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Exposição ‘Estado de Edição’, de Élcio Miazaki, ocupa a BORA/Unicamp com processos criativos de obras marcadas por recente episódio de censura
Exposição Estado de Edição - foto divulgação

Exposição ‘Estado de Edição’, de Élcio Miazaki, ocupa a BORA/Unicamp com processos criativos de obras marcadas por recente episódio de censura

Mostra faz parte da programação paralela da oitava edição da Feira [SUB] e integra projeto ampliado para outros espaços. A entrada é gratuita e terá conversa com o artista na abertura

A BORA – Biblioteca de Obras Raras ‘Fausto Castilho’, da Unicamp, em parceria com a Feira [SUB] de Arte Impressa e Publicações Independentes, recebe, entre 13 de agosto e 26 de outubro de 2026, a exposição ‘Estado de Edição’, do artista visual Élcio Miazaki. Com entrada gratuita, a mostra reúne estudos, documentos, fotografias, publicações, registros e outros materiais que revelam os processos de criação de grande parte das obras apresentadas pelo artista no Memorial de Direitos Humanos Ocupado (antigo DOPS/MG), para onde foram levadas após o episódio de censura que impediu sua abertura em Ouro Preto (MG), em 2026. A abertura da exposição será no dia 13 de agosto, às 12h. Nesse mesmo dia, o artista recebe o público para uma conversa, às 13h, no auditório da BORA.

A exposição ‘Estado de Edição’ convida o público a percorrer os caminhos que lhes dão origem. Na BORA, biblioteca dedicada à preservação de acervos raros e especiais, o foco recai sobre os processos artísticos: anotações, estudos, documentos, publicações e outros vestígios da pesquisa tornam visíveis as etapas de elaboração, circulação e transformação que constituem o trabalho do artista. “Procuro tratar esse projeto como partes que na verdade se complementam. Interessa-me compreender como imagens, documentos, objetos, publicações e ações podem assumir novos formatos e sentidos aos circularem por diferentes contextos. É desejo do projeto investigar os estados de transformação das obras, elaborando questões relacionadas à censura, à violência, aos processos de edição e às formas de permanência e resistência por meio da arte,” afirma Miazaki.

Exposição Estado de Edição - foto divulgação

Exposição Estado de Edição – foto divulgação

A exposição apresentada na Unicamp integra um projeto expositivo mais amplo, o ‘Corpo de Prova’, concebido por Élcio Miazaki como uma exposição expandida. Diferentemente de uma única mostra itinerante, o projeto se desdobra concomitantemente em diferentes instituições e espaços independentes, cada qual acolhendo um recorte específico da mesma investigação. Juntas, essas ocupações formam um único corpo expositivo distribuído por diferentes territórios, ampliando a circulação da obra e propondo novas formas de relação entre arquivo, memória, espaço e público.

O ‘Corpo de Prova´ é um projeto expandido que articula exposições, ações públicas, encontros e publicações em diferentes espaços, propondo reflexões sobre arte, circulação, presença e as múltiplas formas de atravessamento que incidem sobre a produção artística contemporânea. Como parte desse programa, ‘Arde Outra Vez’ configura-se como uma ação concentrada na cidade de São Paulo, reunindo a exposição coletiva no espaço Fonte, uma sessão de produções audiovisuais de alguns dos artistas participantes seguida de roda de conversa com artistas e público no Canteiro, e uma tarde dedicada ao lançamento e relançamento de títulos de publicações independentes na Banca dos Bichos. Ao conectar exposição, audiovisual, debate e edição independente, o projeto amplia as possibilidades de encontro entre artistas, obras e público, distribuindo-se pela cidade por meio de diferentes linguagens e formas de presença.

Parcerias ampliam diálogos

 A realização de ‘Estado de Edição’ na BORA integra a programação paralela da oitava edição da Feira [SUB] de Arte Impressa e Publicações Independentes, fortalecendo o diálogo entre arte contemporânea, publicações, arquivo e pensamento crítico.

“A parceria da Feira [SUB] com a BORA amplia a circulação do conhecimento, da produção artística e do pensamento crítico. Trazer a público os processos de uma exposição como essa do Élcio que sofreu censura é abrir espaço para o diálogo, preservar a memória e reafirmar o papel da arte como lugar de reflexão. ‘Estado de Edição’ é também uma forma de resistência. Como organizadoras da Feira [SUB], entendemos que nosso papel é, também, ampliar territórios, propiciar encontros, expandir a circulação e o acesso à arte contemporânea da cena independente”, afirma Marcela Pacola.

Exposição Estado de Edição - foto divulgação

Exposição Estado de Edição – foto divulgação

Parcerias ampliam territórios de circulação

 Para Danielle Thiago Ferreira, Coordenadora Técnica da BORA, “A união entre a BORA e a Feira [SUB] é muito importante para a biblioteca e vem se consolidando ao longo dos últimos anos através de diversas ações vinculadas ao compromisso institucional de preservação da memória e o fomento ao pensamento crítico, a partir das ações propostas pelas organizadoras. Ao integrar a programação paralela da Feira [SUB], a BORA conecta seu acervo e o seu espaço dentro da universidade à pulsação da arte contemporânea e das produções independentes, ampliando territórios de circulação e garantindo o acesso público aos debates fundamentais promovidos por esses diálogos”.

A Coordenadora completa que, neste ano, a parceria ganha uma dimensão ainda mais significativa com a exposição ‘Estado de Edição’, do artista Elcio Miazaki, que, ao fazer parte do calendário comemorativo dos 60 anos da Unicamp dialoga diretamente com a história política e cultural do País e da própria universidade. “Conectamos a arte como forma de resistência, ao colocar em pauta episódios de censura e as lutas pela redemocratização, em consonância com a exposição do mês de outubro que lança luz sobre o período de fundação da Unicamp, resgatando os episódios de resistência, das lutas contra a repressão ditatorial e o papel ativo da comunidade universitária no processo de redemocratização da instituição e do país”, pontua.

Élcio Miazaki - fotoarquivo pessoal

Élcio Miazaki – fotoarquivo pessoal

Sobre o artista

Artista visual, Élcio Miazaki (São Paulo, 1974) desenvolve uma produção que articula fotografia, vídeo, instalação, performance e publicações para investigar as relações entre imagem, poder, violência e os legados da ditadura civil-militar brasileira. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, vive e trabalha em São Paulo. Participou de exposições e projetos em instituições brasileiras e internacionais, como Palácio das Artes (Belo Horizonte), Espaço Força e Luz (Porto Alegre), Fotoativa (Belém), Solar (Fortaleza), USP Ribeirão Preto e Experimental Loop (Nova York). Recebeu, entre outros, o Prêmio Branco de Melo (Belém/PA) e participa regularmente de feiras de arte impressa e publicações independentes, entre elas Motim (Brasília), Tijuana e Delícia (Rio de Janeiro), Dobra (Londrina), Feira [SUB] (Campinas), Publica (São Paulo) e Canastra (Belo Horizonte).

Exposição Estado de Edição - foto divulgação

Exposição Estado de Edição – imagem divulgação

Em Campinas

‘Estado de Edição’

Élcio Miazaki

13 de agosto de 2026

12h – Abertura

13h - Conversa com o artista  | Auditório da BORA

Visitação
13 de agosto a 26 de outubro de 2026
Segunda a sexta-feira, das 9h às 17h

Local
BORA – Biblioteca de Obras Raras “Fausto Castilho” – Unicamp
Rua Sérgio Buarque de Holanda, 441 – Cidade Universitária – Campinas/SP

Entrada – gratuita

Classificação - 14 anos

O projeto em expansão

Concomitantemente à exposição ‘Estado de Edição’, na BORA, o projeto se desdobra em outras instituições e espaços independentes, que apresentam diferentes recortes da mesma investigação artística.

Em São Paulo (SP)

‘Arde outra vez’ reúne artistas cujas obras dialogam com experiências de censura, autocensura, impedimento e outras formas de violência que atravessam a criação artística. Produzido em parceria com os espaços Fonte (plataforma independente dedicada ao fomento da arte contemporânea por meio de exposições, residência, ateliês e cursos) e Canteiro (um espaço voltado para o campo de pesquisa e produção em arte contemporânea para fortalecer inciativas autônomas de produção e circulação artística), o ciclo articula uma exposição coletiva e uma sessão de vídeos seguida de debate, propondo reflexões sobre os mecanismos que restringem a liberdade de criação e as estratégias de permanência, transformação e circulação das obras.

‘Arde Outra Vez´

FONTE

Abertura: 1 de agosto de 2026

Visitação: até 15 de agosto (quintas, sextas e sábados das 14h às 19h)

Endereço: Rua Mourato Coelho, 751 – Vila Madalena – São Paulo – SP

Entrada – gratuita

Canteiro

Abertura: 4 de agosto de 2026

19h - Abertura

20h - Sessão de vídeo + Bate-papo com Marcelo Amorim e Élcio Miazaki

Endereço: Rua Purpurina, 434 – Vila Madalena – São Paulo – SP

Entrada – gratuita

Em Ribeirão Preto (SP)

Programado para ocorrer em outubro a partir das experiências ocorridas em Belo Horizonte, São Paulo e Campinas, o projeto estará em dois espaços independentes de Ribeirão Preto: Escada, espaço que se constitui como um ambiente de intercâmbio, discussão, e pensamento crítico e Central Contemporânea, um casarão da década de 1950 ocupado por coletivo de ateliês de artistas visuais, além de sala expositiva e programação permanente de eventos formativos.

Escada (data a confirmar)

Endereço: Rua Campos Salles, 315 – Centro

Central Contemporânea (datas a confirmar)

Endereço: Rua General Osório, 983 – Centro

Sobre a BORA

A Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (BORA), inaugurada em 2020, foi originada da antiga Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras, que por mais de 30 anos esteve sediada no terceiro andar da Biblioteca Central Cesar Lattes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Seu acervo é composto por mais de 100 mil itens de coleções especiais e obras raras, adquiridas por compra ou doação e compostas por livros, folhetos, mapas, revistas, partituras e outros documentos, que datam do século XV ao século XX. São itens de importante valor histórico e, na sua maioria, pertenceram a personalidades de destacada atuação na vida pública. Atualmente, a BORA conta com mais de 20 coleções em diferentes estágios de tratamento e sempre recebe novas intenções de doação para processo de análise.

Sobre a Feira [SUB]

O Projeto Cultural [SUB] é um projeto de fomento, reflexão e articulação do circuito artístico independente da cena contemporânea. O foco principal é discutir, mostrar, criar espaço para a produção independente na área das artes gráficas e visuais, assim como de outras áreas que se cruzam, se encontram ou se relacionam e apresentar esses trabalhos para o público. A proposta é promover um ciclo de ações composto por uma feira de arte impressa e publicações independentes – o pilar do projeto que acontece em meados de setembro – além de exposições, bate-papos, encontros literários, palestras e workshops que acontecem em diversos espaços culturais da cidade e que fazem parte da programação paralela nos meses que antecedem a feira.

 

Sobre ASN

Organização sediada em Campinas (SP) de notícias, interpretação e reflexão sobre temas contemporâneos, com foco na defesa dos direitos de cidadania e valorização da qualidade de vida.