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Especialista da Unicamp critica proposta da Sabesp para o Cantareira
Cantareira em queda: crise de abastecimento na Grande São Paulo e região de Campinas pode ser dramática (Foto Adriano Rosa)

Especialista da Unicamp critica proposta da Sabesp para o Cantareira

A Sabesp encaminhou ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e para a Agência Nacional de Águas (ANA) o pedido de renovação da outorga do Sistema Cantareira, gerenciado desde 1974 pela estatal ligada ao governo de São Paulo. Para o professor Antônio Carlos Zuffo, do Departamento de Recursos Hídricos da Faculdade de Engenharia Civil da Unicamp, os termos do pedido da Sabesp “não são os mais adequados para a gestão do Cantareira”. O especialista entende que a segurança hídrica para abastecimento da Grande São Paulo e região de Campinas em 2015 “é muito baixa”. O pedido da Sabesp ao DAEE e ANA marca o início oficial do processo de renovação da outorga do Cantareira, como a Agência Social de Notícias informou ontem, 7 de maio.

Em 2013, a proposta original da Sabesp para a nova outorga do Cantareira (que deveria acontecer em 2014) era considerando uma produção de água pelo Sistema de 40 metros cúbicos por segundo, ou 40 mil litros de água por segundo. A outorga de 2014 não aconteceu, em função da crise hídrica, sendo adiada para 2015.

Agora a Sabesp pede uma outorga considerando uma produção de água de 36 m3/s, já refletindo o impacto da forte estiagem de 2014. O professor Zuffo, da Unicamp, entende que a nova outorga deveria considerar uma produção de água abaixo dos 36 m3/s. “Estamos entrando em um período de anos mais secos, com uma queda na média de chuvas de 20 a 30%. Portanto, o Cantareira tende a não produzir 36 metros cúbicos por segundo”, defende o especialista.

O professor Zuffo entende que a metodologia de operação do Cantareira deve considerar a média seca de 2014 e não mais a média anterior, de 1953-54, que era o período mais seco até então em termos de abastecimento da Grande São Paulo.  Para efeito estatístico, deveria ser então considerado o período mais recente, que foi mais seco, tornando mais restritivo o uso do Cantareira, nota o especialista.

Baixa segurança hídrica – O professor da Unicamp entende que é “muito baixa” a segurança hídrica para o abastecimento da Grande São Paulo e região de Campinas, localizada nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), ao longo de 2015. O nível do Cantareira voltou a cair (nesta sexta-feira, 8 de maio, pela quarta vez em duas semanas) e a vazão dos rios da região de Campinas também está cada vez mais baixa.

O especialista nota que, se continuar essa queda de vazão, logo entrarão em vigor as regras de restrição do uso da água nas bacias PCJ. “É preciso economizar água para passar o período seco”, ele alerta.

Para o professor Zuffo, uma campanha pelo uso racional da água deveria ser intensa, por parte dos poderes públicos,   desde o início do ano passado, o que não foi feito, contudo. “Apenas se negou a crise em 2014, e a situação apenas se agravou”, protesta. Novamente, como em 2014, acrescenta o especialista, tudo dependerá do tempo nos próximos meses. Se não chover em volumes satisfatórios, a crise hídrica pode ser ainda mais dramática que em 2014.

 

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