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O que é fazer arte em tempos de Ebola? Artistas de Campinas comentam
Giló Salvatti, uma das artistas que responderam à pergunta da Agência Social de Notícias (Foto e vídeos José Pedro Martins)

O que é fazer arte em tempos de Ebola? Artistas de Campinas comentam

Por José Pedro Martins

O que é fazer arte em tempos de Ebola? Qual o sentido de se fazer arte em um momento de crises profundas em todo planeta, a tragédia do Ebola entre elas? A arte tem sentido? O que ela pode fazer? Artistas-criadores-pensadores de Campinas respondem, e mostram diferentes olhares sobre a angústia e o sublime que é fazer arte.

MÁRIO GRAVEM BORGES 

Inquietude, transcendência, busca, ousadia. Palavras sempre presentes na obra de Mário Gravem Borges. Depois de estudar no Rio de Janeiro, viveu anos na Inglaterra. Em 1981, foi o primeiro não-britânico a expor no Institute of Contemporary Art, em Londres. E continuou interagindo e perguntando, indagando. O que o menino de Campinas, descendente de índios, portugueses, britânicos e holandeses, e que percorre, caixeiro-viajante, o mundo e a arte em todas as suas tessituras, sempre cultivou, em vida e obra. A vida feita obra de arte.


GILÓ SALVATTI

A poesia do vidro, as cores destiladas do fogo, as linhas orgânicas da existência. A campineira Giló Salvatti é pedagoga pela Unicamp e artista por excelência. Morou em Florianópolis e Barcelona. O mar, a luminosidade, a areia – que também vira vidro e, portanto, poesia líquida. De volta ao Brasil, muitas exposições, criação sem fim.  “Faces de Ti”, por exemplo, foi um mergulho profundo na alma de amigos, conhecidos, desconhecidos. Elle ou Ella, irmãos e irmãs de condição humana. Metal, arte joalheria, telas a óleo. Múltiplas linguagens da artista.

 

AFRÂNIO MONTEMURRO

Desenhista, ceramista, pintor. Afrânio Montemurro criou um vocabulário novo na arte de Campinas, do Brasil. Ele se reinventa a cada obra, a cada exposição, a cada coletiva. Suas oficinas de encáustica são um ritual, uma catarse, uma imersão em técnicas imemoriais, a cera que liga o sagrado e o profano, o apolíneo e o dionisíaco. Uma textura ilimitada, um romper de limites e de distâncias. Ele supera e secreta as montanhas da arte.

 VERA FERRO

Pintora, aquarelista, gravadora, fotógrafa, Vera Ferro usa diferentes plataformas, em diferentes momentos, para expressar o que o artista vê e só ele vê mas que deseja, mesmo assim, comunhão de afetos, compartilhar com o seu povo, a sua gente. Vera é ativista cultural, é provocadora, é uma multidão de sílabas e constelações. Cenários de teatro, calendários filantrópicos, paredes de hospitais, ela pinta as paredes do mundo com o seu coração. Ela revela as impressões digitais das cidades, como ressaltou em uma de suas últimas exposições.

VERA ORSINI
Pintura, fotografia, cerâmica, instalações, reconfigurações do espaço, redesenhos da vida. Vera Orsini é multiartista. Pesquisadora incansável, foi ao Japão buscar esmero técnico em vidro soprado. Apaixonada pela transparência, pela luz que revela e amplia horizontes, tem várias exposições, individuais e coletivas, em muitas cidades. A vida que pode ser remodelada, a forma que está na matéria, o conteúdo que brota do objeto. Um espectro multicolorido, um olhar de exuberar a vida.

 

Sobre ASN

Organização sediada em Campinas (SP) de notícias, interpretação e reflexão sobre temas contemporâneos, com foco na defesa dos direitos de cidadania e valorização da qualidade de vida. Já ganhou os prêmios de jornalismo: FEAC (2015), Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros (2016), ABAG-Ribeirão Preto "José Hamilton Ribeiro" de Jornalismo (2017) e Prêmio INEP de Jornalismo (2017).

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