Movimento Educação Sempre promove programação que reúne especialistas, educadores e organizações para refletir sobre diálogo, afeto, pertencimento e aprendizagem
O Movimento Educação Sempre (MES) realiza, entre os dias 8 e 12 de junho de 2026, a 16ª edição da Semana da Educação. Com o tema “Da Escuta ao Diálogo: Tecendo Redes de Afeto e Aprendizado”, a iniciativa reunirá especialistas, educadores, gestores públicos e representantes da sociedade para discutir o papel da escuta e do diálogo na construção de relações mais humanas, colaborativas e favoráveis à aprendizagem e à convivência.
A programação destaca como a escuta pode fortalecer vínculos nos espaços educativos, nas famílias e nas comunidades.
“Escolhemos esse tema porque acreditamos que a escuta e o diálogo são fundamentais para fortalecer vínculos e promover relações humanas mais saudáveis. Embora a escola seja um espaço privilegiado para essa reflexão, ela também alcança famílias, comunidades e outros espaços de convivência. Quando aprendemos a escutar o outro com atenção e respeito, criamos condições para relações mais acolhedoras, colaborativas e favoráveis ao desenvolvimento de todos”, afirma Cristiane Stefanelli, gestora da Fundação Educar.
No dia 10 de junho, o Centro de Convivência Cultural receberá o talk show “Educação Sempre”, aberto ao público, com a participação da psicóloga e pesquisadora Juliana Ferrari, da psicóloga e gestora Yaeko Ozaki e do escritor e educador indígena Kaká Werá. O encontro abordará temas como escuta, convivência, pertencimento, ancestralidade e os desafios da construção de ambientes educativos mais acolhedores.
A programação da Semana da Educação também inclui, no dia 12 de junho, o encontro “Diálogos e Letramentos: a criança como autora”, direcionado a profissionais da Educação Infantil. A atividade reunirá profissionais da área para discutir o papel ativo das crianças nos processos de aprendizagem. A mesa contará com a participação de Elvira Cristina Martins Tassoni, Andrea Patapoff, Maria Silvia Pinto de Moura Librandi da Rocha e Luciana Haddad Ferreira, que discutirão protagonismo infantil, letramento e as formas de expressão das crianças no cotidiano.
A programação inclui ainda a palestra “O Olhar Sensível à Infância Autora: Tecendo Linhas Antirracistas no Cotidiano da Educação Infantil”, ministrada pela Comendadora Edna Lourenço, que abordará práticas pedagógicas voltadas à valorização da diversidade e da equidade racial desde a infância.
Para a secretária municipal de Educação, Patrícia Adolf Lutz, o evento é uma oportunidade excelente para dialogar sobre a importância da educação na vida das pessoas e refletir sobre como é possível contribuir mais e aprimorar este processo. “A proposta de abordar o papel ativo da infância, com um olhar sensível sobre as relações educativas, vai proporcionar muitos aprendizados sobre as redes de afeto, pensamento crítico e as mudanças que estão ocorrendo na área, em meio às transformações sociais e novidades tecnológicas que fazem parte do nosso cotidiano”, explica.
A programação também marca o lançamento do guia “Escutar para vivenciar e transformar: caminhos para a escuta ativa com presença e compreensão”, voltado à escuta ativa de adultos e pensado como ferramenta de apoio para fortalecer o diálogo nos espaços educativos.
“O encontro com o outro e a construção de vínculos fazem parte do que nos torna humanos, e a escuta é o caminho para que isso aconteça. Quando a escola valoriza as subjetividades e aprende a lidar com as diferenças de forma respeitosa, ela fortalece o pertencimento, a autoconfiança e o protagonismo dos estudantes e de toda a comunidade”, afirma Bruna Demonico, analista de projetos da FEAC.
Promovida pelo Movimento Educação Sempre, a Semana da Educação reúne representantes da Fundação Educar, Fundação FEAC, Diretorias de Ensino Estaduais e Secretaria Municipal de Educação de Campinas. Ao longo de suas edições, a iniciativa já mobilizou mais de 25 mil participantes.
SERVIÇO
16ª Semana da Educação de Campinas
Tema: Da Escuta ao Diálogo: Tecendo Redes de Afeto e Aprendizado
Data: 8 a 12 de junho de 2026
Talk Show Educação Sempre
Data: 10 de junho de 2026
Local: Centro de Convivência Cultural de Campinas
Participação: gratuita e aberta ao público
Programação
13h às 13h30 – (30 min) – Credenciamento e boas vindas
13h30 às 14h – (30 min) – Abertura
20 min – falas de boas vindas da Educar, FEAC, SME e DEL e DEO (aproximadamente 3 minutos cada fala)
10 min – música
14h às 14h50 (50 min) – Entrevista Talk Show – entrevistador e palestrante 01 – Juliana Spinelli Ferrari Sinzato – psicóloga, pesquisadora temas ligados a Psicologia e Educação (@jusferraris)
14h50 às 15h40 (50 min) – Entrevista Talk Show – entrevistador e palestrante 02 – Yaeko Ozaki – psicóloga e gestora na Savi (@yaeko.psi)
15h40 às 16h20 (40 min) – Intervalo (30 minutos anunciado e 10 de reserva)
16h20 às 17h20 (50 min) – Entrevista Talk Show – Kaká Werá – escritor e educador (@kaka_wera)
17h20 às 17h30 – (10 min) Agradecimentos

Neca Setúbal esteve na abertura da 6ª Semana da Educação de Campinas, em 2015 (Foto José Pedro Soares Martins)
A Semana da Educação, que chega em 2026 à sua 16ª edição, se consolidou como um dos principais eventos do setor em Campinas. Começou de forma associada ao Compromisso Campinas pela Educação, lançado em 2007 pela Fundação FEAC, como um núcleo local do Movimento Todos pela Educação. Desde o início, a Semana da Educação tem sido estruturada com grande apoio da Fundação Educar e da própria FEAC, em parcerias como a da Secretaria Municipal da Educação e Diretorias de Ensino da rede estadual.
A Semana da Educação já trouxe alguns dos principais pensadores da área no cenário do Brasil e América Latina em geral, como o filósofo e educador colombiano Bernardo Toro, que fez a palestra de abertura da 5ª edição, em 2014. Para Bernardo Toro, o Brasil “tem enorme responsabilidade em termos de educação porque ele dá exemplo para toda América Latina”. Ele defendeu mudanças de paradigmas, para que a educação tenha melhor qualidade no país e no continente. “Se não mudamos paradigmas, não mudamos nossas percepções e sentimentos e, com isso, a educação e nada muda”, observou.
São quatro principais paradigmas que, na sua opinião, devem ser modificados na área educacional no cenário latinoamericano. Em primeiro lugar, “não é possível aceitar como normal a existência de dois sistemas educativos de diferente qualidade, um estatal e um privado”. “É preciso mudar o desenho da educação, no sentido de uma verdadeira educação pública, senão os esforços de uma educação de qualidade para todos não serão viáveis”, advertiu o colombiano, para quem a educação deve ser vista, então, como “um bem público”.
Um segundo paradigma a ser modificado é o de “definir o educador como docente”. Para Toro, “a educação inclusiva requer uma nova definição de educador, como profissionais da aprendizagem, e que prestem contas à sociedade sobre seu trabalho”. Dar prevalência às abordagens pedagógicas de natureza frontal e magistral é o terceiro paradigma a ser transformado, frisou Bernardo Toro. Para ele, “ a educação inclusiva pede que os enfoques pedagógicos dos sistemas educativos passem dos modelos pedagógicos frontais e magistrais para modelos de aprendizagem colaborativa e cooperativa em grupo”.
E o quarto paradigma a ser superado, acrescentou, é aquele que considera “a valorização da inteligência como um bem privado, individual e que tem supremacia sobre os outros”. O filósofo e educador colombiano, um dos mais respeitados nomes na Educação na América Latina, entende que “uma educação inclusiva supõe renunciar ao princípio guerreiro da inteligência como força intelectual para passar ao altruísmo cognitivo”. E o altruísmo cognitivo, concluiu, “supõe entender o cuidado do intelecto sob condições de aceitação da debilidade e a cooperação humana”.
Também participaram da semana o filósofo Mário Sergio Cortella e a educadora Maria Alice (Neca) Setúbal, entre outros. Neca Setúbal participou da abertura da 6ª Semana da Educação, com o tema “Escola, Cultura e Cidadania: a Escola como espaço de convivência, diálogo, renovação e criatividade”. Neca foi coordenadora de Educação para América Latina e Caribe pelo Unicef e é idealizadora e dirigente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC).
A Semana da Educação representa, portanto, um grande esforço por parte dos idealizadores e daqueles que deram sequência à proposta, no sentido de qualificar o sistema educacional em Campinas, sobretudo no ensino fundamental e médio. É preciso reconhecer a história, as raízes, para que haja consistência em ações futuras.
A trajetória da Fundação Educar e da Fundação Educar na esfera educacional é intensa. Em 1995, quando a FEAC tinha Luis Norberto Pascoal (idealizador da Fundação Educar) na presidência e Darcy Paz de Pádua na vice-presidência da Área Social um seminário interno indicou a educação como prioridade para a instituição nos anos seguintes.
A FEAC encomendou então um documento com análises e propostas para o educador Antonio Carlos Gomes da Costa, profissional que havia sido fundamental no processo que resultou na garantia dos direitos das crianças e adolescentes na Constituição de 1988 e que tinha sido um dos idealizadores do Pacto de Minas pela Educação. Gomes da Costa apresentou o estudo “Infância, Juventude, Estado e Sociedade no Brasil – na Antessala do ano 2000”, que foi muito discutido na FEAC e em seus parceiros. Um dos pontos essenciais era que Gomes da Costa enfatizava o imperativo do envolvimento integral das comunidades em um projeto de fomento de Educação de qualidade para todos.
As discussões se aprofundaram e a FEAC articulou a criação da Aliança de Campinas pela Educação, sempre com apoio da Fundação Educar. Um seminário realizado nos dias 6 e 7 de outubro de 1995, com a participação de representantes de todos os segmentos sociais do município, selou o lançamento da Aliança, que resultou em vários projetos concretos, como uma ação específica na Escola 31 e Março, no Jardim Santa Mônica: uma coalizão pela Educação no Campo Grande, área densamente povoada; e o Programa Qualidade na Escola (PQE), em parceria com o Instituto Qualidade no Ensino (IQE) da Câmara Americana de Comércio e Inter American Foundation (IAF), além de várias empresas da região.
Entre 2005 e 2010 a Fundação FEAC participou como parceira técnica do Programa pela Educação Integral, iniciativa do Fundo Juntos pela Educação, composto por Instituto Arcor Brasil, Instituto C&A e fundo Vitae. Em 2010 foi lançado o FEAC na Escola, que beneficiou dezenas de escolas públicas em Campinas. Em 27 de novembro de 2007 aconteceu o lançamento do Compromisso Campinas pela Educação, versão local do Movimento Todos pela Educação. Novamente o esforço por mobilização da comunidade pela educação de qualidade para todos.
Ligado ao Compromisso, foi criado o Observatório da Educação, com a participação de alguns dos nomes mais importantes do setor no Brasil e representantes das universidades de Campinas e outras instituições. Desde 2010, a Fundação FEAC, em parceria com a Fundação Educar e apoio de vários parceiros, realiza a Semana da Educação, que já discutiu temas fundamentais para o setor e trouxe a Campinas especialistas de renome internacional.
Agência Social de Notícias Notícias

