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LISBOICES: É português, é?

LISBOICES: É português, é?

Sou casado há quase quatro anos com um português. Como também tenho amigos portugueses, apurei o ouvido para ouvir e entender o idioma de Portugal. Engraçado que alguns amigos brasileiros às vezes me pedem para traduzir algumas palavras e expressões que Paulo, meu marido, fala.
Mas estar acostumado à pronúncia e escrita portuguesa não lhe prepara em quase nada para a vida real em Lisboa. Comecei a trabalhar e nesta primeira semana meu grupo é basicamente de portugueses e apenas um brasileiro.
Se eu não prestar bem atenção, acabo ficando meio perdido quando falam entre si. Pois é, para se viver em Portugal é aprender muitas das expressões que só a terrinha tem.
Cá em Portugal é tudo bué de fixe! Ou seja, é tudo muito legal!
A começar por algumas letras do alfabeto. Aqui o k se diz kapa e o g, soa como guê. E o h, em inglês que tem som de r mas aqui apenas complementa a vogal que vem depois. Imagina convidar alguém para ir à Pizza ut? Ou assistir ao Incrível Ulk?
E o meia? Tipo meia dúzia. Eles entendem, mas não usam, é 6 e pronto!
Vai sacar dinheiro? Buscar uma encomenda? Esqueça estes verbos. Aqui se usa levantar: vou levantar dinheiro ou levantar uma encomenda.
Esqueça o gerúndio. Cá não se usa. Tipo: “estou a sair” e não estou saindo. “Estou a viver no Barreiro há cinco meses” e não “estou vivendo”.
Outra questão muito importante para quem vem viver em Portugal e respeitar as regras da boa convivência social é usar termos adequados, principalmente quando conhecer uma pessoa. Nunca chame alguém de você, mesmo que tenha a mesma idade que a tua e até mais jovem.
Em Portugal, a maneira correta de se dirigir a alguém que não se tem amizade é senhor ou senhora. E nunca usar o pronome pessoal “ti” com quem não se tem intimidade. O correto é “si”. Mais ou menos assim: “Trouxe um presente para si”.  Depois que pegou uma certa intimidade, aí sim pode usar “ti” e até o nosso brasuca você.
Outra coisa que me divirto é a palavra “retrasado(a), tipo: “Estive no Porto semana retrasada”, ou seja, há duas semanas.  Aqui, retrasado é atrasado. Para mencionar algo além da semana passada, basta mencionar o número de semanas, simples assim.
Outro dia dei risada sozinho. Estava no metrô e uma senhora me perguntou onde ficava uma estação, que ficava a duas paradas. Eu lhe lhe disse: “a seguinte após a próxima”. Ela ficou a me olhar intrigada. Depois sorriu e disse: “Ah, daqui a duas paragens?”. Me diverti que ainda não aprendi quase nada sobre como me fazer entender, mas eu vou tentando.
Morar em Portugal é aprender quase que um idioma novo, cheio de expressões e pronúncias que tenho o prazer, orgulho e a curiosidade de ir aprendendo.
Um grande abraço para a malta (pessoal)  que me lê aqui!

Sobre Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista formado pela Pontifícia Católica de Campinas. Nasceu em Belo Horizonte e por 30 anos viveu em Campinas, onde trabalhou na Rede Anhanguera de Comunicação. Atualmente é editor do blog de viagens Eu Por Aí (www.euporai.com.br) e vive em Portugal

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