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Lisboices: Cuz cuz à portuguesa
(Foto Divulgação)

Lisboices: Cuz cuz à portuguesa

Por Eduardo Gregori

Pegue 4, 5 pessoas e junte tudo em um café. Pode ser em um banco embaixo de uma árvore, ou até mesmo na esquina. Ah, esqueci da janela. Esse texto não é uma crítica é uma bem-humorada história que ouvi aqui em Lisboa. Fui fazer as unhas aqui perto de casa e salão é sempre um ótimo lugar para desopilar, jogar conversa fora, enfim, relaxar.
Conheci a manicure, uma senhora que veio do Brasil há 15 anos e entre uma cutícula e outra, lhe contei que, quando eu entro no café bem embaixo do meu prédio, as pessoas, principalmente as mais velhas, parecem parar de respirar e me olham de cima abaixo, mas ficam caladas. Me sinto pelado no meio daquela gente. Imagino que quando saio, sou tema para muitos tricôs. Um enxoval de casamento completo (kkk).
Outro dia, aliás, em uma tabacaria, bem no centro da Lisboa, enquanto esperava para ser atendido, uma senhora ficou a me olhar. Não sei se tava com vontade de algo mais, ou se tava com medo (kkk). Fiz cara de paisagem. A dona da tabacaria percebeu a cena e riu-se. Virei-me para ela e lhe disse: “No Brasil a gente pergunta se está cagado”. Logo eu, que saio de casa todo cheiroso com meu Armani clássico? Demos muitas risadas.
Mas voltando ao salão, a manicure me diz que o melhor cuz cuz do mundo é o português. Fiquei intrigado com aquela conversa, já que estávamos a falar do tal café aqui no prédio, mas logo ela gargalhando me conta: “cuz cuz aqui é coscuvilheiro, gente que adora tomar conta da vida do outro. Quer saber de tudo. A hora que você chega ou sai, se entra com alguém… enfim, monitoram a sua vida.
Mas ela não diz que é por mal, é um hábito, quase uma instituição portuguesa. Ela lembra que, em uma grande cidade como Lisboa, isso nem existe mais, mas nas cidade menores ainda resiste ao tempo. E como Portugal é cheio de aldeias, muitos moradores que mudaram-se para as cidades maiores, ainda trazem essa espécie de tradição.
A manicure deleita-se ao contar que, na sua cidade, muitas senhoras fazem uma espécie de almofada para não machucarem os cotovelos, já que passam horas e horas debruçadas nas  janelas, monitorando a vizinhança. Me lembrei de um meme em que umas velhotas são comparadas a câmeras de vigilância. É muito engraçado.
O gostoso de morar em Portugal é ir conhecendo seu povo e seus hábitos. Já pedi ao meu marido Paulo para costurar um par de almofadas de cotovelos para a gente ficar na janela. O problema é que moro no 7º andar. Vai ser difícil escutar o que as pessoas estão falando. Mas vamos marcar presença neste Big Brother luso das antigas.

 

Sobre Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista formado pela Pontifícia Católica de Campinas. Nasceu em Belo Horizonte e por 30 anos viveu em Campinas, onde trabalhou na Rede Anhanguera de Comunicação. Atualmente é editor do blog de viagens Eu Por Aí (www.euporai.com.br) e vive em Portugal

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