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18 de maio: como reconhecer os sinais de violência infantil
Data marca mobilização de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes no Brasil

18 de maio: como reconhecer os sinais de violência infantil

Especialista dá dicas de como identificar o comportamento diante de violações de direitos e abusos.

O dia 18 de maio é marcado como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data trata de uma realidade que impacta diretamente os Brasileiros. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, o número de registros de abusos em 2022 foi de 73.024 mil, dos quais 51.971 contra menores de 18 anos. Em 61,4% de todos os casos registrados, a vítima tinha menos de 14 anos. Diante de tantos desafios é preciso nos questionarmos sobre como é possível promover a defesa e promoção dos direitos e identificar sinais dos diversos tipos de violência.

Para Thaiana Rosa do Nascimento Freitas, Assistente Social do Marista Escola Social Ir. Justino, é importante alertar sobre os sinais de violência e debater sobre as ferramentas que a sociedade tem para prevenção. “É necessário um trabalho de prevenção, escuta, e diálogo com as crianças, adolescentes e com toda sociedade, na perspectiva de promover uma maior defesa dos direitos.

Segundo a Assistente Social os tipos de violência podem ser categorizados em física, psicológica, sexual e institucional, em que todas as crianças e adolescentes têm seus direitos negligenciados. “Muitos comportamentos estão diretamente ligados à violação da defesa dos direitos, os sinais acontecem dentro de casa e também na escola, que é um ambiente seguro e deve seguir como um espaço de conscientização sobre o tema.

Projetos reforçam a importância do debate: Caminhada na Zona Leste de São Paulo.

A escola, como espaço de escuta e acolhimento, promove reflexões com os alunos sobre a importância e a defesa dos direitos. No Marista Escola Social Ir Justino, que atende crianças e adolescentes gratuitamente na Zona Leste de São Paulo (SP), os alunos e a comunidade são engajados a debaterem sobre o tema. “Nesse sentido devemos oferecer a maior quantidade de informações, para que as famílias e os responsáveis possam fortalecer seus filhos, por meio da escuta e do acolhimento, assim toda comunidade escolar e a rede de apoio estão alinhadas em atividades que ensinem, debatam e promovam a defesa dos direitos”, reforça.

No próximo dia 21 de maio, a unidade realizará a 1º Caminhada contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. A iniciativa vai promover a integração da Escola Social com a rede socioassistencial dos bairros União de Vila Nova e Jd Lapenna, durante todo o trajeto, pontos de parada vão emitir os principais pontos sobre o tema. O evento inicia às 14h. “O objetivo da caminhada é buscar conscientizar e chamar toda a sociedade para um debate importante e necessário nos dias atuais”.

Para a especialista, toda a rede de apoio da criança e do adolescente pode identificar sinais de possíveis violações dos direitos. Confira as dicas:

Mudanças de comportamento 

Desde o rendimento escolar, até o isolamento, ansiedade ou alterações no sono ou na alimentação são fatores que devem ser olhados com cuidado pelos responsáveis e por toda família.

Comportamentos repentinos

Se a criança ou adolescente retorna hábitos e comportamentos que já tinha abandonado anteriormente, pode ser um dos sinais para observação. “Com a pandemia, é importante olhar para as relações sociais. Muito desse cuidado pode estar ligado com a forma como age na frente das telas e computadores, todas as características devem ser observadas em conjunto com outros fatores”, reforça Michele.

O silêncio na rotina

Em casos relacionados aos diversos tipos de violência crianças e adolescentes podem se sentir ameaçados, por isso, o silêncio pode ser uma característica do comportamento.

Sinais físicos

Em caso de violência física, além dos sinais visíveis, podem aparecer também sintomas como dores na cabeça, enjoos e dificuldades digestivas, por exemplo.

Aprendizagem

Baixo rendimento, dificuldade de concentração, pouca participação nas atividades escolares. “Todos esses sinais podem ser observados, e essa rede de apoio pode identificar e oferecer o suporte e também empoderar as crianças e adolescentes para serem cada vez mais defensores dos seus direitos”, reforça.

Serviço: 1º Caminhada contra a exploração sexual de crianças e adolescentes

Local: Rua Catléias, 50 – Jardim Nair, São Paulo

Horário: 14h

Data: 21 de maio

 

Marista Escolas Sociais

Marista Escolas Sociais atende gratuitamente 7700 crianças, adolescentes e jovens por meio de 20 Escolas Sociais, localizadas em cidades de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Os alunos atendidos nas Escolas Sociais têm acesso a uma educação de qualidade e gratuita que vai desde a educação infantil até o ensino médio, além de projetos educacionais e pedagógicos que acontecem no período de contraturno às aulas nas escolas públicas. https://maristaescolassociais.org.br/

Origem da data

A data foi escolhida em memória do caso Araceli, um crime que chocou o país em 1973. Araceli Crespo era uma menina de apenas 8 anos de idade, que sofreu agressão sexual e foi violentamente assassinada em Vitória-ES, no dia 18 de maio.

O Dia Nacional do Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído oficialmente no Brasil através da lei nº 9970/2000. Nesta data, costumam ser realizadas diversas atividades nas escolas e demais espaços sociais como, por exemplo, palestras e oficinas temáticas sobre a prevenção contra a violência sexual.

Sobre ASN

Organização sediada em Campinas (SP) de notícias, interpretação e reflexão sobre temas contemporâneos, com foco na defesa dos direitos de cidadania e valorização da qualidade de vida.