Por José Pedro Martins
Uma boa nova para o enfrentamento das mudanças climáticas e questões socioambientais de modo em geral em Campinas é o avanço das atividades da Comissão Arquidiocesana da Pastoral da Ecologia Integral. Uma organização relativamente recente, como todas semelhantes no âmbito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A Comissão Episcopal Especial para Ecologia Integral e Mineração da CNBB foi criada em 2017.
Acompanho a questão socioambiental em meus 45 anos de jornalismo e entendo que é fundamental o engajamento das Igrejas cristãs e demais religiões no debate a respeito, considerando o agravamento de crises como a da emergência climática. O meu primeiro livro, de 1987, foi “Ecologia ou Morte – Os cristãos e o meio ambiente”, lançado pela Editora FTD.
O livro tratava justamente do envolvimento das Igrejas cristãs com assuntos socioambientais, que demandavam uma atenção cada vez maior no plano nacional e internacional.
Depois, tive a oportunidade de participar da Conferência Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), promovida pelo Conselho Mundial de Igrejas, em Seul, na Coreia do Sul, no início de 1990, quando ainda era muito nova a discussão sobre as mudanças climáticas.
A reflexão está mais avançada de modo geral, portanto, no âmbito das Igrejas cristãs protestantes históricas. No cenário da Igreja Católica, um grande impulso foi dado pela publicação em 2015 da encíclica Laudato Si´, pelo Papa Francisco.
No caso do Brasil, nove edições da Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB, já tiveram questões socioambientais como tema central, sendo a mais recente a de 2025, sobre Fraternidade e Ecologia Integral. As demais foram Campanhas de 1979 (Preserve o que é de todos), 1986 (terra), 2002 (Povos indígenas), 2004 (Água), 2007 (Amazônia), 2011 (Vida no planeta), 2016 (Casa comum), 2017 (Biomas Brasileiros).
A Igreja Católica brasileira, portanto, está mais aberta a essa discussão do que em outros pontos do planeta, refletindo a sua orientação de estar muito próxima dos grandes desafios enfrentados pela população. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), por exemplo, se envolvem há muito tempo na temática socioambiental.
Em Campinas, o desenvolvimento da Comissão Arquidiocesana da Pastoral da Ecologia Integral é uma ótima notícia. Instâncias ligadas à Arquidiocese já abordam o assunto há algum tempo. Em 2017, a PUC-Campinas promoveu o Colóquio Laudato Sí: Por uma Ecologia Integral, com base na encíclica do Papa Francisco.
De modo geral, os desafios socioambientais em Campinas e região metropolitana são discutidos em círculos mais restritos, como os do poder público, das Universidades e de poucos grupos e movimentos da sociedade civil, como o Reviva o Rio Atibaia, no distrito de Sousas, e a Proesp, de longa e importante contribuição.
É essencial que o assunto avance e envolva a população em geral, e para isso é essencial o engajamento de outros setores, como o das Igrejas cristãs. É nesse sentido que o trabalho da Comissão Arquidiocesana da Pastoral da Ecologia Integral pode dar importante contribuição.
Recentemente, foi nomeado como Assessor Eclesiástico da Comissão o Padre Luiz Roberto Teixeira Di Lascio, que tem relevante histórico de atuação na área. Como o criador e primeiro titular da Paróquia de São Marcos, o Evangelista, ele desenvolveu o Projeto Vamos Florir os Nossos Jardins, que contemplou o plantio de milhares de árvores na região dos Amarais. O Padre Di Lascio também é um grande incentivador e difusor da Cultura da Paz, que tem conceitos muito próximos ao da Ecologia Integral.
São muitas as questões socioambientais a serem abordadas em Campinas e região. Uma é a da segurança hídrica, considerando a baixa disponibilidade de água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Outra, o baixo índice de vegetação nativa. Toda a região era coberta por mata do Domínio Atlântico (e alguma parte por Cerrado), mas a vegetação nativa foi muito reduzida nas últimas décadas, impactando nos outros recursos naturais e na biodiversidade. E é crucial que Campinas e demais municípios da região metropolitana estejam cada vez mais preparados para enfrentar os eventos climáticos extremos que tendem a ocorrer, em função da escalada do aquecimento global, além de fatores como o El Niño que, em 2026 de modo específico, deve ser mais acentuado, como estão prevendo os especialistas.
Por todos esses motivos, a Comissão Arquidiocesana da Pastoral da Ecologia Integral pode representar notável salto na discussão socioambiental na cidade e em toda RMC. Ainda mais com a participação do ativo Padre Di Lascio, totalmente afinado com a Ecologia Integral e Cultura da Paz.
Agência Social de Notícias Notícias
