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Campinas declara guerra à dengue e febre chikungunya com pacote de ações
Secretários municipais de Educação (Julio Moreto), Saúde (Carmino de Souza) e Cultura (Ney Carrasco) no evento que indicou ação intersetorial contra dengue e chikungunya (Fotos Martinho Caires)

Campinas declara guerra à dengue e febre chikungunya com pacote de ações

Uma declaração de guerra de Campinas contra a dengue e a febre chikungunya, doenças que têm o mesmo agente transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Assim pode ser classificado o encontro realizado na manhã desta sexta-feira, 14 de novembro, no Hotel Nacional Inn. O evento reuniu vários secretários municipais e representantes de diversos órgãos públicos, indicando uma ofensiva intersetorial para evitar que aconteça em 2015 o mesmo quadro verificado neste ano, no qual Campinas viveu a maior epidemia de dengue de sua história, com 40.749 casos. Na manhã de hoje ficou claro que a cidade ainda tem áreas de transmissão da dengue, em bairros de baixa e também de alta renda, reforçando os enormes desafios para eliminar os criadouros do mosquito que também transmite a febre chikungunya, preocupação cada vez maior dos responsáveis pela saúde. Um pacote de ações será colocado em prática a partir de segunda-feira, 17 de novembro.

“Toda a cidade precisa estar unida contra a dengue”, pediu o secretário municipal da Saúde, Carmino de Souza, também advertindo para o alto risco de aparecimento de casos da febre chikungunya, que já está presente no Brasil. Até o final de outubro já tinham sido registrados 828 casos da doença no país. Também estavam presentes no evento nesta manhã os secretários municipais de Cultura, Ney Carrasco, de Educação, Julio Moreto, e do Meio Ambiente, do Verde e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes, além de representantes de outros órgãos municipais, como a Defesa Civil, e o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romeo. Presenças que ratificam a ofensiva intersetorial contra a dengue e a febre chikungunya.

Essa articulação intersetorial é fundamental, assinalou o médico epidemiologista Dr.André Ribas Freitas, coordenador técnico do Programa Municipal de Dengue e Febre Chikungunya. “A dengue a febre chikungunyha dependem de condições climáticas e de hábitos de vida da população, e por isso é preciso o envolvimento de todos”, assinalou.

Dr.André Ribas Freitas: toda a cidade precisa estar unida

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O médico observou que as epidemias de dengue começaram a aparecer em Campinas em 1998, com um forte surto na região do Parque São Quirino e, sobretudo, na área da rua Moscou, que na época mantinha um perfil de alta vulnerabilidade social.  Em 2001 aconteceu outro surto, com foco importante na Região Sul do município, em torno dos bairros São Domingos e Campo Belo. Em 2002 outro episódio significativo, também com foco na Região Sul, onde foram registrados 1300 casos somente no São Domingos. Em 2003 houve um surto menor, na área do Jardim Santa Mônica.

Em 2006 houve um prenúncio de epidemia, com casos especialmente na Vila Padre Anchieta. A primeira grande epidemia foi em 2007, com mais de 11 mil casos, registrados em quase toda a cidade. Em 2010 e 2013 também foram registrados surtos, como um prenúncio da grande epidemia de 2014, com 40.749 casos. O Dr.André Ribas Freitas notou que mesmo em regiões rurais ou semi-rurais, como os distritos de Sousas e Joaquim Egídio e o bairro Carlos Gomes, houve alta incidência de dengue. “A situação apenas não foi pior pela ótima atuação do sistema público de saúde”, observou.

Campinas terá articulação intersetorial inédita contra o Aedes

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Para o final de 2014 e 2015, advertiu o médico, existe a preocupação adicional com a febre chikungunya. Ele destacou algumas diferenças entre esta doença e a dengue. Na febre chikungunya, os sintomas de dor são mais forte nas articulações, sendo que a dor “pode ser sentida em até um ano após a manifestação da fase aguda da doença”. Um tempo de incubação menor, um período de viremia maior e mais altas taxas de ataque são características que fazem a progressão da febre chikungunya ser muito rápida, avisou o especialista. Ele citou o caso de uma epidemia ocorrida entre 2005 e 2006 nas Ilhas Reunião, que tem uma população de 766 mil pessoas e chegou a registrar 45 mil casos em apenas uma semana.

Um mito importante a ser quebrado, advertiu o Dr.André Ribas Freitas, se refere à suposta baixa letalidade da febre chikungunya. “Não é verdade, a letalidade é alta, inclusive porque o número de casos pode ser maior e a progressão da doença ser mais rápida”, acentuou.

Para o coordenador técnico do Programa Municipal de Dengue e Febre Chikungunya, um dos maiores desafios para que seja vencida a guerra é “ganhar a batalha da informação”. Daí a importância da melhoria dos canais de comunicação e informação, tema técnico do encontro da manhã de hoje em Campinas, e que contou com a presença, entre outros, do jornalista Vinicius Ferreira, assessor de Imprensa do Instituto Oswaldo Cruz-Fiocruz, do Rio de Janeiro, que justamente apresentou algumas experiências bem sucedidas de comunicação em relação à dengue. O Rio de Janeiro registrou 259 mil casos de dengue em 2008.

Representantes de várias secretarias e outros órgãos municipais participaram do encontro que declarou guerra à dengue e chikungunya

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 ções – A ofensiva intersetorial contra a dengue e chikungunya prevê uma série de atividades a partir de segunda-feira, 17 de novembro. 90 pontos de via pública receberão faixas, outros 180 banners sexão afixados em diversos equipamentos públicos, e panfletos educativos também serão distribuídos.Um Hot Site na página oficial da prefeitura Municipal, voltado para a população e para a imprensa, conterá informações sobre as ações, cronogramas, status das doenças e formas de prevenção. Tendas, maquetes, teatros e tendas de conversa serão atividades para contato direto com a população.

 A Secretaria de Educação irá intensificar as ações contra o Aedes aegypti, com a “Marcha Contra a Dengue”, com a participação de fanfarras de oito Escolas Municipais, de 24 a 29 de novembro.  Fruto da parceria entre Sanasa e Secretaria de Saúde, serão mapeadas, através dos leituristas, residências com possíveis criadouros. No dia 19 de novembro, a empresa fará uma operação “cata-treco” no bairro Vila Esperança, em cooperação com a Administração Regional (AR) 4. A Escola Castinalta de Melo e Albuquerque, no Jardim São Marcos, terá ações de teatro, saúde bucal e uso racional da água, também promovidos pela Sanasa.

“Diariamente, equipes contratadas pela prefeitura percorrem todo o território do município, orientando e sensibilizando a população para um ambiente seguro e sem mosquitos, removendo e inviabilizando criadouros, colocando telas em caixas d’água e fazendo o trabalho de nebulização”, informa a Prefeitura.

Sobre José Pedro Soares Martins

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