Região Metropolitana de Campinas tem a menor disponibilidade de leitos SUS no estado
Grande parte da população em situação de rua de Campinas fica na região central da cidade (Foto Adriano Rosa)

Região Metropolitana de Campinas tem a menor disponibilidade de leitos SUS no estado

As Regiões Metropolitana de Campinas (RMC) e da Baixada Santista apresentam a menor disponibilidade de leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado de São Paulo, com valores equivalentes aos de países pobres como Tunísia, Trinidad Tobago, Guatemala e Albânia. Os dados estão no conjunto de Informações dos Municípios Paulistas, que acaba de ser publicado, em novo formato, pela Fundação Sistema Estadual Análise de Dados (Seade). Os dados mostram que, em todas as regiões metropolitanas, tem diminuído a disponibilidade de leitos SUS, apesar do aumento da população. A estrutura de saúde pública não tem acompanhado, portanto, o crescimento populacional.

De acordo as informações da Fundação Seade, a maior disponibilidade de leitos de internação, de forma geral, é da Região Metropolitana de Sorocaba, com 2,93 por 1000 habitantes, seguida da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) com 2,11/1000, Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVPLN) com 1,85/1000, RMC com 1,74/1000 e Baixada Santista, com 1,62 leitos de internação por 1000 habitantes.

Em termos de leitos SUS, a Região Metropolitana de Sorocaba também lidera, com 2,2 por 1000 habitantes, seguida da RMVPLN com 1,17, RMSP com 1,14/1000 e RMC e Baixada Santista, ambas com 0,97 leito SUS por 1000 habitantes. A Organização Mundial da Saúde recomenda a média de 3 a 5 leitos por 1000 habitantes. Todas as regiões metropolitanas paulistas estão longe, portanto, desta meta proposta pela OMS.

A Região Metropolitana de Sorocaba, em contrapartida, está em último lugar em proporção de médicos registrados pelo Conselho Regional de Medicina por 1000 habitantes, com 1,92/1000. Lidera o ranking a RMSP, com 3,15/1000, seguida da RMC, com 2,85/1000; Baixada Santista, com 2,24 /1000; e Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, com 2,21/1000.

O Brasil tem uma média de 1,7 médico por 1000 habitantes, segundo a OMS. Muito abaixo de países como Áustria (4,8 por 1000)  e Suíça (4 por 1000). No país é grande a disparidade regional, com média de 2,6/1000 no Sudeste e 1,2/1000 no Nordeste e 1/1000 no Norte, menos do que países como Tunísia, Trinidad Tobago, Guatemala e Albânia. Cuba tem um médico para cada grupo de 160 habitantes.

Por meio do Mais Médicos, o Ministério da Saúde tem implementado várias medidas para aumentar o número de médicos no Brasil. No final de 2014 o Ministério anunciou a abertura de cursos de medicina em 39 municípios  nos próximos anos.

RMC e BID – A Região Metropolitana de Campinas (RMC) está agilizando medidas administrativas e políticas visando garantir o aporte de R$ 221 milhões para a área da saúde. Os recursos serão investidos em sua maioria pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com contrapartida estadual e local. Será o maior investimento em bloco na área da saúde da história da RMC, criada pela  Lei Complementar Estadual nº 870, de 19 de Junho de 2000.

Os investimentos serão feitos majoritariamente em construção de novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), e também em informatização e gestão. Serão construídas 30 UBS e reformadas outras 38. Também serão construídos cinco Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e reformados outros oito.

 

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