O Brasil não terá em 2021 toda a alegria de sua maior festa popular, em função do confinamento e as outras medidas decorrentes da pandemia de Covid-19, mas a energia e resistência características do Carnaval continuarão aquecendo corações e mentes em diferentes formatos. Em Campinas, por exemplo, os blocos de rua que revitalizaram o Carnaval nos últimos anos participarão de rodas de conversa virtuais transmitidas pelo Canal CulturAr (www.youtube.com/c/CulturAr) e promovidas pela Casa Hacker e Casa de Cultura Itajaí, enquanto uma exposição na Casa de Vidro documentará a trajetória carnavalesca na cidade.
As rodas de conversa pelo Carnaval CulturAr no Youtube serão animadas por vídeos, entrevistas e roda de samba sobre a temática da cultura popular/carnaval e os blocos de rua. Os blocos de rua, que resgataram a essência do Carnaval campineiro, assim como ocorreu em outros pontos do país, estarão presentes nos eventos virtuais desde este sábado, dia 13 de fevereiro, até a terça, dia 16.
Neste sábado, dia 13, às 17h30, o Carnaval no CulturAr começa com o Bloco da Galinhada. Desde 2010, o Bloco da Galinhada anima o Carnaval de rua do distrito de Joaquim Egídio. Mesmo sob fortes chuvas, como às vezes acontece no período carnavalesco, os foliões do bloco saem à rua devidamente fantasiados, em tributo à simpática ave.
No domingo, dia 14, às 19 horas, será a vez da apresentação da União Altaneira, com participação da Bateria Alcalina e Maré Altaneira. Na segunda-feira, dia 15, às 16 horas, o historiador Américo Vilella participa da roda de conversa sobre as atividades carnavalescas em Campinas. Logo em seguida, às 18 horas, se apresentam o Bloco Cupinzeiro e o Núcleo de Samba Cupinzeiro, com participação de Anabela Leandro e Edu de Maria.
Na terça-feira de Carnaval, às 17 horas, estará se apresentando o Bloco do Paredão. Também está prevista a participação do bloco Berra Vaca, inicialmente na terça-feira às 20 horas, e de outros blocos e artistas ainda dependendo de confirmação.
A produção da série de rodas de conversa é da agente cultural e fotógrafa Fabiana Ribeiro, que desde 2013 faz a documentação do Carnaval dos blocos de Campinas. “Achamos muito importante manter de alguma forma essa manifestação culturalmente tão rica que é o Carnaval de rua, que contempla questões de ancestralidade e outras, fundamentais para a identidade popular”, comenta Fabiana, em entrevista para a Agência Social de Notícias.
Ela nota que uma intenção, na montagem da programação, foi que os blocos se apresentassem no CulturAr mais ou menos nos mesmos dia e horário em que geralmente vão para as ruas durante o Carnaval. Outro aspecto fundamental na estruturação da programação, diz Fabiana, é a participação ativa dos blocos. “Não é uma programação imposta, mas construída coletivamente. Cada bloco propôs o material que gostaria de mostrar ou a forma de se apresentar, dentro dos limites de tempo do canal”, diz ela.
Fabiana Ribeiro salienta que a roda de conversa com a participação do historiador Américo Vilella, na segunda-feira, fará uma discussão sobre o processo de institucionalização do Carnaval. “Carnaval é o povo na rua, é o poder nas mãos do povo. E o que acontece quando ocorre a institucionalização, com os limites impostos pelo Estado ou com a transformação do Carnaval em uma máquina econômica?”, indaga-se a fotógrafa e agente cultural, que destaca a participação da Casa Hacker, Casa de Cultura Itajaí e canal CulturAr na viabilização das rodas de conversa, mantendo vivo o espírito de resistência e alegria do Carnaval de rua de Campinas.

Uma das fotos históricas do Carnaval de Campinas em exposição na Casa de Vidro a partir do dia 15, quarta-feira
Exposição na Casa de Vidro documenta a história do Carnaval em Campinas
A exposição “Do Samba ao Carnaval – A influência rítmica afrodescendente” entra em cartaz na quarta-feira, dia 17 de fevereiro, às 9 horas, na Casa de Vidro no Lago do Café, que fica ao lado do Parque Portugal (Lagoa do Taquaral), em Campinas. A entrada é franca.
A mostra conta com 50 painéis nas medidas 60 x 40 cm, fazendo um recorte do carnaval na cidade; os desfiles das escolas de samba do município e os blocos históricos que influenciaram os diversos blocos atuais. A exposição pode ser visitada até 20 de março, está aberta ao público às quartas, quintas e sextas-feiras, das 9h às 13h.
A exposição também traz fotos da história da Banda do Boi, do Leão da Várzea, de escolas de samba da cidade e do Samba de Bumbo, além de blocos como o Nem Sangue Nem Areia, Nação Maracatu / Urucungos, Puitas e Quinjegues, e os atuais Berra Vaca, Unidos do Candinho, União Altaneira, Cupinzeiro entre outros.
Essa exposição foi realizada pela primeira vez em 2011, foi resultado de uma parceria entre a Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Cepir) da Secretaria Municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, Coordenadoria de Extensão Cultural da Secretaria de Cultura e do Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Em 2019, o material foi “resgatado” e atualizado com um novo acervo com imagens contemporâneas. A mostra conta com os acervos fotográficos do Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS), de Aluízio Jeremias, área de fotografia da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Campinas e da fotógrafa Fabiana Ribeiro que, desde 2013, se dedica ao registro dos blocos na cidade. Na versão para a Casa de Vidro, o acervo de objetos do Museu da Cidade se somam à mostra: são instrumentos dos Blocos do início do século 20, uma recente doação do Bloco Nem Sangue, Nem Areia e uma das fantasias luxuosas de Carlito Maia, ícone histórico do Carnaval campineiro.