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	<title>Agência Social de Notícias &#187; Rogerio Cezar de Cerqueira Leite</title>
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		<title>Cerqueira Leite: Ciência e Tecnologia podem avançar com Organizações Sociais</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Apr 2015 17:06:50 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[RMC - Região Metropolitana de Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[Rogerio Cezar de Cerqueira Leite]]></category>

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		<description><![CDATA[Por José Pedro Martins O panorama da Ciência e Tecnologia no Brasil pode estar entrando em uma nova era, com a definição do Supremo Tribunal Federal (STF) pela constitucionalidade da atuação das Organizações Sociais no setor. A opinião é do físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, um dos mais eminentes cientistas brasileiros. Em entrevista exclusiva ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por José Pedro Martins</strong></p>
<p>O panorama da Ciência e Tecnologia no Brasil pode estar entrando em uma nova era, com a definição do Supremo Tribunal Federal (STF) pela constitucionalidade da atuação das Organizações Sociais no setor. A opinião é do físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, um dos mais eminentes cientistas brasileiros. Em entrevista exclusiva para a Agência Social de Notícias, ele reforçou a defesa de uma educação de base de qualidade e reiterou que o governo brasileiro cometeu um grande erro ao investir no pré-sal (e não nas energias renováveis) e acertou ao executar o polêmico projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no coração da Amazônia. O cientista também lamentou a &#8220;oportunidade perdida&#8221; por Campinas, ao não investir e tratar como deveria o Polo de Alta Tecnologia (Ciatec).</p>
<p><strong>Nova era para a C&amp;T&amp;T?</strong></p>
<p>É conhecida a dificuldade em se fazer Ciência e Tecnologia no Brasil, onde o setor recebe pouco mais de 1% do PIB &#8211; muito abaixo dos 3,9% da Finlândia, 3,7% da Coreia ou dos 3,4% do Japão, segundo o último Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD. Mas algo pode mudar neste cenário.</p>
<p>Depois de 17 anos de tramitação do processo, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no último dia 16 de abril pela constitucionalidade da atuação das Organizações Sociais nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, ciência e cultura. Para Cerqueira Leite, a decisão pode significar o início de uma nova era para a Ciência, Tecnologia e Inovação no país. &#8220;Essa mudança é essencial, o mundo desenvolvido inteiro já havia percebido essa necessidade&#8221;, diz ele.</p>
<p>Na opinião do cientista, as Organizações Sociais podem dar muito mais mobilidade e agilidade para a área de C&amp;T&amp;I. Ele nota que isso já ocorre no caso das cinco Organizações Sociais que já mantêm Contrato de Gestão com a União, por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação: ABTLuS/CNPEM – Associação Brasileira de Tecnologia em Luz Síncrotron / Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais; CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos;<br />
IDSM – Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá; IMPA – Associação Instituto de Matemática Pura e Aplicada; e RNP – Associação Rede Nacional de Ensino e Pesquisa.</p>
<p><strong>C&amp;T&amp;I: situação boa e não tão boa no Brasil</strong></p>
<p>Rogério Cezar de Cerqueira Leite tem uma das mais brilhantes trajetórias na Ciência e Tecnologia no Brasil e, por isso, pode falar com tranquilidade sobre o setor. Pergunto para ele se a situação da C&amp;T&amp;I é boa no Brasil e ele responde que &#8220;sim e não&#8221;.</p>
<p>Ele vê como positivo o fato de que &#8220;já existe a percepção de que a Ciência e Tecnologia são essenciais para o desenvolvimento do país, para a construção de um país civilizado&#8221;. Para o cientista, a prova é a que existem hoje dois conselhos, ligados à Presidência da República, tratando direta ou indiretamente do tema: o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.</p>
<p>Entre as iniciativas importantes em curso no país no segmento, Cerqueira Leite indica o investimento de mais de R$ 1 bilhão na estruturação, em Campinas, do Projeto Sírius, o novo conjunto de fontes de luz síncroton brasileiro. Com a previsão de início de funcionamento em 2018, o Sírius será um dos dois complexos de fontes de luz síncroton de quarta geração do planeta – a outra está em construção na Universidade de Lund, na Suécia.</p>
<p>Será portanto um dos maiores projetos de ciência e tecnologia já realizados no país. As 40 fontes de luz síncroton estarão abrigadas em um prédio de 68 mil metros quadrados, a ser construído em área total de 150 mil metros quadrados, em território contíguo ao campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que gerencia o atual Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS).</p>
<p>A nova fonte de luz síncroton sediada em Campinas terá uma ampla possibilidade de aplicação, na ciência e tecnologia, mas também em projetos de uso industrial, em fármacos, biotecnologia, agricultura, química fina e outros campos.  Atualmente circulam pelo LNSL cerca de 1 mil usuários por ano, entre pesquisadores e empresas que procuram o laboratório para realizar estudos. &#8220;O Sírius abrirá a possibilidade de participação de pesquisadores e também do setor privado&#8221;, observa Cerqueira Leite.</p>
<p>O físico também cita a montagem do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), previsto para ficar pronto em 2017, em Iperó, interior de São Paulo &#8220;Será muito útil para produção de radioisótopos que podem ser usados na medicina e em outras áreas&#8221;, destaca Cerqueira Leite.</p>
<p>O &#8220;não&#8221; na Ciência e Tecnologia, segundo ele, fica por conta, entre outros pontos, do engessamento verificado na máquina pública. Daí a sua defesa da atuação das organizações sociais, que na sua opinião podem contribuir para que o Brasil seja &#8220;mais competitivo no cenário internacional&#8221;.</p>
<p><strong>Educação de base e pré-sal</strong></p>
<p>A melhoria da educação de base tem valor &#8220;por si mesma&#8221;, para Rogério Cezar de Cerqueira Leite. E ele acredita que a qualificação da educação de base é essencial para o desenvolvimento brasileiro. &#8220;Sem educação não há civilização&#8221;, resume. O cientista entende que estão sendo feitos esforços para a melhoria da educação no país, ressaltando por exemplo a ampliação do ensino técnico e profissionalizante e a criação de várias universidades públicas.</p>
<p>Cerqueira Leite entende, por outro lado, que o Brasil cometeu um grande erro ao decidir investir na camada do pré-sal, e não na ampliação das energias realmente alternativas e sustentáveis. &#8220;Deixei clara a minha posição em várias reuniões com o presidente Lula e com a presidente Dilma a respeito, e também em artigos de jornais e revistas&#8221;, diz ele. &#8220;Mas agora não dá para voltar atrás&#8221;, lamenta.</p>
<p>Entusiasta dos biocombustíveis, como o etanol, o cientista entende que o setor passa por imensas dificuldades, &#8220;e não será fácil a retomada&#8221;, citando o fechamento de várias usinas de açúcar e álcool em São Paulo e outros estados.</p>
<p>Em contrapartida, entende que o governo brasileiro tomou a decisão certa em seguir adiante com o polêmico projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção na Amazônia. O projeto vem sendo muito criticado por organizações ambientalistas e também científicas nacionais e internacionais, pelos seus impactos ambientais e nas terras indígenas.</p>
<p>&#8220;Todo mundo sabe como seu defendi e defendo a Amazônia. Mas a energia hidrelétrica ainda é a mais barata para o país, e esta é uma necessidade absoluta para o Brasil&#8221;, comenta. &#8220;Qualquer outra fonte é muito mais cara&#8221;, completa.</p>
<div id="attachment_1676" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2014/12/Sirius.jpg"><img class="size-large wp-image-1676" src="http://agenciasn.com.br/wp-content/uploads/2014/12/Sirius-1024x682.jpg" alt="Maquete do prédio onde ficará o Projeto Sírius: uma das construções com padrões mais sofisticados do Brasil " width="618" height="412" /></a><p class="wp-caption-text">Maquete do prédio onde ficará o Projeto Sírius: uma das construções com padrões mais sofisticados do Brasil</p></div>
<p><strong>Campinas perdeu oportunidade </strong></p>
<p>Cerqueira Leite entende que o município perdeu &#8220;uma grande oportunidade histórica&#8221; ao não investir e tratar como deveria o Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec). Ele lembra que foi &#8220;um dos primeiros parques tecnológicos que nasceu de forma planejada no mundo&#8221;.</p>
<p>O Polo de Alta Tecnologia de Campinas foi criado em 1986 depois de um grande debate na comunidade científica local, desde a década de 1970, liderado pelo próprio Rogerio Cezar de Cerqueira Leite. Campinas &#8211; que já tinha o Instituto Agronômico desde o final do século 19 &#8211; começava a receber importantes instituições de ensino e pesquisa, como a Unicamp, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), o CPqD e a Codetec, que foi presidida por Cerqueira Leite.</p>
<p>Germinou então a ideia de estruturação em Campinas de algo parecido com o Vale do Silício, na Califórnia. Este conceito estava claro nos argumentos da Lei Municipal 6619, de 1981: &#8220;(&#8230;) Considerando ser indispensável a reserva de uma região destinada à indústria de tecnologia avançada, procedimento este adotado nos Estados Unidos (onde se sobressai o parqu eindustrial de Stanford) e, também, nos países europeus; Considerando que as Indústrias de alta tecnologia, como, por exemplo, de instrumentação, microeletrônica, informática, telecomunicações etc. somente se desenvolvem satisfatoriamente nas proximidades de centros de estudos e pesquisas;   Considerando que existe em Campinas uma área ideal à finalidade almejada, especialmente face à sua localização, vizinha da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC Campinas)&#8221;.</p>
<p>E de fato uma área próxima das duas universidades e dos centros de pesquisa instalados em Campinas acabou sendo transformada no Polo de Alta Tecnologia de Campinas, criado em 1986. Antes, em 1983, foi criada a Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec). Tudo no primeiro governo de José Roberto Magalhães Teixeira, convencido por Cerqueira Leite sobre a decisão estratégica que seria a instalação de um parque tecnológico no município, pela presença das Universidades, dos centros de pesquisa e de sua posição privilegiada em termos de transporte e circulação de mercadorias.</p>
<p>Em 1992, foi criado o Polo de Alta Tecnologia II. Entretanto, o que houve na realidade foi a perda da oportunidade histórica criada, lamenta Cerqueira Leite. Com isso, Campinas perdeu ou no mínimo passou a dividir o protagonismo, para cidades como São José dos Campos e São Carlos. A falta de um diálogo mais consistente entre o poder público e a comunidade científica e entraves para a atração de indústrias de base tecnológica estão entre os motivos para o que aconteceu.</p>
<p>Mas nem tudo está perdido. O cientista identifica iniciativas positivas em Campinas e dá como exemplo a implantação do Projeto Sírius e o funcionamento dos núcleos criados na órbita do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). A possibilidade de ampliação da atuação das Organizações Sociais no setor de C&amp;T&amp;I também abre perspectivas para o município e todo país, acredita Cerqueira Leite. O grande batalhador pela Ciência e Tecnologia com as cores do Brasil continua a sua luta.</p>
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			<strong>UMA CARREIRA DE SUCESSO</strong></p>
<p>Graduado em Engenharia Eletrônica e Computação, pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e com doutorado em Física de Sólidos pela Universidade de Paris (Sorbonne), trabalhou como pesquisador nos Laboratórios da Bell/EUA (1962-1970) e lecionou no I.T.A., na UNICAMP e na Universidade de Paris (Professeur d´echange).</p>
<p>Entre outros prêmios, foi agraciado com a Comenda da Ordem Nacional do Mérito da França e com a Cátedra da Universidade de Montreal, Canadá. Foi diretor dos Institutos de Física e Artes e Coordenador Geral das Faculdades da UNICAMP. É Professor Emérito dessa mesma Universidade, da qual foi Professor Titular de 1970 a 1987.</p>
<p>É Pesquisador Emérito do CNPq. Publicou 80 trabalhos em revistas especializadas, foi editor da Solid State Communications, editada em Oxford (Inglaterra), de 1974 a 1988, e “referee” de cerca de 20 revistas internacionais. Obteve cerca de 3.000 citações em revistas científicas de impacto.</p>
<p>É membro da Comissão de Energia da União Internacional de Física Pura e Aplicada e Presidente de Honra do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais que inclui o Laboratório Nacional de Luz Sincrotron, de Biotecnologia, de Nanotecnologia e do Bio-Etanol, todos sediados em Campinas, onde o cientista reside. 
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