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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Saúde</title>
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		<title>Hospital SOBRAPAR reúne especialistas do Brasil em curso avançado de cirurgia craniofacial</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 15:28:01 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Formação de cirurgiões em procedimentos de alta complexidade terá participação de profissionais de centros de referência nacionais A alta demanda de pacientes que necessitam de cirurgia craniofacial no Brasil e a necessidade de formação especializada de profissionais nessa área estão no centro do curso “Técnicas Avançadas em Cirurgia Craniofacial”, promovido pelo Hospital SOBRAPAR Crânio e ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><i>Formação de cirurgiões em procedimentos de alta complexidade terá participação de profissionais de centros de referência nacionais</i></p>
<p>A alta demanda de pacientes que necessitam de cirurgia craniofacial no Brasil e a necessidade de formação especializada de profissionais nessa área estão no centro do curso “Técnicas Avançadas em Cirurgia Craniofacial”, promovido pelo Hospital SOBRAPAR Crânio e Face em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Medicina (FDTMed). O curso “hands on” &#8211; aprendizado com base em experiências práticas e simulações – acontecerá nos dias 5 e 6 de junho, no IOU (Instituto de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço), em Campinas (SP).</p>
<p>O evento reunirá cirurgiões, neurocirurgiões e especialistas de importantes centros médicos do Brasil em uma imersão voltada à atualização técnica em procedimentos de alta complexidade.</p>
<p>A proposta do curso é proporcionar uma experiência prática e aprofundada, conectando diagnóstico, planejamento cirúrgico, execução técnica e manejo de complicações em cirurgias craniofaciais reconstrutivas. A programação foi estruturada para compartilhar técnicas utilizadas no Hospital SOBRAPAR, referência nacional no tratamento de deformidades craniofaciais.</p>
<p>“Trata-se de um esforço do Hospital SOBRAPAR para formar mais profissionais, considerando a demanda crescente de pacientes que recebemos, especialmente crianças, à espera de cirurgias craniofaciais de alta complexidade. Verificamos uma escassez de médicos qualificados para atender essas crianças com síndromes raras, como Apert e Crouzon”, afirma o cirurgião plástico e craniofacial Cassio Eduardo Raposo do Amaral, vice-presidente do Hospital SOBRAPAR. Mais de 60% dos pacientes atendidos pela instituição têm deformidades craniofaciais congênitas.</p>
<p>Para Raposo do Amaral, iniciativas como essa contribuem diretamente para a qualificação de equipes médicas e a ampliação do acesso da população brasileira a tratamentos craniofaciais cada vez mais seguros e eficazes. “O tratamento dessas deformidades exige equipes altamente treinadas, atualização constante e integração entre diferentes especialidades. Compartilhar conhecimento técnico e experiência prática entre centros de referência é fundamental para aprimorar os resultados cirúrgicos e oferecer mais segurança aos pacientes”, destaca Raposo do Amaral.</p>
<p>Integram a equipe que ministrará o curso: Cesar Raposo do Amaral, chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital SOBRAPAR; Enrico Ghizoni, neurocirurgião do SOBRAPAR e professor da Unicamp; além de Cassio Eduardo Raposo do Amaral. Participam também os professores convidados Hamilton Matushita, coordenador de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas da USP; Nivaldo Alonso, coordenador de Cirurgia Craniofacial do HRAC Bauru; Patrícia Dastoli, professora do Departamento de Neurocirurgia e Neurologia da Unifesp; e Tatiana Protzenko, neurocirurgiã pediátrica do Instituto Fernandes Figueira (RJ).</p>
<p><b>Demonstração cirúrgica passo a passo</b></p>
<p>No primeiro dia, os participantes terão acesso a uma abordagem completa sobre diagnóstico por imagem, planejamento cirúrgico e manejo pós-operatório, com foco em segurança e previsibilidade dos resultados. A atividade prática incluirá demonstrações passo a passo de técnicas avançadas realizadas pelos especialistas da instituição, permitindo aos participantes acompanhar em tempo real todas as etapas críticas dos procedimentos.</p>
<p>Entre os temas abordados estarão o posicionamento do paciente, incisões estratégicas para preservação vascular, técnicas de descolamento tecidual minimamente traumáticas, craniotomias com preservação de estruturas venosas delicadas e inserção de distratores cranianos. O formato interativo permitirá discussão contínua entre alunos e equipe médica durante toda a atividade prática.</p>
<p>Além da demonstração cirúrgica, o curso promoverá debates sobre cinco cenários clínicos complexos frequentemente encontrados na prática médica, incluindo craniossinostoses sindrômicas, reoperações, alterações vasculares identificadas em exames de imagem e contraindicações para determinados tipos de distração craniana.</p>
<p>O segundo dia será dedicado às técnicas mais avançadas da cirurgia craniofacial reconstrutiva, com ênfase na integração entre planejamento virtual e execução cirúrgica refinada. A programação abordará procedimentos como monobloco e bipartição facial, além do manejo de tecidos moles e da prevenção de riscos neurológicos associados a essas intervenções.</p>
<p>O curso será realizado pelo Hospital SOBRAPAR Crânio e Face e FDTMed, com parceria da ArtroMed Implantes. O evento conta ainda com apoio da Associação Brasileira de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial, Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica, Unicamp e Latin American Craniofacial Association.</p>
<p><b>Sobre o Hospital SOBRAPAR</b></p>
<p>Referência no tratamento cirúrgico e multidisciplinar de pacientes que nasceram ou adquiriram deformidades craniofaciais, o Hospital SOBRAPAR Crânio e Face, localizado em Campinas, completa 47 anos de atividades em 2026. Em média, o hospital realiza 1.200 cirurgias e mais de 50 mil atendimentos gratuitos por ano a crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade social.</p>
<p>A instituição conta com uma equipe formada por cirurgiões plásticos, cirurgiões craniofaciais, neurocirurgião, fonoaudiólogos, psicólogos, ortodontistas, odontologistas, otorrinolaringologistas, assistentes sociais, psicopedagogos, ortopedista, entre outros profissionais da saúde, que atua de forma interdisciplinar para reabilitar o paciente, devolvendo a autonomia, confiança e autoestima que eles merecem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Serviço:</b></p>
<p><b>Evento &#8211; Técnicas em Cirurgia Craniofacial 2026 &#8211; Hands on</b></p>
<p><b>Data/horário:</b> dias 5 e 6 de junho, das 8h às 18h</p>
<p><b>Local:</b> Av. Prefeito José Roberto Magalhães Teixeira, 150 – Cidade Universitária, Campinas (SP)</p>
<p>IOU – Instituto de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Inscrições e informações:</b> <a href="http://www.workshop.sobrapar.org.br">www.workshop.sobrapar.org.br</a>  / <a href="mailto:marketing@sobrapar.org.br">marketing@sobrapar.org.br</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Campinas abre o Maio Amarelo 2026 nesta terça, 5 de maio</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2026 19:32:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Programação oficial e dados de óbitos no trânsito em 2025 serão apresentados a partir das 15h por meio de um webinar aberto ao público &#8220;No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas&#8221; . Com este tema, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) apresenta o Maio Amarelo 2026, nesta terça-feira, 5 de maio, por ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Programação oficial e dados de óbitos no trânsito em 2025 serão apresentados a partir das 15h por meio de um webinar aberto ao público</em></p>
<p>&#8220;No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas&#8221; . Com este tema, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) apresenta o Maio Amarelo 2026, nesta terça-feira, 5 de maio, por meio de um webinar (encontro virtual via Teams), a partir das 15h, com a programação oficial do município e o perfil das vítimas fatais em 2025. O webinar será aberto ao público e poderá ser acessado pelo link: https://bit.ly/maioamarelo2026</p>
<p>O Maio Amarelo é o movimento que mobiliza a sociedade para uma cultura de paz e segurança viária. A abertura terá a participação do presidente da Emdec, Vinicius Riverete; do secretário municipal de Transportes, Fernando de Caires; e da chefe de gabinete da Emdec, Giselle Normanha. As atividades programadas do Maio Amarelo serão apresentadas pela coordenadora de Educação e Cidadania da Emdec, Mariangela Marini.</p>
<p>O webinar, aberto para o acompanhamento do público, será o primeiro encontro de uma série de atividades que propõem o engajamento coletivo no movimento.</p>
<p>Boletim de Vítimas Fatais</p>
<p>No encontro virtual também será lançado o Boletim de Vítimas Fatais no Trânsito 2025, documento que detalha o perfil das vítimas (tipo de usuário, faixa etária e sexo) e os principais fatores de risco que motivaram as mortes no trânsito campineiro. Os dados serão apresentados pelo coordenador de Gestão da Base de Dados da Emdec, Marcelo de Araújo Antônio. O boletim é fruto de parceria com a Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global (BIGRS).</p>
<p>Atividade na Unicamp</p>
<p>No mesmo dia, terça-feira, 5, às 12h, ocorrerá a primeira atividade do movimento, com foco na comunidade interna da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Equipes da Emdec, da concessionária Via Colinas e da Prefeitura da Cidade Universitária realizam abordagens e distribuição de materiais para conscientizar sobre a circulação segura de ciclistas.</p>
<p>Sobre o Maio Amarelo</p>
<p>O Maio Amarelo foi criado em 2014 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, em apoio à Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020 da Organização das Nações Unidas (ONU). Neste ano, tem como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas” e convida a todos a enxergar além do que está ao redor, reconhecer que cada pessoa no trânsito tem uma história, uma vida e o direito de chegar em segurança.</p>
<p>A organização do Maio Amarelo 2026 em Campinas é apoiada pelas Secretarias Municipais de Cultura e Turismo, Educação, Comunicação, Esporte e Lazer e Políticas para as Mulheres; Primeira Infância Campineira (Pic), Ceasa, Detran-SP, concessionárias Via Colinas, Rota das Bandeiras e Rodovias do Tietê, Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global (BIGRS), WRI Brasil, Prefeitura da Cidade Universitária – Unicamp, Ligas do Trauma (Unicamp e Puc-Campinas), Associação dos Ciclistas de Campinas e Região (CicloAtivo), Federação dos Motoclubes do Estado de São Paulo, concessionárias Honda Japauto e Moto Madia, Guarani Futebol Clube e Associação Atlética Ponte Preta.</p>
<p>Serviço</p>
<p>Lançamento Maio Amarelo 2026</p>
<p>Webinar (via Teams)<br />
Data: 5 de maio, terça-feira<br />
Horário: 15h<br />
Acesso ao webinar: bit.ly/maioamarelo2026</p>
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		<title>Unimed Campinas é contemplada com o Selo Empresa Amiga da Mulher</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 19:02:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogs ASN]]></category>
		<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Conferido pela Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, o reconhecimento se deve ao conjunto de ações desenvolvidas pela cooperativa junto ao seu público feminino interno que representa 77% do quadro de colaboradores e 72% das lideranças Com 1.573 mulheres entre os 2.031 colaboradores, o que representa 77% do ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Conferido pela Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, o reconhecimento se deve ao conjunto de ações desenvolvidas pela cooperativa junto ao seu público feminino interno que representa 77% do quadro de colaboradores e 72% das lideranças</em></p>
<p>Com 1.573 mulheres entre os 2.031 colaboradores, o que representa 77% do quadro funcional, a Unimed Campinas se destaca como uma das instituições que mais empregam mulheres na RMC. Com essa expressiva representatividade feminina, a cooperativa mantém políticas estruturadas voltadas à diversidade, inclusão, equidade e ao enfrentamento da violência de gênero. Esse compromisso acaba de ser reconhecido pela Prefeitura de Campinas, que concedeu à Unimed Campinas, nesta quinta-feira, 12 de março, o Selo Empresa Amiga da Mulher. A solenidade foi realizada às 15h, no Salão Azul.</p>
<p>“O Selo Empresa Amiga da Mulher é uma conquista que muito nos honra, especialmente por representar uma parte essencial do nosso Programa de Diversidade e Inclusão, que vem sendo construído e fortalecido continuamente”, afirma o presidente da Unimed Campinas, Dr. Gerson Muraro Laurito. Para ele, o reconhecimento reflete a evolução interna da cooperativa, que tem se posicionado de forma consistente, sempre guiada pelo olhar da diversidade e da inclusão.</p>
<p>Entre as práticas que integram a cultura organizacional da cooperativa estão planos de ação para proteção à integridade, com foco na prevenção e no combate à violência de gênero no ambiente de trabalho; campanhas permanentes sobre direitos das mulheres; iniciativas de valorização profissional que asseguram igualdade de oportunidades; e a promoção de um ambiente seguro, acolhedor e comprometido com a saúde física e mental das colaboradoras.</p>
<p>Além dessas ações, a Unimed Campinas reforça seu compromisso com o público interno, por meio de iniciativas, como o direito ao afastamento de mulheres em situação de risco, sem prejuízo do vínculo empregatício, e a oportunidade de vagas para mulheres que estejam rompendo o ciclo de violência doméstica e de gênero, bem como para mães de crianças na primeira infância, medidas que favorecem a autonomia financeira e o desenvolvimento profissional. Somam-se a isso ações de apoio e proteção às colaboradoras em situação de violência doméstica, incluindo canais de denúncia, acolhimento psicológico próprio, oferecido pela medicina do trabalho da Unimed Campinas e orientação sobre serviços especializados disponíveis no município.</p>
<p><strong>Lideranças femininas</strong></p>
<p>Com um quadro majoritariamente feminino, a Unimed Campinas também se destaca pela presença de mulheres em posições estratégicas: 72% dos cargos de supervisão, coordenação, gerência e superintendência são ocupados por elas.</p>
<p>Não podemos falar de mulheres líderes sem falar do Programa interno <strong>“Lidera: um momento só nosso</strong>”, que nasceu para ampliar ainda mais a cultura de Diversidade, Equidade e Inclusão da cooperativa.  “Esse programa é um espaço muito especial para descompressão, para que as lideranças femininas tenham um lugar de escuta e de fala em um ambiente seguro, onde elas possam compartilhar histórias, experiências e realidades”, explica a Superintende Geral da Unimed Campinas Elem Serafim Martins, anfitriã do Lidera.</p>
<p>Além de todas as práticas voltadas para as mulheres da cooperativa, as ações de diversidade, equidade e inclusão da Unimed Campinas contemplam ainda outros pilares, como questão racial, inclusão de pessoas com deficiência, pertencimento e inclusão de pessoas LGBTQIA+ e a convivência entre diferentes gerações no ambiente de trabalho.</p>
<p>A Prefeitura de Campinas concedeu o Selo Empresa Amiga da Mulher a estas organizações:  Associação Atlética Ponte Preta, Grupo Sabin, Hospital Santa Tereza, Shopping Parque das Bandeiras, Shopping Prado Boulevard, Supermercados Dalben e Unimed Campinas. Já NCR Atleos Brasil e Samsung renovaram o selo após dois anos de participação no programa.</p>
<table style="height: 247px;" width="479">
<tbody>
<tr>
<td width="46"></td>
<td width="417"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Roda-Gigante especial no Campinas Shopping é atração para toda a família no Mês das Crianças</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 21:18:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Legenda da foto: Atração ficará aberta até 9 de novembro (Foto Luiz Mazzotini) O Campinas Shopping preparou uma experiência inesquecível para este Mês das Crianças: a chegada da Roda-Gigante Unimed Campinas.  Com altura equivalente a um edifício de sete andares, a atração, resultado de parceria com a Unimed Campinas, promete agradar crianças e adultos entre ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><i>Legenda da foto: Atração ficará aberta até 9 de novembro (Foto Luiz Mazzotini)</i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Campinas Shopping preparou uma experiência inesquecível para este Mês das Crianças: a chegada da Roda-Gigante Unimed Campinas.  Com altura equivalente a um edifício de sete andares, a atração, resultado de parceria com a Unimed Campinas, promete agradar crianças e adultos entre os dias 10 de outubro a 09 de novembro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma data simbólica como o Dia das Crianças, o Shopping e a operadora de saúde unem forças para proporcionar uma experiência que vai além do entretenimento, valorizando o convívio familiar, o cuidado e a promoção da saúde em um ambiente acolhedor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 16 gôndolas, sendo 15 para até quatro pessoas cada e uma adaptada para pessoas com deficiência, a Roda-Gigante oferece uma vista privilegiada da cidade e promete momentos de pura emoção. O funcionamento será de segunda a sábado, das 14h às 22h, e aos domingos, das 12h às 20h, no estacionamento térreo. Cada ciclo completo tem duração de quatro a cinco minutos, com quatro voltas contínuas, garantindo uma experiência encantadora do início ao fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para garantir a tranquilidade dos visitantes, a atração contará com equipe de segurança patrimonial 24 horas e bombeiro de plantão durante todo o período de operação. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada), conforme legislação vigente. Estudantes, idosos, pessoas com deficiência e clientes Unimed com carteirinha válida têm direito ao benefício, mediante comprovação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o Campinas Shopping, a chegada da Roda-Gigante é uma oportunidade de transformar o Mês das Crianças em um momento marcante, combinando lazer, encantamento e saúde.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Queremos que o mês das crianças seja lembrado de forma especial. A Roda-Gigante é uma atração que desperta emoção em todas as idades, trazendo um toque de encantamento e muita diversão ao nosso shopping”, afirma Ariadne Lelis, gerente de marketing do Campinas Shopping.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Unimed Campinas, parceira na iniciativa, também destaca a importância de promover experiências que aproximam a comunidade de ações que inspiram bem-estar. “A Roda-Gigante Unimed Campinas, que trazemos para o público no Mês das Crianças, em parceria com o Campinas Shopping, reforça o nosso compromisso com a promoção da saúde, o bem-estar e a conexão com a comunidade, oferecendo momentos de lazer e encantamento”, pontua Dr. José Windsor Ângelo Rosa, diretor Comercial da Unimed Campinas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atração ficará disponível até o dia 09 de novembro. Mais informações sobre a programação estão no site </span><a href="http://www.campinasshopping.com.br"><span style="font-weight: 400;">www.campinasshopping.com.br</span></a></p>
<p><b>Promocional</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 25 de outubro, sábado, das 16h às 20h, um evento especial da Unimed no Campinas Shopping marcará o lançamento da campanha promocional 2025 da Cooperativa Médica. Esta ação contará com atividades interativas e promete movimentar o público com uma experiência divertida e entrega de brindes aos primeiros participantes.  </span></p>
<p><strong><strong> </strong></strong></p>
<p><b>RODA GIGANTE UNIMED CAMPINAS</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De 10/10 a 09/11</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Horário: segunda a sábado, das 14h às 22h e aos domingos, das 12h às 20h</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Local: Estacionamento térreo</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ingressos: R$ 40 (Inteira) e R$ 20 (meia-entrada)</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Link da foto: </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><b>SERVIÇO</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jacy Teixeira de Camargo, 940 &#8211; Jardim do Lago, Campinas (SP)</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aberto de segunda a sábado, das 10h às 22h; aos domingos, das 12h às 22h</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">www.campinasshopping.com.br</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Instagram e Facebook: @campinasshopping</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Centro de Quimioterapia da Unimed Campinas recebe certificação de qualidade ACSA International</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Feb 2022 19:38:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ASN]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Acreditação se deu pela “Agencia Calidad Sanitaria de Andalucía”, uma das mais respeitadas do mundo. Seu principal foco, além da qualidade e segurança, é no paciente como centro de todo cuidado. O Centro de Quimioterapia Ambulatorial (CQA) da Unimed Campinas acaba de receber sua primeira certificação internacional de qualidade: o selo de acreditação em nível ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Acreditação se deu pela “Agencia Calidad Sanitaria de Andalucía”, uma das mais respeitadas do mundo. </em><em>Seu principal foco, além da qualidade e segurança, é no paciente como centro de todo cuidado.</em></p>
<p>O Centro de Quimioterapia Ambulatorial (CQA) da Unimed Campinas acaba de receber sua primeira certificação internacional de qualidade<strong>:</strong> o selo de acreditação em nível avançado, conferido pela <em>Agencia de Calidad Sanitaria de </em><em>Andalucía</em> (ACSA <em>International</em>).  O título foi homologado em janeiro, evidenciando a responsabilidade e o comprometimento da unidade em garantir um cuidado centrado no paciente e na humanização do atendimento.</p>
<p>A certificação pela ACSA aconteceu um ano e meio após ter sido iniciado, em junho de 2020, o processo de acreditação junto à agência certificadora. Ou seja, mesmo com todas as dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19, a equipe do CQA trabalhou dedicada em atender todos os requisitos desse selo de qualidade. O resultado foi o melhor possível, pois as mudanças geradas elevaram o nível de qualidade e a centralidade do cuidado e da humanização do atendimento, realidade já percebida não apenas pelos pacientes e suas famílias, mas também pela própria equipe que atua na unidade.</p>
<p>Serviço próprio criado em 2009, o CQA atende todos os clientes da Unimed Campinas acometidos de câncer. Desde 2014 é acreditado em nível 3 – Excelência &#8211; pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Quando conquistou a ONA 3, era o único serviço de oncologia clínica com essa certificação na região de Campinas. Para manter o título conquistado em 2014, a unidade precisa manter ou superar os níveis de qualidade e segurança, gestão integrada e os padrões ONA de Excelência em Gestão, demonstrando uma cultura organizacional de melhoria contínua.</p>
<p>Para o presidente da Unimed Campinas, Dr. João Lian Júnior, essa certificação é da maior relevância, pois ratifica a qualidade, a segurança e a centralização do cuidado no paciente. “Apesar dos desafios impostos pela pandemia nos últimos dois anos, o CQA aprimorou seus processos internos continuamente, até alcançar esse selo internacional. Isso é motivo de grande orgulho para nós”, comentou.</p>
<p>O diretor da Área Hospitalar e Serviços Credenciados, Dr. Luiz Gonzaga Massari Filho, explica que essa conquista permite assegurar aos clientes que, em relação ao tratamento oncológico, o CQA oferece o que há de melhor e mais moderno. “Do momento da primeira consulta ao final do tratamento e acompanhamento posterior, o paciente recebe todo o cuidado necessário para sua recuperação. Isso inclui a utilização de medicamentos de qualidade, que são manipulados de forma segura e personalizada, acompanhamento de oncologistas, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e enfermeiros, todos profissionais preparados e comprometidos em colocar o paciente no centro do cuidado”, diz.</p>
<p><strong>Sobre a ACSA</strong></p>
<p>A certificação internacional em saúde ACSA é hoje uma das acreditações de maior relevância no mundo, estando presente nos 26 países da União Europeia e em projetos de saúde de outros continentes. No Brasil, existe desde 2018, em parceria exclusiva com o Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde (IBES <em>Internationa</em>l). O selo ACSA é entendido como um processo que reconhece o alinhamento entre a maneira de cuidar da saúde dos pacientes e o modelo de qualidade que favorece e promove a melhoria contínua nas organizações de saúde.</p>
<p><strong>Sobre a Unimed Campinas</strong></p>
<p>Segunda singular do Sistema Unimed a ser fundada no país, a Unimed Campinas tem 51 anos de mercado. Sua estrutura de atendimento reúne mais de 3.500 médicos cooperados, um hospital próprio e 20 hospitais credenciados, mais de 220 serviços médicos, como clínicas e laboratórios, 11 hospitais-dia, uma Unidade de Pronto Atendimento (em Sumaré) e um Centro de Quimioterapia Ambulatorial (CQA). A carteira de clientes totaliza mais de 750 mil vidas em atendimento, o que a torna a maior Unimed do interior do Brasil. Sua área de atuação compreende 13 municípios da Região Metropolitana de Campinas.</p>
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		<title>Pandemia de Covid-19 agrava o panorama das doenças negligenciadas no Brasil</title>
		<link>https://agenciasn.com.br/arquivos/18365</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2021 21:05:56 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Por José Pedro Soares Martins Campinas, 14 de junho de 2021 Um decréscimo superlativo na notificação de novos casos em função do confinamento e outras medidas restritivas da mobilidade, a alta da letalidade em algumas enfermidades segundo os números preliminares, queda substantiva na distribuição de medicamentos para vítimas de doenças como Chagas e Hanseníase. Além ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p><strong>Campinas, 14 de junho de 2021</strong></p>
<p>Um decréscimo superlativo na notificação de novos casos em função do confinamento e outras medidas restritivas da mobilidade, a alta da letalidade em algumas enfermidades segundo os números preliminares, queda substantiva na distribuição de medicamentos para vítimas de doenças como Chagas e Hanseníase. Além de provocar um número impressionante de mortes em decorrência diretamente da infecção pelo Sars-CoV-2, a pandemia de Covid-19 provocou danos incomensuráveis em termos de estratégias e ações em saúde pública de modo geral no Brasil, e entre eles está o agravamento do panorama das doenças tropicais negligenciadas (DTNs).</p>
<p>De acordo com pesquisadores e representantes de várias organizações ouvidos pela Agência Social de Notícias, muitas conquistas no combate às DTNs estão seriamente ameaçadas no contexto da pandemia, que também pode afetar a implementação, no Brasil e também em outros países, do roteiro de enfrentamento das Doenças Tropicais Negligenciadas até 2030, divulgado no início de 2021 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após ampla consulta internacional que durou pelo menos dois anos.</p>
<p>Um sinal de esperança, vislumbrado no cenário da pandemia, é o de que a produção de vacinas contra Covid-19 em tempo recorde, em uma grande conquista científica para a humanidade, possa refletir positivamente na aceleração de processos de desenvolvimento e fabricação das tão esperadas vacinas para o combate de algumas Doenças Tropicais Negligenciadas. Ainda assim, como alertam especialistas como Cristina Possas, assessora científica sênior da Biomanguinhos/Fiocruz, esta &#8220;janela de oportunidades&#8221; apenas será aproveitada, no caso brasileiro, se houver um grande esforço para aumentar e aprimorar a capacidade nacional de produção de vacinas, reduzindo a séria dependência de insumos de países como a Índia e a China, como está sendo verificado na própria guerra ainda em curso, e sem prazo para terminar, contra a Covid-19.</p>
<p><span class="VIiyi" lang="pt"><span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="pt" data-language-to-translate-into="en" data-phrase-index="0">Doenças tropicais negligenciadas (DTNs) são classificadas pela OMS como antigas</span> <span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="pt" data-language-to-translate-into="en" data-phrase-index="2">doenças da pobreza que &#8220;impõem um</span> fardo <span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="pt" data-language-to-translate-into="en" data-phrase-index="4">devastador, em termos humanos, sociais e econômicos, para</span><span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="pt" data-language-to-translate-into="en" data-phrase-index="6"> mais de 1 bilhão de pessoas</span> <span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="pt" data-language-to-translate-into="en" data-phrase-index="8">em todo o mundo, predominantemente em regiões tropicais</span> <span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="pt" data-language-to-translate-into="en" data-phrase-index="10">e áreas subtropicais entre as mais</span> <span class="JLqJ4b ChMk0b" data-language-for-alternatives="pt" data-language-to-translate-into="en" data-phrase-index="12">populações vulneráveis e marginalizadas&#8221;. As DTNs provocam mais de 500 mil mortes por ano, sobretudo nos países mais pobres, que não têm sistemas de saneamento adequados, o que facilita a proliferação de vetores. </span></span></p>
<p>Milhares de casos de ao menos 14 das 20 doenças negligenciadas classificadas pela OMS são registrados todo ano no Brasil e a distribuição geográfica das DTNs no país coincide com a má distribuição de renda e os déficits em saneamento básico. As regiões Norte e Nordeste, que apresentam a menor renda média brasileira e têm maiores déficits em saneamento, concentram grande parte da incidência das DTNs. A região Norte é território para nove tipos de doenças negligenciadas e a região Nordeste, para oito. São sete as DTNs documentadas no Centro-Oeste, cinco no Sudeste e quatro no Sul.</p>
<p>O Ministério da Saúde considera que são três os níveis de categorização das doenças negligenciadas. São da Categoria 1 as doenças não controladas e/ou emergentes/reemergentes: dengue e leishmaniose. Na Categoria 2 estão aquelas doenças ainda de elevada magnitude: malária, esquistossomose, tuberculose e geo-helmintoses. As enfermidades consideradas em declínio são da Categoria 3: Doença de Chagas, hanseníase, tracoma, raiva, filariose linfática e oncocercose. Esta caracterização, entretanto, é de antes da pandemia de Covid-19, que pode representar retrocessos históricos para o combate de muitas DTNs em todo Brasil.</p>
<div id="attachment_18569" style="width: 4938px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Jadel.jpg"><img class="size-full wp-image-18569" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Jadel.jpg" alt="Jadel Kratz: pesquisas e serviços em DTNS foram afetados pela pandemia (Foto Divulgação)" width="4928" height="3264" /></a><p class="wp-caption-text">Jadel Kratz: pesquisas e serviços em DTNS foram afetados pela pandemia (Foto Divulgação)</p></div>
<p><strong>Impactos da pandemia no enfrentamento das DTNs</strong></p>
<p>Foram múltiplos os impactos da pandemia no enfrentamento das doenças tropicais negligenciadas no Brasil. Desde o momento que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia pelo novo coronavírus como emergência de saúde pública global, no dia 11 de março de 2020, os sistemas de saúde &#8220;se dedicam principalmente ao atendimento de pacientes com Covid-19 e dessa forma podem estar deixando de cuidar de forma apropriada de outras doenças&#8221;,  comenta Jadel <span lang="EN-GB">Müller</span><b><span lang="EN-GB"> </span></b>Kratz, gerente de pesquisa e desenvolvimento da <a href="https://www.dndial.org/">Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas na América Latina (DND</a><em><a href="https://www.dndial.org/">i</a>,</em> na sigla em inglês para Drugs for Neglected Diseases initiative).</p>
<p>A DNDi é uma organização sem fins lucrativos de Pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) orientada pelas necessidades dos pacientes, que desenvolve tratamentos seguros, eficazes e acessíveis para milhões de pessoas em situação vulnerável que são afetados por <a href="https://www.dndial.org/2017/doencas-negligenciadas/doencas-negligenciadas-doencas-negligenciadas/doencas/">doenças negligenciadas</a>, em particular a <a href="https://www.dndial.org/dndi-america-latina/quem-somos/pt/doencas-negligenciadas/doenca-de-chagas.html">doença de Chagas</a>, as <a href="https://www.dndial.org/dndi-america-latina/quem-somos/pt/doencas-negligenciadas/leishmanioses.html">leishmanioses</a>, a doença do sono, o HIV pediátrico, a Hepatite C, as filarioses e Micetoma.</p>
<p>&#8220;O atual panorama alterou a capacidade do sistema de prestar atendimento adequado, seja tratamento ou diagnóstico, a pacientes com patologias crônicas, infecciosas ou que necessitem de atendimento não urgente&#8221;, completa Jadel Kratz.</p>
<p>Ele nota que, além disso, boa parte dos investimentos em pesquisa passou a se encontrar em desenvolver ferramentas de saúde para prevenir e tratar a Covid-19. &#8220;Enquanto isso, doenças como as negligenciadas, que afetam as populações mais vulneráveis principalmente no Brasil e na América Latina e que já tinham pouca atenção dos grandes financiadores, tiveram seus recursos drasticamente reduzidos&#8221;, afirma.</p>
<p>O gerente de pesquisa e desenvolvimento da DND<em>i</em> América Latina observa também que a própria continuidade dos estudos clínicos já em andamento para outras enfermidades foi comprometida, e as pesquisas paralisadas ou postergadas em muitos casos. &#8220;Os hospitais e centro de pesquisa clínica estão bastante focados na Covid-19 e se viram obrigados a redirecionar boa parte dos recursos para o atendimento emergencial ou, em alguns casos, para realizar estudos clínicos para a Covid-19&#8243;, relata.</p>
<p>Ele cita como exemplo os laboratórios acadêmicos envolvidos em projetos com a DND<em>i </em>para desenvolver novos medicamentos para a doença de Chagas e Leishmanioses, que tiveram que ficar por vários meses fechados e ainda operam longe da sua capacidade máxima. &#8220;Temos projetos com parceiros na Unicamp, na USP, na UFRJ e muitos desses laboratórios tiveram que interromper suas atividades ao menos temporariamente pela questão de segurança. Desde o nível mais básico de pesquisa, onde se trabalha com a finalidade de compreender como um parasita afeta o corpo humano, até os estudos clínicos em fases mais avançadas, sendo feitos no ambiente hospitalar, todos foram impactados&#8221;, lamenta.</p>
<p>Jadel Kratz salienta ainda o impacto da pandemia em outras estratégias de controle de doenças negligenciadas, como o controle de vetores, melhora de infraestrutura, administração de medicamentos, diagnóstico e monitoramento de pacientes. &#8220;O impacto de esta pandemia na vida das pessoas ainda trará muitos desafios e, espero, também aprendizados num futuro próximo&#8221;, evidencia.</p>
<p>Pesquisador da Unicamp, com estudos em parceria com a DNDi América Latina, Luiz Carlos Dias assinala que efetivamente ocorreu, com a pandemia, &#8220;uma desarticulação do sistema de saúde, principalmente nos países de baixa renda, atrapalhando os esforços&#8221; para o combate às doenças negligenciadas. &#8220;Essas doenças ficaram ainda mais negligenciadas&#8221;, reitera.</p>
<p>Dias coordena o consórcio Molecules Initiative for Neglected Diseases (MINDI), fruto de convênio PITE &#8211; Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica firmado entre a Unicamp, a Universidade de São Paulo (USP), a <a href="https://www.mmv.org/">Medicines for Malaria Venture (MMV)</a>, a DNDi América Latina e a <a href="https://fapesp.br/">Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)</a>, visando descobrir novos candidatos a fármacos para o tratamento de malária, Doença de Chagas e leishmanioses.</p>
<div id="attachment_18482" style="width: 232px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Stefan.jpeg"><img class="size-full wp-image-18482" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Stefan.jpeg" alt="O professor Stefan, da UFU: estudo sobre impacto da pandemia em doenças negligenciadas (Foto Acervo Pessoal)" width="222" height="316" /></a><p class="wp-caption-text">O professor Stefan, da UFU: estudo sobre impacto da pandemia em doenças negligenciadas (Foto Acervo Pessoal)</p></div>
<p><strong>Queda abrupta da notificação de novos casos</strong></p>
<p>A queda exponencial da notificação de novos casos, de pessoas acometidas por Doenças Tropicais Negligenciadas, o que pode levar à explosão de casos no pós-pandemia, foi identificada por exemplo no estudo &#8220;<a href="https://www.researchgate.net/publication/346732805_Analise_das_internacoes_e_da_mortalidade_por_doencas_febris_infecciosas_e_parasitarias_durante_a_pandemia_da_COVID-19_no_Brasil">Análise das internações e da mortalidade por doenças febris, infecciosas e parasitárias durante a pandemia da COVID-19 no Brasil</a>&#8220;, assinado por Stefan Vilges de Oliveira e Nikolas Lisboa Coda Dias, respectivamente professor e aluno do Curso de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e também por Álvaro A. Faccini-Martínez,  médico e pesquisador, do Instituto de Investigaciones Biológicas del Trópico, Universidad de Córdoba, Córdoba, Colômbia.</p>
<p>O objetivo do estudo, segundo o professor Stefan, era verificar a evolução dos casos de leishmaniose visceral, leptospirose, dengue e malária em 2020, com base em informações epidemiológicas registradas em bancos de dados oficiais, no caso do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), disponível no endereço eletrônico do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). O professor da UFU nota que &#8220;vários estudos já indicavam o aumento de casos represados de doenças&#8221; em consequência dos protocolos de enfrentamento da pandemia, como o confinamento e o distanciamento social. O propósito então foi verificar &#8220;o perfil epidemiológico de algumas dessas doenças no Brasil&#8221;.</p>
<p>Stefan assinala que, para efeito de comparação com o ano de 2020, foi verificado o padrão de internações e de mortalidade para leishmaniose visceral, leptospirose, dengue e malária entre 2017 e 2019. O especialista observa que os resultados do estudo são preliminares, considerando os oito primeiros meses de 2020, e portanto um quadro completo sobre o perfil epidemiológico dessas doenças ainda deve ser aprofundado. De qualquer modo, os resultados obtidos são inquietantes.</p>
<p>O levantamento feito com base nas informações do DATAASUS mostrou que, entre 2017 e 2019, a média mensal de internações ocorridas nos meses de janeiro a agosto foi de 222,25 internações por leishmaniose visceral, 220,5 por leptospirose e 160,67 por malária. Já em 2020, entre janeiro e agosto, a média mensal foi de 125,38 internações por leishmaniose visceral, 155,87 por leptospirose e 113,25 por malária, números que representam uma queda na média de internações na ordem de 43,59%, 29,31% e 29,51%, respectivamente, em comparação com as médias dos três anos anteriores à pandemia.</p>
<p>Enquanto a média de internações diminuiu para as três doenças consideradas, duas delas (leishmaniose e malária) classificadas como Doenças Tropicais Negligenciadas pelos critérios da OMS, por outro lado houve aumento da mortalidade em 2020 em decorrência das três enfermidades. De novo em comparação com a média dos oito primeiros meses de 2017 a 2019, a taxa de mortalidade no mesmo período em 2020 aumentou em 32,64% para leishmaniose visceral, 38,98% para leptospirose e gravíssimos 82,55% para malária.</p>
<p>Uma hipótese aventada pelos pesquisadores, de acordo com Stefan Vilges de Oliveira, é a de que, com a redução das internações e a demora na assistência dos casos emergentes nas três enfermidades, &#8220;a procura pelos serviços de saúde tenha aumentado quando o quadro clínico estava mais agravado, algumas vezes levando a óbito&#8221;. Novamente, ele nota que essa possibilidade deve ser melhor investigada para comprovação.</p>
<p>Os indicadores iniciais apontam, de qualquer modo, para um quadro ainda mais desafiador, no pós-pandemia, em relação a essas doenças que já apresentam números brutais no Brasil. Apenas a malária é mais letal do que a leishmaniose entre as doenças parasitárias no planeta. Provocada por 20 espécies do protozoário parasita <em>Leishmania</em>, transmitido por mosquitos infectados, é doença curável e mais de 100 mil pessoas já foram tratadas por Médicos Sem Fronteiras em todo mundo.</p>
<p>No Brasil, em decorrência do desmatamento acelerado em algumas regiões, a leishmaniose tem migrado da zona rural para a urbana e os números são crescentes. Eram menos de 500 casos anuais no início da década de 1980, subindo para 2.500 em 1985, quase 4 mil em 1995 e cerca de 5 mil em 2001, reduzindo em seguida para manter-se em mais de 3 mil/ano nos últimos anos.</p>
<p>No caso da malária, a doença provocada por quatro espécies de protozoários do gênero <em>Plasmodium</em> (P. falciparum, P. vivax, P. malariae e P. ovale) e que está presente em 110 países continua devastadora no Brasil.  Na opinião da Academia Brasileira de Ciências, “no Brasil ainda dispõe de um número reduzido de pesquisadores atuando na área, sobretudo no que se refere à pesquisa básica em P. vivax”, apesar dos esforços que têm sido feitos por vários estudiosos e instituições. Foram registrados 133.591 casos de malária em 2016 no Brasil, 217.928 em 2017, 194.572 em 2018 e 157.454 em 2019, de acordo com o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/media/pdf/2020/dezembro/03/boletim_especial_malaria_1dez20_final.pdf">Boletim Epidemiológico</a> especial sobre Malária do Ministério da Saúde, de novembro de 2020.</p>
<p>Os números identificados no estudo de Stefan Vilges de Oliveira, Nikolas Lisboa Coda Dias e Álvaro A. Faccini-Martínez mostraram tendências diferentes no caso da dengue. Ao contrário do que foi observado em relação a leishmaniose visceral, leptospirose e malária, houve um aumento de 29,51% na média mensal por internações por dengue entre janeiro e agosto de 2020, em comparação com o mesmo período de 2017 a 2019. Foram 4071,3 internações mensais em média em 2020, contra 3297,5 internações mensais em média entre janeiro e agosto dos anos anteriores. Em termos de taxa de mortalidade por dengue, houve um acréscimo de 14,26% no período analisado em 2020, em relação aos três anos anteriores.</p>
<p>Os pesquisadores notam que muitas das intervenções essenciais para controlar a dengue &#8220;estão em desacordo com as diretrizes de prevenção e bloqueio da Covid-19, já que requerem ou implicam em proximidade entre as equipes de controle de vetores e a população residente&#8221;. Eles assinalam que em vários países tropicais a transmissão da dengue cresceu durantes a pandemia, notadamente na estação chuvosa, &#8220;porque foram interrompidas as medidas de controle do vetor, como as intervenções domiciliares para eliminar larvas, inspecionar criadouros e pulverizar as residências, e foram reduzidos os serviços de manutenção dos espaços públicos, jardins e a coleta de potenciais recipientes de água&#8221;.</p>
<p>Segundo o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/fevereiro/01/boletim_epidemiologico_svs_3.pdf">Boletim Epidemiológico</a> do Ministério da Saúde sobre Arboviroses transmitidas por <em>Aedes aegypti</em>, foram notificados 987.173 casos prováveis (taxa de incidência de 469,8 casos por 100 mil habitantes) de dengue no Brasil em 2020, contra 1.544.987 casos em 2019.</p>
<p>O professor Stefan Vilges de Oliveira entende ser fundamental uma &#8220;vigilância ativa&#8221; para evitar que casos graves de doenças como leishmaniose, malária ou dengue não cresçam ainda mais no Brasil durante a pandemia. Ele defende que &#8220;os gestores da saúde não podem se esquecer dessas doenças que já são historicamente negligenciadas e que causam um impacto enorme na saúde e na economia&#8221;. Doenças como malária e dengue &#8220;não deixam de acontecer em razão da pandemia&#8221; e merecem uma atenção permanente, apesar de grande parte dos recursos estar sendo compreensivelmente direcionada para o combate à Covid-19, salienta o professor da UFU. &#8220;O gestor deve pensar e atuar de forma sistêmica&#8221;, acrescenta.</p>
<div id="attachment_11132" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/05/CCZatendimentos_04771-660x330.jpg"><img class="size-full wp-image-11132" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2016/05/CCZatendimentos_04771-660x330.jpg" alt="Ainda há longo caminho a percorrer em pesquisa e políticas públicas em doenças tropicais negligenciadas no Brasil (Foto Adriano Rosa)" width="660" height="330" /></a><p class="wp-caption-text">Ainda há longo caminho a percorrer em pesquisa e políticas públicas em doenças tropicais negligenciadas no Brasil (Foto Adriano Rosa)</p></div>
<p><strong>Alta subnotificação para Doença de Chagas</strong></p>
<p>Uma alta subnotificação de casos também tem sido verificada em relação à Doença de Chagas, o que pode ter sido fatal para muitas pessoas que adquiriram a enfermidade e ficarão sem o diagnóstico. Estima-se entre 2 a 3 milhões o número de pessoas com a Doença de Chagas no Brasil e menos que 5% recebem tratamento adequado justamente porque não têm acesso ao diagnóstico da enfermidade provocada pelo protozoário <em>Trypanosoma cruzi,</em> que tem várias espécies de insetos como hospedeiros.</p>
<p>Casos de diagnóstico tardio são comuns no âmbito da Doença de Chagas, como ocorreu com Aparecida Benedita Francisco dos Santos, da Associação dos Chagásicos da Grande São Paulo, representante da presidência da Federação Internacional de Pessoas Infectadas por Doença de Chagas – Findechagas.</p>
<p>Ela conta que trabalhava no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Santo Amaro, em São Paulo, e sua pressão estava subindo constantemente e os médicos não estavam identificando a causa. Até que um médico solicitou o exame sorológico para Chagas e o resultado foi positivo. Ela tinha pouco mais de 50 anos quando o diagnóstico foi fechado.</p>
<p>Aparecida dos Santos relata que morava em casa de pau-a-pique na região de Votuporanga, interior de São Paulo, onde provavelmente adquiriu a enfermidade. &#8220;Quando me falaram foi um baque. Havia os relatos de pessoas cobertas com chagas na Bíblia e eu imaginei que poderia ficar assim. Aos poucos foram me explicando o que realmente acontecia e me acalmei&#8221;, diz ela.</p>
<p>Portadora da Doença de Chagas, ela acabou se envolvendo na luta em defesa das vítimas da enfermidade, através da Associação dos Chagásicos da Grande São Paulo . &#8220;Muitas pessoas que têm a doença não sabem. Agora com a pandemia os doentes estão angustiados&#8221;, diz Aparecida, que não vê a hora de voltar a participar das atividades presenciais da organização de que faz parte, ajudando a divulgar informações sobre a Doença de Chagas e apoiando os portadores.</p>
<p>A subnotificação no caso da enfermidade foi comprovada pelo próprio Ministério da Saúde. Segundo o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/abril/14/boletim_especial_chagas_14abr21_b.pdf">Boletim Epidemiológico Doença de Chagas,</a> divulgado em março de 2021, foram notificados 2193 casos suspeitos de Doença de Chagas em 2020, contra 4169 em 2019, o que representa uma redução de 47,39%. Foram confirmados 146 casos em 2020, 62,27% a menos do que os 387 casos em 2019. Foram três óbitos confirmados pela doença, todos no estado do Pará. No período de março a agosto de 2020, foram registrados 125.691 óbitos por Covid-19 no Brasil, dos quais 0,2% (n=207) fazendo menção à Doença de Chagas como comorbidade que contribuiu para a morte.</p>
<p>O gerente de pesquisa e desenvolvimento da DND<em>i, </em>Jadel Kratz, nota que a organização<em> </em>tem se esforçado, desde o começo da pandemia, em utilizar a própria experiência para mobilizar as redes e plataformas com as quais trabalha e contribuir com a resposta à Covid-19. &#8220;Desde o ponto de vista do cuidado das pessoas, a Covid-19 é um desafio relativamente novo e ainda não existem evidências científicas suficientes sobre sua interação com outras doenças infecciosas. Os profissionais com quem trabalhamos com pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas, como a doença de Chagas sabem que pessoas com problemas cardíacos – comuns entre indivíduos afetados pela doença de Chagas – têm mais risco de desenvolver formas mais agressivas de Covid&#8221;, ele comenta.</p>
<p>Jadel Kratz assinala que, pensando em trazer soluções para todas as pessoas acometidas pela doença de Chagas e para os profissionais de saúde que cuidam delas, a DND<em>i, </em>em parceria com a <a href="http://www.coalicionchagas.org/#">Coalizão Chaga</a>s, desenvolveu uma série de perguntas e respostas que abrangem medidas básicas de proteção contra o novo coronavírus.</p>
<p>Além disso, completa Jadel Kratz, a DNDi, junto a um grupo de especialistas em Chagas de diversos países, apresentou<a href="https://globalheartjournal.com/articles/10.5334/gh.891/"> artigo para a revista <em>Global Heart Journal</em></a>, da Federação Mundial do Coração, com recomendações para os professionais de saúde sobre o manejo de pacientes com doença de Chagas e Covid-19.</p>
<div id="attachment_18147" style="width: 701px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Morhan.png"><img class="size-full wp-image-18147" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Morhan.png" alt="Morhan produziu um vídeo com relatos sobre o impacto da falta de medicamentos (Foto Reprodução)" width="691" height="361" /></a><p class="wp-caption-text">Morhan produziu um vídeo com relatos sobre o impacto da falta de medicamentos (Foto Reprodução)</p></div>
<p><strong>Atraso na distribuição de medicamentos afeta hansenianos</strong></p>
<p>As estratégias de enfrentamento da hanseníase foram particularmente afetadas pela pandemia de Covid-19 e por equívocos na gestão, fatores que colocaram em risco conquistas importantes no combate à doença considerada negligenciada pela OMS e em relação à qual o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos, atrás apenas da Índia. O Brasil lidera o ranking, entretanto, em termos das maiores taxas de infecção por 100.000 habitantes.</p>
<p>De fato, os números de casos novos de hanseníase estavam declinando no Brasil, de 50,5 mil em 2004 para 31 mil em 2014 e 25,2 mil casos em 2016, segundo dados do Ministério da Saúde. Um sinal de alerta já havia sido verificado com o aumento para 28.660 casos em 2018. No cenário da pandemia, o combate à doença ficou em xeque.  A hanseníase é doença infectocontagiosa e o agente etiológico é o bacilo <em>Mycobacterium leprae</em> (M. Leprae).</p>
<p>Um dos agravantes no panorama da pandemia foi o colapso na entrega de medicamentos para portadores de hanseníase no Brasil ao longo de 2020. Na realidade, datam de março de 2020 os primeiros relatos de que pessoas com hanseníase não estavam conseguindo acesso, em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), aos medicamentos usados na poliquimioterapia (PQT) empregada no tratamento da doença. A PQT prescrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) abrange medicamentos como rifampicina, dapsona e clofazimina.</p>
<p>Como as denúncias começaram a se intensificar, no dia 17 de agosto o Movimento de Reintegração das Pessoas Afetas pela Hanseníase e seus Familiares (Morhan) pediu providências ao Ministério da Saúde. “É importante salientar que a falta de medicamentos para tratamento de pessoas acometidas pela hanseníase é uma situação gravíssima, pois os mesmos podem ser prejudicados por problemas de incapacidade física e psicológica, o que historicamente temos combatido com muito esforço”, afirmou o coordenador nacional do Morhan, Artur Custódio, em carta encaminhada à Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde.</p>
<p>Custódio citou no documento relatos recebidos de pacientes de cidades como Escada e Recife, em Pernambuco, e Aparecida de Goiânia, de Goiás. Mas as denúncias prosseguiram e no dia 3 de setembro a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) e o Morhan protocolaram representação junto ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando instauração de inquérito civil para garantir a regularização do abastecimento de medicamentos para tratamento de hanseníase no país e responsabilizar o poder público por prejuízos causados à saúde e vida dos usuários que dependem do SUS. A representação foi protocolada pelo advogado integrante da Rede Jurídica e de Direitos Humanos do Morhan, Carlos Nicodemos.</p>
<p>Além disso, a Sociedade Brasileira de Hansenologia também encaminhou questionamento à Organização Mundial da Saúde (OMS), sobre se teria conhecimento da falta de medicamentos para tratamento da hanseníase. A OMS é a fornecedora da maior parte dos medicamentos utilizados na poliquimioterapia aplicada em acometidos pela doença.</p>
<p><a href="http://www.sbhansenologia.org.br/upload/files/004_2020_Novembro_3_Nota_Informativa_SBH_sobre_resposta_OMS_para_SBH%281%29.pdf">Documento divulgado pela SBH</a> informou que o comunicado à OMS foi feito no dia 28 de outubro de 2020. A resposta da Organização Mundial da Saúde chegou dois dias depois, com estas informações, segundo o documento da SBH: “1. Que a OMS estava ciente da falta de PQT no Brasil desde agosto de 2020; 2. Que a quantidade de PQT solicitada pelo Brasil à OMS era suficiente para tratar os pacientes de 2020; 3. Que havia problemas com o envio da PQT para o Brasil; 4. Que há problemas com o suprimento de antibióticos da PQT do fornecedor para a OMS; 5. Que espera que um novo envio seja feito ao Brasil por via aérea dentro de 10 dias, “para diminuir o impacto da falta de PQT nos pacientes brasileiros”; 6. Que a produção dos blisters continua, mas que a capacidade de produção permanece limitada e, finalmente; 7. Que não é somente no Brasil que há falta de PQT”.</p>
<p>No documento datado de 3 de novembro, o presidente da SBH, Claudio Guedes Salgado, declarou ser “inexplicável não haver um estoque de emergência de PQT tanto na OMS quanto no próprio Brasil, primeiro país no mundo na taxa de detecção de casos novos”.</p>
<p>No dia 26 de novembro, a Coordenadoria Geral de Doenças em Eliminação (CGDE) do Ministério da Saúde, em webinário com serviços públicos de saúde das regiões Sul e Sudeste, alertou que a falta de medicamentos para tratamento da hanseníase no país seria agravada. Com a continuidade dos casos, o Morhan <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSemzbGUCfpXQPis9Q-UInkj21Th9FCSzhGEd7o76nOiDWR7Yg/viewform">abriu um canal </a>para receber relatos de pessoas com problemas para ter acesso aos medicamentos usados na poliquimioterapia de hanseníase.</p>
<p>O quadro inquietante devastador chegou ao conhecimento do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Em comunicado divulgado em Genebra, na Suíça, no dia 28 de janeiro de 2021, a Relatora Especial das Nações Unidas sobre a Eliminação da Discriminação contra as Pessoas Afetadas pela Hanseníase, Alice Cruz, advertiu que o “impacto desproporcionalmente negativo” da pandemia sobre as pessoas portadoras de hanseníase pode levar ao “retrocesso no controle e transmissão” da doença e também na “prevenção de deficiências”. Se não é diagnosticada e tratada a tempo, a hanseníase pode ser incapacitante e provocadora de graves sequelas nos afetados.</p>
<p>Depois de salientar que a falta de distribuição e acesso aos medicamentos essenciais “está agravando tanto as deficiências quanto a transmissão e vem causando grande sofrimento” a acometidos pela hanseníase, Alice Cruz recordou que “a história da hanseníase mostra o quanto a discriminação e as desigualdades podem ser custosas, não apenas para os pacientes e seus familiares, mas também para as sociedades como um todo”.</p>
<p>A distribuição de medicamentos para tratamento da hanseníase voltou a ser normalizada em março de 2021, segundo anunciou o Ministério da Saúde, após tratativas com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS/OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entretanto, como alerta o coordenador nacional do Morhan, Artur Custódio, o problema estrutural permanece, segundo fundamental o investimento em recursos para que o Brasil não dependa mais do fornecimento externo.</p>
<div id="attachment_18575" style="width: 4106px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/NHRCeará.jpg"><img class="size-full wp-image-18575" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/NHRCeará.jpg" alt="Ação da NHR Brasil durante a pandemia no Ceará, em benefício da famílias de pessoas com hanseníase (Foto NHR Brasil)" width="4096" height="3072" /></a><p class="wp-caption-text">Ação da NHR Brasil durante a pandemia no Ceará, em benefício da famílias de pessoas com hanseníase (Foto NHR Brasil)</p></div>
<p>Ainda não podem ser mensurados, contudo, todos os impactos da pandemia no enfrentamento da hanseníase no Brasil. Uma pesquisa realizada pela <a href="https://www.nhrbrasil.org.br/">NHR</a> Brasil, representante no país da organização nascida na Holanda NLR, mostrou um agravamento geral das condições de vida dos hansenianos. &#8220;Houve um agravamento da condição socioeconômica em razão do isolamento social, com perdas de postos de trabalho, e também dificuldade no acesso aos serviços de saúde sobrecarregados com o atendimento às vítimas da Covid-19&#8243;, comenta o diretor nacional de NHR Brasil, Alexandre Menezes.</p>
<p>Resultados preliminares da pesquisa mostraram que houve uma redução de 20% a 70% na notificação de casos novos de hanseníase no Brasil.  &#8220;Sem esse diagnóstico, consequentemente aumenta o risco de, no futuro, serem agravadas as sequelas decorrentes da falta de tratamento, podendo levar o paciente à incapacidade física&#8221;, alerta Alexandre Menezes.</p>
<p>Com a demora na entrega de medicamentos e a expressiva subnotificação de casos novos, o coordenador de NHR Brasil entende que pode haver, sim, importante retrocesso no combate à hanseníase. Ele entende que o momento é oportuno para a ampliação da discussão sobre &#8220;caminhos efetivos que levem à produção de fármacos e vacinas há muito desejadas para o combate à hanseníase e outras doenças negligenciadas no Brasil&#8221; e em outros países.</p>
<p>Alexandre Menezes entende ser essencial a priorização das doenças negligenciadas nas políticas públicas e a maior integração entre o setor público e as organizações sociais que atuam no enfrentamento dessas enfermidades. &#8220;É raríssimo encontrar nos planos estaduais e municipais de saúde ações concretas de enfrentamento das doenças negligenciadas&#8221;, acrescenta o coordenador de NHR Brasil.</p>
<p>A NHR Brasil tem promovido várias ações no contexto da pandemia de Covid-19. Uma delas é a entrega de cestas básicas, itens de higiene e de autocuidado, como as que foram realizadas para famílias escolhidas no Ceará, em Pernambuco e em Rondônia.</p>
<p>Estas pessoas foram selecionadas dentre membros de grupos de autocuidado apoiados pela organização. Para esta seleção, foram adotados critérios para identificar famílias em situação de vulnerabilidade econômica e social, agravada com a pandemia.</p>
<p>A NHR Brasil é uma das organizações integrantes do Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas, constituído em 2016. A 30 de janeiro de 2021, por ocasião do Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, o Fórum reforçou a divulgação da Carta Aberta do 5ª Encontro Brasileiro de Movimentos Sociais de Luta contra Doenças Infecciosas e Negligenciadas, realizado de forma virtual ente os dias 10 e 12 de dezembro de 2020.</p>
<p>Entre os apelos contidos na Carta Aberta, estava a de inclusão, entre os grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19, de pessoas afetadas por doenças negligenciadas que apresentem aumento da vulnerabilidade para desenvolver síndrome respiratória grave em função da infecção pelo vírus Sars-CoV-2, tais como as pessoas afetadas por doença de Chagas, pessoas em tratamento de reações hansênicas, pessoas com leishmaniose visceral com comorbidades, pessoas portadoras de hepatites virais e outras DTN associadas a condições crônicas. Essa reivindicação não foi contemplada, entretanto, no Programa Nacional de Imunização contra a Covid-19.</p>
<div id="attachment_18573" style="width: 516px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CPossas1.jpg"><img class="size-full wp-image-18573" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CPossas1.jpg" alt="Cristina Possas, de Bio-Manguinhos/Fiocruz, teme redução de investimentos em vacinas para DTNs pelo redirecionamento de recursos para combate à Covid-19 (Foto Divulgação)" width="506" height="540" /></a><p class="wp-caption-text">Cristina Possas, de Bio-Manguinhos/Fiocruz, teme redução de investimentos em vacinas para DTNs pelo redirecionamento de recursos para combate à Covid-19 (Foto Divulgação)</p></div>
<p><strong>Vacinas e medicamentos para DTNs demandam investimentos e nova governança</strong></p>
<p>O desenvolvimento em tempo recorde não apenas de uma, mas de várias vacinas para combater a Covid-19 representa em princípio uma esperança para que processos similares ocorram no enfrentamento a algumas das doenças tropicais negligenciadas. Entretanto, muitos desafios precisam ser superados, advertem especialistas como Cristina Possas, assessora científica sênior do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). O Bio-Manguinhos produz no Brasil, com transferência de tecnologia, a vacina ChAdOx-1 ou AZD1222, conhecida como vacina de Oxford, desenvolvida em parceria entre a universidade britânica e a farmacêutica AstraZeneca, detentora da patente.</p>
<p>Cristina Possas nota que diversos fatores contribuíram para a resposta acelerada no desenvolvimento e produção de vacinas na pandemia, em uma extraordinária conquista científica da humanidade. &#8220;O mais importante deles foi a intensificação da colaboração internacional apoiada por importantes mecanismos de financiamento, como a Operation Warp Speed nos EUA (US$ 1,5 bilhões) e outros. As parcerias público-privadas foram fundamentais nesse processo&#8221; comenta Cristina Possas.</p>
<p>Ela nota que nunca na história do desenvolvimento de vacinas &#8220;tantos governos, institutos de pesquisa públicos e privados e fundos públicos e privados estiveram envolvidos em iniciativas colaborativas, proporcionando, em menos de nove meses do surgimento da pandemia em Wuhan, China, enormes investimentos para o desenvolvimento de uma vacina&#8221;.</p>
<p>Esse cenário colaborativo, continua, levou a uma busca internacional acelerada sem paralelo por uma vacina, com mais de 195 projetos em todo o mundo. &#8220;Essa velocidade acelerada no desenvolvimento de vacinas inovadoras, com novas tecnologias no cenário da chamada Vacinologia 4.0, como vacinas de mRNA (Moderna, Pfizer / BioNTech) e vetores virais não replicantes (Oxford / AstraZeneca), se beneficiou também de desenvolvimentos inovadores anteriores de vacinas para outras doenças emergentes, como as vacinas contra SARS e Zika&#8221;, explica a assessora sênior da Biomanguinhos/Fiocruz.</p>
<p>Para Cristina Possas, de fato esse prazo recorde na produção de vacinas contra o novo coronavírus permite a esperança de que vacinas para o combate de algumas das doenças tropicais negligenciadas sejam mais rapidamente viabilizadas. &#8220;Sem dúvida, há uma esperança, pois esse é um gigantesco problema global e a consciência de sua importância vem aumentando. As DTN são responsáveis pelo adoecimento e morte de mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo&#8221;, ela lembra.</p>
<p>A especialista adverte entretanto que existe o desafio de &#8220;assegurar um financiamento sustentável de longo prazo para vacinas contra essas doenças negligenciadas, consideradas &#8220;da pobreza&#8221; e sub-financiadas, pois não têm a mesma visibilidade do COVID-19 e outras doenças como HIV/AIDS&#8221;.</p>
<p>Cristina Possas lamenta que, pela menor visibilidade das doenças tropicais negligenciadas, apesar de seu altíssimo custo para as populações de mais baixa renda, ocorre um &#8220;baixíssimo financiamento que reflete a falta de prioridade nos organismos internacionais e nos países&#8221;. Com isso, na sua avaliação, as vacinas contra doenças negligenciadas &#8220;têm caído na quase totalidade em um ´vale da morte`, por não conseguirem passar da pesquisa básica ao desenvolvimento tecnológico e produção (&#8220;scale up&#8217;)&#8221;. A maioria dos projetos no mundo para vacinas contra doenças negligenciadas acaba sendo interrompida na fase da pesquisa básica por falta de financiamento sustentável, acrescenta.</p>
<p>Cristina Possas alerta que não basta somente a chamada “vontade política” para a produção de vacinas para o enfrentamento de doenças tropicais negligenciadas. &#8220;Se o financiamento sustentável for assegurado,  o compartilhamento de plataformas tecnológicas inovadoras para vacinas de diversas doenças e os extraordinários avanços na inovação e desenvolvimento tecnológico dessas vacinas para Covid-19 poderão contribuir para acelerar o desenvolvimento de vacinas para doenças negligenciadas&#8221;, analisa.</p>
<p>Por outro lado, diz Cristina Possas, o fato da vacina de Covid-19 ter se beneficiado de desenvolvimentos prévios para vacinas de doenças emergentes que afetam as populações mais pobres, como Zika e Dengue, &#8220;mostra como pode ser danosa esta baixa prioridade para vacinas para doenças negligenciadas como sendo ´vacinas de pobreza` e de ´menor interesse global`&#8221;.</p>
<p>Hoje, adverte a assessora da Bio-Manguinhos/Fiocruz, &#8220;com a intensificação da mobilidade populacional por viagens internacionais e o risco exponencialmente aumentado de exposição e transmissão para as populações que cada vez mais se deslocam, todas as doenças são de interesse global, não há mais doenças infecciosas que possam ser negligenciadas! Isto é um enorme equívoco na estratégia política global. As doenças negligenciadas precisam ser devidamente valorizadas em toda a sua complexidade e não confinadas a um ´nicho da pobreza&#8217;, condenadas ao chamado  ´vale da morte` em que novas vacinas para essas doenças acabem  ´morrendo` por não receberem financiamento e incentivos suficientes para a vacina chegar aos estágios finais de desenvolvimento e produção&#8221;.</p>
<p>Países em desenvolvimento como o Brasil, defende a especialista, precisam urgentemente &#8220;criar capacidade local para autossuficiência no desenvolvimento e produção dessas vacinas, tanto para Covid-19 quanto para DTNs, reduzindo urgentemente a atual elevada dependência de importação de insumos da Índia e da China&#8221;.</p>
<p>Na sua opinião, esta capacitação local no desenvolvimento de vacinas deve ser apoiada por um Plano Estratégico Nacional de Inovação, Desenvolvimento e Produção de Vacinas para os próximos 30 anos, até 2050, apoiado por sua vez com &#8220;forte financiamento e incentivos, de forma sustentável a longo prazo&#8221;.</p>
<p>O gerente de pesquisa e desenvovimento da DNDi América Latina, Jadel Kratz, considera que, de fato, no caso do Sars-CoV-2, houve a oportunidade de validar novas plataformas, como as vacinas de mRNA, consolidando anos de pesquisa prévia de uma forma rápida e útil do ponto de vista de saúde pública. &#8220;Se pensarmos que o vírus foi sequenciado em janeiro do ano passado e no final do ano estávamos fazendo ensaios clínicos de fase 3 (a fase mais avançada antes da liberação para o público), tudo isso em um ano, é impressionante&#8221;, afirma.</p>
<p>Para Jadel Kratz, entretanto, o sucesso obtido com as vacinas para Sars-CoV-2 não garante que o mesmo nível de sucesso será obtido para todas as demais doenças. &#8220;Vírus, protozoários, bactérias são organismos bem diferentes entre si, e cada patologia tem peculiaridades e facetas únicas que dificultam o desenvolvimento de novas terapias. Mas ficou claro com esta experiência que é possível desenvolver vacinas ou medicamentos de qualidade muito mais rápido do que estamos acostumados quando se tem prioridade, financiamento, colaboração e objetivos em comum. E melhor ainda se os objetivos em comum forem aqueles dos pacientes que sofrem com necessidades médicas não atendidas&#8221;, defende o gerente de P&amp;D da DNDi América Latina.</p>
<p>&#8220;Nesse sentido, além do desafio tecnológico, ainda falta tornar as novas ferramentas de saúde um bem comum, livre de restrições relacionadas à propriedade intelectual, e que o investimento em pesquisa, assim como a produção de medicamentos, transparente e sustentável ao ponto de que a população tenha acesso equitativo a estas vacinas e/ou medicamentos&#8221;, sustenta Jadel Kratz.</p>
<p>O pesquisador da Unicamp, Luiz Carlos Dias, lembra que no século 21 não foi produzido nenhum medicamento inovador para qualquer uma das doenças tropicais negligenciadas. Ele nota que muitas das DTNs são transmitidas por parasitas, cujo ciclo de vida é muito complexo, adquirindo rápida resistência a vacinas e medicamentos.</p>
<p>O especialista considera que as conquistas no combate ao Sars-CoV-2 mostram ser possível acelerar as fases de desenvolvimento de medicamentos e vacinas, sem prejuízo para a segurança e a eficácia. &#8220;Precisamos aproveitar esses esforços para combater doenças negligenciadas há décadas&#8221;, defende Dias.</p>
<div id="attachment_18571" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/AliceONU2.jpg"><img class="size-full wp-image-18571" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/AliceONU2.jpg" alt="Alice Cruz teme que metas do novo roteiro da OMS para DTNs não sejam cumpridas em razão dos impactos da pandemia (Foto Nações Unidas)" width="960" height="540" /></a><p class="wp-caption-text">Alice Cruz teme que metas do novo roteiro da OMS para DTNs não sejam cumpridas em razão dos impactos da pandemia (Foto Nações Unidas)</p></div>
<p><strong>Pandemia impacta roteiro da OMS para enfrentamento das DTNs até 2030 </strong></p>
<p>No final de janeiro de 2021 a Organização Mundial da Saúde lançou<strong> </strong>um novo roteiro para o enfrentamento das doenças tropicais negligenciadas até 2030, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O roteiro <a href="https://www.who.int/teams/control-of-neglected-tropical-diseases/ending-ntds-together-towards-2030" target="_blank" rel="noopener"><em>Ending the neglect to attain the Sustainable Development Goals: a road map for neglected tropical diseases 2021–2030</em></a> tem o propósito de &#8220;acelerar a ação programática e renovar o ímpeto, propondo ações concretas focadas em plataformas integradas para a entrega de intervenções e, assim, melhorar a relação custo-eficácia e a cobertura de programas&#8221;. O roteiro foi aprovado pela Assembleia Mundial da Saúde (WHA 73) em novembro de 2020.</p>
<p>Entre as metas do roteiro estão a erradicação da dracunculíase (doença do verme-da-guiné) e da bouba, que pelo menos 100 países eliminem ao menos uma das DTNs, a redução em 75% dos anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALYs) relacionados às DTNs e a redução de 90% na necessidade de tratamento para doenças tropicais negligenciadas até 2030.</p>
<p>O roteiro é fruto do trabalho de dois anos e foi concluído após ampla consulta global, iniciada portanto antes da pandemia de Covid-19. Para vários especialistas, a pandemia pode afetar consideravelmente o cumprimento das metas da iniciativa da OMS.</p>
<p>A Relatora Especial das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra as Pessoas Afetadas pela Hanseníase e seus Familiares, Alice Cruz, enfatiza que, realmente, o documento produzido pela OMS reflete a situação epidemiológica e dos sistemas de saúde nos países endêmicos anterior à pandemia de Covid-19. &#8220;Creio que a pandemia alterou toda essa situação e que nesse momento lidamos com a realidade dramática de uma diminuição de cerca de 50% na descoberta de novos casos, em todos países afetados pela hanseníase&#8221;, alerta.</p>
<p>Alice Cruz entende que, que neste contexto, &#8220;se não houver uma melhoria rápida, urgente, dessa situação de queda abrupta na capacidade diagnóstico da hanseníase nos países endêmicos&#8221;, as metas indicadas no roteiro da OMS não serão cumpridas. O roteiro contempla as metas de 75 países com zero novos casos autóctones de hanseníase até 2023, 95 países até 2025 e 120 países até 2030.</p>
<p>A relatora da ONU lembra que ainda não existem tecnologias suficientemente eficazes para interromper a transmissão de hanseníase, apesar do programa global recomendar a quimioprofilaxia, cuja aplicação depende, entretanto, de &#8220;situações sociais e econômicas que se deterioram muito, junto com a queda na capacidade de diagnóstico, no contexto da pandemia&#8221;.<strong>  </strong></p>
<p>A assessora sênior de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Cristina Possas, considera que o documento “Ending the neglect to attain the Sustainable Development Goals: a road map for neglected tropical diseases 2021–2030”<strong> </strong>tem &#8220;a maior importância, tem caráter estratégico global e metas ambiciosas na perspectiva do desenvolvimento sustentável&#8221;. Ela destaca a ênfase do roteiro em &#8220;intervenções intersetoriais integradas, com investimento inteligente e amplo engajamento da comunidade,  com vistas a fortalecer e sustentar os sistemas nacionais de saúde&#8221;.</p>
<div id="attachment_18577" style="width: 180px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/RoteiroDTNs.jpg"><img class="size-full wp-image-18577" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/06/RoteiroDTNs.jpg" alt="Capa do novo roteiro da OMS para enfrentamento das DTNs até 2030: avanços e dúvidas" width="170" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do novo roteiro da OMS para enfrentamento das DTNs até 2030: avanços e dúvidas</p></div>
<p>Contudo, Cristina Possas considera que o Brasil &#8220;precisa com urgência, em uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, elaborar um Plano Estratégico Nacional para Redução das DTNs até 2030 , que contemple este novo <em>roadmap</em> da OMS na perspectiva do desenvolvimento sustentável,  assegurando ações efetivas de impacto não apenas no âmbito da assistência no SUS mas também na inovação, desenvolvimento tecnológico e produção de produtos estratégicos para alcançar essas metas da OMS, como novas vacinas, kits para diagnóstico, biofármacos  e medicamentos, reduzindo a elevada dependência externa&#8221;. Esse Plano Estratégico, acrescenta, deve ser &#8220;implementado e monitorado de perto com indicadores de alcance das metas estabelecidas em consonância com o <em>roadmap</em> da OMS&#8221;.</p>
<p>O diretor nacional de NHR Brasil, Alexandre Menezes, evidencia como um ponto positivo do roteiro traçado pela OMS a sua construção participativa, tendo sido ouvidas organizações que atuam no setor de todo o mundo, além de instâncias governamentais. E nessa linha ele salienta que o roteiro reforça a importância da participação e do controle social no desenho de políticas de enfrentamento da hanseníase. &#8220;Os Conselhos por exemplo são fundamentais, são espaços para a sociedade se manifestar, e infelizmente eles têm perdido força a partir da postura do governo atual&#8221;, ele lamenta.</p>
<p>Outro ingrediente relevante do roteiro da OMS, para Alexandre Menezes, é a interface das propostas de enfrentamento da hanseníase com o conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.  &#8220;O roteiro mostra claramente a importância de desenvolvimento de políticas em outros setores além da saúde para que as metas propostas sejam alcançadas&#8221;, analisa o diretor nacional da NHR Brasil.</p>
<p>Para o gerente de pesquisa e desenvolvimento da DND<em>i</em> América Latina, Jadel Kratz, é &#8220;difícil evitar os impactos negativos da pandemia como um todo, mas ainda é mais complicado medir as consequências no sistema de saúde, na pesquisa e desenvolvimento de medicamentos e no controle e eliminação de doenças&#8221;.</p>
<p>Ele considera que, em relação ao roteiro proposto pela OMS, será necessário &#8220;trabalhar muito para poder recuperar o retrocesso adquirido nos últimos meses e lutar para que as doenças negligenciadas sejam priorizadas para que juntos possamos avançar na prevenção, controle, eliminação ou erradicação de 20 doenças e grupos de doenças, bem como metas transversais alinhadas às estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)&#8221;.</p>
<p>Permanecem dúvidas, em síntese, se o roteiro traçado pela OMS será suficiente para o enfrentamento das doenças tropicais negligenciadas no pós-pandemia. O quadro anterior já era inquietante, como demonstrou o <a href="https://www.policycuresresearch.org/analysis/">Relatório G-Finder 2020</a>, confirmando a estagnação por uma década em investimentos globais em pesquisa e desenvolvimento para o enfrentamento das DTNs. Em 2019, o investimento em P&amp;D em doenças tropicais negligenciadas tinha aumentado somente US$7,5 milhões em relação ao ano anterior, chegando a US$ 328 milhões, ou 8,5% do financiamento global das doenças negligenciadas.</p>
<p>As tendências no pós-pandemia incomodam os pesquisadores. &#8220;Penso que se não houver preocupação das organizações internacionais e dos países, a pandemia poderá reduzir drasticamente o financiamento das vacinas para HIV/AIDS, Tuberculose e Malária pelo Fundo Global (Global Fund to Fight AIDS, Tuberculosis and Malaria)  e sobretudo para as outras DTNs, já muito negligenciadas, pelas pressões na pandemia pelo redirecionamento dos recursos para vacinas para Covid-19 e também pela necessidade de redesenhar vacinas para as suas novas variantes (Reino Unido &#8211; B.1.1.7; África do Sul &#8211; B.1.351  e recentemente a do Brasil com a variante P.1. que surgiu na Amazônia e outra variante brasileira P.2)&#8221;, adverte Cristina Possas, da Bio-Manguinhos/Fiocruz.</p>
<p>Para ela, é &#8220;urgente portanto alertar para este redirecionamento de recursos por pressão pelo agravamento global da pandemia, que poderá reduzir recursos para DTNs e buscar um novo paradigma para o desenvolvimento e produção de vacinas para doenças negligenciadas. É uma questão de direitos humanos e soberania nacional&#8221;, conclui Cristina Possas, resumindo a angústia dominante sobre qual será o futuro do enfrentamento das doenças tropicais negligenciadas no Brasil, se as suas milhares de vítimas continuarem marginalizadas da agenda pública, de governos, empresas e sociedade em geral.</p>
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		<title>A vocação solidária na Campinas da Gripe Espanhola</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 20:59:30 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Proliferação de boatos. Recomendação das autoridades sanitárias para se evitar aglomerações e contatos físicos. Suspensão de aulas nas escolas. Indicação de medicamentos que efetivamente não curam nem previnem a doença. Parece a descrição do cenário atual, marcado pelos horrores da Covid-19, mas na realidade foi o que aconteceu durante a vigência da Gripe Espanhola, como ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Proliferação de boatos. Recomendação das autoridades sanitárias para se evitar aglomerações e contatos físicos. Suspensão de aulas nas escolas. Indicação de medicamentos que efetivamente não curam nem previnem a doença. Parece a descrição do cenário atual, marcado pelos horrores da Covid-19, mas na realidade foi o que aconteceu durante a vigência da Gripe Espanhola, como ficou conhecida a outra pandemia que o mundo vivenciou há um século e que deixou seus rastros em Campinas, mobilizando a área da saúde e a vocação solidária local, como tinha ocorrido durante a Febre Amarela no final do século 19.</p>
<p>As estimativas são de que a Gripe Espanhola, provocada pelo vírus influenza, matou mais de 40 milhões de pessoas em todo planeta, entre 1918 e 1919, quando ainda estavam abertas as feridas provocadas pela Primeira Guerra Mundial. Foi provavelmente a pandemia mais letal já registrada na história. No Brasil, onde moravam em torno de 30 milhões de pessoas, foram cerca de 300 mil mortes e ela teria chegado ao país em setembro de 1918, a bordo do navio inglês “Demerara” que, vindo de Lisboa, fez escalas em Recife, Salvador e na capital federal, Rio de Janeiro. Logo a doença se espalhou e chegou aos grandes centros urbanos.</p>
<p>Em Campinas, durante algum tempo, cultivava-se a esperança de que a cidade estava livre da Gripe Espanhola. Falava-se que a cidade era portadora de “lisonjeiro estado sanitário”. Mas não demorou para que a pandemia chegasse na Campinas que ainda se recuperava, de alguma forma, da Febre Amarela do final do século 19.</p>
<p>No dia 19 de outubro de 1918, o jornal “Diário do Povo”, que tinha sido fundado por Álvaro Ribeiro seis anos antes, publicava orientações do diretor do Serviço Sanitário do Estado, Dr.Arthur Neiva: “Não fazer visitas.<br />
Tomar cuidados higiênicos com o nariz e a garganta: inalações de vaselina<br />
mentolada, gargarejos com água e sal, com água iodada, com ácido cítrico,<br />
tanino e infusões contendo tanino, como folhas de goiabeira e outras.<br />
Tomar, como preventivo, internamente, qualquer sal de quinino nas doses<br />
de 25 a 50 centigramas por dia, e de preferência no momento das<br />
refeições. Evitar toda a fadiga ou excessos físicos. O doente, aos primeiros sintomas, deve ir para a cama, pois o repouso auxilia a cura e afasta as complicações e contágio. Não devendo receber absolutamente nenhuma visita”. Muitas dessas recomendações na realidade não tinham feito prático, mas era o que se considera efetivo diante dos conhecimentos existentes.</p>
<p>Os primeiros registros de casos de infectados foram feitos no dia 24 de outubro, junto à Delegacia de Saúde de Campinas. Dois dias depois o prefeito Heitor Penteado assinava Lei Municipal, após a devida aprovação pela Câmara Municipal, nestes termos: “Art.1º – Fica a Prefeitura Municipal autorizada a tomar todas as providências que forem necessárias para evitar a invasão e propagação da gripe pandêmica que ameaça a população do Município, trazendo em tempo oportuno ao conhecimento do Legislativo as medidas que forem adoptadas. Art.2º – Para cobrir as despesas relativas a esses serviços, fica a Prefeitura Municipal autorizada a fazer as necessárias operações de crédito, caso a verba “Eventuais”, do corrente exercício não seja suficiente. Art.3º – Revogam-se as disposições em contrário”.</p>
<p>A área da saúde foi rapidamente mobilizada. A Santa Casa de Misericórdia, a Beneficência Portuguesa e o Circolo Italiano, que já haviam atuado com destaque no atendimento às vítimas da Febre Amarela, se prepararam para receber os doentes. A Gripe Espanhola, inclusive, influenciou para acelerar os planos do Circolo Italiano de construir um hospital próprio, que seria de fato inaugurado em 1920, sendo o antecessor da atual Casa de Saúde de Campinas.</p>
<p>Outras instituições se articularam, como a Escola Correa de Melo, a Maternidade de Campinas (que havia sido inaugurada pouco tempo antes, em 1916), o Hospital da Companhia Mogiana (inaugurada em 1875), o Posto Diocesano de Socorro aos Pobres, o Posto de Assistência dos Empregados da Companhia Paulista (inaugurada em 1872) e até a sucursal, então muito atuante, do jornal “O Estado de São Paulo”.</p>
<p>Na Vila Industrial, o bairro operário-ferroviário da cidade, a mobilização foi igualmente intensa. Estavam atentos o Hospital da Companhia Mogiana (inaugurada em 1875) e o Posto de Assistência dos Empregados da Companhia Paulista (inaugurada em 1872). Ainda na Vila Industrial, um Posto Popular foi estruturado, sob a liderança de J.I.Lacerda Werneck e Manoel Freire, um dos mais antigos e tradicionais moradores do bairro. Na Vila Industrial e em toda cidade foi intensa a atuação de voluntários, sobretudo na arrecadação e distribuição de alimentos aos mais vulneráveis, exatamente como tem ocorrido durante a pandemia de Covid-19.</p>
<p>No começo de novembro aconteceria a primeira morte, do estudante Rafael Eugênio. O surto ficou mais intenso nos últimos dois meses de 1918. Remédios populares eram propagados e até enxofre era queimado dentro de residências. No final, foram registrados mais de 7 mil casos de Gripe Espanhola em Campinas, o que correspondia a cerca de 7% da população na época, correspondentes a 85 mil pessoas na população atual, de 1,2 milhão de habitantes. Morreram 209 pessoas de influenza em Campinas.</p>
<p>Sociedade Amiga dos Pobres, Asilo dos Inválidos e, entre a população negra, a Sociedade Dançante Familiar União da Juventude, foram algumas das entidades que se mobilizaram para providenciar o acolhimento dos flagelados pela Gripe Espanhola. Os cortiços que ainda resistiam no centro da cidade eram um convite às doenças tropicais. A pandemia contribuiu para reforçar as ações públicas e particulares pela melhoria das condições sanitárias em geral em Campinas.</p>
<p>Fruto desse panorama, no dia 7 de dezembro de 1923, ano em que foi aberta a Seção de Assistência Médica, a Prefeitura municipalizaria a Companhia Campineira de Agua e Esgotos, que era um empreendimento particular e foi transformada imediatamente na Repartição de Água e Esgotos (RAE), embrião da futura Sanasa. Dois anos depois, em 1925, seria fundada a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, com a participação de muitos médicos que atuaram no combate à Gripe Espanhola.</p>
<p>Em razão dos impactos que provocaram, a Febre Amarela e a Gripe Espanhola foram determinantes para impulsionar mudanças e melhorias no panorama social e sanitário de Campinas. A expectativa é a de que o mesmo aconteça no pós-Covid-19.</p>
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		<title>PANDEMIA EVIDENCIA PAPEL CENTRAL DE PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NO CUIDADO DE IDOSOS</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Mar 2021 21:18:12 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p>O papel central das e dos profissionais de enfermagem no cuidado das pessoas em geral, e dos idosos em particular, ficou ainda mais evidenciado com a evolução da pandemia de Covid-19. Elas e eles têm sido estratégicos na linha de frente de atendimento às vítimas e o preço pago é alto. No Brasil, onde por uma série de fatores a pandemia tomou um rumo descontrolado nos primeiros meses de 2021, já foram registrados 49.721 casos de Covid-19 entre profissionais de enfermagem, com 694 óbitos contabilizados, segundo dados de 26 de março do <a href="http://observatoriodaenfermagem.cofen.gov.br/">Observatório da Enfermagem,</a> elaborado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Em mais uma cruel estatística, o Brasil lidera o ranking internacional de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem mortos em função da proliferação do Sars-COV-2, em uma pandemia que tem nos idosos um dos grupos mais vulneráveis.</p>
<p>Pois os cuidados com esse grupo social extremamente suscetível, depois de um ano de declaração do surto do novo coronavírus como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), acabam de ser objeto de um projeto ousado. Em uma das principais e multifacetadas reflexões já produzidas sobre o tema em âmbito internacional, foi lançado no último dia 19 de março o livro eletrônico “O cuidado ao idoso na atenção primária à saúde em tempos de Covid-19”, uma realização da REDESAM – Rede de Enfermería en Salud del Adulto Mayor, com apoio da Organização Panamericana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). A obra foi editada pelo Centro de Apoio Editorial da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, ligada à Universidade de São Paulo (USP), sob a coordenação de Rosalina Aparecida Partezani Rodrigues, Jack Roberto Silva Fhon e Fabia Maria de Lima, todos professores doutores em diferentes instituições.</p>
<p>O <a href="http://www.eerp.usp.br/caed/ebook/5/">ebook pode ser baixado gratuitamente</a>, em português ou espanhol, e é fruto do trabalho de 107 profissionais, de 14 países: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Estados Unidos, México, Peru, Portugal e Uruguai. São enfermeiros da assistência e de gestão, professores e pesquisadores, além de profissionais de enfermagem que ocupam cargos de liderança nos Ministérios de Saúde. Um corpo de profissionais, portanto, com atuação direta no enfrentamento à Covid-19 e que fizeram um esforço de análise e síntese dos aprendizados já acumulados nos cuidados com os idosos, o grupo que tem sido mais brutalmente atingido pela pandemia.</p>
<div id="attachment_18307" style="width: 836px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/03/LivroREDESAM.png"><img class="size-full wp-image-18307" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/03/LivroREDESAM.png" alt="Capa do livro lançado pela REDESAM, reproduzindo imagem de Florence Nightingale, em um tributo ao seu bicentenário de nascimento" width="826" height="1169" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do livro lançado pela REDESAM, reproduzindo imagem de Florence Nightingale, em um tributo ao seu bicentenário de nascimento</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Live de lançamento</strong></p>
<p>O significado do livro para o trabalho dos profissionais de enfermagem que estão no atendimento diário das vítimas de Covid-19 foi destacado em uma live de lançamento da obra, promovida pela REDESAM Brasil. A perspectiva intersetorial, envolvendo profissionais de diferentes áreas para a elaboração dos 22 capítulos, foi sublinhada por exemplo pela coordenadora da Unidade Técnica de Capacidades Humanas em Saúde da OPAS/OMS no Brasil, Monica Padilha.</p>
<p>“A categoria de profissionais de saúde está-se confirmando como estratégica para nossos serviços de atenção na atual situação de emergência. Essa condição possibilita a construção de conhecimentos em diferentes âmbitos que podem melhorar as respostas às necessidades da população”, disse Monica. Ela também ressaltou o papel da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto na discussão nacional e internacional, de forma qualificada, sobre as questões da Enfermagem.</p>
<p>A Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, vinculada à Universidade de São Paulo, é Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, designada em 1988. Pela sua posição de destaque na formação de recursos humanos e nas atividades de pesquisa em Enfermagem, foi redesignada sete vezes para essa colaboração, sendo a mais recente em 2018.</p>
<p>Também pela OPAS/OMS, Lely Stella Guzmán-Barrera frisou a “situação complexa” vivida pelas Américas no contexto da pandemia de Covid-19, o que reforça segundo ela a necessidade de ampliação da cooperação internacional. Nesse sentido, reiterou a relevância do livro lançado pela REDESAM, assim como o próprio trabalho da Rede, para o “fortalecimento dos laços panamericanos” na área da saúde.</p>
<p>O trabalho em sinergia foi igualmente evidenciado pela professora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Carla Aparecida Arena Ventura. “Em tempos incertos como o atual, da Covid-19, é fundamental buscarmos em conjunto caminhos para qualificar o trabalho da enfermagem e é o que esse livro traz, com relação a esse grupo vulnerável da população que são os idosos”, afirmou.</p>
<div class="block-da-1 block-da block-da-post_middle_content clearfix"><img src="https://demos.codetipi.com/zeen-games/wp-content/uploads/sites/8/2018/08/da-m.png" alt="" /></div>
<p>Por sua vez, o epidemiologista Wanderson Kleber de Oliveira, secretário de Serviços Integrados de Saúde do Supremo Tribunal Federal (STF), reiterou a relevância do livro para a superação dos desafios específicos derivados da pandemia de Covid-19 que, segundo ele, alterou padrões epidemiológicos até então observados.</p>
<p>“Estamos vendo uma carga da doença sobre os idosos, desproporcional comparada a outras faixas etárias. O padrão característico de doenças respiratórias é o de que sistematicamente afetam os extremos etários, mas nesse caso a diferença é que não há um impacto em crianças e adolescentes como nos idosos”, observou. Ex-secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Oliveira afirmou jamais ter visto a Enfermagem tão em evidência como no atual momento da pandemia, e por isso ressaltou a importância do livro, que reúne reflexões “para auxiliar o profissional no melhor cuidado” dos pacientes, e particularmente dos idosos.</p>
<p>Representante do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Virna Hildebrand lembrou que profissionais de Enfermagem têm se sentido “sufocados com tantos afazeres” no cenário da pandemia, marcado por incertezas no trabalho da atenção básica. Neste sentido, assinalou que o livro lançado pela REDESAM terá grande importância em colaborar com os profissionais na organização e qualidade da prestação de assistência às vítimas da Covid-19.</p>
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<div class="entry-content body-color clearfix link-color-wrap progresson">
<p>Assessora Regional de Enfermagem e Técnicos em Saúde da OPAS/OMS, Silvia Helena De Bortoli Cassiani lembrou que na 73ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS), realizada virtualmente nos dia 18 e 19 de maio e retomada entre 9 e 14 de novembro de 2020, o ano de 2021 foi declarado como Ano Internacional dos Trabalhadores de Saúde e Cuidadores. “E a mensagem chave do Ano Internacional é a necessidade de maior investimento em Recursos Humanos na Saúde. Há falta de profissionais e isso impacta diretamente na oferta de serviços de qualidade, sobretudo para as pessoas de idade mais avançada”, observou, acrescentando que o livro lançado pela REDESAM contribui muito com a qualificação do profissional de Enfermagem.</p>
<p>A professora Maria Helena Palucci Marziale, diretora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, observou por sua parte que o livro eletrônico lançado naquele momento era a primeira obra internacional lançada pelo Centro de Apoio Editorial da unidade educacional. A live de lançamento foi encerrada por uma das coordenadoras da edição do livro, Rosalina Partezani Rodrigues, professora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto e coordenadora da REDESAM Brasil. Ela agradeceu o trabalho de todos os 107 profissionais que colaboraram com o livro e destacou o desafio que foi compor e reunir todas as equipes para a produção de cada capítulo. “Procuramos sempre reunir profissionais de diferentes países em cada capítulo, para justamente possibilitar uma visão mais ampla”, ressaltou Rosalina.</p>
<p><strong>Capítulos do livro</strong></p>
<p>O ebook “O cuidado ao idoso na atenção primária à saúde em tempos de Covid-19” tem 22 capítulos, contemplando os múltiplos aspectos do trabalho dos e das profissionais de enfermagem nessa área. Assim, depois de um panorama da Covid-19 no mundo e nas Américas e do trabalho dos profissionais de enfermagem, o livro trata de temas como Cuidados Interprofissionais, a Promoção da Saúde do Idoso em Centros de Convivência, o Apoio Social ao Idoso na pandemia, o Cuidado com a Pele do Idoso, o Trabalho dos Cuidadores e o uso das Tecnologias Digitais na Atenção ao Idoso.</p>
<p>Outros aspectos abordados são Impacto do Confinamento na Saúde Mental do Idoso, a Violência contra o Idoso na Pandemia, o Cuidado do Idoso com HIV, o Idoso em Tratamento Oncológico em Tempos de Pandemia e Cuidados Paliativos ao Idoso em Tempos de Pandemia. Uma perspectiva abrangente, portanto, sobre o essencial trabalho da enfermagem no enfrentamento a um dos maiores desafios coletivos já enfrentados pela humanidade. Um nobre tributo a Florence Nightingale, considerada a pioneira da enfermagem moderna e cujos 200 anos de nascimento foram lembrados em 2020. A capa do livro lançado pela REDESAM é ilustrada justamente com uma imagem de Florence, que tanto se empenhou pela melhoria das condições de trabalho das e dos profissionais de saúde.</p>
<p><strong>(Publicado originalmente no <a href="https://longevinews.com.br/">Portal Longevinews)</a></strong></p>
</div>
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		<title>ÓBITOS EM MASSA DE IDOSOS POR COVID-19 CONFIRMAM INEFICÁCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2021 19:47:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por José Pedro Soares Martins Entre os 294.042 óbitos por Covid-19 no Brasil, registrados até o dia 21 de março de 2021, mais de 200 mil foram de pessoas de 60 anos ou mais. É uma geração de filhos e netos que perderam os pais e avós. São sofrimentos que não podem ser contabilizados nos ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p>Entre os 294.042 óbitos por Covid-19 no Brasil, registrados até o dia 21 de março de 2021, mais de 200 mil foram de pessoas de 60 anos ou mais. É uma geração de filhos e netos que perderam os pais e avós. São sofrimentos que não podem ser contabilizados nos números frios das estatísticas. A pandemia tem mostrado resultados brutais para os idosos brasileiros e seus familiares, ratificando a ineficácia das políticas públicas adotadas até o momento para proteger esse segmento populacional que mais cresce no país.</p>
<p>Como nota o infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Paulo Abati, a letalidade entre os idosos de 60 anos ou mais, em decorrência da Convid-19, é mais alta porque essa faixa etária é mais vulnerável ao novo coronavírus. “Eles possuem um sistema imune mais frágil, tendo então um poder de combate ao vírus menor do que jovens. Os idosos também tem normalmente outras doenças crônicas, como pressão alta, insuficiência cardíaca, diabetes, problemas pulmonares. Então, tanto pelo envelhecimento e diminuição da imunidade, como pelas doenças mais frequentes na população idosa, esse grupo é mais vulnerável à Covid-19”, explica o médico, que também atua na rede pública de saúde do município de Campinas.</p>
<div id="attachment_18286" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Abati3.jpeg"><img class="size-full wp-image-18286" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Abati3.jpeg" alt="Paulo Abati: vacinação urgente para idosos (Foto Acervo Pessoal)" width="640" height="640" /></a><p class="wp-caption-text">Paulo Abati: vacinação urgente para idosos (Foto Acervo Pessoal)</p></div>
<p>De fato, os números da evolução da pandemia apontam que idosos com 60 anos ou mais e com comorbidades são aqueles com mais alta letalidade para Covid-19. Entre os 191.552 óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave ( SRAG) por Covid-19 notificados no Brasil em 2020, portanto entre as Semanas Epidemiológicas 08 e 53, 125.814 (65,7%) apresentavam pelo menos uma comorbidade ou fator de risco para a doença, segundo o Ministério da Saúde. “Cardiopatia e diabetes foram as condições mais frequentes, sendo que a maior parte destes indivíduos, que evoluiu a óbito e apresentava alguma comorbidade, possuía 60 anos ou mais de idade”, informou o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/janeiro/07/boletim_epidemiologico_covid_44.pdf">Boletim Epidemiológico Especial 44 sobre Covid-19</a>.</p>
<p>O panorama não se modificou em 2021. Pelo contrário, a proporção de mortes entre pessoas com 60 anos ou mais aumentou, de 69,2% em maio de 2020 para 74,2% na última semana de janeiro de 2021, conforme os dados compilados a partir dos boletins do Ministério da Saúde. Em países europeus o percentual de óbitos entre cidadãos de 60 anos ou mais é maior, mas é preciso considerar que eles possuem proporcionalmente uma população idosa maior que a brasileira.</p>
<div id="attachment_18287" style="width: 1090px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Zelia.jpeg"><img class="size-full wp-image-18287" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Zelia.jpeg" alt="Zelia Vieira de Moraes, médica geriatra: contra o etarismo (Foto Acervo Pessoal)" width="1080" height="720" /></a><p class="wp-caption-text">Zelia Vieira de Moraes, médica geriatra: contra o etarismo (Foto Acervo Pessoal)</p></div>
<p><strong>Descaso com os idosos no Brasil</strong></p>
<p>Como lembra o próprio Paulo Abati, se os idosos são mais vulneráveis naturalmente à Covid-19, o maior número de óbitos nessa faixa etária não pode ser atribuído somente a fatores como a baixa imunidade e às comorbidades. “Também diz respeito à forma como a sociedade e os governos lidam com a questão do envelhecimento. Infelizmente o nosso sistema de saúde não consegue ser efetivo no controle da saúde das pessoas mais idosas”, comenta o infectologista da Unicamp.</p>
<p>Ele nota que há dificuldades “no acesso aos serviços de saúde, aos postos, às medicações”. Cita também “os baixos valores da aposentadoria que eles recebem e que fazem com que não tenham condição de tomar todos os medicamentos que são prescritos. Nem todos estão disponíveis na atenção primária. Muitos idosos também precisam fazer reabilitação, atividade física, e não encontram acesso no serviço público, e por tudo isso têm maior tendência de apresentarem doenças crônicas, degenerativas, e portanto apresentam maior risco de adoecimento pela Covid”, acrescenta o especialista.</p>
<p>Abati observa ainda que a taxa de câncer na população idosa também é maior, “e isso certamente é em razão de como a sociedade lida com a alimentação, o tabaco, o álcool, ou mesmo o serviço de saúde não fazendo o rastreamento precoce das doenças na população idosa”. Desta maneira, ele entende que “não apenas o envelhecimento em si, mas a resposta dos governos e das politicas públicas, muito inefetiva em relação à população idosa, faz com que ela tenha mais doenças e maior risco de ter a Covid-19”.</p>
<p>Na mesma linha, de análise, o gerontólogo e epidemiologista Alexandre Kalache, um dos maiores nomes sobre a temática do envelhecimento em âmbito internacional, entende que os dramas da população idosa continuam invisíveis no Brasil, “e o que é invisível é facilmente ignorado”.</p>
<p>Fundador do Departamento de Epidemiologia do Envelhecimento da London School of Hygiene and Tropical Medicine, Kalache entende existir no Brasil o fenômeno conhecido como idadismo ou etarismo, o preconceito ou intolerância contra os idosos, segundo o termo lançado pelo gerontólogo norteamericano Robert Neil Butler.</p>
<p>“A sociedade brasileira é muito hedonista, voltada para a juventude eterna, a beleza eterna. Enquanto isso, a maioria da população chega muito mal aos 60 anos, como fruto das más condições de vida, da desigualdade que coloca lado a lado uma favela com milhares de moradores e um bairro com privilegiados”, destaca Kalache.</p>
<p>O gerontólogo adverte que o processo de envelhecimento ocorre de forma muito rápida no Brasil, o que demanda a urgência de ações mais efetivas em relação à população idosa. Ele faz uma comparação com o que acontece no Canadá. Em 1950, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais era de apenas 4,9% no Brasil, e já era de 11,3% no Canadá. Em 2015, chegou a 12,8% no Brasil e a 25,3% no Canadá. As projeções para 2050 são de que o Brasil terá 30,5% de sua população com 60 anos ou mais, enquanto no Canadá será de 30,1%.</p>
<p>Médica geriatra do Instituto Vimos, de Campinas, Zélia Vieira de Moraes observa que o alerta em relação à maior vulnerabilidade dos idosos à Covid-19 vem sendo dado desde o início da pandemia. O mesmo em relação aos “subgrupos mais vulneráveis clinicamente: pacientes frágeis, portadores de síndromes demenciais, de doenças crônicas e moradores de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI)” .</p>
<p>“Os números significam que há erros graves nas políticas públicas e na sociedade. E os números servem para isto: nos mostrar estes erros e nos permitir operacionalizar mudanças concretas e efetivas”, adverte a especialista. “Devemos de fato priorizar os cuidados oferecidos a esta população, tanto na prevenção da doença, como na estruturação eficiente de serviços na atenção e suporte de cuidados, além da discussão sobre mecanismos de financiamento, público e privado, para cuidados de longa duração. É mais que urgente a integração entre serviços de saúde e a assistência social necessária”, comenta a geriatra.</p>
<p>Um aspecto importante a considerar, destaca Zélia Vieira de Moraes, é que “os idosos são hoje muitas vezes responsáveis pelo sustentos de suas famílias e estas vidas perdidas poderão também representar perdas econômicas importantes”. Ela cita o estudo “<a href="https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/200724_nt_disoc_n_81_web.pdf">Os Dependentes da Renda dos Idosos e o Coronavírus: Órfãos ou Novos Pobres?</a><em>”</em> , do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mostrando que em 20,6% dos lares brasileiros a renda dos idosos responde por mais de 50% dos rendimentos da família.</p>
<div class="block-da-1 block-da block-da-post_middle_content clearfix"><img src="https://demos.codetipi.com/zeen-games/wp-content/uploads/sites/8/2018/08/da-m.png" alt="" /><strong>Esperança com as vacinas</strong></div>
<p>Uma esperança para os idosos brasileiros, e para a população em geral, foi aberta com o inicio da vacinação contra a Covid-19, começando pela população com faixas etárias mais elevadas, os profissionais da área da saúde e grupos vulneráveis como os indígenas.</p>
<p>Mas Paulo Abati alerta que ainda está ocorrendo lentidão na cobertura vacinal para a população idosa. “Neste momento já era para estarmos com a população idosa vacinada no Brasil”, diz o médico infectologista, lembrando que o Brasil conta com o Sistema Único de Saúde (SUS) e um Plano Nacional de Imunização que são referências mundiais em políticas públicas.</p>
<p>“Era para estarmos em um ritmo mais acelerado de vacinação. O que precisamos fazer de modo urgente é ampliar a capacidade de oferecer as vacinas contra Covid-19 e vacinar o mais rápido possível a população idosa brasileira”, alerta. O infectologista entende que melhores perspectivas futuras para a população idosa brasileira dependem essencialmente de “atingirmos alta cobertura vacinal, para que a população idosa tenha maior condição de circulação, de retornos às práticas de atividade física e de interação social, além do atendimento à saúde, uma vez que muitos idosos estão hoje em suas casas e não podem ir a consultas médicas que são importantes para eles”.</p>
<p>No dia 4 de fevereiro a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiu uma Nota Técnica sobre “<a href="https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/nota_vacinacao_idoso_cuidador_fiocruz_01_02_21.pdf">Acesso prioritário à vacinação contra a Covid-19 para as pessoas idosas com limitações funcionais e seus cuidadores”</a>. Considerando a prioridade que o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, lançado em dezembro de 2020 pelo Ministério da Saúde, indicou para os profissionais de saúde e idosos divididos por faixas etárias, os autores da Nota Técnica afirmaram: “Entendemos que não é simples identificar todas as condições que determinam as prioridades num plano de vacinação, mas num contexto atual de alta mortalidade por Covid-19 e carência imediata de vacinas para todos, propomos que sejam incorporados critérios que ajudem a identificar a população mais vulnerável. Especificamente, defendemos: a) a incorporação do critério de capacidade funcional dos idosos, de forma complementar ao critério de idade, como indicador da situação da saúde; b) a adoção de estratégias para vacinar idosos com dificuldade de sair de casa; c) que a prioridade da vacinação inclua efetivamente os cuidadores de idosos que atuam nos domicílios, sejam estes um familiar ou uma pessoa contratada”.</p>
<p>A Nota Técnica da Fiocruz salienta que, no Brasil, estima-se que existam “cerca de 5, 2 milhões de idosos que necessitam de ajuda para as suas atividades da vida diária. Em pelo menos 80% dos casos, o cuidado é prestado por algum familiar e em 20% este é prestado por uma cuidadora remunerada, o que inclui os arranjos em que a prestação de cuidados se dá de forma mista entre pessoas contratadas e familiares. Dessa forma, estimamos que existem cerca de 4,2 milhões de familiares que cuidam de idosos e 1 milhão de cuidadores de idosos contratados ou remunerados”.</p>
<p>Assim, os autores da Nota Técnica apresentam várias razões para propor: ” que idosos com limitação da capacidade funcional sejam considerados prioridade independentemente de sua faixa etária; b) a adoção urgente de estratégias para vacinar idosos com dificuldade de sair de casa; c) a vacinação dos cuidadores de idosos que atuam nos domicílios, sejam estes um familiar ou uma pessoa contratada”.</p>
<p><strong>Depois da pandemia</strong></p>
<p>No Brasil e no mundo pós-Covid, será fundamental uma mudança de postura e olhar de governos e sociedade em geral em relação aos idosos, defendem os especialistas. O infectologista Paulo Abati sustenta ser essencial “um cuidado integral com a saúde da população idosa”.</p>
<p>“Cuidado integral significa dar acesso à saúde, mas acesso também a um envelhecimento saudável, com políticas de cultura para a população idosa, interação social, atividades físicas, reabilitação. As taxas de depressão na população idosa são extremamente altas, muito em função da falta de estrutura para essa população interagir socialmente”,</p>
<p>Para a geriatra Zélia Vieira de Moraes, “devemos mais do que nunca olhar a velhice sem o viés do preconceito (etarismo), mas considerando a necessidade de reconhecimento da representatividade desta população e sobretudo com a responsabilidade no cuidado daqueles com alto nível de dependência, numa faixa etária que cresce ano a ano e que representará quase 30% da população brasileira em menos de 30 anos”.</p>
<p>O gerontólogo Alexandre Kalache defende, por sua vez, que sejam construídas e executadas políticas públicas efetivas para atender aos quatro pilares que considera determinantes para um envelhecimento ativo: a garantia da saúde, o conhecimento, o capital social e a segurança, para a proteção dos idosos contra várias modalidades de violência.</p>
<p>De qualquer modo, mais do que nunca no pós-pandemia serão vários os desafios para o pleno respeito ao Artigo 3<sup>o</sup> do Estatuto do Idoso, de 01 de outubro de 2003:  “É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”.</p>
<p>(Publicado originalmente no <a href="https://longevinews.com.br/">Portal Longevinews</a>)</p>
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		<title>Polo científico e tecnológico de Campinas direcionou recursos contra Covid-19</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Mar 2021 03:37:24 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Contra o Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Por José Pedro Soares Martins A pandemia de Covid-19 motivou uma mobilização sem precedentes do setor de pesquisa e desenvolvimento em escala internacional e com o polo científico e tecnológico de Campinas não foi diferente. Universidades, centros e institutos de pesquisa e startups direcionaram grande parte de seus recursos para combater o novo coronavírus. Unicamp ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Soares Martins</strong></p>
<p>A pandemia de Covid-19 motivou uma mobilização sem precedentes do setor de pesquisa e desenvolvimento em escala internacional e com o polo científico e tecnológico de Campinas não foi diferente. Universidades, centros e institutos de pesquisa e startups direcionaram grande parte de seus recursos para combater o novo coronavírus.</p>
<p><strong>Unicamp na linha de frente</strong></p>
<p>A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está na linha de frente contra o SARS-CoV-2 desde o primeiro momento. Mesmo com o cancelamento das aulas presenciais e diminuição de muitas atividades, em função dos protocolos de combate à pandemia, pesquisas continuaram, assim como tem sido fundamental o papel do Hospital de Clínicas e outros serviços médicos da Universidade para atender as vítimas da Covid-19.</p>
<p>A Unicamp também se preparou para a realização de diagnósticos em massa da população, em Campinas e municípios da RMC e outras regiões. Dezenas de milhares de testes RT-PCR foram realizados com os kits desenvolvidos na Universidade, tendo sido atendidos mais de 60 municípios.</p>
<p>A Universidade se equipou para ampliar sua capacidade de atendimento e realização de diagnóstico em massa, em razão da força-tarefa criada pelo reitor Marcelo Knobel e com a participação central de órgãos como o Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (LEVE) da Universidade, o único de nível 3 de biossegurança na RMC. O LEVE atuou, por exemplo, na ampliação da capacidade do Laboratório de Patologia Clínica do Hospital de Clínicas, para fazer os diagnósticos em massa.</p>
<p>Recentemente a Unicamp estabeleceu parceria com a <a href="https://www.chiba-u.ac.jp/e/">Universidade de Chiba</a>, no Japão, a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (<a href="https://www.jica.go.jp/english/">JICA</a>) e a empresa <a href="https://www.eiken.co.jp/en/">Eiken Chemical Co</a>. Com o nome PACT-Brazil, Partnership for Accelerating Covid-19 Testing in Brazil, o acordo estipula que a Unicamp faça a validação de kits de testes, produzidos pela Eiken Co., para detecção do SARS-CoV-2 por meio de amostras de saliva.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_18283" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/03/RMCcovid.png"><img class="size-full wp-image-18283" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2021/03/RMCcovid.png" alt="Gráfico com evolução de casos de Covid-19 na RMC, segundo Observatório da PUC-Campinas, com base em dados da Fundação Seade" width="700" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Gráfico com evolução de casos de Covid-19 na RMC, segundo Observatório da PUC-Campinas, com base em dados da Fundação Seade</p></div>
<p><strong>Observatório da PUC-Campinas</strong></p>
<p>O Hospital da PUC-Campinas tem sido outro pilar fundamental no atendimento às vítimas de Covid-19 na região metropolitana. Além disso, a instituição tem atuado em outras frentes. Um exemplo é o do  <a href="https://observatorio.puc-campinas.edu.br/">Observatório da PUC-Campina</a>s <a href="https://observatorio.puc-campinas.edu.br/covid-19/">(https://observatorio.puc-campinas.edu.br/covid-19/)</a>, vinculado à área de extensão da Universidade, que desde o início de julho de 2020 passou a publicar um painel interativo e um conjunto de notas técnicas traduzindo e contextualizando os dados fornecidos pela <a href="https://www.seade.gov.br/coronavirus/">Fundação Seade,</a> ligada ao governo de São Paulo, entre outras fontes.</p>
<p>“O objetivo do Observatório PUC-Campinas é contribuir com a difusão de informações e análises que ajudem a pensar a Região Metropolitana de Campinas de várias perspectivas, a econômica, a social, a ambiental, entre outras, colaborando na elaboração de políticas públicas integradas”, explica o professor extensionista e economista do Observatório, Paulo Ricardo da Silva Oliveira. “Com o surgimento da pandemia, o Observatório não poderia deixar de atuar e então foram criadas ações como um painel interativo, com dados atualizados, e as notas técnicas, formuladas pelos docentes e alunos”, diz Oliveira. Graduandos cuidam da elaboração de mapas e gráficos que ajudam no melhor entendimento sobre os dados publicados.</p>
<p><strong>Pesquisas no Projeto Sirius</strong></p>
<p>O Projeto Sirius, mais importante e avançada iniciativa em ciência na história recente do Brasil, também voltou-se para pesquisas sobre o novo coronavírus. Ligado ao <a href="https://cnpem.br/cnpem/">Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)</a>, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, o Projeto Sirius iniciou suas operações com a primeira linha de luz síncroton em 2020, em caráter emergencial, em apoio à luta contra o SARS-CoV-2, causador da Covid-19.</p>
<div id="attachment_17584" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Paineis.jpg"><img class="size-full wp-image-17584" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Paineis.jpg" alt="Painéis dinâmicos desenvolvidos pela Embrapa Territorial" width="640" height="381" /></a><p class="wp-caption-text">Painéis dinâmicos desenvolvidos pela Embrapa Territorial</p></div>
<p>Uma importante ferramenta na guerra contra a Covid-19 foi desenvolvida pela Embrapa Territorial, igualmente sediada em Campinas. A unidade construiu uma plataforma virtual composta por <a href="https://www.embrapa.br/evolucao-temporal-da-covid-19-no-brasil?link-covid">painéis estratégicos </a>que geram estatísticas básicas sobre as notificações e os óbitos decorrentes da Covid-19 no território brasileiro.</p>
<p>Por meio dos painéis, é possível acompanhar em tempo real a evolução dos dados de casos notificados e óbitos nos municípios com mais de 30 mil habitantes e também nos estados brasileiros. A ferramenta fornece dados absolutos e proporcionais, contribuindo com as ações de combate ao novo coronavírus.</p>
<p>A Embrapa Territorial já tinha desenvolvido para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) uma ferramenta para identificar de forma precoce os riscos ao abastecimento interno e às exportações em proteína animal, derivados da pandemia de Covid-19. São painéis dinâmicos, com mapas e gráficos que permitem uma relação, em base territorial, entre a dinâmica temporal dos casos de Covid-19 em municípios brasileiros onde estão localizados os órgãos e as empresas com registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF).</p>
<p><strong>Outras ações do polo de ciência e tecnologia</strong></p>
<p>Entre muitas outras ações do polo científico e tecnológico de Campinas, relacionada à luta contra a Covid-19, está a do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (CEA-IAC), que participou da produção de nota técnica para orientações a serviços de saúde, no que se refere a Equipamentos de Proteção Individual (EPI), com medidas de prevenção e controle que deveriam ser adotadas durante assistência a casos suspeitos de Covid-19.</p>
<p>O <a href="https://www.cpqd.com.br/noticias/combate-a-covid-19-cpqd-oferece-ensaios-gratuitos-para-quem-esta-desenvolvendo-ventiladores-pulmonares/">CPQD</a>, por sua vez, realizou ensaios gratuitos visando o desenvolvimento de ventiladores pulmonares (respiradores artificiais) utilizados no tratamento de vítimas da Covid-19.</p>
<p>No campo das startups, entre outras iniciativas está a da <a href="https://www.bioinfood.com/">BIOinFOOD</a>, que está desenvolvendo um teste diagnóstico rápido para COVID-19 com base em pedido de patente encaminhado por alunos do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Unicamp. A BIOinFOOD é uma das muitas startups surgidas na Unicamp e tem apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (<strong><a href="https://fapesp.br/pipe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">PIPE</a></strong>) da FAPESP.</p>
<p>Pesquisa, desenvolvimento, inovação. A guerra sem tréguas contra a Covid-19 tem gerado muito conhecimento, abrindo portas para outros avanços, e o polo científico e tecnológico de Campinas é um dos fronts dessa batalha.</p>
<p>(Publicado originalmente no <a href="http://ecosocialcampinas.com.br/">Portal Ecossocial Campinas</a>)</p>
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