Campinas recebe restauro da fachada e torre da Catedral como símbolo da revitalização do centro
Fachada da Catedral, com amarelo-ocre original, ainda com os tapumes na manhã deste dia 3 de julho (Fotos José Pedro Martins)

Campinas recebe restauro da fachada e torre da Catedral como símbolo da revitalização do centro

Campinas recebeu oficialmente na manhã desta sexta-feira, 3 de julho, o restauro da fachada e torre da Catedral Metropolitana, como fruto de uma ação envolvendo vários setores da comunidade. Com base em um projeto conduzido pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), o restauro de componentes importantes de um dos mais relevantes patrimônios históricos locais representa um símbolo dos esforços pela revitalização da região central da cidade. O centro está entrando em uma nova fase, em função de iniciativas como a requalificação da avenida Francisco Glicério, o restauro de outros edifícios, como a Basílica do Carmo e a Escola Estadual Carlos Gomes, e a ocupação com uma agenda cultural intensa da Estação Cultura e do Museu da Imagem e do Som.

O projeto de restauro da Catedral Metropolitana de Campinas é assinado pela ACIC, como proponente junto ao Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. Através dessa Lei de Incentivo Fiscal, um grupo de empresas – Bancos Itaú e Bradesco, mais Ticket, Alelo, Sodexo e FMC – decidiu investir no projeto. A Arquidiocese de Campinas recebeu em 2012 a autorização do Minc para captação de R$ 7,1 milhões para o restauro da Catedral. Até o momento foram captados R$ 2,8 milhões, aplicados no restauro da torre e fachada. O restauro dos demais componentes do prédio histórico depende de novas captações.

Na cerimônia de entrega oficial dessa etapa de restauração, a presidente da ACIC, Adriana Flosi, defendeu a urgência de um programa de manutenção do patrimônio histórico de Campinas. Ela lembrou que a ACIC tem se preocupado de forma permanente com a preservação do patrimônio histórico e artístico local, tendo já atuado nesse sentido em edifícios como o Palácio dos Azulejos, onde está o MIS-Campinas, e a antiga sede da Companhia Mogiana.

Adriana Flosi também destacou o papel importante do ex-deputado federal e ex-presidente da ACIC, Guilherme Campos, no projeto de restauração da Catedral Metropolitana. Campos agradeceu as empresas que têm investido no projeto, por meio da Lei Rouanet, e lembrou de sua infância na Catedral, em missas ao lado da família.

Também estavam presentes no evento o vice-prefeito em exercício, Henrique Magalhães Teixeira, o pároco da Catedral, cônego Álvaro Augusto Ambiel, e o arquiteto responsável pelo restauro, Ricardo Leite. O arquiteto destacou a recuperação da cor original da Catedral, o amarelo-ocre, como um dos pontos altos do processo de restauro. “Foi após uma série de prospecções e estudos que chegamos ao amarelo-ocre”, explicou. O restauro também abrangeu as icônicas imagens dos anjos, dos evangelistas, de aves e de São Pedro e São Paulo. O projeto de restauro foi formulado e apresentado ao Ministério da Cultura por meio da empresa especializada Direção Cultura.

Cerimônia na ACIC, marcando entrega oficial da fachada e torre restauradas da Catedral

Cerimônia na ACIC, marcando entrega oficial da fachada e torre restauradas da Catedral

Centro em processo de revitalização –  Outros componentes do patrimônio histórico de Campinas estão em processo de recuperação e restauro, como parte do processo de revitalização da região central da cidade. É o caso da Basílica do Carmo, que está restaurando a sua fachada neogótica, por meio de projeto com a assinatura do arquiteto Marcos Tognon. Como parte do restauro, estão a recuperação da rosácea no alto da porta principal e a reprodução de suas estátuas que foram roubadas, uma delas de autoria de Lélio Coluccini – a peça era uma reprodução, em relevo, da antiga igreja matriz. Tanto a Catedral Metropolitana como a Basílica do Carmo são tombadas pelo Condepacc.

A restauração do prédio da Escola Estadual “Carlos Gomes”, antiga Escola Normal, já está praticamente concluída. O edifício foi inaugurado em 1924, para abrigar a Escola Normal, fundada em 14 de dezembro de 1902. Com projeto do arquiteto César Marchisio, considerado um discípulo de Ramos de Azevedo, o edifício tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), do Estado, conta com vitrais e pinturas do artista ítalo-brasileiro Carlo De Servi.

Outros espaços históricos da região central, o Palácio dos Azulejos e o complexo ferroviário, estão mantendo uma intensa e rica agenda de eventos artísticos, por abrigarem, respectivamente, o Museu da Imagem do Som (MIS) e Estação Cultura.

A mais ousada iniciativa de revitalização do centro em curso é o projeto de remodelação da avenida Francisco Glicério. A principal via pública de Campinas está tendo a fiação aterrada, receberá moderno projeto de ajardinamento, novos modelos  de quiosques e estações de ônibus urbanos, entre outras melhorias. A expectativa é a de que o projeto seja concluído no início de 2016.

A retomada do centro será completa com uma agenda cultural e de serviços ainda mais intensa, com a reocupação permanente pela população e o restauro de outros espaços e prédios históricos, como o Mercado Municipal, que acaba de completar 107 anos. A cidadania no centro. (Por José Pedro Martins)

Virada Cultural na Estação Cultura, um dos espaços com agenda intensa na região central (Foto Martinho Caires)

Virada Cultural na Estação Cultura, um dos espaços com agenda intensa na região central (Foto Martinho Caires)

DOIS GÊNIOS NA CATEDRAL DE CAMPINAS

A Matriz Nova da Conceição começou a ser construída em 1807 e terminou 76 anos depois, tendo sido concluída sob as orientações do arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928), que depois de formado na Europa fez carreira em Campinas, antes de se projetar em São Paulo, com obras como o Teatro Municipal.

A técnica da construção é a taipa de pilão – terra socada com pilão -, o que a torna o maior templo construído com esta técnica no mundo. Em 1908, com a criação da diocese, a igreja foi elevada à Catedral Nova Senhora da Conceição.

A Catedral também contém obras de outro gênio, o baiano Vitoriano dos Anjos (1765-1871), Ele assina os entalhes do altar-mor, da varanda do coro, dos púlpitos e tribunas. Dispensado, continuou residindo em Campinas, onde faleceu praticamente esquecido e na pobreza.

A Catedral foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

Mercadão de Campinas: 107 anos proporcionando delícias (Foto Adriano Rosa)

Mercadão de Campinas: 107 anos proporcionando delícias (Foto Adriano Rosa)

 

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