Atentados em Paris afetam a Conferência do Clima: acordo global pode ser adiado
COP-21 em Paris, em 2015, chegou a acordo para redução de gases de efeito-estufa (Foto José Pedro Martins)

Atentados em Paris afetam a Conferência do Clima: acordo global pode ser adiado

Os atentados simultâneos que deixaram mais de 120 mortos em Paris na noite desta sexta-feira, 13 de novembro, vão afetar diretamente a Conferência do Clima (COP-21) marcada para o período de 30 de novembro a 11 de dezembro na capital francesa. Não está descartado que seja adiado o acordo que seria assinado para a redução das emissões que agravam o efeito-estufa e portanto influenciam no aquecimento global. A reunião do G-20 na Turquia, nestes dias 15 e 16, já foi atingida: o presidente François Hollande já cancelou a ida ao encontro, em um claro indício de como a COP-21 também deve ser prejudicada como consequência dos ataques terroristas.

De fato, o maior abalo na COP-21 deve ser em relação à presença de chefes de Estado e governo na Conferência. Até o final da semana passada, 136 deles tinham confirmado participação no evento, superando a presença da Conferência de Copenhague, na Dinamarca, que registrou 115 líderes nacionais. A expectativa agora é de diminuição substantiva da viagem de chefes de Estado e governo a Paris.

A própria estratégia que vinha sendo adotada pelo governo francês, de assegurar a presença dos líderes nacionais no começo da COP-21, e não ao final, como tradicionalmente acontecia, pode ser modificada. A postura tinha sido adotada pelo Palácio do Eliseu como forma de aumentar as possibilidades de êxito da Conferência. Com os chefes de Estado e governo já no início do encontro, poderiam ser, em tese, atenuados os impasses diplomáticos esperados para o fechamento do texto do acordo.

Agora tudo está em suspenso. Há incertezas até em relação à oportunidade de conclusão do acordo previsto.  Não se sabe, por exemplo, até quando serão mantidas as medidas de restrição à circulação adotadas em função dos ataques terroristas. São esperadas mais de 50 mil pessoas nas duas semanas da conferência, sendo 5 mil delas jornalistas. A delegação brasileira, que deve ser uma das maiores, senão a maior, já somava mais de 700 pessoas.

Eram aguardados mais de 25 mil representantes de 196 países em Paris. Também eram esperados milhares de representantes de empresas, cuja presença agora é incerta. A programação prevê centenas de eventos da sociedade civil, dentro e fora do espaço oficial do encontro, na região do aeroporto de Le Bourget.

Com a esperada ampliação das forças de segurança, uma dúvida é quanto ao limite de tolerância em relação às manifestações públicas relacionadas ao tema central da Conferência. Nas 20 COPs anteriores, sempre houve abundância de manifestações nas ruas e principalmente imediações dos locais dos encontros.

Não pode ser nem descartada a hipótese de que um dos objetivos dos atentados era justamente prejudicar a logística e a estrutura para a COP-21. Na manhã desta mesma sexta-feira de barbárie, a França, como medida prévia à realização da Conferência do Clima, tinha colocado em prática a suspensão de um dos pontos-chave dos acordos de Schengen, que regulam o funcionamento da Comunidade Europeia, que é a livre circulação de cidadãos e mercadorias.

Com a suspensão da observação dessa cláusula, os agentes de segurança passaram a verificar toda a documentação de quem atravessa as fronteiras francesas, podendo ainda fazer a inspeção de equipamentos e veículos. À noite, os atentados foram uma clara resposta a essa medida de exceção, tomada, segundo as autoridades francesas, exatamente para… evitar ataques terroristas.

O terror agora afeta diretamente as já complicadas negociações climáticas. (Por José Pedro Martins)

 

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