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Invasão de poesia no Largo das Andorinhas: aberto o FEVERESTIVAL
Cena do FEVERESTIVAL de 2015: Daniel Viana e suas histórias em guardanapos, fragmentos da memória popular (Foto Martinho Caires)

Invasão de poesia no Largo das Andorinhas: aberto o FEVERESTIVAL

O Largo das Andorinhas, ao lado da Prefeitura, tem esse nome porque era onde as andorinhas se reuniam, no início do século 20, no mercadinho que existia no local. Vem daí o título de Cidade das Andorinhas, denominação dada por Rui Barbosa, em uma de suas crônicas escritas após visitas a Campinas. Nesta sexta-feira, 30 de janeiro, o Largo recebeu um novo escritor. Com uma máquina de escrever, Daniel Viana concebeu e digitou, na hora, vários poemas e mini-contos. Em guardanapos amarelos, guardados com o maior zelo por várias pessoas que sentavam e contavam histórias para o artista. Assim foi a intervenção “Guardanapos poéticos – troco um causo por um conto”, uma das ações da invasão urbana que marcou o anúncio do XI FEVERESTIVAL – Festival Internacional de Teatro de Campinas.

Pessoas de várias idades paravam e se encantavam com o inusitado. Uma pessoa calmamente batendo à máquina, cena não muito comum em tempos de velocidade da Internet, de pressa, de indisponibilidade para a reflexão. Em seguida, eram convidadas a sentar um pouco com o escritor, e contar algum fato, um fragmento. “A máquina de escrever, por ser um objeto mais antigo, desperta a memória das pessoas. E elas se abrem”, conta Daniel, que começou o projeto no dia primeiro de janeiro de 2013, em uma área próxima à avenida Paulista, em São Paulo. De lá para cá já foram dezenas de cidades visitadas.

A história relatada vira um poema, um conto, um trecho curto mas muito significativo, para o escritor e para quem contou. “É um momento de parada, de afeto, as pessoas contam histórias alegres mas também tristes, sempre com emoção”, diz Daniel, que não esconde a origem pela paciência e atenção com que ouve, conversa e escreve: é mineiro, de Poços de Caldas, embora more há muito na capital paulista.

Uma das cidadãs que aceitaram o convite, na manhã quente de um Verão sem água, foi Mercês Ferreira dos Santos. A máquina de escrever já lhe chamou a atenção. Foi com uma daquelas que aprendeu a datilografar, exigência para um emprego em São Paulo. E ela contou a história de quando chegou para morar na grande megalópole. O resultado foi um poema singelo. Mercês ficou muito feliz e aprovou a iniciativa. “Gostei muito, é bem diferente”, resumiu.

Escritor e profissional de artes cênicas e direção teatral, Daniel conta que sempre preferiu a rua como território de intervenção. “Nas ruas os personagens são reais, vivos, podemos conversar com eles, os sentimentos estão aflorados”, explica. Os guardanapos não são por acaso, completa. “São frágeis, com eles as pessoas ficam mais à vontade para esse diálogo, essa troca”, conta o autor, que reuniu muito desses relatos no livro “Baseado em causos reais”, lançado na Primavera de 2014. No Largo das Andorinhas, poesias voaram levando sonhos nas asas.

XI FEVERESTIVAL –  Terminais de ônibus, rodoviária e Aeroporto Internacional de Viracopos, entre outros pontos de Campinas, foram “invadidos” nesta sexta-feira, por ações de mais de 70 artistas de várias cidades brasileiras. A ocupação urbana é uma iniciativa para anunciar a chegada do XI FEVERESTIVAL (Festival Internacional de Teatro de Campinas), que acontece entre 31 de janeiro, sábado, até 13 de fevereiro. Nos terminais de ônibus, a população pode apreciar a exposição “A cena por aí”, do fotógrafo Arthur Amaral, de Campinas.

Muitas das intervenções foram caracterizadas por cenas curtas, propiciando o diálogo direto com o público. Segundo Cristiane Taguchi, da organização do Festival, é uma estratégia para realmente aproximar cada vez mais o teatro e a proposta do FEVERESTIVAL da população de Campinas.

Neste ano, o Festival terá uma programação com mais de 60 eventos, entre espetáculos teatrais, oficinas, cabarés, pontos de encontro, e Mostra de Bolso, em vários espaços espalhados por Campinas. Sob o tema geral “Cenários Compartilhados”, a programação, segundo os organizadores, será um momento oportuno para reflexões e  discussões sobre a relação entre o homem e as fronteiras sociais, políticas, culturais e artísticas, em uma perspectiva interdisciplinar e promovendo o diálogo entre o teatro e outras áreas do fazer artístico.

Neste ano, o FEVERESTIVAL terá o apoio da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida e do Grupo de Estudos em Audiodescrição da Unicamp. Com isto, três espetáculos da programação contarão com Acessibilidade de Audiodescrição e Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS), ampliando a inclusão e a acessibilidade através da experiência artística.

Cristiane: cenas curtas para encantar o público

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