Começa hoje, 24 de abril de 2026, e vai até o dia 29 a 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. O evento está sendo realizado em Santa Marta, Colômbia, o país cujo governo atual é um dos maiores defensores de aceleração da transição energética, para longe dos combustíveis fósseis. O momento não poderia ser mais propício, em função da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que mais uma vez colocaram em evidência a dependência mundial do petróleo.
A saída, para evitar novos conflitos desse tipo e acelerar o enfrentamento das mudanças climáticas? Justamente impulsionar a transição energética, com o fim da dependência dos fósseis. Traçar caminhos para que isso ocorra é o propósito da Conferência de Santa Marta, como o evento está sendo conhecido. Abaixo, a íntegra do comunicado do Observatório do Clima sobre a Conferência, explicando a sua importância como um portal para novos rumos da discussão crucial em torno da emergência climática:
“A 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis começa nesta sexta-feira (24) em Santa Marta, Colômbia, como um claro sinal de que uma parte relevante de países está disposta a lidar com o tema que tem sido varrido para debaixo do tapete das salas das Conferências do Clima da ONU nos últimos 30 anos: a produção e o consumo de combustíveis fósseis.
Petróleo, gás e carvão mineral são, de longe, os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas. A trinca responde por cerca de 68% das emissões globais de gases de efeito estufa e por quase 90% de todas as emissões de dióxido de carbono. Com uma única exceção (COP28), ao longo das últimas três décadas, as Conferências do Clima não encontraram consenso quando o assunto é o fim do uso desses combustíveis. E a COP de Belém é a prova máxima disso.
No encontro realizado na capital paraense, que terminou sem qualquer menção ao fim dos fósseis em seu texto final, ficou claro que a transição precisava partir de um “segundo nível” de governança climática, no qual a eficiência se sobrepõe ao consenso e os países que estão prontos para avançar tomam a dianteira. Foi o caso do Brasil e da Colômbia, dois países latino-americanos que, cansados de esperar, lançaram processos paralelos para tratar do assunto.
O Brasil, ao chamar para si a responsabilidade de construir um mapa do caminho global, e a Colômbia, com a Conferência de Santa Marta. Mais de 60 países já confirmaram presença no evento, entre eles grandes produtores de combustíveis fósseis, como Canadá, Brasil, México e Noruega, e uma das maiores exportadoras de carvão do mundo, a Austrália.
Também são esperados mais de 3 mil integrantes da sociedade civil, entre cientistas, políticos, parlamentares, representantes do setor privado e de comunidades tradicionais. Considerando o contexto geopolítico internacional – de acirramento dos conflitos armados, crise no multilateralismo e redução do espaço que o combate à mudança do clima tem nas prioridades dos governos – o simples fato da Conferência de Santa Marta existir já é um sucesso, diz Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima.
“A agressão israelo-americana ao Irã deu um novo sentido de urgência aos debates puxados por Brasil e Colômbia ao estampar de forma muito explícita o custo humanitário, geopolítico e econômico da dependência global de petróleo e gás”, afirma Angelo. Embora não esteja formalmente vinculada às negociações climáticas da ONU, dois importantes resultados são esperados: primeiro, um relatório que traga uma visão honesta do tamanho do problema e que possa indicar o início do caminho para que as nações “dispostas” façam sua transição.
O segundo resultado é em mobilização da sociedade e da opinião pública. O Observatório do Clima considera o encontro como um ponto de partida de um movimento global pelo fim dos fósseis e uma oportunidade para ampliar a coalizão de 84 países que apoiam a construção de um roteiro neste sentido. Segundo Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima, Santa Marta pode – e deve – influenciar o processo de construção do mapa do caminho global liderado pela presidência da COP30.
“O OC está atento a ambos os processos, suas sinergias, complementaridades e principalmente desdobramentos, tanto desses países dispostos, como nas negociações formais”, diz. A 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis acontece de 24 a 29 de abril, sendo os dois últimos dias destinados aos encontros de alto nível.
Além de integrantes do secretariado do OC, também estarão presentes em Santa Marta as seguintes organizações que compõem a rede: WWF-Brasil, INESC, IEMA, Revolusolar, 350.org, ActioAid Brasil, Geledés – Instituto de Mulher Negra, Instituto Pólis, Instituto Socioambiental, Greenpeace Brasil, LACLIMA, Instituto E+, Projeto Saúde e Alegria e Instituto Clima de Política.
Sobre o Observatório do Clima – Fundado em 2002, é a principal rede da sociedade civil brasileira com atuação na agenda climática. Reúne hoje 172 integrantes, entre organizações socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais. Seu objetivo é ajudar a construir um Brasil descarbonizado, igualitário, próspero e sustentável. O OC publica desde 2013 o SEEG, estimativa anual das emissões de gases de efeito estufa no país.
Agência Social de Notícias Notícias
