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Campinas mobiliza sociedade, poder público e universidades pela segurança viária
Trânsito intenso no centro de Campinas, em dia de muita chuva e risco para pedestres (Foto Adriano Rosa)

Campinas mobiliza sociedade, poder público e universidades pela segurança viária

Campinas, 6 de agosto de 2026

Por José Pedro Soares Martins

No dia 11 de maio de 2023, por volta de 8 horas, o prefeito de Campinas, Dario Saadi, trafegava pela Avenida Heitor Penteado, em direção a uma vistoria de obra, quando viu, no lado oposto da via, o corpo de uma pessoa estendido no chão. O prefeito, que é médico, desceu do veículo onde estava e prestou o pré-atendimento à vítima de um acidente de trânsito, checando possível hemorragia interna no abdômen, o que foi descartado. Ele examinou também membros superiores e inferiores e verificou sinais vitais.

A vítima era um homem de 27 anos, que estava em uma motocicleta. O acidente aconteceu quando um veículo saía da garagem e um outro carro freou bruscamente e colidiu com a moto. O condutor da moto caiu. A Guarda Municipal foi acionada por pessoas que estavam pelo local, fez o isolamento da área e acionou os serviços de emergência médica.
Prefeito Dário Saadi fazendo pré-atendimento a vítima de trânsito em Campinas (Foto Divulgação)

Prefeito Dário Saadi fazendo pré-atendimento a vítima de trânsito em Campinas (Foto Divulgação)

 O Samu de moto chegou ao local e, logo em seguida o Resgate levou a vítima ao Hospital Renascença. O homem  passou por avaliação médica e não demorou para ser liberado. Durante a ocorrência, o prefeito cumprimentou os servidores que faziam o atendimento no local.
Aquele acidente reforçou no prefeito a necessidade de intensificar as ações pela segurança viária em Campinas. O prefeito havia participado pouco antes  de uma comitiva de Campinas a Buenos Aires para conhecer estratégias na área de mobilidade urbana. A partir do lançamento do seu Plano de Segurança Viária, a capital argentina reduziu em 30% as mortes no trânsito em quatro anos.
Plano de Segurança Viária – Pois justamente em maio de 2023, mês em que o prefeito atendeu à vítima de um acidente de trânsito, começava na cidade a elaboração do Plano de Segurança Viária de Campinas (PSVC). Com apoio da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global (BIGRS) e da organização WRI Brasil, foram implementadas discussões entre várias secretarias municipais, e em particular na Secretaria Municipal de Transportes e na Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), que é a responsável pela segurança viária na cidade.
No dia 28 de setembro de 2023 a proposta do Plano de Segurança Viária de Campinas foi aberta para consulta pública, no site da Emdec. Também foi possível à população apresentar sugestões por escrito, que podiam ser depositadas em urnas disponíveis nos terminais de ônibus dos distritos de Barão Geraldo, Campo Grande e Ouro Verde e também na Padre Anchieta, avenida em frente à Prefeitura.
Depois de amplamente discutido e com sugestões da comunidade incorporadas, o Plano de Segurança Viária de Campinas foi concluído e entrou em vigor em fevereiro de 2024, com um horizonte de dez anos (2023 a 2032). O objetivo central é que, em 2032, a taxa de mortes no trânsito de Campinas seja igual ou menor a 3,38 óbitos por 100 mil habitantes, sendo 1,47 em vias urbanas e 1,91 em rodovias. Isso equivaleria a 903 vidas salvas em dez anos.
O Plano de Segurança Viária de Campinas é naturalmente alinhado com a Segunda Década de Ação para Segurança Global no Trânsito da Organização das Nações Unidas, que tem como meta prevenir ao menos 50% das mortes e lesões no trânsito até 2030.  O PSV campineiro contempla seis eixos: Gestão e Coordenação; Mobilidade e Vias Seguras; Fiscalização; Dados e Evidências; Comunicação e Educação; e Atendimento às Vítimas. Para cada eixo, o plano traz iniciativas baseadas em evidências, estabelece metas, responsabilidades e indicadores para garantir a sua execução.
Lançamento, para consulta e participação popular, do Plano de Segurança Viária de Campinas (Foto Divulgação/Emdec)

Lançamento, para consulta e participação popular, do Plano de Segurança Viária de Campinas (Foto Divulgação/Emdec)

Participação da comunidade –   “Nós estamos construindo um plano para todos, para salvar vidas e para caminhar para uma cultura de que nenhuma morte no trânsito é aceitável”, comenta a coordenadora do PSVC e gerente da área de Educação para Mobilidade da Emdec, Roberta Mantovani. “O Plano de Segurança Viária é um compromisso da cidade de Campinas para salvar vidas no trânsito. Até o momento, estamos no caminho certo. Porém, o Poder Público não faz nada sozinho. Essa etapa dá voz e chama a sociedade para se engajar na missão de construir um trânsito mais seguro para todos”, acrescenta o presidente da Emdec,Vinicius Riverete.
“Não é fácil montar um plano que envolve tantos setores em seis meses. A construção de uma cidade mais humana para todos é uma responsabilidade compartilhada. Sabemos que este plano irá colocar em prática os melhores conceitos para reduzir as mortes no trânsito. Tenho certeza que Campinas vai alcançar essa redução”, salienta a gerente de programas de Bloomberg Philanthropies, Becky Bavinger, que acompanhou toda a elaboração e entrada em vigor do PSVC.
Ao mesmo tempo que elaborou o colocou o Plano de Segurança Viária em prática, Campinas também passou a participar de outras iniciativas, como a Rede Ruas Completas SP, criada para apoiar projetos para reduzir as mortes e lesões no trânsito em 20 cidades paulistas. Ação conjunta de WRI Brasil, Vital Strategies, Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Instituto Cordial e Respeito à Vida (Detran-SP), a rede é parte da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global (BIGRS), que busca salvar 600 mil vidas e prevenir 22 milhões de lesões no trânsito de países em desenvolvimento. O apoio ao estado de São Paulo é parte desse compromisso.
A ampliação das ciclovias em Campinas é uma das metas contidas no PSVC. Os ciclistas acompanharam a elaboração do Plano. “Reconhecemos o valor e o esforço de todos os envolvidos e a importância desta ferramenta, mas sabemos que é um plano de longo prazo. É importante que todos os setores de mobilidade estejam envolvidos e sejam parceiros para que a gente possa chegar ao resultado esperado”, comentou Patrícia Terra, da Associação de Ciclistas de Campinas e Região (Ciclo Ativo).
Observatório e Escola de Mobilidade – Em maio de 2024, como consequência do início de implementação do PSVC, foi instituído o Observatório Municipal de Trânsito (OMT), criado para propor e monitorar a realização de políticas públicas de segurança viária. O OMT é composto por representantes de diversos órgãos e entidades, municipais e estaduais. Inclui secretarias municipais, serviços de emergência, hospitais, forças de segurança, concessionárias de rodovias, entre outros.
Outra ação decorrente da implementação do PSVC foi a instalação de um painel informativo pela Emdec na Praça Luiz Signorelli, no bairro Botafogo. Ele será atualizado mensalmente com a contagem do número de vítimas fatais. O objetivo é despertar a consciência sobre o papel de cada cidadão para a redução dos números.
Também resultante do PSVC, o prefeito Dario Saadi assinou a 8 de julho decreto criando a EPMobi – Escola Pública de Mobilidade Urbana, que vai funcionar com recursos, estrutura e em parceria entre Emdec e Secretaria Municipal de Transportes. O objetivo da EPMobi é promover treinamentos e oficinas educativas para públicos diversos, para engajar a população na construção de uma cultura de paz e na redução das mortes e lesões no trânsito.
A EPMobi também atende à Resolução do Contran 928/2022 e ao Código de Trânsito Brasileiro. A criação da EPMobi é uma das metas previstas no eixo Gestão e Coordenação do Plano de Segurança Viária de Campina.
Serão oferecidos cursos gratuitos presenciais ou virtuais; oficinas educativas; campanhas de segurança viária, que vão integrar ações educativas e de comunicação; formações escolares; projetos de segurança viária e acessibilidade;
estudos e pesquisas voltadas à educação para a mobilidade; biblioteca física e virtual especializada.
Participação das universidades – A Unicamp e a PUC-Campinas, as principais universidades de Campinas, também estão envolvidas na campanha de redução de acidentes e de mortes em sinistros de trânsito na cidade, mas também com ações voltadas para a questão da segurança viária em geral no país. O engenheiro Creso de Franco Peixoto, professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (Fecfau) da Unicamp, por exemplo, analisou a relação entre a geometria rodoviária e a ocorrência de acidentes. A partir desta análise, e como parte de sua tese de doutorado, Peixoto criou um modelo matemático para cálculo de risco de acidentes viários associados aos traçados das rodovias. O modelo inovador foi batizado de arco-íris e contempla a análise de trechos de rodovias serranas, de desenho sinuoso, com o objetivo de estabelecer critérios na hora de determinar o traçado da via e também de tomar medidas para aprimorar a segurança nos percursos já existentes. Um Índice de Risco Viário (IRV) foi igualmente criado pelo engenheiro, no âmbito de seu trabalho de pesquisa, cujos resultados foram divulgados no final de 2024.
No caso da PUC-Campinas, a Universidade tem-se envolvido em várias ações. A Liga Acadêmica de Ortopedia e Medicina Esportiva (LAOME) da PUC, por exemplo,  deflagrou a campanha “Tá demorando por quê?”, visando uma reflexão sobre os acidentes envolvendo os entregadores de Delivery. Um dos focos da campanha é buscar conscientizar os usuários desses aplicativos e colocar em pauta a discussão da segurança viária, considerando que os acidentes com motocicletas explodiram de forma geral no Brasil nos últimos anos. A ideia para a campanha surgiu a partir de dados obtidos em um trabalho realizado no Hospital PUC-Campinas, conduzido pela Dra. Cíntia Bittar e relacionado ao incremento das vítimas em acidentes com motocicletas.
Acidentes com motocicletas em Campinas são grande desafio
De fato, tornou-se preocupante o crescimento do número de acidentes com motocicletas, e consequentemente de vítimas fatais deste tipo de sinistro, em todo o território brasileiro, e o mesmo ocorre em Campinas, como resultado, entre outros fatores, do aumento da frota de motos no país.
O crescimento da frota de motocicletas chegou a 250% na Região Nordeste e a 240% na Região Norte, no período de 2007 a 2019, enquanto a população dessas regiões cresceu cerca de 10% e 15%, respectivamente, segundo dados do IBGE e Abraciclo. O número de mortes de motociclistas em acidentes no país só aumenta, evoluindo de 8.000 em 2007 para 10.000 em 2010, chegando à faixa de 12.000 por ano entre 2012 e 2017, para cair um pouco para 11.000 em 2018, aproximadamente, segundo o DATASUS. Nos últimos anos continua muito alto o número de óbitos por acidentes com motocicletas.
Em Campinas, a frota de motocicletas cresceu de 122.325 em 2015 para 161.703 em 2024. No mesmo período, o número de vítimas fatais em acidentes com motociclistas/garupas aumentou rapidamente, indo de 46 em 2015 (em um total de 151 mortes no trânsito no município) para 71 em 2024 (em um total de 156 mortes).
Apesar de todos os esforços da cidade para aprimorar a segurança viária, o número de mortes em acidentes com motocicletas continua um grande desafio. Embora Campinas tenha reduzido em 50% o número de mortes de motociclistas no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, os motociclistas seguem sendo as principais vítimas do trânsito na cidade.
Das 16 mortes registradas em vias urbanas até junho deste ano, dez foram de motociclistas ou garupas, o que equivale a 63% do total. Em 2025, quase 51% (72) das 142 vidas perdidas em vias urbanas e rodovias eram motociclistas. Em vias urbanas, foram 42 motociclistas mortos.
A Emdec produz regularmente boletins com os dados de acidentes e vítimas no trânsito, visando maior monitoramento e ações preventivas e de fiscalização

A Emdec produz regularmente boletins com os dados de acidentes e vítimas no trânsito, visando maior monitoramento e ações preventivas e de fiscalização

Redução de mortes no trânsito – Com as medidas já decorrentes do Plano de Segurança Viária de Campinas e outras práticas que já vinham sendo adotadas no município, o primeiro semestre de 2026 terminou com um saldo de 16 vidas salvas e queda de 50% nas mortes no trânsito urbano. Entre janeiro e junho deste ano, 16 pessoas perderam a vida no eixo urbano. No mesmo período de 2025, foram 32 óbitos.
Desta forma, Campinas alcança o sexto mês consecutivo de queda em todos os índices de mortes no trânsito monitorados. Os dados são do Boletim Informativo de Óbitos no Trânsito, divulgado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), que considera como vítima fatal aquelas que falecem em até 30 dias após o sinistro (acidente).
A Emdec mantém regularmente o acompanhamento dos acidentes, também com os números de vítimas, de modo a monitorar e aprimorar as medidas tomadas.As rodovias contabilizaram 19 mortes no primeiro semestre, totalizando 35 óbitos no trânsito campineiro em 2026. O número total representa 22 vidas salvas ou 39% menos mortes em vias urbanas e rodovias, em relação ao mesmo período de 2025.
Do mesmo modo, pela 1ª vez desde 2018, o 1º semestre de 2026 terminou com zero mortes de ciclistas e ocupantes de outros veículos. Na comparação entre os primeiros semestres do período de 2018 a 2026, este foi o único sem nenhum registro de óbitos dos dois grupos nas vias urbanas.
“Chegamos ao sexto mês com os índices de mortes no trânsito em queda, como resultado de uma estratégia contínua e integrada que busca zerar as mortes nas vias de Campinas. A partir dos dados monitorados, reforçamos as ações que miram na redução das mortes de motociclistas, intensificando a fiscalização pela recorrência dos comportamentos de risco neste grupo; e pedestres, por meio de campanhas preventivas que reforçam a sua fragilidade no trânsito”, comentou o presidente da Emdec, Vinicius Riverete.
Entre as ações realizadas no primeiro semestre de 2026, visando a redução de acidentes e mortes no trânsito, foram implementadas 124 operações integradas, 4,5 mil condutas de risco identificadas e 13,1 mil testes com bafômetros; instalados 5 novos pontos de videomonitoramento e 1 radar remanejado; 95,2 mil m² de vias sinalizadas, 3,4 mil placas e 182 rampas de acessibilidade; e 166 ações educativas, 19,3 mil pessoas impactadas e 1,5 mil antenas corta-pipa distribuídas, em benefício dos motociclistas que são vulneráveis às “armadilhas” com cerol que, infelizmente, continuam sendo instaladas em alguns pontos da cidade.
Outra medida colocada em prática regularmente pela Emdec é a ferramenta dos mapas de calor, para identificar os pontos de ruas, avenidas e rodovias que cortam o município com maior incidência de acidentes e mortes. Com isso, são realizadas ações preventivas e de fiscalização com maior intensidade nestes pontos, como nas avenidas John Boyd Dunlop (9,3% das mortes no trânsito em perímetro urbano entre 2022 e 2024), Ruy Rodriguez (3,1% dos óbitos), Comendador Aladino Selmi (2,6% dos óbitos) e Avenida das Amoreiras (1,8% dos óbitos no mesmo período). Apenas as quatro avenidas somaram 16,7% dos óbitos em acidentes de trânsito na área urbana entre 2022 e 2024.
Árvore de grande porte derrubada em função da microexplosão atmosférica em Campinas (Foto José Pedro Soares Martins)

Árvore de grande porte derrubada em função da microexplosão atmosférica em Campinas (Foto José Pedro Soares Martins)

Eventos climáticos extremos também impactam o trânsito

Os eventos climáticos extremos, que estão se acentuando no país, também impactam a segurança viária e em Campinas o sinal de alerta foi aceso com uma microexplosão atmosférica ocorrida em 5 de junho de 2016 e que deixou um rastro de destruição na cidade. O fenômeno foi semelhante ao registrado recentemente na região de Guariba e Ribeirão Preto.

Chuvas intensas sempre representam transtornos para o trânsito e grandes riscos para motoristas e cidadãos em geral, com muitas quedas de árvore, cortes de eletricidade que interferem no funcionamento de sinais de trânsito, entre outros impactos.

Uma das consequências especificamente da microexplosão em 5 de junho de 2016 foi uma forte mobilização em toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC), que resultou na aquisição de um radar meteorológico de última geração. O radar adquirido nos Estados Unidos foi instalado no Centro Regional de Meteorologia da RMC,  na Unicamp. “Será um avanço muito grande para o planejamento de situações de desastres e acidentes na RMC. O radar terá um alcance de no mínimo 60 quilômetros a partir da Unicamp. Atualmente, a região depende de informações de radar instalado em Bauru, a cerca de 240 quilômetros”, comenta Sidnei Furtado Fernandes, coordenador regional da Defesa Civil e diretor do órgão em Campinas.

Frente Nacional de Prefeitos – Como consequência das ações realizadas em Campinas, envolvendo poder público e comunidade em geral, pela redução dos acidentes e mortes no trânsito, o prefeito Dário Saadi passou a liderar uma campanha nacional com o mesmo propósito, na Frente Nacional de Prefeitos. Com este objetivo, o prefeito participou, por exemplo, da 125ª Reunião do Fórum Nacional de Secretárias, Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana, no final de maio, no Palácio João Brígido (Paço Municipal), em Fortaleza (CE).

O painel com a participação de Saadi também contou com Dante Rosado, gerente do programa de segurança viária da Vital Strategies, parceira técnica da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, programa internacional que apoia Campinas no fortalecimento e na implantação de políticas para salvar vidas no trânsito. Iniciado em 2021, o acordo de cooperação técnica foi estendido, neste mês, até dezembro de 2030.

Intervenção nas proximidades da CEI Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti, para proteção das crianças, mães e cuidadores (Foto Fernanda Sunega/PMC)

Intervenção nas proximidades da CEI Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti, para proteção das crianças, mães e cuidadores (Foto Fernanda Sunega/PMC)

Um dos focos centrais do conjunto de ações, unindo poder público e comunidade, para a redução de acidentes em Campinas é a proteção das crianças. No Jardim Satélite Íris, por exemplo, um dos bairros de maior concentração populacional em situação de vulnerabilidade social da cidade, a segurança viária de crianças que circulam no entorno do Centro de Educação Infantil (CEI) Nave Mãe Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti foi reforçada com o projeto “Caminhos do Brincar”. A unidade atende 572 crianças e o projeto naturalmente visa também a proteção de mães e cuidadores que circulam pelo CEI.

A iniciativa promoveu intervenções de urbanismo tático no entorno da instituição. A ação envolveu a Empresa Emdec, a Fundação Feac, o Programa Primeira infância Campineira (PIC) e a Prefeitura Municipal, com o desenvolvimento do escritório de arquitetura e urbanismo Ateliê Navio.

O projeto, que prioriza a primeira infância na construção de deslocamentos mais seguros, contemplou com uma fase de diagnóstico no segundo semestre de 2023. No período, as equipes das instituições envolvidas ouviram crianças da escola e seus cuidadores, professores e moradores do entorno. Também avaliaram dados como a contagem de pedestres e veículos que circulam na região.

A Emdec atuou no desenvolvimento de sinalização horizontal e vertical e, para isso, realizou voos com drone, simulações e pesquisas. “Também consideramos as reclamações dos moradores a respeito da velocidade praticada pelos motoristas na região. Então, incluímos o estreitamento da via em zonas de proteção às crianças, induzindo os motoristas à redução de velocidade”, explica Michelle Rosa, coordenadora do Processo de Inovação em Urbanismo e Mobilidade, da Emdec.

Como resultado das análises, foram alterados os limites de velocidade na região, para a criação da chamada “Zona Calma” onde a velocidade permitida era de 50 e 40 quilômetros por hora (km/h), com a implantação do Caminhos do Brincar passou a ser de 30 km/h.

“É preciso criar uma cidade acolhedora para as crianças e fazer articulação entre os diversos setores da sociedade e da Prefeitura para que essas políticas públicas sejam mais eficazes, mais efetivas e que tenham maior impacto na sociedade e dentro do território”, afirma o coordenador do Programa Primeira Infância, Thiago Ferrari.

Ele destaca as ações de proteção às crianças para um trânsito mais seguro nas proximidades da CEI no Jardim Satélite Íris e outras regiões da cidade, em função do Projeto Caminhos do Brincar, promovido e patrocinado pela Fundação FEAC, principal organização de ação social em Campinas. Assim, a cidade prossegue mobilizada, por um trânsito mais seguro, menos acidentes e mortes, e proteção com prioridade para as crianças. Um caminho mais protegido para as gerações futuras.

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