Sistema político brasileiro continua marginalizando as mulheres
Em plena crise politica, comissão do Senado aprovou emenda com grave risco para a legislação ambiental (Foto Adriano Rosa)

Sistema político brasileiro continua marginalizando as mulheres

Três mulheres disputaram o primeiro turno das eleições presidenciais e uma delas, a presidente Dilma Rousseff, foi para o segundo turno, mas no geral o pleito de 2014 confirmou como o sistema político continua marginalizando o sexo feminino. Isto ficou claro com a eleição de apenas 120 deputadas estaduais e distritais, contra a atual bancada de 141 cadeiras femininas nas assembleias legislativas, uma queda de quase 15%.

Para a Câmara Federal foram eleitas 51 deputadas, quase 10% do total de 513, e cinco senadoras, entre 27 no total. Com isso continuará a sub-representação feminina no Congresso, confirmando as projeções de um estudo divulgado dias antes das eleições pelo Instituto de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc).

O estudo mostrou que, no geral, eram 25.919 candidatos, dos quais 17.911  homens (69,10%) e somente 8.008 mulheres (30,90%), dado que já mostrava a sub-representação feminina, apesar do crescente número de candidaturas de mulheres. Em 2010 foram 22,4% de candidatas mulheres e 77,6% de candidatos homens.

Quadro estados – Espírito Santo, Paraíba, Mato Grosso e Rio Grande do Sul – não terão representantes femininas na Câmara dos Deputados. Com as seis mulheres que já tinham cadeira no Senado e as cinco eleitas, a bancada feminina será de onze, 13,6% do total de 81. Nenhuma candidata a governo estadual foi eleita e apenas uma disputa o segundo turno, Suely Campos (PP), em Roraima.

A sub-representação feminina no Parlamento Nacional contribui para que o Brasil tenha um péssimo desempenho no Índice de Desigualdade de Gênero, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(PNUD). O Índice integra o relatório anual do PNUD sobre o Desenvolvimento Humano.

Segundo o último relatório, o Brasil está em 85º lugar no Índice de Desigualdade de Gênero. O Brasil tinha na época de elaboração do relatório 9,6% de participação feminina no Congresso. Com as últimas eleições, a proporção subiu para cerca de 12%. Muito abaixo, ainda, dos 39,6% e 29,2% dos dois países com melhor performance no indicador, Noruega e Austrália, respectivamente. A Suécia, oitavo lugar no ranking, tem 44,7% do Parlamento nacional com mulheres.

O Índice é composto por outros indicadores. A taxa de mortalidade materna no Brasil era de 56 por 100.000 nascidos vivos em 2010, contra 7 por 100.000 na Noruega. A população feminina de 25 anos ou mais com pelo menos o ensino secundário era de 50,5% no Brasil em 2010, contra 95.6% na Noruega.

 

 

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