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Os migrantes e refugiados que estão na linha de frente contra a Covid-19 no Brasil
A médica Ayla Zinou equipada para trabalhar em tempos de pandemia (Foto Acervo Pessoal)

Os migrantes e refugiados que estão na linha de frente contra a Covid-19 no Brasil

Por José Pedro Soares Martins

Campinas, 31 de outubro de 2020

A médica Ayla Suhib Zinou não tinha outro pensamento quando soube do diagnóstico positivo para Covid-19. Ela que atua em hospitais de Campinas, no interior de São Paulo, e outros municípios vizinhos se recordou de todo o percurso trilhado por sua família desde a saída da Síria, em 2014, fugindo da guerra civil iniciada três anos antes e que crescia em intensidade avassaladora. Como outros cerca de 3.000 a 3.500 sírios que vieram para o país desde o início da guerra civil, a família mudou para o Brasil, sem qualquer referência concreta, e se estabeleceu em Campinas. Com diploma validado e já com passaporte brasileiro, Ayla agora atua em outro front de batalha, a guerra contra o novo coronavírus. Ao saber que estava infectada, isolou-se e não manteve contato com os pais e dois irmãos por um bom tempo, até voltar à ativa para cuidar dos pacientes de Covid-19 e outras doenças. “Esta é a minha profissão, aquela que lutei muito para exercer”, diz Ayla, ao explicar a determinação para continuar a jornada.

Ayla vivia com a família em Aleppo, a maior cidade da Síria e que se tornou o epicentro da guerra civil iniciada em 2011, resultante dos ataques de grupos contrários ao governo de Bashar al-Assad e da reação repressiva por parte das tropas oficiais. Várias forças estrangeiras se envolveram no conflito, cada vez mais militarizado, algumas delas apoiando grupos pró ou contra o governo.

Uma das mais antigas cidades do mundo, com cerca de 5 mil anos de história e localizada estrategicamente entre o mar Mediterrâneo e o rio Eufrates, Aleppo se transformou em palco de sangrentas batalhas. Desde a escalada que começou no dia 19 de julho de 2012, pelo menos 100 mil pessoas morreram em combate e outros milhares deixaram suas casas, somando-se aos 6,6 milhões de deslocados internamente ou aos 5,6 milhões de refugiados, como seria o caso da família Zinou.

Ayla estudando para a Revalida (Foto Acervo Pessoal)

Ayla estudando para a Revalida (Foto Acervo Pessoal)

O engenheiro Suhib Zinou resolveu que a família deveria deixar a Síria ao perceber que a guerra se agravava a cada dia. A decisão veio depois que bombas explodiram em um hospital e na universidade em que Ayla estudava. Além disso, a família ficou impressionada com o sequestro de três amigos do irmão de Ayla, Kamel. O corpo de um deles foi encontrado dias depois, cortado e jogado no lixo.

“Meus pais concluíram que era preciso sair da Síria. Aí começou a corrida para deixar o país”, lembra Ayla. Primeiro, a família tentou os Estados Unidos, sem sucesso. Também cogitaram em uma transferência para a Alemanha, que também não se concretizou. A mudança para o Brasil foi decidida quando o pai, Suhib, e a mãe, Chaza, tiveram mais informações sobre o país onde vivem de 3 a 4 milhões cidadãos de origem síria.

Foi tudo muito rápido, a família de classe média não teve tempo de vender o que tinha e com o que conseguiu levantar de recursos viajou para o Brasil,  com o status de refugiados. Acabou se radicando em Campinas, cidade industrializada no interior de São Paulo, com mais de 1 milhão de habitantes e sede de importante polo científico e tecnológico, construído em torno da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Ayla e família em momento de lazer antes da pandemia (Foto Acervo Pessoal)

Ayla e família em momento de lazer antes da pandemia (Foto Acervo Pessoal)

“No começo foi muito difícil, pela barreira da língua, porque não conhecíamos ninguém. Foi com muita luta que nos estabelecemos”, lembra Ayla. Ela conta que teve que estudar intensamente para a prova denominada Revalida, que garante a validação do diploma profissional obtido no exterior. “Eu estudava 12, 13 horas por dia. No dia da prova, por causa da língua, demorava muito apenas para entender o que a pergunta queria dizer. Mas acabei passando”, ela comemora.

Ayla passou a trabalhar em vários hospitais de Campinas e de municípios próximos, como Santa Bárbara D´Oeste e Pedreira. Sua família, por seu lado, abriu um restaurante de comida síria, o Castelo de Aleppo, uma homenagem à construção milenar da cidade de origem. No restaurante passaram a trabalhar os pais e a irmã de Ayla, Bana Zinou. O irmão Kamel conseguiu se matricular na Unicamp. Ayla não se esquece do apoio que ela e a família tiveram de um médico de origem palestina, há muitos anos vivendo no Brasil.

Em 2019 a família conseguiu abrir outro restaurante, o Palácio do Sultão. Tudo caminhava bem até que veio a Covid-19. Ayla conta o cotidiano tenso que passou a viver nos hospitais. “Uma doença desconhecida, que ninguém sabia muito lidar no início. Em pouco tempo um paciente que estava bem tem seu quadro de saúde rapidamente deteriorado, algumas vezes falecendo. É muito triste”.

E com a pandemia os negócios da família também foram atingidos. Como aconteceu com o comércio de forma geral, os restaurantes foram fechados, mantendo-se apenas o sistema de delivery. Recentemente o comércio em Campinas e outras cidades de São Paulo foi reaberto de forma parcial, de acordo com as regras estabelecidas pelo governo do estado. “Temos que começar do zero novamente. Mas vamos vencer. Viemos em princípio para ficar seis meses e já são seis anos”, conclui a médica Ayla Zinou, que apenas espera o  final da entrevista para recomeçar a jornada contra a Covid-19, o poderoso e invisível inimigo.

Paulo Sergio Pinheiro, presidente da Comissão de Investigação (Foto UN independent international commission of inquiry on the Syrian Arab Republic, Geneva)

Paulo Sergio Pinheiro, presidente da Comissão de Investigação (Foto UN independent international commission of inquiry on the Syrian Arab Republic, Geneva)

Não há previsão de solução para conflito, alerta presidente da Comissão da ONU para a Síria

Se a família da médica Ayla Zinou tinha perspectiva de ficar seis meses no país e já está há seis anos, é consequência do agravamento do conflito que completará 10 anos em 2021. “Dada a vasta internacionalização do conflito, a negociação visando ao fim do conflito e a paz é um processo muito difícil, com muitas oportunidades perdidas. Nem eu nem ninguém podemos fazer alguma previsão, levando em conta o comportamento errático das partes envolvidas”, afirma uma das pessoas que mais entende do complexo quadro na Síria, o brasileiro Paulo Sergio Pinheiro. Ele é o presidente desde 2011 da Comissão de Investigação das Nações Unidas sobre a República Árabe da Síria, que fica sediada em Genebra, na Suíça, vinculada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Pinheiro nota que “mesmo que todos afirmem que não há solução militar para o conflito, vários atores continuam a atuar como houvesse uma solução militar. Há anos vimos dizendo que todas as partes envolvidas no conflitos não levam em conta os interesses dos sírias e sírios”, acrescenta.

O presidente da Comissão de Investigação assinala que, “dito isto, estamos testemunhando na Síria hoje uma redução relativa nas hostilidades em grande escala e ataques indiscriminados (quer dizer os bombardeios na maior parte do território da Síria não ocorrem mais), com o cessar-fogo de 5 de março em Idlib, no Noroeste da Síria em grande parte sendo mantido”.

Apesar disso, ele adverte que “os sírios não estão mais seguros e continuam a sofrer graves violações dos direitos humanos por parte de todos os atores que controlam o território Apesar de uma redução relativa este ano nas hostilidades em grande escala, os sírios continuam a ser mortos em números inaceitáveis e a sofrer graves privações e graves violações de direitos, de acordo com as últimas revelações da Comissão de Investigação sobre a Síria da ONU”.

O relatório de 25 páginas da Comissão de Investigação, submetido em setembro ao Conselho de Direitos Humanos, salienta Paulo Sergio Pinheiro, documenta “contínuas violações e abusos cometidos por quase todos os atores do conflito que controlam o território na Síria. Também destaca um aumento em padrões de abusos direcionados, como assassinatos, violações sexuais contra mulheres e meninas, e pilhagem ou apropriação de certas propriedades privadas. O sofrimento civil é uma característica constante e pessoal desta crise”.

“Quase uma década após o início do conflito, o desaparecimento forçado e a privação de liberdade continuam a ser instrumentalizado por quase todas as partes para instilar o medo e reprimir a dissidência entre a população civil ou simplesmente como extorsão para ganho financeiro”, conclui Paulo Sergio Pinheiro, um dos mais conhecidos defensores de direitos humanos no Brasil.

Mais de 500 médicos cubanos estão na guerra contra o novo coronavírus no Brasil

O caso de Ayla Zibou não é único. São muitos os profissionais de saúde de origem estrangeira, migrantes, refugiados ou com outros status diplomáticos, que estão nas trincheiras da pandemia no Brasil, se expondo diariamente ao risco de infecção. Caso dos mais de 500 médicos cubanos que foram contratados pelo governo federal em junho, para participar dos esforços contra a Covid-19. Esses profissionais integram o grupo de 1.800 cubanos que resolveram permanecer no Brasil, após o fim do convênio entre os dois governos. O Brasil é o terceiro país em número de casos de Covid-19 (5,5 milhões) e o segundo em óbitos pela doença (159 mil), de acordo com a Universidade Johns Hopkins, com dados de 31 de outubro.

Em 2013, o governo brasileiro, na gestão da presidente Dilma Rousseff, lançou o Programa Mais Médicos, com o objetivo de encaminhar médicos para regiões carentes desses profissionais no país. Foi então firmado um convênio com o governo de Cuba, para o envio de médicos daquele país para atuar nas regiões mais distantes dos centros urbanos e em áreas de vulnerabilidade social das grandes cidades.

O novo presidente da República, Jair Bolsonaro, eleito no final de 2018, desde a sua campanha eleitoral prometeu vetar a presença dos médicos cubanos no Brasil. Ele os considerava membros de “células comunistas”. Foi então extinto o convênio e a maior parte dos médicos cubanos voltou para o seu país. Um grupo, entretanto, resolveu permanecer no Brasil, passando a viver de subempregos. Foram desse grupo os médicos novamente contratados pelo governo federal, em junho de 2020, quando a pandemia começava a se acelerar. O governo manteve o Programa Mais Médicos, mas reformulado.

Antes da decisão do governo Bolsonaro, vários municípios brasileiros resolveram contratar médicos cubanos para combater a Covid-19. Foi o caso de Campinas, que convocou 10 médicos cubanos e outros 16 médicos brasileiros para atuar na cidade, através do Programa Mais Médicos. Os cubanos passaram a atuar nos Centros de Saúde de territórios de alta concentração de famílias de baixa renda, como São Marcos, Itajaí, São Domingos e Parque Oziel.

Berhman Garçon e algumas das cestas básicas distribuídas pela Casa Cultural Haiti Brasil (Foto Acervo Pessoal)

Berhman Garçon e algumas das cestas básicas distribuídas pela Casa Cultural Haiti Brasil (Foto Acervo Pessoal)

Haitianos montam rede de solidariedade

Uma rede de solidariedade, para ajudar os haitianos mas também migrantes e refugiados de outras origens que vivem em Campinas. Esta foi a resposta da Casa Cultural Haiti Brasil aos desafios impostos pela pandemia de Covid-19 na cidade. “É um ajudando o outro”, resume o fundador da Casa Cultural, o jornalista e antropólogo Berhman Garçon.

Como estudante de pós-graduação na Unicamp, Garçon chegou a Campinas em 2010 e foi o primeiro de um fluxo contínuo de haitianos para a cidade desde o terremoto de 12 de janeiro daquele ano. Atualmente são cerca de 500 a 700 haitianos morando em Campinas e municípios vizinhos, como Sumaré e Hortolândia.

Muitos haitianos estão morando na Vila Paula, uma área de ocupação com cerca de 150 famílias em Campinas. A Vila Paula foi atingida por um incêndio no dia 28 de setembro, que destruiu muitas moradias, inclusive de um haitiano.

Criada há sete anos, a Casa Cultural Haiti-Brasil se dedicou à difusão da cultura haitiana e também ao apoio em traduções no caso de busca de empregos e regularização da documentação dos haitianos.

Em grande parte dos casos, os haitianos atuam no comércio e outros serviços muito prejudicados pela pandemia. “Muitos perderam o emprego”, confirma Berhman Garçon. Com a criação da rede de solidariedade, foi possível distribuir cestas básicas e outros produtos para os haitianos e outros estrangeiros, com apoio da Cáritas Arquidiocesana e do Serviço de Referência para Migrantes e Refugiados da Prefeitura Municipal de Campinas.

Aos poucos, com as medidas de flexibilização e com a retomada dos trabalhos de regularização da situação de estrangeiros pela Polícia Federal (que haviam sido suspensos no início da pandemia), tanto a Casa Cultural Haiti Brasil como o Serviço de Referência passaram a retomar algumas atividades.

Logotipo da Casa Cultural Haiti Brasil

Logotipo da Casa Cultural Haiti Brasil

“O Serviço de Referência tem uma demanda constante, é sempre procurado  pelos migrantes e refugiados que vivem em Campinas, para questões de regularização de documentos e apoio na busca de colocação no mercado”, observa Fabio Custódio, gestor da  Diretoria de Direitos Humanos da Prefeitura. Ele confirma que muitos estrangeiros perderam o emprego durante a pandemia e com isso foi necessária a atuação do Serviço na distribuição de cestas básicas, fornecidas pelo Banco de Alimentos da Ceasa Campinas e de outras fontes.

As estimativas são de 17 mil migrantes ou refugiados morando em Campinas e outros municípios da Região Metropolitana. O Serviço de Referência da Prefeitura atende regularmente entre 3 a 4 mil estrangeiros. Com muitas vias de acesso, e com a presença do Aeroporto Internacional de Viracopos, Campinas é de fato uma dos espaços de entrada de migrantes e refugiados no Brasil.

São muitas as ações de solidariedade entre e em benefício de migrantes e refugiados em função da pandemia no Brasil. No Rio de Janeiro, o Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio da Cáritas RJ (PARES Cáritas RJ) lançou campanha de financiamento coletivo para angariar recursos para pessoas refugiadas, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), do curso de idiomas Abraço Cultural, da Sociedade de Beneficência Humboldt, mantenedora do Colégio Cruzeiro, da startup social TOTI e da Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (ADPERJ). A Cáritas RJ também atuou na distribuição de cestas básicas, como ocorreu com a representação em Campinas.

Em Mogi das Cruzes (SP), a organização não-governamental Refúgio Brasil, criada pela empresária de origem palestina e nascida na Jordânia Faysa Daoud, continuou seu trabalho de apoio a refugiados de vários países, como sírios e iraquianos, entre outros. Durante a pandemia, a ong contribuiu com a distribuição de cestas básicas, agasalhos, potes de sopa e outros itens para migrantes e refugiados mas também para moradores de comunidades de alta vulnerabilidade social, como o Jardim Layr. Em todos os lugares, proliferam os relatos de perda de empregos, muitas vezes já precários, em consequência do fechamento do comércio e outras atividades desde o início da pandemia.

Venezuelanos continuam chegando ao Brasil

Depois dos haitianos, os venezuelanos constituem o segundo grupo de migrantes ou refugiados em maior número em Campinas e região. Como aconteceu em outras localidades do país, o fluxo de venezuelanos continuou para a cidade, em plena pandemia de Covid-19.

“Eles continuam chegando, através da fronteira em Roraima ou passando pelo Peru”, confirma Joana Darc Barbosa Marchioni, co-fundadora com o marido Maurício da Missão Vinde, uma organização sediada em Campinas. A ação nasceu em 2019, de uma visita de Maurício, que é pastor evangélico, a Boa Vista, em Roraima, uma das principais portas de entrada dos venezuelanos no Brasil.

Desde essa viagem evoluiu no casal da ideia de criar uma ação de solidariedade aos venezuelanos, contribuindo com sua interiorização e consequente busca de moradia e emprego. Uma empresária cedeu o imóvel e o casal montou um abrigo na região central de Campinas, onde permanecem os venezuelanos enquanto não é viabilizada a sua interiorização. A Missão Vinde contribui com a regularização de documentos e outros serviços.

Dezenas de venezuelanos passaram pela Missão, em plena pandemia. Muitos deles foram direcionados para as regiões Sul e Centro-Oeste. “Vivemos de doações, assim continuamos o nosso trabalho”, diz Joana. Atualmente o abrigo acolhe cinco famílias de venezuelanos. A Missão tem distribuído cestas básicas repassadas pelo Serviço de Referência da Prefeitura Municipal.

Campinas é igualmente o destino de indígenas venezuelanos da etnia warao, que vivem basicamente da coleta de esmolas nas ruas da cidade e do apoio de organizações não-governamentais. Com seus próprios hábitos culturais, os waraos têm atendimento específico por parte das organizações humanitárias que atuam com os migrantes e refugiados venezuelanos, como a Acnur.

Nesse dia 30 de outubro, foi inaugurado por exemplo em Boa Vista o Espaço de Artesanato Warao e E’ñepaa, no Centro de Artesanato da capital de Roraima. Idealizado como fonte alternativa de renda para as mulheres indígenas venezuelanas, o espaço foi estruturado em parceria entre a Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI) e o Sindicato de Artesãos de Roraima, com o apoio da Acnur.

As estimativas são de que 500 mil venezuelanos chegaram ao Brasil, onde permanecem cerca de 250 mil, 46 mil deles já reconhecidos como refugiados pelos órgãos públicos.  Abaixo, vídeo sobre a atuação da Acnur em Roraima contra a Covid-19.

Um memorial para os médicos mortos na pandemia 

Pelo menos cinco médicos nascidos fora do Brasil morreram desde o início da pandemia, de acordo com o Conselho Federal de Medicina, que lançou no dia 26 de outubro um memorial virtual em homenagem aos médicos mortos pela Covid-19.

O memorial é atualizado diariamente. Na data de lançamento, eram 375 médicos falecidos em função da pandemia. Três dias depois o memorial já registrava 387 médicos que morreram em decorrência da infecção pelo SARS-CoV-2. O estado de São Paulo soma o maior número de óbitos de médicos: foram 58 até o dia 29 de outubro.

Entre os médicos mortos com a Covid-19 está o peruano Fredy Callanaupa Huarhua, que atuava em Pernambuco desde 2011. Ele trabalho no Hospital São Marcos, Hospital Regional de Palmares, Hospital João Murilo de Oliveira, Hospital do Tricentenário, em Unidade de Saúde da Família em Jaboatão dos Guararapes, UPAs e outros serviços.

Em Campinas, município paulista onde a médica Ayla ZInou vive e trabalha, a Prefeitura faz um monitoramento dos profissionais de saúde atingidos pela Covid-19. Até o dia 8 de setembro, dos 29.533 casos confirmados da doença no município, 3.183 casos, ou 10,7%, eram de profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, atendentes e agentes. A idade média dos profissionais de saúde com confirmação diagnóstica de infecção por SARS-CoV-2 em Campinas foi de 39,4 anos (mediana de 38 anos) e 73,2% eram mulheres.

Desde o início da pandemia, e até 8 de setembro, dos 11.170 profissionais de saúde no município de Campinas notificados, 3.183 (28,5%) testaram positivo para Covid-19, 5.565 (49,8%) tiveram resultado negativo e 2.422 (21,7%) ainda aguardavam resultado de exame. São números que confirmam o risco a que profissionais de saúde migrantes ou refugiados, e que trabalham na área da saúde, estão expostos, como o caso de Ayla Zinou, de origem síria.

 

 

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