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Entre a Cruz e o Revólver (parte final)
Alusão a Jesus Cristo na cruz e um presidente eleito, em seu gesto armado característico / Montagem

Entre a Cruz e o Revólver (parte final)

Por Rafa Carvalho

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!” (João, 8:32)

Jesus Cristo, Gandhi, Castelo Branco, Maria Santíssima, Cleópatra, Júlio César, Getúlio Vargas, Madre Teresa, Anhanguera, Lula, Zumbi, Joana D’arc, Maria Bonita, Lampião, Che Guevara, Hitler, Bolsonaro. Todas essas pessoas têm algo em comum: são heróis.

Heroínas. Se alguém vai ser o primeiro a dizer que qualquer um desses foi completamente perfeito, que atire a primeira pedra. Porém, qualquer cristão que grite a esse texto: Jesus! Vai ser ignorado, se não demonstrar um mínimo de coerência. Ou, caso revele: o máximo da hipocrisia.

Eu não me atreveria. Até porque, ele veio em Terra, assim encarnado, pra nos dar o exemplo: da possibilidade humana. E não da situação divina. Também porque, não preciso de sua perfeição para amá-lo. Como não preciso que meu pai e minha mãe sejam perfeitos, para que os ame. Nem eu mesmo preciso ser perfeito, por meu amor próprio. Nem que ninguém seja, pra amar ou não alguém. E se você me questionar, se estou comparando Cristo a qualquer um: sim, estou. Porque entendo que ele tenha recomendado nos amarmos, como ele nos amou. E se dizemos que ele nos amou plenamente, não há nada maior que isso, para o amarmos mais que entre nós mesmos. Ademais, o mesmo João dessa verdade que nos libertará, escreveu isso aqui: “Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”. Tá lá em I João, 4:20.

Mas o que eu quero dizer é: nós não sabemos. Essa é a afirmação menos hipócrita que podemos fazer. Que mais agradaria, de repente, a Deus, a Jesus. Não sabemos quem foram, quem são, as pessoas. Quais são os mecanismos por trás e por dentro de tudo. Não sabemos. E, talvez, não devêssemos falar, nem agir, reagir, como se soubéssemos.

Nós ficamos aqui, à procura de um herói. Ainda hoje, nós ficamos aqui, à espera de um herói. Pensando que democracia é só votar. Pensando que votar é achar bonitinho, simpático. Pensando que tem cabimento participar de um sistema, sem saber como ele é. E ainda sair por aí opinando, querendo briga. Sem saber o que é um Executivo, um Legislativo. E um Judiciário. Pensando que é só votar na beleza, no jingle, no sobrenome, no artista da TV, no atleta, no pastor. No comediante, como se isso fosse uma revolta, um voto de protesto. E que saber o que faz um deputado, um vereador, é absolutamente dispensável. Que se eu voto a cada dois anos direitinho, não preciso acompanhar nada, nem ninguém. Não preciso conviver. Posso gritar gol na Copa tranquilo, sem me atentar ao que vem sendo votado. Posso ganhar o meu e descansar no resto do tempo. Sem me reunir com minha comunidade. Posso seguir dando o meu maldito jeitinho pras coisas, enquanto os votados dão lá, os jeitos deles.

1906, Congo. Soldados belgas lendo a Bíblia antes do enforcamento de uma criança de 7 anos

1906, Congo. Soldados belgas lendo a Bíblia antes do enforcamento de uma criança de 7 anos

Esse tipo de herói, não existe. Tudo que Jesus fez, foi em vão. Se você não fizer nada. Ninguém vai te salvar. Ninguém vai salvar o Brasil. Você vai. Cadê a Lava-Jato acontecendo aí dentro? Cadê as auto-delações? Cadê sua cabeça serena, à noite, ao travesseiro? Você aí, com todo esse livre arbítrio: a quem, você pensa, que engana?

Dignidade, integridade, são atos heróicos. Cada eu caçador de si, como diz a canção. É assim que deve ser. Descorromper por dentro. Cada um dando conta de lavar os próprios pés, pra não precisar de um Cristo se curvando a você por isso. Pra limpar sua sujeira. Sem culpar o outro, pela sua própria sujeira. Isso é o mínimo que se espera de um homem. De uma mulher.

Quantos deputados, que votaram um golpe contra uma mulher presidenta, chamando-a de vaca, fazendo discurso em prol da família, quantos deles, você acha, que respeitam suas esposas? Quantos desses, você não acha, que pagam por programas caríssimos, fora de seus casamentos, com o seu dinheiro, sem que as suas esposas saibam, ou consintam? Quantos deles são contra a maconha, e cheiram cocaína com a sua nota de cem enrolada numa bandejinha de prata? Quantos deles falam só de Deus, mas pagam pra Exu? Quantos deles são contra o homossexualismo, mas adoram, em segredo, dar o cu?

Lembra da criança pretinha de sete anos? Pois então. Um deputado vota pra aumentar o salário dos próprios deputados, mas do trabalhador não. Tira seu décimo terceiro, mas o décimo quarto dele não. O juiz prende quem garante a bolsa da família pobre, mas as bolsas todas que ele ganha além do salário já absurdo, não. O militar entende que a sua aposentaria de civil comum, e os benefícios de um professor, são gastos excessivos de um país. Mas os gastos com a sua aposentaria especial e benefícios militares infinitos, não. O governo pode achar que o Bolsa Família é um exagero, pra ajudar sei lá quantas pessoas de uma casa a se alimentarem por um mês. Ou que o salário mínimo não está baixo. E, vamos supor que sua família tenha cinco pessoas: em Brasília, cinco pessoas podem custar mil reais para o governo, num único café da manhã, de um dia só. Ou seja, o mês da sua família, não vale um café da manhã pra cinco cabeças, no palácio.

Conclusão: cuide de você. Atente à sua hipocrisia. Que o mundo vai seguir girando. Um dia todo mundo morre. Talvez até, todo mundo aqui já tenha morrido um dia. E em algum momento, essas contas todas, vão ter de fechar. Não sei se pela violência. Se pela não-violência. Não sei de nada. Mas imagino, que se há uma força tão forte por trás de tudo isso. Nada disso, que está acontecendo, pode ser à toa. Nem nada passa despercebido. E se não houver força maior, sua responsabilidade – como a minha – só aumenta. Aí, sem a misericórdia, e sem alguém fazendo juízo da maldade dessa gente, que vai detendo o poder, nós precisamos ser muito mais conscientes, e coerentes na práxis das coisas, se quisermos equilibrar o jogo. Tudo isso quer dizer que: não há pra onde corrermos. O jeito é ficar e resistir – reexistir se preciso – íntegras, íntegros, e com toda a consciência e dignidade, de que formos capazes.

A humanidade já foi capaz de muito gesto desumano. Nós, não nos humanizamos ainda. Não é raro ver um gato ou um gorila sendo mais humano que a gente. Muita crueldade aconteceu. E continua acontecendo. Muita subversão. Muita mentira aconteceu. E continua acontecendo. Os mártires são perseguidos. Presos. Mortos.

E tudo, o que precisa acontecer, pra que o mundo seja enfim um lugar mais justo, mais humano e mais harmonioso, entre todas as pessoas, só vai acontecer, quando não mais houver um cabeça, pra decepar de todo o corpo. Quando todos forem, também, parte da cabeça. Como de todo o resto. Quando entendermos que o que está em cima, é como o que está em baixo. E vice-versa. Quando nossa consciência, finalmente, ascender.

Suposta cena do fuzilamento de Frederico Garcia Lorca / Trecho de "Lágrimas de Rabia", clipe de Boikot, banda espanhola (esta imagem não precisa ser encoberta, por ser fictícia)

Suposta cena do fuzilamento de Frederico Garcia Lorca / Trecho de “Lágrimas de Rabia”, clipe de Boikot, banda espanhola (esta imagem não precisa ser encoberta, por ser fictícia)

De um lado, vejo Garcia Lorca, homem branco europeu. Um poeta, dizendo seu último poema, à espreita de seu fuzilamento, por militares franquistas, na guerra civil espanhola. Foi um poema de amor, sobretudo. Talvez irradiando que a maior luta, a maior resistência, seja mesmo amar. Do outro lado, os militares que o fuzilaram. A foto, contudo, é falsa. Trecho de um clipe da Boikot. Uma banda de rock da Espanha. Que aqui serve pra sabermos que, as fake news, hoje em dia como sempre, podem vir de todas as partes. De você, de mim, da direita, e da esquerda. Lembrem: quem é que conta a história? E por quê? De qualquer modo, tudo indica que o poeta tenha sim sido morto pela ditadura conservadora de Franco. Numa calada da noite, sem registro, sem foto e com um corpo tão bem enterrado, que até hoje não se sabe bem onde, nem como. Mistérios que cercam também a vida e a morte de outros poetas, como Neruda, Jara, Dalton, que morreriam sim, acredito, tanto lutando, quanto recitando poemas. Como bruxas, piratas e cristãos de verdade que, na História, às vésperas de suas mortes sentenciadas, mantiveram até às últimas palavras, seus compromissos com a humanidade.

Bom seria, se a outra foto, também fosse fake. De um lado, no Congo, início do século passado, vejo homens brancos europeus. Soldados belgas, militares, servindo ao Rei Leopoldo II, lendo a Bíblia Sagrada, às vésperas do enforcamento de uma criança. Vejam bem: um juízo “civilizado”, “cristão”, sentenciando criancinhas à morte – pra depois dizerem que os comunistas é que as comiam. Do outro lado, uma representante delas, a que Cristo tanto defendeu. Esta tinha sete anos de idade, e era sentenciada à morte, por seu pai não ter produzido trigo suficiente, a seu colono. Até 15 milhões de pessoas podem ter sido assassinadas em África, pelos homens desse rei, e por seus interesses de poder e de grana.

Vejo um poeta branco, homem, europeu, do mesmo lado que o menino negro, africano, nesse caso. Sem equivaler suas histórias, sofrimentos, condições, privilégios ou injustiças. Mas vejo eles do mesmo lado: o do paredão, da forca. Da morte. Que talvez seja, também, antes disso, um lado de fé, sonho, esperança e utopia. E vejo um único outro lado, em oposição isso, com sempre homens, sempre brancos, fardados muitas vezes, sempre a serviço de um projeto de poder e dominação, usando o argumento de uma suposta verdade maior, tantas vezes descaradamente destorcida. Justificando com a dita Palavra de Deus, o assassinato de uma pessoa de sete anos. Ganhando, com a Bíblia debaixo do braço, uma eleição, jurando combater “isso daí”. Acabar com a corrupção. E antes mesmo de assumir, já trazendo grandes e memoráveis corruptos pros mais altos cargos da nação. Entendamos: no fundo, “isso daí”, somos nós. Ou mudamos, ou nada muda.

Percebo Jesus assim, no evangelho, meio como vejo o Paulo Freire. É uma pedagogia da libertação, da autonomia. Porque só assim nós somos mais numerosos, do que as cruzes instituíveis. E só assim, ainda que morto, é possível ser digno. Alguém morreria por muito menos que esse texto, em outros tempos. E talvez hoje, ainda morra.

Não espere por heróis. Eles não existem. Ou são incapazes. Se você não estiver com eles. Junto. Sendo um deles também. No Brasil, nessas eleições, tivemos um segundo turno entre dois heróis, que também eram dois vilões. Bem distintos entre eles, sem dúvidas. Mas ambos são heróis. Para alguns. Vilões, pra outros. E, na minha opinião, nenhuma das partes esteve, ou está, de fato, perto o bastante do povo, das bases, de todos. Por mais que eu tivesse um lado, por mais que percebesse uma discrepância enorme entre dois projetos de governo, entre duas pessoas presidenciáveis e seus respectivos candidatos a vice, ou candidata, num dos casos. Eu não tinha esperança em nenhuma das duas opções. Porque minha esperança, não existe sem a base; sem a gente. A gente faz parte de minha esperança. E sem isso, o máximo que se pode fazer, é morrer, recitando um poema, carregando uma cruz, voltando de um encontro com jovens mulheres negras, ou de tantas outras formas listáveis. Nós ainda estamos alheios demais à nossa própria história.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Foi a primeira coisa que ouvi de um presidente eleito, democraticamente. Para a presidência de um Estado laico. A segunda foi uma oração. De repente, de um oportunista. Que estava ao lado de uma presidenta petista nas últimas eleições, antes dessa. É. Tem sempre aquele que muda de deus conforme o milagre. Agora, o que mais me lamento é olhar tantas caras, de líderes, políticos, religiosos, que se dizem homens de Deus, que se afirmam seguidores do Cristo. Mas que em suas orações, eu só ouço altivez e não piedade. Que seus olhos, olhares e vozes e músculos da face contraídos, contrariados, nunca, nunca mesmo, por nem um segundo que seja, me inspiram Amor. O Amor, que imagino, Jesus inspirava sempre.

E sobre o Comunismo, é engraçado. Comunismo é que nem Deus. Ninguém vê. Ninguém nunca viu. Talvez um ou outro aí, um Moisés da vida, alguma comunidade pequena. Falar todo mundo fala. Mas não se prova. Ninguém prova que o Comunismo já existiu. Nem Socialismo, nem nada. Rússia, China, Cuba, eu não vejo. Venezuela então, vixe. Por mais que existam lampejos, tentativas, diferenças importantes, às vezes. Sempre tem um fariseu no meio. Quem é que conta a história? Eu não digo que sou comunista, porque nessa confusão toda, nem sei o que isso é. Sei que Karl Marx não era marxista. Que Jesus não se parece em nada com a maioria esmagadora dos cristãos que se vê hoje em dia, no mundo. E que assim como podia facilmente se passar por um mendigo, um cigano, arruaceiro. Jesus também seria, facilmente, um comunista. E ainda por cima Filho. De um outro comunista.

Calma! Vou explicar um pouco. Antes que me condenem por dizer que Deus é comunista. Eu sou um poeta. E embora acredite mesmo no silêncio – idioma que mais respeito – eu tenho uma coisa com as palavras. Gosto de pensar a lógica, das semânticas, as tramas todas, da etimologia. E gosto de ler, pesquisar variedades, curioso que só. Não sei, se os conceitos de Comunismo ou Socialismo são mesmo ideais como sistemas políticos. Não sei se um dia foram, não sei se estão hoje, no momento vigente de suas discussões e revisões constantes. Também não sinto que neja necessário falar nada do Capitalismo. Todos esses nomes representam conceitos, histórias e debates muito grandes, cheios de vertentes. Só o que eu sei é: um sistema criado pela raça humana, que não preza pela raça humana, só pode estar errado. Que um sistema criado por seres vivos inteligentes, que não preza pela Vida – nem pela inteligência –, por todos seres vivos, ou pela saúde do mundo que nos é casa, Terra, natureza, não pode estar direito.

Deus nos fez a sua imagem e semelhança, segundo a Bíblia. Instituiu que nos amássemos mutuamente. Uns aos outros. Em igualdade de valor. Umas às outras. Não faz acepção de pessoas – tá lá em Atos. Ou seja, tudo isso aponta para o Amor. Tudo isso aponta para o nosso bem comum. Comum. Vivermos: como um. Um só corpo, com cabeça com tudo. Onde ao mesmo tempo, cada um é um. Diversidade da Unidade. Unidade na Diversidade. Tá lá em I Coríntios. Quer sentido mais bonito pra palavra “comunismo” que isso?

Pois é. E agora, João? Qual será essa verdade, que nos liberta. Que nos libertará?

Voltando ao início, pra terminar, porque tudo aqui é cíclico: é fácil entender por que, apesar da geografia, a civilização judaico cristã ficou ocidental. Se sedimentou aqui. Em tudo, há tudo. E isso e nada, é a mesma coisa. São coisas difíceis pra nós, ocidentais ou orientais ocidentalizados – praticamente uns robozinhos cartesianos –, essas que vem de lá. Do Zen. E do Tao. Dentre outras origens. Parecendo completamente sem sentido. Mas é isso o que se exprime no símbolo do Yin Yang, também conhecido como símbolo do capeta, para alguns hipócritas imbecis. E também para muitas ovelhinhas coitadas, que ingenuamente, compram essas falácias. A bolinha branca no preto. E a bolinha preta no branco. São a anulação de Descartes. A instituição do paradoxo, como paradigma e possibilidade humana. O que há em cima é como o que está embaixo e o que há em baixo, é como está em cima. Também essa seria uma definição de Comunismo.

Mas apesar disso, há quase sempre uma tendência. É isso que nos faz chamar a Yin de Feminino, por exemplo. E o Yang, Masculino. Todo homem e toda mulher tem Yin e Yang fluindo, constante. Tudo dinâmico, mutável, variante. Mas, independente de qualquer questão relacionada à orientação sexual, talvez haja um tendência às mulheres, de predominar em Yin. E dos homens, de predominar em Yang. Talvez tenha algo que ver com os hormônios. Mas, naturalmente, são só tendências. E tudo é pleno de exceções, nesse mundo. A vida é um mistério. Contudo, nesse mesmo sentido, dá pra arriscar que o Oriente da Terra, talvez, represente mais Yin. Enquanto que o Ocidente, Yang.

Isso é fácil perceber pelo ditado: pedra que não rola cria limo. Nos Estados Unidos, isso é péssimo. Mau presságio. Ou seja: uma perspectiva Yang. Enquanto no Japão, esse ditado expressa uma virtude, coisa linda e sábia. Perspectiva Yin. Sim, tem Coréia do Norte no Oriente. Tem China, escravidão, ditadura, Capitalismo selvagem, desrespeito aos diretos humanos e ao planeta todo. Tem tudo isso. Mas todos os impérios que se levantaram no Oriente, com suas overdoses de Yang em opressão e violência, foram caindo diante de outros, de outra parte do globo. E temos até hoje, séculos e séculos já, de uma dominação Masculina, machista e patriarcal, oriunda de um Ocidente de hemisfério norte, sobretudo, regendo toda a cadeia de disputa, autoridade e repressão, em todo o mundo.

A sociedade judaico cristã se deu com essa abordagem, do ocidental. Com o velho mundo, que nem era, de fato, o velho mundo. Com o centrismo europeu, que acabou colonialmente se espalhando por tudo. Dinheiro e poder falaram muito alto a essa cultura. Aqui, no Ocidente. E em todo Yang do mundo. Como falam a tantas outras culturas, inclusive de tradições milenares, ancestrais. Com o machismo, o patriarcado, o Capitalismo. Causando todo esse desequilíbrio.

E, por alguma razão, depois de nascer um menininho, no Oriente, com uma estrela do Oriente e magos do Oriente abençoando. Depois de, talvez, seu discípulo mais feminino – e com isso quero dizer: Yin –, ser o único sobrevivente dentre tantos. Renascer do exílio. Escrever o livro que o Cristianismo acredita tratar de todas as resoluções da vida humana na Terra. E morrer de velhice, exclusivamente. Depois de tudo isso. Talvez nos fique uma dica. Uma diquinha.

De olharmos mais pra tudo isso. Nos “orientarmos” mais. Todos precisamos de mais Yin. Reequilibrar isso. Rolarmos menos. Nos enrolarmos menos. Metermos menos os pés pelas mãos. Sermos mais mulher. E se você não entender o que essa frase significa, esse texto não serviu pra nada, sinto muito – daqui uns giros do mundo, a gente tenta de novo; vai viver! Enfim. De sermos mais amados. De sermos como João. A ponto de sermos confundidos: com Maria Madalena.

E a quem recusa a inteligência: mãos às pedras. Agora, quem quiser refutar toda e qualquer hipocrisia, que atire sim. O primeiro beijo.

Zen ou Tao, a vida continua. Fiquem com Deus.

Sobre Rafa Carvalho

Rafa Carvalho é poeta apesar de tudo. Em 15 anos de carreira, são 21 países, por quase todos continentes, trabalhando com Arte, Educação e fazendo de tudo, porque tudo é o que a Poesia pode ser. E, para quem acha que Poesia não é profissão, ele já trabalhou de garçom em inúmeros estabelecimentos, na demolição civil escandinava como imigrante parcialmente legal e, atualmente, está desempregado.

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