quarta-feira , 20 setembro 2017
Relatório oficial revela que crise hídrica já dura cinco anos e que escassez de água é iminente na região de Campinas
Rio Atibaia em janeiro de 2015: disponibilidade de água cai ano a ano na região de Campinas

Relatório oficial revela que crise hídrica já dura cinco anos e que escassez de água é iminente na região de Campinas

Por José Pedro Martins

Um relatório oficial, ainda não publicado, confirma que a região de Campinas e Piracicaba, localizada nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), vive uma crise hídrica há pelo menos cinco anos. O documento é o Relatório de Situação dos Recursos Hídricos das Bacias PCJ 2015 e seus dados comprovam que, se a estiagem de 2014 agravou o cenário, medidas poderiam ter sido intensificadas há mais tempo pelo poder público e outros agentes, para prevenir os riscos ao abastecimento de água na região. Pelas informações contidas no relatório, a situação de escassez hídrica é iminente nas Bacias PCJ, o que pode acontecer em 2016.

A publicação oficial do Relatório de Situação dos Recursos Hídricos 2015 depende de sua aprovação, na próxima reunião ordinária dos Comitês PCJ, dia 4 de dezembro, em Piracicaba. O documento, divulgado anualmente, aborda o cenário dos recursos hídricos em uma região que soma 57 municípios paulistas e quatro de Minas Gerais, onde vivem quase 5,5 milhões de pessoas.

Segundo o relatório, a disponibilidade de água tem declinado ano a ano na região do PCJ, desde 2010 a 2014, indo de 1.069,00 para 1.014,33 metros cúbicos por habitante/ano no período (ver Tabela 1). Mantido esse ritmo, entre 2015 e 2016 as bacias PCJ podem registrar uma disponibilidade inferior a 1.000 metros cúbicos por habitante/ano, o que caracterizaria uma situação de escassez hídrica, pelos critérios das Nações Unidas.

Com isso a região de Campinas teria uma disponibilidade hídrica equivalente à de países secos do mundo árabe, como Líbano, Marrocos e Síria. Nos períodos mais secos do ano, entre junho e agosto, a disponibilidade hídrica nas bacias PCJ já é de cerca de 400 m3/hab/ano, típica de países ainda mais secos, como Omã e Tunísia.

Tabela 1

Disponibilidade hídrica nas bacias PCJ

Ano                           Disponibilidade (m3/hab/ano)

2010                                          1.069,00

2011                                           1.055,00

2012                                           1.041,47

2013                                           1.027,83

2014                                           1.014,33

Fonte: Relatório de Situação dos Recursos Hídricos PCJ 2015

A Tabela 1 mostra como a disponibilidade hídrica nas bacias PCJ caiu acentuadamente a partir de 2012, coincidindo com o período de forte estiagem na Região Sudeste do Brasil. O relatório informa que, de fato, em 2014 houve uma expressiva piora na qualidade dos corpos d´água na região. O documento cita o indicador “Proporção de amostras com Oxigênio Dissolvido acima de 5 mg/l”, revelando que o número de pontos amostrais que não atendem ao parâmetro subiu de 18 em 2013 para 38 em 2014.

Quanto ao parâmetro “Índice de Qualidade das Águas para a Proteção da Vida Aquática (IVA)”, em 2014 foram observados 54% dos pontos amostrais com qualidade ruim ou péssima, indicando piora em relação a 2013 e resultando “do aumento da concentração de contaminantes nos corpos d´água”.

Ou seja, a qualidade da água piorou muito durante a estiagem de 2014, assim como vem sendo registrado há anos o declínio da disponibilidade hídrica na região. Entre as sugestões na área da gestão dos recursos hídricos na região, o Relatório de Situação aponta o incentivo a “discussões e medidas de adaptação a cenários de redução na oferta hídrica” e “impulsionar a confecção de estudos sobre os efeitos de mudanças climáticas na oferta de água”.

 

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