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Região Metropolitana de Campinas tem 60 mil no Bolsa Família e alta desigualdade (Brasil 2015-2018)
Campinas corre atrás do tempo para cumprir primeiras metas do Plano Municipal de Educação (Foto Adriano Rosa)

Região Metropolitana de Campinas tem 60 mil no Bolsa Família e alta desigualdade (Brasil 2015-2018)

Por José Pedro Martins

Os 2,1 milhões de eleitores nos 20 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) vão às urnas neste domingo, dia 26 de outubro, para votar em Dilma Rousseff ou Aécio Neves, os dois candidatos à Presidência da República que terão, entre seus principais desafios, o de continuar aumentando a geração de renda e diminuindo a alta desigualdade ainda existente no país. A RMC é um espelho do cenário geral: uma das regiões mais ricas e prósperas do Brasil, tem 60.922 famílias que estão recebendo o Bolsa Família neste mês de outubro, ou cerca 240 mil pessoas sobrevivendo com a transferência de renda do programa.

A alta desigualdade existente na RMC foi ratificada no Atlas de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Segundo o Atlas, a RMC tem quatro municípios entre os 30 de maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM): Valinhos (11º lugar), Vinhedo (12º), Americana (19º) e Campinas (28º).

Os demais municípios da RMC ficaram nestas posições no ranking nacional: Paulínia (56º), Holambra (61º), Nova Odessa (62º), Indaiatuba (76º), Jaguariúna (100º), Santa Bárbara D´Oeste (119º), Itatiba (145º), Cosmópolis (238º), Pedreira (238º), Sumaré (335º), Hortolândia (440º), Artur Nogueira (562º), Monte Mor (940º), Engenheiro Coelho (965º) e Santo Antônio de Posse (1842º).

A posição dos 19 municípios na RMC no ranking nacional confirma que os critérios usados pelo PNUD podem ser questionados. Os municípios de Valinhos, Vinhedo, Americana e Campinas são considerados de muito alto índice de desenvolvimento humano (índices de 0,8 a 1,0). Os restantes 15 municípios da RMC são considerados de alto índice de desenvolvimento humano (entre 0,7 e 0,79), apesar de posições tão diferenciadas no ranking, como entre Paulínia (56º) e Santo Antônio de Posse (1842º).

O PNUD considera os indicadores de longevidade, educação e renda para apurar o IDHM de cada município brasileiro, com base nos dados do Censo do IBGE de 2010. Considerando o ranking destes indicadores isoladamente, a posição dos municípios da RMC varia ainda mais.

O primeiro em longevidade são Holambra e Vinhedo (0.878), o primeiro em educação é Valinhos (0.763) e o primeiro em renda é Valinhos (0.848). Campinas está no terceiro lugar em renda, décimo-primeiro em longevidade e sexto em educação.

O IDHM do PNUD é sem dúvida um importantíssimo indicador, ou conjunto de indicadores, para ajudar na formulação de políticas públicas. Entretanto, não considera outras dimensões cada vez mais importantes para mensurar o desenvolvimento de um município. Daí a necessidade de seu aprimoramento para as próximas edições.

Campinas – A situação de Campinas é muito representativa dos desafios para redução de desigualdades no Brasil. Entre os 15 municípios com maior PIB municipal no Brasil, Campinas é o município com maior índice de desigualdade na RMC. O Índice de Gini (que mede a diferença de renda entre os mais ricos e mais pobres, sendo maior a desigualdade quanto mais se aproxima de 1 em escala de 0 a 1) de Campinas era de 0,56 em 2010. Por outro lado, os municípios com menor desigualdade, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, são Hortolândia e Nova Odessa, com Gini de 0,41.

A maior desigualdade em Campinas deriva da concentração de renda no município. Em 2010, os 20% mais ricos concentravam 60,74% da renda, enquanto os 80% mais pobres somavam 39,26% da renda. Números indicando aumento da desigualdade em Campinas: em 1991, os 20% mais ricos somavam 58,03% da renda, e os 80% mais pobres, 41,97%.

Em Hortolândia, os 20% mais ricos concentravam 46,60% da renda em 2010, menos que em 1991, quando somavam 47,01% – lembrando que Hortolândia foi um dos municípios que receberam maior volume de investimentos na RMC nas últimas duas décadas. Em Nova Odessa, os 20% mais ricos somavam 47,37% da renda em 2010, praticamente o mesmo índice de 1991, de 47,89%.

O ranking dos 19 municípios da RMC de acordo com o Índice de Gini, do mais desigual para o menos desigual: Campinas (0,56), Holambra e Valinhos (0,54), Vinhedo (0,53), Itatiba e Paulínia (0,48), Americana e Indaiatuba (0,47), Artur Nogueira (0,46), Sumaré (0,45), Monte Mor e Santo Antônio de Posse (0,44), Cosmópolis e Pedreira (0,42), Hortolândia e Nova Odessa (0,41).

O PNUD Brasil está no momento trabalhando na confecção do Atlas de Desenvolvimento das Regiões Metropolitanas brasileiras. O Atlas dará um panorama mais claro sobre a situação do desenvolvimento humano nessas áreas, como a RMC.

Bolsa Família na RMC – Fonte:  Caixa Econômica Federal

Município Famílias recebendo o benefício em outubro de 2014
Americana 2.334
Artur Nogueira 1.232
Campinas 22.279
Cosmópolis 1.354
Engenheiro Coelho 655
Holambra 160
Hortolândia 7.354
Indaiatuba 1.494
Itatiba 1.601
Jaguariúna 769
Monte Mor 2.669
Morungaba 360
Nova Odessa 652
Paulínia 2.009
Pedreira 275
Santa Bárbara D´Oeste 3.591
Santo Antônio de Posse 1.025
Sumaré 8.862
Valinhos 1.562
Vinhedo 685
TOTAL 60.922

 

 

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