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LISBOICES: Para aquecer o inverno
Claro, vinho sempre é bom!

LISBOICES: Para aquecer o inverno

Por Eduardo Gregori

O inverno pegou Portugal de jeito. Lisboa tem vivido dias congelantes e na última noite foram 4 graus. Eu já viajei o mundo todo, inclusive no inverno, mas viver é diferente. Ainda mais aqui, que na verdade não é tão frio, mas impulsionada pela altíssima umidade que molha as calçadas, a temperatura parece estar abaixo de zero.
Além de uma boa roupa de inverno, o que ajuda a aquecer nestas noites frias além mar são algumas bebidinhas deliciosas. Os bares do Bairro Alto, principalmente, são especialistas em shots. No inverno tudo parece mudar na função das pessoas que vivem e visitam Lisboa.
Se no verão as ruas ficam cheias e os jantares normalmente são servidos a céu aberto, nas mesas do lado de fora dos restaurantes, no inverno, quanto menor o bar, melhor. A sensação de estar junto, sob o mesmo aquecedor dá uma sensação de conforto. Ainda mais para quem sai com o propósito de conhecer alguém.
E um bate-papo de boteco não é nada sem um bom drinque. Talvez, o mais famoso nesta época do ano seja a ginjinha, um licor de ginja, que é uma fruta bem parecida com a cereja. Não recomendo mais que dois copinhos, uma porque é muito doce e doce demasiado enjoa e altera o paladar. Outra, é que a ginjinha até parece inofensiva, mas quando sobe de verdade, você estará condenado a se segurar nas paredes para não cair pelas ruas estreitas e íngremes do Bairro Alto.
Outra tentação é o melzinho, uma mistura de mel com água-ardente saborizada por um pau de canela. Igualmente doce, mas que aquece e sobe como um foguete. Por isso, não passe da conta!
O famoso Licor de Merda, fruto da fusão e fermentação do leite com amêndoas, ajuda a esquentar e é uma ótima opção para passar uma noite inteira divagando sobre  o nome escatológico que leva. Há quem goste de colocar um bocadinho de canela e para quem vem da América do Sul, faz lembrar um pouco da Amarula.
Para quem anda com a moral baixa, pode tomar o Licor de Viagra. Nada a ver com o tal licor chinês que levava uma certa quantidade da medicação e que foi confiscado por autoridades sanitárias. Aqui em Portugal é mesmo uma brincadeira com o tema. Trata-se de Curacao Blue (que dá a cor do Viagra) com uma pitada de água-ardente ou conhaque. O mais gostoso é que é servido em um copo de chocolate. Ë pra beber e depois lamber com os beiços.
Licor de ginja: todo cuidado é pouco!

Licor de ginja: todo cuidado é pouco!

Para quem pensa em tradições portuguesas, pode tomar um a dois cálices pequenos do vinho do Porto. A bebida é uma verdadeira instituição. Habitualmente, o vinho do Porto é para fazer a digestão após o almoço ou jantar, mas na noite fria também cai bem para dar aquela esquentadinha.
E por falar em vinho e se você não gosta de sabores adocicados, Portugal tem um sem fim de rótulos. Para começar os trabalhos, os da região de Setúbal caem super bem, pois têm sabor mais agradável e com teor alcoólico moderado. No caminhar da noite, tem os do Alentejo, igualmente deliciosos, mais encorpados e mais fortes. A noite pode terminar com os da região do Rio Douro, no norte de Portugal. São mais difíceis de se apreciar, principalmente por quem não tem o costume de beber. Na minha opinião são os melhores, principalmente os reserva, bem mais poderosos, superencorpados, mais alcoólicos e de sabor muito marcante.

Sobre Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista formado pela Pontifícia Católica de Campinas. Nasceu em Belo Horizonte e por 30 anos viveu em Campinas, onde trabalhou na Rede Anhanguera de Comunicação. Atualmente é editor do blog de viagens Eu Por Aí (www.euporai.com.br) e vive em Portugal

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