração de voluntários e empresas parceiras, exemplo de cidadania (Foto Divulgação)</p></div>
<p>O CPTI é uma instituição de assistência social que atua na promoção e garantia de direitos de crianças, adolescentes e famílias na região norte da cidade. Inserido em um território marcado por alta vulnerabilidade social, o CPTI é referência no terceiro setor e desenvolve ações contínuas voltadas à proteção social, ao fortalecimento de vínculos comunitários e ao desenvolvimento social e cultural, em articulação com o poder público e a privada.</p>
<p>As sementes para a criação do CPTI foram lançadas no início da década de 1990. Em uma área de ocupação no Distrito de Nova Aparecida, a Aparecidinha, na Região Norte de Campinas, a moradora Maria Ileide Martins idealizou um espaço onde as mães pudessem deixar seus filhos para poderem trabalhar.</p>
<p>Com muito esforço e ação voluntária, com destaque para Sylvia Leeven, em cuja casa Tia Ileide trabalhava, foi criado o CPTI, cuja data oficial de fundação é 27 de junho de 1992.</p>
<p>Depois de quase 35 anos, o CPTI cresceu, já são três unidades em que os diversos programas, projetos e oficinas são realizados. Sempre com muita ação voluntária, apoio empresarial e sobretudo engajamento dos moradores locais, com destaque para as mulheres, cuja participação tem sido fundamental para grandes transformações promovidas pelo Centro Promocional Tia Ileide. Exemplo de responsabilidade e cidadania ativa na Campinas que tem vocação solidária.</p>
<p>O Arraiá é um exemplo de evento realizado em colaboração com a comunidade, com a participação de muitos parceiros. E serão muitas atividades para o público, brincadeiras, artes, comida boa. E vamos todos a mais um Arraiá do Tia Ileide, é festa junina da boa!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ensino universitário tem novo ciclo de desenvolvimento no Nordeste</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 19:43:01 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Por José Pedro Soares Martins Campinas, 12 de junho de 2026 Uma casa de fazenda, no distrito rural de Cachoeira, em Maranguape (CE), foi transformada em Ecomuseu, um lugar onde a comunidade se reúne e discute o seu futuro, adotando práticas sustentáveis e com grande participação de alunos da Escola Municipal José de Moura. A ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p><strong>Campinas, 12 de junho de 2026</strong></p>
<p>Uma casa de fazenda, no distrito rural de Cachoeira, em Maranguape (CE), foi transformada em Ecomuseu, um lugar onde a comunidade se reúne e discute o seu futuro, adotando práticas sustentáveis e com grande participação de alunos da Escola Municipal José de Moura. A coordenadora museológica do Ecomuseu de Maranguape é Nádia Helena Oliveira Almeida, uma das beneficiadas por um novo momento do ensino superior na Região Nordeste.</p>
<p>&#8220;Sou a primeira pessoa da minha família a me graduar com o título de mestre e, hoje, estou na reta final do doutorado — toda a minha jornada construída na universidade pública&#8221;,  diz Nádia. &#8220;Minha trajetória na graduação começou em 2004. Naquela época, a realidade do ensino superior era marcada por um funil social perverso: o número extremamente limitado de vagas tornava a universidade pública um espaço majoritariamente elitizado. O vestibular funcionava como uma barreira que, em sua maioria, privilegiava os egressos de escolas particulares&#8221;, ela complementa.</p>
<p>Com Bacharelado e Licenciatura plena em Geografia pelo departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, Nádia tem mestrado em Museologia pela Universidade do Porto, em Portugal, com estágio realizado pelo Programa Erasmus Internacional na Rede de Ecomuseus do Piemonte, Itália. Nomeadamente, no Ecomuseo della Pastoriza (Pontebernardo/Cuneo), Ecomuseo Colombano Romean (Salbertrand) e Ecomuseo del Freidano (Settimo Torinese).</p>
<div id="attachment_7348" style="width: 3658px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Fortaleza-159.jpg"><img class="size-full wp-image-7348" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Fortaleza-159.jpg" alt="Casarão histórico onde funciona o Ecomuseu de Maranguape, no distrito rural de Cachoeira, Maranguape, CE (Foto José Pedro Martins) " width="3648" height="2736" /></a><p class="wp-caption-text">Casarão histórico onde funciona o Ecomuseu de Maranguape, no distrito rural de Cachoeira, Maranguape, CE (Foto José Pedro Martins)</p></div>
<p><strong>Centros de excelência no Nordeste</strong></p>
<p>A trajetória de Nádia Almeida sintetiza o novo patamar alcançado pelo ensino superior no Nordeste e que agora está dando um novo salto, com dois projetos em curso. No último dia 1º de abril, o Ministério da Educação inaugurou o alojamento estudantil do <a href="https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/acoes/projeto-ita" target="_blank">novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará</a>, referente à primeira etapa de obras. Os investimentos dessa etapa somam R$ 75,8 milhões, valor repassado pelo MEC ao Governo do Ceará para a execução das obras do alojamento e dos prédios acadêmicos das engenharias. A cerimônia foi realizada na Base Aérea de Fortaleza, na capital Fortaleza, e teve a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro da Educação, Camilo Santana.</p>
<p>Por outro lado, estão avançados os entendimentos para a instalação do IMPA Tech Nordeste, com campus em Teresina, no Piauí. Lançado em 2024 no Rio de Janeiro, o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) Tech tem foco na formação profissional voltada a áreas como tecnologia, ciência de dados e inteligência artificial, atendendo principalmente estudantes com histórico de destaque em olimpíadas científicas. Já o IMPA Tech Nordeste, com calendário a ser definido, ofertará até 50 vagas por ano e apoio integral aos estudantes, incluindo moradia e auxílio para subsistência.</p>
<p>Estes dois novos campus, do ITA e do IMPA, duas instituições de reconhecida excelência no ensino superior, de fato ratificam um novo ciclo para o nível universitário no Nordeste, que historicamente tem lacunas em relação a outras regiões do país. &#8220;A expansão do ensino superior de excelência no Nordeste, com iniciativas como o ITA em Fortaleza e o IMPA Tech Nordeste em Teresina, representa um avanço histórico na redução das desigualdades regionais brasileira&#8221;, comenta o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann.</p>
<p>&#8220;Além de ampliar oportunidades de formação qualificada, esses investimentos ajudam a descentralizar a produção de conhecimento, reter talentos e fortalecer a capacidade de inovação da região, aproximando-a das novas fronteiras científicas e tecnológicas do país&#8221;, completa Pochmann, que foi pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (desde 1989) da Universidade Estadual de Campinas e professor desde 1994 (Titular desde 2014) desta instituição.</p>
<p><strong>Dois campus que são referência nacional e internacional</strong></p>
<p>Contemplando todas as etapas de implantação do novo campus, o investimento total do MEC no ITA Ceará poderá ultrapassar R$ 445,4 milhões. Desse valor, segundo o Ministério da Educação, R$ 353,9 milhões são destinados para as obras de construção e expansão da infraestrutura, e R$ 91,2 milhões são voltados à aquisição de equipamentos de laboratório, mobiliário e estrutura operacional necessária para o funcionamento acadêmico da instituição.</p>
<p>Fundado em 1950, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica é uma instituição de educação superior pública do Comando da Aeronáutica localizada em São José dos Campos (SP), que oferece alimentação gratuita e moradia de baixo custo aos seus alunos. É um centro de excelência, com cursos de graduação e pós-graduação em áreas afins da engenharia. O setor aeroespacial, por exemplo, é o de maior destaque. O instituto é reconhecido nacional e internacionalmente.</p>
<p>Inspirado no Massachusetts Institute of Technology (MIT) dos EUA, o ITA foi idealizado pelo militar Casimiro Montenegro Filho e projetado por Oscar Niemeyer, teve suas obras concluídas em 1950. No ensino superior trouxe inovações como a estruturação acadêmica por departamentos, ausência de cátedras vitalícias, currículo flexível, regime de dedicação exclusiva dos docentes e um modelo de pós-graduação pioneiro.</p>
<p>O ITA foi responsável pela formação do primeiro mestre em Engenharia no Brasil, em 1963, e o primeiro doutor, em 1970. O vestibular do ITA é reconhecido como um dos mais difíceis do país. A implantação do ITA no Ceará deriva de processo desencadeado em 2023, fruto da cooperação entre os ministérios da Educação e da Defesa, em parceria com o Governo do Ceará, para ampliar a formação de engenheiros de excelência no país.</p>
<p>,Já o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), sediado no Jardim Botânico, no Rio de janeiro, foi criado em 1952, por iniciativa de um grupo de destacados matemáticos ligados ao recém-criado Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. &#8220;O novo instituto nasce com uma missão clara, cuja relevância e atualidade permanecem inalteradas: realizar pesquisa de vanguarda em Matemática, capacitar novos pesquisadores e professores, disseminar o conhecimento matemático na sociedade e integrá-lo à ciência e ao setor produtivo&#8221;, destaca o IMPA.</p>
<p>“A ideia foi aproveitar os talentos que nós temos de jovens estudantes no Brasil para se aperfeiçoarem na área da engenharia, da matemática, da ciência de dados, da robótica, da inteligência artificial. Eu acredito que [o IMPA Tech Nordeste] será um grande e importante equipamento, que vai formar grandes profissionais no Nordeste”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana, no ato de anúncio da instalação do IMPA Tech Nordeste.</p>
<p>O IMPA Tech é a instituição que promove as Olimpíadas Brasileiras de Matemática das escolas públicas e privadas, em implementação há 20 anos. “Hoje nós temos 20 milhões de jovens que participam todos os anos das Olimpíadas de Matemática no país, financiadas pelo governo federal, o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério da Educação. A maioria dos campeões são do Nordeste, do Piauí, do Ceará e de Pernambuco. O presidente sempre tem dito que nós não queremos só exportar ‘commodities’, nós queremos exportar conhecimento, exportar inteligência deste país”, completou o ministro.</p>
<p>A nova unidade do IMPA Tech será instalada no antigo prédio do Centro de Formação Antonino Freire, direcionado à formação de talentos da Região Nordeste em matemática, ciência de dados, robótica, inteligência artificial e ciência da computação. No mesmo ato de anúncio do IMPA Tech  Nordeste, o ministro da Educação também assinou a autorização para a oferta do curso de medicina da Universidade Federal do Piauí (UFPI) no campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano (PI).</p>
<p><strong>Expansão das Universidades no Nordeste</strong></p>
<p>Os dois novos campus do ITA e IMPA no Nordeste vão representar, com efeito, mais um fato significativo para o momento promissor do ensino superior na região, que ainda apresenta muitos desafios a superar, em relação às demais regiões brasileiras. De acordo com dados do IBGE, a região apresenta o menor percentual de população com ensino superior.</p>
<p>No Brasil, a média de população com ensino superior é de 16,75%. No Nordeste, a média é inferior em todos os estados: Rio Grande do Norte (13,61%), Sergipe (13,35%), Paraíba (13,16%), Pernambuco (12,62%), Piauí (12,54%), Alagoas (11,85%), Ceará (11,51%), Bahia (10,77%), e Maranhão (9,86%).</p>
<p>Várias ações estão sendo tomadas para mudar este panorama e os resultados estão sendo colhidos. Entre 2023 e 2024, segundo o Mapa do Ensino Superior, do Semesp, o número de matrículas no ensino superior no Brasil cresceu 2,5%, atingindo 10,2 milhões de matrículas. No Nordeste, o número de matrículas cresceu 3,2%, chegando a 2,1 milhões de matrículas, o segundo maior número regional absoluto no país, atrás da Região Sudeste, com 4,5 milhões de matrículas. Este crescimento em todo país se refere às matrículas presenciais e por Ensino à Distância (EAD).</p>
<p>Uma das razões para o incremento do acesso ao ensino superior no Nordeste é a abertura de novos campus e também de novas Universidades públicas, sobretudo no interior. Esta foi a constatação de Marcelo Ximenes Aguiar Bizerril, professor da Universidade de Brasília (UnB), que fez um estudo sobre o avanço das universidades federais no país desde o início do século 21: &#8220;O processo de expansão e interiorização das Universidades Federais brasileiras e seus desdobramentos&#8221;. Ele lembra que o estudo abrangeu somente as Universidades Federais, pois também houve processos semelhantes nas Universidades estaduais, além das instituições de ensino superior particulares.</p>
<p>Doutor em Ecologia, ele nota que algumas das mais antigas instituições de ensino superior no Brasil foram criadas no Nordeste, casos das Faculdades de Medicina de Salvador (primeira capital brasileira), em 1808, e de Direito, do Recife, de 1827. Nos séculos seguintes, entretanto, houve o deslocamento cada vez maior do poder econômico e político para o Sudeste, tendo como uma das consequências o menor número de instituições de ensino superior no Nordeste, e todas basicamente nas capitais estaduais.</p>
<p>A modificação desta dinâmica acontece a partir  do lançamento pelo Ministério da Educação, através do Decreto 6096/2007, do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). O Programa contemplou a criação de novos campi e Universidades Federais, além da abertura de novos cursos e vagas nas instituições já existentes.</p>
<div id="attachment_21563" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Bizerril.jpg"><img class="size-full wp-image-21563" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Bizerril.jpg" alt="Marcelo Bizerril: uma nova malha de Universidades como indutor do desenvolvimento no Nordeste (Foto Arquivo Pessoal)" width="1600" height="1407" /></a><p class="wp-caption-text">Marcelo Bizerril: uma nova malha de Universidades como indutor do desenvolvimento no Nordeste (Foto Arquivo Pessoal)</p></div>
<p>Com o Reuni, assinala Marcelo Bizerril, houve &#8220;o avanço das Universidades Federais, sobretudo para o interior dos estados nordestinos, com a viabilização de projetos de campi que as instituições não estavam conseguindo materializar e com a criação de novos campi ou mesmo novas Universidades&#8221;. Com isso, completa, &#8220;foi implementada uma malha de Universidades Federais muito maior no Nordeste&#8221;.</p>
<p>Ele destaca em especial as Universidades e novos campi instalados no interior dos estados, citando por exemplo a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), a Universidade Federal do Cariri (UFCA), a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Desde o início do Reuni até 2020, a malha de Universidades Federais no Nordeste somou 18 instituições, com 75 campi (maior número de campi em federais no país).</p>
<p>Marcelo Bizerril também evidencia um caso especial, o da criação da Universidade de Integração Internacional de<br />
Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), instalada no Ceará, com importante atuação no panorama dos países de língua portuguesa e outros da África. &#8220;Uma instituição diferenciada, com uma visão bem cosmopolita&#8221;, ele complementa.</p>
<p>O professor da UnB entende que existem alguns desafios para que o processo de expansão das Universidades Federais no Nordeste seja sustentado, observando que outras instituições e campi já foram anunciados pelo atual governo. &#8220;A principal crítica feita ao Reuni era que não havia uma previsão sustentada para a manutenção das instituições, e então os reitores tiveram que redimensionar os orçamentos. Depois, nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, em que houve cortes muito fortes de recursos para as Universidades, muitos desses campi tiveram dificuldades de desenvolvimento. Muitos se consolidaram, como da própria UnB Planaltina, no Distrito Federal, onde eu trabalho, mas sabemos que outros tiveram dificuldades. Então é preciso uma retomada do financiamento para que se fortaleçam os cursos e corpo docente para o desenvolvimento de um trabalho de qualidade&#8221;, adverte o especialista.</p>
<p><strong>Desenvolvimento regional</strong></p>
<p>De qualquer modo, o professor Bizerril entende que a expansão da malha de Universidades Federais (e também estaduais) no Nordeste contribui para o processo de desenvolvimento da região. &#8220;As Universidades, sobretudo em termos da pós-graduação, sempre foram concentradas nas regiões Sul e Sudeste. Agora, os programas de pós-graduação do Nordeste, e também no Norte e Centro-Oeste, estão se fortalecendo, o que também fortalece a pesquisa, a extensão, desenvolvendo suas regiões, com temas daquele lugar. É um impacto relevante&#8221;, comenta.</p>
<p>Ele também nota que existe, igualmente, o impacto derivado do próprio investimento na estruturação dos campi. &#8220;Em uma região onde não havia mão-de-obra, não havia como atrair pessoas para lá, criando renda, um mercado consumidor importante, é então significativo que os novos campi são uma forma de desenvolvimento. Os recursos são um impacto direto e a mão-de-obra, indireto, para a região onde são instalados&#8221;, diz o professor da UnB, para quem &#8220;o Nordeste é outro depois da expansão dessa malha de Universidades públicas, além, é claro, de outras políticas públicas implantadas na região, melhorando as condições para os pesquisadores e estudantes da região e levando a um processo como o atual, de instalação de filiais de instituições importantes e renomadas como o ITA e o IMPA no território nordestino&#8221;.</p>
<p>Posição semelhante é a da Doutora em Demografia Monica Aparecida Tomé Pereira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, que comenta sobre o impacto das novas Universidades e campi no Nordeste, desde o início do século 21. &#8220;Uma das contribuições das universidades é a melhoria da qualidade do profissional que elas fornecem para a sociedade. E considerando nas diversas áreas do conhecimento Ciências Humanas e Arte, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Biológicas e Saúde, as habilidades e as competências trabalhadas no meio universitário atreladas as necessidades da região, com a inserção desde os primeiros anos de formação, podem garantir o aperfeiçoamento da formação propiciada pelas universidades e garantindo o atendimento da expectativa da população, desde a formação (ainda enquanto estudantes) e como profissionais após a sua formatura&#8221;, afirmou Monica Pereira, no trabalho &#8220;Universidades federais novas e novíssimas nordestinas: expansão e trajetória no ensino superior e sua contribuição para além da formação&#8221;, que apresentou na 72ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em 2020.</p>
<p>Monica Pereira citou, como exemplo de impacto regional de uma instituição de ensino superior pública &#8220;interiorizada&#8221;, o da Universidade Federal do Vale do São Francisco.  No caso, a cessão de servidores do quadro permanente da Universidade para atuarem em áreas estratégias em prefeituras da região de Petrolina (PE), onde está instalada, para atuarem na capacitação do quadro de colaboradores de áreas estratégicas.</p>
<p>Uma perspectiva semelhante é a de Robert Evan Verhine, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nascido e criado na Califórnia, Estados Unidos, Bob Verhine, como é conhecido, concluiu o bacharelado em Economia pela Universidade da Califórnia. Tem mestrado em Estudos Latinoamericanos pela mesma Universidade e doutorado pela Universidade de Hamburgo, Alemanha. Professor visitante de várias Universidades, foi diretor de 1998 a 2007 do Centro de Estudos Interdisciplinares do Setor Público (ISP), ligado à UFBA, onde trabalha desde 1977.</p>
<p>Neste período, Verhine direcionou o ISP para focalizar o campo da avaliação educacional. O ISP foi executor de um amplo projeto de avaliação externa do sistema estadual de ensino da Bahia. O convênio entre a Universidade e o governo estadual resultou na criação de uma Agência de Avaliação UFBA-ISP/Fapex (Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão), no âmbito do Programa Educar para Vencer.</p>
<p>Com um amplo conhecimento, portanto, da realidade educacional do Nordeste, e em particular da Bahia, Bob Verhine assinala que a região de fato está em uma situação muito melhor em termo de ensino superior, com destaque para o fenômeno da interiorização das instituições públicas, federais e estaduais. &#8220;Na Bahia temos por exemplo um número de alunos de pós-graduação fora de Salvador muito maior hoje do que no passado, em função da forte interiorização das instituições&#8221;, diz ele.</p>
<p><strong>Impacto das ações afirmativas</strong></p>
<p>Bob Verhine destaca, por outro lado, que o avanço do ensino superior no Nordeste foi igualmente impacto pelas ações afirmativas em curso nas universidades brasileiras, sobretudo nas públicas. Houve iniciativas anteriores, mas com a Lei 12.711, de 2012, a ação afirmativa tornou-se obrigatória nas instituições federais de ensino, com a padronização dos critérios. &#8220;As cotas oferecidas pelas Universidades públicas, federais e estaduais, abriram as portas das instituições para muitos alunos, em situação de pobreza ou negros, que antes não tinham acesso ao ensino superior&#8221;, comenta o professor da UFBA.</p>
<p>Efetivamente, houve um expressivo aumento no número de estudantes negros em universidades federais do Brasil, crescendo de 17% para 49% em 13 anos. Em 2009, o contingente de estudantes negros era de 135,1 mil, evoluindo para 515,7 mil em 2022. Os dados são de pesquisadores do SoU Ciência (Centro de Estudos, Sociedade, Universidade e Ciência), vinculado à Unifesp – Universidade Federal de São Paulo. Grande parte dos estudantes que tiveram acesso através das cotas são do Nordeste.</p>
<p>De forma associada ao avanço da abertura de vagas para estudantes negros através das cotas, também houve a expansão do número de docentes negros na região. O Nordeste responde por 40% dos docentes negros no ensino superior no Brasil, segundo o Censo da Educação Superior de 2023, do Ministério da Educação. São 31,3 mil docentes negros na região, ente os 77,2 mil professores no país.</p>
<p>O professor Bob Verhine nota que o avanço do ensino superior no Nordeste também deriva da expansão do Ensino à Distância (EaD). &#8220;Nem sempre se trata de uma coisa positiva, porque muito estudante à distância não tem este acesso com qualidade&#8221;, comenta o especialista. De acordo com o Mapa do Ensino Superior, do Semesp, em  2024, das 2,1 milhões de matrículas no ensino superior no Nordeste, 44% foram na modalidade de EaD.</p>
<p>&#8220;Minha experiência, em resumo, é que o ensino superior tem avançado no Nordeste, com a interiorização das Universidades públicas, com políticas de ações afirmativas e a tendência do EaD&#8221;, conclui Verhine, que é um dos fundadores da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave), que ocorreu em 2003, por ocasião do XXI Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação &#8211; ANPAE,  no Recife. Mais uma contribuição nordestina para a qualificação da educação brasileira.</p>
<p>A museóloga Nádia Helena Oliveira Almeida ratifica a perspectiva da mudança do panorama do ensino superior no Nordeste, por meio de um processo desencadeado no início do século 21. &#8220;Ao longo dos anos, testemunhei de perto uma virada histórica. Com a implementação das políticas públicas e dos governos populares do Partido dos Trabalhadores a partir de 2003, a paisagem acadêmica do Nordeste mudou. Foi nítida a transição em direção a uma equidade socioformadora e educativa&#8221;, ela destaca.</p>
<p>&#8220;A universidade finalmente abriu as portas para a classe trabalhadora, transformando o ensino superior de um privilégio de poucos em um direito de muitos, também em função da criação do ENEM. Ver a periferia, o interior e os filhos de trabalhadores ocupando as salas de aula e a pós-graduação é a certeza de que a educação pública se tornou, de fato, um motor de justiça social. No entanto, e talvez por esta razão, a educação pública superior (mas não só) vem sofrendo fortes ameaças dos setores neoliberais privatizantes. Portanto, a luta política contra a sanha de precarização das universidades públicas deve ganhar cada vez mais força de mobilização e transformação social&#8221;, sustenta Nádia.</p>
<p><strong>Desenvolvimento científico e tecnológico</strong></p>
<p>Os dois novos projetos em desenvolvimento no Nordeste, do ITA no Ceará e IMPA Tech no Piauí, comprovam como o cenário do ensino superior tem mudado substancialmente na região. O reitor do Instituto, Professor Doutor Antonio Guilherme de Arruda Lorenzi, entende que a expansão para Fortaleza representa um marco na trajetória do ITA e amplia a contribuição da instituição para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. “O campus de Fortaleza simboliza a capacidade do ITA de se renovar sem renunciar à sua essência: formar profissionais de excelência para servir ao desenvolvimento científico, tecnológico e estratégico do Brasil”, disse o reitor, no início de março de 2026, quando a primeira turma do ITA Ceará, por enquanto ainda frequentando a sede em São José dos Campos, visitou as obras do complexo.</p>
<div id="attachment_21568" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Impa-Tech.jpeg"><img class="size-full wp-image-21568" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Impa-Tech.jpeg" alt="Evento de anúncio de instalação do IMPA Tech no Piauí (Foto Angelo Miguel/MEC)" width="768" height="430" /></a><p class="wp-caption-text">Evento de anúncio de instalação do IMPA Tech no Piauí (Foto Angelo Miguel/MEC)</p></div>
<p>Com o início das atividades em Fortaleza, previsto para 2027, o ITA passará a oferecer oito cursos de graduação: Engenharia Aeronáutica, Engenharia Eletrônica, Engenharia Mecânica Aeronáutica, Engenharia Civil Aeronáutica, Engenharia de Computação, Engenharia Aeroespacial, Engenharia de Sistemas e Engenharia de Energia. Mais uma opção para o ensino superior no Nordeste, formando profissionais para o momento novo vivido pela região, que se tornou, por exemplo, a principal referência no Brasil em energia solar e eólica, entre outros projetos em alta tecnologia, que demandam cada vez mais uma mão-de-obra altamente qualificada.</p>
<p>O <span class="highlightedSearchTerm">ITA</span> divulgou, no dia 2 de junho de 2026, o edital do vestibular para ingresso em 2027,  com inscrições abertas até 12 de julho. Para o próximo ano, haverá aumento no número de vagas, totalizando 200 candidatos aprovados, o maior contingente já oferecido pela instituição em sua história. O aumento no número de vagas acompanha o processo de expansão do <span class="highlightedSearchTerm">ITA</span>, com a abertura do novo campus em Fortaleza.</p>
<p>Outra novidade do processo seletivo de 2027 é a ampliação das vagas destinadas às políticas afirmativas, com a inclusão de vagas para candidatos indígenas e quilombolas. Serão oferecidas 140 vagas para ampla concorrência, 50 para candidatos negros (pretos e pardos), seis para indígenas e quatro para quilombolas. Mais um indicativo da expansão do ensino superior na região, de forma associada a ações afirmativas que democratizam o ingresso.</p>
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		<title>Creche Bento Quirino, 112 anos pela infância</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 17:52:02 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Soares Martins Em 2026, a Creche Bento Quirino está completando 112 anos de existência. É uma das mais antigas instituições de seu gênero em atividade no Brasil, um patrimônio e orgulho para Campinas.        Com duas unidades, uma no centro da cidade e outra no bairro Itatinga, em região de alta vulnerabilidade social, ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p>Em 2026, a Creche Bento Quirino está completando 112 anos de existência. É uma das mais antigas instituições de seu gênero em atividade no Brasil, um patrimônio e orgulho para Campinas.</p>
<p><b>       </b>Com duas unidades, uma no centro da cidade e outra no bairro Itatinga, em região de alta vulnerabilidade social, a Creche Bento Quirino se dedica a garantir as bases da educação para centenas de crianças anualmente.</p>
<p>Já são milhares de crianças que passaram pelas salas do edifício histórico, tombado pelo patrimônio municipal, ou pela unidade do Itatinga. São, igualmente, milhares de famílias beneficiadas, de todas as origens e condições sociais.</p>
<p>Em resumo, a Creche Bento Quirino desenvolve um trabalho inspirador, uma referência no cenário tão desafiador da educação infantil na cidade e no país.  A questão não é apenas garantir vagas em creches para todas as crianças de zero a três anos. É igualmente crucial assegurar uma educação infantil de qualidade, e esse tem sido um propósito da Creche Bento Quirino em sua mais do que centenária história.</p>
<p><b> A fundação da Creche ocorreu em um momento crítico para o planeta.</b> A humanidade estava perto de conhecer uma de suas maiores tragédias, a Primeira Guerra Mundial, quando foi criada a 2 de fevereiro de 1914 a Sociedade Feminina de Assistência à Infância. A população de Campinas era de pouco mais de 100 mil habitantes, a maioria na zona rural. Mas já eram nítidos os sinais de que a cidade transitava para a industrialização. Neste cenário, era fundada por iniciativa do bispo D.João Baptista Corrêa Nery uma instituição para dar assistência gratuita às crianças de famílias de baixa renda.</p>
<p>O estatuto original  da Sociedade Feminina de Assistência à Infância previa a criação da Creche, mas também de um Orfanato e da obra Gota de Leite. Esta se destinava a estimular o aleitamento materno, em uma época de grande mortalidade infantil. A Gota de Leite também se responsabilizava pela doação de leite esterilizado, quando faltasse o leite materno. O orfanato da Sociedade Feminina, por sua vez, viria a ser criado somente em 1921, pelo bispo D.Francisco de Campos Barreto. Era o Orfanato São Francisco.</p>
<p>Com  uma diretoria integrada por senhoras campineiras, a Sociedade Feminina era conduzida em suas atividades pela Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, pertencente à Arquidiocese de Campinas.</p>
<p>Os primeiros anos foram de muitos desafios. A Creche de fato se materializou, com os recursos do testamento deixado pelo filantropo Bento Quirino dos Santos, lavrado a 8 de março de 1912. O Major Antonio Correa de Lemos foi outro importante doador de recursos para a Creche em seus princípios.</p>
<p><b>O prédio da futura Creche Bento Quirino foi construído em um terreno doado pelo Município de Campinas, em um dos territórios históricos da cidade</b>. Fica próximo ao antigo Cemitério dos Escravos (que funcionou até 1848), onde hoje está situada a praça Professora Silvia Simões Magro.</p>
<p>O edifício é vizinho da Escola Municipal Francisco Glicério (primeiro Grupo Escolar da cidade) e da Casa de Saúde de Campinas (antigo Círculo Italiano), que funciona no prédio que tem projeto do arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, também autor do projeto original da Igreja São Benedito, próxima da creche.</p>
<p>Neste espaço muito querido da população afrodescendente, seria erguida a Estátua da Mãe Preta. Todo esse território e seus edifícios são tombados pelo Conselho de  Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas  (Condepacc).</p>
<p>Inicialmente funcionando em um pequeno prédio na rua Luzitana, a sede da Sociedade Feminina de Assistência à Infância foi transferida para o local atual, na rua Cônego Cipião, 802. A inauguração aconteceu no dia 2 de fevereiro de 1916.</p>
<p>O edifício  foi projetado e construído pelo arquiteto de origem italiana Henrique Fortini (1859-1930). O projeto da Creche Bento Quirino foi desenhado em formato de “U”, com o recuo da porção central e dois corpos idênticos avançados.</p>
<p>Não há registros da movimentação em 1916, quando a creche foi inaugurada, mas em janeiro de 1917 eram 43 matriculados. Durante o ano ingressaram 14 crianças e saíram 34. Houve cinco falecimentos de crianças no ano.</p>
<p>O crescimento do número de atendidos foi progressivo,  sobretudo a partir da década de 1940. Em 1957, pela primeira vez o ano terminou com mais de 100 atendidos: 108. Depois das décadas de 1960 e 1970, quando Campinas teve enorme crescimento populacional, o número de crianças matriculadas aumentou ainda mais, superando 170 no mês de dezembro de 1983. Em 1993 já eram 256 crianças atendidas na Creche Bento Quirino.</p>
<p>O edifício de instalação da Creche Bento Quirino é tombado como Patrimônio Histórico municipal pelo Condepacc, nos termos da Resolução nº 16, de 03 de fevereiro de 1994, devido ao seu estilo arquitetônico “art-nouveau”, demonstrada nas ornamentações em ferro, curvas do porão e revestimentos da fachada, assim como nos elementos florais decorativos e janelas tripartidas. A área construída localizada no centro de Campinas equivale a 3.000 m².</p>
<p>Em 1965, a Creche Bento Quirino se tornou a primeira entidade social filiada à Fundação FEAC &#8211; Federação das Entidades Assistenciais de Campinas &#8211; Fundação Odila e Lafayette Álvaro. Um gesto histórico, considerando o papel que a FEAC iria adquirir no cenário social da cidade.</p>
<p><b>       </b><b>Além da decisão pelo tombamento do edifício pelo patrimônio municipal, a década de 1990 foi marcada por outros fatos históricos para a Creche Bento Quirino.</b> Em 1996, o Fundo Vitae fez uma importante doação, que permitiu uma reforma significativa no prédio da instituição.</p>
<p>Em 1997, outro passo para a Creche Bento Quirino, com a criação da sua Unidade II, no Jardim Itatinga, em função da concessão de um imóvel pela família Rafful Kanawaty. A Unidade II passou a prestar atendimento socioeducativo, em período integral, para crianças de uma região de alta vulnerabilidade social.</p>
<p>Novas e importantes doações, nas primeiras décadas do século 21, permitiram a estruturação da Creche Bento Quirino para uma nova realidade social de Campinas e do Brasil. Em 2001, a doação do Consulado Geral do Japão e a parceria com a Texaco possibilitaram, por exemplo, uma segunda reforma do galpão/varanda da Unidade I, dos banheiros sanitários e parquinho das crianças, pintura interna e externa, e montagem da sala de informática.</p>
<p>Novas e relevantes ações foram registradas no momento em que a Creche Bento Quirino se preparava para comemorar os seus 110 anos, como a mais antiga instituição de educação infantil em atividade em Campinas e uma das mais antigas do Brasil.</p>
<p>Em 2022, aporte da Fundação FEAC permitiu a reforma das duas áreas recreativas da Unidade I, no Centro. No ano seguinte, novos recursos da FEAC viabilizaram a implantação do espaço MUSICARTE, para as duas unidades. Verbas parlamentares também têm garantido melhorias importantes na Bento Quirino.</p>
<p>“Os apoios da comunidade, das empresas, sempre foram fundamentais, e a Creche conta com isso”, diz a coordenadora de projetos, Lidia Oneida Siqueira Baida, um exemplo de dedicação ao trabalho da instituição.</p>
<p>É fundamental que continue este apoio, da comunidade e poder público, para que a Creche Bento Quirino continue prestando seus enormes serviços, contemplando um projeto pedagógico que busca sempre estar em conformidade com os quatro pilares da educação para o século 21: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.</p>
<p>Esses pilares foram indicados pela Comissão Delors, em 1996. As propostas do Relatório tiveram muito impacto no mundo da educação, e no Brasil não foi diferente.</p>
<p>De forma associada aos quatro pilares, a Creche Bento Quirino desenvolve múltiplas atividades, em cultura, artes em geral, esportes e outras áreas, praticando uma educação antirracista e cada vez mais com forte preocupação ambiental. O ambiente de tolerância e respeito é básico em sua proposta pedagógica, considerando por exemplo que a Creche atende filhos de migrantes de várias origens. A inclusão integral de crianças com deficiência também tem sido uma meta permanente da instituição, que tem uma diretoria voluntária presidida por Lucimara Cristina Fioravante.</p>
<p>A Creche Bento Quirino também pratica um cuidado especial com as famílias das crianças. Como nota a assistente social Viviane Romano, o plano de atendimento às famílias é composto por espaço de escuta e acolhimento e eventual encaminhamento de alguma situação especial para serviços especializados.</p>
<p>Com 112 anos de história, uma longevidade pouco vista em instituições semelhantes, a Creche Bento Quirino já atendeu várias gerações. Atualmente, a Creche atende a cerca de 400 crianças, nas duas unidades. Com um suporte permanente e cada vez maior da comunidade e poder público, a instituição continuará sendo um marco para a educação de Campinas, mais um motivo para a cidade continuar brilhando, ao oferecer educação de qualidade para suas crianças.</p>
<p><i>(Este artigo foi produzido a partir do livro “Creche Bento Quirino”, de José Pedro Soares Martins, lançado em 2025 pela Editora Fundação Educar, como parte da coleção Entidades Campineiras. Série de artigos em parceria com o Portal Hora Campinas)</i></p>
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