RMC terá mapeamento e recuperação de nascentes como ferramenta na crise hídrica
Capacitação no IAC reuniu técnicos de prefeituras da RMC (Fotos Martinho Caires)

RMC terá mapeamento e recuperação de nascentes como ferramenta na crise hídrica

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) deflagrou nesta semana um programa que resultará no mapeamento das nascentes nos 20 municípios, visando a sua recuperação e proteção, como uma das ferramentas contra a crise hídrica que afeta grande parte do estado e do país. A discussão sobre a recuperação das nascentes, fundamental para a revitalização dos mananciais, levou a uma inédita aproximação entre a Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp) e a Agência das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Agência PCJ).

O programa começou com um workshop  nesta quinta e sexta-feira, 11 e 12 de dezembro, coordenado pelo Dr.Rinaldo de Oliveira Calheiros, pesquisador do Centro de Ecofisiologia e Biofísica do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que apoia a iniciativa. Cada um dos 20 municípios da RMC indicou dois técnicos, preferencialmente das áreas ambiental e/ou agrícola, para participar do workshop, no qual o Dr.Rinaldo apresentou caminhos para a recuperação e proteção de nascentes.

O pesquisador do IAC expôs aos técnicos das Prefeituras as linhas de gerais de uma ação que já está coordenando, de recuperação das nascentes em Nova Odessa, que funcionará como uma espécie de projeto-piloto para o programa metropolitano. Em Itatiba também está em curso um projeto mais ou menos semelhante.

Na quinta-feira, o Dr.Rinaldo expôs conceitos e questões teóricas. Ontem, sexta, os técnicos dos municípios foram a campo, verificar in loco como poder ser recuperadas nascentes de uma microbacia hidrográfica.

Após a capacitação, os técnicos voltarão aos seus respectivos municípios, onde iniciarão, com equipes locais, o mapeamento das nascentes nas microbacias, formadoras, por sua vez, da bacia do rio Piracicaba, onde a maior parte do território da RMC está localizada. O mapeamento ficará pronto entre fevereiro e março, quando será iniciado então o planejamento de estratégias e ações para cada uma das situações.

Dr.Rinaldo, do IAC, coordenador técnico das ações deflagradas pela Agemcamp e Conselho de Desenvolvimento da RMC

Dr.Rinaldo, do IAC, coordenador técnico das ações deflagradas pela Agemcamp e Conselho de Desenvolvimento da RMC

O Dr.Rinaldo explicou que o conjunto das nascentes na RMC apenas pode ser recuperado integralmente a médio prazo. Entretanto, notou que, com simples ações, visando o desassoreamento, muitas nascentes “já começam a produzir água a curto prazo”. As nascentes são essenciais para a alimentação do lençol freático que, por sua vez, ajuda a manter as vazões dos rios.

A recuperação e conservação das nascentes é determinante para a sustentabilidade dos recursos hídricos em uma bacia hidrográfica. No caso das bacias PCJ, é essencial, mesmo com a projetada construção de duas grandes barragens, nos rios Jaguari e Camanducaia.

“Cada nascente está em uma situação diferente da outra. É preciso caracterizar para definir as ações e estratégias”, explicou. O certo é que, por estudos já realizados e pelo relato de técnicos e mesmo de pequenos proprietários agrícolas, grande parte das nascentes da região está assoreada.

Prefeito Jaime Cruz: aproximação entre o político e a ciência

Prefeito Jaime Cruz, de Vinhedo: aproximação entre o político e a ciência

Situação crítica - De fato, o desmatamento ciliar e o uso inadequado do solo, levando ao assoreamento e à devastação das nascentes, também contribuíram para a crítica situação dos mananciais ao longo de 2014. Isto ficou claro no estudo “APA de Campinas: Situação dos recursos hídricos da Bacia do Ribeirão das Cabras: Identificação, caracterização e georreferenciamento dos açudes, poços, represas e das nascentes da sub-bacia do Alto Ribeirão das Cabras”, realizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Campinas e concluído em 2012.

O estudo verificou a situação de 145 nascentes principais e mais 12 associadas. O resultado mostrou que 77 nascentes estavam em condição Ruim, oito em condição Péssima, 15 em condição Regular e 57 em condição boa. Ou seja, cerca de 30% somente das nascentes estavam em boa situação, pelos critérios adotados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Campinas.

É importante observar que o estudo abrangeu somente a sub-bacia do Alto Ribeirão das Cabras, que é muito maior. De qualquer modo, o estudo comprovou a urgência de um uso mais racional do solo e de medidas de recuperação das nascentes, visando a proteção dos recursos hídricos na região da APA de Campinas, na RMC e em toda bacia do rio Piracicaba.

Daí a relevância do programa que será implementado na Região Metropolitana de Campinas, com a provável cooperação entre a Agemcamp e a Agência das Bacias PCJ, responsável pela aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água no contexto das três bacias. Os recursos são aplicados após a definição pelos Comitês PCJ.

A diretora executiva da Agemcamp, Ester Viana, e o diretor administrativo e financeiro da Agência das Bacias PCJ, Sergio Razera, participaram da abertura do workshop no IAC, e ambos ressaltaram a importância da iniciativa. Também presente o prefeito de Vinhedo, Jaime Cruz, representando o Conselho de Desenvolvimento da RMC, que destacou a relevância da aproximação dos gestores públicos e da ciência e tecnologia produzidas na RMC, para equacionar desafios como o da crise hídrica. A crise histórica está ajudando a quebrar e gerar novos paradigmas. (Por José Pedro Martins)

Representantes das organizações parceiras reunidas no IAC: ação coletiva de perfil inédito

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