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Largo do Rosário tem histórico de manifestações políticas (DDHH Já – Dia 79, Art.20)
Manifestação no centro de Campinas em 20 de junho de 2013 (Foto Adriano Rosa)

Largo do Rosário tem histórico de manifestações políticas (DDHH Já – Dia 79, Art.20)

POR JOSÉ PEDRO SOARES MARTINS

O Largo do Rosário, como é conhecida a Praça Visconde de Indaiatuba, no centro de Campinas, tem uma longa trajetória de sediar manifestações políticas, mais à esquerda ou mais à direita do espectro de pensamento. Manifestações contra a ditadura, pelas Diretas Já, contra e a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff – são vários os exemplos de como o espaço público é democrático.

O nome Largo do Rosário permaneceu no imaginário popular porque era o local onde ficava a Igreja do Rosário, demolida na década de 1950 no contexto das grandes transformações urbanas derivadas do Plano Prestes Maia. Antigas construções deram lugar a edifícios e vias mais largas. A Igreja foi derrubada apesar de grandes protestos populares.

Ditadura militar – O mundo acadêmico foi uma das trincheiras locais contra a ditadura militar instalada em 1964 e que inaugurou novo período de instabilidade política. Professores da Unicamp estiveram na lista dos “marcados para morrer” por grupos paramilitares.

Vários confrontos aconteceram nas ruas centrais de Campinas, com a repressão de policiais a estudantes, professores e cidadãos que apoiavam a luta contra o governo dos generais. Estudantes da PUC-Campinas apanharam da polícia.

Diretas-já -  O Largo do Rosário foi o cenário de uma das primeiras grandes manifestações da campanha das Diretas-Já, a 21 de janeiro de 1984. No ano anterior, o Centro Acadêmico de Direito da PUC-Campinas já havia convidado o então Senador da República Teotônio Vilela, um dos ícones da redemocratização e da redemocratização, para participar de uma Semana Jurídica do curso. Teotônio morreria logo depois à visita a Campinas.

No comecinho de 1984, nas janelas do Palácio dos Jequitibás, vértice dos conflitos de ontem, ficou estampado um painel com os dizeres: “Eleições Diretas-Já”. Foi uma ideia do arquiteto Paulo de Tarso, e que teve apoio do prefeito José Roberto Magalhães Teixeira. A 19 de janeiro, dois dias antes da grande manifestação, o mesmo Largo do Rosário sediou um jogo de futebol, em que o time das Diretas ganhou de 10 a 4 da equipe das Indiretas.

A Orquestra Sinfônica de Campinas, regida pelo maestro Benito Juarez, participou de várias manifestações, em Campinas e pelo Brasil, durante a campanha das Diretas-Já. Sempre o espírito pacífico e a alegria de lutar por um país melhor.

Fora Collor –   Em 25 de agosto de 1992, de novo o Largo do Rosário foi o palco de grande manifestação, com cerca de 10 mil pessoas, durante o Fora Collor, o movimento que levou ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.

Foi o último grande ato do povo nas ruas centrais, antes na manifestação gigante de 20 de junho de 2013, mais um dia para a história, para ser lembrado como aquele em que Campinas honrou a caminhada por um Brasil que pode ser muito melhor.

Depois vieram outras manifestações, como aquelas favoráveis e contrárias ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e mais recentemente, pelos direitos das mulheres e da população LGBT e contra a reforma da Previdência proposta pelo governo de Jair Bolsonaro.

(79º artigo da série DDHH Já, sobre os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos no cenário brasileiro. No 20º dia do mês de março de 2019, o texto corresponde ao Artigo 20: 1.Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.)

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