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Cine Foto Clube de Amparo exibe o documentário ‘A necessária representativa negra nas telas’ no próximo dia 30
Documentário aborda a "A necessária representatividade negra nas telas" (Arte Bira Dantas)

Cine Foto Clube de Amparo exibe o documentário ‘A necessária representativa negra nas telas’ no próximo dia 30

Após exibição, marcada para começar às 18h30, haverá roda de conversa com parte do elenco. A entrada é gratuita e não há necessidade de retirada de ingresso

No próximo dia 30, sábado, o Centro Cultural Cine Foto Clube de Amparo fará uma sessão especial para a exibição do documentário “A necessária representativa negra nas telas”, lançado no último dia 19 pelo blog Alma Inclusiva no YouTube, um espaço dedicado a construir pontes e derrubar barreira, já que trata de todas as formas de inclusão – social, digital, escolar, no mercado de trabalho e na vida cotidiana. Na sequência, parte do elenco participa de uma roda de conversa com o público presente. O evento, gratuito e aberto à comunidade, está marcado para começar às 18h30, na sede do Cine, no centro de Amparo.

A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos e Cidadania e do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos de Amparo. Ela propõe reflexões sobre racismo, memória, resistência e representatividade negra.

O documentário “A necessária representativa negra nas telas” se dedica a explorar a trajetória pessoal e profissional de sete profissionais negros ligados ao audiovisual – entre jornalistas, atores, cineastas e criadores – e a reflexão deles sobre a temática. São eles: Adriano Meneses (jornalista cultural e responsável pela revista Cultura em 1 Minuto), Luís Araújo (ator e modelo), Bia Santo’s (atriz e figurinista), Maria Alice da Cruz (jornalista e escritora), Talita Matias (jornalista), Daniel de Almeida (ator e diretor de cinema) e Pedro Pauleey (ator e cineasta).

Meneses, Araújo, Bia e Maria Alice já confirmaram participação na roda de conversa, que será medida pelo jornalista e produtor Rafael Leopoldi, um dos diretores do Cine.  “Abrimos nosso espaço para diversas ações culturais e acreditamos que o lançamento deste documentário na cidade é uma excelente oportunidade para trazer a discussão sobre a representatividade negra nas telas de cinema”, explica Leopoldi. “Vamos convidar grupos da cidade para assistir ao filme e participar de uma roda de conversa após a sessão, com todos os participantes.”

A proposta do encontro é abrir espaço para diálogo e escuta. O filme traz a percepção e a vivência dos sete participantes sobre a representatividade dos negros no audiovisual brasileiro, analisando como atores e atrizes negros foram historicamente reduzidos a papéis estereotipados e marginalizados. É uma análise crítica profunda sobre a representação da negritude nas telas em geral e sua influência na identidade étnica.

Mosaico de experiências íntimas

“Na época que eu era criança, a sociedade chamava o meu cabelo de cabelo pixaim, falava que esse cabelo era feio, sujo… Quer dizer, eu não tinha direito de ter cabelo.” A frase é do jornalista Adriano Meneses, que no documentário revela como a sociedade, por décadas, negou ao corpo negro o direito de existir plenamente, inclusive em sua aparência. O depoimento do ator Luís Araújo corrobora com o de Meneses: “E enquanto criança, tive referências brancas, né? Tinha medo do Bozo, então assistia Xuxa, Angélica, enfim. A televisão era brasileira com um ar europeu. Tudo era muito branco. (…) Quando você não se vê na tela, você não consegue se perceber.”

A jornalista e escritora Maria Alice da Cruz lembra que, no início dos anos 2000, quando cobria a área de humanidades nas universidades, “representatividade” não era palavra corrente. Segundo ela, a luta do povo negro em ser representado artisticamente e respeitado começa com o Teatro Experimental do Negro, idealizado por Abdias Nascimento. Os avanços de hoje se devem a uma luta coletiva e ainda incompleta. A importância dos artistas negros pioneiros, como Abdias, também é mencionada pela atriz Bia Santo’s. Por isso, é preciso honrar essa luta coletiva. “Nossa pele tem que aparecer, nossos traços têm que aparecer. Porque ser brasileiro é isso”, diz Bia.

“Quando eu comecei, eram poucos atores de destaque… e quando tinha, sempre era aquela coisa: o escravo, o jagunço, o empregado”, fala o ator e cineasta Pedro Pauleey. A jornalista Talita Matias avalia que o programa de cotas trouxe muitos avanços. “Você vê mais estudantes negros na universidade, por consequência você vê mais caras negras em todas as áreas (…), mas ainda há muito o que melhorar.”

Já o ator Daniel de Almeida conta que, sem referências negras, buscou heróis estrangeiros brancos. “Durante muito tempo, o Rambo foi a representatividade maior na minha vida”, diz, antes de desmontar essa identificação ao reconhecer o peso ideológico dessas imagens importadas. “Cresci e descobri que o Rambo é um grande facínora, né?” O imaginário, afinal, também pode ser um território colonizado.

Cine

O Centro Cultural Cine Foto Clube de Amparo existe desde 1952, e após quase 30 anos de inatividade, foi reativado em 2017. Desde 2024, está com as portas abertas como um centro cultural voltado a exposições, cursos, oficinas e palestras das mais variadas artes. Ele é parceiro no projeto Pontos MIS, uma parceria com o Museu da Imagem e do Som de São Paulo, que visa compartilhar o acervo do museu com cidades do interior, oferecendo o acervo para sessões de cinema e ainda oficinas voltadas para o cinema e a fotografia.

SERVIÇO
CINE DEBATE
Exibição do Documentário: “A necessária representativa negra nas telas”; e Roda de Conversa com parte do elenco da obra audiovisual
DATA: 30/05 (sábado)
HORÁRIO: 18h30
LOCAL: Cine Foto Clube de Amparo (Rua Treze de Maio, 35, no Centro de Amparo)
Entrada gratuita

Sobre ASN

Organização sediada em Campinas (SP) de notícias, interpretação e reflexão sobre temas contemporâneos, com foco na defesa dos direitos de cidadania e valorização da qualidade de vida.