Por José Pedro Soares Martins
Pinguim Imperador, lobo-marinho-da-Antártica e elefante-marinho-do-sul são as mais novas espécies ameaçadas de extinção, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). E a causa, segundo a organização que monitora o estado da biodiversidade no planeta, são as mudanças climáticas, cada vez mais aceleradas.
“Essas descobertas importantes devem nos impulsionar a agir em todos os setores e níveis da sociedade para enfrentar decisivamente as mudanças climáticas. O declínio do Pinguim Imperador e do lobo-marinho-da-Antártica na Lista Vermelha da IUCN é um alerta sobre as realidades das mudanças climáticas. À medida que os países se preparam para se reunir na Reunião Consultiva do Tratado da Antártica em maio, essas avaliações fornecem dados essenciais para orientar decisões sobre este majestoso continente e sua vida selvagem impressionante. O papel da Antártica como “guardião congelado” do nosso planeta é insubstituível – oferecendo benefícios incalculáveis aos humanos, estabilizando o clima e oferecendo refúgio para a vida selvagem única”, disse a Dra. Grethel Aguilar, Diretora-Geral da IUCN.
Muito amado em todo o mundo, o Pinguim Imperador (Aptenodytes forsteri) passou de Quase Ameaçado para Ameaçado na Lista Vermelha da IUCN, com base em projeções de que sua população será reduzida pela metade até a década de 2080. Imagens de satélite indicam uma perda de cerca de 10% da população apenas entre 2009 e 2018, o que equivale a mais de 20.000 pinguins adultos, informou a UICN em comunicado recente.
O principal fator, explica a organização, é a fragmentação e perda precoce do gelo marinho, que atingiu níveis recorde de baixo desde 2016. “Pinguins-Imperador precisam de gelo rápido – gelo marinho que é “fixado” à costa, ao fundo do oceano ou aos icebergs encalhados – como habitat para seus filhotes e durante a temporada de muda, quando não são à prova d’água. Se o gelo se soltar cedo demais, o resultado pode ser fatal. Embora seja desafiador converter tragédias observadas – como o colapso de uma colônia reprodutora no mar antes que os filhotes possam nadar – em mudanças populacionais, a modelagem populacional considerando uma ampla variedade de cenários climáticos futuros mostra que, sem reduções abruptas e dramáticas nas emissões de gases de efeito estufa, as populações de pinguins-imperador diminuirão rapidamente durante este século”, acrescentou a IUCN.
“Pinguins já estão entre as aves mais ameaçadas da Terra. A mudança do pinguim-imperador para Ameaçado de Extinção é um alerta claro: as mudanças climáticas estão acelerando a crise de extinção diante dos nossos olhos. Os governos devem agir agora para descarbonizar urgentemente nossas economias”, disse por sua vez Martin Harper, CEO da BirdLife International, que coordenou a avaliação da situação do Pinguim Imperador, como favorável à sua inclusão na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN.
Já o lobo-marinho-da-Antártica (Arctocephalus gazella) passou de Menor Preocupação para Ameaçada na Lista Vermelha da IUCN, já que sua população diminuiu mais de 50%, de cerca de 2.187.000 lobos maduros em 1999 para 944.000 em 2025. “O declínio contínuo se deve às mudanças climáticas, já que o aumento das temperaturas dos oceanos e a redução do gelo marinho estão empurrando o krill para maiores profundidades oceânicas em busca de água mais fria, reduzindo a disponibilidade de alimento para as focas. A escassez de krill no sul da Geórgia reduziu drasticamente a sobrevivência dos filhotes no primeiro ano, levando ao envelhecimento da população reprodutora. Outras ameaças, como a predação por orcas e focas-leopardo e a competição com populações em recuperação de baleias barbatanas que visam o mesmo krill, também podem impactar essa população em declínio”, informou a IUCN.
O elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) passou de Menor Preocupação para Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN, após declínios causados pela Gripe Aviária Altamente Patogênica (HPAI). Houve um aumento significativo na prevalência da gripe aviária em todo o mundo desde 2020, e ela se espalhou para mamíferos. A doença afetou quatro das cinco principais subpopulações, matando mais de 90% dos filhotes recém-nascidos em algumas colônias e impactando seriamente as fêmeas adultas, que passam mais tempo nas praias do que os machos. Há uma preocupação crescente de que as mortes relacionadas a doenças de mamíferos marinhos aumentem com o aquecimento global – especialmente em regiões polares, onde os animais não tiveram muita exposição prévia a patógenos. Animais que vivem próximos uns dos outros em colônias, como as focas-elefante-do-sul, são particularmente afetados por doenças.
Estes animais são vistos regularmente em documentários sobre a vida animal. Daqui a alguns anos, dependendo do sucesso ou fracasso do enfrentamento das mudanças climáticas, permanecerão sendo visto somente em imagens. Seria um crime civilizatório e, por isso, é um dever ético da humanidade acelerar a transição energética, inclusive porque as mudanças do clima também acabarão ameaçando, com certeza, a sua própria existência. Não é uma tarefa pequena, pelos interesses econômicos e políticos envolvidos (vide guerra contra o Irã), mas deve ser feita e já.
Agência Social de Notícias Notícias
