Com a inspiração de Kafka, Boa Companhia faz última temporada de “Primus” em Campinas
Cena de Primus, em cartaz há 17 anos (Foto Milton Dória/Divulgação)

Com a inspiração de Kafka, Boa Companhia faz última temporada de “Primus” em Campinas

A Boa Companhia apresenta na próxima quinta e sexta feira, dias 3 e 4 de março, às 21 horas no Teatro Municipal Castro Mendes, o premiado espetáculo PRIMUS. Baseado no texto “Comunicado à Uma Academia” de Franz Kafka, o espetáculo se mantém em cartaz há 17 anos, já circulou por importantes palcos nacionais e internacionais e agora realiza sua última temporada. Os ingressos custam 40,00 inteira e 20,00 meia e podem ser adquiridos na Banca Central em Barão Geraldo e na bilheteria do Teatro à partir das 16h. Será a última temporada em Campinas.

PRIMUS foi visto por mais de 30 mil pessoas pelo Brasil e pelo mundo. Nas terras tupiniquins circulou todos os estados das cinco regiões brasileras. No exterior  se apresentou em países como Portugal, Alemanha, Rússia Marrocos e Cuba, e recebeu importantes prêmios em Festivais nacionais e internacionais.

A estreia aconteceu na Estação Cultura em outubro de 1999, onde hoje é a Sala dos Toninhos e na época funcionava a Confraria da Dança, dos dançarinos Diane e Marcelo Delábio Rodrigues. Marcelo lembra com detalhes deste começo: “me lembro como se você hoje da estreia na primavera de outubro, não havia editais, ficamos de quinta pra sexta até 1 da madruga afinando luz, som, a caixa debaixo da arquibancada e sessão fotográfica, tinha que revelar e imprimir as fotos pra daí levar aos jornais, era no século XX ainda”.

Sobre Primus – Baseado no conto “Comunicado para uma Academia”, de Franz Kafka, datado de 1917, o espetáculo conta a história de um macaco que, para garantir seu lugar ao sol, aprendeu a ser homem e tornou-se um pop-star do teatro de variedades. Os atores, ora feras amestradas, ora amestradores, cantam, tocam e sapateiam. Afinal, todos precisamos de um lugar ao sol. Enquanto ainda há sol.

O conto, escrito na primeira pessoa pelo personagem-narrador, em forma de um relato, narra a história de um macaco que após ser caçado e capturado consegue transformar-se em humano e relata a uma academia de ciências como aprendeu a falar e comportar-se como gente. Só que, no caso, comportar-se como um humano significa aprender a cuspir, fumar e se embriagar – comportamento que nosso personagem aprende às custas de queimaduras e chicotadas. Duas alternativas de sobrevivência lhe são oferecidas: o jardim Zoológico ou o show business (teatro de variedades); ele escolhe o show business.

Questões filosóficas relativas à superioridade do ser humano frente à natureza, os limites entre natureza e cultura, a necessidade de submissão e conseqüente perda da liberdade para fazer parte do show da “civilização”, o humano como reino da necessidade e não da liberdade, são alguns dos instigantes questionamentos trazidos pelo conto.

O espetáculo tem direção de Verônica Fabrini e o elenco é composto por Alexandre Caetano,  Eduardo Osorio, Daves Otani e Moacir Ferraz. A produção é assinada por Cassiane Tomilhero e Isabela Razera.

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