Sexo no cinema é tema de livro que será lançado no SESC-Piracicaba dia 9 de agosto
Vários filmes e autores foram analisados no livro "Cinema Explícito"

Sexo no cinema é tema de livro que será lançado no SESC-Piracicaba dia 9 de agosto

Nesta terça-feira, dia 9 de agosto, a unidade do SESC-Piracicaba sedia, a partir das 20 horas, o lançamento do livro “Cinema explícito: representações cinematográficas do sexo”, do sociólogo Rodrigo Gerace, publicado pela Edições Sesc São Paulo. Com exibição de trechos de filmes raros e transgressores que trouxeram representações cinematográficas do sexo alternativas àquelas já legitimadas pelo mainstream, o encontro terá entrada gratuita e retirada de ingressos com uma hora de antecedência. A entrada de menores de 18 anos não será permitida, mesmo acompanhados dos pais.

Este livro, bem como todas as publicações das Edições Sesc São Paulo, podem ser adquiridas em todas as unidades Sesc SP (capital e interior), nas principais livrarias e também pelo portal www.sescsp.org.br/livraria.

No livro, lançado pela Edições Sesc São Paulo e Editora Perspectiva, o autor faz uma genealogia das representações do sexo no cinema, do período silencioso ao contemporâneo, abordando da pornografia no cinema mudo até as vanguardas artísticas, do cinema experimental ao underground, das pornochanchadas ao cinema marginal brasileiro, do cinema queer às pornografias alternativas, do circuito independente à estilização do sexo no cinema de autor, que politizou e escandalizou o desejo por meio de narrativas ora transgressoras e libertárias, ora confinadas em discursos normativos sobre sexo. Estabelece desse modo uma análise crítica de filmes que embaralharam temas tabus, da política ao erotismo e suas metáforas, provocando as obscenidades das épocas em seus efeitos estéticos e ideológicos.

O estudo reflete como o sexo, do “implícito” ao explícito, ainda tem sido tema de grande tabu de abordagem e representação na história do cinema, sofrendo retaliações, censuras, boicotes, dos períodos oficiais de veto (vide o Código Hays nos EUA ou a Ditadura Militar brasileira) até a contemporaneidade, em casos específicos. A partir da teoria do realismo cinematográfico, o autor questiona: “Como os cineastas abordaram o sexo para além da elipse narrativa que o sublima para as cenas do café da manhã no dia seguinte? Por quais sentidos ideológicos e culturais trafegam as estilizações do sexo no cinema?”.

Ancorado em Michel Foucault e em outros filósofos e teóricos de cinema, o livro revê assim conceitos como os de pornografia e erotismo, relacionados às dimensões simbólicas que carregam em face aos efeitos políticos das obscenidades em cada contexto cultural.

O autor percorre temas e questionamentos que vão do realismo cinematográfico às questões metafóricas pelas quais o discurso sexual se destrincha nas narrativas fílmicas. “Todo sexo é explícito? (…) O que estamos chamando de sexo? Toda representação explícita do sexo é pornográfica, transgressora? Qual a função política da obscenidade?” são algumas das questões levantadas pela publicação.

Nessa direção, o autor faz uma análise fundamentada das abordagens do sexo elaborada por cineastas desde o “primeiro cinema”, de Thomas Edison a Albert Smith, até o cinema contemporâneo, mergulhando em obras de vários artistas e cineastas que flertaram com a “imaginação pornográfica”, como Jean Cocteau, Kenneth Anger, Gerard Damiano, Nagisa Oshima, Pier Paolo Pasolini, Lars von Trier, Bruce La Bruce, Catherine Breillat, Jean Claude Brisseau, Luís Buñuel, Pedro Almodóvar, Andy Warhol, Paul Morrissey, John Waters, Barbara Hammer, Jack Smith, Otto Muhuel, John Cameron Mitchell, Patrice Chereau, Bruno Dumont, Tinto Brass, Julio Bressane, Rogerio Sganzerla, Erika Lust, João Pedro Rodrigues, Gaspar Noe,  entre tantos cineastas brasileiros e estrangeiros.

Capa de "Cinema Explícito"

Capa de “Cinema Explícito”

Com diversos filmes analisados, o autor questiona os valores morais pelos quais o “efeito obsceno” transita na história do cinema. Por exemplo, se o primeiro beijo na boca em cena cinematográfica, o filme The Kiss, de 1896, dirigido por William Heise, foi acusado de obscenidade na época, hoje, seu efeito já não é o mesmo. Ao passo que, dramas recentes, como os premiados O segredo de Brokeback Moutain e Azul é a cor mais quente, foram proibidos em vários países, com relação à distribuição, acusados de obscenidade.

Nesta perspectiva, ao focar o desejo explícito em cena, o autor percorre como as representações do sexo expandem possibilidades políticas e narrativas em seus sentidos ideológicos e estéticos.

Sobre o autor – Rodrigo Gerace é sociólogo, com mestrado e doutorado em Cinema. Pesquisador, crítico e professor, redigiu a dissertação O cinema de Lars von Trier: dogmatismo e subversão (UFMG, 2006) e a tese Cinema-explícito: representações cinematográficas do sexo, na Universidade Federal de Minas Gerais, com estágio na Universidade Nova de Lisboa/Portugal, em 2011. Possui diversos artigos publicados em jornais e revistas, além de ensaios acadêmicos em cadernos de pós-graduação. Atualmente trabalha na Gerência de Ação Cultural do Sesc SP como assistente na área de cinema.

Sobre as Edições Sesc SP – Segmento editorial do Sesc, as Edições Sesc São Paulo têm o intuito de expandir o campo de ação da instituição, atendendo a um público cada vez maior. Seu catálogo abrange diversas áreas do conhecimento, com ênfase em artes e ciências humanas, tendo a programação artístico-cultural e educativa do Sesc como uma das principais fontes de conteúdos da editora.

Rodrigo Gerace, autor de "Cinema explícito: representações cinematográficas do sexo" (Foto Divulgação)

Rodrigo Gerace, autor de “Cinema explícito: representações cinematográficas do sexo” (Foto Divulgação)

 

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