Arábia Saudita ganha o Prêmio Fóssil por bloquear avanços na COP-21 em Paris
O uso de combustíveis fósseis está no centro das discussões na COP-21 em Paris (Foto Adriana Menezes)

Arábia Saudita ganha o Prêmio Fóssil por bloquear avanços na COP-21 em Paris

Nesta segunda-feira, 7 de dezembro, que marcou o início da segunda e última semana da COP-21 em Paris, a Arábia Saudita recebeu pela quarta vez consecutiva o Troféu Fóssil do Dia, concedido pela The Climate Action Network (CAN), uma rede de 950 organizações sociais de dezenas de países. O Prêmio Fóssil do Dia é concedido diariamente pela CAN, aos países que mais bloqueiam, ao longo da Conferência do Clima, os avanços no sentido da transição para uma economia descarbonizada ou, no mínimo, de baixo carbono. Os vencedores dos prêmios recebem simbolicamente dinossauros de brinquedo. Bélgica, Nova Zelândia, Dinamarca e Venezuela foram outros países que receberam o Prêmio Fóssil do Dia até o momento.

A Arábia Saudita vem ganhando o Prêmio Fóssil quase diariamente, segundo a The Climate Action Network, pela sua constante oposição à simples menção, no texto para o Acordo de Paris, da necessidade de que sejam feitos esforços para que a temperatura média global não suba até 1,5 graus célsius até o final do século 21. As negociações diplomáticas estão ocorrendo visando cortes de emissões para que a temperatura média global não suba mais do que 2 graus até 2100.

Outro motivo pelo qual a Arábia Saudita vem ganhando o Prêmio Fóssil, de acordo com a CAN, é sua recusa em que os países revejam as Contribuições Nacionalmente Determinadas (INDCs) até 2018, de modo que possam aumentar suas ambições no corte de emissões de gases que agravam as mudanças climáticas.

Em 2012, segundo a Agência Internacional de Energia, a Arábia Saudita tinha 0% de energia renovável em sua matriz energética. Entre 1973 e 2012, a Arábia Saudita aumentou o seu consumo energético de 7,2 para 2003, milhões de toneladas de equivalentes de petróleo. Nesse período, a participação do petróleo na matriz energética saudita passou de 78,8% para 66,9%, e a do gás natural, de 21,2% para 33,1%.

Outro que recebeu o Prêmio Fóssil da CAN em Paris é a Dinamarca, país que, “em passado não muito distante, foi uma inspiração para muitos”, por apresentar metas ambiciosas de cortes de emissões de gases-estufa. O panorama mudou, segundo The Climate Action Network, com a chegada do Partido Liberal ao poder em julho deste ano.

O ministro do meio ambiente dinamarquês, Lars Christian Lilleholt, observa CAN, já declarou que é favorável à redução das metas de corte de 40% das emissões até 2020. Com isso, lamenta a rede internacional de organizações sociais, Copenhague sinaliza de forma contrária ao esperado incremento do uso de energias renováveis. Do mesmo modo, a Dinamarca já sinalizou, segundo CAN, que vai reduzir a sua contribuição para o fundo climático mundial, de previstos US$ 72 milhões para US$ 39 milhões em 2016. “Isto é suficiente para comprar um café em Copenhague”, ironiza a rede CAN em seu comunicado referente à concessão do Troféu Fóssil no dia 3 de dezembro.

O primeiro país a ganhar o Prêmio Fóssil do Dia, a 30 de novembro, foi a Nova Zelândia, cujo primeiro-ministro, John Key, anunciou que seu governo era favorável à redução de subsídios para os combustíveis fósseis. Na realidade, segundo a CAN, os subsídios aos fósseis na Nova Zelândia aumentaram sete vezes desde a eleição de Key, em 2008.

Mas a Bélgica dividiu o primeiro lugar do Prêmio Fóssil do Dia, a 30 de novembro, com a Nova Zelândia. Isto porque, segundo a rede CAN, a Bélgica é um dos países mais atrasados na União Europeia em termos de redução do uso de carbono e incentivo ao uso de energias renováveis.

A Venezuela, país muito dependente da economia do petróleo, também já ganhou o Prêmio Fóssil do Dia na COP-21. Isto em função da sua negativa em apoiar os objetivos de longo prazo no âmbito do acordo de Paris.

O Prêmio Fóssil do Dia foi concedido pela primeira vez durante as negociações climáticas de 1999, em Bonn, por iniciativa da ONG Fórum Alemão. A partir daí, durante as conferências seguintes da Convenção das Mudanças Climáticas das Nações Unidas os membros da CAN passaram a votar nos países que fizeram o seu ‘melhor’ para bloquear o avanço das negociações.

Entre as 950 organizações da CAN em todo mundo, estão ActionAID, CAFOD e Amigos da Terra da Grã-Bretanha, Greenpeace e WWF da França e Misereor e Transparência Internacional da Alemanha. No Brasil, fazem parte da Climate Action Network a Fundação Grupo Esquel, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e Vitae Civilis.

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