Olimpíadas: A inclusão desde a Antiguidade

Olimpíadas: A inclusão desde a Antiguidade

Por Adiana Menezes

“O Atleta e o Mito do Herói”, da pesquisadora Katia Rubio, jornalista e psicóloga da Universidade de São Paulo (USP), faz uma análise atual e profunda sobre a construção do imaginário esportivo contemporâneo e o bem social que o esporte representa para a humanidade.  Em tempos de Olimpíadas no Brasil, a leitura pode ampliar a visão do leitor e espectador sobre os atletas e as práticas esportivas.

Veja abaixo a segunda parte da resenha do livro (clique aqui para ver também a primeira parte publicada dia 5/08).

Resenha (2ª parte)

A inclusão desde a Antiguidade

Na Antiguidade, o atleta ganhava a coroa de louros e privilégios como isenção de impostos, pensões vitalícias, escravos e outras regalias. Era uma forma de inclusão. Ele entrava também para a galeria dos heróis mitológicos, passando a ser reconhecido em documentos e praças públicas. Hoje, eles recebem as medalhas e em vez de isenções ganham contratos publicitários milionários, além de prestígio. Os narradores esportivos referem-se ao atleta como heróis sem cerimônia.

O atleta moderno se amolda à estrutura heroica com os mesmos valores adjacentes do confronto, da luta, da ascensão e do domínio. Essa referência mítica ainda é muito forte no esporte, uma vez que a máxima para o atleta é a vitória.

Por valorizar aquele que é o melhor, a sociedade impõe padrões de comportamento que privilegiam o mais forte, mais habilidoso, o que chega em primeiro lugar. Dentro dessa lógica, aquele que persegue esse objetivo é tomado por herói.

Os conceitos apresentados por Katia Rubio, em seu livro “O Atleta e o Mito do Herói – O imaginário esportivo contemporâneo”, de Katia Rubio (São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001), vão aos poucos dando clareza sobre o mito do herói. Para se situar no tempo, a autora se aprofunda na conceituação do que é o moderno, modernismo e modernidade. Seu foco se concentra no final do século XX e início do XXI.

Dentro da sociedade moderna, ela apresenta os conceitos vigentes sobre mobilidade (a ordem está no movimento), descontinuidade (decorrência da mobilidade), o cientificismo (a fetichização da ciência),o esteticismo (a invasão de todos os recantos da vida cotidiana pela arte ou alguma forma de arte, ainda que desbastada), a representação sobre o real (decorrência do esteticismo).

Em seguida, o pós-moderno, o pós-modernismo e a pós-modernidade são destrinchados no texto. No terceiro momento, o esporte e a indústria esportiva entram associando imagem e marca, de forma inseparável. A pós-modernidade é marcada por uma atenção maior ao presente, o que contrapõe a modernidade, onde a vida individual e coletiva são pensadas sobre um projeto futuro.

Embasada no antropólogo Clifford Geertz, a autora discorre sobre a cultura contemporânea e a comunicação. Geertz (1989, p.15) acredita que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu; a cultura seria as teias e sua análise.

Em todo o seu texto, Katia confronta conceitos sobre cultura de diferentes autores, como Wallerstein e Boyne; Chauí e Paula Carvalho, e Morin.

Quando fala sobre o imaginário e suas estruturas, ela cita a chegada do futebol no Brasil, que se deu por meio de um processo de difusão cultural trazido pelos filhos da burguesia brasileira que foram estudar na Inglaterra e também pelos próprios ingleses que vieram ao Brasil trabalhar nas indústrias desde o final do século XIX. Traz aqui a referência do antropólogo Roberto DaMatta, segundo o qual o futebol foi introduzido no Brasil sob o signo do novo.

Ao tratar sobre o imaginário, adentra no universo do simbólico e bebe na fonte de diversos autores e linhas de pensamento. Até chegar a uma síntese, na qual o imaginário não é a negação total do real, mas apoia-se no real de modo a transformá-lo e deslocá-lo, dando origem a novas relações no aparente real.

O simbólico, que em primeira instância vai ser encontrado na linguagem, encontra-se com o imaginário, porque no fim das contas o imaginário utiliza o simbólico para existir, discorre a autora, entrelaçando as teorias. “Por outro lado, o simbolismo pressupõe a capacidade imaginária, uma vez que presume a condição de ver em uma coisa o que ela não é, de vê-la diferente do que é.”

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