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Campinas procura estruturar política de acolhimento a migrantes e refugiados (DDHH Já – Dia 14, Art.14)
Lançamento da Cátedra “Sergio Vieira de Mello” e do Pacto Universitário (Foto Martinho Caires)

Campinas procura estruturar política de acolhimento a migrantes e refugiados (DDHH Já – Dia 14, Art.14)

Por José Pedro Soares Martins

A guerra civil que resultou em mais de 5 milhões de refugiados sírios tem sido acompanhada pelo mundo todo e em Campinas, no interior de São Paulo, o drama se materializa nos casos de famílias que chegaram à cidade. Como a família Zinou, que chegou ao Brasil em abril de 2014. Após as dificuldades esperadas de adaptação e o enfrentamento dos trâmites burocráticos, a família se instalou em Campinas e ficou conhecida por abrir um restaurante, com a saborosa comida síria.

O restaurante foi batizado de Castelo, como uma homenagem ao Castelo de Aleppo, que seria um dos mais antigos do mundo. Aleppo é a cidade de origem da família Zinou. “Houve dificuldades no início, mas a cidade tem sido generosa conosco”, diz a médica  Ayla Zinou, filha do casal M.Suhib e Chaza.

Estima-se em 1600 o número de imigrantes ou refugiados que chegaram a Campinas no fluxo pós-2010. O maior grupo, de 1200 imigrantes, é o de latinoamericanos e caribenhos, incluindo o mais numeroso, de 900 haitianos. Mas também há bolivianos, peruanos, colombianos, venezuelanos e cubanos, muitos deles atuando na cidade e região como integrantes do Programa Mais Médicos (muitos já voltaram a Cuba, após a polêmica recente com o governo brasileiro).

A cidade de Campinas vem procurando criar uma política de acolhimento aos migrantes dos fluxos recentes. O mais importante serviço público estruturado para atender a essa nova onda migratória em Campinas é o Serviço de Referência ao Imigrante, Refugiado e Apátrida. Como destaca o diretor de Cidadania da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa Com Deficiência e Cidadania, Fabio Custódio, o Serviço de Referência trabalha em cinco eixos, para proporcionar amplo atendimento aos novos imigrantes e refugiados: Interculturalidade, Regularização de Documentação, Atenção Básica, Processos Formativos e Trabalho e Geração de Renda.

O esforço de Campinas é reconhecido pela representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Brasil, Isabel Marquez. “Campinas é uma cidade que procura acolher muito bem os refugiados e imigrantes”, disse a representante do ACNUR no Brasil. “A Cátedra na Unicamp e o apoio da Prefeitura são exemplos disso”, completou Isabel, no momento de lançamento oficial em Campinas, no final de 2018, da Cátedra “Sérgio Vieira de Mello” e do Pacto Universitário para a Promoção do Respeito à Diversidade, a Cultura de Paz e os Direitos Humanos.

(14º artigo da série DDHH Já, sobre os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos no cenário brasileiro. No 14º dia do mês de janeiro de 2019, o artigo corresponde ao Artigo 14:  Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. Esse direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.)

 

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