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Pós-guerra marca nascimento de grandes organizações ambientalistas
Assis, na Itália: chamado à paz (Foto José Pedro Martins)

Pós-guerra marca nascimento de grandes organizações ambientalistas

Páginas da história ambiental – V

Por José Pedro Martins

Os anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial foram de reconstrução, de novo Renascimento. A técnica nunca tinha chegado tão longe, utilizada para produzir em massa a morte nos campos de concentração ou para gerar uma nova arma letal – a bomba atômica, com a qual o planeta entrou na Era Nuclear, com as explosões de Hiroshima e Nagasaki.

Começava a Guerra Fria, a disputa entre as duas grandes potências que emergiram  da Segunda Guerra, Estados Unidos e União Soviética. Guerra Fria que dominaria, por quase quatro décadas o cenário político, social, cultural e econômico internacional.

A atmosfera de tristeza, para muitos de desesperança com relação ao que o ser humano ainda poderia fazer, foi refletida, de novo, com refinamento pela Arte e pela filosofia. O existencialismo ditou a moda intelectual por muito tempo. Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, entre outros, pontificaram nesse terreno.

“Esperando Godot” (publicada em 1952, mas composta entre 1948 e 49), entre outras obras de Samuel  Beckett (1906-1989), espelhou os anos de desolação, de angústia que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Cenários devastados,  personagens de falas truncadas, estilhaçadas, eram a perfeita tradução do que sobrou das cinzas da guerra.  E o Expressionismo Figurativo e Abstrato levando mais longe para as telas a desconstrução da cor e da forma.

Mas o pós-Segunda Guerra também foi um momento de tentativas de melhor articulação e organização internacional, para evitar novos conflitos. Em 26 de junho de 1945 foi assinada a Carta das Nações Unidas, documento  mais ousado nesse sentido. O início oficial da ONU é 24 de outubro de 1945, quando a Carta já tinha sido ratificada pelas grandes potências.

Em 1951 nasceu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, antecessora da Comunidade Europeia, criada com o Tratado de Roma, de 1957. Acordos e articulações internacionais em meio ambiente também aconteceram no período, no qual floresceu a sociedade de consumo com a popularização da televisão, sofisticação dos aparatos de propaganda e avanços, no cenário europeu principalmente, do Estado de Bem Estar Social.

E foi uma época de grande prosperidade para os países industrializados. O crescimento do PIB do conjunto de países desenvolvidos, que fora em média de 2,5% ao ano entre 1870-1913, caindo para 1,9% entre 1913-1950, atingiu 4,9% no período 1950-1970. O comércio mundial também evoluiu significativamente, crescendo em 6,1% ao ano entre 1953 e 1958 e 7,4% ao ano entre 1958 e 1963. A sociedade afluente criaria a motivação para a Contracultura da década de 1960. Alguns dos principais eventos do período:

 

1949 – Agosto – Setembro – Conferência das Nações Unidas sobre a Conservação e Utilização de Recursos Naturais, Lake Success, Nova York1950 – 18 de outubro, Paris – Convenção Internacional para a proteção dos pássaros

1951 – 6 de dezembro, Roma – Convenção internacional para proteção dos vegetais

1954 – 12 de maio, Londres – Convenção internacional para a prevenção da poluição das águas marinhas por hidrocarbonetos

1958 – 29 de abril, Genebra – Convenção sobre a pesca e a conservação dos recursos biológicos de alto-mar

1960 – Paris – Convenção sobre a responsabilidade civil no domínio da energia nuclear

 NASCIMENTO DE GRANDES ONGS E OIGS

O pós-guerra, dedicado a melhorar as instituições para proteger a vida, foi um período fértil para o nascimento de organizações não-governamentais e governamentais que se tornariam grandes expoentes na questão socioambiental. Casos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), de 1948, e do WWF, de 1961.

A UICN é a organização, criada em 1948,  voltada para promover a conservação dos recursos e espécies naturais no planeta. Em 2006 reunia 81 Estados nacionais, 113 agências governamentais, mais de 850 organizações não-governamentais e mais de 10 mil especialistas, em diversas áreas,  de mais de 180 países.(www.iucn.org)

O WWF foi criado em 1961, com o nome de Fundo Mundial para a Natureza, e atualmente é conhecido como Rede WWF. Com cerca de 5 milhões de associados em todo planeta, Rede WWF é a maior organização do gênero no início do século 21. Participa de mais de 2 mil projetos de conservação do meio ambiente. Desde 1985, o WWF investiu mais de US$1,165 milhões em mais de 11 mil projetos em 130 países.

Além das ONGs, também cresceu exponencialmente, desde meados do século 20, o número de Organizações Intergovernamentais (OIGs) dedicadas à questão ambiental e do desenvolvimento. Reflexo da institucionalização da temática, e da preocupação crescente de governos e sociedade em geral. O risco da burocratização é contrabalançado pela evolução das ONGs.

Entre 1945 e 1972, o número de OIGs com parte de sua atuação voltada para questões ambientais avançou de 7 para 49. Em 1992, ano da Eco-92, já era de 76 OIGs. No período 1945-72, o número de OIGs atuantes principalmente na área ambiental saltou de 2 para 15. Em 1992 eram 31 (Apud Stevis e Wilson, 1995, in Philippe Le Prestre, “Ecopolítica Internacional”, Editora SENAC, São Paulo, 2000, página 101).

Nascia uma nova era, a da sociedade civil mundial. Está em suas mãos grande parte das chances de construção de novos caminhos para o desenvolvimento global.

Rio Atibaia, Campinas, 2014: meio ambiente é novo front de lutas no século 21 (Foto Adriano Rosa)

Rio Atibaia, Campinas, 2014: meio ambiente é novo front de lutas no século 21 (Foto Adriano Rosa)

Sobre ASN

Organização sediada em Campinas (SP) de notícias, interpretação e reflexão sobre temas contemporâneos, com foco na defesa dos direitos de cidadania e valorização da qualidade de vida. Já ganhou os prêmios de jornalismo: FEAC (2015), Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros (2016), ABAG-Ribeirão Preto "José Hamilton Ribeiro" de Jornalismo (2017) e Prêmio INEP de Jornalismo (2017).

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