Anistia Internacional lança campanha Jovem Negro Vivo neste domingo
Peça da campanha Jovem Negro Vivo, da Anistia Internacional

Anistia Internacional lança campanha Jovem Negro Vivo neste domingo

Neste domingo, 9 de novembro, a pista de skate do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, recebe entre 10 e 16 horas o lançamento da campanha Jovem Negro Vivo, da Anistia Internacional, que visa mobilizar a sociedade e romper a indiferença com que o alto índice de homicídios de jovens negros é tratado no Brasil. Em 2012, 56 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30 mil são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. “Essa não pode mais ser a realidade dos jovens brasileiros”, diz a Anistia.

A programação de amanhã no Aterro inclui atividades como skate, apresentações de passinho, duelo de barbeiros, com WL do Corte e Ed dú Corte, rodas de conversas, oficinas, e muita música, com o DJ Saens Peña, da Festa Phunk, e DJ Flash, do Baile Black Bom.

Durante o evento a Anistia Internacional convidará a todos a assinar o manifesto “Queremos ver os jovens vivos”, que defende o direito a uma vida livre de violência e preconceito para os jovens negros, e pede políticas públicas de segurança pública, educação, saúde, trabalho, cultura, mobilidade urbana, “entre outras, que possam contribuir para o enfrentamento desta dura realidade”, afirma a organização.

Mapa da Violência – Entre 2002 e 2010, o número de vítimas de homicídios da raça branca no Brasil caiu de 18.852 para 13.668, uma queda de 27,5%, enquanto as vítimas de homicídios da raça negra aumentaram de 26.952 para 33.264, um crescimento de 23,4%. Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do DATASUS, ligado ao Ministério da Saúde, e estão contidos no Mapa da Violência 2012, elaborado pelo Instituto Sangari.

De acordo com as mesmas fontes, em 2002 “morreram proporcionalmente 45,8% mais negros do que brancos”. Já em 2010, “um novo patamar preocupante: morrem proporcionalmente 139% mais negros que brancos, isto é, bem acima do dobro!”

As taxas de homicídios de brancos caíram de 20,6 para 15,0 em cada 100 mil brancos, queda de 27,1% entre 2002 e 2010, enquanto as taxas de homicídios de negros cresceram de 30,0 para 35,9 em 100 mil negros no mesmo período, crescimento de 19,6%.

Em algumas regiões, as disparidades são ainda maiores. Na Região Norte, as taxas caíram no mesmo período de 17,8 para 15,0 na população branca, aumentando de 32,1 para 45,4 entre a população negra. No Nordeste, taxa praticamente mantida entre a população branca, de 8,2 e 8,3, e aumento de 23,4 para 41,2 entre a população negra.

No Sudeste, queda de 26,0 para 13,0 entre a população branca, e de 50,5 para 27,0 entre a população negra. No Centro Oeste, queda de 20,6 para 15,7 entre a população branca e aumento de 33,7 para 42,6 entre a população negra. O único caso de aumento da taxa de homicídio na população branca foi no Sul, de 17,7 em 100 mil para 23,8 entre 2002 e 2010, enquanto aumentou de 18,7 para 22,8 entre 100 mil da raça negra.

Em alguns estados, disparidades impressionantes, segundo o estudo. Em Alagoas, a taxa de homicídios por 100 mil da raça branca caiu de 11,9 para 4,4 entre 2002 e 2010, aumentando de 32,7 para 84,9 entre 100 mil pessoas da raça negra. Na Paraíba,  a taxa de homicídios por 100 mil da raça branca manteve-se a mesma no período, de 3,3, enquanto cresceu de 16,3 para 58,8 entre 100 mil pessoas da raça negra. No Espírito Santo, queda de 19,2 para 17,1 entre 100 mil da raça branca, e aumento de 47,5 para 63,2 entre 100 mil pessoas da raça negra. São os três estados de maior proporção de homicídios de vítimas da raça negra em 2010, segundo o Mapa da Violência 2012.

“Por todos os dados apresentados, vemos que, por cada branco assassinado em 2010, morreram proporcionalmente mais de 2 negros nas mesmas circunstâncias. E mais preocupante ainda, pelo balanço histórico dos últimos anos, a tendência desses pesados níveis de vitimização é crescer ainda mais”, comenta o Mapa da Violência 2012. A mesma fonte informa um aumento das taxas de homicídios de mulheres no Brasil, de 2,3 por 100 mil em 1980, até a maior taxa, de 4,6 por 100 mil em 1996, caindo um pouco e se mantendo em seguida, até atingir 4,4 em 100 mil mulheres em 2009 e 2010. Todos os dados de 2010 citados no estudo são preliminares.

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