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Casos de Febre Chikungunya aumentam 17 vezes em um mês e meio no Brasil e Campinas intensifica prevenção
Campinas participa pela primeira vez da iniciativa mundial Dia das Boas Ações (Foto Adriano Rosa)

Casos de Febre Chikungunya aumentam 17 vezes em um mês e meio no Brasil e Campinas intensifica prevenção

Em um mês e meio o número de casos confirmados de Febre Chikungunya aumentou em 17 vezes no Brasil. É cada vez maior o temor de que a doença chegue aos grandes centros urbanos, como os de São Paulo e outros estados da Região Sudeste. Campinas é uma das cidades que intensificou a prevenção à dengue e Febre Chikungunya, que têm o mesmo vetor transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Campinas passou por uma epidemia histórica de dengue no início de 2014.

Nesta terça-feira, 2 de dezembro, o Ministério da Saúde confirmou que, até o dia 15 de novembro, foram registrados 1364 casos de Febre Chikungunya no Brasil, 17 vezes os 79 confirmados até 27 de setembro. Dos 1364 casos, 125 foram confirmados por critério laboratorial e 1.239 por critério clínico-epidemiológico. Do total, 71 casos são importados, ou seja, de pessoas que viajaram para países com transmissão da doença, como República Dominicana, Haiti, Venezuela, Ilhas do Caribe e Guiana Francesa.

Ainda segundo o Ministério, outros 1293 casos foram diagnosticados em pessoas sem registro de viagem internacional para países onde a transmissão acontece. Destes casos autóctones, 531  foram identificados no município de Oiapoque (AP), 563 em Feira de Santana (BA), 196 em Riachão do Jacuípe (BA), um em Matozinhos (MG), um em Pedro Leopoldo (MG) e um em Campo Grande (MS).

As Américas vivem uma inquietante ascenção da Febre Chikungunya desde dezembro de 2013, quando foi confirmada a transmissão autóctone do vírus no continente.  Até o dia 10 de outubro, já tinham sido registrados 748.403 casos suspeitos nas Américas, e confirmados 11.549, com 141 mortes.

A evolução da doença é ainda mais preocupante, considerando o panorama mundial. Desde 2004 o vírus havia sido identificado em 19 países. o dia 29 de agosto de 2014, a Organização Panamericana da Saúde (OPAS), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou um alerta epidemiológico, diante da iminência do crescimento do número de casos, sobretudo na América Central, Caribe e América do Sul.

Na ocasião, a OPAS/OMS alertou para a situação epidemiológica provocada pela “temporada de maior transmissão de dengue e a introdução do vírus Chikungunya na região”, o que requer “integrar esforços para a prevenção e o controle de ambas enfermidades”. A rápida disseminação do vírus Chikungunya documentada em alguns países das Américas  “p0de somar-se à ocorrência simultânea de casos ou surtos de dengue”. Os sintomas da Febre Chikungunya são febre alta, dor muscular e nas articulações, cefaleia e exantema, geralmente durando de três a 10 dias.

Uma declaração de guerra de Campinas contra a dengue e a Febre Chikungunya, doenças que têm o mesmo agente transmissor, foi feita na manhã de 14 de novembro, no Hotel Nacional Inn. O evento reuniu vários secretários municipais e representantes de diversos órgãos públicos, indicando uma ofensiva intersetorial para evitar que aconteça em 2015 o mesmo quadro verificado neste ano, no qual Campinas viveu a maior epidemia de dengue de sua história, com 40.749 casos.

Na manhã de 14 de novembro ficou claro que a cidade ainda tem áreas de transmissão da dengue, em bairros de baixa e também de alta renda, reforçando os enormes desafios para eliminar os criadouros do mosquito que também transmite a Febre Chikungunya, preocupação cada vez maior dos responsáveis pela saúde. Um pacote de ações foi colocado em prática a partir de segunda-feira, 17 de novembro.

Para o final de 2014 e 2015, advertiu o médico Dr.André Ribas, coordenador do Programa Municipal de Dengue e Febre Chikungunya, existe a preocupação adicional com a febre chikungunya. Ele destacou algumas diferenças entre esta doença e a dengue. Na febre chikungunya, os sintomas de dor são mais forte nas articulações, sendo que a dor “pode ser sentida em até um ano após a manifestação da fase aguda da doença”. Um tempo de incubação menor, um período de viremia maior e mais altas taxas de ataque são características que fazem a progressão da febre chikungunya ser muito rápida, avisou o especialista. Ele citou o caso de uma epidemia ocorrida entre 2005 e 2006 nas Ilhas Reunião, que tem uma população de 766 mil pessoas e chegou a registrar 45 mil casos em apenas uma semana.

Um mito importante a ser quebrado, advertiu o Dr.André Ribas Freitas, se refere à suposta baixa letalidade da febre chikungunya. “Não é verdade, a letalidade é alta, inclusive porque o número de casos pode ser maior e a progressão da doença ser mais rápida”, alertou.

Dr.André Ribas Freitas: toda a cidade precisa estar unida (Foto Martinho Caires)

Dr.André Ribas Freitas: toda a cidade precisa estar unida (Foto Martinho Caires)

Sobre ASN

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