Bailarino voluntário leva à terceira idade a Dança Integrativa que muda a vida dos alunos
Grupo de Dança Integrativa na Unicamp, com o bailarino José Henrique de Souza, que faz trabalho voluntário com a terceira idade (Fotos: Adriana Menezes)

Bailarino voluntário leva à terceira idade a Dança Integrativa que muda a vida dos alunos

Por Adriana Menezes

 

– “Saí da depressão.”

– “Mudou minha cabeça.”

– “Achei maravilhoso.”

– “Ninguém reclama de dor.”

Quando perguntados sobre o que acham das aulas de Dança Integrativa, que acontecem uma vez por semana na tenda do estacionamento do Hospital de Clínicas da Unicamp, os alunos manifestam com expressões simples e diretas o sentimento sobre a atividade – como as já citadas. Ministradas voluntariamente pelo bailarino e coreógrafo José Henrique de Souza, mais conhecido como Henrique Carioca, as aulas fazem parte das atividades do Programa UniversIDADE, criado no início de 2015 pela Unicamp para a terceira idade.

Nesta sexta-feira, dia 4/12, o grupo da Dança Integrativa apresenta a coreografia “Diversidades”, a partir das 9h30 na Casa do Lago (em Barão Geraldo), em evento de encerramento do ano do programa UniversIDADE. Nos últimos ensaios, os alunos manifestaram a gratidão ao professor com uma ‘vaquinha’ em dinheiro que fizeram entre eles. A turma é formada por homens e mulheres acima de 50 anos.

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Terapia e expressividade

Na Dança Integrativa, José Henrique se apropria de elementos da dança de salão, dança contemporânea e dança terapêutica. “Também estimulo que busquem na sua mente uma personagem e trabalho a expressividade”, explica o bailarino. Há também um momento de relaxamento na aula e, algumas vezes, massagem. “Para que haja algum tipo de toque também.”

Antes de oferecer as aulas na Unicamp há seis meses, ele já havia colocado em prática a Dança Integrativa em Monte Mor, no Centro Educação da Vida (CEV). Lá o grupo de alunos é formado 80% por jovens com deficiência intelectual ou de vulnerabilidade social (vítimas de abandono, violência ou outros traumas). “A dança integrativa serve para vários grupos, como esportistas, policiais e outros”, diz o bailarino.

Estudos

Há 18 anos trabalhando com dança inclusiva, José Henrique decidiu estudar a dança terapêutica para entender o que acontece com os neurônios. “Vi que tudo começa por aí.” Ele realizou o mestrado em Pedagogia e também estudou Psicologia Analítica, desde que chegou a Campinas há 20 anos. Antes disso, no Rio de Janeiro, trabalhava com dança de salão desde a década de 80, onde desenvolveu projetos com o famoso bailarino Carlinhos de Jesus.

As aulas na tenda, ele diz, são a prática do seu estudo no mestrado em Pedagogia. Henrique também vai colaborar com o trabalho de dança inclusiva da bailarina Keyla Ferrari Lopes, que tem um projeto no CIS Guanabara e acaba de assumir a presidência em Campinas do Conselho Internacional da Dança da Unesco.

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Os alunos

Odete Franquini, de 72 anos, é aluna de Henrique e conta que estava em depressão tão profunda antes de começar a fazer dança integrativa, que nem se levantava da cama. Aposentada do governo do Estado, ela soube do programa UniversIDADE por um amigo. “Vim e me inscrevi sem muita esperança. Mas na primeira oficina que eu fui, já me apaixonei. Estou aqui e quero morrer aqui. Mudou minha vida, saí da depressão e não sou mais dura pra dançar”, comemora.

A também aposentada da Unicamp Arlene de Lourdes Santana, de 64 anos, queria apenas encontrar uma atividade física para mexer o corpo. “Eu não sabia o que era dança integrativa. Cheguei e me apaixonei, mudou minha cabeça. Aqui você se sente mais jovem”, diz Arlene que ficou viúva há pouco tempo. “Sou artesã e sinto que, se eu parar, eu morro.”

Edson Andrade Rios é um dos monitores do professor Henrique, junto com a bióloga Melissa Oliveira. “A ideia é mostrar a diversidade com a dança integrativa”, diz Edson sobre a coreografia que vão apresentar na Casa do Lago.

Márcia Rodrigues Lucas está aposentada há seis anos do CPqD. “Aqui ninguém reclama de dor, ficamos superflexíveis e fazemos uma boa amizade no grupo”, descreve Márcia, que também começou a dança integrativa sem saber o que era. Aos 64 anos, Márcia fala que o bom desta atividade é que estimula a expressão corporal.

Para Maria José Gomes, de 71 anos, o efeito da dança foi deixá-la mais à vontade. “Minha filha que me inscreveu”, diz a aposentada da Unicamp que gosta de ser chamada de Índia. “Achei maravilhoso. Eu tinha medo de me abaixar e não conseguir mais me levantar, mas agora eu consigo sem medo.”

O programa UniversIDADE é aberto à comunidade de Campinas, para pessoas acima dos 50 anos. O objetivo é preparar o indivíduo para o estágio pré-aposentadoria, aposentadoria e pós-aposentadoria, com atividades de arte e cultura; esporte e lazer, saúde física e mental; e sócio-cultural (ver no link http://www.programa-universidade.unicamp.br/).

CONFRATERNIZAÇÃO 2015

2 comentários

  1. Marcia Lucas

    obrigada pela reportagem Adriana…. ficou perfeita!!!! já repassei para várias pessoas

    abração

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