Artistas de Campinas fazem tributo a… grandes artistas de Campinas em mural histórico no SESC
O mural produzido por artistas campineiros sobre grandes nomes da cultura local (Foto Divulgação)

Artistas de Campinas fazem tributo a… grandes artistas de Campinas em mural histórico no SESC

Sinhá Rosária, Rubem Alves, TC Silva e Hilda Hilst. Estes grandes nomes das artes de Campinas, representando a diversidade de matrizes culturais e de ideias na história local, estão recebendo uma grande homenagem em mural realizado por oito importantes caricaturistas e mestres do desenho. Um emocionante tributo, em tempos em que a arte urbana ou de rua está no centro de uma polêmica mundial, provocada pela lamentável política do prefeito de São Paulo, João Doria, contra o grafite. O mural ainda permanece alguns dias na unidade do SESC-Campinas.

O mural é resultado do projeto “Meu Nariz (não) é assim” do SESC-Campinas, implementado em sua programação de janeiro e fevereiro. Com a curadoria dos artistas visuais Fabiano Carriero e Sérgio Campelo, o projeto procurou colocar lado a lado a prática e a teoria de retratos e da caricatura.

Foram várias atividades envolvidas, como a Mostra de Retratos e Caricaturas, com curadoria de Fabiano Carriero (Caricatura) e Sérgio Campelo (Retratos); a ação Meu Retrato, Minha Caricatura, com fabiano Carriero e Paulo Branco fazendo caricatura e retrato ao mesmo tempo: e Retrato e Caricatura de Modelo Vivo, com sessões de demostração de diferentes técnicas com nomes importantes da caricaturas (Bira Dantas, Robinson José e Paulo Branco) e no retrato (Maurício Takiguthi, Ernesto Bonato e Paulo Frade).

Ocorreram também dois bate-papos, com os temas: O Retrato e A Sociedade nas Artes e na Sociedade, com o caricaturista Bira Dantas e o Artista e pesquisador Filipe Masiero. Também aconteceram os cursos Caricatura – Intensificando o Sujeito, com o artista visual e professor Fabiano Carriero, e Introdução ao Desenho e Pintura de Retrato, com o artista e professor Sérgio Campelo. Juntos, os dois artistas ainda ministraram o curso de Retrato e Caricatura para Crianças.

De forma paralela a todas essas atividades foi criado um imenso painel no muro externo do SESC.  Em cada final de semana, a partir de 7 de janeiro,  uma dupla de caricaturista e retratista pintava uma personalidade da cultura campineira, com uma caricatura e um retrato lado a lado. Todos os artistas, com exceção de Junior Lopes, são campineiros. Artistas de Campinas prestando homenagem a ilustres campineiros.

Sinhá Rosária, na caricatura de Paulo Branco

Sinhá Rosária, na caricatura de Paulo Branco

No Primeiro final de semana, dias 7 e 8 de janeiro, os artistas Paulo Branco e Nelson Braga Jr, pintaram a Sinhá Rosária. Aos 82 anos, Rosária Antonia, ou Sinhá Rosária, segue como cantora e compositora e desde a juventude, participando de grupos e associações da cultura afro-brasileira em Campinas. É uma das fundadoras e ativa participante do grupo Urucungos, Puítas e Quijengues, organização social surgida há 28 anos, que se propõe a resgatar, preservar e divulgar manifestações da cultura popular brasileira como cantos, ritmos e danças do samba-de-bumbo campineiro, samba-de-lenço rural paulista, jongo, côco, maracatu, samba de roda, bumba-meu-boi, baião e lundu.

Sinhá Rosária, no retrato de Nelson Braga Júnior

Sinhá Rosária, no retrato de Nelson Braga Júnior

Em 2015, Sinhá Rosária lançou o álbum “Eu Sou Sinhá” de maneira independente, como parte das celebrações pelo seu 80° aniversário. O álbum reúne composições de Sinhá Rosária e alguns temas de domínio público da cultura popular.

Rubem Alves, na caricatura de Renato Stegun

Rubem Alves, na caricatura de Renato Stegun

No segundo final de semana, dias 14 e 15 de janeiro, os artistas Renato Stegun e Gustavo Nenão pintaram o escritor e educador Rubem Alves. Nascido em 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, Rubem Alves teve sua primeira passagem por Campinas na década de 1950, quando iniciou seus estudos em Teologia.

Depois disso, foi pastor presbiteriano e mudou-se para Nova Iork, para o mestrado em Teologia. Retornou ao Brasil em 1964. Denunciado como suberversivo, foi perseguido pelo regime militar. Abandonou a Igreja Presbiteriana e retornou com a família para os Estados Unidos.

Rubem Alves, no retrato de Gustavo Nenão

Rubem Alves, no retrato de Gustavo Nenão

De volta ao Brasil foi professor universitário nas áreas de Filosofia e Educação, retornando em 1973 para Campinas para dar aulas na Unicamp. Tornou-se psicanalista em 1980. Dedicou-se à arte da escrita durante toda a vida, publicando inúmeros livros, com destaque para os gêneros dos contos, crônica e poesia. Colaborou também em diversos jornais e revistas, pricipalmente com crônicas. Membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, o autor recebeu Medalha do Mérito Cultural “Carlos Gomes ” por sua contibuição à cidade. Faleceu em Julho de 2014.

TC Silva, na caricatura de Júnior Lopes

TC Silva, na caricatura de Júnior Lopes

No terceiro final de semana, dias 21 e 22 de janeiro, os artistas Junior Lopes e Sérgio Campelo pintaram o artista e produtor TC Silva. Antônio Carlos Santos Silva, o TC, é coordenador da Casa de Cultura Tainã (taina.org.br), entidade cultural e social fundada em 1989 que trabalha com diferentes aspectos da formação cultural e prática da cidadania, enfatizando a música e a cultura digital. Também é idealizador da rede Mocambos; Rota dos Baobás, formada por comunidades quilombolas, indígenas, urbanas, rurais, associações da sociedade civil, pontos de cultura de todo o Brasil, conectados através das tecnologias da informação e comunicação.

TC Silva, no retrato de Sérgio Campelo

TC Silva, no retrato de Sérgio Campelo

Durante a ditadura militar, TC integrou o grupo Evolução, trupe de artistas operários que viajava o Brasil com espetáculos teatrais e discutia a situação do negro brasileiro na sociedade, contribuindo para a fundação do Movimento Negro Unificado, em 1978. Em 2006, foi condecorado pelo Ministério da Cultura com o prêmio da Ordem do Mérito Cultural.

Hilda Hilst, na caricatura de Fabiano Carriero

Hilda Hilst, na caricatura de Fabiano Carriero

E no quarto e último final de semana de janeiro, dias 27 e 28, os artistas Fabiano Carriero e Sasha Brito pintaram a escritora Hilda Hilst. Ficcionista, cronista, dramaturga e poeta brasileira, Hilda Hilst foi considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século 20.

Hilda Hilst, no retrato de Sasha Brito

Hilda Hilst, no retrato de Sasha Brito

Nascida em São paulo, iniciou sua produção literária em 1950, com o livro de poemas Presságio. Em 1965, se mudou para Campinas e inicia a construção da Casa do Sol onde se dedicou exclusivamente ao trabalho literário, realizando ali mais de  80% de sua obra. Em 1967, estreou na dramaturgia e em 1970, na ficção, com fluxo Floema. Dona de uma linguagem inovadora e abragente, Hilda produziu mais de 40 títulos, entre poesia, teatro e ficção, e escreveu por quase 50 anos, recebendo importantes prêmios literários do Brasil e tendo suas obras publicadas em diversos países do mundo. Faleceu em 2004.

 

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